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Heineken nomeia brasileiro Rafael Oliveira como primeiro CEO externo de sua história

23 de Junho de 2026, 08:26

A Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo diretor-presidente (CEO), enquanto a cervejaria holandesa rompe com sua tradição ao contratar um executivo de fora da empresa para tentar reverter a queda na demanda.

Oliveira, de 51 anos, deixará o cargo de CEO da empresa de café JDE Peet’s NV para assumir a liderança da Heineken em 1º de outubro, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Ele deixa a companhia após menos de dois anos no comando e em meio aos planos da Keurig Dr Pepper Inc., que concluiu a aquisição da JDE Peet’s em abril, de separar o negócio de café como uma empresa independente até o início de 2027.

As ações da Heineken chegaram a subir 3,2% em Amsterdã. Nos 12 meses encerrados no fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam queda de 5,4%.

A mudança na gestão da Heineken ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink no fim de maio, depois de seis anos à frente da companhia e mais de 28 anos de carreira dentro da cervejaria. Controlada por uma família, a empresa nunca havia nomeado um executivo externo para o cargo de CEO. No entanto, enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos diante das restrições orçamentárias.

Em abril, a companhia informou queda no volume de cerveja vendido no primeiro trimestre, com recuo da demanda em mercados estratégicos da Europa e das Américas. A empresa ficou atrás de concorrentes como a Anheuser-Busch InBev e a Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração observada no período pós-pandemia.

Redução de custos

A Heineken está no meio de um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global. A companhia já afirmou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações jovens e o aumento da renda vêm impulsionando as vendas.

Antes da JDE Peet’s, Oliveira passou uma década na Kraft Heinz, chegando ao cargo de presidente dos mercados internacionais. Nessa função, supervisionou um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído entre Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Oliveira também trabalhou durante dez anos no Goldman Sachs, como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e da unidade de mercados emergentes em Hong Kong. Iniciou sua carreira no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Possui MBA pela University of Chicago.

Ele tem um histórico de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, escreveram os analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, em relatório. Segundo eles, a nomeação deve reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação, alocação mais eficiente de recursos e na implementação do plano da empresa para gerar até € 500 milhões em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo CEO para sua divisão de café. A presidente do conselho da companhia, Pamela Patsley, também presidente do comitê de nomeação e governança, liderará o processo de seleção.

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Ambev estima ter tirado a liderança da Heineken no segmento premium – pela 1º vez em 10 anos

30 de Outubro de 2025, 05:10

Depois de uma década, a Ambev voltou à liderança do segmento premium, que reúne os rótulos mais caros de cerveja. No terceiro trimestre de 2025, esse segmento – representado na companhia por Original, Stella Artois, Corona, Becks e Spaten – cresceu 15% na base anual, marcando o 18º trimestre consecutivo de alta.

Além das cervejas premium, a Ambev afirma que seu portfólio zero-álcool, de baixas calorias e sem glúten cresceu 65%. No caso das cervejas sem álcool, como Corona Cero e Budweiser Zero, as vendas foram 20% maiores na comparação anual.

De acordo com as estimativas da companhia, o portfólio premium e super premium da Ambev alcançou o maior nível de participação desde 2015, atingindo quase 50% de share do segmento – o bastante para tirar a Heineken da liderança. O desempenho foi impulsionado por Corona, Original e a família Stella Artois.

O resultado no mercado brasileiro ajudou a companhia a registrar um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, 7,9% acima do mesmo período de 2024 e superando as estimativas dos analistas de mercado. A receita ficou 1,2% maior. No trimestre, o Ebitda consolidado da Ambev cresceu 2,9%, para R$ 7,3 bilhões. A margem cresceu 0,5 ponto percentual e chegou a 33,9%.

Heineken patina

O resultado vem após um terceiro trimestre mais duro da Heineken. No período, o grupo holandês reportou uma queda de dois dígitos no volumes de cerveja (algo em torno de 15%), cerca de o dobro do recuo registrado pela dona da Brahma. A receita do grupo Heineken caiu dois dígitos baixos (algo em torno de 10%).

Segundo a empresa, o repasse de preços feito em julho motivou os clientes a anteciparem compras e reforçarem estoques. No segundo trimestre, quando a Ambev tinha feito reajustes, a holandesa se saiu melhor nas vendas.

A disputa das duas líderes de mercado se acirrou justamente no segmento premium, que ainda cresce num momento em que o mercado de cerveja patina. A Ambev seguiu com a estratégia de reforçar o portfólio com diversas opções de rótulos. Mais recentemente, o grupo Heineken, que há anos concentra seus esforços nas marcas Heineken e Amstel, passou a destinar mais investimentos também à Eisenbahn.

O principal campo de batalha tem sido no canal off-trade, como são chamados os bares e restaurantes. Em seu relatório de resultado, a Heineken afirma que ganhou mercado nas vendas no varejo, ou seja, em supermercados, atacarejos e distribuidores. Mas esse é o canal onde as margens são menores.

No começo de outubro, como antecipou o InvestNews, a Heineken voltou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para questionar contratos de exclusividade com bares firmados pela líder Ambev.

Em 2022, a própria Heineken levou ao Cade uma contestação contra os acordos de exclusividade da Ambev nesses pontos de venda. Em 2024, o órgão antitruste estabeleceu novas regras para limitar a prática, entendendo que havia risco de prejudicar a concorrência. A Ambev nega que não cumpra os acordos.

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