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Gafisa adia balanço do 2º trimestre em meio a crise entre acionistas

13 de Agosto de 2026, 10:19

A Gafisa informou nesta quinta-feira (13) que adiou a divulgação das informações financeiras referentes ao segundo trimestre de 2026. Segundo a companhia, a nova previsão é publicar os resultados até 31 de agosto.

O adiamento ocorreu após a BDO Auditores Independentes, responsável pela auditoria independente da Gafisa, solicitar prazo adicional para concluir os procedimentos de auditoria.

De acordo com a incorporadora, a extensão do prazo tem como objetivo assegurar a consistência, a completude e a qualidade das informações que serão divulgadas ao mercado.

Com o novo cronograma, a teleconferência para apresentação dos resultados do segundo trimestre está prevista para 1º de setembro. A Gafisa informou que reapresentou nesta quinta-feira seu Calendário de Eventos Corporativos com as novas datas.

A companhia disse ainda que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre o assunto, conforme a regulamentação aplicável.

Crise entre acionistas

O adiamento ocorre em meio a mais um episódio de disputa entre acionistas da Gafisa. Em assembleia geral extraordinária realizada em 16 de julho, um grupo de acionistas minoritários tentou ampliar o conselho de administração de três para cinco membros e destituir todo o conselho fiscal. As duas propostas, porém, foram rejeitadas.

O grupo questiona um aumento de capital realizado recentemente pela companhia. O episódio se soma ao histórico de conflitos na governança da Gafisa, que remonta a 2018, quando o fundo sul-coreano GWI, do investidor Mu Hak You, assumiu o controle da incorporadora em uma disputa hostil, destituiu o conselho de administração e passou a comandar a empresa.

A gestão da GWI foi marcada por uma forte redução da estrutura da companhia. Em fevereiro de 2019, a posição do fundo, montada de forma alavancada, ruiu, e parte de suas ações foi levada a leilão na B3.

No mesmo ano, o empresário Nelson Tanure surgiu como acionista de referência da Gafisa e entrou no conselho de administração em abril, ao lado de fundos da MAM Asset, gestora ligada ao Banco Master. Tanure deixou formalmente o conselho em 2023 e atualmente teria uma participação pequena na companhia.

Hoje, as maiores posições acionárias da Gafisa estão concentradas em fundos das gestoras GERF e Ravello, que, juntas, detêm quase 40% das ações. A presidência do conselho de administração é ocupada por Eduardo Larangeira Jácome, que também teve passagem pelo conselho da Prio, empresa que esteve entre os principais investimentos de Tanure na última década.

Entre uma crise após a outra, Gafisa vende hotel e shoppings no Rio

20 de Julho de 2026, 13:13

Em meio a uma crise de liquidez e uma governança turbulenta, a construtora Gafisa fechou a venda três dos ativos mais conhecidos de seu portfólio no Rio de Janeiro: o Hotel Praia Ipanema, o Fashion Mall e o Shopping Jardim Guadalupe. O valor do negócio não foi divulgado.

Os ativos vendidos passarão a ser controlados pela Glória Participações, dos empresários Raphael Galhano e Daniel Pierro, conforme noticiou o portal Metro Quadrado. Segundo a reportagem, o plano inclui reposicionar o Praia Ipanema, fechado desde 2023, como hotel de luxo sob nova bandeira, e erguer torres residenciais sobre a estrutura do Fashion Mall, que segue operando como shopping.

De acordo com dados mais recentes, referentes ao primeiro trimestre deste ano, a Gafisa tem R$ 1,32 bilhão em dívida líquida, sendo que R$ 672 milhões vencem até dezembro. Por isso, a construtora vem buscando alternativas para melhorar sua estrutura de capital.

A alavancagem da construtora, medida pela dívida líquida sobre patrimônio líquido, saiu de 57,7% no quarto trimestre de 2024 para 86% no primeiro trimestre de 2026. Na comparação anual, as vendas brutas do primeiro trimestre de 2026 caíram 88% frente ao mesmo período de 2025.

É a segunda rodada de venda de ativos da Gafisa em menos de um ano: no primeiro trimestre, a companhia já havia vendido o Sense Icaraí, em Niterói, sob a mesma justificativa de reduzir passivos e concentrar o portfólio em alto padrão.

Em declarações recente, o comando da Gafisa defende que a alavancagem deve cair à medida que os projetos em construção forem entregues e repassados a financiamento bancário. Em teleconferência recente, o CEO Luis Fernando Ortiz afirmou esperar um corte de 48% na dívida total até o fim do ano.

Crise atrás de crise

A venda ocorre dias depois de a Gafisa viver mais uma crise entre acionistas. Em assembleia geral extraordinária de acionistas realizada na última quinta-feira (16), um grupo de minoritários tentou ampliar o conselho de administração de três para cinco membros e destituir todo o conselho fiscal, mas as duas propostas foram rejeitadas. Esse grupo questiona um aumento de capital promovido recentemente pela empresa.

O episódio é mais um capítulo de uma governança turbulenta que remonta a 2018, quando o fundo sul-coreano GWI, do investidor Mu Hak You, tomou o controle da Gafisa em uma disputa hostil, destituiu o conselho e assumiu a gestão da companhia. 

O período é lembrado como desastroso: a nova diretoria demitiu metade do quadro de funcionários e chegou a desconhecer práticas contábeis básicas do setor imobiliário, segundo relatos da época. A posição da GWI, montada de forma alavancada, ruiu em fevereiro de 2019, e parte das ações do fundo foi a leilão na B3. 

Foi nesse vácuo que o empresário Nelson Tanure emergiu como acionista de referência da companhia, entrando no conselho de administração em abril daquele ano, junto a fundos da MAM Asset, a gestora do Banco Master.

Tanure deixou o conselho formalmente em 2023 e hoje teria uma participação pequena no negócio. Hoje, as maiores posições acionárias são de fundos das gestoras GERF e Ravello, com quase 40% das ações. 

A presidência do conselho é de Eduardo Larangeira Jácome, executivo com passagem pelo board da Prio, um dos principais investimentos de Tanure na última década. 

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