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Netflix aceita pagar maior multa da história se compra da Warner Bros. fracassar

A aquisição da Warner Bros. pela Netflix, avaliada em US$ 72 bilhões, inclui uma das maiores multas de rescisão já registradas na história: US$ 5,8 bilhões. Esse é o montante que a Netflix concordou em pagar à empresa de estúdios de TV e cinema caso o negócio não seja fechado ou não receba aprovação regulatória.

Com valor equivalente a 8% do total em ações envolvido na transação, a multa assumida pela Netflix fica muito acima do padrão do mercado: em 2024, a multa média de rescisão em operações de fusões e aquisições foi de cerca de 2,4% do valor dos negócios. Isso reforça a confiança da empresa de que conseguirá obter aprovação dos reguladores globais.

Esse valor também mostra o quanto a disputa pela Warner se acirrou: em uma oferta rival apresentada no início da semana, a Paramount havia mais do que dobrado a multa de rescisão que estava disposta a pagar, para US$ 5 bilhões, em uma tentativa de tornar sua proposta mais atraente.

A Warner Bros., por sua vez, terá que pagar uma “multa reversa” de US$ 2,8 bilhões caso seus próprios acionistas rejeitem o acordo. A multa reversa é um mecanismo para proteger o comprador (no caso, a Netflix) para compensá-la pelo tempo, custo e risco assumidos se a própria empresa alvo da operação for a causa do fracasso do negócio.

Além disso, se a Warner optasse por aceitar uma oferta de um concorrente, esse novo comprador, na prática, precisaria arcar com essa penalidade, como costuma ocorrer nesse tipo de negociação.

Veja a seguir algumas das maiores multas pagas em processos de fusões e aquisições, segundo dados compilados pela Bloomberg:

AOL e Time Warner

Valor do negócio: US$ 160 bilhões
A AOL concordou em pagar cerca de US$ 5,4 bilhões caso desistisse da compra da Time Warner, ao passo que a empresa alvo da oferta teria de pagar cerca de US$ 3,9 bilhões se rompesse a transação sob certas condições. A multa equivalia a 3,4% do negócio, que foi fechado.

Pfizer e Allergan

Valor do negócio: US$ 160 bilhões
A multa de rescisão poderia chegar a US$ 3,5 bilhões, mas havia uma cláusula que reduzia esse valor se ocorressem mudanças na legislação tributária. A Pfizer acabou pagando apenas US$ 150 milhões depois que os EUA apertaram as regras contra “inversões fiscais”, manobra em que empresas transferem sua sede para países de menor tributação para reduzir impostos. A multa inicial equivalia a 2,2% do negócio, mas, no fim, ficou em menos de 0,1%. O negócio não se concretizou.

Verizon e Verizon Wireless

Valor do negócio: US$ 130 bilhões
A operação pela fatia da Vodafone na Verizon Wireless era complexa. A Verizon prometeu pagar US$ 10 bilhões à Vodafone caso não conseguisse financiamento para o negócio, ou US$ 4,64 bilhões se seu conselho mudasse a recomendação para os acionistas. A Vodafone, por sua vez, deveria US$ 1,55 bilhão à Verizon caso seu conselho mudasse de posição. Além disso, qualquer lado teria de pagar US$ 1,55 bilhão se os acionistas rejeitassem o acordo. A Vodafone ainda teria de pagar esse mesmo valor se um parecer tributário desfavorável inviabilizasse a transação. A multa representava 7,7% do negócio, que foi concluído.

AB InBev e SAB Miller

Valor do negócio: US$ 103 bilhões
A AB InBev concordou em pagar US$ 3 bilhões caso não obtivesse aprovação de reguladores ou acionistas e desistisse da aquisição, então a maior da história corporativa do Reino Unido. A multa era equivalente a 2,9% do negócio, que foi fechado.

AT&T e T-Mobile USA

Valor do negócio: US$ 39 bilhões
A AT&T concordou em pagar US$ 3 bilhões em dinheiro à Deutsche Telekom, controladora da T-Mobile USA, e ainda repassar parte das frequências que usa para operar serviços de celular, além de firmar um acordo mais favorável de compartilhamento de rede. A multa representava 7,7% do valor do negócio, que acabou sendo cancelado após oposição dos órgãos reguladores.

Google e Wiz

Valor do negócio: US$ 32 bilhões
As empresas concordaram que o Google pagaria cerca de US$ 3,2 bilhões se o negócio não fosse concluído, uma fatia enorme do valor total da operação: 10%. O negócio foi fechado.

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Kepler Weber diz que oferta da americana A-AG para fusão prevê um pagamento de R$ 11 por ação

A americana A-AG Holdco propôs pagar R$ 11 por ação da Kepler Weber para adquirir a fabricante brasileira de silos – foi o que a Kepler informou à CVM nesta segunda-feira (10). A A-AG é dona da marca GSI, também de silos. A compra fundiria GSI e Kepler.

O valor é 5% maior que o do fechamento da última sexta (R$ 10,48) e, de acordo com a empresa, 48,3% superior à média dos 60 dias anteriores a 16 de outubro. Essa é a data em que a Kepler concedeu exclusividade à GPT para avançar nas negociações.

A exclusividade dá à GPT o direito de negociar sem concorrentes por um período determinado. Desde a última semana de outubro, a ação da Kepler sobe 44% – por isso o prêmio em relação à média é maior do que na comparação com o último fechamento.

O preço de R$ 11 por ação avalia a Kepler em R$ 1,9 bilhão – e não é definitivo. De acordo com a empresa, trata-se de uma referência inicial. O mercado esperava mais: a ação da Kepler cai 3% nesta segunda.

A Kepler destacou que, até 90 dias após a assinatura dos documentos definitivos da venda, poderá distribuir dividendos conforme sua política atual, de até 47,5% do lucro líquido anual, sem impactar o preço sugerido pela americana.

Após esse período, e até a conclusão da operação — ou até 180 dias após a assinatura —, o valor poderá ser ajustado, reduzido pelos dividendos pagos e acrescido da variação do CDI.

Segundo o comunicado, as partes seguem em processo de avaliação detalhada da empresa e negociação dos documentos finais. A Kepler ressaltou que, até o momento, não há qualquer acordo vinculante, além do compromisso de exclusividade já firmado.

A proposta da A-AG Holdco, foi divulgada pela primeira vez em 4 de novembro, quando a Kepler confirmou o recebimento de uma oferta para uma possível fusão entre as duas empresas.

Um atalho para a liderança

De acordo com o Citi, as negociações entre a Kepler e a GSI podem dar origem a uma multinacional de armazenagem de grãos sem paralelo no Brasil. A potencial fusão é vista como “um atalho para a liderança”, ao combinar a força da Kepler — líder nacional com cerca de 35% do mercado — com a GSI, terceira colocada, que detém aproximadamente 7% de participação.

Desde que foi vendida pela AGCO ao fundo AIP, em 2024, por US$ 700 milhões (equivalente a 8,3 vezes o Ebitda), a GSI vem adotando estratégias agressivas de preço e financiamento para ampliar sua presença no Brasil, com a meta de dobrar sua fatia de mercado em cinco anos.

Na avaliação do Citi, a combinação com a Kepler criaria um grupo quase onipresente, capaz de participar de praticamente todas as negociações de silos agrícolas do país. “O anúncio reforça o interesse da GSI em se tornar líder de mercado no Brasil por meio de um processo acelerado”, escreveram os analistas André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta.

O Brasil enfrenta um déficit estrutural de armazenagem de grãos, com capacidade estática equivalente a 70% da produção anual, ante mais de 100% nos Estados Unidos. Entre 2016 e 2024, a produção brasileira de grãos cresceu 6% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,5%. Segundo a Cogo Inteligência em Agronegócio, essa relação pode cair para 55% até 2033, abrindo uma lacuna que a nova companhia estaria bem posicionada para preencher.

Hoje a Kepler negocia a um múltiplo de 6 vezes o Ebitda estimado para 2026, – abaixo dos patamares históricos do setor. Em 2017, quando a AGCO chegou a oferecer US$ 185 milhões pela empresa, o valor representava um múltiplo de 12 vezes o Ebitda — o que, em valores atuais, equivaleria a mais de R$ 3 bilhões.

Possível OPA

O Citi avalia que, por ser controlada por um fundo de private equity, a GSI tende a buscar o fechamento de capital da Kepler, o que abriria caminho para uma eventual oferta pública de aquisição (OPA) – ou seja, a saída da empresa da bolsa. Embora o banco não confirme que uma OPA esteja nos planos imediatos, considera que essa seria uma consequência natural caso a transação avance.

A base acionária pulverizada da Kepler facilitaria o processo: a Trígono Capital detém 15,3%, seguida pela família Heller, com 11,6%, enquanto quase 70% das ações estão nas mãos de investidores de mercado.

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A aposta de US$ 40 bilhões da BlackRock em uma empresa de data center menos conhecida

No início do ano, uma empresa de infraestrutura distante dos holofotes chamada Aligned Data Centers conseguiu arrecadar US$ 12 bilhões — mais do que algumas das principais startups de inteligência artificial do mundo conseguiram em uma única rodada. O objetivo: expandir drasticamente sua presença para atender à crescente demanda pelas instalações que alimentam os sistemas de IA.

Nove meses depois, com grande parte dessa expansão ainda em andamento, a Aligned está em negociações avançadas para ser adquirida pela Global Infrastructure Partners (GIP), fundo da BlackRock, em um acordo de US$ 40 bilhões. A transação está a caminho de ser uma das maiores do ano e, potencialmente, a maior já realizada por uma empresa de data centers

As negociações de aquisição, noticiadas pela Bloomberg na noite de quinta-feira (2), citando pessoas familiarizadas com o tema, são indicativas de quanto dinheiro os investidores estão dispostos a investir em empresas consideradas essenciais para o boom da IA. De acordo com um relatório do Goldman Sachs, empresas relacionadas à IA responderam por US$ 141 bilhões em emissões de crédito corporativo até agora neste ano, superando os US$ 127 bilhões em dívida total do ano passado.

À medida que as empresas de tecnologia se dizem preparadas para investir centenas de bilhões, senão trilhões, em infraestrutura física para IA, há uma demanda crescente por empresas como a Aligned, que prometem atender a essas necessidades. Isso é verdade mesmo que a maior parte da capacidade do data center da Aligned – e a receita esperada com ele – ainda esteja em fase de planejamento. 

“Eles têm muita atividade planejada”, disse Ari Klein, analista da BMO Capital Markets, sobre a Aligned em particular. “Você provavelmente está vendo empresas pagando por essa atividade planejada, ou pelo que pode vir a acontecer.”

Fundada em 2013, quase uma década antes do boom da IA ​​generativa, a Aligned há muito tempo se concentra em fornecer data centers personalizados para empresas, com ênfase em eficiência e sustentabilidade. A empresa conta com o apoio da Macquarie Asset Management e possui 78 data centers sob gestão ou em desenvolvimento nas Américas, de acordo com seu portal. 

Assim como outros provedores de data centers, a Aligned tem enfrentado novas pressões nos últimos anos para construir mais e maiores data centers para IA. Em janeiro, a Aligned anunciou ter levantado US$ 12 bilhões em capital e dívida para acelerar seus planos de construir 5 gigawatts de capacidade de data center, o suficiente para abastecer metade da cidade de Nova York em um dia quente.

O investimento tinha como objetivo ajudar a Aligned a “aproveitar oportunidades impulsionadas pela crescente demanda por infraestrutura preparada para IA”, disse Andrew Schaap, CEO da empresa, em uma publicação nas redes sociais na época. “A Align está pronta para enfrentar este momento.”

O único desafio é que os data centers — e toda a infraestrutura, incluindo as fontes de alimentação para apoiá-los — levam tempo. Atualmente, a Aligned tem pouco mais de 600 megawatts de capacidade de data center em operação, com outros 700 megawatts em construção, de acordo com a DC Byte, empresa de inteligência de mercado que monitora o setor. Ainda assim, a capacidade combinada torna a Aligned uma “operação de tamanho razoável”, segundo o fundador da DC Byte, Edward Galvin. 

A Coreweave, provedora de nuvem que fechou acordos com a OpenAI e a Nvidia, possui 470 megawatts de capacidade ativa, de acordo com documentos públicos , com muito mais planejado. A CoreWeave reportou pouco mais de US$ 1,91 bilhão em receita em 2024. E embora a Aligned esteja em negociações para ser vendida por potencialmente US$ 40 bilhões, a Coreweave tem um valor de mercado de mais de US$ 65 bilhões.

A Aligned não divulgou publicamente seus números de vendas. Se cobrasse cerca de US$ 210 por quilowatt por mês, o padrão do setor para preços de data center, segundo a empresa de serviços imobiliários comerciais CBRE, a receita anual da Aligned seria de quase US$ 1,6 bilhão. Esse valor subiria para US$ 3,4 bilhões, incluindo a capacidade em construção. 

Representantes da Aligned não responderam a um pedido de comentário. 

A Aligned também está desenvolvendo um novo data center no Texas para a Lambda, uma empresa de infraestrutura em nuvem apoiada pela Nvidia . O projeto ainda está em construção.

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