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Fed decide juros na quarta: relembre os últimos dados da economia dos EUA antes da reunião

17 de Março de 2026, 07:30

Com a decisão de juros do Federal Reserve marcada para 18 de março, o mercado chega à chamada Super Quarta olhando para um mosaico de dados recentes da economia dos Estados Unidos. O retrato que emerge mistura inflação ainda resistente, mercado de trabalho resiliente e sinais de desaceleração na atividade.

Nas últimas semanas, indicadores importantes como payroll, Jolts, CPI, PCE e PIB ajudaram a calibrar as apostas sobre os próximos passos da política monetária. A expectativa é de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,50% – 3,75%.

Mercado de trabalho: forte, mas com sinais mistos

O relatório Jolts, divulgado nesta sexta-feira (13), mostrou alta inesperada das vagas de emprego em aberto. O número chegou a 6,946 milhões em janeiro, aumento de 396 mil posições em relação ao mês anterior e acima das projeções de 6,70 milhões.

A taxa de vagas abertas subiu para 4,2%, ante 4,0% em dezembro. O dado sugere que a demanda por trabalhadores segue firme, mesmo com juros elevados.

Por outro lado, o payroll, principal termômetro do mercado de trabalho norte-americano e olhado de perto pelo Fed, trouxe uma leitura bem diferente. O relatório de fevereiro mostrou corte de 92 mil empregos, contrariando a expectativa de criação de 55 mil vagas.

Inflação ainda acima da meta

Do lado dos preços, os indicadores continuam mostrando pressões inflacionárias persistentes.

O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Fed, subiu 0,3% em janeiro, enquanto o núcleo avançou 0,4% no mês.

No acumulado de 12 meses, o índice registrou alta de 2,8%, com o núcleo em 3,1%, ambos acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) mostrou alta de 0,3% em fevereiro, em linha com as expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação ao consumidor soma 2,4%, ainda acima da meta, mas indicando alguma desaceleração frente aos picos recentes.

Economia desacelera

Enquanto inflação e mercado de trabalho seguem relativamente resilientes, a atividade econômica começa a mostrar perda de ritmo.

A segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, realizada pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio, mostrou que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre, revisão para baixo em relação aos 1,4% divulgados inicialmente.

O dado representa uma desaceleração relevante em relação ao crescimento de 4,4% registrado no terceiro trimestre.

Uma guerra no meio do caminho

Além dos indicadores recentes da economia, o cenário internacional também passou a pesar no radar do Federal Reserve.

Apesar das medidas adotadas por grandes economias para liberar reservas estratégicas de petróleo, o preço do Brent voltou a subir e superou US$ 100 por barril.

A alta ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, com ataques iranianos contra a navegação no estratégico Estreito de Ormuz e o fechamento de parte da infraestrutura petrolífera na região. O estreito é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

O avanço do conflito já começa a aparecer em alguns preços da economia americana. O valor da gasolina subiu para quase US$ 3,60 por galão, ante menos de US$ 3 antes do início das ofensivas, pressionando o custo de vida.

Outros custos financeiros também reagiram. As taxas das hipotecas de 30 anos nos Estados Unidos avançaram para 6,11%, ante 6% na semana anterior, segundo dados da Freddie Mac. Os rendimentos de diversos títulos da dívida do governo americano também subiram desde o início dos ataques.

A escalada dos preços de energia adiciona um novo elemento ao debate sobre inflação nos Estados Unidos, justamente em um momento em que os indicadores ainda mostram os preços acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.

Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA ficam estáveis; demissões caem 55% em fevereiro

5 de Março de 2026, 11:29

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego permaneceu inalterado na semana passada, enquanto as demissões caíram, em consonância com condições de estabilidade do mercado de trabalho.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram estáveis em 213.000, em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 28 de fevereiro, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira (5). Economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.

mercado de trabalho está se recuperando após tropeçar no ano passado em meio ao que os economistas chamaram de incerteza decorrente das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que aplicou sob uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.

Desde então, as tarifas de importação foram derrubadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Trump respondeu à decisão impondo uma tarifa global de 10% e, posteriormente, anunciou que ela aumentará para 15%.

Os economistas estão otimistas de que o mercado de trabalho recuperará o ímpeto este ano, à medida que os cortes de impostos estimulam a demanda.

Um relatório separado divulgado nesta quinta-feira pela empresa global de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que os empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de pessoal em fevereiro, uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% ante o ano anterior. Os planos de contratação aumentaram 140% em relação a janeiro, mas caíram 63% em comparação com fevereiro do ano passado.

A contratação moderada significa que algumas pessoas que perderam seus empregos estão passando por longos períodos de desemprego.

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