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EUA e China se aproximam de acordo histórico e abrem caminho para novo pacto comercial

26 de Outubro de 2025, 08:53

Os principais negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China disseram ter chegado a um entendimento sobre uma série de pontos delicados, preparando o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping finalizem um acordo e aliviem as tensões comerciais que têm abalado os mercados globais.

Após dois dias de conversas na Malásia, encerradas neste domingo, um funcionário chinês afirmou que as duas partes chegaram a um consenso preliminar sobre temas como controles de exportação, tráfico de fentanil e taxas portuárias.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em entrevista à CBS News que a ameaça de tarifas de 100% sobre produtos chineses “está efetivamente fora de questão”, e disse esperar que a China faça “compras substanciais” de soja e adie as restrições sobre exportações de terras-raras. Bessent acrescentou que os EUA não pretendem alterar seus próprios controles de exportação direcionados à China.

“A ameaça dos 100% desapareceu, assim como a possibilidade de a China impor imediatamente um regime global de controle de exportações”, disse Bessent. Ele afirmou ainda à ABC News acreditar que Pequim deve adiar por um ano as restrições às terras-raras enquanto reavalia a política.

Bessent sinalizou que o acordo em discussão entre Trump e Xi deve ser amplo, incluindo a extensão da trégua tarifária, a resolução de diferenças sobre a venda do TikTok e a manutenção do fluxo de ímãs de terras-raras usados em produtos de alta tecnologia, de semicondutores a motores de aviões. Os dois líderes também planejam discutir um plano global de paz, após Trump declarar que pretende contar com a ajuda de Xi para buscar uma solução para a guerra da Ucrânia.

Os sinais positivos de ambos os lados contrastam com as últimas semanas, marcadas por ameaças de tarifas e restrições de exportação que reacenderam temores de uma nova guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump disse a repórteres, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, que prevê “um bom acordo com a China” e espera novos encontros de alto nível nos EUA e na China.

“Eles querem fazer um acordo, e nós também queremos”, declarou Trump.

Ainda assim, os mercados devem acompanhar de perto os detalhes do acordo final, após quase um ano de mudanças bruscas nas políticas comerciais e tarifárias entre EUA e China.

O enviado comercial chinês Li Chenggang afirmou acreditar que houve consenso em relação ao fentanil — o que poderia levar os EUA a reduzir uma tarifa de 20% imposta para pressionar Pequim a conter o fluxo de precursores químicos usados na produção da droga. Ele disse ainda que os países pretendem resolver a disputa sobre taxas portuárias impostas por Washington a navios chineses, que motivaram tarifas retaliatórias sobre embarcações americanas.

Li — que Bessent havia chamado de “desequilibrado” neste mês — descreveu as negociações como intensas, mas produtivas, elogiando o avanço das discussões. Ambas as partes devem agora relatar os resultados a seus líderes antes da cúpula entre Trump e Xi, marcada para quinta-feira.

“As turbulências e reviravoltas atuais são algo que não desejamos ver”, afirmou Li. “Uma relação econômica e comercial estável entre China e EUA é benéfica para ambos os países e para o mundo.”

A retomada das compras de soja pelos chineses, caso confirmada, seria uma vitória política significativa para Trump. Em março, a China havia imposto tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA, fechando o mercado às exportações de soja antes mesmo do início da colheita. No ano passado, o país asiático comprou US$ 13 bilhões em soja americana, mais de 20% da safra total, e a paralisação atingiu em cheio os agricultores, uma das bases políticas mais fiéis de Trump.

Talvez ainda mais importante seja resolver a disputa sobre as terras-raras, depois de a China ter cortado o fornecimento desses minerais estratégicos no início do ano em resposta à ofensiva tarifária de Trump. Embora os fluxos tenham sido restaurados após uma trégua que reduziu tarifas acima de 100%, Pequim voltou a ampliar as restrições neste mês, após Washington endurecer as medidas contra empresas chinesas.

As negociações aconteceram no arranha-céu Merdeka 118, enquanto Trump se reunia com líderes do Sudeste Asiático em um centro de convenções próximo, onde buscava novos acordos comerciais regionais para diversificar o comércio americano além da China.

A delegação chinesa foi liderada por He, principal autoridade econômica do país, e contou com o vice-ministro das Finanças Liao Min. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participou das conversas.

O encontro entre Trump e Xi será o primeiro desde o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente americano disse acreditar que as conversas diretas são a melhor forma de resolver as pendências sobre tarifas, exportações, compras agrícolas, tráfico de fentanil e questões geopolíticas como Taiwan e a guerra na Ucrânia.

“Vamos falar sobre muita coisa”, disse Trump. “Acho que temos uma boa chance de fechar um acordo realmente abrangente.”

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Embraer calcula impacto de US$ 80 milhões com tarifas dos EUA e alerta para risco de cancelamentos

26 de Outubro de 2025, 08:15

A Embraer alertou que pode enfrentar cancelamentos e atrasos de pedidos caso sejam mantidas as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Por enquanto, não temos nenhum problema de cancelamento, mas, no médio prazo, isso pode acontecer”, afirmou o presidente-executivo Francisco Gomes Neto em entrevista à Bloomberg Television neste domingo, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump.

Segundo Gomes Neto, a continuidade das tarifas seria ruim também para a indústria americana. “Se produzirmos menos aviões, compraremos menos equipamentos dos Estados Unidos. É por isso que o fim das tarifas é importante.” O executivo estimou que a medida poderia aumentar em até US$ 2 milhões o custo de cada aeronave.

A fabricante calcula um impacto tarifário de cerca de US$ 80 milhões neste ano, valor equivalente ao lucro líquido do segundo trimestre. A empresa chegou a ter parte de seus produtos e peças isentos das sobretaxas impostas por Washington, mas ainda sente os efeitos das barreiras comerciais.

Gomes Neto disse também que a companhia mantém uma carteira de pedidos de US$ 31 bilhões, o maior nível em nove anos.

Neste domingo, os presidentes Lula e Donald Trump conversaram por 45 minutos. Lula pediu a suspensão das tarifas durante o processo de negociação, enquanto o presidente norte-americano afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Para a Embraer, o resultado dessas conversas pode ser decisivo. As tarifas elevam o custo dos aviões brasileiros e afetam planos de investimento, como os US$ 500 milhões previstos para uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, que criaria cerca de 2,5 mil empregos caso o cargueiro militar KC-390 seja escolhido pelo governo americano. Outros US$ 500 milhões estão destinados à expansão das fábricas no Brasil nos próximos cinco anos.

Apesar das incertezas, Gomes Neto afirmou que a empresa mantém forte crescimento nos lucros e segue “com um plano robusto para o próximo ano”.

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Em reunião de 45 minutos, Lula e Trump ensaiam fim da disputa tarifária

26 de Outubro de 2025, 07:49

Brasil e Estados Unidos iniciaram neste domingo (26) um processo de negociação para tentar encerrar as tarifas comerciais impostas por Washington a produtos brasileiros. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, ocorreu em Kuala Lumpur, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e marcou a primeira reunião oficial entre os dois desde o início da atual crise diplomática.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa, que durou cerca de 45 minutos, foi “muito positiva e produtiva”. Lula pediu que as tarifas sejam suspensas durante as negociações, enquanto Trump afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Lula pubicou sobre o encontro com Trump em suas redes socias. “Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, escreveu.

O líder norte-americano disse que os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, conduzirão as tratativas com o Brasil e previu uma “conclusão rápida” das discussões. Já Lula declarou estar otimista e afirmou que não há “razão para qualquer desavença” entre os dois países.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

O encontro simboliza a retomada de um diálogo de alto nível após meses de tensão. As relações haviam se deteriorado desde que Trump impôs tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras de café e carne, além de sanções e restrições de visto a autoridades. O gesto também vem depois de uma breve aproximação entre os líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que abriu caminho para a retomada das conversas.

Nos bastidores, o governo brasileiro tenta aproveitar o momento para discutir não apenas as barreiras comerciais, mas também temas mais amplos, como regulação de redes sociais de empresas americanas, políticas para o etanol e oportunidades ligadas a minerais críticos — área em que o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, vê espaço para estreitar parcerias estratégicas com os Estados Unidos.

Lula ainda se ofereceu para atuar como interlocutor nas relações com a Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos derrubaram diversas embarcações que, segundo o governo americano, transportavam drogas a partir da Venezuela, o que gerou especulações de que o país possa estar se preparando para atacar o território venezuelano. Embora o Brasil tenha evitado qualquer envolvimento direto, Lula já havia dito a Trump, em uma ligação anterior, que um conflito militar na América do Sul seria devastador para a região.

*Com informações de Reuters e Bloomberg

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Trump contra a China e quadro fiscal no Brasil: nervosismo no mercado cresce e dólar vai a R$ 5,51

10 de Outubro de 2025, 17:24

Novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China e mais preocupações dos investidores com o quadro fiscal brasileiro. Esses foram os motivos para os mercados encerrarem a semana sob forte pressão, com o dólar batendo o nível mais alto em sete meses e o Ibovespa estacionando na faixa dos 140 mil pontos.

A moeda americana terminou a sessão com alta de 2,4%, em R$ 5,503, após bater os R$ 5,51 no dia. Na semana, subiu 3%. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas fortes – euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço –, cai 0,6%.

A tendência do dólar no acumulado do ano ainda é de queda. Em 2025 até hoje, a baixa já está em 11%. O grande ponto de atenção, na visão de profissionais do mercado, é que a moeda americana ainda é uma boa alternativa aos investidores que querem diminuir a exposição a ativos de risco no curto prazo. É também a razão para a disparada de metais preciosos, como o ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 4 mil a onça-troy.

E a busca por ativos mais seguros não ficou restrita ao mercado de câmbio. As bolsas americanas também refletiram a debandada dos investidores e os três principais índices de Wall Street ficaram no vermelho: o Dow Jones caiu 1,9%, o S&P 500 cedeu 2,7% e o Nasdaq teve baixa de 3,6%.

Na mesma toada, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,73%, aos 140.860 pontos, depois de ultrapassar os 144 mil pontos na semana. Em cinco dias, a baixa do índice foi de 2,4%.

Até ontem, a queda do dólar na semana estava na casa dos 0,5%. A fuga de mercados e ativos mais arriscados cresceu hoje, após Trump voltar a ameaçar a China com aumento de tarifas comerciais. A investida veio como resposta à decisão do gigante asiático de impor novas restrições às exportações de terras raras, como a exigência de licenças de exportação e mais controles sobre equipamentos usados no processamento dos materiais.

O presidente americano não apenas acusou a China de deixar o mundo “refém” da sua política, como reacendeu o medo de uma nova escalada dos conflitos comerciais em retaliação. E tudo isso às vésperas de uma reunião entre o governo americano e o chinês na Coreia do Sul – encontro que Trump diz “não ter mais motivo”.

Riscos fiscais de volta ao jogo

Não bastasse o exterior, o momento é de bastante nervosismo entre profissionais de mercado em relação às contas públicas do Brasil, sobretudo depois que o governo perdeu a batalha no aumento de impostos a partir da Medida Provisória 1303.

A MP, que aumentava os tributos de diversas aplicações financeiras, era a cartada que o governo Lula tinha na mão para compensar a tentativa frustrada de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Câmara dos Deputados sequer votou o texto, que perdeu validade. Com isso, cai por terra a alternativa que permitiria a arrecadação de R$ 17 bilhões para o ano que vem.

A partir daqui, sobram dúvidas de qual caminho o governo vai seguir para cumprir a meta fiscal, que é de superávit de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito que não haverá mudança na meta mesmo que o Congresso derrubasse a MP.

Pausa tarifária na Argentina faz exportação agrícola bater recorde — mas causa revolta entre produtores locais

3 de Outubro de 2025, 11:40

A suspensão das tarifas de exportação para produtos agrícolas na Argentina foi implementada para fortalecer as finanças do país.

A estratégia do presidente Javier Milei era aumentar a oferta de dólares no mercado. Deu certo: a suspensão atraiu rapidamente cerca de US$ 7 bilhões em embarques, com exportadores — incluindo as gigantes Bunge, Cargill e Louis Dreyfus — aproveitando a oportunidade.

Em 48 horas, as tarifas voltaram a vigorar, incluindo alíquotas de cerca de 25% sobre os embarques de soja e cerca de 10% sobre milho e trigo.

Embora não tenha sido a primeira vez que oscilações na política argentina desencadearam uma corrida desenfreada para as exportações, a escala do frenesi comercial da semana passada deixou o setor agrícola do país abalado.

Foram quase 20 milhões de toneladas embarcadas, maior volume registrado, segundo dados do Departamento de Agricultura desde 2011.

“Nunca vi nada parecido”, disse Gustavo Passerini, consultor veterano de mercados de grãos em Rosário, centro comercial da Argentina. “O único outro momento na história recente que pode se comparar foi quando o país aumentou as tarifas de exportação em 2007”, disse ele.

Críticas à medida argentina

A corrida pelas exportações não está causando surpresa apenas na Argentina. Os produtores de soja dos EUA estão atualmente excluídos do mercado chinês, em benefício dos produtores argentinos e brasileiros, com todos os olhos voltados para as próximas negociações de Donald Trump com Xi Jinping sobre o assunto.

Mas os produtores de todo o Pampa argentino também estão frustrados, suspeitando que os comerciantes possam capturar a maior parte dos ganhos.

“Estamos com a pulga atrás da orelha porque o governo Milei deixou os exportadores se beneficiarem mais com essa medida”, disse Santiago Fernandez de Maussion, agricultor de Jesús María, província de Córdoba. “Agora eles conseguem negociar preços com vantagem, enquanto eu estou lutando para ter algum lucro.”

Os comerciantes também podem estar em apuros. Eles prometeram 12,4 milhões de toneladas de soja entre outubro e março do ano que vem, antes da próxima colheita. E, no entanto, os estoques nos Pampas estão reduzidos. Com isso, os produtores têm mais poder de barganha.

“O programa especial desencadeou uma onda de vendas de safras”, informou Ciara-Cec, principal grupo exportador e de esmagamento da Argentina, que inclui todas as principais tradings como membros, em uma publicação no X. “As tradings continuam operando nos mercados de grãos para cumprir todos os contratos de exportação, como de costume.”

Até 24 de setembro, os produtores haviam vendido mais de 35 milhões de toneladas, ou 62% do estoque total estimado de 57 milhões.

“Os produtores com grãos que sobraram são os que têm poder de barganha para mantê-los em silos, então eles têm alavancagem”, disse Javier Preciado Patiño, consultor que atuou como chefe de mercados agrícolas da Argentina de 2019 a 2022.

Soja mais cara

Eles já estão ganhando no cabo de guerra. As ofertas de soja giram em torno de US$ 350 a tonelada, em comparação com menos de US$ 300 antes do alívio tarifário, de acordo com a Junta Comercial de Rosário. Isso significa que os comerciantes estão repassando cerca de 60% do benefício enquanto lutam para cobrir os compromissos, de acordo com a analista de mercado Lorena D’Angelo.

O próprio Milei apontou os preços mais altos como prova de que os agricultores estão colhendo uma parte dos lucros inesperados.

Ainda assim, os produtores — um bastião de apoio ao presidente Milei — continuam chateados com a inclinação da balança a favor dos grandes traders.

Isso aumenta a frustração em relação a Milei, por não ter cumprido a promessa de liberar a agricultura. A produção argentina tem sido prejudicada há duas décadas por intervenções governamentais e está ficando cada vez mais atrás do Brasil.

“Assumimos o maior risco e, no entanto, carregamos o fardo novamente”, disse Augusto McCarthy, agricultor de Navarro, província de Buenos Aires. “Os exportadores não deveriam ficar com nada do que é nosso por direito.”

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