Com Gustavo Kuerten nas arquibancadas da Philippe-Chatrier, em Paris, João Fonseca dedicou a vitória sobre Casper Ruud às referências que carrega no tênis. Ao garantir vaga nas quartas de final de Roland Garros neste domingo (31), o carioca fez questão de exaltar o tricampeão do torneio, que acompanhou a partida e demonstrou se emocionar em alguns momentos.
Na entrevista em quadra, Fonseca resumiu o sentimento ao ver o ídolo no principal palco do Grand Slam francês: “Ele é um ídolo para o esporte e para o nosso país. Pelo carisma dele e pelo jeito dele. É um prazer ganhar com ele aqui, contra um adversário difícil. Só estou muito feliz”.
O jovem também recordou que Kuerten esteve presente quando disputou Roland Garros pela primeira vez, ainda no juvenil, reforçando a ligação entre gerações do tênis brasileiro.
“He was here for my first match as a junior at Roland-Garros. It’s a pleasure to have him here.”
Questionado sobre as deixadinhas que vêm chamando a atenção na campanha em Paris, Fonseca explicou que a escolha tem mais a ver com sentimento do que com cálculo: “É mais coração do que cabeça. Só tento estar feliz. Variar entre winners e deixadinhas. E tento entreter”. Em conversa com a ESPN, ele descreveu o plano de jogo que neutralizou o norueguês, dizendo que a partida foi como “muito xadrez”, fácil de entender e difícil de executar, e que conseguiu impor ritmo e comandar os pontos.
Com o resultado, Fonseca passou a integrar o grupo dos sete brasileiros que já alcançaram as quartas de final de Roland Garros; entre os homens, é o primeiro a chegar a essa fase desde 2004, quando o último representante do país foi o próprio Kuerten. O próximo adversário será o tcheco Jakub Mensik, nas quartas, previstas para terça-feira (2), em horário a ser confirmado pela organização do torneio.
João Fonseca garantiu um salto relevante de receita em Roland Garros. Neste domingo (31), após superar Casper Ruud nas oitavas, o brasileiro assegurou 470 mil euros em premiação, o equivalente a R$ 2,77 milhões na cotação atual. O valor consolida a melhor campanha do carioca em um Grand Slam e eleva a perspectiva de ganhos caso siga avançando em Paris.
A organização de Roland Garros paga 470 mil euros aos tenistas que alcançam as quartas de final no simples. Nas etapas anteriores, os valores foram de 87 mil euros na primeira rodada, 130 mil euros na segunda, 187 mil euros na terceira e 285 mil euros nas oitavas.
Se Fonseca avançar à semifinal, a premiação sobe para 750 mil euros, cerca de R$ 4,43 milhões. Para o finalista, o cheque é de 1,4 milhão de euros, enquanto o campeão recebe 2,8 milhões de euros.
No comparativo entre os quatro Majors, Roland Garros tem a terceira maior premiação ao campeão, atrás do US Open, com 4,3 milhões de euros, e de Wimbledon, com 3,5 milhões de euros, e à frente do Aberto da Austrália, com 2,55 milhões de euros.
Após a épica vitória sobre Novak Djokovic, João Fonseca retornou à quadra Philippe Chartrier, a central do complexo de Roland Garros, neste domingo para dar continuidade a melhor campanha de sua carreira em Grand Slams. O tenista de 19 anos avançou às quartas de final ao vencer o norueguês Cásper Ruud por 3 a 1.
“Obrigado a todo mundo que ficou até tarde. O sonho continua”, afirmou Fonseca, em português, ao público na Philippe Chartrier após a protocolar entrevista em inglês.
Tendo o compatriota e tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten, como testemunha, Fonseca eliminou o duas vezes finalista do Grand Slam francês, ex-vice líder do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e atual 16º do mundo e aumentou o hype, citado por Djokovic, que gerou no circuito.
O adversário do brasileiro por uma vaga na semifinal será o checo Jakub Mensik, 27º do mundo, que venceu o russo Andrey Rublev, 13º, por 3 a 2. Fonseca venceu o único jogo que disputou contra o tenista de 20 anos. O confronto aconteceu na campanha vitoriosa do Torneio Next Gen Finals, competição com os oito melhores tenistas de até 20 anos do circuito, em dezembro de 2024, na Arábia Saudita.
Apesar de longa, a partida deste domingo apresentou situações bastante distintas das anteriores do 30º colocado do ranking mundial em Paris. Na segunda e na terceira rodada, o brasileiro saiu perdendo de 2 sets a 0 e precisou virar. Contra Ruud, que também virou um 2 a 0 na terceira rodada, Fonseca esteve à frente no placar durante grande parte da disputa.
Ele começou sacando, e seu serviço foi uma arma muito importante no primeiro set. O brasileiro venceu 90% dos pontos com seu primeiro serviço e não cedeu nenhuma chance de quebra ao rival. No quarto game, Fonseca teve os três primeiros break points da partida, mas Ruud se manteve consistente para confirmar seu saque e empatar a primeira parcial em 2 a 2.
Os dois próximos break points só vieram no 12º game, quando o norueguês sacava para levar a definição do primeiro set ao tie-break. Com um erro não-forçado de Ruud, cujo forehand terminou na rede, Fonseca fechou o primeiro set em 7/5 em 56 minutos.
O brasileiro aproveitou o bom momento, voltou a quebrar o saque do adversário no segundo game do segundo set e abriu 2 a 0. Na sequência, porém, o brasileiro sacou mal e cedeu as primeiras chances para o rival derrubar seu serviço. Ruud aproveitou, impediu que o brasileiro enfileirasse cinco games seguidos e diminuiu a desvantagem para 2 a 1.
No sétimo game, Fonseca se viu novamente ameaçado, com Ruud conquistando dois break points. O brasileiro jogou com autoridade, dominou os pontos com intensidade e evitou que o rival passasse a comandar o placar. O brasileiro teve muita dificuldade para confirmar seu serviço no 11º game, salvando três break points e depois de mais de 13 minutos de disputa se manteve à frente no placar, com 6 a 5.
Foto: Guglielmo Mangiapane / Reuters
O brasileiro teve dois set point no game seguinte, mas diferentemente do que aconteceu no primeiro set o tenista de 27 anos conseguiu levar a definição para o tie break. No desempate, Fonseca foi o primeiro a vencer um ponto no serviço do rival e fez 2 a 1, mas levou o troco nos dois saques seguintes e depois viu Ruud abrir 5 a 2.
O brasileiro reagiu, venceu três pontos seguidos e empatou 5 a 5. Ruud desperdiçou dois set points no saque e depois viu Fonseca, buscando as linhas, fazer 10 a 8 após 15 minutos de tie break. O segundo set teve duração de 1h21.
Após abrir 2 sets a 0, Fonseca foi ao vestiário. Na retomada da partida, pela primeira vez Ruud iniciou o set no serviço, mas o momento era muito favorável ao brasileiro, que impunha dificuldade para o adversário confirmar seu serviço. Muito mais experiente do que Fonseca, Ruud conseguiu administrar a pressão, segurou seus serviços e conseguiu a única quebra do set no 12º game, fazendo 7/5 e vencendo seu primeiro set.
A quarta parcial começou com uma quebra para o brasileiro, que na sequência confirmou o saque e fez 2 a 0. Ele teve novo break point no terceiro game, mas desperdiçou. No quinto, porém, a quebra foi confirmada e o brasileiro marcou 4 a 1. Com duas quebras à frente, Fonseca administrou a vantagem e venceu o oitavo e último game sem ceder pontos.
Com Paris ainda em festa pelo bicampeonato do PSG na Champions League (o Parc des Princes, estádio do clube, fica próximo do complexo de Roland Garros e mais de 24 horas após a conquista ainda abrigou nova sessão de fogos de artifício), os torcedores brasileiros, que costumam marcar presença e fazer barulho nos jogos de Fonseca, também tinham um grande motivo para comemorar.
João Fonseca confirmou a grande fase em Roland Garros. Neste domingo (31), o brasileiro derrotou o norueguês Casper Ruud por 3 sets a 1, com parciais de 7-5, 7-6, 5-7 e 6-2, em uma batalha de mais de três horas na quadra Philippe-Chatrier. O resultado leva o carioca de 19 anos às quartas de final do Aberto da França.
Ruud, número 16 do mundo, é bicampeão de finais em Roland Garros e tinha amplo histórico de resultados no saibro parisiense. A vitória foi acompanhada de perto por Gustavo Kuerten, tricampeão do torneio, que estava na primeira fila e aplaudiu o desempenho do conterrâneo.
O avanço de Fonseca recoloca o tênis brasileiro entre os oito melhores do torneio no simples masculino, marca que não era alcançada desde os tempos de Guga. O ex-número 1 foi o último brasileiro a chegar a esta fase em Paris.
Foto: Guglielmo Mangiapane / Reuters
Dois dias antes, Fonseca já havia causado impacto ao eliminar Novak Djokovic após virar um jogo em que perdia por dois sets, feito que reforçou a confiança para encarar Ruud. “Foi duro. Joguei muito bem nos momentos importantes dos dois primeiros sets”, disse o brasileiro após a partida, ao site da ATP. Ele também agradeceu a presença de Kuerten nas arquibancadas e o definiu como um ídolo do esporte nacional.
Nas quartas, Fonseca terá pela frente o tcheco Jakub Mensik, que superou Andrey Rublev em cinco sets. O duelo por uma vaga na semifinal está previsto para terça-feira (2) ou quarta-feira (3), datas reservadas pela organização para esta fase do torneio. Segundo a ATP, os dois já se enfrentaram uma vez no circuito, com vitória do brasileiro nas Next Gen ATP Finals de 2024.
Foto: Guglielmo Mangiapane / Reuters
Caminho até aqui
A campanha em Paris soma resultados expressivos e atuações consistentes, com o brasileiro alternando agressividade no forehand e solidez na defesa em momentos de pressão. Contra Ruud, a combinação voltou a funcionar, especialmente nos pontos decisivos dos dois primeiros sets, o que abriu caminho para administrar a vantagem no quarto set.
A presença de Kuerten na arquibancada também trouxe simbolismo ao momento. O tricampeão acompanhou a partida no principal estádio do complexo e viu o compatriota sustentar o plano de jogo diante de um adversário experiente no saibro.
Com a vaga entre os oito melhores, Fonseca mantém a ascensão em sua primeira aparição nas quartas de final de um Grand Slam e entra na reta decisiva em Roland Garros com moral elevada para encarar a sequência em Paris.
A empresa chinesa de artigos esportivos Anta Sports Products está entre as companhias que avaliam uma possível aquisição da Puma, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Listada em Hong Kong, a Anta vem trabalhando com um assessor para avaliar uma oferta pela Puma, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as informações são privadas. A empresa pode se juntar a uma firma de private equity caso decida avançar com uma proposta, disseram algumas dessas pessoas. As ações da Puma chegaram a disparar 14% nas negociações em Frankfurt, a maior alta desde setembro.
Outros possíveis interessados incluem a concorrente chinesa Li Ning, segundo as fontes. A Li Ning — batizada com o nome do lendário ginasta que fundou a companhia — vem discutindo opções de financiamento com bancos enquanto faz uma análise inicial da Puma, disseram. A Puma também pode atrair interesse de empresas esportivas como a japonesa Asics Corp., afirmaram.
As discussões são preliminares e não está claro quais potenciais compradores seguirão adiante com ofertas, segundo as fontes. As expectativas de valuation do maior acionista da Puma, a bilionária família Pinault, da França, podem representar um obstáculo significativo a qualquer negociação, disseram.
Antes da disparada desta quinta-feira, as ações da Puma haviam caído 62% em Frankfurt neste ano, dando à empresa um valor de mercado de €2,5 bilhões (US$ 2,9 bilhões).
A holding Artémis, da família Pinault, detinha 29% da Puma no fim do ano passado, segundo o relatório anual da empresa.
A Anta — que é dona de marcas como Fila e Jack Wolfskin — acumulou alta de 10% nas negociações em Hong Kong neste ano, alcançando valor de mercado de US$ 31 bilhões. Um consórcio liderado pela Anta, que também incluía a firmade private equity asiática FountainVest Partners, pagou US$ 5,2 bilhões em 2019 para adquirir a Amer Sports, dona de marcas como Salomon e Arc’teryx. A Amer abriu capital em Nova York no ano passado, com a Anta permanecendo como sua principal investidora, segundo dados compilados pela Bloomberg.
As ações da Li Ning subiram cerca de 8% em 2025, alcançando valor de mercado próximo de US$ 6 bilhões.
Um representante da Anta não respondeu aos pedidos de comentário, enquanto porta-vozes da Artémis, da Asics e da Puma recusaram comentar.
Em resposta a uma consulta da Bloomberg News, a Li Ning disse em comunicado que continua focada no crescimento de sua marca e que não realizou nenhuma negociação ou avaliação “substancial” relacionada à Puma.
Estratégia da Puma
François-Henri Pinault, sócio-gerente da Artémis, disse em setembro que a participação na Puma é “interessante”, mas “não estratégica”, e que as opções relacionadas ao investimento continuam abertas.
A Puma vem tentando se reposicionar sob o comando do novo CEO, Arthur Hoeld, após anos sem conseguir criar muito entusiasmo pelos seus produtos entre os consumidores. Em julho, a empresa alemã nomeou o ex-executivo da Adidas, Andreas Hubert, como diretor de operações. Hubert tem 20 anos de experiência na Adidas e atuou nos últimos quatro anos como diretor de informação (CIO) da empresa.
Fundada em 1948, a Puma registrou €281,6 milhões em lucro líquido no ano passado e €8,8 bilhões em vendas. Entre seus contratos de patrocínio estão o Manchester City, da Premier League inglesa, a seleção de Portugal e a seleção masculina de handebol da Dinamarca.
No mês passado, a Puma afirmou que planeja cortar mais 900 empregos e reforçar seu foco em corrida, futebol e treinamento. A empresa também está reformulando o marketing para criar histórias mais envolventes sobre os produtos enquanto são desenvolvidos, na esperança de tornar a marca mais desejável para os consumidores. O objetivo da Puma é voltar a crescer até 2027, se estabelecer como uma das três maiores marcas esportivas do mundo e alcançar “lucros saudáveis” no médio prazo.