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Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

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Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

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As ações com maior potencial de dividendos em 2026

O ano de 2026 já tem seus destaques universo das boas pagadoras de dividendos: as instituições financeiras, além de nomes fortes em setores como construção, celulose, saneamento e varejo.

As financeiras lideram os dividend yield entre os setores, com 9% projetados para 2026. Fazem parte desse grupo as empresas B3, Méliuz, Caixa Seguridade, Stone e PagBank – companhia com maior pagamento potencial, em 12,9%. Entre outros destaques nos setores, a Marcopolo, a Suzano e a Sanepar também estão na lista. O levantamento é da XP.

Dividend yield (DY), sempre vale lembrar, é a rentabilidade obtida com dividendos. Ele ajuda a identificar as empresas com maior potencial de pagar proventos.

O dividend yield é calculado assim: pega-se o valor dos dividendos pagos e divide-se pelo preço de sua ação. O resultado mostra quanto o investidor recebe em proventos em relação ao valor investido no papel. Por exemplo: se uma ação custa R$ 20 e paga R$ 2 em dividendos ao longo do ano, o DY é de 10%. Quanto maior esse percentual, maior é a renda gerada pela ação.

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Como tudo na vida, existe um “porém” a ser considerado: a empresa não é necessariamente a melhor pagadora de dividendos só por causa do DY, já que ele pode subir porque o preço da ação caiu, e não porque a empresa está distribuindo proventos a mais. Nesse caso, as expectativas negativas do próprio mercado com a empresa podem pressionar as ações em um período e gerar a distorção no DY.

Uma forma de entender o DY, então, é também acompanhar a evolução da geração de caixa da empresa com o passar do tempo, um dado que explica de fato a capacidade de distribuição de proventos. Afinal, os dividendos são pagos com caixa, e não com o lucro contábil. Quem gera mais dinheiro com as próprias operações é que tem mais chance de devolvê-lo aos acionistas.

Empresas com um nível de endividamento muito alto também são um sinal amarelo. Isso porque uma companhia endividada que decide distribuir proventos está fazendo isso à custa de maior risco no futuro, já que pode nunca gerar recursos para fazer frente aos pagamentos.

Também vale notar que as companhias com negócios mais previsíveis, que é o caso de bancos, saneamento e energia, costumam sustentar dividendos melhores do que as companhias muito cíclicas, que dependem do cenário macroeconômico ou da dinâmica do seu setor para gerar caixa.

As empresas também frequentemente optam por investir os recursos nas próprias operações ou em compra de outros ativos ao invés de pagar dividendo aos investidores – e isso pode significar uma boa decisão de investimento. Para quem busca renda com ações, provavelmente não será a melhor escolha de aplicação, mas é uma condição importante para quem busca ganho de capital, já que empresas com disciplina na alocação de recursos ao longo do tempo atraem mais investidores.

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Corrida dos dividendos esquenta: empresas já aprovaram mais de R$ 124 bilhões no 4º trimestre

A corrida dos dividendos e dos juros sobre capital próprio (JCP) antes do fim da isenção atingiu a temperatura máxima. Mais e mais empresas anunciam a distribuição de proventos em dezembro para aproveitar a janela que acaba no fim do mês. Um levantamento do Itaú BBA mostra que o montante anunciado já atingiu R$ 124,1 bilhões desde outubro. E isso pode ser um combustível para o mercado de ações, ao menos no curto prazo, na visão de especialistas.

Trata-se de um crescimento de 126% comparado ao valor do terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento feito pelo chefe de estratégias de renda variável do Itaú BBA, Daniel Gewehr. A distribuição anunciada também cresceu 34,6% ante os últimos três meses de 2024.

Do total de R$ 124 bilhões anunciados, R$ 52,9 bilhões serão pagos ainda em 2025, enquanto outros R$ 57,8 bilhões ficarão para 2026.

O ranking dos maiores pagadores

No topo da lista por valores nominais, destacam-se gigantes como a Vale, com R$ 15,3 bilhões, a Petrobras, com R$ 12,2 bilhões, e a Ambev, com R$ 11,5 bilhões. Já em termos de taxa de retorno por ação, conhecido como “dividend yield“, o pódio é formado por quatro incorporadoras: a LOG Commercial Properties, com 15,5%, seguido da Direcional, que apresenta um dividend yield de 9,2%, e empatadas em terceiro, Syne e Cyrela, ambas com 8,6%.

Conforme o Itaú, em termos setoriais, quem distribuiu mais proventos até agora foam as companhias financeiras, com um volume total de R$ 36,4 bilhões. Em seguida aparecem os grupos de materiais básicos, com R$ 18,4 bilhões, e consumo básico, com R$ 13 bilhões.

Vem muito mais por aí

Mas a casa de análise espera muito mais. Até o fim do ano, os especialistas veem possibilidade de, pelo menos, mais 20 empresas anunciarem novas distribuição de lucros. Conforme os analistas, diante das estimativas de reservas de lucros e as estratégias de alocação de capital, várias companhias listadas podem anunciar um volume de dividendos e JCP de “magnitude similar ao que já foi anunciado”.

O Itaú BBA afirma ainda que um grupo de 20 empresas – com destaques para os setores financeiro e imobiliário – podem anunciar proventos com retornos (dividend yields) acima de 5% ao ano.

Entre as empresas que anunciaram nesta semana a distribuição de dividendos e JCP, a LOG Comercial Properties, especializada em espaços logísticos, ultrapassou a meta de “payout” para o ano, ou seja, vai distribuir um percentual maior do lucro do que os 50% previstos inicialmente para 2025. O grupo aprovou na terça-feira (16) o pagamento de dividendos intermediários no valor total de R$ 278,6 milhões, correspondentes a R$ 3,1876 por ação ordinária.

A nova distribuição elevou o total distribuído em 2025 para R$ 346 milhões, com retorno por ação de 15,5% anual, ou seja, superando o CDI. O diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores (RI) da companhia, Rafael Saliba, explica que a companhia ainda não “guidance”, ou seja, indicação de metas para 2026. Porém as perspectivas para os proventos são positivas, porque o próximo ano vai ter diversos fatores de impulso para o setor, como, por exemplo, a possibilidade de um ciclo de corte de juros.

Várias companhias se juntam à corrida

A Vivo foi outra companhia que aprovou nesta semana o pagamento de R$ 350 milhões em JCP. O valor por ação será de R$ 0,11. Terão direito ao provento os acionistas com posição acionária até 29 de dezembro de 2025. O pagamento será realizado até 30 de abril de 2026.

O conselho da administradora de shoppings Allos aprovou nesta quarta-feira o pagamento de R$ 438 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,29 por ação. O valor será distribuído em três parcelas iguais de R$ 146 milhões cada, com base na reserva para investimentos do balanço de 2024.

A companhia aprovou R$ 255 milhões em juros sobre capital próprio, com valor bruto estimado de R$ 0,75 por ação. O pagamento ocorrerá até 31 de dezembro de 2026 e ações negociadas ex-JCP a partir de 22 de dezembro de 2025.

Nessa corrida dos dividendos, também entraram a Camil Alimentos, que distribuir R$ 420 milhões em dividendos, em 12 parcelas entre março de 2026 e dezembro de 2028; e a M. Dias Branco, que terá dividendos extraordinários de R$ 200 milhões, equivalentes a R$ 0,59 por ação, com data máxima para ter direito a receber quem tiver posição acionária até 21 de dezembro.

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