Com goteiras no palco, Teatro Renascença tem programação cancelada e volta a fechar
O Teatro Renascença teve a sua programação cancelada entre os dias 24 de abril e 1º de maio em decorrência de uma infiltração no telhado do edifício, que provocou goteiras no interior do prédio. A denúncia foi feita pela produtora Casa Salto, que entraria em cartaz na sexta-feira passada (24) com o espetáculo “Oceânica”.
Ainda pela manhã do dia em que o espetáculo estrearia, a equipe da Casa Salto recebeu um telefonema do coordenador de artes cênicas da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), Breno Ketzer, informando que havia uma goteira no palco, fato que alarmou a produção. Quando chegaram lá, por volta das 3h da tarde, o cenário era muito mais preocupante: os oito baldes disponíveis não davam mais conta de frear a chuva, que já encharcava todo o palco do teatro.
A situação do telhado foi a gota d’água para o cancelamento do espetáculo, que já havia passado por algumas dificuldades no processo de montagem. A indisponibilidade de luzes refletoras para iluminação do palco foi um dos problemas apontados por Flávio Antunes Aquino, produtor da Casa Salto. A carência do equipamento, indispensável para a realização do espetáculo, onerou a produtora, que foi obrigada a investir parte do financiamento conquistado através de edital no aluguel de 20 refletores Par Led.
“A gente foi conversando com os técnicos e foram aparecendo mais coisas. A reforma do teatro foi entregue agora e algumas coisas foram melhoradas, mas os camarins da parte de cima estão mofados”, afirma Flávio.
A reforma a que Flávio se refere foi realizada em consequência da enchente de maio de 2024, que atingiu o Teatro Renascença. Localizado dentro do Centro Municipal de Cultura (Av. Érico Veríssimo, 307), o espaço permaneceu interditado por nove meses para reparos, reabrindo em julho de 2025. Apesar do investimento de R$ 3,6 milhões, parte das obras não foram eficientes, apontam técnicos operacionais que atuaram na produção do “Oceânica”. “Foi reformado no sentido de trocar uma ou outra madeira, onde tocou a água”, diz Flávio. “Mesmo assim, os técnicos apontaram que embaixo do palco estava cheio de cupim”, complementa.
No momento em que encontraram o teatro encharcado, Breno Ketzer informou à Casa Salto que a SMC buscaria uma nova data para a realização do espetáculo, mas que havia somente disponibilidade para o segundo semestre do ano. O prejuízo tampouco tem expectativa imediata de solução: foram entre R$ 10 mil e R$ 15 mil perdidos com o cancelamento do calendário do “Oceânica”, distribuídos entre uma equipe de mais de 20 profissionais do circuito criativo, técnicos responsáveis pela instalação dos equipamentos locados, tráfego pago para a promoção do evento, entre outros custos.
“São custos que a gente vai ter de novo. O técnico de luz foi lá e montou a luz, ele fez o serviço dele. A figurinista fez o trabalho dela, e vai ter que fazer de novo”, explica Flávio, que destaca que a produtora contava com o retorno imediato das três noites de espetáculo, em 24, 25 e 26 de abril, para ressarcir os custos da produção. “É lamentável o nosso maior teatro municipal estar assim, sucateado, com camarins mofados, sem equipamento de luz suficiente”, lastima a produção da Casa Salto em vídeo publicado neste domingo (26) nas redes sociais.
Em nota, a SMC lamentou o ocorrido, informando que o problema se deu “nas calhas do telhado que não suportaram o volume de água da chuva”. A entrega do Prêmio Açorianos de Literatura, que ocorreria no Teatro Renascença nesta segunda-feira (27), também foi adiada, ainda sem nova data ou local anunciados. Em uma segunda manifestação, a pasta comunicou que seria realizado um reparo emergencial com início nesta terça-feira (28), ainda sem data prevista para a conclusão. A obra será executada pela empresa Idea, contratada pela Prefeitura.
“Na tarde desta segunda-feira, 27, uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, em conjunto com a empresa (Idea), realizou vistoria no local e constatou a quebra da calha. Será necessária a substituição de cerca de 10 metros quadrados por material galvanizado”, diz a nota. “Na sequência, a Secretaria Municipal da Cultura irá avaliar a substituição das calhas antigas de todo o telhado do Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues, que possui 631 metros quadrados e já ultrapassou sua vida útil, por novas estruturas galvanizadas”, finaliza a SMC.
Apesar da secretaria apontar que o adiamento do espetáculo “Oceânica” já está sendo discutido com a Casa Salto, Flávio indica o oposto. “Ninguém ainda nos procurou pra dar qualquer tipo de solução, nem em relação a novas datas, nem sobre prejuízo, nem para se solidarizar com a produção. Ainda estamos no aguardo”, diz ele, que garante que o único contato realizado pela prefeitura com a produtora se deu através do coordenador de artes cênicas, ainda na sexta-feira.
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