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5 maneiras de economizar e fugir de armadilhas pega-turista na França, segundo uma francesa

14 de Março de 2026, 16:54

A França é o país mais visitado do mundo: recebe 100 milhões de turistas por ano.

Muitos deles se depararam com atrações lotadas, restaurantes caros e garçons mal-humorados em Paris. Mas não precisa ser assim. Sou francesa, e escrevo este artigo para ajudar os visitantes a escapar das armadilhas pega-turista.

De bairros em ascensão em Paris com restaurantes mais acessíveis a praias sem os preços absurdos da Riviera, aqui estão cinco dicas para visitar a França como um francês de verdade.

A França é muito mais do que Paris

Se você quer uma experiência francesa encantadora e sem gastar uma fortuna, comece saindo da cidade mais famosa do país.

Lembro do choque que levei em 2007 quando me mudei de Paris – minha cidade natal – para Toulouse, no sudoeste da França, para terminar o ensino médio: o clima era melhor, os garçons eram mais simpáticos e tudo custava mais ou menos a metade do que se pagava em Paris.

E não é só Toulouse. Todo o sudoeste, incluindo cidades como Bordeaux e Biarritz, oferece gastronomia incrível, ótimos roteiros de vinícolas e praias de areia fina – sem a multidão e os preços salgados da Riviera.

Se quiser curtir a França de um jeito genuíno, esqueça o boné e a clássica camiseta listrada azul-e-branca. Em vez disso, mergulhe nos festivais de música, arte e teatro que animam o país durante o verão europeu.

Os concertos ao ar livre de piano clássico em La Roque d’Anthéron, na Provença, têm ingressos entre €40 e €65. O festival de fotografia de Arles é reconhecido mundialmente e custa €32 por dia.

No Festival d’Avignon, também na Provença, os ingressos variam de €10 a €40 por espetáculo. O francês é essencial em algumas peças, mas há muitos shows de música e dança para quem não fala o idioma.

Adoro a Bretanha no verão, especialmente a ponta oeste chamada Finistère. Dá para fazer stand-up paddle por €12 a hora em Audierne ou uma aula de surfe de uma hora e meia por €45.

Bon appétit

Sejamos honestos: você vem para a França pela comida. Eu também.

Mas também quero evitar o famoso garçom grosseiro parisiense. Para isso, fico longe dos bistrôs em bairros chiques, que cobram caro e muitas vezes servem comida medíocre.

Restaurantes jovens e descolados em Paris, como Paloma ou Ober Mamma, costumam ser mais gostosos e mais baratos – especialmente nos bairros em alta do 18º, 19º e 20º arrondissements. E o atendimento é bem mais agradável.

Os menus de preço fixo servidos no almoço costumam ser ótimos negócios. Fotos dos pratos no cardápio são sinal claro de que o lugar é voltado para turistas. Se alguém estiver na calçada tentando te convencer a entrar, também é um alerta vermelho.

Gosto muito do bairro de Ménilmontant, em Paris, logo ao norte do Cemitério Père Lachaise, onde Jim Morrison está enterrado. Por lá, o restaurante Coup de Tête oferece refeições com entrada e prato principal, ou prato principal e sobremesa, por apenas €19,50.

Lembre-se: gorjeta na França não é obrigatória. Se o serviço for bom, deixar alguns euros na mesa é um gesto gentil, mas ninguém vai te julgar se não deixar nada. E ao contrário do que acontece nos EUA, o preço do cardápio já inclui todos os impostos. Se você for a um restaurante com prato a €19,50, é isso que você paga – um bife de vitela com arroz e um crème brûlée por cerca de R$ 120 na cotação atual.

Uma dica valiosa: procure restaurantes ao redor de feiras livres. Passe pelo Marché des Enfants Rouges, no 3º arrondissement de Paris, para comer ostras frescas e uma tábua de queijos, ou pelo Marché des Carmes em Toulouse para saborear costeletas de cordeiro e vieiras fritas.

Hospede-se onde os franceses se hospedam

Em Paris, em vez de um hotel próximo à Catedral de Notre-Dame ou à Torre Eiffel, procure opções perto do Canal Saint-Martin, da Rue de Bretagne ou do bairro de Gobelins – muito mais em conta.

Evite a alta temporada: de outubro a abril os preços são mais baixos, exceto no período de Natal.

Ao viajar pelo interior da França, prefira os “gîtes” ou “chambres d’hôtes” – as famosas pousadas locais. Você terá uma experiência muito mais autêntica com os franceses e pagará menos. É possível encontrar essas acomodações em plataformas como a Amivac, com diárias a partir de €31.

Aproveite as liquidações

Se for comprar itens de maior valor, como roupas ou bolsas de grife, peça o formulário de reembolso do IVA (imposto sobre valor agregado). Você pode entregá-lo no aeroporto na hora de embarcar de volta e recuperar os 20% de imposto que pagou.

Dá para achar boas pechinchas em feiras de antiguidades e brechós. A La Shoperie, perto de Oberkampf em Paris, é uma boa pedida para roupas vintage de luxo.

Você também pode planejar a viagem em torno das liquidações de verão, entre o fim de junho e o fim de julho. Le Bon Marché, uma loja de luxo no 7º arrondissement de Paris, realiza liquidações de duas semanas tanto em março quanto em outubro, chamadas de dias “Très Bon Marché”.

Use trem, óbvio

Os trens da França são rápidos e chegam praticamente a qualquer lugar. Para pagar menos, compre diretamente no site oficial da SNCF e não em agências de viagem online.

Compre com antecedência para garantir as tarifas mais baixas: às vezes é possível comprar passagens com até seis meses de antecedência.

Prefira os trens OUIGO ao invés dos TGVs para economizar. São igualmente rápidos, mas cobram pelos extras: €3 pelo Wi-Fi e €5 para escolher o assento. Uma passagem de ida e volta de Paris a Lyon pela OUIGO sai por cerca de US$ 77, enquanto o TGV no mesmo trajeto custa US$ 111.

Os TERs — trens regionais que atendem a maioria das cidades do interior – também costumam ser mais baratos. Os bilhetes podem ser comprados no site da SNCF ou em qualquer estação.

Bem, mes amis, são essas as minhas dicas para curtir a França de verdade. Bah, oui! – é bem provável que você encontre um garçom mal-humorado em algum momento. Encare com bom humor: faz parte da experiência. E para consolar: eles são igualmente grosseiros com os próprios franceses.

Por Alice Kantor

Shein quer abrir lojas permanentes em Paris, mas vai ter de lidar com oposição

1 de Outubro de 2025, 18:16


A plataforma online de fast fashion Shein planeja abrir seis lojas permanentes na França, começando justamente por Paris, a capital da moda — mas não sem enfrentar resistência. O plano para abrir lojas físicas em cidades regionais francesas dentro de unidades que carregam o nome Galeries Lafayette.

Em setembro, a companhia já havia testado o formato físico com uma loja temporária (pop-up) no bairro do Marais, na capital, com o conceito “Style Hunt” — em que peças eram organizadas por estilos associados a bairros parisienses. Por aqui, no Brasil, a varejista também testou o modelo de lojas temporárias em diversas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia.

A Galeries Lafayette vendeu essas lojas em 2021 para a Société des Grands Magasins (SGM), que manteve o direito de usar o nome do varejista francês.

Fundada na China e hoje sediada em Singapura, a Shein Group Ltd. virou um fenômeno do varejo online e das redes sociais, enviando roupas baratas para clientes em todo o mundo. A Société des Grands Magasins disse nesta quarta-feira (01) que a Shein havia concordado em abrir lojas dentro das unidades Galeries Lafayette da SGM em Dijon, Grenoble, Reims, Limoges e Angers.

No entanto, a tradicional Galeries Lafayette afirmou que não compartilha os “valores” da Shein e que impedirá a abertura dessas lojas, alegando que a medida violaria as obrigações contratuais da SGM. Fundada no fim do século XIX, a Galeries Lafayette é mais conhecida por sua loja de departamentos em Paris, próxima à Ópera Garnier.

Shein
Companhia chegou a abrir lojas temporárias no Brasil

Em resposta, a SGM disse que seus planos estão em conformidade com as condições do acordo com a Galeries Lafayette. Fundada em 2018 por Frédéric e Maryline Merlin, a SGM é uma empresa francesa de imóveis e operadora de lojas de departamento.

A primeira inauguração física da Shein está prevista para novembro, na loja de departamentos BHV Marais, da SGM, no centro de Paris.

“Juntas, SGM e Shein buscam atrair um público mais jovem e conectado, ao mesmo tempo em que preservam o DNA histórico das lojas de departamento”, disseram as empresas em comunicado conjunto, acrescentando que as iniciativas criarão 200 empregos diretos e indiretos na França.

A abertura planejada das lojas da Shein no país demonstra uma “falta de respeito” com os clientes fiéis do BHV e da Galeries Lafayette e enfraquecerá a imagem da moda francesa, afirmou em comunicado separado Yann Rivoallan, presidente da Federação Francesa de Prêt-à-Porter Feminino.

A entrada física da Shein também acontece em meio a um ambiente regulatório mais hostil: a França discute medidas para frear o modelo de “ultra fast fashion”, em razão de seu impacto ambiental e social. A empresa também está sob escrutínio de órgãos como o ponto de contato da OCDE no país, que acompanha denúncias relacionadas a condições de trabalho em sua cadeia de fornecimento.

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