Frasers, conglomerado britânico de varejo, oferece US$ 2,3 bilhões pela Hugo Boss
A Frasers Group, gigante britânica do varejo controlada pelo bilionário Mike Ashley e proprietária da rede Sports Direct, ofereceu cerca de € 2 bilhões (US$ 2,3 bilhões) para comprar o restante da Hugo Boss, em mais um movimento para ampliar seu portfólio de marcas de moda.
A oferta em dinheiro é de € 38 por ação (cerca de US$ 43,70) da grife alemã, conhecida por seus ternos premium, roupas casuais e roupas íntimas. O valor representa um prêmio de 4% sobre o preço de fechamento de quarta-feira. A Frasers já detém cerca de 26% de participação na Hugo Boss.
A notícia fez as ações da Hugo Boss subirem até 7% nesta quinta-feira (11), atingindo o maior nível intradiário desde dezembro.
A Hugo Boss informou que irá examinar “cuidadosamente” a oferta não solicitada da Frasers, cujas ações caíam quase 2% nas negociações da manhã em Londres.
Segundo o analista Charles Allen, da Bloomberg Intelligence, a proposta da Frasers, que avalia a Hugo Boss em cerca de € 2,7 bilhões (US$ 3,1 bilhões), parece oportunista, e é improvável que os acionistas a aceitem devido ao prêmio relativamente pequeno oferecido.
Allen acrescentou que não está claro quais medidas a Frasers poderia adotar para acelerar a recuperação da marca alemã, que tenta se reestruturar após enfrentar demanda fraca na China e persistente desempenho decepcionante na divisão feminina.
Ainda assim, propostas rivais dificilmente surgirão, avaliou o analista Felix Dennl, do Bankhaus Metzler.
O preço ofertado também está abaixo dos valores pagos pelo CEO da Hugo Boss, Daniel Grieder, quando comprou ações da companhia. Em janeiro de 2023, ele adquiriu papéis a um preço médio de € 56 por ação (cerca de US$ 64,40), e em janeiro de 2024 realizou outra compra por pouco menos de € 59 (aproximadamente US$ 67,90).
A Frasers, controlada majoritariamente por Ashley, vende produtos da Hugo Boss há anos em suas lojas físicas e online. No ano passado, o CEO da Frasers, Michael Murray — genro de Ashley — passou a integrar o conselho de supervisão da Hugo Boss.
A aquisição total daria à Frasers controle direto sobre estratégia e alocação de capital, após divergências entre as empresas nos últimos meses. No ano passado, a Frasers ameaçou votar contra o pagamento de dividendos aos acionistas da Hugo Boss, argumentando que os recursos deveriam ser direcionados ao crescimento de longo prazo. A empresa também havia retirado apoio ao presidente do conselho de supervisão, Stephan Sturm, posição que reverteu nesta semana.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Frasers afirmou que continua apoiando tanto Sturm quanto Grieder.
A participação da Frasers na Hugo Boss é composta por ações detidas diretamente e opções que serão convertidas ao longo dos próximos dois anos. Analistas do Morgan Stanley sugerem que a empresa pode estar tentando ampliar sua fatia sem acionar uma oferta obrigatória de aquisição, traçando um paralelo com a estratégia utilizada pelo UniCredit em sua aproximação da Commerzbank.
A Frasers, que também controla a tradicional alfaiataria londrina Gieves & Hawkes e marcas esportivas como Slazenger, é conhecida por adquirir participações relevantes em varejistas e usar essa influência para pressionar mudanças estratégicas. Recentemente, também demonstrou interesse na fabricante alemã de artigos esportivos Puma.
Na Hugo Boss, Grieder promoveu uma racionalização do portfólio de produtos e reforçou o controle de custos. Trata-se de sua segunda tentativa de reestruturação desde que assumiu o comando da companhia em 2021. A Frasers não comentou além das informações divulgadas em seu comunicado oficial.
