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CVM questiona informações da Ambipar e solicita íntegra do processo de recuperação

Em meio ao pedido de recuperação judicial, a Ambipar está tendo de lidar, agora, com mais questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em ofício enviado ao juiz responsável pela RJ, a autarquia questiona a falta de transparência da companhia com o mercado e com o próprio regulador, e pede acesso integral aos autos da recuperação, inclusive às peças que tramitam sob segredo de Justiça – quando solicitou a recuperação judicial, a Ambipar entregou ao judiciário alguns documentos, como o fluxo de caixa detalhado, em envelope lacrado que só o juiz tem acesso.

No centro da ofensiva da CVM está uma aparente quebra de narrativa: em junho de 2025, a Ambipar reportava cerca de R$ 4,7 bilhões em caixa consolidado, mas quatro meses depois pediu proteção contra credores alegando risco de liquidez.

Como companhia aberta de categoria A, a Ambipar é obrigada a enviar à CVM, no mesmo dia do protocolo da recuperação judicial, a petição inicial e todos os documentos que a acompanham, conforme a Resolução 80. Segundo o ofício, isso não aconteceu.

LEIA MAIS: Opportunity vende ações do dono da Ambipar; participação de Tércio Borlenghi Junior cai para 53%

A empresa teria encaminhado apenas parte dos anexos exigidos pela Lei de Recuperação Judicial, deixando de fora, entre outros pontos, as demonstrações contábeis levantadas especialmente para o pedido e o relatório gerencial de fluxo de caixa com projeções para dois anos. São exatamente esses os documentos que permitem entender a real situação de liquidez, a evolução do caixa e a viabilidade do plano.

A companhia justificou à CVM que só divulgou o que não está sob Segredo de Justiça e que o restante será tornado público quando o sigilo for levantado pelo juízo. A autarquia rebate em duas frentes.

Primeiro, afirma que parte dos documentos ausentes sequer está formalmente protegida por sigilo no processo. Segundo, sustenta que, mesmo nos casos em que o sigilo foi decretado – por envolver dados pessoais de empregados, informações bancárias ou fiscais –, esse sigilo não pode ser oposto ao regulador do mercado de capitais.

Na visão da CVM, é possível proteger trechos estratégicos ou sensíveis sem privar investidores, credores e o próprio órgão de supervisão de enxergar o quadro financeiro de forma minimamente completa.

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Opportunity vende ações do dono da Ambipar; participação de Tércio Borlenghi Junior cai para 53%

A Ambipar informou nesta sexta-feira (7) que houve nova redução na participação acionária do seu controlador, Tércio Borlenghi Junior, de 59,54% para 53,26%. Segundo a companhia, a diminuição teria ocorrido por causa de uma “venda irregular de ações” por um fundo do grupo Opportunity.

De acordo com Tércio Borlenghi Junior, foram negociadas 105 milhões de ações ordinárias da companhia. Essa ação resulta na diminuição da participação direta e indireta do controlador no capital social total e votante da Ambipar.

Líder em gestão ambiental, a Ambipar oferece soluções em resíduos, logística reversa e resposta a emergências ambientais. A empresa de gestão ambiental está atualmente em recuperação judicial, com dívidas que superam os R$ 10 bilhões.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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Ambipar consegue manter o Rio de Janeiro como foro para recuperação judicial do grupo

A Ambipar divulgou nesta segunda-feira (27) que a 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu, em caráter liminar, que a Justiça fluminense é competente para julgar o pedido de recuperação judicial do grupo.

“Com a decisão, o tribunal reconheceu que o principal centro de negócios da Ambipar está localizado no Rio de Janeiro, onde a empresa concentra a maior parte de sua receita e operações, contrariando argumentos de que a sede administrativa em São Paulo deveria ser o foro competente”, afirmou a empresa em comunicado.

A direção da Ambipar também informou que a Justiça concedeu medidas urgentes que garantem a continuidade das atividades do grupo, entre elas a suspensão de cláusulas que previam o vencimento antecipado de dívidas, evitando que credores acionem cobranças imediatas que poderiam inviabilizar a empresa.

A Justiça proibiu a rescisão de contratos essenciais, assegurando que fornecedores mantenham serviços fundamentais para o funcionamento da Ambipar, bem como bloqueios ou apreensões de bens e equipamentos, protegendo os ativos operacionais da empresa.

A decisão inclui autorização para participação em licitações públicas e privadas, mesmo durante o processo de recuperação judicial, sem necessidade de apresentar certidões negativas, e estabelece multa de R$ 100 mil ou 5% do valor do contrato, o que for maior, para quem descumprir as determinações judiciais.

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Ambipar pede recuperação judicial no Brasil e nos EUA. Dívida total soma R$ 10,7 bilhões

O grupo Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil e, em paralelo, um pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos, onde tem uma subsidiária listada na Nyse (Bolsa de Nova York), em meio a uma crise de liquidez deflagrada por operações de derivativos e pela renúncia do diretor financeiro no início de outubro.

O processo brasileiro foi protocolado na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em 20 de outubro e inclui a Ambipar Participações e Empreendimentos S.A., a Environmental ESG e mais de 60 controladas no país e no exterior. Já a petição americana envolve apenas a Ambipar Emergency Response, subsidiária sediada nas Ilhas Cayman e registrada no Texas.

Segundo o documento entregue à Justiça, o endividamento total do grupo — considerando todas as obrigações financeiras e operacionais, nacionais e externas — chega a R$ 10,7 bilhões. Desse total, R$ 7,86 bilhões estão sujeitos à recuperação judicial no Brasil, enquanto o restante inclui dívidas com garantias fiduciárias, impostos parcelados, arrendamentos e obrigações de subsidiárias fora do país.

A origem da crise está em contratos de swap cambial firmados com o Deutsche Bank. As operações teriam gerado perdas e cláusulas de vencimento antecipado, que, por sua vez, provocaram pedidos de execução cruzada de dívidas por parte de credores.

A Ambipar alega que a situação se agravou com a renúncia abrupta do CFO João Daniel Piran de Arruda, levando à perda de confiança do mercado e à pressão para pagamento imediato de obrigações. “Os pedidos foram necessários para preservar as atividades empresariais, manter empregos e assegurar tratamento equitativo aos credores”, diz a empresa em fato relevante.

Os primeiros sinais de alerta apareceram ainda no segundo trimestre de 2025, quando a Deloitte, nova auditora da companhia, incluiu uma nota explicativa sobre a composição do caixa de R$ 4,7 bilhões da Ambipar, considerado abundante por grande parte do mercado.

Dos cerca de R$ 5 bilhões em disponibilidades, R$ 2,6 bilhões estavam em caixa ou aplicações de resgate imediato e outros R$ 2,1 bilhões em um fundo de direitos creditórios (FIDC) com prazos de resgate entre 30 e 60 dias.

Mas a suposta abundância de caixa contrastou com o pedido de tutela cautelar de proteção a credores, apresentado no fim de setembro — quase um mês antes da recuperação judicial. Assim que o pedido foi protocolado, a principal dúvida passou a ser por que uma companhia com tamanho volume de recursos buscava proteção na Justiça.

Não está claro, no entanto, onde esses recursos estavam alocados ou se eram de fato líquidos e disponíveis. No dia 12 de outubro, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que cerca de R$ 850 milhões do caixa da Ambipar estariam aplicados em CDBs do Banco Master, instituição que enfrenta uma grave crise de liquidez. A informação acentuou as desconfianças do mercado sobre a real posição de caixa da companhia e o destino dos recursos contabilizados como disponíveis no balanço.

O caso passou a tramitar no Rio de Janeiro, e não em São Paulo, onde está a sede administrativa da Ambipar, porque a companhia alegou que o principal estabelecimento econômico do grupo — em termos de faturamento e contratos — se concentra na capital fluminense.

Segundo o pedido, a Ambipar faturou R$ 303 milhões no Rio, contra R$ 69 milhões em São Paulo e R$ 1,6 milhão em Nova Odessa (SP), onde fica o endereço registrado da holding. O tribunal aceitou a justificativa, mas bancos credores contestaram a competência da Justiça fluminense.

Entre eles, o Bradesco e o BTG Pactual Chile, que apresentaram recursos e embargos de declaração pedindo a transferência do processo. Ambos tiveram os pedidos indeferidos pelo desembargador Mauro Pereira Martins, que manteve a tutela cautelar em vigor e reconheceu o risco de colapso das operações se as dívidas fossem executadas simultaneamente.

O passivo sujeito à recuperação judicial, de R$ 7,86 bilhões, é composto majoritariamente por bonds internacionais, que somam R$ 2,93 bilhões, seguidos por debêntures domésticas, no valor de R$ 1,82 bilhão. Além disso, há R$ 1,61 bilhão em empréstimos bancários e linhas de crédito, R$ 740 milhões em dívidas com fornecedores e prestadores de serviços, e outros R$ 760 milhões relacionados a arrendamentos, contratos operacionais e derivativos, incluindo os swaps que deram origem à crise.

Apesar de o pedido judicial mencionar R$ 2,93 bilhões em bonds, o valor nominal total dessas emissões no mercado internacional é muito maior — US$ 1,065 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) — somando papéis com vencimento em 2027 e 2030. A diferença ocorre porque o processo judicial considera apenas o valor contábil consolidado no Brasil, enquanto o mercado calcula o valor de face global dos títulos emitidos no exterior.

Entre os bancos, o maior credor é o Santander, com R$ 663 milhões em exposição ao grupo. Em seguida aparecem o Banco do Brasil, com R$ 352 milhões; o Banco do Nordeste, com R$ 207 milhões; o Deutsche Bank, com R$ 188 milhões; o Bradesco, com R$ 165 milhões; e o Daycoval, com R$ 109 milhões. Há ainda dívidas com o banco da Scania, no valor de R$ 77 milhões, e com o ABC Brasil, de R$ 56 milhões.

Esses bancos integram o grupo de credores financeiros ao lado de investidores institucionais internacionais, detentores dos bonds emitidos pela Ambipar Lux.

Segundo a empresa, as medidas buscam preservar a operação e permitir uma reorganização ordenada e transparente, sem interrupção dos serviços ambientais prestados a entes públicos e privados.

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Ambipar: Justiça mantém proteção judicial e reconhece competência do Rio em processo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve, nesta sexta-feira (10), a decisão que concedeu proteção judicial à Ambipar, em meio a uma disputa com instituições financeiras lideradas pelo BTG Pactual Chile, filial do banco brasileiro, e o Deutsche Bank.

O desembargador Mauro Pereira Martins, da 21ª Câmara de Direito Privado, negou o pedido do BTG para suspender os efeitos da liminar que impede a execução de dívidas e bloqueios de bens da companhia. A decisão preserva, por 30 dias — prorrogáveis —, a suspensão de cobranças e cláusulas de vencimento antecipado de contratos financeiros firmados pela Ambipar e suas subsidiárias.

Na ação, o grupo alegou que o Deutsche Bank vinha exigindo garantias adicionais em um empréstimo de US$ 35 milhões e em contratos de derivativos (“swaps”) atrelados a green bonds emitidos no exterior. Segundo a empresa, as exigências já levaram a desembolsos de R$ 200 milhões e poderiam acionar cláusulas de vencimento cruzado (cross-default) em outros contratos, com risco de um rombo de mais de R$ 10 bilhões.

O BTG contestou a decisão e argumentou que as empresas envolvidas são estrangeiras e não possuem sede no Brasil. O banco também defendeu que o caso deveria ser julgado em São Paulo, onde estariam concentradas as principais operações do grupo no país — e não no Rio de Janeiro, onde o processo tramita.

O tribunal, porém, manteve a decisão da 3ª Vara Empresarial do Rio e entendeu que suspender a medida poderia agravar a situação financeira da Ambipar, contrariando o princípio da preservação da empresa.

O juiz de primeira instância ainda vai analisar, com base em documentos sobre o volume de negócios em cada estado, qual será o foro competente para o eventual pedido de recuperação judicial do grupo.

Ontem, a empresa já havia obtido vitória sobre o Bradesco na Justiça de São Paulo, o que motivou uma alta de mais de 50% nas ações nesta manhã. O papel perdeu fôlego ao longo do dia e fechou em queda de 2,78% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Na ação, o Bradesco acusava a empresa de praticar atos para fraudar credores e ocultar seu patrimônio e solicitava que o controlador, Tercio Borlenghi Junior, fosse impedido de vender bens ou promover “esvaziamento patrimonial”.

A juíza Ana Laura Correa Rodrigues, da 3ª Vara Cível do TJ-SP, negou o pedido e extinguiu o processo, argumentando que “não há qualquer indício de ocultação ou dissipação de bens pelo requerido, ou descrição de atos concretos de alienação patrimonial com o intuito de frustrar a satisfação de créditos”.

A crise da Ambipar

A decisão vem na esteira de um período de forte turbulência envolvendo a companhia. Nesta sexta-feira, Borlenghi Junior comunicou a redução de sua participação na empresa de 73,48% para 67,68%, alegando que houve venda ou execução irregular de ações sob sua titularidade, em desrespeito à tutela judicial concedida.

Segundo ele, parte dessas transações teria ocorrido entre 30 de setembro e 6 de outubro e envolvido Bradesco, Genial Investimentos e Grupo Opportunity. O controlador afirmou ainda que a alienação indevida de ações teria provocado uma perda de valor estimada em R$ 20 bilhões.

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Controlador da Ambipar tem participação na empresa reduzida e cita alienação irregular

A Ambipar comunicou nesta sexta-feira (10) que recebeu correspondência de seu acionista controlador, Tércio Borlenghi Junior, informando sobre a redução da participação detida direta e indiretamente por ele no capital social total e votante da companhia: de 73,48% para 67,68%.

Em fato relevante, a empresa cita que a redução ocorreu “em razão da excussão irregular de ações de emissão da companhia detidas pelo controlador, em descumprimento à medida cautelar deferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, objeto do fato relevante divulgado em 25 de setembro de 2025”.

Na ocasião, a Ambipar obteve da Justiça do Rio de Janeiro medida cautelar que, entre outras medidas de proteção, suspendeu efeitos de cláusulas contratuais que acionariam a aceleração de dívidas do grupo, bem como a exigibilidade de obrigações sob instrumentos contratuais relevantes.

De acordo com o controlador, entre os dias 25 de setembro e 6 de outubro, Bradesco e a Genial Investimentos, em conjunto com o Grupo Opportunity (Genial/Opportunity), “excutiram ilegalmente ações” de sua propriedade, sem sua autorização e em descumprimento à medida do dia 25.

Borlenghi Junior cita uma “indevida transferência” ao Bradesco de 72.233.230 ações, das quais 15.896.900 ações foram alienadas entre 30 de setembro e 6 de outubro. Também aponta “indevida alienação” pela Genial/Opportunity de 24.550.000 ações entre 2 e 6 de outubro.

Procurados, o Bradesco afirmou que não irá comentar e a Genial não respondeu de imediato ao pedido de entrevista.

Ações da Ambipar

A participação direta e indireta de Borlenghi Junior no capital social total e votante da Ambipar passou de 1.227.402.390 ações ordinárias (73,48%) para 1.130.619.160 ações ordinárias (67,68%).

“A alienação irregular de ações da companhia, em curto espaço de tempo e em violação à decisão judicial, resultou em perda estimada de valor de mercado de aproximadamente R$ 20 bilhões”, afirmou o controlador na correspondência enviada à empresa, que atua em gestão de resíduos.

Borlenghi Junior afirmou que “estão sendo adotadas todas as medidas legais cabíveis para reversão da situação e responsabilização dos envolvidos”.

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B3 exclui ação da Ambipar de 9 índices e não renovará certificação de ações verdes

A Ambipar será excluída dos 9 índices da B3 dos quais faz parte e não terá a renovação da designação de ações verdes, afirmou a bolsa em comunicado nesta quinta-feira (9), em um momento de preocupações sobre a liquidez e a governança da empresa. As ações da empresa desabarem nos últimos dias.

Atualmente, os papéis da empresa de gestão de resíduos estão nos índices Brasil Amplo, de Diversidade, de Governança Corporativa Trade, de Ações com Governança Corporativa Diferenciada, de Governança Corporativa Novo Mercado, de Sustentabilidade Empresarial, de Ações com Tag Along Diferenciado, MidLarge Cap e Utilidade Pública.

De acordo com o comunicado da B3, as ações deixarão de fazer parte dessas carteiras ao preço de fechamento de 15 de outubro e sua participação será redistribuída proporcionalmente aos demais ativos.

Por que a B3 excluiu a Ambipar dos índices?

A decisão, segundo a B3, baseia-se em dispositivo do manual de definições e procedimentos dos índices, segundo o qual a bolsa brasileira pode excluir um ativo, visando preservar a continuidade, a replicabilidade, a representatividade e a integridade do índice.

A bolsa também informou que a empresa não terá renovada a certificação de “B3 Ações Verdes”, citando que a metodologia para tal designação prevê “que, caso a companhia, seus diretores ou administradores tenham sua imagem associada a eventos ou incidentes relacionados a aspectos Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa (ASG) que suscitem risco de imagem, a titulação pode não ser concedida ou retirada”.

No final de setembro, a Ambipar obteve da Justiça do Rio de Janeiro medida cautelar que, entre outras medidas de proteção, suspendeu efeitos de cláusulas contratuais que acionariam a aceleração de dívidas do grupo, bem como a exigibilidade de obrigações sob instrumentos contratuais relevantes.

A busca da Ambipar por proteção teve como gatilho uma operação de crédito da companhia com o Deutsche Bank, que demandou garantias adicionais e que consumiu montante elevado no caixa da companhia em poucos dias.

No pedido, citado no despacho sobre a decisão que concedeu a tutela cautelar, a companhia citou riscos de cláusulas de vencimento cruzado que implicariam um rombo de R$ 10 bilhões, o que acarretaria um gravíssimo risco de insolvência imediata do grupo.

Em relatório, a agência de classificação Fitch afirmou que entendeu que a Ambipar entrou em um processo semelhante a inadimplência (default).

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Em três semanas, Ambipar saiu da estabilidade para a beira da recuperação judicial

Em cerca de três semanas, a Ambipar saiu da promessa de estabilidade para ficar à beira de um pedido de recuperação judicial.

A Ambipar está em mais de 40 países, atuando desde o descarte de resíduos perigosos até a remediação de solos. A empresa viu seus títulos em dólar caírem de forma constante à medida que processos na CVM, alertas das agências de classificação de rating e preocupações de governança se acumulavam.

Em resposta, a empresa decidiu ampliar seu conselho e revisar comitês — uma tentativa de convencer investidores de que estaria retomando o controle.

Mas o tiro saiu pela culatra.

Junto com as mudanças, os executivos disseram ter contratado um assessor para analisar uma gestão de passivos, assustando os investidores. O então diretor financeiro, João Arruda, o diretor de relações com investidores, Pedro Borges Petersen, e o diretor jurídico global, Mauro Nakamura, saíram com poucos dias de diferença. Os bonds da companhia despencaram.

Títulos da Ambipar em queda

A venda massiva das notas criou outro problema para a Ambipar. Os papéis faziam parte de um acordo de financiamento com o Deutsche Bank.

À medida que seu valor despencava, a empresa precisou aportar cada vez mais recursos para atender às chamadas de margem. Na última solicitação — de apenas R$ 60 milhões — a companhia não conseguiu cumprir.

No fim do mês passado, a Ambipar buscou proteção emergencial por meio de um tribunal do Rio de Janeiro, afirmando que exigências de pagamento poderiam acionar cláusulas de vencimento antecipado cruzado sobre sua dívida de aproximadamente R$ 10 bilhões. A pressa foi tamanha que um dos documentos apresentados continha erros —  uma das páginas chegou a nomear uma empresa totalmente diferente. 

Os investidores ficaram surpresos e confusos sobre como a empresa pôde repentinamente ter uma crise de liquidez, pois havia relatado um saldo de caixa de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2025.

Procurados, Ambipar disse que não comenta e Deutsche Bank não retornou imediatamente. 

“O colapso nos preços dos títulos da Ambipar reflete uma crise de governança clássica em mercados emergentes”, disse Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors. “Os investidores perderam a confiança na empresa devido à falta de transparência e à má comunicação com o mercado.”

Embora a liminar concedida pelo tribunal tenha duração de 30 dias, prorrogáveis ​​por mais 30, a empresa trabalha para entrar com o pedido de recuperação judicial já na semana que vem, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

Derivativos

A Ambipar, em documentos jurídicos analisados pela Bloomberg News, atribui sua crise a um aditivo assinado com o Deutsche Bank relativo a um acordo de swap originalmente firmado em fevereiro. Segundo a empresa, o contrato continha um “mecanismo abusivo” que vinculava as exigências de margem ao preço de seus green bonds.

O aditivo ao contrato de swaps, datado de 18 de agosto, afirma que os pagamentos da Ambipar ao banco também poderiam ser feitos por meio de instrumentos de crédito, incluindo seus títulos pelo valor de face.

Isso permitiu que a empresa obtivesse financiamento a taxas de juros muito mais baixas, de acordo com o documento, que informa que a operação de derivativos foi aprovada pelo CFO, CEO e tesoureiro da Ambipar.

A Ambipar responsabilizou o ex-CFO Arruda pelo aditivo ao acordo, que, segundo a empresa em documentos, foi feito sem a aprovação do conselho.

Arruda não comenta o assunto.

Mão forte do dono

A Ambipar estreou nos mercados globais de dívida com uma venda de títulos verdes em janeiro de 2024. A empresa captou US$ 750 milhões, superando sua meta inicial de US$ 500 milhões. Foi reconhecida pela LatinFinance como a “Emissora de Dívida do Ano”.

Os títulos, que eram negociados próximos ao valor de face até o início de agosto, agora valem cerca de 13 centavos de dólar. Eles acumularam uma perda 81% nas três semanas desde o anúncio da reformulação da governança. Agora, os títulos oferecem um rendimento estonteante de 77%.

Tercio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar em 1995, a administra com um toque tipicamente old school. O CEO é frequentemente visto conversando com assessores em longas reuniões em restaurantes. Para ele, a vantagem da Ambipar está na “mão forte do dono” e, quando o desempenho o decepciona, ele demonstra pouca hesitação em mudar abruptamente de rumo.

Mas para uma empresa que alardeava suas credenciais ESG, seriam os problemas de governança que desencadeariam sua queda.

Reguladores investigaram supostas negociações coordenadas e irregularidades em um programa de recompra que impulsionou uma alta de 1.000% nas ações, tornando Borlenghi — que detém uma participação de mais de 70% — bilionário.

Empresas de classificação de risco sinalizaram falhas de governança e investidores especularam sobre vínculos com o problemático Banco Master. Todas são alegações que a Ambipar nega.

“Quando tendências chamativas como ESG se encontram com a governança corporativa confusa de nomes de mercados emergentes, geralmente não se obtêm empresas melhores — o que se obtém são escândalos”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital Valores. “Neste caso, os sinais de alerta já estavam lá: estruturas opacas, conflitos regulatórios, alta alavancagem e descasamento cambial.”

Patiño disse que as diversas subsidiárias da Ambipar — da Ambipar Response à Ambipar Environment — aumentaram a complexidade, enquanto os conflitos com a CVM destacaram os riscos de governança.

Em seu site, a Ambipar afirma ter mais de 500 “bases” em diversos países, do Brasil a Bangladesh, da Alemanha a Mônaco e até mesmo à Antártida.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tercio Borlenghi Jr Jr, CEO da Ambipar

Problemas

Depois que a Ambipar buscou proteção contra credores, a S&P Global Ratings rebaixou a classificação da empresa de BB- para D, chamando a medida de “equivalente a uma reestruturação geral da dívida”.

A turbulência é um lembrete claro de quão rapidamente a confiança dos investidores pode mudar. As empresas brasileiras enfrentaram uma série de más notícias, com a Braskem contratando assessores para uma revisão da estrutura de capital, e os problemas em torno do Master ameaçando se espalhar para as empresas expostas aos seus instrumentos de dívida.

As empresas brasileiras podem enfrentar condições de liquidez e financiamento mais restritas nos próximos meses se os recentes eventos de crédito corroerem a confiança dos investidores — uma reminiscência da recuperação judicial da Americanas em janeiro de 2023, afirmou a Fitch Ratings em um relatório recente.

As ações da Ambipar — que ficariam praticamente sem valor em caso de pedido de recuperação judicial — caíram mais de 95% desde 22 de setembro, quando o ex-CFO Arruda saiu. A companhia perdeu mais de R$ 22 bilhões em valor de mercado.

As perdas se agravaram na semana passada, depois que a mídia local noticiou que um fundo de recebíveis, no qual a Ambipar afirma estar parte de seu caixa, registrou perdas na rentabilidade de suas ações e aumentou as provisões nos últimos dias. O veículo está vinculado a empresas controladas por Borlenghi, segundo a reportagem. A Ambipar não quis comentar.

“No crédito — e especialmente em mercados emergentes — a complacência sempre custa caro”, disse Luiz Felipe Scalercio, chefe de pesquisa de crédito para o Brasil da BCP Securities. “Os sinais de alerta estavam todos lá. Isso mostra que buscar o rendimento extra se mostra extremamente custoso quando esses sinais de alerta são ignorados.”

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Tanure e CEO da Ambipar têm garantias executadas na venda da Emae

O CEO da Ambipar, juntamente com o investidor Nelson Tanure, pode ter perdido suas garantias em uma emissão de dívida que envolveu a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), em São Paulo. 

Tércio Borlenghi Junior e seu sócio Nelson Tanure haviam dado ações da Emae como garantia em uma emissão de debêntures. O fundo Phoenix FIP, vinculado a Tanure, adquiriu o controle da Emae no ano passado usando debêntures lastreadas por ambos, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No domingo (5), a Sabesp anunciou a aquisição da participação majoritária na Emae, um negócio que seu CEO afirmou ter sido “originado passivamente” quando a empresa foi abordada por um credor. A Sabesp comprou cerca de 70% do capital total da Emae em um acordo com a Vórtx, agente fiduciário de debenturistas do Phoenix, e com a Eletrobras.

A rápida decisão reflete os problemas crescentes para Borlenghi e a Ambipar, uma empresa global de gestão de resíduos cujas ações e títulos despencaram nas últimas semanas após a empresa ter informado a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro. A empresa contratou recentemente a consultoria BR Partners para ajudar a reestruturar seus passivos após obter proteção emergencial de credores.

Borlenghi e a Ambipar não comentaram.

Tanure na Ambipar

Tanure busca manter o controle da Emae e entrou com uma ação judicial, disseram pessoas com conhecimento do assunto. O Brazil Journal noticiou anteriormente os bastidores do negócio, que também envolveu a XP como administradora do Phoenix FIP.

Tanure, conhecido no mundo da dívida inadimplente por sua postura de risco e táticas agressivas, também possui participação na Ambipar por meio da Trustee DTVM, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg.

O CEO da Sabesp, Carlos Piani, disse a analistas em teleconferência que o investimento na Emae é “pequeno, mas muito estratégico” para fortalecer a segurança do abastecimento de água. A região metropolitana de São Paulo tem atualmente menos água disponível per capita do que a ONU recomenda, afirmou a empresa.

Além de usinas hidrelétricas, a Emae opera um importante sistema hidrológico na região metropolitana de São Paulo.

A Sabesp espera uma disputa judicial sobre a transação, mas acredita ter documentação sólida para levá-la adiante, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mesmo que a aquisição não gere um ganho financeiro significativo, a melhoria na segurança hídrica à medida que São Paulo continua a se expandir pode tornar o negócio vantajoso, disse a pessoa.

“Briga sabemos que vai ter — mas por um ativo bom, sinérgico e operacional”, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. “Parece um risco-retorno interessante.”

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Ambipar, Braskem e Banco Master: Eventos à la Americanas ameaçam o mercado de crédito

As empresas brasileiras podem enfrentar uma liquidez mais apertada, à medida que uma série de eventos de crédito abala os mercados locais. A análise é da agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings.

O receio é de que contratempos das últimas semanas, como o pedido de proteção contra credores da Ambipar, a revisão da estrutura de capital da Braskem e os problemas do Banco Master, possam se espalhar para empresas e fundos de pensão que detêm títulos de dívida.

O cenário gera comparações com o início de 2023, quando a implosão da centenária varejista Americanas praticamente fechou os mercados locais de crédito, ressaltando quão rapidamente o sentimento pode mudar em resposta a choques inesperados.

“Os recentes eventos de crédito lembram o pedido de recuperação judicial da Americanas em janeiro de 2023, um precedente histórico de contração do mercado após desenvolvimentos negativos de crédito”, escreveu Saverio Minervini, chefe de ratings corporativos para a América Latina da Fitch Ratings.

A reação do mercado aos eventos permanece limitada por enquanto, com empresas locais com melhor classificação ainda conseguindo acessar financiamentos. Mas pode haver uma migração para ativos de maior qualidade, o que afetaria companhias com ratings mais baixos.

Segundo a agência, as empresas com necessidades imediatas de refinanciamento e acesso restrito aos mercados internacionais — que representam cerca de 10% da carteira classificada pela Fitch — seriam as mais vulneráveis.

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Ambipar contrata BR Partners para assessorar a negociação de dívida

A empresa de gestão de resíduos Ambipar contratou a boutique de assessoria BR Partners para trabalhar em uma reestruturação de dívida, segundo pessoas a par do assunto.

A companhia já havia mantido conversas avançadas com a Seneca Evercore, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News, mas acabou optando por outro caminho.

Um grupo de detentores de títulos de dívida da Ambipar também está se preparando para negociações, disse uma fonte na semana passada.

Credores da Ambipar

Na semana passada, a Ambipar obteve proteção emergencial contra seus credores após informar a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro. Alguns credores exigiram pagamentos antecipados que poderiam ter acionado cláusulas de vencimento cruzado em uma dívida de R$ 10 bilhões, segundo os autos.

Um juiz suspendeu todas as cobranças, execuções e medidas de enforcement contra a Ambipar e suas empresas relacionadas por 30 dias. A medida pode ser prorrogada por mais 30 dias, de acordo com os documentos.

Os títulos em dólar da Ambipar, que já vinham despencando há dias em meio à crescente preocupação de que a empresa buscaria reestruturar sua dívida, atingiram mínima histórica após as notícias na semana passada. Os papéis com vencimento em 2031 estavam sendo negociados a cerca de 17 centavos de dólar na segunda-feira, com rendimento de 64%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O jornal Valor Econômico noticiou a contratação do BR Partners na noite de segunda-feira.

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Ambipar está prestes a contratar empresa para ajudar na reestruturação da dívida

A empresa de gestão de resíduos Ambipar está perto de contratar a boutique de assessoria Seneca Evercore, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Se a parceria for de fato firmada, a Seneca Evercore iria assessorar a Ambipar na reestruturação da dívida. As fontes pediram para não serem identificadas por se tratar de um assunto que não é público. Um grupo de detentores de títulos da empresa também está se preparando para negociações, acrescentou uma pessoa na semana passada.

Representantes da Seneca Evercore e da Ambipar não quiseram comentar.

Proteção emergencial da Ambipar

A Ambipar obteve proteção emergencial contra seus credores na semana passada, após informar a um tribunal do Rio de Janeiro que corria risco de colapso financeiro depois de alguns credores exigirem pagamentos antecipados que poderiam acionar cláusulas de inadimplência em uma dívida de R$ 10 bilhões, de acordo com documentos judiciais.

Um juiz suspendeu todas as cobranças, execuções e ações de execução contra a Ambipar e suas empresas relacionadas por 30 dias, renováveis ​​por mais 30 dias, segundo os documentos.

As notas em dólar da Ambipar, que vinham caindo há dias em meio à crescente preocupação de que a empresa estivesse reestruturando sua dívida. As ações da empresa chegaram a despencar 61% na bolsa brasileira, a maior queda intradiária já registrada.

A empresa enfrentou um mês difícil em meio a uma investigação regulatória, alertas de agências de classificação de risco e mudanças de executivos.

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