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USA Rare Earth compra Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras, por US$ 2,8 bilhões

20 de Abril de 2026, 08:50

A USA Rare Earth, empresa americana de terras raras listada na Nasdaq, concordou em adquirir a Serra Verde, mineradora brasileira, em uma transação que envolve dinheiro e ações, ampliando uma série recente de negócios no setor.

A empresa americana informou nesta segunda-feira (20) que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de ações para comprar a Serra Verde, que possui uma grande mina de terras raras no Brasil. A proposta avalia a companhia em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, segundo comunicado.

A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, ocorre em meio à corrida dos Estados Unidos e seus aliados para garantir fontes alternativas de terras raras — um mercado há muito dominado pela China. Esses minerais são usados em ímãs de alta potência aplicados em eletrônicos de consumo, automóveis e sistemas de defesa.

O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, e a Serra Verde é atualmente a única produtora desses metais no país. Sua jazida de Pela Ema contém elementos de terras raras leves e pesadas, principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a fabricação de ímãs utilizados em uma ampla gama de aplicações.

A recente onda de negociações destaca um movimento global para expandir a capacidade de produção de terras raras após a China ter ameaçado, no ano passado, paralisações industriais ao restringir exportações. Em janeiro, a Energy Fuels, dos EUA, fez uma oferta de US$ 299 milhões pela Australian Strategic Materials para construir uma cadeia de suprimentos integrada “da mina ao metal” para esses recursos críticos.

Da mina ao imã

A combinação entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve viabilizar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, no Brasil e em países aliados. A empresa combinada terá presença global, com operações também na Europa, incluindo França e Reino Unido.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar a produção anual para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o final do próximo ano. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.

Como parte da estratégia, a empresa firmou um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% da produção inicial com uma entidade apoiada por agências do governo dos EUA e capital privado. O acordo prevê preços mínimos garantidos para elementos críticos como disprósio e térbio, assegurando previsibilidade de receita e reduzindo riscos do projeto.

A Serra Verde também conta com um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), voltado à expansão e otimização das operações no Brasil, reforçando o apoio institucional dos EUA ao desenvolvimento de cadeias alternativas de terras raras fora da China.

A operação em Goiás produz um carbonato misto de terras raras (MREC), com alta concentração de elementos pesados, considerados mais escassos e estratégicos, como disprósio e térbio.

A mina é um “ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro principais elementos de terras raras magnéticas”, afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton em comunicado.

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Estatal baiana tenta barrar venda de ativo de metais preciosos da Equinox Gold

20 de Fevereiro de 2026, 13:22

A estatal Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM) está tomando medidas legais para tentar bloquear a venda de um ativo de metais preciosos pela Equinox Gold para uma das maiores mineradoras da China.

A CBPM busca uma liminar de urgência para a retomada imediata de uma área arrendada na Bahia, segundo documento visto pela Bloomberg News. A empresa argumenta que a Equinox, sediada no Canadá, – e não proprietária da concessão – não tinha o direito de vendê-la.

A Equinox concordou em vender suas operações brasileiras para CMOC Group, uma das maiores mineradoras da China, em um negócio de US$ 1 bilhão que deve ser concluído neste trimestre. A transação — anunciada em dezembro — inclui diversas minas e depósitos em diversos estados brasileiros, sob as unidades da Equinox no país.

As alegações da CBPM referem-se apenas a um desses ativos, conhecido como Complexo Bahia. Nenhuma outra propriedade foi listada no documento protocolado no tribunal. A empresa já havia sinalizado sua oposição à transação em um comunicado.

A Equinox Gold não recebeu notificação de nenhuma ação judicial, disse Ryan King, vice-presidente executivo de mercados de capitais da empresa em resposta por e-mail a um pedido de comentário. A Equinox “está confiante de que a venda de suas operações no Brasil foi realizada em total conformidade com a legislação brasileira e todas as obrigações contratuais”, afirmou na quinta-feira.

“Embora a Equinox Gold esteja preparada para defender sua posição em tribunal, se necessário, a empresa permanece aberta a se engajar em discussões construtivas com o Estado para buscar uma solução mutuamente aceitável”, disse King.

O chinês Grupo CMOC não respondeu imediatamente a pedidos de comentários. Muitas empresas chinesas estão fechadas nesta semana devido ao feriado do Ano Novo Lunar.

A CBPM alegou que a transação foi acordada sem seu consentimento expresso, o qual, segundo a empresa, era condição do contrato que rege a área de mineração. A empresa pediu ao Tribunal de Justiça da Bahia que rescinda o contrato de arrendamento e também busca indenização por danos.

“A empresa canadense vendeu um direito de mineração que não lhe pertence”, disse por telefone o presidente da CBPM, Henrique Carballal.

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