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Bill Ackman faz oferta de US$ 60 bilhões pela gravadora Universal Music

7 de Abril de 2026, 09:15

O investidor ativista bilionário Bill Ackman propôs uma oferta pela Universal Music Group, avaliando a empresa em cerca de US$ 60 bilhões — mais uma tentativa de assumir a maior gravadora do mundo. A Universal Music reúne alguns dos maiores artistas do mundo, como Taylor Swift, Bad Bunny, The Beatles, Bob Dylan, Kendrick Lamar, Elton John, Coldplay e Billie Eilish. Ela é uma das “três grandes” gravadoras globais, ao lado da Warner Music e da Sony Music, com mais de 30% do mercado mundial de música gravada.

A gestora de Bill Ackman, a Pershing Square Capital Management, controla mais de 4,5% das ações da Universal Music, quer combinar a gravadora com a Pershing Square SPARC Holdings, um veículo de aquisição criado especificamente para essa operação. A nova empresa seria sediada em Nevada e transferiria sua listagem principal de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.

O negócio, se aprovado, pode ser concluído até o fim do ano. Ackman afirmou que a transação avaliaria a Universal Music em €30,40 por ação (cerca de US$ 35,15), o que implicaria um valor superior a US$ 63 bilhões.

Os acionistas que aceitarem a proposta receberiam uma combinação de dinheiro e ações — incluindo €9,4 bilhões em caixa — podendo optar inclusive por receber tudo em dinheiro ou tudo em ações. Em alguns cenários, investidores poderiam receber até €22 por ação em dinheiro.

A operação também prevê o cancelamento de cerca de 17% das ações da empresa, o que reduziria o valor patrimonial para cerca de US$ 58 bilhões após os pagamentos em dinheiro. A estrutura depende de premissas como valorização futura das ações, aumento de lucros e mudanças no balanço, incluindo cerca de US$ 5,8 bilhões em nova dívida e a venda da participação na Spotify Technology SA por aproximadamente US$ 1,6 bilhão.

Ackman argumenta que a ação da Universal Music tem sido prejudicada por fatores não relacionados ao desempenho operacional do negócio musical e que poderiam ser resolvidos com a transação.

Entre os principais acionistas estão o bilionário francês Vincent Bolloré, a Vivendi e a Tencent Holdings, que juntos detêm participação relevante e poder de voto. A proposta exige aprovação de dois terços dos acionistas — o que pode ser um obstáculo importante.

As ações da Universal Music Group chegaram a subir cerca de 13%, para aproximadamente US$ 21, mas ainda permanecem bem abaixo da avaliação proposta por Ackman. O valor de mercado gira em torno de US$ 38 bilhões, pouco acima do preço de referência de cerca de US$ 20,00 na abertura de capital em 2021.

A empresa tem sede operacional em Santa Monica, nos EUA, e sede corporativa em Hilversum, na Holanda. Foi listada na Euronext Amsterdam em setembro de 2021 após ser desmembrada da Vivendi.

Taylor Swift tocando violão branco em palco com vestido preto cintilante e microfone.
Taylor Swift Photographer: Terry Wyatt/Getty Images

Ackman já tenta investir na Universal Music desde 2021, quando tentou usar o veículo Pershing Square Tontine Holdings para adquirir uma participação, mas abandonou o plano após resistência de reguladores e investidores. Posteriormente, comprou cerca de 10% da empresa via seu hedge fund, integrou o conselho e depois deixou o cargo em 2025.

O veículo Pershing Square SPARC Holdings, utilizado na nova proposta, foi aprovado pela U.S. Securities and Exchange Commission (órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, equivalente à CVM no Brasil) em 2023 e funciona como uma alternativa aos SPACs tradicionais.

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Diferentemente desses veículos, que captam recursos antes de definir uma empresa-alvo, o modelo SPARC permite que o investidor decida participar apenas depois que o negócio já foi identificado e estruturado, no caso, a aquisição da Universal Music Group, aumentando a transparência e reduzindo o risco para quem entra na operação.

Como parte do plano, Ackman também propôs um novo conselho de administração, incluindo Michael Ovitz, ex-presidente da The Walt Disney Company. Apesar do entusiasmo do investidor, analistas apontam que a aprovação depende fortemente do apoio dos principais acionistas, especialmente Bolloré e que, sem isso, a proposta pode não avançar.

Quem é Bill Ackman

Bill Ackman é um investidor bilionário americano e gestor de hedge funds conhecido por seu estilo ativista, no qual adquire participações relevantes em empresas para pressionar por mudanças estratégicas e destravar valor.

Fundador da Pershing Square Capital Management, ele ganhou notoriedade em Wall Street por apostas de alto impacto — tanto bem-sucedidas quanto controversas — e por seu envolvimento direto na gestão das companhias em que investe. Ao longo da carreira, Ackman se destacou por campanhas em empresas de grande porte e por sua disposição em assumir posições públicas firmes sobre governança e desempenho corporativo. Sua fortuna é estimada em cerca de US$ 8,5 bilhões em 2026, segundo o ranking Bloomberg Billionaires Index.

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MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

8 de Março de 2026, 17:28

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

Balanços do 4º tri mostram mais surpresas positivas que negativas na bolsa – pelo menos até agora

7 de Março de 2026, 17:12

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 das empresas brasileiras listadas em bolsa tem apresentado um desempenho melhor do que o esperado, ao menos até agora. Entre as companhias que já divulgaram resultados, os lucros superaram as estimativas de analistas com mais frequência do que ficaram abaixo das projeções, indicando um início de temporada relativamente positivo para o mercado.

Até o momento, 65 empresas já divulgaram seus resultados. Na próxima semana, 39 publicarão seus números, entre grandes e pequenas companhias.

Entre as que já divulgaram os dados, 32,3% superaram as estimativas de lucro, enquanto 26,2% ficaram abaixo do esperado. A maior parte (41,5%) ficou em linha com as expectativas. O levantamento é do Itaú BBA, que estabelece um índice de “beat/miss” de 1,2 vez.

O indicador compara quantas empresas superaram as estimativas de analistas (“beat”) com quantas ficaram abaixo delas (“miss”). Quando o índice fica acima de 1, significa que as surpresas positivas predominam.

Bancos e setores ligados à economia doméstica lideram resultados

Os dados setoriais mostram um desempenho relativamente forte em alguns segmentos da economia. Entre os bancos, por exemplo, cerca de 22% das instituições superaram as estimativas de lucro, enquanto a maior parte ficou próxima das projeções.

Banco do Brasil e Itaú, por exemplo, divulgaram lucros expressivos no período, reforçando o desempenho sólido do setor. E algumas instituições tiveram reação mais cautelosa do mercado, mesmo com números fortes, como foi o caso do Santander.

Empresas ligadas ao consumo mostraram resultados mais heterogêneos. Os dados indicam que cerca de um terço das empresas superou as estimativas, enquanto uma parcela semelhante ficou dentro das projeções.

Entre os destaques positivos aparece o Mercado Livre, que registrou crescimento relevante de receita, enquanto companhias como Assaí enfrentaram reação mais negativa do mercado após a divulgação dos números.

Outros nomes do setor, como Raia Drogasil, Lojas Renner e Iguatemi, divulgaram resultados mais próximos das expectativas dos analistas, refletindo um ambiente de consumo ainda desigual.

Nos setores ligados à indústria e commodities, os resultados apareceram em grande parte alinhados às previsões do mercado.

Empresas como Vale, Usiminas e Gerdau reportaram números próximos das expectativas em indicadores operacionais, enquanto companhias de capital industrial, como WEG, também apresentaram resultados dentro do intervalo projetado pelos analistas.

Esse comportamento reflete um ambiente mais estável nesses setores, em que as projeções já incorporavam fatores como preços de commodities e ritmo da atividade global.

Receita e lucro operacional superam projeções

Além do lucro líquido, outros indicadores operacionais mostram desempenho relativamente forte. Quando analisados os resultados de Ebitda – métrica que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização –, cerca de 20,4% das empresas superaram as estimativas, enquanto 27,4% ficaram abaixo delas.

No caso das receitas, os números foram mais favoráveis: mais de 80% das empresas reportaram faturamento dentro ou acima das projeções, indicando que muitas companhias conseguiram manter crescimento ou estabilidade nas vendas.

Esses indicadores ajudam investidores a entender não apenas o lucro final, mas também a evolução da atividade operacional das empresas.

Entre os resultados já divulgados, a reação dos analistas também tem sido predominantemente positiva. Aproximadamente 46% das empresas receberam avaliação positiva após a divulgação dos resultados, enquanto cerca de 37% tiveram reação neutra e 17%, negativa.

Esse tipo de análise acompanha como os analistas revisam suas avaliações após os balanços, indicando se os números divulgados reforçam ou enfraquecem as perspectivas das companhias.

Sentimento do mercado perde força no final da temporada

Apesar do início relativamente positivo da temporada, o sentimento agregado do mercado apresentou leve deterioração no final do período analisado.

Um indicador que mede a percepção dos participantes de mercado nas conferências de resultados das empresas, por meio da análise de comentários de executivos e analistas, recuou para uma nota 7,3 no quarto trimestre de 2025, abaixo da nota 8 registrada entre o segundo e terceiro trimestres.

Esse indicador mede o grau de otimismo ou cautela nas discussões entre empresas e investidores. Quanto mais alto o índice, mais positivo tende a ser o tom das expectativas.

Mesmo com essa queda recente, o nível atual ainda permanece acima dos mínimos registrados em 2024, sugerindo que o ambiente corporativo segue relativamente estável.

As conferências de resultados também indicam algumas tendências estratégicas entre as empresas. Segundo a análise das apresentações e chamadas com investidores, executivos têm enfatizado temas como eficiência operacional, digitalização e disciplina na alocação de capital.

Outro ponto recorrente é a preocupação com controle de custos e geração de caixa, especialmente em setores mais expostos ao ciclo econômico ou a preços de commodities.

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