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ANP propõe que leilões de petróleo e gás sejam realizados na B3 a partir de 2027

27 de Abril de 2026, 20:12

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avalia transferir para B3 os leilões da Oferta Permanente a partir de 2027. A ideia é focar em questões mais estratégicas das licitações – como a busca de novas áreas para oferta -, e deixar para a B3 a parte operacional da venda.

“O coração das nossas licitações continuará sendo conduzido pela ANP. E à B3 caberá dar a infraestrutura necessária à agência e às empresas licitantes”, explicou a diretora da ANP, Symone Araújo, na abertura do workshop “Novo Modelo de Licitação de E&P da ANP: Parceria com a B3”, realizado nesta segunda-feira, 27.

Estiveram presentes ao evento empresas que participam de rodadas de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural (E&P) da agência. O objetivo foi apresentar a proposta de novo modelo para as licitações, em parceria com a bolsa de valores, a B3, e ouvir sugestões e dúvidas do mercado.

Segundo Araújo, desta maneira a agência poderia se dedicar ao seu core business, que é enxergar as oportunidades, entender quais blocos devem ser colocados e em qual momento, assim como decidir se vai configurar a licitação mais para terra, mais regionalizada, mais para novas fronteiras ou mais para gás, por exemplo. “Nosso maior interesse é tornar nossas bem-sucedidas rodadas de licitações cada vez melhores”, acrescentou a diretora.

Para aplicar as alterações propostas, será necessário alterar os editais da Oferta Permanente, que passarão pelas etapas de consulta e audiência públicas, informou a ANP.

Entre as principais mudanças, destacou a agência, está o fato de toda a documentação ser entregue digitalmente, eliminando entregas em papel, como ocorre hoje. Além disso, os leilões poderão ocorrer tanto na sede da B3 quanto totalmente online.

Bolsa brasileira não está mais barata, diz BofA

25 de Abril de 2026, 11:25

Para o Bank of America (BofA), as ações brasileiras não estão mais “baratas” em termos de valuation.

Nas contas do banco, o Ibovespa (IBOV) – principal índice da bolsa brasileira –, excluindo as commodities, está sendo negociado com um prêmio de 6% em relação à média histórica, mas ainda com desconto de 3% em relação aos mercados emergentes.

Apesar da avaliação, os estrategistas do BofA elevaram o preço-alvo para o IBOV para 210 mil pontos no fim deste ano, segundo relatório divulgado no último dia 22. A projeção anterior era de 180 mil pontos em dezembro.

O banco tem a preferência por empresas alavancadas com geração de caixa resiliente, financeiras e utilities com maior crescimento.

Bolsa brasileira e o fluxo estrangeiro

O Ibovespa acumula valorização de 18,4% desde janeiro, registrando 18 recordes nominais. O último foi registrado em 14 de abril, quando o índice encerrou o pregão aos 198.657,33 pontos.

Ainda de acordo com o BofA, os investidores estrangeiros continuam otimistas em relação ao real e às ações brasileiras.

“A recente abertura das taxas de juros locais criou uma assimetria em caso de um resultado eleitoral positivo ou de um cenário de desescalada da guerra”, destacaram os estrategistas.

Além disso, os ativos brasileiros continuam apresentando desempenho superior, com destaque renda variável e câmbio – o que tem levado parte do mercado a questionar se o Brasil estaria se comportando como um ativo quase livre de risco.

Na última semana, os gringos entraram com aproximadamente US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) no mercado brasileiro atráves de fundos de ações, segundo o banco.

Esse movimento deve-se ao forte fluxo de capital para mercados emergentes. Excluindo a China, os estrangeiros injetaram US$ 1,4 bilhões entre os dias 20 e 24. Desde janeiro, as entradas chegaram a US$ 96 bilhões, o dobro do registrado em todo 2025.

Eleições ainda representam volatilidade passageira, não sinal estrutural para investimentos, dizem gestores

7 de Abril de 2026, 18:49

A seis meses do pleito presidencial, parte dos gestores reafirma uma postura de cautela, classificando as movimentações políticas atuais mais como volatilidade passageira do que como sinais estruturais para investimentos.

No 12º Fórum de Investimentos do Bradesco BBI, especialistas disseram que a ainda estão de fora das apostas eleitorais, com a leitura de que é cedo para traçar possíveis cenários.

Para os gestores convidados, o momento exige uma distinção rigorosa entre o “ruído”, que gera oscilações diárias de preços, e o “sinal”, que efetivamente embasa a tomada de decisão de longo prazo.

“Existe ainda muita incerteza sobre como vai se dar a disputa eleitoral até o momento da eleição. A gente não acredita em ‘treidar’, em negociar esses ruídos até a eleição”, afirmou Rodrigo Santoro, diretor de equities da Bradesco Asset Management.

A percepção dos gestores é de que o processo eleitoral, com debates e pesquisas de maior peso, só deve começar a partir de agosto ou setembro. Este será o momento de rever as estratégias de forma mais decisiva.

Oposição no páreo

Embora o cenário político brasileiro esteja fragmentado entre “esquerda” e “direita”, o que torna prognósticos definitivos precoces, os gestores estão otimistas com as mudanças de ares que as últimas pesquisas eleitorais trouxeram.

Houve uma dissipação do temor inicial de vitória garantida do atual governo petista. Atualmente, os dados indicam um fortalecimento da oposição, o que é lido de forma positiva pelos agentes financeiros.

Para Santoro, no atual xadrez eleitoral, a intenção de voto direta tem menos peso do que a taxa de rejeição, que surge como indicador mais relevante para o monitoramento dos gestores.

“Vai ser uma disputa apertada. Dificilmente a gente vai ter um cenário óbvio, o que nos obriga a ter cautela. Não dá para fazer uma aposta agora porque não é um cenário 80-20″, afirmou André Caldas, sócio e gestor de ações da Springs Capital.

Estatais não são mais o trade o eleitoral

Diferentemente de anos anteriores, em que ações de estatais como o Banco do Brasil (BBAS3) e a Petrobras (PETR4) eram trades óbvios, neste ano, essas empresas não estão apresentando descontos profundos para servirem como base de uma posição vitoriosa de um lado ou outro.

Diante desta mudança estrutural, para navegar esse período, o mercado tem priorizado três frentes de alocação:

  • Uso de Opções: Em vez de comprar ações diretamente, os gestores estão se valendo de Opções para fazer apostas direcionais com perda controlada e limitada ao custo da operação.
  • Dinheiro sobrando: A escolha por empresas com gestão sólida e, preferencialmente, com caixa líquido (mais dinheiro em caixa do que dívidas) também está no radar dos especialistas.
  • Bond Proxies e Energia: A exposição a empresas de energia e ativos que conseguem repassar a inflação ganhou mais força diante da guerra. É uma forma de se proteger caso o cenário macroeconômico global piore, pressionado pelos custos de energia.

Guerra do Irã estressa os mercados; Ibovespa em dólar cai hoje (23)

23 de Março de 2026, 07:12

 Os mercados globais operam em queda nesta segunda-feira (23), pressionados pela escalada das tensões entre Irã e os Estados Unidos, em meio à troca de ameaças entre Teerã e o presidente Donald Trump.

O conflito na região entra em sua quarta semana em um cenário considerado crítico, à beira de uma escalada mais intensa. Durante o fim de semana, a crise se intensificou: no sábado, o presidente norte-americano declarou que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por 48 horas, poderá ordenar ataques à infraestrutura energética iraniana.

Em resposta, Teerã lançou novos ataques, após prometer retaliação às ameaças de Washington, elevando ainda mais o nível de tensão entre as duas potências.

No mercado de commodities, os preços do petróleo seguem em alta, refletindo o risco de interrupções no fornecimento global. O movimento intensifica preocupações com um possível efeito cascata sobre a inflação global.

Mercado brasileiro

 Por aqui, os investidores aguardam a divulgação do Relatório Focus, o primeiro após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom na última reunião. Na temporada de balanços do quarto trimestre, o destaque vai para os dados da Movida (MOVI3).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — sobe 0,05% no pré-market, cotado a US$ 36,52.

Mercados internacionais

 Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa. Na Europa, os principais índices também operam no negativo, enquanto os futuros de Nova York indicam abertura em queda.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam.
  • Criptomoedas: O mercado cripto está em baixa. O bitcoin (BTC) cai 0,6%, negociado em torno de US$ 68 mil. O ethereum (ETH) recua 1,9%, cotado a US$ 2 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 7h – Zona do euro – Balança comercial

Lula

  • O presidente não tem compromissos agendados para hoje

Dario Durigan

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 11h – ​Reunião com Luiz Antonio Guariente, Auditor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil)
  • 15h30 – ​Reunião com Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB/DF)

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -3,68%
  • Hong Kong/Hang Seng: -3,54%
  • China/Xangai: -3,63%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: -2,13%
  • Frankfurt/DAX: -2,06%
  • Paris/CAC 40: -1,91%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,70%
  • S&P 500: -0,63%
  • Dow Jones: -0,49%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +2,33%, a US$ 108,87 barril
  • Petróleo/WTI: +1,18%, a US$ 99,37 barril
  • Ouro:  -6,92%, a US$ 4.292,90 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): -0,6%, a US$ 68.309,24
  • Ethereum (ETH): -1,9%, a US$ 2.044,57

Choque inflacionário pode mudar planos do Copom; Ibovespa em dólar cai hoje (17)

17 de Março de 2026, 07:25

Nesta terça-feira (17), o Banco Central inicia o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em um cenário de tensão geopolítica, disparada dos preços do petróleo e riscos de choque inflacionário, fatores que podem alterar os planos para a Selic.

A autoridade monetária já havia sinalizado que estava pronta para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em março. No entanto, a guerra no Irã tem levado o mercado a revisar o ritmo dos cortes: nos últimos dias, expectativas de redução de 0,50 ponto percentual deram lugar a projeções de 0,25 pp.

O mercado de opções do Copom, medido pela B3, reflete essa mudança, com o corte de 0,25 pp ganhando força, mas com a possibilidade de manutenção da taxa básica de juros entrando no radar dos investidores.

Mercado brasileiro

No cenário corporativo, serão divulgados os balanços do quarto trimestre de 2025 da EcoRodovias e da Taesa. Além disso, investidores repercutem o pagamento de R$ 583,6 milhões em juros sobre capital próprio da Sabesp (SBSP3) e de R$ 1,3 bilhão da Itaúsa (ITSA4).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2298, com queda de 1,63%.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — cai 0,19% no pré-market, cotado a US$ 36,46.

Mercados internacionais

Lá fora, o mercado acompanha de perto o desenrolar da guerra e a alta dos preços do petróleo. Entre as notícias corporativas, Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, projeta uma receita de US$ 1 trilhão com chips de inteligência artificial entre 2025 e 2027.

Nos mercados asiáticos, as bolsas fecharam mistas. Na Europa, os principais índices operam em alta, enquanto os futuros de Nova York apontam para uma abertura negativa.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam, com o tipo Brent no patamar de US$ 100 o barril.
  • Criptomoedas: O mercado cripto avança. O bitcoin (BTC) sobe 1,4%, negociado em torno de US$ 74 mil. O ethereum (ETH) avança 3,1%, cotado a US$ 2,3 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 08h – Brasil – IGP-10
  • 11h – EUA – Vendas pendentes de imóveis

Lula

  • 09h – Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
  • 11h – Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
  • 15h30 – Encontro com o atleta Cristian Ribera, medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, e delegação
  • 16h30 – Ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira
  • 17h30 – Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin

Fernando Haddad

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 10h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura
  • 14h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -0,22%
  • Hong Kong/Hang Seng: +0,13%
  • China/Xangai: -0,85%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: +0,48%
  • Frankfurt/DAX: -0,04%
  • Paris/CAC 40: +0,48%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,19%
  • S&P 500: -0,13%
  • Dow Jones: -0,03%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +3,31%, a US$ 103,50 barril
  • Petróleo/WTI: +3,89%, a US$ 96,07 barril
  • Ouro:  +0,20%, a US$ 5.011,44 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): +1,4%, a US$ 74.293,46
  • Ethereum (ETH): +3,1%, a US$ 2.325,04

Bolsa barata, gringo de volta e juros em queda: A equação que pode destravar os IPOs no Brasil

13 de Março de 2026, 07:00

Durante quatro anos, o Brasil não sabia o que era um IPO (oferta pública inicial de ações). Trata-se da maior seca de aberturas de capital da história do mercado.

Nem mesmo em momentos de recessão econômica, como no período de Dilma Rousseff, o país ficou tanto tempo sem ver empresas ingressarem na bolsa. Pelo contrário: nos últimos anos, houve fechamento de capitais. Ao todo, 50 empresas deram adeus à B3.

Uma conjunção de fatores, como a disparada da taxa básica de juros, afastou o fluxo da renda variável. Embora o Ibovespa tenha subido 57% desde 2021, investidores — principalmente os locais — ficaram de fora dessa pernada, atraídos pelos gordos retornos da renda fixa.

Outro entrave para emperrar a janela foi o histórico das empresas que fizeram IPOs. Segundo um estudo da assessoria financeira Seneca Evercore, das 94 empresas que abriram capital desde 2024, apenas 17 ficaram no azul.

Mas, ao que parece, o jogo está para virar. A bolsa mudou a chavinha e disparou 30% em questão de meses. O rali continuou em janeiro e fevereiro, embora o conflito envolvendo o Irã tenha arrefecido um pouco esse movimento.

Enquanto isso, nos Estados Unidos duas fintechs brasileiras abriram capital. O PicPay (PICS) saiu no topo da faixa indicativa e levantou US$ 500 milhões. Parecia um sinal de que os investidores globais estavam famintos por Brasil.

No IPO seguinte, o da Agibank, houve uma mudança de tom. A própria ação do PicPay chegou a despencar 18% dias após a estreia, o que acendeu o sinal amarelo para o apetite do investidor estrangeiro.

Somado a isso, o temor de que as inteligências artificiais pudessem afetar as empresas trouxe pessimismo para as empresas de tech.

Isso acabou resvalando na fintech, que foi obrigada a cortar tanto a faixa indicativa quanto o número de ações ofertadas pela metade. Resultado: o que era para ser uma oferta de US$ 785 milhões acabou saindo por US$ 276 milhões.

Um indicativo de que a janela de IPOs está enferrujada? Não necessariamente.

Mercados diferentes

Segundo especialistas de bancos que conversaram com o Money Times, trata-se de mercados diferentes. A começar pelo perfil das empresas.

Enquanto a bolsa americana atrai mais techs, até o momento, no Brasil a expectativa é que empresas de saneamento e energia — consideradas mais seguras — deem o tom da nova janela.

Pelo menos três companhias mostraram interesse em dar as caras na bolsa: Aegea Saneamento, BRK Ambiental e Compass Gás & Energia.

fora foi uma situação bem específica. Eles tentaram pegar referência de investidores que investem naquele tipo de ativo, e muito investidor que é bastante orientado para tecnologia”, destaca André Moor, chefe do banco de investimento Bradesco BBI.

Ele recorda que surgiu um grande ceticismo em relação a companhias que podem ser mais facilmente disruptadas por inteligência artificial. Isso acabou prejudicando o processo.”

Quem estava olhando o PicPay e também analisando o Agibank acabou tendo que reformatar o deal. No fim das contas, foi meio que azar do Agibank, que pegou essa onda de rotação de portfólio nos Estados Unidos, com investidores reduzindo exposição a tecnologia.”

Mas isso não deveria fechar a janela, destaca ele. Aqui no Brasil, o apetite do investidor estrangeiro continua.

Gabriela Evans, diretora de renda variável do Santander, vai na mesma linha ao afirmar que o “impacto é menor”. Para ela, uma nova janela se abrindo. Apesar disso, a especialista destaca três pontos para que ela deslize com maior facilidade:

  • continuidade do fluxo internacional de recursos;
  • empresas de qualidade e com tamanho relevante;
  • histórias de investimento interessantes para quem está comprando.

Os investidores internacionais estão buscando novas oportunidades em mercados emergentes, e o Brasil hoje ainda se destaca por preço e risco — ou seja, valuations mais baixos e um risco percebido relativamente menor.”

Evans, por outro lado, diz que o investidor local será mais relutante em entrar na festa, pelo menos neste momento. Isso porque a taxa de juros ainda é bastante atrativa e os fundos de renda variável continuam enfrentando saques.

Ou seja, para participar de um IPO, o investidor local muitas vezes teria que vender um ativo que possui. Isso significa que a troca precisa valer muito a pena — seja pelo valuation, pelo setor, pelo potencial de crescimento ou pelo histórico da companhia.

O peso do Ibovespa

Anderson Brito, chefe do banco de investimento do UBS BB, lembra outro ponto: o peso do Ibovespa está mais concentrado em setores que não têm risco estrutural elevado com inteligência artificial.

Ou seja, o que poderia ser um ponto fraco do país vira um diferencial importante em meio a questionamentos sobre possíveis bolhas relacionadas à IA.

Se você olhar a composição do Ibovespa, cerca de 20% a 25% está em serviços financeiros, que, na média, tendem a ser positivamente impactados pela IA, principalmente pela melhoria do cost-to-incomeou seja, redução de custos e ganho de eficiência.”

Outros 20% estão em mineração, setor tradicional que também tende a ser positivamente impactado pela tecnologia.

Em seguida vêm petróleo, gás e combustíveis, que também têm uma dinâmica própria, inclusive relacionada à transição energética.

Utilidades públicas, como energia e saneamento, representam cerca de 11%. Quando você soma tudo isso, estamos falando de mais de 70% do principal índice do Brasil alocado em setores tradicionais ou em setores nos quais o risco estrutural de disrupção é bem menor.”

A conta do mercado é que até 10 empresas possam abrir capital no Brasil neste ano.

Guerra no Irã pode afetar IPOs?

De acordo com Moor, do Bradesco, a expectativa é que o conflito não atrapalhe a janela — desde que seja curto e fique restrito ao Irã, cenário considerado mais provável neste momento.

A gente não está vendo envolvimento direto da China nem da Rússia, por exemplo.”

Moor lembra, ainda, que o Brasil é uma economia relativamente fechada. Cerca de 70% do PIB é consumo doméstico.

As exportações representam algo perto de 30%, e uma parte relevante disso são commodities para a China.

Ninguém está sancionando o Brasil ou impedindo o país de vender para determinados mercados, então o impacto direto tende a ser neutro.”

O que pode acontecer é alguma pressão de curto prazo no câmbio e no preço do petróleo, gerando um pico inflacionário momentâneo. Mas o Banco Central sabe que, no longo prazo, essa pressão tende a cair.”

Preço importa

Virou quase um lugar-comum dizer que o Ibovespa está barato — mas é difícil ignorar o fato.

Mesmo com a valorização recente do mercado local, o Brasil ainda negocia a cerca de 10 a 10,5 vezes preço/lucro (P/L), segundo cálculos de analistas do UBS.

Para comparação:

  • o mercado mexicano negocia perto de 17 vezes;
  • o mercado americano negocia perto de 23 vezes.

Ou seja, ainda existe espaço para o mercado performar, principalmente em um ambiente em que a curva de juros comece a cair.

Hoje os juros estão perto de 15%, mas o consenso do Banco Central aponta para queda. As projeções caminham para 11,5%, com alguns economistas falando em 11% e outros, até em 10,5%.

Follow-ons tiram demanda?

Mas, se os IPOs ainda caminham devagar, os follow-ons (ofertas subsequentes de ações) seguem a todo vapor.

Neste ano, empresas como Pague Menos (PGMN3), Riachuelo (RIAA3) e Banco Pine (PINE4) foram ao mercado captar recursos. A joia da coroa, porém, deverá ser a privatização da Copasa. Essa demanda poderia tirar o apetite por IPOs?

Segundo Moor, em grande parte, trata-se de teses novas ou com poucas referências na bolsa.

Por isso, normalmente essas ofertas precisam trazer algum diferencial para o investidor. Ou a empresa apresenta um modelo de negócios melhor do que o de alguma referência listada, ou precisa sair com desconto em relação às comparáveis.”

Além disso, ele destaca que muitos follow-ons recentes são relativamente pequenos — ofertas de R$ 300 milhões a R$ 1 bilhão.

Considerando que, em janeiro, entraram cerca de R$ 74 bilhões de recursos estrangeiros no mercado brasileiro, essas ofertas acabam sendo pequenas em relação ao volume de capital disponível.”

E as eleições?

Quis o destino que a volta dos IPOs ocorra justamente em um período eleitoral, conhecido pela volatilidade. Mesmo assim, o investidor estrangeiro parece não estar muito preocupado com isso.

O que a gente tem escutado do investidor institucional internacional é que existe uma visão positiva para a bolsa brasileira, independentemente da eleição”, diz Brito, do UBS BB.

Mais importante, segundo ele, são os juros. Hoje a taxa ainda está elevada e pode terminar o ano entre 12% e 13%. O que os investidores observam muito mais é a curva média esperada, e não apenas a fotografia do DI hoje.”

O melhor cenário para o fim do ano seria algo próximo de 11,5%, e o mercado começa a caminhar nessa direção. Então, o investidor está olhando muito mais a tendência de queda da renda fixa do que o nível atual da taxa de juros.”

O que tem feito os lucros do S&P 500 crescerem e como a guerra no Irã pode impactar esse movimento

8 de Março de 2026, 14:00

O ponto central da temporada de resultados do S&P 500 é simples: o índice entregou mais um trimestre muito bom de lucros, e o número agregado continua forte o suficiente para sustentar a narrativa de resiliência do índice.

Com quase todas as empresas já tendo divulgado os seus números, 73% bateram o mercado, e o lucro consolidado cresceu 13% a/a, bem acima dos 7% esperados no início da temporada.

A conclusão aqui é que a barra de resultados estava baixa demais, e o índice voltou a surpreender para cima.

Os resultados do S&P 500 estão crescendo de maneira consistente há mais de 1 ano

Esse resultado ganha ainda mais peso porque não foi um evento isolado: o 4T25 marca também o quinto trimestre consecutivo de crescimento de lucros acima de dois dígitos no S&P 500.

Em ciclos normais, cinco trimestres seguidos nessa faixa costumam vir acompanhados de uma narrativa de expansão de qualidade, difusão e confiança no crescimento da maioria das empresas.

A leitura prática, porém, é que o ciclo está forte, mas mais “seletivo” do que parece quando olhamos só as notícias mais recentes.

Como foi a performance das empresas em geral (excluindo as 7 Magníficas)

O principal alerta da temporada está na baixa difusão do crescimento de lucros, que não avançou, movimento que está oposto à performance de mercado do S&P 500 no ano, com mais de 300 empresas com uma performance acima do índice.

Quando excluímos as 7 Magníficas (Apple, Nvidia, Meta, Microsoft, Amazon, Alphabet e Tesla), o ritmo de crescimento do LPA (lucro por ação) das outras 493 empresas desacelerou para 9,8% a/a no 4T25, versus 12,2% no 3T25.

Ou seja: o S&P 500 continua crescendo bem, mas o crescimento não está sendo difundido entre as companhias.

E a rentabilidade das companhias aumentou

Do lado de rentabilidade, o trimestre trouxe um reforço positivo: a margem líquida do S&P 500 subiu 20 bps, de 13,1% para 13,3% nesse trimestre.

Isso sugere eficiência operacional, mas também uma composição cada vez mais favorável, dado o peso cada vez maior de tecnologia e comunicação no consolidado e as maiores taxas de crescimento desses setores versus o índice (excluindo as 7 Magníficas).

Uma nova América está nascendo: setor industrial foi melhor do que tecnologia

O dado setorial mais interessante do 4T25 foi o desempenho das empresas industriais, com surpresa de LPA de 28,6% versus o consenso, cerca de 3 vezes acima da surpresa de tecnologia (8%).

Em paralelo, saúde, consumo discricionário, materiais básicos, financeiro e consumo não discricionário ficaram essencialmente em linha (até 5% de surpresa), e serviços básicos foi o único setor com surpresa negativa (-1,6%).

Ou seja, o mercado pode estar concentrado em poucas narrativas, mas estamos observando cada vez mais a expansão dos investimentos nos EUA e a recuperação dos EUA como potência industrial e manufatureira após anos de baixos investimentos.

Por que as principais empresas do mundo de tecnologia estão performando mal em 2026?

O mercado parece ter olhado menos para a qualidade do trimestre e mais para dois pontos: investimentos maiores e menor clareza de monetização imediata dos investimentos em IA.

Em outras palavras, a temporada mostrou crescimento ainda sólido das principais companhias de tecnologia do mundo, mas com o investidor exigindo mais “prova de retorno” e menos disposto a pagar apenas por narrativa.

A conclusão é que, hoje, bater o consenso não é suficiente; o mercado quer entender a trajetória de fluxo de caixa e os retornos dos investimentos dessas companhias.

Em 2026 o mercado está mais cético com novos investimentos em IA, após 3 anos exuberantes de performance

Nos hyperscalers (Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet), isso ficou explícito na revisão positiva de US$ 120 bilhões no capex para 2026 versus as estimativas iniciais do consenso.

Esse tipo de revisão costuma ser ótima notícia para a cadeia de infraestrutura de IA, mas tende a ser uma notícia ambígua para as próprias ações no curtíssimo prazo, porque aumenta a sensibilidade a qualquer frustração de monetização.

A conclusão é que o mercado está tratando capex como “risco de execução”, não como “garantia de crescimento”, pelo menos por enquanto.

A Meta foi a exceção e, por isso, virou o melhor exemplo do que o mercado quer ver, subindo 10%. O motivo foi a combinação de aceleração dos negócios tradicionais em anúncios com sinais mais claros de monetização de IA (anúncios, Reels e recomendação) — isto é, investimento alto, mas com retornos.

Por que a Nivida caiu mesmo após um resultado positivo?

A Nvidia também ilustra bem essa fase do ciclo de mercado. Os números foram fortes e acima do consenso, com receita de US$ 68,1 bilhões, mas a ação caiu 4% após o resultado.

A interpretação mais provável é que o mercado está precificando a hipótese de “pico de lucros” e que deveriam, no longo prazo, mostrar uma desaceleração devido aos menores investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

A nossa leitura é que esse ceticismo parece prematuro diante da elevada demanda estrutural por capacidade computacional e novas aplicações de IA artificial que ainda estão apenas começando, com destaque para a IA física.

E como a guerra atual no Oriente Médio influencia os meus investimentos?

Apesar da incerteza quanto à duração da guerra no Oriente Médio e aos seus impactos negativos sobre a inflação e o crescimento global, historicamente, conflitos geopolíticos tendem a não dominar a narrativa do mercado financeiro no médio prazo. Ou seja, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer sobre as notícias.

Em outras palavras, em períodos de medo e incerteza, os retornos em ações podem ser maiores, justamente porque a aversão ao risco aumenta e os ativos são precificados com desconto.

É importante lembrar também que, em última instância, são os fundamentos econômicos que determinam a economia e os mercados.

E, quando olhamos para os EUA, os dados reforçam esse ponto: o Federal Reserve informou que os balanços patrimoniais das famílias estão sólidos, não apenas no agregado ou entre as famílias de maior renda, mas em todas as faixas de renda.

Para ilustrar, a dívida como percentual do patrimônio líquido das famílias mais pobres do país está atualmente em 16,1%, após recuar gradualmente de 20% no início da década e, tecnicamente, atingir agora o menor nível desde 1999.

E vale sempre lembrar o que, no fim do dia, move o S&P 500: o consumidor americano. O consumo nos EUA representa mais de dois terços do PIB do país (cerca de US$ 20 trilhões) e, se fosse uma economia separada, teria escala comparável à da China. Até aqui, essa força segue positiva, em expansão e com baixa alavancagem.

Concluindo…

Em conclusão, o cenário para o S&P 500 em 2026 revela um mercado de fortes fundamentos, mas que exige maior seletividade do investidor. Embora a resiliência dos lucros seja evidente, com o quinto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos, o otimismo agora é temperado pelo ceticismo quanto ao retorno imediato dos investimentos em IA e pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

No entanto, o surgimento de uma “Nova América” industrial, a resiliência do consumidor americano e a eficiência operacional das companhias sugerem que, apesar do ruído das manchetes de guerra, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer no médio prazo. O investidor que focar em empresas com capacidade real de monetização e fluxo de caixa sólido estará melhor posicionado para transformar o prêmio de risco atual em retornos consistentes.

Ibovespa abre em queda de olho no conflito no Oriente Médio; 5 coisas para saber antes de investir hoje (5)

5 de Março de 2026, 10:30

A incerteza quanto à duração no conflito no Irã deve seguir como ponto focal dos mercados internacionais, influenciando o Ibovespa (IBOV), que começa o dia em queda.

Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,44%, aos 184.551,33 pontos. 



O dólar à vista opera em alta ante o real e acompanha o desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia a R$ 5,2455 (+0,51%).

O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, voltou a subir aos 98,924 pontos.

Radar do Mercado: 

Day trade: 

5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quinta-feira (5)

1 – Conflito no Oriente Médio

Apesar de na véspera o New York Times ter noticiado o contato entre agentes do Ministério da Inteligência do Irã e a CIA para negociações sobre um possível fim da guerra no Oriente Médio na quarta-feira (4), a tensão deu uma nova escalada nesta manhã.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo e que o navio estava em chamas. A Guarda disse, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que, em tempo de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz estaria sob o controle da República Islâmica.

As defesas aéreas da Otan destruíram um míssil balístico iraniano disparado contra a Turquia na quarta-feira, disse a Turquia, marcando a primeira vez que o membro da aliança que faz fronteira com a Ásia foi envolvido no conflito do Oriente Médio e aumentando a possibilidade de uma grande expansão envolvendo seus aliados do bloco.

O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, no entanto, negou hoje ter disparado mísseis contra a Turquia, afirmando que a República Islâmica respeita a soberania da “amiga” Turquia, de acordo com um comunicado divulgado pela mídia iraniana.

Ainda nesta manhã, Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã, visando atingir infraestrutura pertencente às autoridades iranianas, depois que mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.

Autoridades em Washington estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo de Donald Trump estarem realmente dispostos a uma “saída”, pelo menos no curto prazo.

2 – Petróleo em alta

Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira, prolongando um rali, uma vez que a escalada da guerra entre os EUA e Israel com o Irã interrompeu o abastecimento e o transporte, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção.

O petróleo Brent subia 2,05%, para US$83,07 por barril às 10h25 (horário de Brasília), a quinta sessão de ganhos. O petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiu 2,89%, para US$ 76,82.

Duas refinarias de petróleo na China e na Índia fecharam suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os países dependem das importações de petróleo bruto do Oriente Médio.

Como resultado da perspectiva de menor oferta nos mercados de combustíveis, os futuros do diesel europeu atingiram seu nível mais alto desde outubro de 2022, a US$ 1.130.

3 – Taxa de desemprego estável

taxa de desemprego brasileira ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, mantendo-se estável em relação ao trimestre móvel de agosto a outubro de 2025, quando também havia marcado 5,4%.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, a população desocupada somou 5,9 milhões de pessoas.

Já na comparação anual, houve recuo de 1,1 ponto percentual, frente aos 6,5% registrados entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, sendo 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.

Já a população ocupada alcançou 102,7 milhões, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior e registrando alta de 1,7% em um ano, com a criação de 1,7 milhão de ocupações.

nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas empregadas dentro da população em idade de trabalhar, ficou em 58,7%, praticamente estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do observado um ano antes.

4 – Caso Banco Master

Novos desdobramentos do caso Banco Master vieram à tona ontem na terceira fase da Operação Compliance Zero. Pela manhã, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso, com suspeito de comandar uma estrutura privada de vigilância e coerção, denominada “A Turma”, voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos da instituição financeira.

Ontem, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’, responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas, que incluía agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, se suicidou na prisão e entrou em protocolo de morte cerebral.

A Polícia Federal encontrou no telefone de Vorcaro diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome “Ciro”. Por ora, não há uma investigação formal instaurada contra o senador.

5 – Pesquisa Datafolha

Hoje, os investidores também devem acompanhar com atenção a primeira pesquisa Datafolha do ano voltada às eleições de 2026, com cenários da disputa à presidência e aos governo estaduais.

O levantamento trará o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contra o atual governador paulista, Tarcísio de Freitas, para o cargo do Executivo estadual.

*Com informações de Reuters

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