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O ano de 2026 terá dupla personalidade, dizem Solange Srour e Luciano Telo, do UBS

5 de Dezembro de 2025, 14:58

O Brasil verá um 2026 de dupla personalidade. A primeira metade do ano vai ser parecida com o momento atual, ou seja, de alta da bolsa, fluxo estrangeiro para a renda variável e uma renda fixa lotada de recursos dos brasileiros. Mas daí, a partir do segundo semestre, começam as grandes incertezas.

Aqui no Brasil, as eleições para presidente, governador e Congresso prometem tornar os mercados mais voláteis. No mínimo. Só que tem mais: lá nos EUA vai ter a renovação de parte relevante do Congresso, em novembro, e mudanças no comando do Fed, o banco central americano, a partir de maio. Enquanto isso, teremos cortes de juros no Brasil e, possivelmente, nos Estados Unidos, um dólar ainda fraco, preocupações com uma eventual bolha de inteligência artificial e os mercados tentando digerir tudo.

De qualquer forma, a visão do executivo-chefe de investimentos (CIO) do UBS Wealth Mangement, Luciano Telo, e da chefe de macroeconomia no Brasil do banco suíço, Solange Srour, é de copo meio cheio: a bolsa vai continuar a valer a pena, assim como manter ações de big techs na carteira. É claro que tudo será temperado com uma boa dose de volatilidade.

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Quem tem medo da bolha de IA? O UBS não. Telo até reconhece que as bolsas americanas operam com valuations elevados, ou seja, valores de mercado que incorporam uma visão de resultados futuros para lá de exuberantes. Porém, não se trata de uma interpretação pontual dos investidores. A inteligência artificial é uma realidade e vai se manter como a principal influência sobre a economia dos EUA ao longo dos próximos anos.

Ou seja: quem tentar antecipar momentos de correção pode perder o bonde, já que é razoável a chance de não ocorrer uma queda substancial.

Emergentes ganham espaço

Na avaliação do UBS, os mercados emergentes devem se consolidar como uma das grandes estrelas dos portfólios globais em 2026. A questão central para os investidores é: os recursos de fora vão continuar a migrar para as bolsas e outros ativos dos países em desenvolvimento? A resposta do CIO do UBS WM é “sim”.

Com a expectativa de um dólar que vai se manter fraco e em meio a continuação de cortes de juros pelo Fed, os mercados emergentes passam a ocupar um papel mais relevante nas projeções para 2026.

O Brasil, por exemplo, surge como um potencial destino de recursos internacionais. Esse fluxo marcou o desempenho positivo do Ibovespa ao longo de 2025. E deve se estender, pelo menos, na primeira metade do ano que vem. Os especialistas do UBS veem ainda muitos fatores para as ações se manterem em alta. Conforme Telo, os ativos brasileiros seguem descontados em relação a outros emergentes.

Além disso, mesmo que o BC comece a cortar os juros no início do ano, as taxas do país vão se manter atrativas por um longo tempo. O cenário base do UBS é que o ciclo de reduções da Selic comece em março ou abril de 2026 e a taxa básica termine o próximo ano em 12,5%. As ações brasileiras, por sua vez, vão continuar a se beneficiar do dólar fraco e dos juros globais mais baixos.

E quais motivos para manter o otimismo com a renda variável no ano que vem? O afrouxamento monetário duplo, aqui e lá fora, vai funcionar como o principal catalisador para o desempenho das ações. Taxas de juros menores vão reduzir o custo de capital para as empresas listadas. As mais endividadas ganham um alívio com a redução das pressões financeiras.

Além dos juros menores, o banco espera um crescimento de lucros das companhias brasileiras de cerca de 18% no próximo ano. A alta seria resultado de uma demanda doméstica estável, salários reais em alta e investimentos estrangeiros crescentes.

O que pode dar errado?

A partir do fim do primeiro trimestre, a sucessão no Fed vai se tornar um evento importante para o mercado. Ainda que o mandato do atual presidente da autoridade, Jerome Powell, termine apenas em maio, a partir do momento em que o presidente americano, Donald Trump, confirmar um nome para a sucessão, o BC dos EUA passará, na prática, a ter dois chefes para o mercado. Isso porque os investidores vão começar a prestar tanta atenção às falas do futuro chairman quanto do atual.

Srour alerta que, caso o mercado interprete os sinais do novo presidente do Fed como sendo de alguém que vai se submeter à vontade do governo, isso poderia causar uma perda de credibilidade. Como a pressão de Trump é por juros mais baixos a qualquer custo, o mercado começaria a alimentar preocupações sobre uma volta dos riscos inflacionários e, com isso, novas turbulências vão atingir as bolsas e os juros. Em tal cenário, as taxas longas dos títulos americanos podem subir, exigindo prêmio maior do Tesouro dos EUA e das companhias para captar recursos.

Além disso, um presidente do Fed inclinado aos cortes de juros mais amplos não necessariamente implicaria em um dólar mais fraco, se o cenário de desconfiança se enraizar. Ao contrário, a incerteza poderia até levar a uma valorização global da moeda americana. Juros longos mais altos e dólar apreciado são uma combinação ruim para países como o Brasil, porque torna muito mais caro o financiamento externo.

O câmbio é um calcanhar de Aquiles

Mas tem ainda um outro lado da moeda. O Fed tem sinalizado que pode pausar os cortes de juros no início de 2026. O BC dos EUA enfatiza que as reduções atuais têm como objetivo combater o enfraquecimento do mercado de trabalho e evitar um aumento mais forte do desemprego. Por outro lado, os integrantes da autoridade sempre que podem manifestam o incômodo com o nível da inflação corrente ainda longe de sua meta de 2% ao ano.

Se o Fed tomar um rumo visto como mais duro ou hawkish, no jargão do mercado,  o dólar pode voltar a se fortalecer. Srour calcula que, nesse cenário de desvalorização do real frente à moeda americana, pode haver um repasse de cerca de 10% para a inflação brasileira por meio de preços de importados e bens transacionáveis. Ou seja: de cada 1% de inflação no Brasil, 0,10% viria de uma eventual alta da moeda americana.

Um outro fator será o cenário de votação. Conforme a eleição se aproximar no Brasil, alguns tópicos voltam a ganhar força. Srour reforça que o Brasil vai precisar enfrentar a questão fiscal, seja qual governo for eleito.

Com juros reais no maior patamar da história recente, desaceleração do PIB e esgotamento do impulso fiscal dos últimos anos, a trajetória da dívida pode se tornar insustentável sem reformas significativas. O déficit nominal (que conta os gastos do governo com os juros da dívida) alcançou 8,05% do PIB, e a dívida bruta deve fechar 2025 em cerca de 80% do PIB, níveis que elevam o prêmio de risco e deixam o câmbio sensível a choques.

A economista ressalta que qualquer governo eleito terá de apresentar um plano estruturado logo no início do mandato, com medidas impopulares e foco no controle de gastos obrigatórios — não apenas em aumento de arrecadação, que já está no recorde histórico. Se essa sinalização ocorrer ao longo da campanha, o mercado pode reagir de maneira otimista. “Programas críveis de ajuste fiscal geram reação imediata do mercado”, afirma.

2025 termina melhor que o esperado

Apesar dos choques externos, como as tarifas impostas durante o ano, os especialistas do UBS lembram que 2025 vai terminar de maneira bem mais benigna do que se imaginava no início do ano.

A economia global segue surpreendendo positivamente, com comércio internacional resiliente e inflação desacelerando em vários países. Esse ambiente tem ajudado a sustentar o desempenho dos emergentes, inclusive o Brasil, que deve encerrar 2025 com um crescimento do PIB próximo de 2% e inflação em torno de 4,5%, no teto da meta do BC.

O Brasil, portanto, vai navegar em 2026 entre avanços econômicos concretos e desafios estruturais que ainda demandam solução — especialmente no campo fiscal, como sempre.

Ibovespa sobe 1,7% e bate novo recorde com expectativas sobre corte de juros

26 de Novembro de 2025, 16:35

A bolsa brasileira voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira (26). No fim do pregão, o Ibovespa subiu 1,7% a 158.555 pontos, um novo recorde nominal frente aos 158.467 pontos, marcado em 11 de novembro. Já o dólar caiu 0,77% cotado a R$ 5,333.

Lá fora, as bolsas de Nova York também tiveram um dia de alta na véspera de um dos principais feriados americanos, o Dia de Ação de Graças, que acontece na quinta-feira (27). No fim da sessão, S&P 500 subiu 0,69%, o Nasdaq avançou 0,82% e o Dow Jones teve alta de 0,67%.

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Aqui como lá fora, o tom mais otimista vem de uma percepção de que os cortes de juros se aproximam. No caso dos investidores globais, o bom humor e o interesse em buscar mais retorno em ativos e mercados considerados mais arriscados, caso dos emergentes, surgem na esteira da sinalização de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro ainda está sobre a mesa.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas no rumo da política monetária dos EUA, mostra que 84,9% do mercado já considera certa uma redução dessa magnitude nas taxas durante o encontro do Fed entre 9 e 10 de dezembro. Esse percentual era de menos de 40% há duas semanas.

Por aqui, o resultado do IPCA-15 na primeira quinzena de novembro, considerado uma prévia do IPCA “cheio”, mostrou que a inflação no acumulado de 12 meses já entrou dentro da meta do BC, ainda que no topo do intervalo, aos 4,5%.

Outra boa notícia veio do grupo alimentos e bebidas, considerado um dos mais voláteis, que variou apenas 0,09%. Além disso, houve queda nos preços de combustíveis (-0,46%) e nos de energia elétrica (-0,38%). Os dados voltaram a alimentar as expectativas de que o cenário para a retomada dos cortes da Selic está se consolidando.


 

Sinal de corte de juros pelo Fed anima mercados internacionais – mas Brasil não segue a festa

21 de Novembro de 2025, 18:32

A sexta-feira dos mercados começou em clima azedo no exterior. Mas bastou o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, colocar um corte de juros em dezembro no radar dos investidores para o humor mudar radicalmente.

Dá para notar essa mudança de rumo pelo comportamento da ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas nos rumos da política monetária dos EUA. No início da manhã, o monitor mostrava que 39% dos investidores viam como possível um corte de 0,25 ponto percentual nos juros na reunião de 9 a 10 de dezembro do Fed.

Logo após o presidente do Fed de Nova York ponderar ver “espaço para um novo ajuste no curto prazo” em um discurso feito durante um evento em Santiago, no Chile, ainda nas primeiras horas de negócio, o indicador virou o ponteiro para 70% de chance de corte de 0,25 ponto. O FedWatch no fim do dia mostra que 71,7% do mercado acredita na redução dos juros no último mês de 2025.

Williams defendeu um movimento que aproxime a taxa de política monetária do chamado nível neutro, ou seja, aquele que mantém o crescimento sem impulsionar a inflação. Conforme o dirigente do BC americano, o atual patamar entre 3,75% e 4% está “levemente restritivo”.

As bolsas de Nova York vêm de um movimento de venda de ações de tecnologia em meio às preocupações sobre uma potencial bolha de preços de papéis ligados à cadeia de inteligência artificial. Nem mesmo o lucro acima do esperado da Nvidia, principal símbolo das companhias da economia da IA, de US$ 31,9 bilhões no terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira após o fechamento dos mercados, foi suficiente para afastar os temores.

O S&P 500 fechou com alta de 0,98% aos 6.602,96 pontos. O Nasdaq subiu 0,88% para 22.273,08 pontos. Na semana, os indicadores acumularam quedas de, respectivamente, 2% e 2,7%.

O movimento de alta nesta sexta-feira contrastou com a bolsa brasileira. O Ibovespa amargou um recuo de 0,39% para 154.770 pontos. E o dólar registrou alta de 1,18% cotado a R$ 5,4010.

O recuo do índice de ações e a alta da moeda americana refletem a cautela que ainda impera entre os investidores globais. Mesmo após a sinalização do Fed ter recolocado um corte em dezembro no radar do mercado, as preocupações com uma eventual bolha de IA ainda pesam e têm inspirado um posicionamento mais cauteloso dos investidores.

Outro fator que traz cautela para o mercado é o mal-estar entre o governo e o presidente do Senado, David Alcolumbre. A indicação do chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso contrariou o líder da casa legislativa, que apoiava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O presidente do Senado agendou a votação de um “projeto-bomba”, com forte impacto fiscal para a próxima semana. Trata-se do o projeto de lei complementar que confere aposentadoria especial aos agentes de saúde, que pode gerar despesas de até R$ 800 bilhões em 50 anos.

A votação do projeto ocorre em meio aos questionamentos sobre o equilíbrio fiscal do governo. O crescimento do endividamento público pode acelerar diante do esperado aumento de gastos devido às eleições em 2026. Esse avanço da dívida traz um aumento dos prêmios pedidos pelo mercado e pressiona a inflação diante da elevação de recursos injetados na economia.

O desequilíbrio fiscal torna a política monetária menos eficaz e, com isso, o Banco Central pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo tanto para segurar a pressão sobre os preços quanto para evitar uma contaminação das expectativas futuras para a inflação.

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