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Na Berkshire, conselheiros ganham só US$ 3 mil por ano e bônus em ações não existem. Por quê?

16 de Março de 2026, 19:16

Quando se trata de governança corporativa, a Berkshire Hathaway é um retorno aos anos 1960 — e um caso praticamente único entre as grandes empresas americanas.

Isso ficou evidente no proxy statement de 2026 divulgado pela companhia na noite de sexta-feira. O documento mostrou que praticamente nada na forma como a empresa é administrada deve mudar sob o comando do CEO Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett no início de 2026.

O relatório reflete a filosofia de governança de Buffett, que controla a empresa desde 1965.

A Berkshire não concede remuneração em ações a executivos — ou a qualquer funcionário, aliás — e chega a afirmar que “nunca pretende” fazê-lo. Todos recebem em dinheiro. O salário de Buffett foi de US$ 100 mil em 2025, exatamente o mesmo valor que ele recebe há décadas. Já Abel e o chefe da divisão de seguros, Ajit Jain, receberam US$ 22 milhões cada, pagos integralmente em dinheiro.

Isso significa que não há espaço para os jogos financeiros comuns na indústria de software, onde a remuneração em ações — considerada despesa pelas normas contábeis GAAP — é frequentemente adicionada de volta ao lucro em cálculos de “lucro ajustado” questionáveis. Buffett sempre foi um crítico dessa prática.

A remuneração dos conselheiros da Berkshire também parece saída dos anos 1960. Os membros do conselho recebem US$ 900 por reunião presencial e US$ 300 por reunião telefônica. A maioria dos conselheiros ganhou US$ 3 mil no ano passado (foram quatro reuniões) ou US$ 7 mil no caso dos integrantes do comitê de auditoria, que recebem um adicional de US$ 1 mil por trimestre.

Warren Buffett – Ilustração: The Wall Street Journal

Nas empresas do índice S&P 500, em comparação, a remuneração média de um conselheiros ultrapassa US$ 250 mil por ano.

Fazer parte do conselho da Berkshire provavelmente traz mais prestígio do que o de qualquer outra grande empresa.

conselheiros como o gestor de investimentos Chris Davis já disseram que o cargo representa uma espécie de “confiança pública” e honra, considerando o enorme número de acionistas da companhia — perto de três milhões — e o esforço do conselho para preservar a cultura singular da empresa.

Ao contrário de praticamente todas as grandes companhias, a Berkshire não oferece seguro para conselheiros e executivos (D&O insurance). Isso significa que os conselheiros assumem riscos financeiros ao ocupar o cargo — embora muitos acreditem que a empresa os apoiaria em caso de processos movidos por acionistas.

A Berkshire também não utiliza fórmulas complexas de remuneração para executivos, como fazem a maioria das grandes empresas com instrumentos como bônus baseados em tempo ou em desempenho.

Em 2025, Buffett foi responsável por definir a remuneração dos principais executivos. O proxy afirma que ele tomou a decisão de forma “subjetiva”, com base em sua avaliação do desempenho deles e em outros fatores.

A Berkshire não utiliza consultores de remuneração. Buffett detesta esse tipo de serviço — e o mesmo acontecia com o vice-presidente histórico da companhia, Charlie Munger. Ambos afirmavam que esses consultores prejudicam os acionistas ao inflar os salários de executivos. Munger, que morreu em 2023, chegou a dizer que preferiria “jogar uma cobra venenosa dentro da camisa” a contratar um consultor desse tipo.

No início desta década, a Berkshire pareceu desconectada ao se recusar a considerar diversidade na escolha de membros do conselho. Hoje, porém, essa posição parece ter sido visionária, diante da reação contra políticas de DEI (diversidade, equidade e inclusão) que se espalhou por empresas americanas. A companhia afirma que não considera “diversidade, seja qual for a definição”.

Segundo a Berkshire, o perfil buscado em um conselheiro é de “pessoas com altíssimo nível de integridade, visão de negócios, mentalidade de dono, interesse genuíno pela empresa e que tenham mantido um investimento significativo em ações da Berkshire por pelo menos três anos.”

Parece que os conselheiros seguem essa última exigência de participação relevante em ações.

A conselheira Susan Decker, que está no conselho desde 2007, possui a menor participação entre os 13 membros: cerca de US$ 1,5 milhão em ações.

O conselheiro Howard Buffett, um dos dois filhos de Warren Buffett, possui cerca de US$ 8 milhões em papéis. Howard, de 71 anos, deve se tornar presidente do conselho após a morte do pai, hoje com 95 anos.

Foto de Greg Abel, um homem alto careca que está com um casaco azul escuro
Greg Abel, sucessor de Warren Buffett – Foto: Getty Images/Kevin Dietsch

A irmã dele, Susan Buffett, de 72 anos, também conselheira, possui cerca de US$ 17 milhões em ações.

O conselho da Berkshire já foi criticado por avaliadores externos por uma suposta falta de independência, já que Warren Buffett exerce grande influência sobre ele.

Outro ponto criticado é a idade média do conselho: todos os membros têm mais de 60 anos. Consultores também apontam como problema o longo tempo de mandato de vários conselheiros, algo que poderia gerar “entrincheiramento”.

A maioria dos acionistas da Berkshire, porém, provavelmente está muito satisfeita com o conselho e com a forma como a empresa opera.

A participação de Warren Buffett na companhia — cerca de 196 mil ações Classe A, além de uma pequena quantidade de ações Classe B — vale aproximadamente US$ 146 bilhões, com o papel Classe A sendo negociado por volta de US$ 745 mil nesta segunda-feira.

Isso representa 13,7% de participação econômica e 30,2% do poder de voto, já que as ações Classe A possuem direitos de voto superiores às Classe B.

O proxy da Berkshire também se destaca pela simplicidade: menos de 20 páginas, contra os documentos de mais de 100 páginas que a maioria das grandes empresas costuma publicar.

Abel, novo CEO da Berkshire, promete usar todo o salário para comprar ações da empresa

5 de Março de 2026, 10:46

A Berkshire Hathaway teve seu CEO, Greg Abel, afirmando que usará todo o seu salário líquido para comprar ações do conglomerado enquanto permanecer no cargo.

Com esse objetivo, Abel comprou nesta semana cerca de US$ 15,3 milhões em ações da empresa, segundo um documento regulatório. Ele disse que seu compromisso de continuar fazendo isso após a divulgação dos resultados anuais da companhia a cada ano deve resultar em “centenas de milhões” de dólares em recompras de ações ao longo de sua carreira.

A Berkshire também retomou na quarta-feira (4) o programa de recompra de ações. Em entrevista à CNBC, Abel afirmou que a decisão veio após executivos concluírem que o chamado “valor intrínseco” das ações estava acima do preço pelo qual elas vinham sendo negociadas no mercado.

As ações da Berkshire haviam caído no início da semana depois que a empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre no sábado. O lucro operacional caiu 30% no período, impulsionado por uma queda de 54% no resultado de subscrição de seguros.

Os acionistas vinham analisando esses números em busca de sinais sobre como Abel conduziria a política de recompra de ações, já que o conglomerado havia deixado de realizar recompras por seis trimestres consecutivos.

Em sua primeira carta anual aos investidores na semana passada, Abel reafirmou a política de retorno ao acionista da Berkshire, descartando praticamente a possibilidade de pagamento de dividendos.

“Mantivemos a posição de que vamos reter um dólar se enxergarmos a oportunidade de criar mais de um dólar para nossos acionistas — e esse sempre foi o teste”, disse Abel. “Se não atendêssemos a esse critério, pagaríamos dividendos.”

A decisão de retomar as recompras não impedirá a Berkshire de buscar outras formas de usar sua enorme reserva de caixa, de US$ 373 bilhões, acrescentou Abel.

“Também existe a questão: ‘Devemos comprar ações?’ E, quando olhamos para empresas: ‘Devemos adquirir empresas inteiras?’ E ainda há ‘Devemos comprar participações acionárias?’”, afirmou. “Cada uma dessas opções, com o capital que temos, pode ser executada de forma independente. Portanto, quando estamos recomprando nossas ações, isso não tira espaço de nenhuma das outras decisões.”

Berkshire de Buffett prepara maior aquisição desde 2022: uma petroquímica de US$ 10 bilhões

30 de Setembro de 2025, 18:32

A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, está perto de fechar seu maior negócio desde 2022. O alvo é a divisão petroquímica da Occidental Petroleum, a OxyChem, em uma transação estimada em cerca de US$ 10 bilhões, segundo apuração do The Wall Street Journal.

A Occidental é investida da Berkshire desde 2019, quando Buffett entrou na companhia. Hoje, o conglomerado é o maior acionista da petroleira, avaliada em cerca de US$ 46 bilhões.

A OxyChem fabrica produtos químicos usados na cloração de água, reciclagem de baterias e produção de papel, e registrou US$ 5 bilhões em receita nos 12 meses encerrados em junho. 

Se confirmada, a compra marcaria a segunda grande aposta da Berkshire no setor químico — a primeira foi em 2011, com a aquisição da Lubrizol por quase US$ 10 bilhões. O último grande negócio do grupo havia sido a compra da seguradora Alleghany, em 2022, por US$ 11,6 bilhões.

Para a Occidental, a venda se insere em um programa de desinvestimentos voltado a reduzir endividamento. Em agosto, a empresa informou já ter quitado US$ 7,5 bilhões em dívidas.

Enquanto isso, a Berkshire acumulava uma montanha de liquidez: no fim de junho, detinha US$ 344 bilhões em caixa e Treasuries, o que tem levado investidores a cobrar novos movimentos de alocação de capital.

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