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O que o investimento da Berkshire Hathaway na Macy’s diz sobre o futuro do varejo

13 de Junho de 2026, 06:03

Warren Buffett e o falecido vice-presidente da Berkshire Hathaway, Charlie Munger, ficaram famosos por lamentar a decisão de comprar uma loja de departamentos no passado. Então, o que a Macy’s está fazendo na carteira da Berkshire?

As ações da Macy’s acumulam alta de cerca de 18% desde 15 de maio, quando a Berkshire Hathaway divulgou sua participação na companhia. Os papéis avançaram novamente na quarta-feira, mesmo em um mercado em queda, após a divulgação de resultados fortes.

A posição na Macy’s é pequena em comparação com as duas grandes aquisições anunciadas recentemente por Greg Abel, novo CEO da Berkshire. Ainda assim, a compra de cerca de US$ 55 milhões — com base no preço das ações na data do registro — representava aproximadamente 1% do valor de mercado reduzido da varejista.

A aposta da Berkshire parece estar baseada em dois fatores: um número cada vez menor de concorrentes e uma nova liderança confiante, focada em melhorar a experiência nas lojas.

Erros em investimentos

O histórico da Berkshire no varejo é misto. O próprio Buffett costuma citar erros em investimentos no setor, incluindo a compra de uma loja de departamentos em Baltimore em 1966, que ele considera um de seus maiores equívocos.

Apesar disso, o conglomerado nunca abandonou completamente o segmento. A Berkshire é a principal acionista da Kroger, com participação de 8%, segundo a FactSet. Entre os ativos privados do grupo estão a See’s Candies, redes de móveis para casa e cadeias de joalherias.

A Macy’s reúne várias características que costumam atrair a Berkshire. Trata-se de uma ação barata em um setor pressionado por todos os lados, desde varejistas de desconto até marcas de fast fashion e especialistas como Aritzia. Redes outrora icônicas, como Sears e J.C. Penney, desapareceram ou perderam relevância. Mais recentemente, a Saks Global entrou para a lista de empresas em dificuldades.

Dentro desse universo cada vez menor, a Macy’s continua sendo a maior rede, com mais de US$ 20 bilhões em receita anual. Quando a Berkshire revelou sua participação, as ações eram negociadas próximas ao valor patrimonial da empresa. Mesmo após a alta recente, os papéis continuam relativamente baratos, cotados a 1,2 vez o valor patrimonial e a 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.

Embora a receita total não esteja crescendo rapidamente, o fluxo de caixa livre da companhia aumentou em dois dígitos nos últimos dois anos e deve avançar mais 11% neste ano, segundo analistas consultados pela Visible Alpha. O dividend yield de 3,4% também é considerado atrativo.

Lojas próprias

Outro fator importante é o patrimônio imobiliário da empresa. A Macy’s é proprietária integral ou detém contratos de arrendamento do terreno em quase metade de suas lojas. A CoStar, empresa americana especializada em dados e análises do mercado imobiliário comercial, estimou anteriormente que esses imóveis valem entre US$ 7,9 bilhões e US$ 10,5 bilhões, bem acima do atual valor de mercado da companhia, de cerca de US$ 5,7 bilhões.

O desafio é transformar esses ativos em caixa, algo que diversos investidores ativistas tentaram sem grande sucesso. Ainda assim, a empresa espera levantar recursos com a venda de lojas menos rentáveis e já arrecadou cerca de US$ 400 milhões dessa forma.

Mais importante para os investidores, porém, é a liderança de Tony Spring, que assumiu o comando da empresa em 2024. Ele promoveu mudanças no mix de produtos, reforçou o número de funcionários em áreas estratégicas, como calçados, bolsas e provadores, e ampliou a realização de eventos nas lojas.

Segundo Blake Anderson, analista da Jefferies, Spring está fortemente focado na experiência do consumidor e quer resgatar o modelo tradicional das lojas de departamento, baseado em atendimento ao cliente.

Os resultados sugerem que a estratégia está funcionando. A Macy’s registrou seu quarto trimestre consecutivo de crescimento nas vendas comparáveis, sinalizando estabilização do negócio. A divisão de luxo Bloomingdale’s tem sido um destaque especial, com crescimento de 10% nas vendas comparáveis nos dois últimos trimestres, mesmo em um cenário difícil para o mercado de luxo.

A rede também pode se beneficiar das dificuldades enfrentadas pela Saks, que está fechando cerca de 30% das lojas das bandeiras Saks Fifth Avenue e Neiman Marcus. Segundo a Jefferies, a Bloomingdale’s é a varejista de departamento com maior sobreposição geográfica com essas redes.

Geração Z

A principal vantagem competitiva da Macy’s pode estar justamente na experiência de compra física, que voltou a ganhar força. Shoppings e lojas presenciais têm atraído consumidores da Geração Z, que passaram parte da juventude em isolamento durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, muitos varejistas reduziram equipes para cortar custos e direcionaram funcionários para atender pedidos online. Após a queda observada durante a pandemia, o número de trabalhadores no varejo americano ainda permanece abaixo dos níveis de 2019, segundo dados do Departamento do Trabalho. A Macy’s seguiu o caminho oposto: o número de funcionários por loja aumentou 14% desde que Tony Spring assumiu o comando.

Buffett já elogiou a capacidade da Costco — uma das empresas favoritas de Charlie Munger — de “surpreender e encantar” seus clientes. A nova gestão da Macy’s parece estar demonstrando que isso ainda é possível no segmento de lojas de departamento.

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Berkshire, de Buffett, está convencida de que o sonho da casa própria continuará vivo

5 de Junho de 2026, 06:01

O acordo de US$ 6,8 bilhões da Berkshire Hathaway para adquirir uma grande construtora de casas reflete a convicção de que o mercado imobiliário vai superar sua prolongada queda e se recuperar como sempre fez.

Com um acordo totalmente em dinheiro firmado no domingo para a Taylor Morrison Home, o conglomerado de Omaha, Nebraska, está prestes a se tornar uma das cinco maiores construtoras dos EUA, ampliando seu crescente portfólio de empresas ligadas ao setor imobiliário.

O movimento é um sinal de que um investidor de grande porte acredita que a crise do mercado imobiliário acabará passando — e quer se posicionar para aproveitar uma eventual virada. Mais de 75% dos jovens inquilinos ainda acreditam que um dia vão comprar uma casa, segundo pesquisa da John Burns Research & Consulting.

“Esse investimento é baseado em uma convicção de longo prazo na força do mercado imobiliário americano e em seus fundamentos subjacentes, que consideramos duradouros ao longo do tempo”, disse o CEO da Berkshire, Greg Abel.

Ainda assim, a Berkshire está aumentando sua exposição a um mercado que já acumula quatro anos de vendas fracas.

As taxas hipotecárias elevadas, a incerteza no mercado de trabalho e o aumento do custo de vida mantêm muitos compradores fora do mercado. Construtoras foram obrigadas a oferecer incentivos, como pagar parte das hipotecas dos clientes, apenas para escoar estoques.

A confiança das construtoras segue baixa. O início da construção de casas unifamiliares caiu 9% em abril, a maior queda desde agosto, segundo dados do Census. Um terço das construtoras afirmou ter reduzido preços no mês passado, de acordo com o índice NAHB/Wells Fargo.

Construção de calçada em nova casa
Foto: Bloomberg

Além disso, muitos americanos passaram a considerar a compra de uma casa fora do orçamento. Mais pessoas estão alugando por mais tempo ou aplicando suas economias no mercado de ações em vez de investir em imóveis.

Por outro lado, analistas apontam que o déficit habitacional nos EUA, de mais de quatro milhões de unidades, indica a necessidade de novas construções. Eles esperam que compradores retornem ao mercado quando as taxas hipotecárias — que recentemente atingiram o maior nível em nove meses — caírem e liberem demanda reprimida.

A Berkshire concordou em pagar um prêmio de 24% sobre o preço de fechamento das ações da Taylor Morrison, de US$ 58,50 na sexta-feira. Analistas veem o valor como atrativo, já que o preço de mercado estaria abaixo do valor real do portfólio da construtora.

“Isso é uma barganha incrível”, disse Tony Avila, CEO da Builder Advisor Group.

As ações da Taylor Morrison subiram 22% na segunda-feira, para US$ 71,55, o maior ganho diário desde 2020. As ações Classe A da Berkshire ficaram estáveis. A Berkshire pagará US$ 72,50 por ação pela incorporadora, sediada em Scottsdale, Arizona. O negócio deve ser concluído ainda este ano.

Estratégia no setor de habitação

A aquisição dá continuidade à estratégia de décadas da Berkshire no setor de habitação. O conglomerado possui empresas em toda a cadeia imobiliária, da Clayton Homes à corretora HomeServices of America. Nos últimos anos, também manteve participações em grandes construtoras listadas, como D.R. Horton e Lennar.

“Eles montaram um ecossistema completo de fornecedores e construtoras”, disse Rick Palacios, da John Burns Research & Consulting.

O negócio é um dos primeiros sob o comando de Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett em janeiro. A CEO da Taylor Morrison, Sheryl Palmer, disse à CNBC que iniciou negociações com Abel semanas antes do acordo. Buffett afirmou que não participou da aquisição e elogiou a capacidade de execução do novo CEO.

“Ele começou”, disse Buffett.

Na segunda-feira, a Berkshire anunciou outro movimento: a compra de US$ 10 bilhões em ações da Alphabet, controladora do Google.

A Taylor Morrison reúne características típicas de investimentos da Berkshire: uma empresa americana barata, em um setor fora de favor, pressionado por juros altos, preços elevados e expectativas de inflação maior. Seu múltiplo preço/valor patrimonial futuro era de 0,9, abaixo do pico de 2,1 em 2013.

A construtora é considerada uma aposta mais segura dentro de um mercado ainda difícil, com foco em compradores de maior renda e no segmento de “upgrade” de moradia, em vez de compradores de primeira casa.

Além disso, a empresa atua no segmento de “build-to-rent”, com casas construídas exclusivamente para aluguel.

O negócio também reflete a consolidação do setor de construção residencial, com outras fusões recentes e maior apetite de compradores internacionais. Analistas esperam mais movimentos do tipo.

“Isso pressiona outros a encontrarem um parceiro”, disse Alan Ratner, da Zelman & Associates.

Escreva para Rebecca Picciotto em rebecca.picciotto@wsj.com e para Krystal Hur em krystal.hur@wsj.com.

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Conheça a construtora que a Berkshire, de Buffett, vai comprar por US$ 6,8 bi

31 de Maio de 2026, 18:43

A Berkshire Hathaway, fundada por Warren Buffett e presidida por Greg Abel, vai comprar a Taylor Morrison, uma construtora americana de casas de capital aberto. Vão pagar US$ 6,8 bilhões.

A oferta, de US$ 72,50 por ação, representa um prêmio de 24% sobre o último preço de fechamento da construtora, na sexta-feira (29). A conclusão do negócio está prevista para o segundo semestre.

Com sede em Scottsdale, no Arizona, a Taylor Morrison A empresa atua de costa a costa do país e atende um público variado: o de entrada, que estrá comprarndo a primeira casa, famílias em busca de imóveis maiores (“move-up”, no jargão) e o de alto padrão.

Para isso, opera com uma família de marcas que inclui a própria Taylor Morrison; a Esplanade, voltada a condomínios estilo resort e a Yardly, focada em vender para investidores.

A construtora é bem reconhecida. Foi nomeada “Construtora Mais Confiável da América” pela Lifestory Research em 11 anos consecutivos, um feito único.

Nos últimos tempos, a Taylor Morrison vem passando por um reset: pisou no freio nos segmentos de entrada, de margem menor, e concentrou esforços no “move-up” e no alto padrão. O lucro em 2025 foi de US$ 830 milhões.

A Berkshire controla 65 empresas de forma integral, entre elas, Duracell e Dairy Queen, além de ser acionista relevante de Apple, Coca-Cola, Chevron e outras dezenas de gigantes.

CEOs querem ser como Warren Buffett — até na carta aos acionistas

17 de Março de 2026, 06:00

Os conselhos de Warren Buffett sobre investimentos e negócios alcançaram dezenas de milhões de pessoas durante sua longa trajetória à frente da Berkshire Hathaway. Mas talvez tenha sido seu sucesso em transformar cartas aos acionistas em leituras envolventes que deixou a marca mais profunda em um grupo específico de admiradores: outros CEOs.

Buffett se aposentou como CEO da Berkshire em dezembro, transferindo o cargo de principal executivo — e também de autor das cartas aos acionistas — para Greg Abel. Executivos dizem que Buffett, que costumava rechear suas cartas com humor e histórias pessoais que muitas vezes iam além da revisão formal das operações da Berkshire, elevou uma tradição muitas vezes enfadonha da América corporativa e estabeleceu um novo padrão. Para quem decide elevar o nível de suas próprias cartas, isso pode significar muito mais trabalho.

“É difícil”, disse Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase e autor de mais de 20 cartas aos acionistas. “Fico feliz quando ela finalmente nasce.”

Dimon leu quando jovem o livro Security Analysis, de Benjamin Graham e David Dodd, que traz um prefácio escrito por Buffett. Mais tarde, ele descobriu as cartas que Buffett enviava anualmente aos acionistas da Berkshire e da parceria de investimentos que administrava antes de assumir o comando da empresa.

O que sempre chamou a atenção de Dimon na escrita de Buffett, disse ele, foi sua capacidade de explicar conceitos financeiros complexos em linguagem simples. “Escrevo para pessoas como minhas irmãs”, disse Buffett ao Wall Street Journal em 2016. “Elas são inteligentes, leem bastante, têm muito investido na empresa. Não conhecem todo o jargão financeiro, mas também não querem ser tratadas como crianças de 5 anos.”

“Sempre tentei imitar isso”, disse Dimon.

As cartas de Buffett frequentemente ultrapassavam uma dúzia de páginas, e seu público ia muito além dos acionistas da Berkshire. De fato, muitos dos famosos aforismos do chamado Oráculo de Omaha presentes em cartas anuais passadas se aplicam a investidores em praticamente qualquer área. Entre suas frases mais conhecidas estão: “Tentamos simplesmente ser cautelosos quando os outros estão gananciosos e gananciosos quando os outros estão cautelosos” e “nunca aposte contra a América”, entre outras.

Claro que escrever de forma a tornar o complexo fácil de entender não é tão simples quanto parece.

Dimon disse que seu próprio processo leva meses. Ele tenta terminar um esboço da carta antes de suas férias de janeiro, escreve nos fins de semana e verifica os fatos com funcionários em diversas áreas do vasto império financeiro do JPMorgan.

Tom Gayner, CEO da holding Markel Group, frequentemente chamada de “mini-Berkshire”, disse que escreve a maior parte de suas cartas no período tranquilo entre o Natal e o Ano-Novo, antes de sua esposa fazer a edição final. Ele afirma se inspirar nas cartas de Buffett e tentar reproduzir seu estilo de escrita claro.

“Acho que ele é um professor maravilhoso”, disse Gayner.

As cartas de Buffett se tornaram ainda mais populares além do círculo de acionistas da Berkshire após a Black Monday de 1987, afirmou Lawrence Cunningham, autor de Os Ensaios de Warren Buffett, obra que reúne textos do investidor.

O colapso do mercado levou investidores a especular se sistemas automáticos de negociação mal projetados ou outros detalhes da estrutura do mercado eram responsáveis pela queda abrupta. Muitos recorreram a Buffett em meio à confusão.

“Foi um grande debate, e Warren foi uma voz fundamental para ajudar a explicar o que havia acontecido”, disse Cunningham.

Críticas

Para Buffett, um dos aspectos mais difíceis era aceitar críticas. Carol Loomis, ex-jornalista da Fortune e amiga do investidor que esteve entre os primeiros repórteres a cobri-lo, editou suas cartas por décadas, a partir de 1977.

No início, Buffett enviava os rascunhos por FedEx, e os dois discutiam as alterações por telefone. Mas Buffett, acostumado a ser seu próprio chefe, disse que tinha dificuldade em aceitar as sugestões. Além disso, segundo ele, Loomis acrescentava vírgulas demais.

“Minha primeira reação era ficar irritado, o que é totalmente inadequado”, disse Buffett por telefone de seu escritório em Omaha. Em sua defesa, acrescentou: “é assim que você fica quando está escrevendo”.

Loomis editou as cartas de Buffett até 2024. Agora, os dois jogam bridge um contra o outro pelo computador na maioria das noites de segunda-feira. Buffett disse que essas partidas são mais amigáveis do que suas antigas discussões sobre pontuação. “Finalmente amadureci um pouco, aos 95 anos”, disse.

O CEO da Berkshire, Greg Abel, publicou sua primeira carta aos acionistas em fevereiro. Antes da estreia, Abel brincou que escrevê-la havia sido o desafio mais difícil que enfrentou em seus dois primeiros meses no cargo.

As primeiras reações foram positivas. Abel disse ter recebido mensagens encorajadoras de amigos e colegas depois que a carta foi publicada no site da Berkshire.

Mesmo assim, Abel teve pouco tempo para aproveitar os elogios à carta de 2025. Ele logo lembrou que terá de escrever outra até fevereiro de 2027.

“Foi uma tarefa enorme”, disse Abel sobre a experiência. “Warren disse: ‘bom, não fica mais fácil. A segunda carta será tão difícil e desafiadora quanto a primeira.’”

Escreva para Krystal Hur em krystal.hur@wsj.com.

Abel, novo CEO da Berkshire, promete usar todo o salário para comprar ações da empresa

5 de Março de 2026, 10:46

A Berkshire Hathaway teve seu CEO, Greg Abel, afirmando que usará todo o seu salário líquido para comprar ações do conglomerado enquanto permanecer no cargo.

Com esse objetivo, Abel comprou nesta semana cerca de US$ 15,3 milhões em ações da empresa, segundo um documento regulatório. Ele disse que seu compromisso de continuar fazendo isso após a divulgação dos resultados anuais da companhia a cada ano deve resultar em “centenas de milhões” de dólares em recompras de ações ao longo de sua carreira.

A Berkshire também retomou na quarta-feira (4) o programa de recompra de ações. Em entrevista à CNBC, Abel afirmou que a decisão veio após executivos concluírem que o chamado “valor intrínseco” das ações estava acima do preço pelo qual elas vinham sendo negociadas no mercado.

As ações da Berkshire haviam caído no início da semana depois que a empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre no sábado. O lucro operacional caiu 30% no período, impulsionado por uma queda de 54% no resultado de subscrição de seguros.

Os acionistas vinham analisando esses números em busca de sinais sobre como Abel conduziria a política de recompra de ações, já que o conglomerado havia deixado de realizar recompras por seis trimestres consecutivos.

Em sua primeira carta anual aos investidores na semana passada, Abel reafirmou a política de retorno ao acionista da Berkshire, descartando praticamente a possibilidade de pagamento de dividendos.

“Mantivemos a posição de que vamos reter um dólar se enxergarmos a oportunidade de criar mais de um dólar para nossos acionistas — e esse sempre foi o teste”, disse Abel. “Se não atendêssemos a esse critério, pagaríamos dividendos.”

A decisão de retomar as recompras não impedirá a Berkshire de buscar outras formas de usar sua enorme reserva de caixa, de US$ 373 bilhões, acrescentou Abel.

“Também existe a questão: ‘Devemos comprar ações?’ E, quando olhamos para empresas: ‘Devemos adquirir empresas inteiras?’ E ainda há ‘Devemos comprar participações acionárias?’”, afirmou. “Cada uma dessas opções, com o capital que temos, pode ser executada de forma independente. Portanto, quando estamos recomprando nossas ações, isso não tira espaço de nenhuma das outras decisões.”

Conheça a nova Berkshire sem Warren Buffett, igual à velha Berkshire

29 de Dezembro de 2025, 15:51

A tão aguardada sucessão do presidente na Berkshire Hathaway ocorrerá no final do ano, mas, pelo menos inicialmente, não parece que muitas mudanças virão — algo que deve agradar a muitos investidores.

Warren Buffett, 95, deixará o cargo após 60 anos na liderança, dando lugar a Greg Abel, 63, veterano executivo da Berkshire que atualmente comanda os vastos negócios não relacionados a seguros da empresa.

Embora Abel assuma como presidente, Buffett deve continuar exercendo grande influência na companhia, cujo valor de mercado é de US$ 1,1 trilhão. Ele permanecerá como presidente do conselho e acionista controlador, com 14% de participação econômica avaliada em US$ 147 bilhões e 30% dos votos. Buffett doa cerca de 5% de sua participação anualmente a instituições filantrópicas, mas não tem planos de vender nenhuma ação.

Isso significa que questões importantes, como pagamento de dividendos, recompra de ações e a utilização do caixa da empresa — que ultrapassa US$ 350 bilhões — podem permanecer indefinidas por algum tempo, possivelmente até após a morte de Buffett. A Berkshire não paga dividendos e não realiza recompra de ações desde maio de 2024.

Os investidores adotam uma postura de espera em relação à gestão de Abel, vendo a saída de Buffett do cargo de presidente como um ponto negativo.

As ações da Berkshire encerram 2025 de forma discreta. As ações Classe A, que fecharam a quarta-feira em US$ 751.245, subiram 10% no ano até agora, contra um retorno total de 19% do índice S&P 500. O papel está cerca de 7% abaixo da máxima registrada em maio.

Enquanto as ações superaram levemente o mercado nos últimos 20 anos, estão atrás na última década, com retorno anualizado de 14,1% em comparação com 14,9%, segundo dados da Bloomberg.

A Berkshire anunciou algumas mudanças na gestão no início de dezembro, mas nenhuma foi significativa, exceto a saída de Todd Combs, gestor de investimentos e presidente da Geico, unidade de seguros de automóveis da Berkshire. Combs deixou a empresa para assumir um cargo de investimentos no JPMorgan Chase.

Ainda não está claro como o portfólio de ações de US$ 300 bilhões da Berkshire será gerido. Ted Weschler, gestor da empresa que junto a Combs administrava cerca de 10% do portfólio, assumirá toda a gestão ou Abel terá influência direta? Weschler é experiente, mas seu desempenho desde que ingressou na Berkshire em 2012 ainda é desconhecido, e alguns observadores apontam que algumas ações adquiridas por ele, como DaVita e Sirius XM, tiveram desempenho inferior.

Também não se sabe por quanto tempo Ajit Jain, 74, chefe das operações de seguros da Berkshire, permanecerá no cargo, nem quem será seu substituto definitivo.

Abel passará a gestão diária de um grupo de negócios de consumo ao chefe da NetJets, Adam Johnson, mas continuará supervisionando as principais unidades, incluindo a ferrovia BNSF e a gigante de utilidades Berkshire Hathaway Energy.

Na assembleia anual de acionistas em maio, Buffett indicou que planeja estar no escritório diariamente: “Vou continuar vindo e pode chegar a hora de investirmos muito dinheiro. E se isso acontecer, acredito que poderei ajudar o conselho.”

Muitos acionistas provavelmente se sentem confortáveis com Buffett ainda à frente e com a perspectiva de poucas mudanças. Abel deve focar no que faz melhor: melhorar operações. Entre os fiéis, a lógica é clara: por que mudar algo que funcionou tão bem por décadas?

O caixa da Berkshire pode continuar crescendo, deixando a empresa pronta para uma grande movimentação, possivelmente guiada por Buffett, caso surjam oportunidades.

O próximo marco será quando Abel apresentar sua visão para a Berkshire em sua primeira carta aos acionistas, prevista para o final de fevereiro. Até lá, a rotina deve continuar normalmente.

Berkshire de Buffett prepara maior aquisição desde 2022: uma petroquímica de US$ 10 bilhões

30 de Setembro de 2025, 18:32

A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, está perto de fechar seu maior negócio desde 2022. O alvo é a divisão petroquímica da Occidental Petroleum, a OxyChem, em uma transação estimada em cerca de US$ 10 bilhões, segundo apuração do The Wall Street Journal.

A Occidental é investida da Berkshire desde 2019, quando Buffett entrou na companhia. Hoje, o conglomerado é o maior acionista da petroleira, avaliada em cerca de US$ 46 bilhões.

A OxyChem fabrica produtos químicos usados na cloração de água, reciclagem de baterias e produção de papel, e registrou US$ 5 bilhões em receita nos 12 meses encerrados em junho. 

Se confirmada, a compra marcaria a segunda grande aposta da Berkshire no setor químico — a primeira foi em 2011, com a aquisição da Lubrizol por quase US$ 10 bilhões. O último grande negócio do grupo havia sido a compra da seguradora Alleghany, em 2022, por US$ 11,6 bilhões.

Para a Occidental, a venda se insere em um programa de desinvestimentos voltado a reduzir endividamento. Em agosto, a empresa informou já ter quitado US$ 7,5 bilhões em dívidas.

Enquanto isso, a Berkshire acumulava uma montanha de liquidez: no fim de junho, detinha US$ 344 bilhões em caixa e Treasuries, o que tem levado investidores a cobrar novos movimentos de alocação de capital.

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