Para a Vale (VALE3), as implicações envolvendo a guerra no Irã giram principalmente em torno dos custos de combustível e de frete, que a mineradora disse monitorar de perto, de acordo com analistas do BTG Pactual.
A companhia opera com cerca de 75% de sua exposição a combustível protegida por hedge, política que já estava em vigor antes da guerra, o que ajuda a mitigar a volatilidade de curto prazo por meio de estruturas de collar de custo zero, disse o banco.
Como regra geral, a administração, de acordo com o banco, indicou que um movimento de US$ 10 por barril no preço do petróleo se traduziria em aproximadamente um aumento de US$ 1 por tonelada nos custos totais (em base anualizada).
A exposição ao frete também está amplamente protegida, com quase 100% dos volumes contratados, conforme analistas.
Do lado da oferta, eventuais interrupções envolvendo o Irã poderiam retirar cerca de 10 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de material transportado por via marítima do mercado.
No entanto, o impacto final dependerá da duração do conflito e, mais importante, das implicações para a demanda global, acrescentou o banco.
O BTG segue recomendando a compra de Vale, com o preço-alvo de US$ 15, citando melhora nas perspectivas para cobre e níquel, boa geração de caixa mesmo com o minério perto de US$105/t e valuation ainda atrativo.
O derretimento de 5% do Ibovespa na semana com a aversão a risco, diante do conflito no Oriente Médio, e o anúncio do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 8,1 bilhões pela Petrobras (PETR4) foram o centro das atenções entre os leitores.
Entre os temas mais lidos aqui no Money Times, estão também a ação que pode ser beneficiada pelo conflito no Irã, segundo o BTG Pactual, e a data de divulgação das regras para o Imposto de Renda (IR) de 2026. Confira o que mais ganhou destaque nos últimos dias:
Ibovespa tomba 5% na semana
Diante do sentimento de aversão a risco, com a escalada de tensão no conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, caiu 5% nesta semana.
Um dos destaques positivos na bolsa, porém, foi a Petrobras (PETR4), com as ações ordinárias e preferenciais fechando em alta de 5% nesta sexta-feira (6), entre as maiores altas do índice, em reação ao balanço do quarto trimestre (4T25), ao anúncio de dividendos e à disparada do petróleo.
Petrobras (PETR4) paga R$ 8,1 bilhões de JCP
Na quinta-feira (5), a Petrobras (PETR4) informou que seu conselho de administração aprovou o encaminhamento à assembleia de acionistas da proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em remuneração aos acionistas, referentes ao quarto trimestre de 2025.
A proposta será analisada na Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada para 16 de abril de 2026.
Caso a proposta seja aprovada, os proventos serão pagos em duas parcelas, ambas na forma de juros sobre capital próprio: R$ 0,31311454 por ação em 20 de maio de 2026; R$ 0,31311454 por ação em 22 de junho de 2026.
Disparada do Brent pode beneficiar uma ação, segundo o BTG
Na semana, o petróleo Brent acumulou alta de 27%, superando os US$ 90 com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo bruto.
Nesse contexto, o BTG Pactual, recomenda a compra e preço-alvo de R$ 56 para a Prio (PRIO3), considerada a principal escolha do banco no setor. Segundo os analistas, apesar das discussões recentes sobre o grau de captura da alta do petróleo pela companhia, o papel tende a acompanhar o movimento do Brent.
O resultado do quarto trimestre de 2025 e o início da produção em Wahoo reforçam a tese, que ganha ainda mais força com preços mais elevados da commodity — ao menos nos mercados futuros.
Receita Federal anuncia regras em 16 de março
A Receita Federal comunicou que a divulgação das normas para a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2026 ocorrerá no dia 16 de março, às 10 horas, durante coletiva de imprensa.
O anúncio, que habitualmente acontece na primeira quinzena do mês, foi postergado para o início da segunda quinzena, o que deve resultar em um período menor para o envio do documento pelos contribuintes em comparação a anos anteriores.
Como o dia 15 de março cai em um domingo e a divulgação das regras está agendada para o dia 16 (segunda-feira), a expectativa é que o início das transmissões das declarações ocorra apenas a partir do dia 17 de março.
O encerramento do prazo de entrega está previsto para o dia 29 de maio, uma vez que os dias 30 e 31 de maio coincidem com o final de semana,. Essa configuração resultará em menos tempo para preencher e transmitir a declaração do que o registrado em 2025.
XP aumenta projeção do Ibovespa
A XP Investimentos revisou o preço-alvo do Ibovespa para 196 mil pontos, aumentando a projeção anterior de 190 mil, ao levar em conta o início do ciclo de cortes de juros e revisões positivas de preço-alvo de ações pelos analistas.
Durante o mês de fevereiro, o fluxo de capital estrangeiro para fora dos Estados Unidos se manteve. Além das tensões geopolíticas que envolveram o presidente dos EUA, Donald Trump, a insegurança sobre uma bolha de IA criou um cenário favorável aos mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Ao longo do mês o Ibovespa atingiu máximas históricas, com um forte rali, que a XP acredita que pode “persistir no curto prazo”. Ainda assim, os analistas ressaltam a possibilidade de que os investidores migrem para um “trade de convergência, buscando nomes e setores que ficaram para trás”.
O mercado brasileiro de galpões logísticos vive um ciclo de forte expansão: nos últimos 11 anos, a área bruta locável (ABL) do setor saltou de 23 milhões para 53 milhões de metros quadrados (m²), um crescimento de cerca de 130%, segundo relatório do BTG Pactual.
No mesmo período, os preços pedidos de aluguel avançaram 43%, enquanto a taxa de vacância caiu de 12,9% para 7,1%, chegando a um dos níveis mais baixos da série histórica.
Para o banco, porém, o movimento não terminou. A combinação de demanda elevada e oferta limitada ainda pode abrir espaço para novos avanços. E um dos principais motores é o e-commerce.
E-commerce: o motorzinho
O relatório mostrou que a indústria de galpões passou por diferentes ciclos ao longo da última década. A partir de 2018, após a crise econômica entre 2014 e 2017, quando preços e ocupação foram pressionados, o mercado iniciou uma forte recuperação.
Esse movimento ganhou força principalmente durante a pandemia de covid-19, quando o crescimento do comércio eletrônico (e-commerce) elevou a necessidade de centros de distribuição.
Para se ter uma ideia, em 2020 o segmento registrou absorção líquida de cerca de 2,5 milhões de metros quadrados, o maior nível desde 2014 e bem acima da média histórica anual, de aproximadamente 1,2 milhão.
Paralelamente, os valores dos aluguéis recuaram naquele período, saindo de R$ 18,9/m², no 4T17, para R$ 18,2/m², no 2T21, num movimento que, segundo o BTG, contribuiu para o avanço da demanda e para a redução da vacância nos trimestres seguintes.
Desde então, o setor logístico se mantém aquecido, com absorção média anual de 3,1 milhões de metros quadrados e aumento relevante nos preços das locações, que, atualmente, giram em torno de R$ 28,4/m².
“As transformações nos hábitos de consumo, associadas à tendência de entregas cada vez mais rápidas no varejo on-line, levaram empresas a assumir maior protagonismo nas ocupações, tanto em empreendimentos a mercado quanto em projetos construídos sob medida”, explicaram os analistas do banco no documento.
Mercado Livre lidera ocupação de galpões
De acordo com o relatório, entre os inquilinos, companhias de varejo, indústria e operadores logísticos concentram justamente a maior parte das áreas alugadas.
No ranking de empresas, o destaque é o Mercado Livre, responsável por cerca de 6,7% da ABL total nacional, com aproximadamente 3 milhões de metros quadrados ocupados e distribuídos em 84 imóveis.
Isso é mais que o dobro da área alugada pela segunda colocada, a Shopee, que tem 1,2 milhão de metros quadrados ocupados em 103 galpões diferentes.
Mesmo com esses números, as duas companhias seguem avançando com projetos built-to-suit (BTS) — quando o ativo é construído sob medida para atender às necessidades do locatário — para ampliar a presença logística no país.
Ocupantes do mercado logístico brasileiro (Imagem: divulgação BTG)
Alto padrão domina o mercado
O relatório também aponta outra mudança relevante no setor: a evolução da qualidade dos imóveis.
Na última década, os galpões logísticos de alto padrão, que são chamados de classe A+, ganharam espaço de forma consistente:
Em 2014, representavam 61,9% do estoque;
Em 2021, 68,6%;
Em 2025, 74,6%.
Segundo a análise, a maior parte dos empreendimentos em desenvolvimento também pertence a essa categoria, indicando que a qualificação deve continuar nos próximos anos.
Galpões no Brasil – classificação dos empreendimentos por região (Imagem: divulgação BTG)
As regiões que devem crescer mais
Hoje, o estoque de galpões logísticos no Brasil soma cerca de 53 milhões de metros quadrados, com forte concentração no Sudeste, que segue como o principal polo do país.
Por outro lado, o BTG destaca que o crescimento mais acelerado deve ocorrer em outras regiões, com projeções de expansão de ABL de até 80% no Sul e 74% no Nordeste nos próximos anos — percentual que pode ser ainda maior à medida que novos projetos avancem.
“O estoque atual é majoritariamente composto por ativos de alto padrão, participação que tende a continuar crescendo, dado que a maior parte dos empreendimentos em construção está concentrada na classe A+”, afirmou o banco.
“A região Sul deve se destacar como uma das principais beneficiadas desse movimento de qualificação, uma vez que concentra um volume relevante de projetos A+ em desenvolvimento”, acrescentou.
Aluguel pode subir até 40%
Mesmo após as altas recentes, o banco também avalia que ainda existe espaço para novos reajustes nos aluguéis.
Isso porque o custo de construçãoede capital segue elevado, o que tem limitado o lançamento de imóveis. Com menos oferta, e demanda alta, os preços tendem a continuar subindo.
Dependendo da região, o relatório estima que seria plausível um ajuste potencial de até 40% no preço médio pedido.
Fundos imobiliários (FIIs) podem se beneficiar
Para o BTG, esse cenário tende a favorecer especialmente os fundos imobiliários (FIIs) que investem no segmento logístico.
Com contratos passando por revisões periódicas, há a expectativa de aumento da receita de locação nas próximas janelas, o que pode aumentar os dividendos distribuídos aos cotistas.
Além disso, muitos fundos do setor ainda negociam com desconto em relação ao valor patrimonial (P/VP) e ao custo de reposição dos ativos, o que pode abrir espaço para uma reprecificação da indústria.
Segundo Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, se a retenção ganhar força a partir de agora, apostar em uma reversão significativa de preços parece uma decisão difícil.
“Isso deve resultar em um ambiente de margens mais pressionado para frigoríficos, e por isso projetamos queda nas margens em 2026 em relação a 2025”, explicam.
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o abate de bovinos atingiu 42,7 milhões de cabeças em 2025, alta de 7,6% ano contra ano, com crescimento de 13% apenas no 4º trimestre.
Ao mesmo tempo, os preços de bezerros subiram de forma agressiva, fortalecendo o incentivo para os pecuaristas iniciarem a retenção de vacas.
O que é o ciclo do boi?
Embora pareça complexo, o ciclo pecuário é essencialmente determinado pela oferta de gado. Os preços tendem a se mover de forma inversa à proporção de vacas abatidas — ou seja, quanto menor o abate de fêmeas, maior tende a ser o preço do boi.
Quando menos fêmeas são enviadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate diminui, pressionando os preços para cima. Quando ocorre o contrário, com maior envio de vacas para o abate, a oferta aumenta e os preços geralmente recuam.
Nos últimos anos, a oferta atingiu níveis historicamente elevados, o que pressionou os preços do gado para baixo até meados de 2024. Desde então, porém, os preços voltaram a subir — um movimento que chama atenção porque o ritmo de abate continua forte.
Além disso, um ambiente favorável para exportações, puxado pelos Estados Unidos e pela China, provavelmente ajudou a sustentar a disposição dos frigoríficos em pagar mais pelo gado, mesmo com a recente valorização dos preços.