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Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

16 de Março de 2026, 07:43

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Mercados hoje: inflação global volta ao centro das atenções com petróleo acima de US$ 100 e dados do PCE nos EUA

13 de Março de 2026, 07:36

Bom dia!

A sexta-feira (13) começa com o mercado fazendo contas. A inflação segue como uma das principais preocupações. Todos querem entender qual será o impacto sobre os preços de diversos setores globais, se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por mais tempo. As incertezas em torno da Guerra no Irã reforçam o dólar globalmente. Nesta sexta-feira, sai um dado visto como um dos mais importantes para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a poucos dias da decisão sobre juros: os números da inflação pelo PCE, a medida preferida do BC dos EUA. Por aqui, a combinação é parecida, mas com sotaque local: governo tentando amortecer o impacto da guerra sobre o diesel e evitar uma potencial greve de caminhoneiros, além, é claro, de aliviar o peso sobre a inflação.

Enquanto você dormia…

  • O humor lá fora segue cauteloso: ninguém está em pânico, mas também não parece disposto a bancar qualquer aposta sobre os rumos da Guerra no Irã e os impactos sobre a inflação. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York seguem em leve alta: o S&P 500 futuro sobe +0,10% e o Nasdaq futuro avança +0,08%.
  • Na Europa, as bolsas caminham para a segunda semana seguida no vermelho. O Stoxx 600 cai -0,31%.
  • Na Ásia, o tom também foi negativo, com o petróleo acima de US$ 100, reacendendo o medo de inflação. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -1,16%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou -0,98%.
  • O índice dólar (DXY) ultrapassa a marca dos 100 pontos, com alta de +0,48% a 100,15 pontos. O petróleo Brent segue em alta de +0,36% cotado aUS$ 100,83 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos alcança 4,271% ao ano, mas seguem estáveis.

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Destaques do dia

  • Brasília tenta segurar o diesel enquanto o petróleo esquenta: o barril da commodity voltou a operar acima de US$ 100 nesta sexta-feira, mas passou a recuar após os EUA liberarem parte do petróleo russo de sanções tomadas na guerra contra a Ucrânia.
  • O preço do Brent segue próximo dos três dígitos acima de US$ 99 o barril. O problema é que o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda permanece apesar do discurso de vitória do governo americano.
  • Por aqui, o governo brasileiro anunciou um pacote que incluiu zerar PIS/Cofins do diesel, criar subvenção para importadores e produtores e cobrar imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre exportações de diesel. A equipe econômica estima alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas.
  • E daí? Para a bolsa local, o tema deixa Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e demais exportadoras de óleo no radar por causa do imposto, enquanto transporte e agro tendem a acompanhar de perto o efeito real do diesel mais barato na cadeia.

Giro pelo mundo

  • PCE na vitrine: o dado de inflação preferido do Fed mostra a inflação acima da meta de 2% ao ano. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • Petróleo manda no humor: com o Brent perto de US$ 100, o mercado reduz apostas de cortes de juros diante da pressão inflacionária.

Giro pelo Brasil

  • Diesel no centro da mesa: governo zerou PIS/Cofins e anunciou subvenção para tentar segurar a alta nas bombas para o diesel. No total, a previsão é de que haverá um alívio de R$ 0,64 por litro no preço do combustível.
  • Conta do pacote: a compensação vem com imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre diesel.

Giro corporativo

  • Sabesp amplia posição: a companhia comprou por R$ 171,6 milhões uma fatia de 23,17% das ações ordinárias da Emae que pertenciam ao fundo Oceania, ligada ao controlador da Ambipar, Tercio Borleghi Jr, com liquidação prevista para esta sexta-feira.
  • Gol muda de altitude: a aérea anunciou cinco Airbus A330, classe executiva e expansão internacional via Galeão, mirando elevar a fatia internacional de 17% para 25% até 2029.
  • Raízen ganha fôlego: a Justiça aceitou a recuperação extrajudicial da companhia para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas e suspendeu cobranças por até 180 dias.

Agenda do dia

  • 09:00: Pesquisa Mensal de Serviços de janeiro — Brasil. Ajuda a medir o pulso da atividade. (Consenso: +0,1% mês; +2,8% ano)
  • 09:30: PCE de janeiro — EUA. É a inflação que o Fed mais acompanha. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • 09:30: PIB do 4º trimestre — EUA. Termômetro do crescimento. O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre de 2025, bem abaixo das estimativas de +1,4%.
  • 09:30: Bens duráveis de janeiro — EUA. Sinal de investimento industrial. (Consenso: +1,2%)
  • 10:30: Fazenda detalha impactos do conflito no Oriente Médio — Brasil. Importa para inflação, combustíveis e fiscal.
  • 11:00: JOLTS e confiança do consumidor — EUA. Mais duas peças para o quebra-cabeça da economia americana. (Consenso: 6,7 mi e 55,0)

Ótima sexta-feira e bons negócios!

Mercados hoje: investidores mantêm foco total para os dados de emprego nos EUA e a ata do Copom no Brasil

16 de Dezembro de 2025, 07:32

Bom dia!
A terça-feira, 16 de dezembro, começa com os mercados no modo cautela antes da divulgação de dados importantes para as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Lá fora, investidores aguardam uma bateria de indicadores nos EUA, como o relatório do mercado de trabalho, o “payroll“, que atrasou com a paralisação do governo entre outubro e novembro. Por aqui, a ata do Copom é o principal prato do dia. O documento do nosso BC pode ajudar a fornecer pistas sobre os rumos dos juros em 2026, É dia de ler com calma e reagir sem pressa.

Enquanto você dormia…

  • O mercado internacional em ritmo contido: investidores evitam grandes apostas antes dos dados americanos. Os futuros das bolsas de Nova York mantêm queda antes do payroll: às 7h20, o S&P 500 futuro tem recuo de -0,40% e o Nasdaq futuro cai -0,57%.
  • Na Europa, o índice Stoxx 600 tem queda de -0,16%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa, pressionada por ações de tecnologia e por novas dúvidas sobre o ritmo da economia chinesa. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com queda de -1,56% e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou -1,54%.
  • O índice dólar (DXY) está praticamente estável com leve queda de -0,10% aos 98,21 pontos. O petróleo Brent tem forte queda de -1,80% para US$ 59,47 o barril. Os juros do Treasury de 10 anos se mantêm em 4,17% ao ano.


Destaques do dia

  • Ata do Copom e pacote de dados nos EUA concentram as atenções. O mercado busca sinais mais claros sobre o balanço de riscos, especialmente a avaliação do BC sobre inflação, atividade e política fiscal. O índice de atividade do BC, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e divulgado na segunda-feira (15), mostrou retração de -0,2% em outubro ante setembro em mais um sinal de desaceleração econômica. A leitura reforçou a visão de que os cortes de juros estão próximos.
  • Nos Estados Unidos, o dia é carregado: saem os relatórios de emprego de outubro e novembro, divulgados com atraso após a paralisação do governo, além das vendas no varejo e dos índices de gerentes de compras (PMIs). Para o payroll, o consenso aponta criação modesta de 40 mil vagas em novembro, taxa de desemprego em 4,4% e crescimento fraco das vendas no varejo.
  • E como isso impacta os mercados? Um conjunto de dados mais fracos nos EUA pode aliviar a pressão sobre os juros globais e ajudar ativos de risco. Já uma ata do Copom mais dura tende a manter a curva de juros doméstica pressionada, com reflexos diretos em câmbio e na bolsa.


Giro pelo mundo

  • Elétrico na berlinda: a Ford anunciou que vai reconhecer US$ 19,5 bilhões em encargos ligados à reestruturação de sua operação de veículos elétricos, com mudanças no portfólio e metas de tornar o negócio lucrativo até 2029.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no centro do debate: o documento pode ajustar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros em 2026 e influenciar diretamente os contratos de juros futuros ao longo do dia.
  • Atividade em desaceleração: o IBC-Br mostrou queda de 0,2% em outubro, reforçando o debate sobre perda de fôlego da economia no segundo semestre.

Giro corporativo

  • Braskem: a gestora IG4 acertou os termos para assumir o controle da companhia, com apoio de bancos credores e participação da Petrobras. O acordo ainda depende de aprovações regulatórias e pode levar até 60 dias para ser formalizado.
  • Mineração de ouro: a chinesa CMOC fechou a compra de ativos de ouro no Brasil que pertenciam à Equinox por US$ 1 bilhão, em uma operação que inclui pagamento em dinheiro e parcela contingente atrelada a desempenho.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Vendas na Black Friday sobem nos EUA: má notícia para a trajetória dos juros do Brasil

29 de Novembro de 2025, 18:11

As vendas na Black Friday aumentaram 4,1% em relação ao ano passado nos EUA. O resultado supera a alta de 3,4% registrada em 2024. Bom para o consumidor americano, mas talvez nem tanto para a economia global – a começar pela nossa.

Consumo vigoroso faz de tudo, menos puxar os preços para baixo. Logo, uma Black Friday pródiga por lá joga contra a ideia de cortes mais profundos nos juros do Fed, o banco central dos EUA.

Juros americanos num patamar alto, como os 4% de agora, existem para baixar a inflação freando a atividade econômica. E se essa atividade se mostra forte, é sinal de que o remédio não está fazendo tanto efeito.

Como não há outro remédio contra a inflação, fica mais difícil reduzir a dose diante desse sintoma.

E como está a inflação? Não se sabe. O CPI (“IPCA” dos EUA) relativo a outubro, que deveria ser o mais recente, não foi apurado – uma cortesia do shutdown, a paralisação parcial do governo americano por falta de dinheiro autorizado pelo Congresso.

O CPI de setembro ficou em 3% para os últimos 12 meses – e sem sinais de convergência para a meta (de 2%), já que o índice foi subindo mês a mês desde abril, o ponto mais baixo do ano (2,4%).

O consenso do mercado aponta para mais um corte de 0,25 p.p. nos juros americanos na próxima reunião do Fomc (o Copom deles), que acontece no dia 10 de dezembro.

Mas dirigentes do banco central americano, como Beth Hammack, do Fed de Cleveland, já alertaram que vendas de fim de ano mais fortes que o esperado podem atrasar o retorno da inflação à meta, o que justificaria uma postura mais conservadora do Fomc. Em outras palavras: uma Black Friday exuberante alimenta um cenário de juros altos por mais tempo.

Juros altos nos EUA não são uma questão restrita aos EUA. Eles aumentam a remuneração dos títulos públicos americanos. Eles ficam mais atraentes. Como você precisa de dólares para comprar esses títulos, a demanda por moeda americana aumenta. E empurra o valor do dólar para cima.

Nos últimos meses, a queda do dólar foi importante para arrefecer a inflação no Brasil. O IPCA cedeu de 5,53% em abril para 4,68% em outubro. Caso a tendência arrefeça, ou se reverta, a desaceleração nos preços daqui fica comprometida. E aí quem se vê obrigado a manter os juros lá no alto é nosso Banco Central.


Foto da abertura: Getty Images

Kevin Hassett surge como favorito de Trump para comandar o Federal Reserve

25 de Novembro de 2025, 16:59

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto por assessores e aliados do presidente Donald Trump como o principal candidato a ser o próximo presidente do Federal Reserve, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, com a busca por um novo chefe do banco central americano entrando em suas semanas finais.

Com Hassett, Trump teria um aliado próximo, alguém que o presidente conhece bem e em quem confia, instalado na autoridade monetária independente, disseram as fontes sob condição de anonimato. Hassett é visto como alguém que traria ao Fed a abordagem do presidente em relação à redução das taxas de juros — algo que Trump há muito tempo deseja controlar, afirmaram algumas dessas pessoas.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões surpreendentes de pessoal e política, o que significa que uma nomeação não é definitiva até ser tornada pública, disseram.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em comunicado que “ninguém realmente sabe o que o presidente Trump fará até que ele o faça”, acrescentando que as pessoas fiquem atentas.

As escolhas para presidente e diretores do Fed são historicamente as formas mais diretas de um presidente influenciar o banco central. Trump nomeou o atual presidente, Jerome Powell, durante seu primeiro mandato, mas se arrependeu da decisão quando Powell não reduziu as taxas de juros na velocidade que Trump desejava.

Kevin Hassett

Hassett é visto como alinhado à visão de Trump sobre a economia, incluindo a necessidade de reduzir as taxas de juros. Ele disse à Fox News em 20 de novembro que estaria “cortando as taxas agora” se fosse o presidente do Fed, porque “os dados sugerem que deveríamos”. Hassett também criticou o banco central por ter perdido o controle da inflação após a pandemia.

O Fed tem sido repetidamente alvo das críticas de Trump, que acusou Powell de ser “lento demais” para reduzir os juros e chegou a cogitar publicamente demiti-lo. O presidente também atacou reformas no campus do banco central, e a Casa Branca está atualmente envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir uma dirigente do Fed, Lisa Cook.

Isso colocou pressão sobre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera o processo de seleção do próximo presidente do Fed, para equilibrar cuidadosamente candidatos favoráveis à redução dos custos de empréstimo e que tenham a confiança tanto do presidente quanto dos mercados financeiros.

Depois de uma pausa na maior parte de 2025, o Fed começou a reduzir as taxas de juros neste outono, cortando sua taxa básica em 25 pontos-base em setembro e outubro. No entanto, os dirigentes estão cada vez mais divididos quanto às perspectivas para a inflação e o mercado de trabalho, o que torna provável que um novo corte em dezembro seja uma decisão apertada.

Bessent disse à CNBC na terça-feira (25) que há uma boa chance de Trump anunciar sua escolha para o presidente do Fed dentro de um mês, antes do feriado de Natal em 25 de dezembro.

O próprio Trump sugeriu que está próximo de fazer uma decisão. Em 18 de novembro, ele declarou: “Acho que já sei minha escolha”, sem revelar o nome. Em setembro, Trump afirmou que Hassett, o ex-dirigente do Fed Kevin Warsh e Christopher Waller, dirigente do banco central dos EUA, eram os três principais candidatos.

Desde o verão, Bessent tem conduzido o processo de seleção para substituir Powell, entrevistando quase doze candidatos, agora reduzidos a cinco finalistas: Hassett, Warsh, Waller, a vice-presidente de supervisão do Fed, Michelle Bowman, e Rick Rieder, da BlackRock.

Bessent disse que as entrevistas com esses candidatos terminarão esta semana. Um grupo menor de finalistas se reunirá em breve com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o vice-presidente JD Vance.

A preferência por Hassett surge enquanto Trump se mostra cada vez mais frustrado com Powell. Na semana passada, Trump chamou o presidente do Fed de “grosseiramente incompetente”, dizendo que adoraria demiti-lo se não fosse por pessoas como Bessent pedindo que ele esperasse. Em tom de brincadeira, Trump acrescentou que, se Bessent não ajudar a garantir taxas de juros mais baixas, também o demitiria do Tesouro.

Apesar da piada, Bessent continua em boa posição com Trump, que afirmou repetidamente considerá-lo um possível candidato à presidência do Fed. Bessent diz gostar de seu cargo no Tesouro e não desejar comandar o banco central.

O próximo presidente provavelmente será nomeado para um mandato de 14 anos como dirigente do Fed, que se inicia em 1º de fevereiro.

O mandato que expira nessa data é o de Stephen Miran, atualmente em licença não remunerada do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca. O mandato de Powell como presidente do banco central termina em maio de 2026, embora ele possa permanecer no conselho por mais dois anos como dirigente.

Powell não declarou se pretende deixar o conselho quando seu mandato como presidente expirar. Caso o faça, isso daria ao governo outra vaga a preencher no próximo ano.

Bitcoin estabiliza, mas balanço da Nvidia e ata do Fed podem mexer com preço

19 de Novembro de 2025, 10:19

Depois de dias de queda, as criptomoedas encontraram um pouco de estabilidade na manhã desta quarta-feira (19). O bitcoin (BTC) sobe 0,20%, para a faixa dos US$ 91 mil, enquanto o ethereum (ETH) avança 1%.

Mas dois assuntos podem dar uma chacoalhada no mercado cripto ao longo do dia.

O primeiro é a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada hoje. Em resumo, é um relatório detalhado sobre a última reunião de política monetária do país, em outubro, que pode trazer pistas sobre possíveis cortes de juros em dezembro.

As criptomoedas, assim como outros ativos de risco, costumam reagir bem a tesouradas nos juros, porque passam a ficar mais atrativas do que títulos de renda fixa. O contrário também é verdadeiro: quando as taxas sobem, os ativos de risco geralmente sofrem.

O segundo ponto que pode mexer com o mercado é o balanço da queridinha da inteligência artificial (IA), a Nvidia (NVDC34), que será divulgado nesta quarta após o fechamento das bolsas americanas.

Se os resultados vierem acima das expectativas, investidores podem voltar a buscar ações de tecnologia e outros ativos financeiros mais arriscados, incluindo criptos – que, na prática, vêm se comportando como parte desse mesmo bloco.

A expectativa é de que a receita do terceiro trimestre da big tech salte 56% em relação ao ano anterior, para US$ 54,9 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas de data centers. Analistas também projetam um lucro líquido de US$ 30,7 bilhões (US$ 1,26 por ação) e um lucro operacional de US$ 36,2 bilhões – alta de 56%.

“Os resultados da Nvidia se tornaram peça central do humor no setor de tecnologia e inteligência artificial. Se a empresa decepcionar, o efeito pode ser pesado para os mercados”, disse Paulo Aragão, host do Podcast Giro Bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 91.036,30

Ethereum (ETH): +1,19%, US$ 3.030,50

XRP (XRP): -2,20%, US$ 2,13

BNB (BNB): +0,79%, US$ 921,47

Solana (SOL): +0,69%, US$ 138,51

Outros destaques do mercado cripto

Big Brother cripto. Alguns parlamentares não estão contentes com a regulamentação cripto do Banco Central, publicada há alguns dias. Nesta semana, um grupo de deputados federais protocolou um novo projeto (o segundo em menos de sete dias!) para tentar sustar as regras. Segundo eles, a autarquia quer criar um grande “Big Brother das criptomoedas”, acompanhando cada satoshi (a unidade básica do bitcoin, equivalente ao centavo no real) movimentado pelos usuários.

Brasileiro abraçou os ETFs de cripto. O apetite do brasileiro por criptomoedas só cresce. Uma prova disso é que dois ETFs (fundos negociados em bolsa) de ativos digitais – o HASH11 e o ETHE11 – estão na seleta lista dos 10 mais negociados da bolsa de valores há três meses. Eles dividem espaço com gigantes como o BOVA11, o ETF mais popular da B3, lançado lá em 2008.

Fundo cripto da BlackRock sangra. Enquanto os ETFs locais colhem bons números, os equivalentes nos EUA sofrem – principalmente o IBIT, da gigante de investimentos BlackRock. Ontem, o fundo registrou US$ 523,15 milhões em saídas, a maior retirada diária desde seu lançamento, em janeiro de 2024. A debandada veio junto com a queda do bitcoin, que na segunda-feira (17) chegou a cair abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.

Ibovespa segura recorde, mesmo após o Fed esfriar apostas de um novo corte em dezembro

29 de Outubro de 2025, 17:54

Bastou Jerome Powell levantar dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros em dezembro para esfriar os ânimos dos investidores no mundo todo. Mas, mesmo com essa dose pouco esperada de cautela presidente do Fed, a bolsa brasileira conseguiu forças renovar sua pontuação recorde – pela nona vez neste ano.

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,74% aos 148.520 pontos, pela primeira vez na história acima dos 148 mil pontos. E fez mais: na parte da manhã, o principal índice acionário brasileiro alcançou uma nova máxima intradiária, aos 149.067,16 pontos.

O dia começou com os mercados em modo euforia. E o Fed correspondeu ao cortar os juros em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado. Mas durante a coletiva após a decisão de politica monetária nesta quarta-feira (29), Jerome Powell, resolveu jogar água no chope das bolsas.

O dirigente pontuou o seguinte: que há um crescente movimento dentro do banco central americano no sentido de dar um “passo atrás”. No caso, pausar os cortes já e esperar para ver.

Nos EUA, as falas desasceleraram nitidamente o otimismo.

A ferramenta FedWatch, que monitora as apostas de investidores nos rumos da política monetária americana, agora coloca as chances de um corte em dezembro em 56,4%. Antes da coletiva, o percentual chegou a tocar os 90%.

Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 terminou o dia quase na mesma, com queda de 0,01% aos 6.890,59 pontos. O Nasdaq subiu 0,55% para 23.958,47 em meio às expectativas para os balanços de Microsoft, Alphabet e Meta nesta quarta-feira. Já o Dow Jones caiu 0,16% aos 47.632 pontos.

Outros mercados acionários emergentes, além do Brasil, também se seguraram no território positivo – numa amostra de busca por diversificação entre os investidores globais. A bolsa mexicana subiu 0,97%. A chilena, 0,99%.

Por fim, o dólar. A moeda americana fechou estável: -0,04%, a R$ 5,35. No ano, a moeda já acumula queda de 13,29%.

Presidente do Fed afirma que novo corte de juros em dezembro está longe de ser uma certeza

29 de Outubro de 2025, 16:03

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira (29) que outro corte na taxa de juros em dezembro não é garantido.

“Uma nova redução na taxa básica de juros na reunião de dezembro não é uma conclusão inevitável, longe disso”, disse Powell, logo após as autoridades anunciarem sua segunda redução consecutiva na taxa de juros para apoiar um mercado de trabalho em desaceleração.

Os formuladores de políticas também disseram que parariam de reduzir o portfólio de ativos do banco central em 1º de dezembro.

O Federal Open Market Committee (FOMC) votou por 10 a 2 pela redução dos juros em 0,25 ponto percentual, que ficou na faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

Como o bitcoin costuma se comportar depois de quedas de juros nos EUA?

28 de Outubro de 2025, 12:01

Há quase 100% de chances de os juros caírem mais 0,25 ponto percentual nos EUA, segundo o FedWatch, ferramenta que mede as expectativas do mercado sobre as decisões do banco central americano. Caso o Fed confirme a expectativa nesta quarta, essa será a primeira sequência de duas quedas na “Selic” americana desde o ano passado.

O que esse novo cenário significa para o bitcoin?

Na teoria, é positivo. Na prática, depende do caso. A cripto costuma se sair bem em períodos de queda de juros por lá – mas nem sempre, porque há outros fatores importantes em jogo.

Um estudo da Vault Capital, encomendado pelo InvestNews, mostrou que nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – de 31 de julho de 2019 a 15 de março de 2020 e de 18 de setembro de 2024 até 17 de setembro de 2025 -, o bitcoin subiu em metade das vezes três meses depois dos cortes, e caiu na outra metade. Já num prazo de seis meses, o desempenho foi melhor: alta em 75% das ocasiões e queda em 25%.

O que explica tudo isso? Vamos por partes.

Juros têm força, mas não fazem milagre

Juros menores costumam dar uma dose de ânimo nas criptos. Isso porque reduzem a atratividade da renda fixa – como os títulos públicos dos EUA, as famosas treasuries – que passam a render menos. Com isso, cresce o apetite por investimentos de maior risco, como ações e criptoativos.

Mas os juros sozinhos, na verdade, não definem nada.

Segundo Fernando Martines, head de research da Vault Capital, a liquidez também faz toda a diferença. Ele explica que, em períodos de política monetária expansionista nos EUA, como em 2020 e 2024, o governo americano adotou medidas de quantitative easing (injeção de dinheiro na economia) e reduziu os juros.

Com mais dólares circulando e a moeda enfraquecida, o apetite por risco aumentou – e isso impulsionou o preço do bitcoin.

No corte de juros de março de 2020, por exemplo, o bitcoin subiu 78,4% nos três meses seguintes e 105% em seis meses. Satoshi Nakamoto – o misterioso criador da maior criptomoeda do mercado – deve ter ficado feliz da vida.

Já em fases de quantitative tightening – o processo inverso, quando o governo retira dinheiro de circulação para conter a inflação -, como entre 2022 e 2023, o cenário foi outro. Mesmo com expectativas de cortes, a liquidez menor e o medo de risco limitaram o desempenho da cripto. Nessas fases, o bitcoin tende a subir menos ou até cair.

“Em resumo, juros mais baixos são positivos para o bitcoin quando ocorrem em um ambiente de liquidez crescente e confiança elevada, tanto institucional quanto de indivíduos. Sem esses elementos, o efeito se dilu”, disse Martines.

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O que esperar do bitcoin após esse corte?

No geral, a expectativa é positiva. Primeiro, porque o corte é praticamente dado como certo. Nesta terça-feira (28), 97,8% dos agentes do mercado apostam em um recuo de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Outro ponto otimista vem do JPMorgan, que vê possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central da nacão americana) encerrar o atual quantitative tightening, que restringe a liquidez global. Isso poderia, segundo analistas do banco, “soltar o freio de mão” da liquidez.

“Se confirmada, a combinação de corte de juros e fim (ou projeção de fim) do quantitative tightening pode criar um ambiente altamente favorável para os ativos de risco, incluindo o bitcoin”, disse a equipe de research do Mercado Bitcoin.

Além disso, há expectativa de que as tensões geopolíticas se acalmem. Na quinta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, vão se encontrar na Coreia do Sul. Espera-se o anúncio de um acordo para encerrar a guerra comercial, que causou fortes quedas nas criptos na semana do dia 10 de outubro.

“O avanço nas negociações entre EUA e China, com um acordo preliminar para reduzir tensões comerciais, também contribuiu para o otimismo”, disse Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Além dos juros e da liquidez

Claro que juros e liquidez não são os únicos fatores que mexem com o preço do bitcoin. Outros elementos também entram na conta.

Um dos principais hoje em dia é a adoção institucional, que ocorre principalmente via ETFs (fundos negociados em bolsa). “Entradas expressivas nesses fundos costumam antecipar altas, enquanto períodos de resgate ou realocação geram correções”, disse Martines, da Vault Capital.

Na semana entre 13 e 17 de outubro, os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 1,23 bilhão, a segunda maior da história, em meio a tensões comerciais globais. Nos últimos dias, porém, esses produtos voltaram a atrair capital: só ontem, o fluxo líquido somou US$ 149,3 milhões, segundo a plataforma SoSoValue.

Outro elemento para o preço é a liquidez interna do mercado de criptomoedas, impulsionada principalmente pelas stablecoins – tokens atrelados a outros ativos, como dólar e ouro – como USDT e USDC, segundo Martines.

“O crescimento ou retração do volume de stablecoins é um bom indicador da liquidez global. Quando há expansão dessas emissões, há mais recursos disponíveis para compra de bitcoin. Quando são resgatadas, o mercado tende a encolher”, falou.

Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

27 de Outubro de 2025, 18:25

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

O Brasil – e a bolsa – pode ser o maior ganhador do novo ciclo de cortes de juros nos EUA

14 de Outubro de 2025, 19:00

Poucos países reagem tanto às decisões do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, quanto o Brasil. Quando os juros americanos caem, o dólar tende a perder força e investidores passam a buscar mercados onde há melhores opções de retorno. Nesse cenário, com a Selic ainda em 15%, o Brasil se torna um destino atrativo para parte desse capital. E, como consequência, a bolsa brasileira também ganha.

O efeito acontece em cadeia:

  • O Fed corta juros, o que diminui a atratividade dos produtos de renda fixa nos Estados Unidos.;
  • Em busca de melhores oportunidades de retorno, investidores estrangeiros trazem recursos para o Brasil e compram títulos de renda fixa, como títulos públicos, que pagam mais;
  • Com mais dólares chegando ao país, o real se valoriza e, ao mesmo tempo, melhora a percepção de risco do país no mercado;
  • A inflação sente o alívio do real mais valorizado e, com isso, o Banco Central brasileiro pode ganhar espaço para reduzir a Selic nos próximos anos;
  • Juros mais baixos no Brasil tendem a estimular consumo e investimentos, o que ajuda a impulsionar a bolsa.
  • Em 2025, o real já se valorizou cerca de 11% frente ao dólar, que hoje gira em torno de R$ 5,20. Essa força da moeda reforça o interesse de investidores em ativos locais e reduz pressões inflacionárias internas.

A experiência de outros ciclos reforça esse ponto: em períodos de queda de juros, o Ibovespa subiu em média 10% nos seis meses seguintes ao primeiro corte. Agora, o mercado projeta que a Selic siga elevada até o fim de 2025, mas comece a cair em 2026. E que termine o próximo ano em 12,25% e atinja 9,75% em 2027, segundo estimativas do Goldman Sachs.

Do lado externo, o Goldman também projeta que o Fed faça mais dois cortes em 2025 e outros dois em 2026, levando a taxa americana para algo entre 3% e 3,25% até meados de 2026. Essa trajetória define o ritmo de desvalorização do dólar e o tamanho do fluxo que pode chegar a emergentes como o Brasil.

Esse pano de fundo recoloca a bolsa brasileira no radar de grandes investidores globais. E cria oportunidades em diferentes setores. Analistas dividem essas ações brasileiras em dois blocos:

  • Cíclicas domésticas: companhias ligadas a crédito e consumo, como Localiza, Cyrela, BTG Pactual, Nubank, GPS e Smartfit.
  • Defensivas sensíveis a juros: empresas que mantêm receitas estáveis, mas aumentam margens com custo de financiamento mais baixo, como Eletrobras e Equatorial em energia, Copel e Sabesp em saneamento, Multiplan em shoppings e Rede D’Or na saúde.

Mas é bom lembrar que essa dinâmica positiva não elimina os riscos do cenário: as contas públicas brasileiras seguem pressionadas, a economia chinesa dá sinais de enfraquecimento e o ambiente geopolítico pode atrapalhar o fluxo de capital para emergentes.

Mesmo com essas incertezas, a combinação atual de Selic alta, bolsa negociada a múltiplos baixos e real mais valorizado coloca o Brasil em posição de destaque. Se a dinâmica observada em ciclos anteriores se repetir, o país pode novamente estar entre os maiores beneficiados pelo movimento de cortes de juros iniciado pelo Federal Reserve.

Dólar fraco tem prazo de validade? Tudo pode mudar a partir de 2026

1 de Outubro de 2025, 16:30

O dólar vem comportado desde o início do ano. Mas do começo do segundo semestre para cá, a queda da moeda americana em relação ao real diminuiu o ritmo: foram apenas 2,6% de desvalorização, comparados aos 14% no acumulado do ano. Essa desaceleração parece prenunciar uma mudança de ventos se aproximando.

Por volta das 16h29, o dólar era negociado a R$ 5,3209, praticamente estável. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 2%.

A queda do dólar está, atualmente, na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque a autoridade planeja cortar os juros ao menos mais uma vez e, quem sabe, até mesmo duas antes de 2025 acabar.

Porém, no caso do Brasil, esse roteiro de fraqueza do dólar parece ter um “plot twist”, ou seja, uma reviravolta programada no próximo ano. E o que pode acontecer para mudar o cenário atual?

É que o início do ciclo de queda da taxa de juros no Brasil vai coincidir com uma desaceleração do ritmo de corte pelo Fed ou até mesmo uma pausa prolongada lá fora. Esse cenário pode reforçar a cautela entre investidores globais.

Uma postura menos voluntariosa para tomar risco pode secar, justamente, uma das fontes da recente valorização das moedas emergentes: a busca por diversificação fora do mercado americano.

Inflação nos EUA ainda não foi domada

Uma mudança de posicionamento do Fed teria como causa uma preocupação com um aumento de pressão sobre preços nos próximos trimestres. Acontece que o BC dos EUA passou a manifestar, logo após a decisão de retomar os corte de juros em setembro, estar desconfortável com a persistência da inflação.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu para 2,7% em agosto, o que indica uma leve aceleração comparado aos 2,6% de julho. “Com o PCE avançando para 2,7% em 12 meses, fica claro que o Fed terá de manter cautela na condução da política monetária”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

O plano de voo do Fed leva em consideração uma redução de juros para evitar a aceleração do desemprego. Mas, por outro lado, há a necessidade de calibrar o ritmo do afrouxamento de maneira a evitar a volta da inflação. Daí a necessidade de o BC americano adotar uma postura mais prudente em algum momento nos próximos trimestres.

“Acho que nem poderíamos chamar esse movimento de um ciclo de cortes”, afirma o sócio e gestor da Az Quest, Eduardo Aun. “Parece-me mais um ajuste fino devido à deterioração marginal do mercado de trabalho. Não vejo espaço para muito mais cortes além dos já sinalizados pelo Fed.”

BC brasileiro não tem pressa para cortar

Do lado de cá, o relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras em relação a juros, inflação e PIB, mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao fim de de 2026. Isso significa uma redução de 3 pontos percentuais.

Se o BC fizer reduções de 0,25 ponto na Selic, precisaria de 12 reuniões para chegar na projeção do Focus. Porém, como o Comitê de Politica Monetária (Copom) se reúne apenas oito vezes no ano, a estimativa de Selic a 12% no fim do próximo ano embute a perspectiva de vários cortes de 0,5 ponto.

Em resumo, enquanto o Fed tem sinalizado haver chance de cortar uma vez ou nem cortar os juros em 2026, por aqui o mercado avalia que o BC brasileiro vai acelerar o passo no ano que vem. Com a redução do chamado diferencial de juros, o mercado local tende a se tornar menos atrativos aos investidores estrangeiros.

As estimativas da equipe de pesquisas econômicas do Itaú, por exemplo, reforçam essa dualidade de cenários daqui até o fim do ano e o que poderá ser visto já em 2026. O time do Itaú, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, ressaltou ver o real forte no curto prazo. Mas, para o próximo ano, “o estreitamento do diferencial de juros, o prêmio de risco e o cenário desafiador das contas externas limitam perspectivas mais favoráveis”.

Os especialistas do banco enxergam o dólar no fim de 2025 em R$ 5,35. Mas preveem que a moeda americana termine 2026 cerca de 3% mais alta. Segundo a casa de análise, a taxa de câmbio deve subir para R$ 5,50 no ano que vem. Isso significa que, na visão do Itaú, a maior parte da potencial desvalorização do dólar frente ao real já passou.

O Focus também mostra uma visão menos otimista para 2026. O relatório do BC projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,58 no final do ano que vem.

Volatilidade pode voltar

Aun, da AZ Quest, lembra ainda que o real tem sido muito utilizado em operações de “carry trade”, ou seja, quando uim investidor toma emprestado em moeda de juros baixos e investe em outra moeda de juros altos para capturar o diferencial de juros (“carry”). Se houver uma reversão da tendência do dólar fraco, o desmonte de posições de carry em reais levaria a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.

Para o ano que vem, o especialista em portfólio da Azimut Brasil WM, Marcelo Bacelar, cita ainda o problema da piora nos números de conta correte no país como outro ponto de pressão contra o real. “Não é um desespero, mas é um sinal amarelo porque começa a mostrar uma saída de dólares estrutural.”

Apesar das nuvens cambiais mais escuras em 2026, as previsões não desenham nenhum cenário crítico, mas, basicamente, uma mudança de ventos no horizonte. De qualquer modo, parece que, pelo menos as viagens internacionais no fim de ano estarão garantidas.

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