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Ibovespa sobe 12% desde a mínima de agosto: até que ponto deve se estender o rali?

9 de Setembro de 2026, 18:36

Depois da montanha-russa de agosto, que levou o Ibovespa aos 166.334 pontos em 18 de agosto, no menor fechamento desde janeiro, a bolsa brasileira vive um movimento de recuperação. Desde então, o índice registrou alta em 12 dos 15 pregões seguintes e acumula valorização de 12%, mesmo com o recuo desta quarta-feira (9).

Para você, investidor, é importante entender o que está por trás do movimento para saber o quanto ele pode se estender.

A recuperação da bolsa até aqui combinou quatro fatores: o chamado “trade eleitoral”, alimentado por pesquisas que indicam uma disputa presidencial mais acirrada no segundo turno – e a ascensão de Flávio Bolsonaro; o alívio nos juros de longo prazo; o retorno do investidor estrangeiro; e a valorização das commodities, que impulsiona ações de peso relevante no índice.

Esses pilares continuam presentes em setembro. Mas as oscilações deste início de mês reforçam um componente que deve acompanhar o mercado até as eleições de outubro: a volatilidade.

O ambiente ainda exige cautela. A percepção do mercado sobre a corrida presidencial e, principalmente, sobre seus possíveis efeitos na condução da política fiscal tende a provocar movimentos bruscos nos preços. Somam-se a isso um cenário macroeconômico mais desafiador e as incertezas externas sobre a trajetória dos juros americanos.

Ainda assim, analistas da XP Investimentos, do BTG Pactual e da Eleven Financial avaliam que, de modo geral, as ações brasileiras continuam negociadas a preços descontados em relação aos fundamentos, o que abre espaço para novas altas.

A continuidade do rali dependerá principalmente dos sinais emitidos pelos candidatos que lideram nas intenções de voto, Lula e Flávio, sobre as contas públicas: uma perspectiva mais concreta de contenção de gastos tende a reduzir a percepção de risco, favorecer a queda dos juros de longo prazo e beneficiar ativos de risco, como as ações.

Uma deterioração fiscal, por outro lado, pode pressionar novamente os ativos brasileiros.

A seguir, listamos o que deve mover os mercados nos próximos meses:

‘Trade eleitoral’ ganha tração

O principal gatilho doméstico para a recuperação das últimas semanas veio das pesquisas eleitorais. Os levantamentos têm levado os investidores a recalcular as chances dos diferentes candidatos e o que cada resultado poderia significar para a condução da economia a partir de 2027.

Na terça-feira, as pesquisas Quaest e BTG/Nexus reforçaram a percepção de uma disputa apertada. Na Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro apareceram com 41% cada em uma simulação de segundo turno. No levantamento BTG/Nexus, Flávio teve 46%, ante 45% de Lula, também em empate dentro da margem de erro.

“O principal vetor doméstico foram as pesquisas, que mostraram empate numérico entre os candidatos mais competitivos em uma simulação de segundo turno”, afirmou Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

“Os resultados aumentaram a percepção de uma eleição aberta e levaram os investidores a revisarem as probabilidades atribuídas aos diferentes cenários econômicos para 2027.”

Essa revisão aparece simultaneamente na Bolsa, no dólar e nos juros futuros. Os três mercados oscilam conforme a interpretação dos investidores sobre o que cada candidato pode representar para gastos públicos, tributação, dívida e taxa de juros.

“Não se trata de uma avaliação definitiva sobre o resultado eleitoral, mas de uma mudança nas probabilidades negociadas pelo mercado”, diz Murad.

Para Pedro Galdi, analista da AGF, a influência das pesquisas sobre os preços deve continuar até a eleição. “Em anos de eleição para presidente, esse comportamento se repete. As ações de estatais acabam sendo o olho do furacão, mas as de outros segmentos da economia também reagem de forma representativa”, afirma.

Estrangeiros voltam às compras

O investidor estrangeiro também voltou a dar sustentação ao Ibovespa depois de uma saída intensa de recursos no mês anterior.

Depois de retirar R$ 23,2 bilhões da B3 até 20 de agosto, o estrangeiro retornou à ponta compradora, a tal ponto que a saída líquida de agosto diminuiu para R$ 18,1 bilhões.

Desde 21 de agosto, portanto, o saldo acumulado passou a ser positivo em cerca de R$ 10,4 bilhões, considerando os dados mais recentes disponíveis. No acumulado de 2026, os estrangeiros ainda mantêm uma entrada líquida de R$ 28,3 bilhões.

O fluxo externo é relevante porque aumenta a demanda pelas ações de maior peso nos índices e contribui para a valorização do real.

Contudo, não é possível afirmar que a mudança será duradoura. O fluxo pode voltar a se inverter diante de novas pesquisas, da piora das expectativas fiscais ou de uma redução do apetite internacional por países emergentes.

Bolsa segue atrativa

Os preços também ajudam a explicar por que o movimento pode não ter se esgotado.

Segundo analistas do BTG Pactual, o Ibovespa negocia a cerca de 8,2 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses (Petrobras e Vale incluídas). Sem as duas gigantes, o múltiplo está em 9,7 vezes, abaixo de sua média histórica, o que sinaliza o potencial de ganhos.

Para o banco, os valuations continuam atrativos, sobretudo em um cenário no qual os juros reais de longo prazo comecem a recuar.

Juros menores tornam a renda variável mais atrativa: por exemplo, reduzem a vantagem relativa da renda fixa, que atualmente oferece retornos elevados com menor risco.

Até onde pode ir o rali?

Para o time da XP, o Ibovespa pode chegar aos 200 mil pontos até o fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de cerca de 8% frente ao patamar atual. O motivo está justamente nos preços, que os analistas da corretora veem como abaixo da média histórica.

Do lado do risco, eles apontam possibilidade de as estimativas de lucro das empresas para 2027 sofrerem uma revisão para baixo, o que poderia impactar negativamente os preços.

Por isso, mesmo com certo espaço para alta, a XP segue com uma estratégia defensiva para ações, priorizando empresas de qualidade.

No mesmo sentido, a Eleven Financial, que mantém projeção para o Ibovespa em 195 mil até o fim do ano (um potencial de alta de 5%), vê uma boa relação de risco-retorno em ações de empresas maiores, que dependem menos do ciclo econômico. Ainda assim, reforça que o ambiente até as eleições deve apresentar fortes oscilações.

Para 2027, a Eleven aponta que o Ibovespa alcançar 230 mil pontos, desde que os juros continuem caindo e os lucros das empresas mantenham o crescimento. Esse cenário depende de um ajuste nas contas públicas, que exigiria apoio tanto do próximo presidente quanto do Congresso.

A expectativa de queda mais intensa dos juros também levou o Bank of America a melhorar sua avaliação sobre a Bolsa brasileira ontem.

O banco elevou sua recomendação para as ações brasileiras de equivalente a neutra para exposição acima da média. O BofA mantinha postura neutra em relação ao Brasil desde junho.

O argumento para a revisão está nos juros. O BofA agora projeta que a Selic termine 2027 em 11,25% ao ano, versus 12,75% anteriormente. E, mais importante, bem abaixo dos cerca de 14% que, segundo o próprio banco, ainda estão embutidos nos preços de mercado.

Na avaliação dos analistas, um ciclo mais profundo de cortes dos juros pode elevar os preços das ações, mesmo diante do risco de revisões para baixo nos lucros e da incerteza eleitoral.

O que pode interromper o rali?

A recuperação recente reúne fatores que se reforçam: o estrangeiro voltou às compras, a eleição passou a ser precificada como uma disputa mais aberta, os preços dos ativos ainda estão atrativos e a alta do petróleo favoreceu a Petrobras, uma das empresas com maior peso na Bolsa.

Parte desses vetores, porém, pode mudar rapidamente.

Novas pesquisas podem alterar as probabilidades eleitorais negociadas pelo mercado. Uma piora das expectativas fiscais pode voltar a pressionar os juros.

O cenário externo também exige atenção. A recente nova alta do petróleo, por exemplo, que beneficia a Petrobras no curto prazo, pode elevar a inflação mundial, manter os juros americanos altos por mais tempo e reduzir a procura por investimentos em países emergentes. Foi o que ocorreu hoje, depois de o petróleo superar o patamar psicológico dos US$ 100 o barril e elevar preocupações sobre uma alta de juros nos EUA.

O encarecimento da commodity pressionou as bolsas americanas e levou os juros dos títulos de 10 anos do país a atingirem o maior patamar em quase três anos. Na esteira, o Ibovespa caiu 0,9%, devolvendo os ganhos de ontem e retornando aos 185.629 pontos.

Há espaço para o Ibovespa avançar nos próximos meses, mas o caminho dificilmente será linear.

“Iremos caminhar ao sabor das notícias relacionadas ao momento da disputa”, afirma Galdi.

Nova safra de ETFs explora o variável da renda fixa – com opções para conservadores e agressivos

21 de Agosto de 2026, 10:00

A ciência ainda não encontrou uma forma de viajar no tempo. Nem de parar o passar dos anos. Mas o mundo financeiro inventou uma maneira de congelar o “envelhecimento” de papéis de renda fixa: são os ETFs com prazo fixo.

Como assim? Esse tipo de fundo traz uma carteira de títulos atrelados à inflação: as NTN-Bs – ou IPCA+, como também são chamados no mercado.

A diferença é que a carteira gira o tempo todo com um objetivo específico: manter os fundos lá dentro sempre com a mesma data de vencimento – 2, 5 10 anos… a depender do ETF. Sempre: comprou hoje o de 2 anos, e os títulos lá dentro vão vencer, na média, em 2028. Comprou no ano que vem, eles vão vencer em 2029.

Para entender melhor, vamos examinar como a passagem do tempo afeta um título de renda fixa.

O cardápio do Tesouro Direto é farto em IPCA+. Tem o 2032, o 2040, o 2045, 0 2050… Datas de vencimento diferentes, mas sempre com uma coisa o comum: o valor final.

Esse é sempre o mesmo: R$ 4.740 em dinheiro de hoje (o nome técnico é Valor Nominal Atualizado). Ele sobe um pouco todo dia para se manter a par com a inflação. Mas é isso: daqui a 10 anos, 60 anos, seja qual for a data de vencimento, toda NTN-B vai valer R$ 4.740 em dinheiro de hoje.

A diferença é o tanto que você paga por cada uma. Aí vai variar de acordo com o vencimento. Um IPCA+2032 custa hoje (20 de agosto), R$ 2.990. A taxa de juro que ele paga neste momento é de IPCA+8,05%.

Isso significa, simplesmente, que R$ 2.981 rendendo IPCA+8,05% vai dar R$ 4.740 em dinheiro de hoje no ato do vencimento, dia 15 de agosto de 2032.

Agora, um IPCA+2050. Ele custa bem menos que o 2032: só R$ 874. Por que? Porque só vai se transformar no equivalente a R$ 4.740 num futuro distante. O juro ali nem é tão diferente: 7,30%. A diferença é que ele age por muito mais tempo.

Pois bem. A taxa de juro muda todo dia. O mercado vai ajustando de acordo com as expectativas para o futuro distante da Selic.

Só tem um detalhe. Uma mexida de no juro do 2050 significa uma variação de preço preço bem maior do que no 2032, já estamos falando em décadas de juros compostos a mais.

Se o juro do 2032 cai 0,3 ponto percentual (e vai a IPCA+7,75%), seu saldo sobe 1,68%.

Se o juro do 2050 cai 0,3 ponto percentual (e vai, nesse caso, a IPCA+7%), seu saldo sobe 6,95%.

Veja mais aqui na tabela:

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É isso. Quanto mais longe o título estiver o vencimento, ou seja, quanto maior for o duration dele, no jargão, mais volátil é o título – mais sensível às oscilações de juros do dia a dia.

Quando você compra um título essa volatilidade vai diminuindo conforme o título envelhece. E basicamente zera quando o vencimento está bem próximo.

Quem tem um dinheiro para aplicar com um horizonte definido, por exemplo, aposentadoria ou a compra de um carro, o melhor é comprar um título que vence próximo ao momento no qual você vai precisar dos recursos. E pronto.

Mas nem todo investidor deseja isso. É perfeitamente possível ter uma tática constantemente agressiva, sempre em busca das variações maiores do títulos de longo prazo. E também é normal querer sempre o mar calmo do curto prazo – com menos chance de alta brusca, mas com risco menor de perda.

É para isso, então, que vieram os ETFs de prazo fixo. Como eles, é como se o relógio fosse reinicializado de tempos em tempos para manter o prazo constante.

Duas gestoras chegaram a esse segmento quase ao mesmo tempo.

A Nu Asset Management lançou em julho os ETFs NB0211, NB0511 e NB1011, cada um replicando um índice desenvolvido em parceria com a B3 para representar prazos fixos de 2 anos, 5 e 10 anos.

Poucos dias depois, a Galapagos Capital anunciou o lançamento simultâneo do 03BK11 e do 10BK11, com prazos constantes de 3 e 10 anos, seguindo o índice da Teva Indices.

Também dá para misturar prazos, buscando o “blend” ideal para cada apetite. Metade do dinheiro num de 2, de baixíssima volatilidade, e metade num de cinco (de volatilidade média), vai dar um prazo médio de 3,5 anos (volatilidade média-baixa).

Em um título de 2 anos, por exemplo, para cada ponto percentual de queda de taxa há um ganho de cerca de 2% no saldo em reais. No caso de um papel com prazo constante de 10 anos, a redução de um ponto gera um aumento de quase 10% no valor em carteira.

Bom momento para os longos

Os títulos IPCA+ têm pagado taxas entre 7,2% e 8,3% ao ano. Mas a mediana do juro real, ou seja, a parcela acima da inflação, nos últimos 16 anos é de 5,5%.

É razoável, portanto, esperar que em algum momento no futuro a curva de juros passe a convergir para esse ponto mediano. Isso favorece apostas nos títulos mais longos.

De 2016 a 2019, num período de queda nos juros de longo prazo, os títulos IPCA+ com prazos de 10 anos chegaram a registrar um ganho acumulado de 100%.

Temos uma oportunidade muito interessante pensando em médio e longo prazos”, afirma o sócio responsável por ETFs da Galapagos Capital, Bruno Stein.

Outro ponto importante dos ETFs de prazo fixo é a possibilidade de manter a duração constante do investimento em IPCA+, mas com melhor eficiência tributária

“Se você ficar rebalanceando a carteira de tempos em tempos para tentar manter um ‘duration’ [prazo de retorno] constante, vai ter a cada operação imposto de renda e outros custos”, explica Stein.

O que os números mostram

A Nu Asset realizou simulações com dados que remontam a 2010 até o momento atual para entender o comportamento dos ETFs em cada prazo.

Os três índices – de 2, 5 e 10 anos – convergem para retornos parecidos entre 11,2% e 11,3% ao ano no nominal. Isso equivale a um juro real de IPCA+5% ao ano.

A diferença relevante não está no retorno final, mas na trajetória até ele: o índice de 2 anos passou pelo período com uma queda máxima de 5,1%. Já o de 10 anos, mais sensível, chegou a cair 19,5% a partir da máxima.

Stein, da Galápagos, define os ETFs de duração fixa – principalmente os longos: “É um produto diferente, para quem sabe trabalhar com risco. Não é para quem busca uma reserva financeira.”

Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

15 de Junho de 2026, 12:27

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

27 de Abril de 2026, 08:42

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

LEIA MAIS: Estratégias para Viver de Renda: saiba tudo sobre a renda passiva na nova série do InvestNews

Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

Estrangeiro movimentou quase R$ 3 trilhões na bolsa brasileira em 2025. Saiba quais foram as ações preferidas

20 de Janeiro de 2026, 14:07

Já virou até lugar comum falar que quem aproveitou mesmo a alta da bolsa brasileira no ano passado foram os estrangeiros. Mas os dados da B3 dão uma dimensão do tamanho desse fluxo.

O chamado investidor não residente negociou R$ 2,8 trilhões em ações no mercado brasileiro à vista entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados da plataforma Datawise+, da B3 e Neoway.

O dinheiro de fora foi responsável por 62% do movimento total das ações brasileiras. Os dados da B3 mostram que se ampliarmos ainda mais o universo de ativos de renda variável, considerando além do mercado à vista, os BDRs, ETFs e fundos imobiliários (FII), a cifra pula para astronômicos R$ 3,5 trilhões.

O fluxo de fora aumentou em 15% comparado aos R$ 2,4 trilhões de 2024.

Só em dezembro de 2025, os estrangeiros negociaram R$ 255 bilhões, um crescimento de 6% na comparação com o mesmo período de 2024.

As ações preferidas dos estrangeiros foram:

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A lista coincide em grande parte com as ações de maior peso no Ibovespa. Do top 10 por esse quesito, não constam da lista acima apenas Axia, BTG e Embraer.

Já entre as que não estão entre as 10 maiores do Ibovespa, mas fazem parte das preferidas dos estrangeiros, temos WEG, Banco do Brasil e Ambev.

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