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O sonho do gigante da moda brasileira está ruindo — e o Azzas 2154 tem futuro incerto

Alexandre Birman tinha o sonho de erguer o maior grupo de moda do Brasil. A fusão entre Arezzo e Grupo Soma, formalizada em agosto de 2024, era a peça central da ambição: um conglomerado com mais de 30 marcas, do calçado ao vestuário, capaz de competir em escala com players globais.

Menos de dois anos depois, o sonho está se desfazendo, e uma reconciliação entre os dois sócios controladores, Birman e Roberto Jatahy, parece cada vez menos provável.

As ações do Azzas 2154 acumulam queda da ordem de 50% em 12 meses. A empresa vale hoje R$ 3,8 bilhões, menos da metade do que atingiu no auge.

No mais recente capítulo, Jatahy obteve na Justiça do Rio de Janeiro uma medida cautelar contra decisões do sócio, em uma batalha que, segundo algumas pessoas com conhecimento da situação, tem como desfecho provável a cisão do grupo (Birman entrou com um agravo de instrumento para suspender a cautelar e aponta que o foro de qualquer questão deveria ser a Justiça de São Paulo, como determina o estatuto da companhia).

Mas esse não será um desfecho trivial. Primeiro, porque o tema da separação dos negócios não está na mesa de discussões, segundo fontes próximas a Birman.

E também porque a questão é saber até que ponto cada lado está disposto a ceder e a abrir mão de (muito) dinheiro: o acordo de acionistas celebrado na fusão prevê um lock-up (proibição de venda) de 10 anos para as ações no bloco de controle.

Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154
Alexandre Birman (esq.) e Roberto Jatahy, sócios do Azzas 2154, no anúncio da fusão (Divulgação)

O desafio não é exatamente da saúde das marcas: Farm Rio, Reserva e Animale seguem bem. Hering patina, mas dá sinais de melhora gradual com um plano de turnaround – e segue com um nome forte. O desafio é de governança.

Dois fundadores acostumados a mandar sozinhos, com culturas de gestão opostas, tentaram dividir o controle de um grupo com mais de 30 marcas. Não funcionou até aqui.

Segundo pessoas próximas a Jatahy, ele sempre deu autonomia às operações, formou lideranças internas e manteve cada marca quase como uma empresa independente. Birman, por sua vez, operaria no estilo “comando e controle”, um modelo que funcionou bem na Arezzo, mas que se mostrou inadequado para a complexidade do Azzas.

A percepção sobre Birman era a de um executivo duro, trabalhador, com uma narrativa sólida de quem construiu a Arezzo com as próprias mãos, o “sapateiro” que vendia resultados ao mercado com consistência. Parecia complementar o perfil criativo e descentralizado de Jatahy.

A realidade, segundo essas fontes, foi diferente. A dificuldade de lidar com divergências, segundo quem conviveu com Birman, teria afastado sucessivamente executivos que poderiam ter ajudado a estabilizar o grupo. Mais de 30 diretores não executivos deixaram o Azzas desde a fusão, muitos com acordos de confidencialidade que os impedem de falar publicamente. Birman costuma negar essa versão.

“São dois founders que tinham muita autonomia nas suas empresas antes da fusão”, diz uma pessoa que compôs o alto escalão da empresa. “No dia 2 do casamento, isso virou uma divisão de poder, e os dois se viram em papéis com os quais não estavam satisfeitos.”

A fusão também pecou pelo que deixou de fora.

Pessoas com conhecimento do processo dizem que o negócio foi pensado principalmente em termos de sinergias de receita, em como as marcas cresceriam juntas. As sinergias de custo, até mais relevantes para a rentabilidade, ficaram em segundo plano.

O estopim

O padrão de desgaste com executivos começou antes mesmo de a fusão ser concluída.

Rony Meisler, fundador da Reserva, deixou o grupo em agosto de 2024, poucos dias após o fechamento do negócio. O distanciamento vinha de antes. A Arezzo havia comprado a Reserva em 2020 por R$ 715 milhões, parte em ações com lock-up gradual.

Nas duas primeiras janelas, em 2022 e 2023, Meisler vendeu praticamente toda a sua fatia, um movimento que não agradou Birman. O estilo centralizador do CEO também bateu de frente com a personalidade do fundador, que se sentia cada vez menos consultado.

E, apesar de tentativas do alto comando do Azzas, nada convenceu Meisler a seguir no grupo.

Depois desse momento, os dois sócios controladores negociaram um armistício.

Jatahy cedeu mais, fosse na composição do conselho, nos acordos de acionistas, na escolha de executivos. Sempre com o objetivo declarado, segundo pessoas próximas a ele, de preservar a companhia e evitar um conflito aberto.

@investnewsbr

Após a saída de seis executivos do alto escalão do Azzas 2154, o grupo anunciou o retorno de Roberto Jatahy à liderança do negócio de moda. #azzas #moda #negócios

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O ponto de equilíbrio encontrado no meio de 2025 tinha um nome: Ruy Kameyama. O executivo, que atuava como conselheiro de Jatahy, voltou para a gestão para ser a interface entre as operações de moda no Rio de Janeiro, provenientes em geral do Soma, e a holding.

Por algum tempo, funcionou. Kameyama conduziu um processo de integração que durou dez meses, com consultoria contratada, que mapeou sinergias entre R$ 80 milhões e R$ 116 milhões de Ebitda anuais para a unidade carioca.

Foi um trabalho com custo financeiro e humano relevante, com demissões, reestruturações e meses de reuniões. O resultado estava incorporado ao orçamento de 2026.

Foi nesse momento que Birman passou a interferir na Reserva, área que estava sob o guarda-chuva de Kameyama. Em uma ligação, segundo relatos de pessoas que acompanharam a situação, Birman disse ao executivo que ele estava “cruzando a linha” ao se envolver em questões societárias. Kameyama pediu demissão no dia seguinte.

Com Kameyama fora, Birman anunciou que a Reserva seria transferida para o comando de David Python, executivo de sua confiança à frente das unidades Basic (Hering) e Shoes & Bags e que tem ganhado espaço no grupo.

Python é co-fundador da Cariuma, marca de calçados adquirida pelo Azzas no fim de 2025 justamente para trazê-lo, junto com outro executivo, Fernando Porto, para tocar o turnaround da Hering. Ele trabalhou anos em cargos de liderança na Arezzo e na Schutz antes do seu próprio negócio.

Para Jatahy, jogar fora R$ 116 milhões em Ebitda potencial, em uma empresa que já destruía valor, não tinha racionalidade econômica. A medida cautelar foi sua resposta.

O Azzas divulgou comunicado ao mercado dizendo ter sido “surpreendida” pelo pedido judicial, enquadrando a decisão sobre a Reserva, marca de moda masculina, como prerrogativa estatutária do CEO.

O custo nos negócios

Os resultados do Azzas no primeiro trimestre de 2026 mostraram em parte o custo da instabilidade na gestão. A receita líquida caiu 8% na comparação anual. A unidade de negócios Basic (Hering) respondeu pela maior parte da queda, com recuo de 19% no período.

O Citi apontou que o Ebitda reportado ficou 15% abaixo de sua estimativa e o lucro líquido veio quase 60% abaixo do projetado. O banco não descartou novas revisões para baixo nas projeções.

A deterioração do resultado da Hering é um exemplo dos riscos de integrações. A marca chegou a gerar R$ 240 milhões de Ebitda no fim dos anos 2010, antes da aquisição pelo Soma, e fechou 2025 com R$ 71 milhões, segundo pessoas com conhecimento da operação.

A piora culminou com a saída de Thiago Hering, da família fundadora. E levou à chegada de Python e Porto em outubro passado. O plano, que passa por uma nova lógica de operação – com redução dos estoques que demandavam desconto para dar saída -, se traduziu em queda das vendas, antes que elas – segundo se espera – voltem a crescer.

O vestuário feminino, que é a divisão herdada do Grupo Soma e segue sob influência de Jatahy, é hoje o ativo mais sólido do grupo. Cresceu 5% no primeiro trimestre, mesmo com desaceleração.

O futuro do Azzas 2154

Além da hipótese de cisão, há quem defenda uma terceira via: trazer um CEO externo, afastar os dois fundadores do dia a dia e tentar capturar parte das sinergias que motivaram o negócio.

“A empresa não conseguiu seus resultados, mas é uma questão de melhorar a governança”, diz uma pessoa que passou pelo alto escalão do grupo.

A questão é que o conselho atual não tem demonstrado capacidade de arbitrar o conflito, diz outra pessoa ouvida pela reportagem.

O caminho imediato é a arbitragem, resolvida a disputa de liminares e recursos.

Parte do mercado nutre a esperança de que o acirramento force uma composição e mais um armistício entre os dois sócios. Mas pessoas próximas aos bastidores do grupo são céticas. Birman, dizem, dificilmente dá um passo atrás, e Jatahy, após quase dois anos de concessões, chegou ao limite.

O Azzas foi construído sobre a tese de que marcas fortes ficam mais fortes juntas. Por ora, o que se vê é o oposto: marcas que funcionavam bem agora presas em uma sociedade que não funciona.

Procurado, o grupo Azzas 2154 preferiu não comentar e enviou os fatos relevantes recentes como resposta.

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‘Taxa das blusinhas’: como o fim do imposto impacta varejistas brasileiras

A concorrência das plataformas chinesas deve pesar ainda mais sobre o varejo brasileiro após o governo eliminar o imposto sobre compras internacionais de baixo valor.

A medida, assinada na terça-feira (12), derruba a alíquota extra de 20% sobre remessas internacionais até US$ 50 – a chamada “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024. A isenção já começa a valer nesta quarta-feira (13).

O imposto havia sido implementado para reduzir a vantagem competitiva de plataformas asiáticas como Shein, Shopee e Temu, que cresceram de forma agressiva no Brasil nos últimos anos.

Em relatório, analistas do BTG Pactual afirmaram que a mudança “reabre o debate sobre a assimetria competitiva” entre empresas brasileiras e marketplaces internacionais, e afeta especialmente empresas voltadas às classes média e baixa.

Antes da criação do imposto, mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor entravam no Brasil mensalmente. 

Após a taxação, o volume teria caído para 11 milhões mensais no fim de 2024, o que trouxe alívio num momento de queda de vendas das varejistas brasileiras. Mais recentemente, porém, as remessas já haviam voltado para uma faixa entre 15 milhões e 17 milhões por mês, com as plataformas absorvendo parte dos custos para manter os preços baixos.

Mesmo com o imposto, a Shein ainda operava com preços inferiores aos das varejistas brasileiras: 6% mais barata do que a Guararapes, dona da Riachuelo; 10% abaixo da Lojas Renner; e 13% abaixo da C&A.

Assimetria da ‘taxa das blusinhas’

A revogação da taxa foi recebida com críticas pelo varejo brasileiro. Em nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirmou que a medida amplia a disparidade competitiva entre o produto importado e o fabricado no Brasil, que, segundo a entidade, paga hoje 92% de carga tributária. 

Para o instituto, mesmo a alíquota de 20% não era suficiente para equilibrar a competição com plataformas estrangeiras. Segundo o IDV, se as compras internacionais de até US$ 50 não pagarem o imposto extra, os produtos nacionais nessa mesma faixa também deveriam ficar isentos.

“A assimetria hoje existe. E existem forças que querem que a assimetria seja ainda maior”, disse André Farber, CEO da Riachuelo, em entrevista ao InvestNews

Varejo mais preparado

Apesar da avaliação negativa para o setor, o BTG afirma que o varejo brasileiro hoje está mais preparado para enfrentar a concorrência chinesa do que em 2023 e 2024, quando o avanço das plataformas asiáticas pegou as empresas locais de surpresa.

Segundo o relatório, varejistas brasileiras melhoraram a gestão de estoques, ficaram mais disciplinadas em promoções e remarcações, ajustaram cadeias de fornecimento e avançaram na integração entre lojas físicas e canais digitais.

LEIA MAIS: Consumidor endividado é desafio ao varejo. Na C&A, caminho vai de peças versáteis a agentes de IA

O banco também avalia que a disputa deixou de ser restrita ao vestuário. A competição das plataformas internacionais já avançou para categorias como produtos de beleza, acessórios eletrônicos, decoração e artigos esportivos.

Na visão dos analistas do BTG, o principal desafio agora será manter a melhora recente nas margens e na qualidade dos estoques sem perder participação de mercado em um ambiente novamente pressionado por preços baixos vindos do exterior.

Impacto fiscal

Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 1,8 bilhão com impostos de importação sobre compras internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. A equipe econômica estima uma perda fiscal de R$ 1,94 bilhão neste ano com a retirada da cobrança federal. 

O impacto deve subir para R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028, de acordo com dados da Subsecretaria de Administração Aduaneira.

A redução vale apenas para o tributo federal. O ICMS estadual sobre compras internacionais continua sendo cobrado normalmente.

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EXCLUSIVO: Ruy Kameyama aumenta a debandada no topo do Azzas 2154

ruy kameyama

Quando o Azzas 2154 foi criado, em agosto de 2024, o discurso era de complementaridade. Mas, passados 18 meses, a rotatividade de executivos-chave é um sinal de que a integração virou uma disputa de poder. O mais novo a sair do grupo de marcas é Ruy Kameyama, que havia assumido como CEO de fashion & […]

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“Zuckanissance”: por que Mark Zuckerberg apareceu na primeira fila do desfile da Prada?

O desfile da Prada em Milão, no fim de fevereiro, acabou ofuscado pela presença de uma das figuras mais influentes do mundo da tecnologia, Mark Zuckerberg, CEO da Meta. Os cerca de 60 looks apresentados na passarela ficaram em segundo plano diante de uma pergunta que dominou os bastidores do evento: o que Zuck estava fazendo na primeira fila?

Não há apenas uma resposta. A hipótese mais evidente é a de uma possível colaboração entre a empresa de tecnologia e a tradicional grife italiana. A ideia seria unir o design da Prada à tecnologia da Meta no desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial.

Recentemente, a Meta abriu lojas Meta Lab, onde esses óculos com IA são vendidos, em estados como Havaí, Califórnia, Nevada e Nova York, reforçando a aposta da empresa no mercado desses dispositivos.

No desfile, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, se sentaram entre executivos da marca e figuras importantes do grupo, como Lorenzo Bertelli, filho de Miuccia Prada e atual diretor de marketing. Em entrevistas recentes, Bertelli tem destacado a importância de tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial. O fato de o herdeiro da companhia estar ao lado do CEO da Meta também reflete como os desfiles hoje são apenas uma parte do ecossistema de negócios de uma casa global de luxo.

Nesse contexto, a Prada poderia entrar no portfólio da Meta como uma versão mais sofisticada — e de luxo — dos dispositivos com IA. Questionada sobre o tema nos bastidores do desfile, Miuccia Prada não confirmou a parceria, mas também não descartou a possibilidade. A estilista respondeu apenas: “Talvez, quem sabe?”.

Vale lembrar que a Meta já atua no segmento de dispositivos vestíveis (wearables) em parceria com a fabricante franco-italiana EssilorLuxottica, responsável pela produção de óculos de marcas como Ray-Ban e Oakley.

Na passarela, a Prada apresentou uma coleção marcada por sobreposições e contrastes de materiais. A linha outono-inverno seguiu a estética minimalista que caracteriza a marca, apostando em roupas adaptáveis ao cotidiano e em silhuetas estruturadas.

Tendências como alfaiataria robusta, camadas volumosas e texturas contrastantes dominaram a apresentação. Ainda assim, grande parte das conversas nos bastidores acabou girando em torno da presença do fundador da Meta.

“Zuckanissance”: a transição do estilo de Mark Zuckerberg

A presença de Zuckerberg no desfile também reforça a mudança recente no estilo do CEO da Meta, que vem sendo chamada de “Zuckanissance”, uma transição para um visual mais sofisticado e autoral. Pelo jeito, os tempos do moletom cinza ficaram para trás. Apesar da mudança para um guarda-roupa mais refinado, com peças de luxo e roupas de marca, Zuckerberg mantém uma abordagem minimalista e confortável.

No desfile da Prada, como era esperado, ele e Priscilla Chan vestiam peças da própria grife italiana. O bilionário apareceu com um visual típico de “tech bro” em versão mais elegante: uma camisa polo bege de manga longa e calças marrom-escuro. Chan, por sua vez, usava um discreto suéter cinza, uma saia azul-marinho longa até o chão e mocassins marrons com sola plataforma.

Nos últimos tempos, Zuckerberg tem demonstrado um interesse mais visível por moda. Ele chamou a atenção da edição britânica da revista GQ ao usar um grande casaco de pele de carneiro (shearling) e também mandou produzir camisetas personalizadas com frases em latim da marca do designer Mike Amiri.

Moda e tecnologia

A presença de Zuckerberg e de outros bilionários em semanas de moda também reflete uma mudança no próprio ecossistema cultural do setor. Eventos antes dominados por estilistas e celebridades agora atraem líderes de grandes empresas de tecnologia e finanças.

No caso do CEO da Meta, a aparição na primeira fila da Prada simboliza um momento em que a indústria da moda e o universo tech se aproximam, cada vez mais, não apenas no design de produtos, mas também como estratégia de mercado. Se confirmada, a parceria entre Meta e Prada pode representar um novo capítulo nessa convergência entre tecnologia, inteligência artificial e luxo.

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“Zuckanissance”: por que Mark Zuckerberg apareceu na primeira fila do desfile da Prada?

O desfile da Prada em Milão, no fim de fevereiro, acabou ofuscado pela presença de uma das figuras mais influentes do mundo da tecnologia, Mark Zuckerberg, CEO da Meta. Os cerca de 60 looks apresentados na passarela ficaram em segundo plano diante de uma pergunta que dominou os bastidores do evento: o que Zuck estava fazendo na primeira fila?

Não há apenas uma resposta. A hipótese mais evidente é a de uma possível colaboração entre a empresa de tecnologia e a tradicional grife italiana. A ideia seria unir o design da Prada à tecnologia da Meta no desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial.

Recentemente, a Meta abriu lojas Meta Lab, onde esses óculos com IA são vendidos, em estados como Havaí, Califórnia, Nevada e Nova York, reforçando a aposta da empresa no mercado desses dispositivos.

No desfile, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, se sentaram entre executivos da marca e figuras importantes do grupo, como Lorenzo Bertelli, filho de Miuccia Prada e atual diretor de marketing. Em entrevistas recentes, Bertelli tem destacado a importância de tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial. O fato de o herdeiro da companhia estar ao lado do CEO da Meta também reflete como os desfiles hoje são apenas uma parte do ecossistema de negócios de uma casa global de luxo.

Nesse contexto, a Prada poderia entrar no portfólio da Meta como uma versão mais sofisticada — e de luxo — dos dispositivos com IA. Questionada sobre o tema nos bastidores do desfile, Miuccia Prada não confirmou a parceria, mas também não descartou a possibilidade. A estilista respondeu apenas: “Talvez, quem sabe?”.

Vale lembrar que a Meta já atua no segmento de dispositivos vestíveis (wearables) em parceria com a fabricante franco-italiana EssilorLuxottica, responsável pela produção de óculos de marcas como Ray-Ban e Oakley.

Na passarela, a Prada apresentou uma coleção marcada por sobreposições e contrastes de materiais. A linha outono-inverno seguiu a estética minimalista que caracteriza a marca, apostando em roupas adaptáveis ao cotidiano e em silhuetas estruturadas.

Tendências como alfaiataria robusta, camadas volumosas e texturas contrastantes dominaram a apresentação. Ainda assim, grande parte das conversas nos bastidores acabou girando em torno da presença do fundador da Meta.

“Zuckanissance”: a transição do estilo de Mark Zuckerberg

A presença de Zuckerberg no desfile também reforça a mudança recente no estilo do CEO da Meta, que vem sendo chamada de “Zuckanissance”, uma transição para um visual mais sofisticado e autoral. Pelo jeito, os tempos do moletom cinza ficaram para trás. Apesar da mudança para um guarda-roupa mais refinado, com peças de luxo e roupas de marca, Zuckerberg mantém uma abordagem minimalista e confortável.

No desfile da Prada, como era esperado, ele e Priscilla Chan vestiam peças da própria grife italiana. O bilionário apareceu com um visual típico de “tech bro” em versão mais elegante: uma camisa polo bege de manga longa e calças marrom-escuro. Chan, por sua vez, usava um discreto suéter cinza, uma saia azul-marinho longa até o chão e mocassins marrons com sola plataforma.

Nos últimos tempos, Zuckerberg tem demonstrado um interesse mais visível por moda. Ele chamou a atenção da edição britânica da revista GQ ao usar um grande casaco de pele de carneiro (shearling) e também mandou produzir camisetas personalizadas com frases em latim da marca do designer Mike Amiri.

Moda e tecnologia

A presença de Zuckerberg e de outros bilionários em semanas de moda também reflete uma mudança no próprio ecossistema cultural do setor. Eventos antes dominados por estilistas e celebridades agora atraem líderes de grandes empresas de tecnologia e finanças.

No caso do CEO da Meta, a aparição na primeira fila da Prada simboliza um momento em que a indústria da moda e o universo tech se aproximam, cada vez mais, não apenas no design de produtos, mas também como estratégia de mercado. Se confirmada, a parceria entre Meta e Prada pode representar um novo capítulo nessa convergência entre tecnologia, inteligência artificial e luxo.

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Chinesa Anta Sports, dona da Fila, avalia oferta pela Puma

A empresa chinesa de artigos esportivos Anta Sports Products está entre as companhias que avaliam uma possível aquisição da Puma, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Listada em Hong Kong, a Anta vem trabalhando com um assessor para avaliar uma oferta pela Puma, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as informações são privadas. A empresa pode se juntar a uma firma de private equity caso decida avançar com uma proposta, disseram algumas dessas pessoas. As ações da Puma chegaram a disparar 14% nas negociações em Frankfurt, a maior alta desde setembro.

Outros possíveis interessados incluem a concorrente chinesa Li Ning, segundo as fontes. A Li Ning — batizada com o nome do lendário ginasta que fundou a companhia — vem discutindo opções de financiamento com bancos enquanto faz uma análise inicial da Puma, disseram. A Puma também pode atrair interesse de empresas esportivas como a japonesa Asics Corp., afirmaram.

As discussões são preliminares e não está claro quais potenciais compradores seguirão adiante com ofertas, segundo as fontes. As expectativas de valuation do maior acionista da Puma, a bilionária família Pinault, da França, podem representar um obstáculo significativo a qualquer negociação, disseram.

Antes da disparada desta quinta-feira, as ações da Puma haviam caído 62% em Frankfurt neste ano, dando à empresa um valor de mercado de €2,5 bilhões (US$ 2,9 bilhões).

A holding Artémis, da família Pinault, detinha 29% da Puma no fim do ano passado, segundo o relatório anual da empresa.

A Anta — que é dona de marcas como Fila e Jack Wolfskin — acumulou alta de 10% nas negociações em Hong Kong neste ano, alcançando valor de mercado de US$ 31 bilhões. Um consórcio liderado pela Anta, que também incluía a firmade private equity asiática FountainVest Partners, pagou US$ 5,2 bilhões em 2019 para adquirir a Amer Sports, dona de marcas como Salomon e Arc’teryx. A Amer abriu capital em Nova York no ano passado, com a Anta permanecendo como sua principal investidora, segundo dados compilados pela Bloomberg.

As ações da Li Ning subiram cerca de 8% em 2025, alcançando valor de mercado próximo de US$ 6 bilhões.

Um representante da Anta não respondeu aos pedidos de comentário, enquanto porta-vozes da Artémis, da Asics e da Puma recusaram comentar.

Em resposta a uma consulta da Bloomberg News, a Li Ning disse em comunicado que continua focada no crescimento de sua marca e que não realizou nenhuma negociação ou avaliação “substancial” relacionada à Puma.

Estratégia da Puma

François-Henri Pinault, sócio-gerente da Artémis, disse em setembro que a participação na Puma é “interessante”, mas “não estratégica”, e que as opções relacionadas ao investimento continuam abertas.

A Puma vem tentando se reposicionar sob o comando do novo CEO, Arthur Hoeld, após anos sem conseguir criar muito entusiasmo pelos seus produtos entre os consumidores. Em julho, a empresa alemã nomeou o ex-executivo da Adidas, Andreas Hubert, como diretor de operações. Hubert tem 20 anos de experiência na Adidas e atuou nos últimos quatro anos como diretor de informação (CIO) da empresa.

Fundada em 1948, a Puma registrou €281,6 milhões em lucro líquido no ano passado e €8,8 bilhões em vendas. Entre seus contratos de patrocínio estão o Manchester City, da Premier League inglesa, a seleção de Portugal e a seleção masculina de handebol da Dinamarca.

No mês passado, a Puma afirmou que planeja cortar mais 900 empregos e reforçar seu foco em corrida, futebol e treinamento. A empresa também está reformulando o marketing para criar histórias mais envolventes sobre os produtos enquanto são desenvolvidos, na esperança de tornar a marca mais desejável para os consumidores. O objetivo da Puma é voltar a crescer até 2027, se estabelecer como uma das três maiores marcas esportivas do mundo e alcançar “lucros saudáveis” no médio prazo.

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Shein quer abrir lojas permanentes em Paris, mas vai ter de lidar com oposição


A plataforma online de fast fashion Shein planeja abrir seis lojas permanentes na França, começando justamente por Paris, a capital da moda — mas não sem enfrentar resistência. O plano para abrir lojas físicas em cidades regionais francesas dentro de unidades que carregam o nome Galeries Lafayette.

Em setembro, a companhia já havia testado o formato físico com uma loja temporária (pop-up) no bairro do Marais, na capital, com o conceito “Style Hunt” — em que peças eram organizadas por estilos associados a bairros parisienses. Por aqui, no Brasil, a varejista também testou o modelo de lojas temporárias em diversas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia.

A Galeries Lafayette vendeu essas lojas em 2021 para a Société des Grands Magasins (SGM), que manteve o direito de usar o nome do varejista francês.

Fundada na China e hoje sediada em Singapura, a Shein Group Ltd. virou um fenômeno do varejo online e das redes sociais, enviando roupas baratas para clientes em todo o mundo. A Société des Grands Magasins disse nesta quarta-feira (01) que a Shein havia concordado em abrir lojas dentro das unidades Galeries Lafayette da SGM em Dijon, Grenoble, Reims, Limoges e Angers.

No entanto, a tradicional Galeries Lafayette afirmou que não compartilha os “valores” da Shein e que impedirá a abertura dessas lojas, alegando que a medida violaria as obrigações contratuais da SGM. Fundada no fim do século XIX, a Galeries Lafayette é mais conhecida por sua loja de departamentos em Paris, próxima à Ópera Garnier.

Shein
Companhia chegou a abrir lojas temporárias no Brasil

Em resposta, a SGM disse que seus planos estão em conformidade com as condições do acordo com a Galeries Lafayette. Fundada em 2018 por Frédéric e Maryline Merlin, a SGM é uma empresa francesa de imóveis e operadora de lojas de departamento.

A primeira inauguração física da Shein está prevista para novembro, na loja de departamentos BHV Marais, da SGM, no centro de Paris.

“Juntas, SGM e Shein buscam atrair um público mais jovem e conectado, ao mesmo tempo em que preservam o DNA histórico das lojas de departamento”, disseram as empresas em comunicado conjunto, acrescentando que as iniciativas criarão 200 empregos diretos e indiretos na França.

A abertura planejada das lojas da Shein no país demonstra uma “falta de respeito” com os clientes fiéis do BHV e da Galeries Lafayette e enfraquecerá a imagem da moda francesa, afirmou em comunicado separado Yann Rivoallan, presidente da Federação Francesa de Prêt-à-Porter Feminino.

A entrada física da Shein também acontece em meio a um ambiente regulatório mais hostil: a França discute medidas para frear o modelo de “ultra fast fashion”, em razão de seu impacto ambiental e social. A empresa também está sob escrutínio de órgãos como o ponto de contato da OCDE no país, que acompanha denúncias relacionadas a condições de trabalho em sua cadeia de fornecimento.

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