A Raízen (RAIZ4) bateu o martelo e entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas que chegam a R$ 65 bilhões, após meses de negociação. Trata-se da maior operação do tipo no Brasil.
Protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, o movimento busca três meses de fôlego para conseguir se reorganizar e avançar na negociação com credores.
Na lista, obtido pelo Estadão, os bancos dominam. Os maiores credores são instituições gringas, como Bank of New York Mellon, com R$ 18,78 bilhões, e o Grupo ad hoc de bondholders, com R$ 7,49 bi.
Especializada em emissão e distribuição em CRAs (títulos de dívida que financiam o agronegócio), a True Securitizadora vem em terceiro lugar, com R$ 6,43 bilhões.
Apesar disso, os bancões não estão imunes. Segundo a lista, o Bradesco (BBDC4) é o mais exposto, com R$ 2,08 bilhões. Em seguida, aparece o Santander (SANB11), com R$ 1,27 bi. O Itaú BBA possui dívidas de R$ 1,24 bi, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) possui exposição de R$ 1,03 bi.
Segundo um gestor que conversou com o Money Times, as dívidas podem ter algum impacto para os resultados. Porém, por se tratar de uma recuperação extrajudicial, e não judicial, quando não há acordo com os credores, os bancos terão tempo de alongar esses valores.
Veja a lista completa:
| Credor |
Valor |
| Bank of New York Mellon |
R$ 18,78 bilhões |
| Grupo ad hoc de bondholders |
R$ 7,49 bilhões |
| True Securitizadora |
R$ 6,43 bilhões |
| Pentágono DTVM |
R$ 6,35 bilhões |
| BNP Paribas |
R$ 3,06 bilhões |
| Rabobank |
R$ 2,24 bilhões |
| Bradesco |
R$ 2,08 bilhões |
| SMBC |
R$ 1,95 bilhão |
| Scotiabank |
R$ 1,59 bilhão |
| Santander |
R$ 1,27 bilhão |
| Itaú BBA |
R$ 1,24 bilhão |
| MUFG |
R$ 1,18 bilhão |
| BBVA |
R$ 1,05 bilhão |
| Banco do Brasil |
R$ 1,03 bilhão |
| Santander Corretora |
R$ 978 milhões |
| Bank of America |
R$ 912 milhões |
| Opea Securitizadora |
R$ 906 milhões |
| US Bank National Association |
R$ 902 milhões |
| Bank of China |
R$ 795 milhões |
| JPMorgan |
R$ 789 milhões |
| BNP Paribas Brasil |
R$ 606 milhões |
| Morgan Stanley |
R$ 584 milhões |
| HSBC |
R$ 448 milhões |
| Citibank |
R$ 433 milhões |
| Bank of America Merrill Lynch |
R$ 389 milhões |
| Crédit Agricole CIB |
R$ 271 milhões |
| XP Comercializadora |
R$ 170 milhões |
| Itaú Unibanco (derivativos) |
R$ 38 milhões |
| Citibank N.A. |
R$ 33 milhões |
| Rabobank (derivativos) |
R$ 11 milhões |
Fonte: Estadão
Como a Raízen chegou até aqui?
A Raízen viu seu endividamento se elevar com o movimento de aquisição de empresas e investimentos em novos projetos de energia que não entregaram o retorno esperado. Há ainda o fator juros elevados, que pesam nas despesas financeiras da Raízen.
A produtora global de açúcar e etanol investiu em negócios não relacionados ao seu ‘core‘, como o etanol de segunda geração e a rede de lojas de proximidade Oxxo, em parceria com a Femsa.
No entanto, a partir da safra 2024/2025, o cenário de secas, queimadas e excesso de chuva reduziram moagem, produtividade e qualidade da cana-de-açúcar.
A empresa também sofreu com a deterioração do perfil de crédito, após sucessivos rebaixamentos pelas agências S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch Ratings, o que levou a elevação do custo de capital e redução da previsibilidade financeira.
A trajetória das ações da Raízen desde o IPO também chama atenção. No momento da abertura de capital, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 7,40.
Desde então, o preço sofreu forte queda, atingindo níveis próximos de R$ 0,63.
Esse movimento reflete tanto o cenário adverso enfrentado pela empresa quanto as mudanças nas expectativas do mercado em relação ao seu desempenho futuro.