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Jota Quest é associado a caso de Viih Tube; banda pode cancelar show de casamento?

Uma fala de Viih Tube nas redes sociais sobre uma banda “cara” que cancelou a participação em seu casamento tomou grandes proporções. Ela não revelou o nome da banda, mas o Jota Quest passou a ser associado ao episódio.

A influencer, que se casou com Eliezer no último fim de semana, fez um vídeo compartilhando coisas que não deram certo no evento e mencionou o problema com a banda. Ela afirmou ainda que a contratação seria paga integralmente, sem permuta, e que o cancelamento partiu do fornecedor.

A confusão levantou uma questão jurídica: em uma contratação desse tipo, a banda pode cancelar o show por decisão própria? Especialistas ouvidos pelo InfoMoney explicam o que pesa nessa análise e quais direitos o consumidor pode reivindicar.

Uma banda pode cancelar show já contratado?

Em regra, uma banda não pode simplesmente desistir de uma apresentação depois de assumir o compromisso. Segundo Thiago Campbell, do Fonseca Brasil Serrão Advogados, o cancelamento por parte do fornecedor precisa estar amparado por uma situação prevista em lei ou pelo próprio descumprimento de quem contratou o serviço.

Entre essas situações, estão casos de força maior, como um acontecimento externo e inevitável que impeça a realização do show. Já uma repercussão negativa envolvendo o contratante ou o receio de desgaste de imagem, por si só, não tornam impossível a prestação do serviço.

“É compreensível que um artista se preocupe com a imagem associada ao seu nome, e isso é até previsto em contratos de patrocínio. Mas em um show de festa privada o que se contratou foi a música, não a publicidade”, afirma Thiago.

Há ainda uma diferença importante no episódio relatado por Viih Tube. Ao afirmar que pagaria o valor integral pela apresentação, sem permuta, parceria ou desconto, a influenciadora descreve uma contratação que pode ser enquadrada como relação de consumo, segundo Jefferson Leão Pires, advogado do Poliszezuk Advogados. Nesse cenário, as proteções do Código de Defesa do Consumidor (CDC) também entram na análise.

O contrato continua relevante, mas não pode afastar essas proteções. Uma cláusula que permita apenas ao fornecedor desistir do serviço, sem conceder direito equivalente ao consumidor, por exemplo, pode ser considerada abusiva e anulada.

O que o consumidor pode exigir em situações assim?

Se o fornecedor se recusar a cumprir o contrato sem uma justificativa válida, o CDC permite ao consumidor escolher entre exigir o cumprimento do serviço, aceitar outro equivalente ou encerrar o contrato e receber de volta o que pagou, além de eventuais perdas e danos.

Em uma apresentação artística, porém, obrigar a banda a subir ao palco tende a ser inviável. Por isso, a discussão costuma se concentrar na devolução dos valores e no ressarcimento dos prejuízos causados pelo cancelamento.

Podem entrar nessa conta, por exemplo, a multa prevista em contrato, a diferença de preço para contratar outro fornecedor às pressas e gastos adicionais provocados pela mudança. “A primeira providência técnica é ler a cláusula antes de anunciar qualquer número”, ressalta Campbell.

Também pode haver pedido de indenização por dano moral, mas ele não é automático. A análise depende das circunstâncias do caso, da proximidade do evento e dos efeitos concretos do cancelamento.

Para Pires, o fato de se tratar de um casamento pode pesar nessa avaliação justamente por ser um evento planejado para uma data específica e de difícil recomposição. Ainda assim, eventual indenização dependeria da análise do caso concreto e das provas apresentadas.

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H&M tem vendas fracas no 1º trimestre, melhora rentabilidade e reforça presença no Brasil

A varejista sueca de fast fashion H&M registrou vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre, em um período marcado por consumo fraco e fortes efeitos cambiais, mas conseguiu melhorar a rentabilidade com controle de custos.

As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), abaixo da expectativa de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Ainda assim, o controle de custos ajudou a companhia a superar as estimativas de lucro operacional, que somou 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima do esperado pelo mercado.

A empresa também projeta crescimento de 1% nas vendas em março, na comparação anual. As ações chegaram a cair até 6,6% em Estocolmo, na maior queda intradiária desde setembro de 2024.

O CEO da varejista, Daniel Erver, que assumiu em 2024, tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. Medidas para reduzir estoques e ampliar vendas a preço cheio impulsionaram a rentabilidade, com a margem operacional avançando de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025 — e atingindo 8,4% nos últimos 12 meses.

Apesar disso, analistas veem uma recuperação ainda desigual. “A H&M tomou medidas para melhorar sua oferta, mas muitas variáveis precisam avançar juntas.” A H&M segue pressionada por concorrentes, como Shein e Primark, e por rivais mais ágeis, como a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.

Estratégia: omnichannel e eficiência

A H&M informou que continua investindo na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais, buscando ampliar conveniência e engajamento do consumidor.

A empresa também avançou na eficiência de estoques, historicamente um desafio, e destacou que os níveis atuais estão em “boa forma”. Decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores têm permitido ajustar melhor a oferta e aumentar a relevância das coleções.

Expansão com foco no Brasil

A companhia planeja abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte da otimização de sua rede global, que hoje soma 4.050 unidades. Na América Latina, o Brasil se tornou peça central da estratégia. A H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país, reforçando a aposta no maior mercado da região.

A operação brasileira começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e já inclui unidades na capital paulista e em Campinas. Para este ano, estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP).

No médio prazo, a empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano. A estratégia inclui preços mais competitivos e maior uso de produção local.

Riscos no radar

A H&M alertou para riscos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente da companhia, o impacto direto nas operações ainda foi limitado, mas um cenário prolongado pode gerar efeitos indiretos relevantes.

O principal risco está na alta dos preços de energia e nos custos de transporte, que tendem a pressionar toda a cadeia global de suprimentos. O executivo também mencionou a possibilidade de efeitos em cascata — conhecidos como “efeito chicote” — em que pequenas disrupções iniciais acabam amplificadas ao longo da cadeia, tornando difícil prever o impacto final.

Além disso, o aumento de custos pode chegar ao consumidor em um momento em que os orçamentos já estão pressionados, especialmente em meio à inflação persistente de alimentos no Reino Unido e em partes da Europa.

“Se o conflito se prolongar e houver novas disrupções, podemos ver impactos significativos no comportamento do consumidor”, afirmou o CEO.

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