Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

Magalu e Casas Bahia queriam virar a Amazon brasileira. Não deu certo e agora se juntam a ela

11 de Junho de 2026, 14:28

No auge da pandemia, quando o e-commerce brasileiro vivia seu maior boom, uma pergunta dominava o setor: quem se tornaria a Amazon brasileira?

Não faltavam candidatos. O Magazine Luiza vinha numa toada de aquisições – comprou livraria online, loja de cosméticos, de artigos esportivos. A B2W, braço digital das Americanas, era a maior em catálogo: 39,8 milhões de itens à venda em 2020, ante 16,8 milhões do Magalu. Havia ainda quem apostasse na então Via Varejo (hoje Casas Bahia), a menor das três, mas a que mais crescia em ritmo percentual.

Nenhuma das três virou a Amazon brasileira. Nem chegaram perto do Mercado Livre, empresa argentina com cofundador brasileiro que fez do Brasil seu principal mercado e se tornou dona de 40% das vendas online do país, uma vantagem construída com uma operação que começou ainda nos anos 1990 – quando a venda na internet “ainda era mato”.

Agora, as três maiores varejistas brasileiras reformularam a estratégia, cada uma à sua maneira e por razões das mais diversas, e passaram a buscar crescimento por meio de parcerias com os gigantes internacionais do e-commerce. A partir deste mês, o Magalu passou a vender na Amazon, movimento que a Casas Bahia já tinha feito.

A Americanas, de esperada saída de uma recuperação judicial iniciada em 2023, reposicionou o online como canal secundário e reforçou a sua aposta na loja física.

LEIA MAIS: Magalu resiste a entrar na guerra de preços do e-commerce e perde R$ 1,2 bilhão em vendas

‘Quero ser Amazon’

Em julho de 2022, o Magazine Luiza comemorou a marca de 200 mil sellers (vendedores) na plataforma, o dobro do que tinha um ano antes, com um ritmo de expansão de 10 mil novos vendedores por mês. Estava à frente das rivais: Americanas tinha 132 mil sellers, e a Casas Bahia, 138 mil.

Para simbolizar a aposta, o CEO, Frederico Trajano, e a presidente do conselho, Luiza Helena Trajano, saíram pelo Brasil em uma iniciativa chamada Caravana Parceiro Magalu, percorrendo cidades para apresentar os serviços da plataforma a pequenos lojistas.

Caminhão do Magazine Luiza.
Caminhão do Magazine Luiza no centro logístico da empresa em Louveira (Reuters/Paulo Whitaker)

“No futuro, o 3P vai superar a loja física e o 1P. É mais fácil crescer com estoque de terceiros do que próprio e é uma operação mais escalável”, disse Trajano ao NeoFeed na época. A referência era aos modelos de venda de produtos de terceiros (3P) no marketplace e do próprio estoque (1P).

Mas o cenário mudou… e rápido.

A Shopee desembarcou no Brasil com apetite e recursos para queimar caixa por anos e tornou-se o segundo maior marketplace do país. A própria Amazon acelerou sua operação local. O TikTok Shop chegou com uma lógica diferente, de descoberta de produtos por meio de conteúdo na plataforma, e começou a ganhar escala. O mercado, antes uma avenida de oportunidades, ficou congestionado.

“São empresas que têm fontes de financiamento e planos de longo prazo que permitem bancar esse tipo de estratégia, coisa que se uma empresa como o Magalu fosse fazer levaria um risco muito grande para o negócio”, avalia Alberto Serrentino, sócio-fundador da consultoria Varese Retail.

Com a Selic nas alturas, acima de 10% ao ano desde 2022, tocar uma operação que queima caixa no Brasil ficou inviável para companhias listadas em bolsa. O Magalu mais recentemente optou por preservar caixa, cortar operações não lucrativas e proteger as margens.

A trajetória de cada uma das três varejistas é diferente, mas todas levaram a uma revisão da estratégia em busca de um negócio mais rentável e menos demandante de capital.

LEIA MAIS: Amazon abre sua rede logística para terceiros e acirra disputa no Brasil com Mercado Livre

Na Americanas, a mudança de rota foi a mais dramática. A B2W chegou a demandar capitalizações de R$ 1 bilhão por ano para sustentar seus prejuízos. O escândalo contábil revelado em janeiro de 2023 (um rombo de R$ 20 bilhões) foi o golpe final em um modelo que já era insustentável. A empresa entrou em recuperação judicial e emergiu com uma estratégia radicalmente diferente.

“A gente continua jogando o jogo de marketplace menor”, diz Fernando Soares, que assumiu como CEO da Americanas em outubro de 2025. O foco agora é a loja física, o conhecimento do consumidor e a execução de vendas em datas comerciais que justificam o investimento, como Páscoa, Copa do Mundo e Black Friday. O online ainda existe, mas de forma complementar.

A Casas Bahia nunca chegou a disputar o protagonismo no e-commerce. Seu marketplace sempre foi menor. Com dificuldades financeiras que culminaram em reestruturação de passivos e troca de controle para a gestora Mapa Capital, a empresa não teve outra escolha senão priorizar o varejo físico.

Hoje, ainda em “modo turnaround“, encontrou no Mercado Livre, na Shopee e também na Amazon uma forma de crescer sem precisar investir pesado na própria plataforma. No quarto trimestre de 2025, o Meli sozinho respondeu por quase metade do crescimento do canal online da Casas Bahia.

“Queremos vender onde o cliente está, e não enxergamos uma sobreposição grande entre os canais”, tem repetido o CEO Renato Franklin. “São vendas incrementais e, o mais importante, com rentabilidade.”

Já o Magalu continua sendo o terceiro maior marketplace do Brasil, com algumas verticais saudáveis: Kabum (R$ 5 bilhões de GMV, o volume bruto de mercadorias transacionadas), Netshoes (R$ 4 bilhões) e Época Cosméticos (R$ 1 bilhão). É lucrativo, mas a parceria com a Amazon é vista como estratégica para que a plataforma deixe de encolher e consiga voltar ao caminho do crescimento.

“Não é jogar a toalha ou abrir mão de ter uma plataforma proprietária relevante”, diz Serrentino. “É para poder crescer com qualidade.”

A lógica das parcerias tem a ver com critérios que a empresa elegeu como essenciais, segundo Roberto Belíssimo, CFO do Magalu: rentabilidade e reciprocidade.

Na parceria com o AliExpress – a primeira que o Alibaba fez desse tipo no mundo –, o Magalu vende seus produtos de tíquete alto (média de R$ 1.000) na plataforma chinesa e recebe de volta sortimento de baixo tíquete (média de R$ 100) que não tinha, mas que gera recorrência. Em faturamento, o Magalu vende mais no AliExpress do que o AliExpress vende no Magalu.

“Qualquer outra parceria que a gente decidir fazer, vamos sempre vai olhar essas duas premissas”, disse Belíssimo em entrevista recente ao InvestNews.

A empresa fez parceria também com a Americanas. Além dessas, o Magalu já vende nos canais de vendas de Itaú, Inter, Nubank, Bradesco, Livelo e Smiles.

A parceria com a Amazon também abre uma frente de crescimento potencial para a Magalog, vertical de logística do grupo.

Segundo analistas do Citi Research, a Magalog opera cerca de 510 mil metros quadrados de galpões. Com a Amazon como parceira, a operação pode ganhar escala e gerar receita de terceiros, assim como a Casas Bahia pretende fazer com sua própria infraestrutura logística.

Para Serrentino, o movimento das varejistas brasileiras reflete uma tendência global.

“Na China é muito comum que empresas concorrentes sejam parceiras em iniciativas, sejam sócias em negócios ou tenham participações cruzadas”, diz o consultor. “Os ecossistemas precisam trabalhar com uma visão aberta de buscar formas de crescer, mesmo que com alianças estratégicas com terceiros.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Americanas se alia ao Magalu para reforçar presença no varejo online

18 de Novembro de 2025, 17:30

A Americanas e a Magazine Luiza anunciaram nesta terça-feira (18) uma parceria estratégica em comércio eletrônico, que começa com a primeira vendendo produtos na plataforma digital da segunda, reforçando competição contra grupos como Mercado Livre e Shoppe.

Depois de iniciar uma parceria com a chinesa Aliexpress em meados do ano passado, o Magazine Luiza afirmou que a partir desta terça-feira vai disponibilizar produtos vendidos pela Americanas em seu marketplace e que deverá fazer o mesmo na plataforma da Americanas nas próximas semanas.

“A parceria combina um mix complementar e sinérgico de produtos”, afirmaram as empresas em comunicado à imprensa. Em meio a um processo de recuperação judicial, a Americanas mudou seu foco e passou a se dedicar a categorias de preços mais baixos, como bomboniere, alimentos, limpeza, higiene pessoal e utilidades domésticas.

Enquanto isso, o Magazine Luiza afirma “liderar o mercado em linha branca, áudio e vídeo, telefonia, móveis e portáteis”.

No momento, estarão disponíveis para venda na plataforma digital do Magazine Luiza produtos de 50 lojas físicas da Americanas, localizadas em 15 capitais brasileiras. Enquanto isso, o Magazine Luiza passará a oferecer produtos próprios no site da Americanas.

“O projeto terá início com um grupo piloto de lojas físicas, mas a expectativa é de rápida expansão”, afirmaram as empresas.

Segundo as companhias, até dezembro, o objetivo da parceria é integrar todas as lojas da Americanas com serviço de entrega a partir dos pontos de venda física.

A visão do e-commerce

O anúncio da parceria entre Americanas e Magazine Luiza está alinhado à nova estratégia da Americanas, que vem reduzindo sua exposição ao comércio eletrônico para focar na operação física. Em entrevista à InvestNews, a companhia explicou que a decisão de despriorizar o e-commerce já vinha sendo executada há meses.

No terceiro trimestre, o GMV da operação digital despencou 74,6% em relação ao mesmo período de 2024, para R$ 167 milhões — reflexo direto desse reposicionamento. Empossado em outubro como diretor-presidente, Fernando Soares afirma que, daqui para frente, o papel do digital será complementar as vendas das lojas físicas.

Segundo ele, a empresa reduziu significativamente o número de sellers no marketplace, abrindo espaço para que players como Amazon, Magalu e Mercado Livre liderem o ambiente online. “É uma escolha difícil, mas entendemos que é a decisão correta para a companhia. Não vemos mais o digital da forma como era antes”, diz.

Camille Faria, diretora financeira da Americanas, disse que a empresa havia encerrado o modelo 1P — no qual a Americanas vende produtos de estoque próprio —, mas ainda mantinha um 3P robusto, baseado em sellers independentes no marketplace. “Essa redução estava no desenho estratégico que agora está sendo implementado”, afirma.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

LWSA vende plataforma Wake Creators por R$ 45 milhões

7 de Outubro de 2025, 08:26
varejo
Crédito: Adobe Stock

A LWSA, especializada em infraestrutura para e-commerce, celebrou um contrato de compra e venda com o UNLK Two Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia para a aquisição da totalidade do capital social da Wake Creators Digital Media Channel, por R$ 45 milhões. Parte do pagamento foi realizada na data de assinatura nesta terça-feira (7), com o saldo restante a ser pago de forma parcelada até 2029.

Segundo a empresa de tecnologia, a Wake Creators é especializada em serviços de plataforma e softwares para marketing de influenciadores digitais. A operação não requer submissão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e foi concluída no mesmo dia da assinatura do contrato.

A LWSA é uma plataforma de tecnologia que oferece soluções para e-commerce e gestão de negócios online, facilitando a digitalização de pequenas e médias empresas.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

❌