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Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: ‘o tempo sempre vence’

O fundador da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, está deixando o cargo de presidente do conselho de administração da companhia e será substituído pelo filho, Howard, no mais recente passo do processo de sucessão de um dos mais conhecidos conglomerados de investimentos do mundo.

O bilionário passará a ser presidente emérito da companhia, título honorário concedido a ex-presidentes, com efeito imediato, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (18). Buffett continuará como membro do conselho de administração, enquanto seu filho, que integra o conselho da empresa desde 1993, assumirá a presidência.

“Warren teve um impacto sobre a Berkshire e seus acionistas sem paralelo na história dos negócios americanos”, disse Greg Abel, que substituiu Buffett no início deste ano como CEO da companhia. “A cultura que Warren construiu e os valores que defendeu continuarão no centro da Berkshire, e Howard será seu guardião.”

Aos 96 anos, Buffett deixa a presidência do conselho após mais de seis décadas à frente da companhia sediada em Omaha, Nebraska. A empresa era originalmente uma decadente fábrica têxtil e foi transformada pelo lendário investidor em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão.

Em uma carta aos acionistas, Buffett afirmou que decidiu deixar o cargo depois que Abel superou suas expectativas “altíssimas” como CEO. “Ele já vem tomando as decisões que importam há algum tempo, e eu não precisei pensar duas vezes sobre nenhuma delas”, escreveu Buffett. “Portanto, o momento é adequado para concluir a transição.”

Buffett disse que continuará no conselho e que Abel ficará responsável pela gestão da Berkshire, enquanto Howard terá como função preservar a cultura e os valores da companhia.

“Greg administra a empresa; Howard protegerá sua cultura e seus valores — ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço”, escreveu Buffett.

Filho de Buffett

Howard Buffett, de 71 anos, integra o conselho da Berkshire há 33 anos. Desde 1999, ele é presidente e CEO da Howard G. Buffett Foundation, organização filantrópica voltada à segurança alimentar global e à redução de conflitos.

Ele também integrou os conselhos de diversas empresas públicas e privadas, incluindo Agro Tech, Archer Daniels Midland, ConAgra Foods, Coca-Cola, Coca-Cola Enterprises, FirsTier Financial e Lindsay Corporation, tendo ocupado a presidência de alguns deles.

Howard Buffett, novo presidente do conselho da Berkshire (Chris J. Ratcliffe/Bloomberg)

O comunicado informou ainda que Susan Decker continuará como diretora independente líder do conselho da Berkshire.

Abel já começou a utilizar o enorme caixa da companhia, inclusive para recomprar ações. O preço das ações da Berkshire Hathaway permaneceu praticamente estável neste ano.

Em sua carta, Buffett também afirmou que continua confiante no futuro da companhia e pretende permanecer como acionista.

“A empresa está em excelentes mãos, e espero continuar sendo acionista ao lado de vocês”, escreveu.

Buffett assumiu o comando da Berkshire em 1965 e, desde então, transformou a antiga fabricante têxtil em um conglomerado com negócios em seguros e resseguros, energia, ferrovias, indústria, serviços e varejo.

“Ser seu presidente foi o privilégio de uma vida, e nunca dei como garantida a confiança de vocês”, escreveu Buffett. “O tempo sempre vence. Mas foi generoso comigo.”

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Conheça a construtora que a Berkshire, de Buffett, vai comprar por US$ 6,8 bi

A Berkshire Hathaway, fundada por Warren Buffett e presidida por Greg Abel, vai comprar a Taylor Morrison, uma construtora americana de casas de capital aberto. Vão pagar US$ 6,8 bilhões.

A oferta, de US$ 72,50 por ação, representa um prêmio de 24% sobre o último preço de fechamento da construtora, na sexta-feira (29). A conclusão do negócio está prevista para o segundo semestre.

Com sede em Scottsdale, no Arizona, a Taylor Morrison A empresa atua de costa a costa do país e atende um público variado: o de entrada, que estrá comprarndo a primeira casa, famílias em busca de imóveis maiores (“move-up”, no jargão) e o de alto padrão.

Para isso, opera com uma família de marcas que inclui a própria Taylor Morrison; a Esplanade, voltada a condomínios estilo resort e a Yardly, focada em vender para investidores.

A construtora é bem reconhecida. Foi nomeada “Construtora Mais Confiável da América” pela Lifestory Research em 11 anos consecutivos, um feito único.

Nos últimos tempos, a Taylor Morrison vem passando por um reset: pisou no freio nos segmentos de entrada, de margem menor, e concentrou esforços no “move-up” e no alto padrão. O lucro em 2025 foi de US$ 830 milhões.

A Berkshire controla 65 empresas de forma integral, entre elas, Duracell e Dairy Queen, além de ser acionista relevante de Apple, Coca-Cola, Chevron e outras dezenas de gigantes.

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Na Berkshire, conselheiros ganham só US$ 3 mil por ano e bônus em ações não existem. Por quê?

Quando se trata de governança corporativa, a Berkshire Hathaway é um retorno aos anos 1960 — e um caso praticamente único entre as grandes empresas americanas.

Isso ficou evidente no proxy statement de 2026 divulgado pela companhia na noite de sexta-feira. O documento mostrou que praticamente nada na forma como a empresa é administrada deve mudar sob o comando do CEO Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett no início de 2026.

O relatório reflete a filosofia de governança de Buffett, que controla a empresa desde 1965.

A Berkshire não concede remuneração em ações a executivos — ou a qualquer funcionário, aliás — e chega a afirmar que “nunca pretende” fazê-lo. Todos recebem em dinheiro. O salário de Buffett foi de US$ 100 mil em 2025, exatamente o mesmo valor que ele recebe há décadas. Já Abel e o chefe da divisão de seguros, Ajit Jain, receberam US$ 22 milhões cada, pagos integralmente em dinheiro.

Isso significa que não há espaço para os jogos financeiros comuns na indústria de software, onde a remuneração em ações — considerada despesa pelas normas contábeis GAAP — é frequentemente adicionada de volta ao lucro em cálculos de “lucro ajustado” questionáveis. Buffett sempre foi um crítico dessa prática.

A remuneração dos conselheiros da Berkshire também parece saída dos anos 1960. Os membros do conselho recebem US$ 900 por reunião presencial e US$ 300 por reunião telefônica. A maioria dos conselheiros ganhou US$ 3 mil no ano passado (foram quatro reuniões) ou US$ 7 mil no caso dos integrantes do comitê de auditoria, que recebem um adicional de US$ 1 mil por trimestre.

Warren Buffett – Ilustração: The Wall Street Journal

Nas empresas do índice S&P 500, em comparação, a remuneração média de um conselheiros ultrapassa US$ 250 mil por ano.

Fazer parte do conselho da Berkshire provavelmente traz mais prestígio do que o de qualquer outra grande empresa.

conselheiros como o gestor de investimentos Chris Davis já disseram que o cargo representa uma espécie de “confiança pública” e honra, considerando o enorme número de acionistas da companhia — perto de três milhões — e o esforço do conselho para preservar a cultura singular da empresa.

Ao contrário de praticamente todas as grandes companhias, a Berkshire não oferece seguro para conselheiros e executivos (D&O insurance). Isso significa que os conselheiros assumem riscos financeiros ao ocupar o cargo — embora muitos acreditem que a empresa os apoiaria em caso de processos movidos por acionistas.

A Berkshire também não utiliza fórmulas complexas de remuneração para executivos, como fazem a maioria das grandes empresas com instrumentos como bônus baseados em tempo ou em desempenho.

Em 2025, Buffett foi responsável por definir a remuneração dos principais executivos. O proxy afirma que ele tomou a decisão de forma “subjetiva”, com base em sua avaliação do desempenho deles e em outros fatores.

A Berkshire não utiliza consultores de remuneração. Buffett detesta esse tipo de serviço — e o mesmo acontecia com o vice-presidente histórico da companhia, Charlie Munger. Ambos afirmavam que esses consultores prejudicam os acionistas ao inflar os salários de executivos. Munger, que morreu em 2023, chegou a dizer que preferiria “jogar uma cobra venenosa dentro da camisa” a contratar um consultor desse tipo.

No início desta década, a Berkshire pareceu desconectada ao se recusar a considerar diversidade na escolha de membros do conselho. Hoje, porém, essa posição parece ter sido visionária, diante da reação contra políticas de DEI (diversidade, equidade e inclusão) que se espalhou por empresas americanas. A companhia afirma que não considera “diversidade, seja qual for a definição”.

Segundo a Berkshire, o perfil buscado em um conselheiro é de “pessoas com altíssimo nível de integridade, visão de negócios, mentalidade de dono, interesse genuíno pela empresa e que tenham mantido um investimento significativo em ações da Berkshire por pelo menos três anos.”

Parece que os conselheiros seguem essa última exigência de participação relevante em ações.

A conselheira Susan Decker, que está no conselho desde 2007, possui a menor participação entre os 13 membros: cerca de US$ 1,5 milhão em ações.

O conselheiro Howard Buffett, um dos dois filhos de Warren Buffett, possui cerca de US$ 8 milhões em papéis. Howard, de 71 anos, deve se tornar presidente do conselho após a morte do pai, hoje com 95 anos.

Foto de Greg Abel, um homem alto careca que está com um casaco azul escuro
Greg Abel, sucessor de Warren Buffett – Foto: Getty Images/Kevin Dietsch

A irmã dele, Susan Buffett, de 72 anos, também conselheira, possui cerca de US$ 17 milhões em ações.

O conselho da Berkshire já foi criticado por avaliadores externos por uma suposta falta de independência, já que Warren Buffett exerce grande influência sobre ele.

Outro ponto criticado é a idade média do conselho: todos os membros têm mais de 60 anos. Consultores também apontam como problema o longo tempo de mandato de vários conselheiros, algo que poderia gerar “entrincheiramento”.

A maioria dos acionistas da Berkshire, porém, provavelmente está muito satisfeita com o conselho e com a forma como a empresa opera.

A participação de Warren Buffett na companhia — cerca de 196 mil ações Classe A, além de uma pequena quantidade de ações Classe B — vale aproximadamente US$ 146 bilhões, com o papel Classe A sendo negociado por volta de US$ 745 mil nesta segunda-feira.

Isso representa 13,7% de participação econômica e 30,2% do poder de voto, já que as ações Classe A possuem direitos de voto superiores às Classe B.

O proxy da Berkshire também se destaca pela simplicidade: menos de 20 páginas, contra os documentos de mais de 100 páginas que a maioria das grandes empresas costuma publicar.

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Carteira internacional da Empiricus passa por ajustes após resultados das empresas; veja novas recomendações

Para o mês de março, em meio a conflitos globais e volatilidade nas bolsas ao redor do mundo, a Empiricus Research apresentou alterações na sua carteira recomendada de ações internacionais. A relação de ações indicadas é formada por Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Alphabet (GOOGL),  Visa e Microsoft (MSFT34) tiveram suas posições aumentadas. As duas primeiras subiram para o peso 15%, enquanto a última dobrou o seu espaço, saindo de 5% em fevereiro, para 10% neste mês.

Já as ações da Amazon,  Berkshire Hathaway (BERK34) e TSMC (TSMC34) foram reduzidas. As duas primeiras saíram de 15% para 10%, já a terceira perdeu metade do espaço de fevereiro, saindo de 10% para 5%.

De acordo com o relatório, a nova formatação da carteira foi realizada a partir da análise dos resultados do quarto trimestre de 2025 divulgado em fevereiro pelas companhias.

O analista Enzo Pacheco, que assina a carteira, explicou que o aumento de espaço da Alphabet aproveita o enfraquecimento da ação, visando ainda um potencial de crescimento consistente da plataforma de nuvem Google Cloud e da aceleração do ciclo de Inteligência Artificial.

Apesar dos riscos competitivos entre ferramentas de pesquisa e de regulamentações sobre publicidade, a Alphabet ainda possui uma diversificação de receitas advindas de assinaturas pagas, que contrapõem possíveis impactos negativos.

Sobre a valorização da Visa, o relatório afirma que a tese se sustenta após a companhia divulgar resultados “acima das expectativas, com crescimento de receita e lucro acima dos 10% pelo terceiro trimestre consecutivo”. Para a Empiricus, o preço de negociação do papel segue atrativo em um bom ponto de entrada

No caso da Microsoft, Pacheco enxerga boas perspectivas para a empresa, após recente desvalorização desde a divulgação dos resultados. “Entendo esse momento como uma oportunidade para aumentarmos a posição a um preço mais favorável”, conclui.

Já entre as baixas, a perda e espaço da TSMC foi justificada pela aposta em teses de mercado mais favorável, uma vez que a ação foi valorizada recentemente. Apesar da redução, a análise ainda ressalta a aposta em companhias no mercado de semicondutores, que avalia como “essencial”.

A queda da Berkshire Hathaway e da Amazon seguem a mesma lógica, segundo a Empiricus.

Para a Berkshire, a redução aconteceu antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, prevendo uma possível reação negativa do mercado que considera a recente mudança de CEO no início de janeiro, quando a companhia finalizou a gestão de Warren Buffett e Greg Abel assumiu o cargo.

Ainda assim, Pacheco ressalta que a Empiricus mantém a exposição em teses de tecnologia, ainda que com a ressalva sobre o sentimento negativo sobre o setor. Segundo o relatório, a casa busca a diversificação na carteira.

As 10 melhores ações internacionais para investir em março:

Empresa BDR Ação (EUA) Peso (%)
Alphabet GOGL34 GOOGL 15
Novo Nordisk N1VO34 NVO 15
Visa VISA34 V 15
Amazon AMZO34 AMZN 10
Berkshire Hathaway BERK34 BRK/B 10
Coinbase C2OI34 COIN 10
Microsoft MSFT34 MSFT 10
Alibaba BABA34 BABA 5
Baidu BIDU34 BIDU 5
Taiwan Semiconductor (TSMC) TSMC34 TSM 5

*Com supervisão de Juliana Américo

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Abel, novo CEO da Berkshire, promete usar todo o salário para comprar ações da empresa

A Berkshire Hathaway teve seu CEO, Greg Abel, afirmando que usará todo o seu salário líquido para comprar ações do conglomerado enquanto permanecer no cargo.

Com esse objetivo, Abel comprou nesta semana cerca de US$ 15,3 milhões em ações da empresa, segundo um documento regulatório. Ele disse que seu compromisso de continuar fazendo isso após a divulgação dos resultados anuais da companhia a cada ano deve resultar em “centenas de milhões” de dólares em recompras de ações ao longo de sua carreira.

A Berkshire também retomou na quarta-feira (4) o programa de recompra de ações. Em entrevista à CNBC, Abel afirmou que a decisão veio após executivos concluírem que o chamado “valor intrínseco” das ações estava acima do preço pelo qual elas vinham sendo negociadas no mercado.

As ações da Berkshire haviam caído no início da semana depois que a empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre no sábado. O lucro operacional caiu 30% no período, impulsionado por uma queda de 54% no resultado de subscrição de seguros.

Os acionistas vinham analisando esses números em busca de sinais sobre como Abel conduziria a política de recompra de ações, já que o conglomerado havia deixado de realizar recompras por seis trimestres consecutivos.

Em sua primeira carta anual aos investidores na semana passada, Abel reafirmou a política de retorno ao acionista da Berkshire, descartando praticamente a possibilidade de pagamento de dividendos.

“Mantivemos a posição de que vamos reter um dólar se enxergarmos a oportunidade de criar mais de um dólar para nossos acionistas — e esse sempre foi o teste”, disse Abel. “Se não atendêssemos a esse critério, pagaríamos dividendos.”

A decisão de retomar as recompras não impedirá a Berkshire de buscar outras formas de usar sua enorme reserva de caixa, de US$ 373 bilhões, acrescentou Abel.

“Também existe a questão: ‘Devemos comprar ações?’ E, quando olhamos para empresas: ‘Devemos adquirir empresas inteiras?’ E ainda há ‘Devemos comprar participações acionárias?’”, afirmou. “Cada uma dessas opções, com o capital que temos, pode ser executada de forma independente. Portanto, quando estamos recomprando nossas ações, isso não tira espaço de nenhuma das outras decisões.”

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Berkshire de Buffett prepara maior aquisição desde 2022: uma petroquímica de US$ 10 bilhões

A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, está perto de fechar seu maior negócio desde 2022. O alvo é a divisão petroquímica da Occidental Petroleum, a OxyChem, em uma transação estimada em cerca de US$ 10 bilhões, segundo apuração do The Wall Street Journal.

A Occidental é investida da Berkshire desde 2019, quando Buffett entrou na companhia. Hoje, o conglomerado é o maior acionista da petroleira, avaliada em cerca de US$ 46 bilhões.

A OxyChem fabrica produtos químicos usados na cloração de água, reciclagem de baterias e produção de papel, e registrou US$ 5 bilhões em receita nos 12 meses encerrados em junho. 

Se confirmada, a compra marcaria a segunda grande aposta da Berkshire no setor químico — a primeira foi em 2011, com a aquisição da Lubrizol por quase US$ 10 bilhões. O último grande negócio do grupo havia sido a compra da seguradora Alleghany, em 2022, por US$ 11,6 bilhões.

Para a Occidental, a venda se insere em um programa de desinvestimentos voltado a reduzir endividamento. Em agosto, a empresa informou já ter quitado US$ 7,5 bilhões em dívidas.

Enquanto isso, a Berkshire acumulava uma montanha de liquidez: no fim de junho, detinha US$ 344 bilhões em caixa e Treasuries, o que tem levado investidores a cobrar novos movimentos de alocação de capital.

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