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Calendário de balanços: o que esperar de Natura, Itaúsa e MBRF na semana

16 de Março de 2026, 07:13

A nova semana de resultados do quarto trimestre de 2025 terá a divulgação de grandes frigoríficos a companhias de infraestrutura.

Entre as gigantes que divulgam os números financeiros nos próximos dias estão Minerva e MBRF, do lado das proteínas animais, e Cemig e Taesa, entre as companhias de energia.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 16/03 a 20/03:

Segunda-feira (16 de março)

Natura (NTCO3)

A retração do consumo ao longo do ano é apontada como um dos riscos no curto prazo. O mercado de beleza no Brasil desacelerou, pressionado por juros altos e menor poder de compra. As vendas da Natura já vinham desacelerando em 2025, inclusive no seu principal mercado. Analistas veem demanda fraca no Brasil e em parte da América Latina como um obstáculo para a recuperação do crescimento após a reestruturação que terminou com a venda das operações da Avon fora da América Latina.

  • Estratégia: a Natura concluiu a venda da Avon Internacional no fim do ano passado, mas manteve a marca na América Latina sob seu guarda-chuva. O foco da companhia para este ano é o projeto “Onda 2”, que integra as forças de vendas da Natura e Avon AL para reduzir custos logísticos e de marketing.
  • Foco regional: após voltar atrás na ambição global, o grupo passou a concentrar os esforços na ampliação dos mercados no Brasil e América Latina, que respondem por cerca de 85% das vendas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend yield em 2026 (consenso): sem consenso

Itaúsa (ITSA3 e ITSA4)

O principal desafio estrutural da holding continua sendo sua concentração no Itaú Unibanco. O banco representa mais de 90% do resultado econômico da Itaúsa. Isso significa que o desempenho da holding está quase totalmente ligado ao ciclo do banco.

  • Estratégia: tem concentrado esforços da gestão de passivos no alongamento de prazos. A holding foca em reduzir custos financeiros para liberar mais caixa para dividendos.
  • Ativos: estratégia da empresa tem sido manter o Itaú Unibanco como principal gerador de lucros, mas ampliando investimentos em empresas não financeiras. O portfólio da holding atual reúne participações na companhia de materiais de construção Dexco, na Alpargatas, que é dona da Havaianas, na companhia de infraestrutura Motiva (ex-CCR), na Aegea Saneamento, na Copa Energia e na NTS, especializada em gás natural.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 16 (ITSA4) e R$ 13,20 (ITSA3). Dividend yield em 2026 (consenso): 10%.

Terça-feira (17 de março)

Taesa (TAEE11)

Analistas apontam preocupação com o aumento da dívida da companhia. O nível de dívida chegou a mais de 4 vezes a métrica de dívida líquida/Ebitda em 2025, acima do nível considerado confortável para transmissoras de 2,5 vezes. Isso pode gerar percepção de risco de execução. A empresa precisa reduzir a alavancagem e aumentar a geração de caixa.

  • Alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda gira em torno de 3,8 vezes. Não precisa de capitalização, mas tem pouco espaço para aumento de investimentos e de custos.
  • Proventos: continua sendo uma das favoritas do mercado. Seus contratos são corrigidos pela inflação, garantindo um rendimento real constante.
  • Estratégia: o endividamento tem crescido justamente devido ao momento de investimento em novas concessões, que são feitos por meio de dívidas antes de começarem a gerar caixa.
  • O que monitorar: Precisa ser agressiva em novos leilões de transmissão para repor a receita de concessões que vencerão nos próximos anos.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 37,70. Dividend yield em 2026 (consenso): 8%

Quarta-feira (18 de março)

Minerva (BEEF3)

Analistas projetam que 2026 deve ser um período mais difícil para o ciclo da carne bovina, que pode ficar negativo na oferta e demanda, com margens pressionadas em parte da cadeia. A Minerva, por sua vez, é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado externo. Mudanças nas cotas de importação da China podem impactar preços e demanda.

  • Alavancagem: saltou com a compra de ativos da Marfrig na Argentina por R$ 7,5 bilhões. O nível de endividamento medido pela relação entre dívida líquida e ebitda subiu para 2,5 vezes no terceiro trimestre de 2025, patamar que acende uma luz amarela.
  • Estratégias: reduzir despesas financeiras pesadas por meio geração de caixa operacional. Foco em vender estoque e integrar rapidamente as plantas adquiridas da Marfrig na Argentina para capturar margem.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 7,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 3,80%.

MBRF (BRFS3)

O principal desafio é integrar as operações da Marfrig e da BRF, após a fusão que resultou na MBRF, concretizada em setembro de 2025. O sucesso da nova empresa depende em parte da captura de sinergias operacionais. Analistas estimam sinergias potenciais de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A fusão criou uma companhia com maior complexidade operacional, mas presença global e forte atuação em todas as áreas de proteína animal.

  • Estratégia: Programa “BRF+”, focado em eficiência fabril e redução de desperdícios de grãos. Em termos de endividamento, a companhia vive uma situação confortável com o nível medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 1 vez – o mercado enxerga como patamares saudáveis múltiplos abaixo de 2 vezes.
  • Mercados internacionais: a criação da Sadia Halal, no fim de 2025, é uma sociedade entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do PIF – o maior fundo soberano do mundo – estruturada para atender o mercado de alimentos halal da Arábia Saudita e do Golfo.
  • Ativos: Pode buscar aquisições pontuais no mercado de “pet food” ou produtos processados de maior valor agregado.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,80. Dividend yield em 2026 (consenso): 33%.

Quinta-feira (19 de março)

Cemig (CMIG3 e CMIG4)

Controlada pelo governo de Minas Gerais, a Cemig tem o risco político associado ao acionista como um fator relevante para o rating de crédito e a avaliação da empresa. A migração de consumidores para a geração distribuída e o mercado livre pode afetar o segmento de distribuição no médio e longo prazos. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 7 bilhões em 2026 para expansão e modernização.

  • Estratégia: foco atual está no investimento em distribuição para aumentar a base de ativos remunerados pela Aneel. Apesar disso, a empresa tem um perfil de dívida bem alongado e baixo custo.
  • Desinvestimentos: Estratégia de venda de ativos considerados como não essenciais, como participações em gasodutos ou usinas menores para concentrar capital na transmissão e distribuição.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 12 (CMIG4) e R$ 15,70 (CMIG3). Dividend yield em 2026 (consenso): 11% a 14%.

MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

8 de Março de 2026, 17:28

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

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