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Próxima da Aegea, gestora Perfin se consolida como maior acionista privado da Copasa

A gestora Perfin elevou sua participação na Copasa para 12,31% do capital e se consolidou como a segunda maior acionista individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, em um movimento que ganha peso com o avanço do processo de privatização da estatal mineira de saneamento.

O aumento de posição foi comunicado ao mercado na manhã desta quarta-feira (24) e ocorre um dia após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionar a lei que autoriza a desestatização da empresa e anunciar a troca no comando da Copasa, com a substituição do então presidente Fernando Passalio pela secretária estadual de Meio Ambiente, Marília Melo.

A movimentação da Perfin, no entanto, não é recente. A gestora passou a figurar como acionista relevante da companhia no fim de agosto, quando atingiu 5% do capital, e manteve compras ao longo do segundo semestre. No comunicado enviado à Copasa, a Perfin afirmou que o investimento tem objetivo “estritamente financeiro” e que não pretende alterar o controle da companhia.

Na primeira quinzena de dezembro, quando a proposta de privatização da Copasa ganhou tração na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a gestora já havia elevado sua participação para 9,61%, antes de retomar as aquisições nesta semana, já com o processo oficialmente destravado.

Segundo o formulário de referência mais recente da Copasa, antes mesmo da aquisição anunciada nesta quarta-feira, a Perfin já figurava como a maior acionista privada individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, que detém pouco mais de 50% do capital.

No documento, publicado na segunda-feira (22), não havia outros acionistas com participação igual ou superior a 5%, patamar que enquadra investidores relevantes em companhias abertas.

Especializada em infraestrutura

Focada em ativos de infraestrutura, a Perfin foi criada pelo ex-Safra Ralph Rosenberg em 2007 e mantém relações próximas com os principais grupos privados do setor. A gestora foi sócia da Aegea no consórcio que venceu em 2022 a privatização da Corsan, empresa de saneamento do Rio Grande do Sul — posição que foi vendida recentemente ao Bradesco BBI.

A Perfin também é sócia da Equipav, controladora da Aegea, no segmento de rodovias, por meio da EPR, plataforma criada para disputar concessões estaduais. A gestora, que tem o BTG Pactual como um de seus sócios, ainda participou da capitalização da Cosan neste ano, investindo cerca de R$ 2 bilhões na holding fundada por Rubens Ometto.

Privatização da Copasa

Com o projeto de privatização da Copasa sancionado nesta semana, a expectativa é que a operação ocorra no primeiro semestre de 2026, em um processo cuja modelagem vem sendo desenhada pelo BTG Pactual.

Hoje, duas empresas despontam como principais interessadas na Copasa. De um lado, a Aegea, maior operadora privada de saneamento do país, controlada pela Equipav e que tem Itaúsa e o fundo soberano de Singapura (GIC) como sócios.

De outro, a Sabesp, que passou a ter pretensões nacionais após sua privatização e hoje tem a Equatorial Energia como acionista de referência.

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Privatização da Copasa é aprovada em 1º turno por assembleia de Minas Gerais

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (2), o Projeto de Lei 4.380/25, que autoriza o governo do estado a iniciar o processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O texto permite que o Estado deixe de ser o controlador da companhia por meio da venda de ações ou aumento de capital que dilua sua participação, e determina que a futura empresa adote o modelo de corporation, sem acionista controlador definido.

A Copasa atende 637 municípios mineiros com abastecimento de água e 308 com serviços de esgoto. A estatal lucrou R$ 1,07 bilhão entre janeiro e setembro deste ano, e o governador Romeu Zema (Novo) estima arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com a venda do controle.

O projeto aprovado — na forma de um substitutivo construído pelas comissões — inclui a previsão de estabilidade de 18 meses para os empregados após a privatização e autoriza o governo a realocar trabalhadores posteriormente em outras estatais mineiras.

A proposição também determina que o comprador cumpra metas de universalização de água e esgoto, adote tarifa social e garanta padrões de qualidade e atendimento, conforme o Marco Legal do Saneamento.

O texto passou com 50 votos favoráveis e 17 contrários e ainda retornará à Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária antes da votação em segundo turno. As ações da Copasa subiam 1,38%, às 13h59, enquanto o Ibovespa mostrava alta de 0,81%.

Revisão tarifária

Na manhã desta terça-feira, a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) suspendeu, em caráter provisório, os resultados finais do processo da 3ª Revisão Tarifária da Copasa.

A suspensão decorre, “notadamente, de atrasos no cronograma processual decorrentes da greve dos servidores da agência”, afirma a companhia de saneamento mineira, citando o comunicado publicado pela Arsae.

“A companhia estará acompanhando a evolução do processo de revisão tarifária junto ao regulador e divulgará, tempestivamente, atualizações sobre seu andamento”, afirmou, acrescentando que perdas financeiras decorrentes de alteração de data serão compensadas.

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Ações da Copasa podem subir mais de 50%, se privatização avançar, diz Itaú BBA

As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, já subiram 73% neste ano. Mas, provavelmente, o crescimento ainda mal começou. A possibilidade de privatização da empresa ganhou corpo nos último meses e, na avaliação do Itaú BBA, há “um caminho claro para a conclusão do processo até o início de 2026”.

Os analistas do banco de investimentos fizeram as contas, considerando uma potencial privatização. Como resultado, a casa elevou a Copasa para “outperform” (desempenho acima da média), com um novo preço-alvo de R$ 43,20 por ação para o final de 2026, ante os R$ 24,10 por ação estimados anteriormente para o fim de 2025. Ou seja, a atual projeção embute um potencial de alta de 21,5% ante a cotação atual do papel.

O Itaú BBA, porém, ressalta que a alta recente “ainda não precifica integralmente o valor potencial de uma companhia privatizada“. De acordo com os analistas Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Victor Cunha, se o processo de venda for concluído, o potencial de valorização das ações subiria para 51%.

Na conta do novo preço-alvo, o próprio Itaú BBA incorporou uma visão mista: 60% se referem ao valor de uma Copasa privatizada e os demais 40% são referentes ao projetado para a estatal sem que o processo tenha sido concluído. Isso significa que o potencial de alta pode ser ainda maior a partir de uma definição sobre a venda do controle a investidores.

O movimento de alta recente tem sido impulsionado pelas discussões sobre a privatização da companhia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que ganharam força nos últimos meses. Além disso, os números preliminares da revisão tarifária vieram melhores que o esperado e podem destravar valor adicional, caso avancem os debates sobre eficiência operacional (Opex) e custo médio ponderado de capital (WACC).

Na avaliação da casa de análise, “as chances de privatização da Copasa aumentaram de forma expressiva recentemente, com apoio político consistente na Assembleia mineira”.

A revisão da tese de investimento do banco também levou em conta os novos parâmetros regulatórios divulgados pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG). A revisão foi favorável à Copasa, porque trouxe melhorias relevantes no reconhecimento e remuneração da base de ativos regulatória (RAB). Ou seja, a estatal deve registrar um aumento de receita.

Processo avança com menos resistência política

Nos últimos cinco meses, as discussões sobre a privatização da Copasa avançaram de forma decisiva. O tema ganhou tração na Assembleia Legislativa e o governo mineiro alterou a postura sobre o uso dos recursos de uma eventual venda.

Em reuniões recentes com parlamentares e integrantes do governo de Minas Gerais, os analistas do Itaú BBA observaram redução significativa na resistência política à operação.

Nos cálculos do banco, apesar de o mercado já precificar maior probabilidade de privatização, o potencial de valorização ainda é expressivo:

No cenário conservador — em que a Copasa permanece estatal e adota uma redução de custos de cerca de 5% —, o preço-alvo para o fim de 2026 é de R$ 30,80 por ação e potencial de queda de 10% em relação ao preço atual.

No cenário de privatização, o preço-alvo sobe para R$ 51,60 por ação, com potencial de alta de 51%.

Privatização no radar do mercado

A XP Investimentos é outra casa que enxerga grandes chances de a privatização da Copasa avançar. Segundo os analistas, há mais de 50% de chances de a companhia ser privatizada até março de 2026.

Em relatório divulgado nesta semana, a XP estima o preço das ações da empresa, sem considerar a privatização, em R$ 41,60 para 2026. Hoje avaliada em R$ 12,7 bilhões, o valor de mercado da Copasa pode subir para R$ 15,8 bilhões no ano que vem.

Com a privatização, o potencial de alta seria ainda maior.

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