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Acesso a clientes corporativos e mais: o que Musk enxergou na Cursor e o fez pagar US$ 60 bilhões

18 de Junho de 2026, 06:20

Elon Musk admitiu que a SpaceX fica atrás de rivais como OpenAI, Anthropic e até mesmo Google e modelos chineses de código aberto na corrida da inteligência artificial.

Ele agora tem um caixa de guerra de US$ 86 bilhões para ajudar a mudar isso. E o primeiro alvo é conseguir clientes corporativos que Musk espera que estejam dispostos a pagar grandes quantias para ter acesso às ferramentas e ao poder de computação da SpaceX.

A SpaceX fechou um acordo inteiramente em ações, no valor total de US$ 60 bilhões, para comprar o agente de codificação autônoma Cursor, uma startup de São Francisco que criou um produto usado pelos maiores laboratórios de IA e por empresas como Nvidia, British Airways e Deloitte.

A SpaceX se reestruturou nos últimos meses em torno do desejo de expandir suas capacidades de IA. Adquiriu a empresa controlada por Musk, a xAI, no início deste ano, o que trouxe para o grupo o assistente de chat Grok e o site de mídia social X (ex-Twitter), além de grandes data centers.

Em abril, a SpaceX disse que havia garantido a opção de comprar a Cursor. O grande prêmio que vem com a compra agora: um fluxo confiável de receita.

Antes de a SpaceX concluir a maior oferta pública inicial de todos os tempos no início de junho, Musk vendeu aos investidores sua visão de uma IA capaz de levar humanos para além da Terra e “permitir que a humanidade entenda o universo”.

Na terça-feira (16), ele exaltou o potencial da IA de eventualmente escrever e depurar código melhor do que qualquer humano.

“A IA alcançará programação no nível do Stockfish e uso generalizado de computadores”, disse Musk sobre o acordo com a Cursor, fazendo referência a um popular motor de xadrez capaz de derrotar os melhores jogadores humanos.

A SpaceX recentemente começou a alugar a capacidade de seus data centers para rivais como Anthropic e Google para gerar receita — uma estratégia oportuna, já que toda a indústria de IA enfrenta uma escassez de computação. Os negócios anunciados podem gerar US$ 26 bilhões por ano em receita entre 2027 e 2029.

A SpaceX também delineou planos de aumentar as contratações para atender às ambições de IA de Musk.

Durante reuniões pré-IPO com investidores em abril, executivos da SpaceX disseram que a empresa expandiria a equipe de vendas corporativas da xAI, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Musk: decifrando o código

A Cursor compete com o Claude Code, da Anthropic, e com o Codex, da OpenAI, com uma ferramenta de desenvolvimento de software que ajuda empresas a escrever códigos mais rapidamente.

O produto dela permite que desenvolvedores alternem entre diferentes modelos de IA para autocompletar, editar e revisar linhas de código.

A empresa cresceu a um ritmo vertiginoso. Em 2025, as vendas anualizadas da empresa — uma extrapolação da receita dos próximos 12 meses com base nas vendas recentes — saltaram de US$ 100 milhões para US$ 1 bilhão. No início de junho, esse número disparou para US$ 4 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mais da metade da receita da Cursor vem de clientes corporativos, e a Cursor espera continuar a se associar a outros provedores de modelos de IA, disse uma pessoa próxima da empresa.

O preço de compra da Cursor foi mais que o dobro da sua avaliação de US$ 29,3 bilhões em uma rodada de financiamento em novembro passado.

A aquisição pela SpaceX pode ajudar a preencher uma lacuna de liderança na xAI, já que Musk disse que a empresa precisava ser “reconstruída desde as fundações”.

A xAI demitiu funcionários, incluindo sua equipe fundadora. O CEO da Cursor, Michael Truell, é visto como uma estrela em ascensão na indústria de IA, em que a competição por talentos de ponta é acirrada.

“Tem muita coisa para fazer juntos. Animado para unir forças com a @SpaceX para construir IA útil”, escreveu Truell no X.

Quinto colocada na corrida da IA

Falando do banco das testemunhas em uma segunda ação judicial civil contra a OpenAI no mês passado, Musk classificou os principais modelos de IA, o que deixou explícito quanto trabalho a xAI tem pela frente para alcançar os rivais.

“A Anthropic seria atualmente a número um; a OpenAI seria a segunda maior; o Google provavelmente seria o terceiro maior; os modelos chineses de código aberto provavelmente seriam o quarto”, disse ele. “E a xAI seria a quinta.”

Embora a SpaceX domine – em seus negócios principais – de lançamentos de foguetes e internet via satélite (com a Starlink), a xAI estava perdendo dinheiro e tinha poucos clientes quando foi adquirida.

Um cliente-chave de IA, o Pentágono, tem enfrentado conflitos internos sobre a segurança do chatbot Grok da empresa, publicou o Wall Street Journal.

Esse é um problema muito grande, considerando o volume de investimento necessário para treinar modelos de IA, contratar engenheiros e construir infraestrutura de computação.

No ano passado, o negócio de IA gerou US$ 3,2 bilhões em receita, mas registrou US$ 6,4 bilhões em prejuízo, de acordo com documentos apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC).

Os prejuízos também se acumularam no primeiro trimestre. O negócio gerou US$ 818 milhões em receita e US$ 2,5 bilhões no vermelho.

Também há limites sobre quanto a SpaceX pode gastar do caixa arrecadado no IPO em iniciativas de IA.

Parte dos recursos do IPO irá para pagar US$ 20 bilhões em dívidas de um empréstimo-ponte que a empresa contraiu em março. A SpaceX também anunciou bilhões de dólares em novos projetos, incluindo pelo menos US$ 55 bilhões para construir uma fábrica de chips no Texas, e planeja comprar espectro para o seu serviço Starlink.

Ainda assim, na visão de Musk, a oportunidade de mercado em IA é grande demais para ser ignorada. A SpaceX disse aos investidores antes do IPO que os produtos e serviços da empresa miram um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões, que ela considerou o maior “da história humana”.

Produtos de IA representaram US$ 26,5 trilhões do total, e aplicações corporativas compunham a maior parte dos produtos de IA.

Analistas da Morningstar questionaram como a SpaceX calculou seu mercado potencial e estimaram que a avaliação implícita da empresa está bem abaixo dos níveis atuais de negociação.

Outros bancos, incluindo o Goldman Sachs e o Morgan Stanley — que ajudaram a coordenar o IPO da SpaceX — projetaram que a SpaceX estava pronta para um crescimento substancial impulsionado por IA. Ambas as firmas estimaram que a receita da SpaceX ficaria perto de 160 bilhões de dólares em 2028, mais de oito vezes os níveis de 2025.

Crioterapia, concierge e bar de shakes: as academias que cobram até R$ 5 mil e têm fila de espera

11 de Junho de 2026, 20:38

No Brasil das academias de baixo custo lotadas, com catracas girando sem parar e guerra de preços abaixo de R$ 100, existe outro padrão de atendimento que destoa tanto que até faz parecer que se trata de outro setor.

Nessas unidades voltadas ao público de alta renda, o aluno deixa seu carro com um manobrista, é recebido por um concierge, treina com equipamentos italianos conectados a pulseiras inteligentes e, no intervalo entre uma aula de pilates e uma sessão de crioterapia, pode tomar um shake funcional, deixar a roupa na passadoria ou encontrar clientes ou colegas de negócios no lounge.

Esses são alguns dos serviços oferecidos pela Six, rede de academias premium que hoje conta com cinco unidades em Brasília e no estado de São Paulo. Entre essas cinco, apenas duas têm vagas disponíveis. “Hoje todas as nossas unidades lotam menos de seis meses após a abertura. Só temos vaga nessas duas porque são novas”, diz Eilson Studart, um dos fundadores da Six. 

As mensalidades variam entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil reais, dependendo da unidade. Seus fundadores projetam faturar mais de R$ 90 milhões em 2026 e têm um plano agressivo de chegar a 30 unidades e um valuation de R$ 1 bilhão em quatro anos. Mas a Six é apenas a ponta de um movimento que já vale bilhões e está redefinindo o que significa exercício e bem-estar para os endinheirados brasileiros. 

Esse é o tema do terceiro episódio da nova série especial do InvestNews, “Por Dentro do Luxo“, produzido e apresentado pela jornalista Letícia Toledo, com dez programas.

Wellness: do consumo esporádico ao estilo de vida

Durante décadas, o segmento de bem-estar premium no Brasil esteve associado principalmente a destinos especializados.

O caso mais emblemático é o Kurotel, em Gramado, referência nacional em saúde preventiva desde os anos 1980. O modelo era baseado em viagens periódicas: clientes passavam alguns dias imersos em programas de emagrecimento, reeducação alimentar e qualidade de vida. Agora, a lógica está mudando.

Em março de 2026, o grupo inaugurou o Kur Wellness, em São Paulo, em uma aposta justamente na integração do bem-estar à vida cotidiana. Em vez de hospedar clientes por alguns dias, a proposta é acompanhá-los por meses ou até anos, com programas de saúde, performance física e longevidade.

O movimento reflete uma mudança de comportamento entre consumidores de alta renda. O luxo deixou de estar associado apenas a bens materiais e passou a incorporar conceitos como prevenção de doenças, saúde mental, performance cognitiva e envelhecimento saudável.

É nesse contexto que as academias premium ocupam espaço crescente. Durante muitos anos, nomes como Bodytech, Bio Ritmo e Reebok Sports Club dominaram o segmento premium.

Mas a disputa ficou mais intensa em um movimento que começou com a Les Cinq Gym. Inaugurada em São Paulo em 2014, a empresa ficou conhecida por transformar a academia em uma experiência próxima à de um clube de luxo, com arquitetura sofisticada, iluminação cenográfica e DJs. Durante alguns anos, ela ostentou o título de academia mais cara do Brasil com mensalidades na faixa dos R$ 3.500.  

No pós-pandemia de Covid-19, com o aumento da preocupação com saúde e bem-estar e, mais recentemente, o crescimento do mercado das “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, novas empresas surgiram para disputar a demanda por academia “mais premium” e “mais cara”.

A Six surgiu nesse contexto. A ideia partiu de Eilson Studart. Arquiteto de formação, ele foi sócio da rede de restaurantes Coco Bambu por 16 anos. Depois de vender sua participação no grupo, decidiu transformar um imóvel próprio em Brasília em uma academia que o motivasse a treinar. Para criar os espaços da Six, Eilson se inspirou em hotéis luxuosos de praias.

A primeira unidade, em Brasília, foi inaugurada em 2024 com capacidade para 500 alunos e mensalidade de R$ 1,5 mil. Em poucos meses, o espaço lotou e corroborou a tese de seus fundadores de que havia espaço para abrir novas unidades com mensalidades ainda mais altas. 

“Vários clientes chegavam para a gente e falavam: ‘cobre até um pouco mais, restrinja o público’”, relata Leandro Vaz, médico especialista em medicina do esporte e co-fundador da Six.  

Hoje, segundo seus fundadores, a maioria dos clientes da Six tem entre 35 e 50 anos e atua em áreas como mercado financeiro, medicina, advocacia e empreendedorismo. Ao reunir um público com interesses em comum, a academia também funciona como ambiente de relacionamento.

Em vez de incentivar que o aluno entre, treine e vá embora rapidamente, a Six desenhou seus espaços para estimular a permanência. Sofás e áreas de convivência foram distribuídos pelas unidades para incentivar encontros e conversas.

“E outra coisa em que somos muito fortes é em evento. Temos um setor dentro da academia só de eventos”, diz Studart. “Com evento, as pessoas param de fazer o exercício de forma individual, né? Fazem de forma coletiva e criam uma comunidade, e com isso o nosso churn, que mede a saída do cliente, se torna quase zero.” 

A corrida pelo cliente de alta renda 

Mas a Six está longe de ser a única empresa de olho no público de alta renda que busca o bem-estar. Além de novas marcas como Soul8 e The Beat Club, marcas que antes dominavam esse mercado estão se movendo para conquistar mais clientes.

Recentemente a Bodytech anunciou um plano de expansão para alcançar pelo menos 100 cidades até 2027 por meio de franquias. Já a Bio Ritmo, controlada pelo Grupo Smart Fit, reformulou parte de sua proposta para atrair consumidores mais sensíveis a conveniência, ambiente e serviços complementares.

O Brasil hoje já possui o segundo maior número de academias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar disso, especialistas acreditam que a penetração do setor ainda pode avançar.

Mas manter e escalar operações premium costuma ser mais difícil do que parece. Um dos principais desafios é o custo de manutenção, já que, para atrair esse público, a academia precisa oferecer equipamentos modernos e as últimas novidades do mercado de bem-estar. 

A operação depende de um nível de execução muito elevado, de uma marca forte e de uma proposta suficientemente distinta que continue justificando o preço. Muitos negócios de luxo falham exatamente no ponto em que a Six está agora: na expansão de seu modelo. Para conseguir ganhar escala sem perder o padrão elevado, os sócios da empresa ainda vão ter que suar muito.

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Quem paga a energia de data center? Reajuste pode chegar a 14,5% para residências nos EUA

4 de Junho de 2026, 16:04

O novo estilo de arquitetura que tem surgido nos vastos subúrbios do Deserto de Sonora são data centers sem janelas que funcionam 24 horas por dia e consomem tanta eletricidade quanto uma cidade de porte médio.

Enquanto a Microsoft e outras gigantes de tecnologia expandem sua presença em um dos maiores mercados de data centers dos Estados Unidos, trava-se uma disputa de alto risco sobre como pagar pelas enormes atualizações da rede elétrica necessárias para impulsionar a revolução da inteligência artificial.

A Arizona Public Service (APS), maior empresa de energia do estado, está no centro da polêmica. A APS propõe um aumento de 45% nas tarifas de eletricidade para “grandes consumidores de energia”, principalmente data centers, e um reajuste de cerca de 14,5% para clientes residenciais.

Quase ninguém ficou satisfeito.

Defensores dos consumidores alertam que o plano transferiria os riscos financeiros da expansão da IA para famílias que já enfrentam contas de luz elevadas no verão e temperaturas que frequentemente ultrapassam os 37°C.

Caso o boom de IA perca fôlego ou o consumo de energia dos data centers diminua, eles temem que os moradores fiquem pagando pelas obras de infraestrutura durante anos.

A Microsoft, que opera três grandes data centers no Vale Oeste de Phoenix, afirma que está pagando por conta própria pelas atualizações necessárias na rede — mas argumenta que a concessionária tem uma abordagem equivocada para financiar novas usinas.

A APS diz que seu plano garantiria que “o crescimento pague pelo crescimento”.

“Estamos garantindo que eles paguem sua parte justa”, afirmou Ted Geisler, presidente da APS e da controladora Pinnacle West Capital. “Esses data centers exigem usinas inteiras construídas só para eles ou linhas de transmissão completas. Por isso precisamos modernizar as tarifas.”

Data centers no centro do debate

O debate faz parte de um embate nacional.

Disputas semelhantes sobre como financiar a expansão da rede surgiram no Texas, na Carolina do Norte em outros mercados, onde clientes residenciais enfrentam propostas de grandes aumentos.

Os riscos são altos. Os preços da eletricidade estão subindo mais rápido que a inflação como um todo e se tornaram uma questão política bipartidária.

Os clientes residenciais nos Estados Unidos viram suas tarifas de eletricidade aumentarem em média 32% entre 2020 e 2025. No Arizona, o salto foi de 26%.

O país corre para construir infraestrutura e manter a liderança sobre a China na corrida da IA, mas a reação dos consumidores está crescendo. Além do apetite voraz por eletricidade, os data centers enfrentam críticas pelo uso intensivo de terra e água.

A demanda por eletricidade nos EUA permaneceu estagnada por décadas antes de acelerar com a mania da inteligência artificial. O consumo comercial de energia deve superar o residencial no próximo ano pela primeira vez, segundo a Energy Information Administration.

A pedido do presidente Donald Trump, as grandes empresas de tecnologia prometeram cobrir os custos para alimentar os data centers.

Quem paga a conta

A Microsoft pede aos reguladores do Arizona que permita a ela e a outros grandes consumidores construir suas próprias usinas, em vez de depender de geração controlada pela concessionária, cujos custos acabam sendo pagos em parte também por outros clientes.

“Desde que começamos a operar no Arizona em 2021, a Microsoft tem se comprometido a pagar por conta própria para garantir que nossos data centers não aumentem os preços da eletricidade”, disse Jeff Riles, diretor sênior de mercados de energia da empresa.

A APS afirmou que está desenvolvendo uma forma de permitir que grandes clientes construam sua própria geração, mas sem comprometer a confiabilidade ou acessibilidade para os demais.

Distribuir de forma justa os custos de infraestrutura entre diferentes grupos de clientes é complexo. As concessionárias estão investindo não apenas para atender data centers mas também para reforçar a rede contra eventos climáticos extremos e substituir equipamentos antigos — mudanças que beneficiam todos os consumidores.

Existem mais de 120 processos em todo o país em que concessionárias discutem como cobrar de clientes de grande porte, segundo registros compilados pela startup de IA Halcyon.

A definição das tarifas é supervisionada por reguladores estaduais em processos jurídicos que duram cerca de um ano, como o que ocorre em Phoenix, onde clientes e grupos defesa podem pedir para participar.

Os cinco comissários eleitos de serviços públicos do Arizona devem definir o reajuste da APS ainda neste ano. A última aprovação foi em 2024, quando a concessionária pediu 13,6% para a maioria dos clientes e obteve 8%.

Geisler, presidente da APS, afirmou que os aumentos são necessários para cobrir gastos já realizados com melhorias e reparos na rede. A inflação crescente, os juros mais altos e a volatilidade da cadeia de suprimentos elevaram os custos dos projetos. O preço de alguns transformadores subiu 90% nos últimos anos, acrescentou.

Até dois anos atrás, a APS conectava novos clientes à rede conforme eles solicitavam o serviço. Agora, a empresa se prepara para atender clientes que pedem mais de 4 mil megawatts — e há outros 19 mil megawatts em fila de espera, mais que o dobro da demanda de pico do sistema.

Temor de subsídio por consumidores

Essa corrida deixa os moradores do Arizona preocupados.

Jane Andersen, líder estadual no Arizona da Mormon Women for Ethical Government, disse temer que os residentes e os pequenos negócios acabem subsidiando as necessidades energéticas dos data centers.

Ela classificou o aumento de 14,5% proposto para as famílias como “fora da realidade” em comparação com as médias nacionais. Famílias de baixa renda e idosos com renda fixa já têm dificuldade para pagar as contas, e o ar-condicionado é indispensável, afirmou.

“É uma medida de sobrevivência”, disse Andersen.

A procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, democrata ex-comissária de serviços públicos, quer que os data centers assumam uma parcela maior dos custos. Mesmo um aumento de 45% não cobriria integralmente as despesas de conexão, afirmou, defendendo que os clientes residenciais tenham reajuste de cerca de 3%.

A prefeita de Phoenix, Kate Gallego, que já trabalhou em desenvolvimento econômico na Salt River Project, concessionária federal da região de Phoenix, vê paralelos com um boom anterior.

“Em 2008, com a crise imobiliária, o Arizona foi duramente atingido porque estava muito ligado ao mercado imobiliário residencial”, disse ela.

A região de Phoenix é um importante mercado de data centers, além de abrigar fábricas de semicondutores e mineração de cobre, commodity essencial para o setor elétrico.

Nem todo data center proposto será construído, mas concentrar demais a rede elétrica do Arizona em um único setor seria irresponsável, afirmou Gallego.

“Estamos fazendo uma aposta enorme em um único setor”, concluiu.

Governos agora investigam se ‘efeito Ozempic’ se estende em estímulo ao mercado de trabalho

4 de Junho de 2026, 09:22

O novo governo da Dinamarca, país de origem da Novo Nordisk, do Ozempic, vai investigar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a entrarem no mercado de trabalho, adicionando uma nova dimensão econômica ao debate sobre os tratamentos para a obesidade.

A Novo, fabricante do Wegovy e do Ozempic, já transformou a economia dinamarquesa, com impulso a um crescimento significativo nos últimos anos, mesmo diante da concorrência crescente enfrentada pela gigante farmacêutica, como pela americana Eli Lilly.

O país nórdico agora investiga se os remédios também podem gerar benefícios econômicos ao aumentar a produtividade.

Em seu programa de governo divulgado nesta semana, a nova administração do país propôs um projeto-piloto para pessoas com obesidade grave, a fim de avaliar como medicamentos como o Wegovy afetam a economia além dos resultados de saúde, incluindo seu impacto na oferta de trabalho.

Não foram detalhadas as características do programa. A ideia reflete um interesse crescente entre formuladores de políticas públicas sobre os efeitos econômicos mais amplos dos tratamentos contra a obesidade, para além de efeitos mais evidentes no consumo de alimentos.

Estudo do ‘efeito Ozempic’ no Reino Unido

O governo britânico, no final de 2024, firmou parceria com a Eli Lilly para um ensaio de cinco anos destinado a analisar se os medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a retornarem ao trabalho e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.

Uma pesquisa apresentada no ano passado estimou que o princípio ativo por trás do Wegovy e do Ozempic da Novo poderia gerar mais de 4,5 bilhões de libras (6 bilhões de dólares) em ganhos anuais de produtividade no Reino Unido, segundo o jornal The Guardian.

A análise de 2.660 participantes com três ensaios clínicos concluiu que o medicamento adiciona o equivalente a cinco dias de trabalho e 12 dias de trabalho não remunerado por paciente a cada ano.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que conquistou um terceiro mandato nesta semana, já declarou ser uma “grande fã” do Ozempic e do Wegovy, demonstrando apoio à empresa farmacêutica.

Frederiksen firmou um acordo de coalizão na segunda-feira (1), quase dez semanas após a eleição geral, reunindo Social-Democratas, Esquerda Verde, Liberais Sociais e Moderados em um governo minoritário apoiado por partidos de esquerda.

A Dinamarca foi um dos primeiros países onde a Novo lançou o Wegovy, no final de 2022, e quase 5% da população já utilizou o medicamento desde então, de acordo com dados do governo.

Cerca de 8% dos dinamarqueses preenchem os critérios para o tratamento, segundo uma análise divulgada no ano passado.

A crescente popularidade dos medicamentos para obesidade da Novo também pressionou as finanças públicas, levando a Dinamarca a reduzir os subsídios para o Ozempic em 2024 e a rejeitar os pedidos da empresa para reembolso público do Wegovy. 

É um mercado crescente que começa a ganhar ainda mais força em países em que a patente expirou, o que leva à venda de medicamentos genéricos, caso recente do Brasil.

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