Os contratos futuros do milho e sojados EUA caíram nesta sexta-feira, à medida que os operadores realizavam lucros após as recentes máximas em vários anos, os preços do petróleo recuavam e a colheita avançava no Meio-Oeste, apesar das chuvas esporádicas, segundo analistas.
A atenção voltava-se para a reunião da próxima semana entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, na qual as compras chinesas de soja e outros produtos agrícolas dos EUA estarão entre os temas comerciais em destaque.
O trigo recuou devido a vendas técnicas e às esperanças persistentes de uma distensão na zona de exportação do Mar Negro.
O contrato de soja na bolsa de Chicago fechou em queda de 16,25 centavos, ou 1,2%, a US$13,035 por bushel.
O contrato de milho encerrou em queda de 3 centavos, ou 0,6%, a US$5,275 por bushel, após atingir a mínima de uma semana em US$5,255.
O contrato de trigo fechou em queda de 12,75 centavos, ou 1,8%, a US$7,1425 por bushel.
As ações da empresa fecharam a sessão da última segunda-feira (22) cotadas a R$ 59,32. O potencial de ganho é de 1,48% e o stop sugerido é de R$ 59,03.
Compra
Empresa
Ticker
Entrada (R$)
Objetivo (R$)
Potencial de ganho
Stop (R$)
Stop (%)
BTG Pactual
BPAC11
52,34
53,09
1,43%
51,96
-0,73%
Copasa
CSMG3
59,46
60,34
1,48%
59,03
-0,72%
Natura
NATU3
7,69
7,80
1,43%
7,64
-0,65%
Jáa Brava Energia (BRAV3) é uma das ações indicadas para venda hoje, possibilitando retornos de até 1,44%. O stop sugerido é em R$ 18,85.
Venda
Empresa
Ticker
Entrada (R$)
Objetivo (R$)
Potencial de ganho
Stop (R$)
Stop (%)
Brava Energia
BRAV3
18,71
18,44
1,44%
18,85
-0,75%
Caixa Seguridade
CXSE3
19,39
19,11
1,44%
19,53
-0,72%
São Martinho
SMTO3
14,56
14,35
1,44%
14,67
-0,76%
Lembre-se de que todo investimento envolve riscos e, portanto, não há garantia de retorno. Por isso, respeite os stops — pontos em que as perdas tornam-se intoleráveis e é melhor zerar as posições.
Metodologia de day trade da Ágora
As ações sugeridas para compra são de analistas gráficos, que usam uma metodologia que busca antecipar as tendências de curtíssimo prazo.
Operações aguardando ponto de entrada, válidas apenas para hoje. Valor do stop loss válido apenas após a operação ter dado entrada.
Os retornos são brutos, livre de corretagem e emolumentos. Caso o ativo abra com gap, atingindo o objetivo antes do preço de entrada, a operação é cancelada.
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) afirmou nesta sexta-feira (19) que novas regras mais restritivas para o uso de biomassa para geração de energia nas caldeiras de usinas de etanol de milho poderiam inviabilizar novos investimentos e a expansão do setor, que está em franco crescimento no Estado.
Em ofício enviado ao Ministério Público e autoridades do governo de Mato Grosso contra um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado entre as partes neste mês, a Abramilho afirmou ver com preocupação a eliminação, ainda que gradual, do “uso de biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada para fins energéticos em Mato Grosso”.
O termo foi assinado após um inquérito aberto no final do ano passado para investigar eventuais ilegalidades na utilização da matéria-prima vegetal nas caldeiras.
O documento prevê a redução gradual do uso de biomassa oriunda de supressão de vegetação nativa nos próximos anos até a proibição total, em meados da próxima década. Além disso, cobra um plano para a expansão das florestas plantadas, que passariam então a ofertar matéria-prima para a geração de energia.
Mas, conforme manifestações da Abramilho e da indústria madeireira, o TCA enfrenta resistência no Estado, o maior produtor de milho e de etanol feito a partir do cereal no país.
“É importante deixar claro que o setor produtivo reconhece a importância da expansão das florestas plantadas, do manejo florestal sustentável e da construção de uma matriz energética cada vez mais renovável… No entanto, a forma e os prazos estabelecidos precisam considerar a realidade técnica, econômica e produtiva do Estado”, afirmou a Abramilho.
A entidade destacou que a “primeira preocupação” refere-se à exigência imposta a novos empreendimentos industriais, “que passariam a depender exclusivamente de fontes alternativas de biomassa”, sendo impedidos de utilizar biomassa de mata nativa.
“Na prática, tal condição pode inviabilizar novos investimentos, restringir a expansão da agroindústria e comprometer projetos importantes para a geração de emprego, renda e arrecadação em Mato Grosso”, observou a Abramilho, manifestando preocupação também com o cronograma para adoção da biomassa de florestas plantadas.
A Abramilho argumenta que a biomassa de supressão vegetal hoje utilizada em boa parte das usinas é legal, licenciada e autorizada pelo Estado. Se assim é “por que a madeira resultante dessa atividade não pode ser utilizada para gerar energia?”, questionou.
Como alternativa, a entidade propõe que todos os empreendimentos industriais — novos, em operação ou em expansão — possam utilizar biomassa proveniente de supressão vegetal legalmente autorizada pelos próximos seis anos.
A proposta leva em consideração que o eucalipto — principal alternativa de floresta plantada para ser usada na geração de energia — demanda aproximadamente seis anos para atingir idade adequada de colheita.
“Após esse período, passaria a ser exigida a utilização de biomassa oriunda de florestas plantadas, manejo florestal sustentável ou outras fontes legalmente admitidas”, defendeu a Abramilho.
O termo de compromisso assinado com o Ministério Público indicou metas de expansão de área de floresta plantada para 700 mil hectares ou mais até 2040, versus cerca de 200 mil hectares de eucaliptos em 2024.
Outro lado
Entidades que defendem a assinatura do TCA consideram que o Mato Grosso poderá enfrentar um “apagão” na oferta de biomassa de florestas plantadas, caso as medidas não sejam tomadas agora.
Em nota nesta semana, o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa, afirmou que “nenhuma indústria será paralisada ou afetada pelo TCA”.
“Foi exatamente para garantir que a transição da biomassa de supressão para a biomassa de reflorestamento ocorra de forma segura que o Ministério Público fixou o período de sete anos de intervalo”, disse.
“É tempo suficiente para que os grandes consumidores possam ampliar suas áreas plantadas e buscar novos contratos de fornecimento, se for o caso, adaptando o abastecimento sem alterar suas operações.”
Ele comentou também que o TCA organizou o cumprimento de regras que já eram obrigatórias pelo Código Florestal Brasileiro.
“Grandes consumidores de biomassa sempre precisaram comprovar que seu abastecimento era sustentável por meio do Plano de Suprimento Sustentável (PSS). A novidade é que o termo define como e quando essa comprovação deve ser feita em Mato Grosso”, afirmou.
Na última quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais em até 14 meses. O texto ainda estabelece a manutenção dos salários dos trabalhadores e a opção por acordos coletivos no formato 12×36 – com 12 horas trabalhadas seguidas e 36 horas de descanso posteriormente.
A proposta segue para o Senado e deve passar por comissões antes de ir ao plenário. Por se tratar de uma PEC, caso conquiste três quintos dos votos no Senado, pelo menos, 49 senadores favoráveis. Em meio aos avanços da proposta, o mercado debate quais seriam os impactos do novo modelo trabalhista sobre a economia, analisando quais seriam os setores mais afetados pela decisão.
De acordo com estudo realizado peloBTG Pactual, o agronegócio, os setores de alojamento, restaurantes e da construção civil são as categorias no centro da possível decisão.
Bruno Perri, estrategista de investimentos da Fórum Investimentos, explica: “esses são setores que ‘não desligam’, Em construção civil, por exemplo, sempre tem os canteiros que trabalham aos sábados. Isso também serve para shoppings, bares e restaurantes, que funcionam aos sábados e aos domingos com maior demanda”.
Uma nota técnica publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) listou 31 setores que “demandam atenção especial para processos de transição em casos de implementação de uma redução da jornada de trabalho”, incluindo as categorias mencionadas pelo BTG. Todavia, o Instituto pondera que “alguns setores muito diretamente impactados tem uma relevância menor quando considerado o conjunto da economia brasileira”.
Os pesquisadores também apontaram os setores comparativamente menos impactados, destacando saúde e educação como categorias que “têm uma contribuição importante para o aumento geral do custo da mão de obra”.
O BTG calcula que uma redução do limite de 44 horas semanais para 40 horas provocaria uma redução de 7,7% no total de horas trabalhadas no Brasil, sendo que os salários pagos pelas horas não mais trabalhadas representariam 6,5% da despesa total com salários das empresas.
Outro impacto, segundo Perri, seria o desafio operacional das empresas na reorganização das contratações. “O empresário vai ter que fazer contratações diferentes, muitas vezes temporárias, ou ter um horário de funcionamento menor, dependendo do setor”, explicou.
Na opinião do professor doutor Marcelo de Carvalho, da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na prática, essa seria uma questão relativa, “sobretudo, com a reforma trabalhista que foi aprovada em 2017”. Ele explica que na legislação trabalhista atual, a abertura para exceções, como contratações no regime de Pessoa Jurídica (PJ), já é uma tendência do mercado.
Segundo o economista, a maior preocupação está direcionada às pequenas empresas, avaliadas por ele como tradicionalmente grandes absorvedoras de mão de obra. “Pensamos normalmente nas grandes empresas, por uma série de questões técnicas, mas as empresas de pequeno e médio porte que utilizam o trabalho formal vão precisar de políticas públicas de apoio, durante o período de transição”, afirmou.
Nesse caso, a sugestão encontrada por Carvalho, é o uso de recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O BNDES poderia estender linhas de crédito para as micro, pequenas e médias empresas, nesse período de transição”. Ele ainda afirma que esse tipo de medida também poderia favorecer a troca de mão de obra humana por mão de obra mecânica: “essa já é uma tendência, diga-se de passagem, em tempos de inteligência artificial”, completou.
Quem ganha com a redução da jornada?
No debate sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho sobre as empresas, o mercado ainda discute quais setores poderiam se beneficiar da mudança, especialmente pelo aumento da demanda.
Para Perri, da Fórum Investimentos, as categorias de entretenimento e consumo são o destaque: “com mais tempo livre, a pessoa pode consumir mais cinema, streaming, até mesmo bets. Bares e restaurantes também podem se beneficiar, mas não acredito que esse impacto é suficiente para compensar o efeito negativo na folha para os empresários”.
Além do entretenimento, o setor de transportes também deve ganhar com a proposta. “As famílias agora vão poder se reunir, para o seu lazer, se deslocando, para um clube, para uma praça, para um parque, por exemplo”, emenda Carvalho, da Unifesp. “Provedores de bens de consumo não duráveis, certamente serão impactados, porque essas pessoas devem consumir produtos de alimentação e entretenimento”, concluiu.
O estrategista da Fórum ainda indica uma preocupação relacionada ao impacto da redução da jornada sobre os próprios consumidores. “Acredito que o consumidor final vai sentir, uma vez que a tendência é repassar do aumento de custo para preço. Geralmente isso também causa uma redução no volume demandado, com impacto negativo no PIB”, apontou.
O professor da UNIFESP discorda, ressaltando uma fragilidade na capacidade de consumo dos brasileiros: “Não me parece que esse seja o caso, porque a gente tem mantido um crescimento da economia limitado. Tivemos uma queda histórica na taxa de desemprego, mas as famílias brasileiras estão profundamente endividadas. A capacidade de consumo nos domicílios já está muito contida”.
Pontos de atenção para os investidores
Com o avanço do projeto agora no Senado, Perri ainda destacou que o mercado deve monitorar a curva de juros e a inflação, além do “impacto fiscal de algum tipo de compensação”. “Produtividade e crescimento potencial são outros dados importantes”, completa.
O estrategista afirma que a tendência é que o mercado antecipe uma reação à progressão do debate, o que deve estar no radar dos investidores.
Agora, tramitando no Senado, a PEC aguarda a avaliação das comissões temáticas, antes de ser votada no Plenário também em dois turnos. É importante ter em vista que o texto ainda está sujeito a mudanças, o que implicaria em um retorno para análise na Câmara dos Deputados.
As commodities agrícolas têm apresentado alta em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
De acordo com o BB Investimentos, as perspectivas para a soja e o milho são de crescimento para este mês, já para as carnes, os preços têm sido pressionados.
Em fevereiro, a soja teve bons resultados na bolsa de Chicago, com crescimento de 6,7% em comparação ao mês anterior. A alta partiu de perspectivas de maior consumo de grãos nos Estados Unidos, além da expectativa de exportação para a China, com a possível elevação do uso de óleo de soja para biocombustíveis.
Em março, a cotação da soja teve novas altas, após o início do conflito entre EUA e Irã. De acordo com o BB Investimentos, a cotação mais alta do petróleo influencia os valores das commodities agrícolas, “dado que a cotação dos biocombustíveis se correlaciona com a do petróleo”.
Já o milho, no mês passado, teve uma leve queda de 0,3% comparado a janeiro, devido a expectativa de redução do trade global dos EUA, com maior competição contra exportadores sul-americanos e pouco crescimento da demanda global. Todavia, a guerra também elevou a cotação do grão, que fechou a US$ 4,53 no dia 12 de março.
Pressão sobre os preços
No caso das carnes, as perspectivas a médio e longo prazo para o BB não são tão otimistas.
A carne bovina teve uma desaceleração no ritmo de abates, mas manteve um patamar de exportações elevado. Esse desequilíbrio tem pressionado os preços da arroba do boi gordo, que está sendo negociada em torno de R$ 350/@, segundo o banco.
Para a carne de frango e a carne suína, o cenário é semelhante: crescimento dos abates, mas níveis de exportação reduzidos, prejudicando a rentabilidade tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico.
A analista Georgia Jorge, que assina o relatório, indica uma expectativa de que esse cenário se mantenha nos próximos meses e impacte negativamente a lucratividade do setor ao longo de 2026.
Ainda assim, entre as recomendações, os frigoríficos foram destaque de fevereiro para o BB, com 3 recomendações de compra em Minerva Foods (BEEF3), JBS (JBSS32) eMBRF (MBRF3). Já em março, SLC Agrícola (SLCE3) fica em evidência, apontando para os melhores resultados nos preços dos grãos.
Enquanto muitos ficam nervosos na hora de preparar uma reunião no trabalho, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, diz ter descoberto a fórmula perfeita. Durante sua gestão, a Amazon se tornou uma das 7 magníficas, as big techs mais relevantes do mercado de investimento.
Mesmo após ter deixado o cargo de CEO da big tech, Bezos segue defendendo as regras que aplica em suas reuniões.
A preparação é essencial para o bilionário da tecnologia— e nada de copiar e colar modelos e PowerPoints, essas apresentações são proibidas. Antes do encontro, Bezos prepara um dcumento objetivo de seis páginas, que fala sobre o que será discutido.
Para ele, essa é a fórmula perfeita para uma boa reunião.
“Não sigo um cronograma rígido. Minhas reuniões costumam durar mais do que eu planejo, porque acredito em explorar possibilidades”, disse ele em um episódio do Lex Fridman Podcast.
Bezos é direto e reto na hora de reunião
Propor ideias para o chefe é o maior pesadelo de muitos, afinal, ninguém quer parecer tolo em frente de quem paga seu salário. Por isso, o bilionário acredita que ao pedir um membro da equipe elaborar um memorando de seis páginas da reunião, ele poderá saber a opinião genuína dessa pessoa sobre o que foi abordado.
“O autor do memorando precisa se expor. Precisa colocar todos os seus pensamentos ali e precisa começar falando”, afirmou Bezos.
“Isso é ótimo porque faz com que a pessoa realmente capriche e permite que você veja suas ideias reais — elas não se perdem sem querer no meio de uma grande apresentação de PowerPoint.”
Ainda, o bilionário permite que os funcionários conduzam as reuniões. O objetivo dele é incentivar que a equipe fale o que realmente pensa sem que sejam influenciados pela opinião dele.
E o mais curioso: pensando em ouvir a opinião sincera de todos, ele gosta que o funcionário mais júnior comece falando. Na opinião de Bezos, escutar o que alguém que respeitamos tenha a dizer pode influenciar diretamente nossa opinião — ele quer individualidade.
“Se eu falar primeiro, até participantes muito determinados, altamente inteligentes e com ótimo discernimento vão pensar: ‘Bem, se Jeff pensa isso, talvez eu esteja errado’”, ele explicou. “Se você é a pessoa mais sênior na sala, fale por último.”
Para o fundador da Amazon, improdutividade e insegurança são sinônimos
Para evitar encontros improdutivos, Bezos dá o benefício da dúvida às ideias mais cabulosas, mesmo que os dados não as comprovem.
A intuição é valiosa para ele, mesmo quando faltam evidências. Nesses casos, ele recomenda que a pessoa investigue a fundo esse insight. Na visão dele, ainda que os números não confirmem o palpite, é provável que o funcionário esteja certo.
“Quando os dados e os relatos não concordam, geralmente os relatos estão certos (…) E isso não significa que você simplesmente siga cegamente os relatos. Significa que você deve examinar os dados. Normalmente, o problema é que você não está medindo a coisa certa”, disse o bilionário.
A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, tem no DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) um dos principais ativos para gerar valor além do biocombustível. O subproduto do processamento do milho vem ganhando espaço na nutrição animal no Brasil, sendo utilizado nas cadeias de suínos, aves, pecuária de leite e bovinos de corte.
Embora seja amplamente utilizado nos Estados Unidos, o DDGS chegou ao Brasil há cerca de sete anos, o que ainda cria desafios técnicos para sua inclusão nas dietas animais.
“O produto ainda é relativamente novo no país e existe um processo de aprendizado técnico para ampliar sua utilização”, afirmou Rafael Verruck, diretor de Trading de Mercado Interno, de Óleo e DDGS da Inpasa, em entrevista ao Money Times.
(Foto: Divulgação)
A estratégia da companhia prioriza o mercado interno, mas as exportações também desempenham um papel importante para equilibrar a demanda ao longo do ano. No mês passado, a Inpasa realizou seu primeiro embarque de DDGS para a China.
“Em determinados momentos do ano, como agora, com um período maior de chuvas no Brasil, há mais disponibilidade de pasto, que é naturalmente mais barato e faz mais sentido para o pecuarista. Nessas fases de sazonalidade, nos voltamos mais para o mercado internacional para equilibrar as vendas. Hoje, mais de 95% das exportações de DDGs do Brasil são da Inpasa”, explicou Verruck.
As diferenças entre DDG e DDGS
Para 2026, a expectativa da Inpasa é produzir cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS.
Segundo Verruck, nem todas as usinas produzem o mesmo perfil de farelo de milho no processo de fabricação de etanol, o que gera diferenças relevantes na composição nutricional dos produtos disponíveis no mercado.
“Hoje existem cerca de 14 tipos de farelos derivados do processo de etanol no Brasil, com variações de fibra, proteína e extração de óleo. Tudo isso impacta diretamente na formulação das dietas animais”, disse.
A diferença central está entre DDG e DDGS.
A maior parte das usinas brasileiras produz DDG (grãos secos de destilaria). Já o DDGS inclui a adição dos solúveis do processo, uma fração líquida rica em nutrientes que aumenta a concentração de proteínas, minerais, leveduras e energia.
Isso torna o produto mais completo do ponto de vista nutricional.
Para reforçar essa diferenciação no mercado, a Inpasa lançou a marca FortiPro, posicionando o produto como um ingrediente de alta performance para nutrição animal.
A grande revolução da pecuária brasileira
O avanço do DDGS e do DDG já começa a transformar a nutrição animal no Brasil, especialmente na pecuária de corte.
O ingrediente reúne proteína, fibra e energia, permitindo substituir parte de diferentes insumos utilizados tradicionalmente nas rações, como milho e farelo de soja.
“O farelo de soja é um excelente produto, mas o DDGS surge justamente dessa necessidade de tornar a pecuária cada vez mais eficiente. Com ele, é possível substituir diferentes ingredientes da dieta ao mesmo tempo”.
O produto, com alto teor de proteína, permite dietas mais baratas, conta com uma maior densidade nutricional e acelera o processo de engorda.
“Hoje temos confinamentos que utilizam praticamente 100% de DDGS na dieta, mais núcleo de suplementação. Na pecuária de corte, não há uma limitação técnica rígida para o uso do produto”, disse.
Um dos desafios ainda está na adaptação das pesquisas e formulações às características do milho brasileiro.
Grande parte da literatura acadêmica utilizada no setor foi desenvolvida a partir do milho norte-americano, que possui características diferentes do cereal produzido no Brasil.
“O milho dos Estados Unidos é diferente do milho brasileiro. Aqui temos um milho mais duro, típico de clima tropical, e fizemos investimentos para otimizar nosso processo industrial”, explicou.
Essa diferença também aparece no teor de proteína do produto. Enquanto o DDGS produzido nos Estados Unidos costuma apresentar entre 28% e 30% de proteína, o produto da Inpasa é comercializado com mínimo de 32%.
Para ampliar as aplicações do ingrediente entre produtores, a empresa investe entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, em parceria com universidades e centros de pesquisa.
O mercado do etanol
Na visão de Verruck, 2026 tende a ser um ano mais desafiador para o mercado de etanol, diante de margens mais apertadas no setor.
Segundo ele, fatores como o mercado de açúcar e dificuldades financeiras enfrentadas por algumas empresas também impactam a percepção do setor.
Apesar disso, o executivo avalia que o etanol de milho tem um papel complementar ao etanol de cana, ampliando a oferta e garantindo fornecimento ao longo do ano.
Ele também rejeita a ideia de uma competição estrutural entre as diferentes matérias-primas.
“Estamos vendo a abertura de novos mercados importantes, como o setor marítimo e o SAF (combustível sustentável de aviação). O mercado precisa trabalhar de forma integrada, independentemente da matéria-prima, para atender essa demanda crescente”, afirmou.
Além do milho e da cana, Verruck destaca o avanço de novas rotas produtivas, como o etanol de trigo no Sul do Brasil.
Segundo ele, o desafio agora é garantir fornecimento contínuo de biocombustível para atender a nova demanda global.
“Não é que a cana não consiga fazer isso, mas ela tem o desafio da safra, que concentra a produção em parte do ano. Os desafios internos de cada matéria-prima não podem ser uma métrica para separar o setor”, disse.