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Sócia da Raízen, Shell paga US$ 16,4 bilhões por petroleira canadense

27 de Abril de 2026, 12:24

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, anunciou nesta segunda-feira (27) a compra da canadense ARC Resources num negócio avaliado em US$ 16,4 bilhões, incluindo a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívida líquida. 

É a maior aquisição da petroleira britânica desde 2016, quando comprou a BG Group, e marca uma virada estratégica do grupo em direção ao Canadá, num momento em que a guerra entre Estados Unidos e Irã encareceu os ativos do Oriente Médio.

Pelos termos do acordo, os acionistas da ARC, sediada em Calgary, receberão CAD 32,80 por ação, sendo 75% em ações da Shell e 25% em dinheiro. O preço representa prêmio de 27% sobre o fechamento da ARC na bolsa de Toronto na sexta-feira (24) anterior à divulgação. O valor patrimonial da ARC ficou em US$ 13,6 bilhões.

A operação adiciona ao portfólio da Shell cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia, dois bilhões de barris em reservas provadas e prováveis e 1,5 milhão de acres na bacia de Montney, formação de xisto que ocupa parte da Columbia Britânica e de Alberta.

Combinada aos 440 mil acres que a Shell já operava na região, a aquisição transforma a empresa em um dos maiores produtores de gás natural e líquidos da Montney. “Isto estabelece o Canadá como um heartland para a Shell”, disse o presidente-executivo Wael Sawan em comunicado, em referência aos núcleos operacionais estratégicos da empresa.

A produção total da Shell deve passar de uma taxa de crescimento anual de 1% para 4% até 2030 com a incorporação dos ativos.

Virada de chave

A movimentação representa uma virada da própria Shell em relação ao Canadá. Em 2017, a empresa havia se desfeito de boa parte de sua posição no país, vendendo ativos nas areias betuminosas de Alberta. 

Agora, faz o caminho inverso, sob a justificativa de que os recursos da Montney são “de baixa intensidade de carbono”, o que ajuda a empresa a reconciliar o crescimento da produção com seus compromissos de transição energética.

A integração com o LNG Canada, projeto de gás natural liquefeito da Columbia Britânica do qual a Shell é principal acionista, é peça central do racional do negócio. Os contratos da ARC já vinculam parte de sua produção de gás aos preços internacionais de LNG, o que cria sinergia direta com a infraestrutura existente da Shell. 

A empresa estima sinergias anuais de US$ 250 milhões em até um ano após o fechamento, previsto para o segundo semestre de 2026.

Analistas avaliam que a aquisição pode ser apenas o primeiro movimento de uma onda de M&A no setor de petróleo e gás. Os preços altos sustentados pela guerra elevaram o valor dos ativos e criaram janela para que companhias menores aceitem ser vendidas por valuations que antes pareciam inatingíveis.

“Acho que está na mesa para este ano”, disse Tim Rezvan, analista do KeyBanc Capital Markets, em entrevista à Barron’s na semana passada. Segundo ele, o que define o preço dos negócios é a curva de futuros de petróleo nos próximos meses, e essa curva subiu o suficiente para destravar o apetite vendedor.

No Brasil, outra conta

A operação contrasta com o cenário enfrentado pela Shell no Brasil, onde a empresa é sócia da Cosan na Raízen, maior produtora de biocombustíveis do país e que negocia neste momento a reestruturação de R$ 65 bilhões em dívidas. 

No fim de semana, a companhia apresentou aos credores uma contraproposta para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, em cima dos R$ 4 bilhões já comprometidos por Shell e pelo bilionário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Os credores pediam aporte de R$ 8 bilhões dos atuais sócios para fechar o acordo.

Shell sinaliza recuperação em petróleo e gás, mas unidade química continua sendo um entrave

7 de Outubro de 2025, 16:05

A Shell informou que o desempenho de sua operação de petróleo e gás se recuperou no terceiro trimestre, após enfrentar a volatilidade geopolítica no período anterior.

O desempenho da divisão foi significativamente melhor para gás e para petróleo no trimestre, informou a empresa nesta terça-feira (7) em comunicado.

Trata-se de uma recuperação para um negócio que costuma ser um dos maiores impulsionadores dos lucros da Shell.

O CEO Wael Sawan atribuiu os resultados comerciais excepcionalmente ruins do segundo trimestre a oscilações do mercado, que foram impulsionadas pela geopolítica, e não por fundamentos de oferta e demanda, levando a Shell a reduzir os riscos.

Com isso, as ações da Shell subiram 2,3% em Londres nesta terça, a maior alta em dois meses. A valorização de 12% das ações neste ano representa agora o melhor desempenho entre as maiores empresas de petróleo e gás.

“Vemos isso como uma forte atualização da empresa”, disse o analista do RBC, Biraj Borkhataria. Ele destacou o desempenho “melhor” das negociações no período de julho a setembro, após o resultado “decepcionante” das negociações no trimestre anterior.

Borkhataria também observou o aumento dos volumes de liquefação de GNL da Shell, que atingiram entre 7 milhões e 7,4 milhões de toneladas métricas, ante 6,7 milhões no trimestre anterior. A produção de petróleo e gás da Shell subiu para o equivalente a 1,89 milhão de barris por dia, dentro da faixa de projeção anterior.

As despesas operacionais subjacentes na exploração e produção de petróleo e gás podem exceder o trimestre anterior em até US$ 500 milhões, afirmou a Shell.

Melhoria nas negociações

A melhoria nas perspectivas de negociação ocorre após um período de relativa estabilidade nos preços do petróleo. Os contratos futuros do petróleo Brent foram negociados em uma faixa estreita entre US$ 65 e US$ 70 o barril no terceiro trimestre, proporcionando aos traders spreads mais previsíveis para explorar. Os preços médios no trimestre subiram mais de US$ 2.

Embora o terceiro trimestre não tenha sido isento de volatilidade, o período anterior foi marcado por uma guerra de curta duração no Oriente Médio — o coração do petróleo mundial — e por amplos anúncios de tarifas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump.

A Shell está entre as primeiras empresas chamadas de supermajors a atualizar as projeções dos investidores sobre os resultados trimestrais, dando um pouco mais de visibilidade sobre o desempenho do setor como um todo.

Seus pares também enfrentaram volatilidade no segundo trimestre.

E embora a atualização da Shell sugira uma melhora na negociação de energia, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que o mercado de petróleo está à beira de um excesso de oferta que pode pressionar os preços.

A TotalEnergies anunciou uma redução nas recompras de ações no mês passado, com a expectativa de que o petróleo Brent seja negociado em uma faixa mais baixa.

As margens de refino também melhoraram para a Shell.

Isso ecoa a atualização da Exxon Mobil Corp. na segunda-feira, que projetou um aumento de US$ 300 milhões a US$ 700 milhões nos lucros devido ao fortalecimento das margens de produção de combustível.

Problemas com produtos químicos

Nem todas as divisões estão se recuperando. A unidade química da Shell deve apresentar prejuízo no terceiro trimestre.

A unidade química tem sido um entrave ao desempenho da Shell há algum tempo, e a empresa afirmou estar explorando parcerias nos EUA e fechamentos seletivos na Europa.

Em julho, Sawan prometeu recuperar o negócio químico, que, segundo ele, vem sofrendo uma das quedas mais prolongadas do setor em muito tempo.

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