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Bons resultados de companhias de IA podem “roubar” fluxo da Bolsa brasileira, diz analista; veja os destaques do Giro desta terça (21)

21 de Julho de 2026, 14:48

Diante da conjuntura atual de incertezas — com alta do preço de petróleo, disputas comerciais e eleições —, o melhor cenário para o Brasil é uma temporada de balanço do segundo trimestre neutra para as empresas americanas, afirma Thiago Salomão, analista e fundador do Market Makers, no Giro do Mercado desta terça-feira (21).

Com o ínicio da temporada de resultados, o mercado fica atento para decidir onde realocar seu capital.

O especialista acredita que é importante monitorar os resultados das empresas de fora, especialmente das companhias de inteligência artificial (IA), que têm impactado as bolsas dos EUA positivamente ao atrair capital, retirando fluxo de emergentes como o Brasil.

Além disso, a alta no preço do petróleo, no curto prazo, pode gerar um efeito na inflação e elevar as taxas de juros e impactar as bolsas.

Assista o Giro na íntegra:

“Para o Brasil, o melhor seria uma temporada morna, porque se vier muito forte, é mais dinheiro indo para lá (Estados Unidos). Agora, se vier muito ruim, o investidor também vai ficar preocupado, e aí ele não vem para o Brasil, procura algo mais seguro, uma renda fixa, algo de previsibilidade maior”, explica Salomão.

Segundo o especialista, inteligência artificial tem mais peso nos resultados, por se tratar de um setor mais sensível.

“Eu, como investidor, já falei: não é o tipo de investimento que eu gosto de entrar, porque o risco de ganhar é muito alto, mas o de perder também”. Ele explica que o mercado da IA é mais hiperbólico: “às vezes entrega um resultado acima do esperado, com lucro, mas a ação despenca porque a projeção ficou levemente abaixo do esperado”.

No mercado brasileiro, a Vale divulga seu relatório de produção e vendas nesta terça, após o fechamento do mercado. De acordo com o especialista, a empresa costuma apresentar uma previsibilidade em seus números e, diante do futuro cenário brasileiro, a considera como uma boa opção de diversificação de portfólio — uma espécie de “empresa estrangeira listada na B3”.

“A Vale é interessante muito menos pelo que vai entregar nesse relatório e muito mais por uma composição macro, olhando para um risco do fiscal do Brasil desandar, a inflação desancorar e ter uma perda de expectativa. Ter uma empresa dolarizada traz um conforto na carteira”, afirma Salomão.

Com os efeitos das eleições ainda sem refletirem de forma significativa na bolsa, o especialista avalia que fatores como a inflação elevada e a taxa de desemprego em mínima histórica ainda devem influenciar a popularidade do presidente Lula.

“Eleição é tudo menos previsível. Ainda tem os efeitos do que está acontecendo no nosso dia a dia, que podem começar a fazer preço quando começar a campanha eleitoral na TV.” Ele acredita que a proxima eleição será uma batalha de rejeições e no fim dela ganhará o candidato menos odiado, com alguma uma esperança para a terceira via.

Para Salomão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enviado sinais preocupantes ao mercado por meio de declarações do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli. “Em 2022, o mercado deu um voto de confiança e acabou quebrando a cara. Agora, nem há espaço para esse voto de confiança, porque o que está sendo dito é justamente o que o mercado mais rejeita”, afirmou.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

Vale (VALE3) diz que continuará negociando com o governo contratos das ferrovias Carajás e Vitória-Minas

22 de Abril de 2026, 11:21

A Vale (VALE3) informou ao mercado, nesta quarta-feira (22), que vai continuar negociando com o governo mudanças nos contratos da Estrada de Ferro Carajás e da Estrada de Ferro Vitória-Minas, conforme aprovado por seu Conselho de Administração. As negociações estão sendo realizadas com o Ministério dos Transportes, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a Infra S.A..

De acordo com o comunicado, o ajuste nos contratos de concessão espera criar mais previsibilidade, segurança jurídica e clareza sobre as regras para os investimentos associados às concessões. A perspectiva da empresa é de melhor eficiência operacional a longo prazo.

As concessões dessas ferrovias foram renovadas em 2020, na gestão de Jair Bolsonaro, por um prazo até 2057. Porém, o governo atual passou a questionar os valores dessa renovação, avaliando que:

  • a base de ativos foi subestimada
  • e a Vale teria pago menos do que deveria pela prorrogação.

Isso levou, então, à abertura de um processo de repactuação em 2024.

O principal ponto em discussão é o pagamento adicional pela Vale, estimado em cerca de R$ 11 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 4 bilhões já foram quitados, enquanto o restante ainda depende de definição final no acordo.

Em paralelo, o governo busca garantir novos compromissos de investimento, com destaque para a conclusão da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), considerada estratégica para a expansão da malha ferroviária nacional.

Embora os valores estejam próximos de um consenso, as negociações seguem difíceis em aspectos jurídicos e na delimitação das obrigações da empresa. A etapa final ainda prevê análise de órgãos reguladores e do Tribunal de Contas da União (TCU), antes da formalização definitiva.

* Com supervisão de Maria Carolina Abe

Vale (VALE3) cita possíveis dividendos extraordinários, diz BofA; hora de comprar?

11 de Março de 2026, 15:53

A Vale (VALE3) indicou que pode distribuir dividendos extraordinários caso os preços atuais das commodities se mantenham, segundo relato do Bank of America (BofA) após uma reunião com o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta.

De acordo com o banco, a administração da companhia afirmou que o cenário atual permitiria a entrega de retornos robustos aos acionistas. O minério de ferro é negociado acima dos US$ 100.

A instituição, no entanto, segue com recomendação neutra para o papel, que recuava 2% nesta quarta-feira (11), diante de uma maior aversão ao risco nos mercados globais.

Segundo o BofA, durante o encontro a Vale reiterou seu arcabouço financeiro disciplinado para alocação de capital. O banco relata que decisões sobre remuneração aos acionistas seguem condicionadas à manutenção da dívida líquida expandida próxima de US$ 15 bilhões, de um caixa mínimo em torno de US$ 5 bilhões e ao suporte adicional que pode vir da geração de caixa da Vale Base Metals (VBM).

O Bank of America também afirmou que a companhia destacou avanços no processo de destravar AUM restrito, com alguns investidores removendo limitações e esforços em andamento para ampliar ainda mais o universo de capital disponível.

Ainda segundo o BofA, o cobre permanece no centro da estratégia de crescimento da Vale. O banco relata que a administração reafirmou confiança de que a VBM alcance 700 mil toneladas por ano de produção de cobre até 2035.

A vantagem de um IPO e outras oportunidades para a Vale

De acordo com o BofA, com o ativo apresentando bom desempenho, ganhando escala por meio de investimentos de baixo capex e sem restrições de financiamento no momento, um eventual IPO da VBM é visto pela companhia principalmente como uma forma de financiar uma possível grande transação futura.

No campo das oportunidades de expansão, o Bank of America disse que a empresa destacou maior convicção no potencial de Carajás, onde os gastos com exploração triplicaram. Já o projeto Hu’u segue tecnicamente desafiador, e a mineradora busca um parceiro para avançar com o ativo.

Em níquel, segundo o banco, os esforços de curto prazo estão concentrados na redução de custos para fortalecer o negócio e melhorar a rentabilidade.

Demanda por minério

O Bank of America também relatou que a Vale vê demanda saudável por minério de ferro. De acordo com o banco, a companhia acredita que a produção de aço bruto na China ficou estável ou ligeiramente acima do nível do ano anterior em 2025.

Os estoques portuários estão mais elevados, ainda segundo o Bank of America, principalmente devido a materiais menos líquidos e de menor teor, além de alguma atividade de blending nos portos.

O banco acrescenta que a Vale ressaltou que a demanda por seu portfólio permanece sólida, sustentada pela oferta limitada de produtos como o BRBF e pelo aumento dos prêmios à medida que o teor médio do minério global diminui.

A Europa, segundo o relato do Bank of America, continua apresentando desempenho melhor que o esperado, enquanto a Índia segue como um mercado relevante de crescimento no longo prazo — com cerca de 10 milhões de toneladas vendidas ao país no último ano.

Vale (VALE3): XP enxerga rali da mineradora já próximo do fim

5 de Março de 2026, 12:15

As ações da Vale (VALE3) acumulam uma forte valorização nos últimos meses, mas o espaço para novas altas pode ser limitado diante do atual nível de valuation, avaliam analistas da XP Investimentos em relatório divulgado nesta quinta-feira (5).

Segundo a corretora, os papéis da mineradora subiram cerca de 80% nos últimos 12 meses, impulsionados principalmente por fluxos estrangeiros para mercados emergentes, pela valorização de metais e pelo crescente interesse dos investidores em ativos ligados ao cobre.

“A Vale tem se beneficiado de um ambiente de entrada de capital estrangeiro no Brasil, além da rotação global para commodities e ativos expostos ao cobre”, afirmam os analistas Lucas Laghi e Guilherme Nippes, da XP Investimentos.

Apesar do bom momento das ações, a casa mantém recomendação neutra para a companhia, com preço-alvo de R$ 85 por ação, o que implica um potencial de valorização de cerca de 1% em relação aos níveis atuais.

“O momentum das ações melhorou significativamente, mas, em termos de valuation, vemos o papel negociando próximo do valor justo”, escrevem os analistas.

Cobre ganha peso na tese da Vale

Um dos principais pontos positivos na visão da XP é o crescimento da divisão de metais básicos, especialmente o cobre, que vem ganhando relevância na estratégia da companhia.

Segundo o relatório, a produção de cobre da Vale pode quase dobrar até 2035, saindo de cerca de 350 mil a 380 mil toneladas em 2026 para aproximadamente 700 mil toneladas ao ano no longo prazo.

“A história do cobre na Vale se tornou mais tangível, com aumento da produção e perspectivas mais favoráveis de preços no longo prazo”, afirmam os analistas.

Projetos como Bacaba, Salobo, Alemão e a joint venture com a Glencore fazem parte do pipeline de crescimento da companhia e apresentam taxas internas de retorno consideradas atrativas.

Esse avanço do cobre ajuda a compensar a percepção de um cenário estruturalmente mais fraco para o minério de ferro, hoje o principal produto da mineradora.

Apesar da melhora operacional e do avanço da tese do cobre, o minério de ferro, na visão da casa, ainda representa um fator de pressão para a empresa.

A XP projeta que os preços da commodity recuem ao longo dos próximos anos, passando de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para aproximadamente US$ 90 por tonelada a partir de 2028.

Segundo os analistas, o mercado enfrenta um ambiente de estoques elevados na China, desaceleração na demanda por aço e crescimento de novos projetos de oferta global — caso, por exemplo, da usina de Simandou, na Guiné, que está em ramp up.

“O minério de ferro continua sendo um fator de pressão para a tese de investimento, especialmente em um cenário de demanda estruturalmente mais fraca na China”, dizem os analistas.

Valuation já incorpora parte do otimismo

Mesmo com o desconto em relação a algumas concorrentes globais, a XP avalia que o atual valuation da Vale já reflete boa parte das expectativas positivas.

A mineradora negocia com EV/EBITDA projetado de cerca de 4,9 vezes para 2026, enquanto o yield de fluxo de caixa livre estimado é de aproximadamente 7,2%, nível superior ao de várias pares internacionais.

Ainda assim, os analistas avaliam que esse retorno já não é tão atrativo quanto no passado recente. “Embora a Vale continue mais barata que alguns pares, os yields absolutos já não parecem particularmente atrativos após a reprecificação recente das ações”, afirmam.

Segundo a XP, novas altas mais relevantes dependeriam principalmente de dois fatores: crescimento do cobre acima do esperado ou preços do minério de ferro mais resilientes do que o cenário base.

Enquanto isso não acontece, o banco acredita que a ação pode continuar sendo sustentada pelo fluxo de capital estrangeiro e pela exposição crescente ao cobre, mas sem muito espaço adicional de valorização.

“Reconhecemos a melhora do momentum das ações, mas o valuation atual sugere um potencial de alta limitado”, concluem os analistas.

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