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Dá para votar sem título de eleitor? Veja o que precisa levar no dia da votação

18 de Setembro de 2026, 18:04

Na contagem regressiva para as eleições 2026, faltam cerca de duas semanas para o primeiro turno, que acontece em 4 de outubro. Com a data se aproximando, uma dúvida recorrente volta à tona: o eleitor pode votar sem título de papel?

Sim. O título de eleitor em papel não é necessário para votar. O eleitor pode apresentar um documento oficial com foto ou usar o e-Título, desde que esteja com a situação eleitoral regular.

O que apresentar para votar sem título

Na seção eleitoral, basta um documento oficial com foto para a identificação. A lista de opções aceitas é ampla:

  • Carteira de identidade (RG) ou identidade social
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
  • Passaporte
  • Carteira de Trabalho
  • Certificado de reservista
  • Carteira de categoria profissional reconhecida por lei

Esses documentos valem até mesmo vencidos, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Versões digitais também são aceitas, com uma exceção: a Carteira de Trabalho Digital não serve como identificação na seção eleitoral, porque não traz foto validada por órgão oficial de registro, embora a versão física sirva.

Já as certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como prova de identidade, essas ficam de fora em qualquer hipótese.

E quem já tem e-Título?

Entre os documentos digitais aceitos, o e-Título é o mais completo. Lançado em 2017, o aplicativo está disponível gratuitamente para iOS e Android, tanto para quem tem título regular quanto para quem está com o documento suspenso, e traz recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, baixa visão ou daltonismo.

A versão digital do título pode substituir qualquer outro documento na hora de votar, mas só quando exibe a foto do eleitor. E essa foto depende do cadastramento biométrico: sem ele, o perfil no aplicativo fica sem imagem vinculada e não vale como identificação sozinho. Nesse caso, é preciso apresentar um segundo documento.

Mas quem ainda não cadastrou a biometria só vai poder solicitá-la quando o atendimento da Justiça Eleitoral for retomado. O serviço fechou em 6 de maio e só reabre em 3 de novembro. Isso, no entanto, não impede de votar normalmente com qualquer um dos documentos da lista acima.

Mais importante é estar em dia com a Justiça Eleitoral

Documento digital ou impresso em mãos, a preocupação mais relevante para o eleitor é saber se o cadastro eleitoral está regular. O TSE oferece um serviço gratuito para essa consulta, acessível pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE ou pelo aplicativo e-Título.

No menu “Consultas”, a opção é “Situação do título”: basta informar nome completo e data de nascimento, CPF ou o número do título, e o sistema mostra em segundos se a inscrição está regular, cancelada ou suspensa.

O prazo para regularizar a situação também já se encerrou. Até a reabertura do cadastro, a consulta online ajuda a evitar surpresas no dia do pleito.

O que significa cada status

RegularTítulo válido, eleitor apto a votar. Permite transferência ou revisão de dados, mas só para as eleições de 2028, já que o cadastro está fechadoNão precisa de ação, mas vale checar se há multas em aberto
CanceladoTítulo sem validade, eleitor impedido de votar. Causas comuns: três ausências consecutivas sem justificativa, perda de direitos políticos, inscrições múltiplas ou fraude apurada pela Justiça EleitoralQuitar multas e solicitar revisão, só possível após a reabertura do atendimento, em 3 de novembro
SuspensoImpede o voto temporariamente. Causas: condenação criminal definitiva, improbidade administrativa transitada em julgado ou serviço militar obrigatórioApresentar documento que comprove o fim da causa, também possível a partir de 3 de novembro

Vale um esclarecimento sobre o status regular: ele não significa ausência de débitos. Multas por faltar às urnas ou aos trabalhos eleitorais podem existir e precisam ser consultadas separadamente, também pelo Autoatendimento Eleitoral ou pelo e-Título.

O pagamento pode ser feito por Pix, cartão de crédito ou boleto bancário, esse último chamado de GRU (Guia de Recolhimento da União), o documento oficial usado para quitar taxas e multas junto à Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos.

Eleições 2026: quais países usam urna eletrônica como o Brasil?

18 de Setembro de 2026, 15:54

O Brasil não é o único país a usar um sistema de votação com urna eletrônica. Nas Eleições 2026, o modelo brasileiro volta a aparecer dentro de uma família maior de tecnologias eleitorais adotadas em diferentes partes do mundo.

A comparação, porém, depende do tipo de tecnologia usado em cada país. Alguns sistemas se aproximam da urna eletrônica brasileira, enquanto outros usam componentes eletrônicos apenas em parte do processo.

Essa diferença é importante porque nem todo país com votação eletrônica usa uma urna equivalente à brasileira.

Como funciona a urna eletrônica no Brasil?

O Brasil usa uma máquina de registro eletrônico direto do voto. Isso significa que o eleitor digita os números dos candidatos, confirma as escolhas e o voto nasce como registro digital dentro da urna eletrônica.

A urna eletrônica começou a ser usada no Brasil em 1996 e passou a atender todo o eleitorado com o modelo de votação em 2000.

No modelo brasileiro:

  • O eleitor vota presencialmente;
  • A escolha é registrada no Registro Digital do Voto;
  • O voto não é associado à identidade do eleitor;
  • A própria urna apura os votos da seção;
  • Antes da votação, a urna emite a zerésima;
  • Após a votação, emite o Boletim de Urna.

A urna eletrônica brasileira não usa internet durante o voto e permanece isolada de redes no momento da votação. A transmissão eletrônica ocorre depois, quando a seção já foi encerrada e os arquivos de resultado foram gerados.

LEIA MAIS: Urna eleitoral: entenda como é feito o teste de integridade a cada votação

Quais países têm sistema mais parecido com a urna eletrônica do Brasil?

Os sistemas mais parecidos com o brasileiro são aqueles em que o eleitor comparece presencialmente e registra o voto em uma máquina dedicada, sem que o voto nasça em uma cédula de papel.

Na classificação internacional, esse tipo de tecnologia de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês). O termo se refere a máquinas que registram o voto diretamente em meio eletrônico.

  • O Butão é um dos casos mais próximos do Brasil. O país usa máquinas eletrônicas presenciais nas seções. No primeiro turno da eleição para a Assembleia Nacional de 2023/24, foram depositados 195.719 votos presenciais em máquinas eletrônicas, distribuídas em 809 seções.
  • Bangladesh também usou máquinas eletrônicas no passado. A tecnologia costuma ser chamada de máquina eletrônica de votação (EVM, na sigla em inglês). Para uma comparação atual, porém, há uma diferença relevante: o país retirou a tecnologia da eleição parlamentar de 2026 e voltou às cédulas de papel.

Quais países usam urna eletrônica com papel individual?

Índia e Venezuela também podem ser comparadas ao Brasil porque usam máquinas eletrônicas presenciais no ato de votar. A diferença está no papel.

Nesses países, o voto é registrado eletronicamente, mas o sistema também gera uma trilha física individual, conhecida como auditoria em papel verificável pelo eleitor (VVPAT, na sigla em inglês).

  • Na Índia, o eleitor aperta o botão correspondente ao candidato. O equipamento imprime uma papeleta com número, nome e símbolo. O papel fica visível por alguns segundos e depois cai em um compartimento lacrado.
  • Na Venezuela, o eleitor seleciona os candidatos na tela, o voto é registrado eletronicamente e uma papeleta é impressa. O eleitor confere o papel e o deposita em uma urna física separada.

Quais países usam máquina com cédula física?

Há um segundo grupo em que a tecnologia aparece dentro da cabine de votação, mas a cédula de papel faz parte do procedimento.

  • Na Bélgica, o eleitor vota em uma tela, confirma as escolhas e a máquina imprime uma cédula com texto legível e código de barras. Depois, o eleitor escaneia o código e deposita o papel em urna física.
  • No Paraguai, o eleitor recebe uma cédula, insere o papel na máquina, escolhe os candidatos pela tela, confere a informação em um leitor verificador e deposita a cédula em urna física.
  • Na Bulgária, onde há máquinas disponíveis, o eleitor pode escolher entre papel e votação por máquina. Ao usar a máquina, o equipamento imprime uma cédula em papel especial.
  • Na República Democrática do Congo, o eleitor escolhe os candidatos em tela sensível ao toque, e a máquina imprime a escolha no verso da cédula, que depois é depositada.

Quais países usam papel com contagem eletrônica?

Em outro grupo, o voto nasce no papel. A tecnologia aparece depois, para ler, contar ou transmitir os resultados.

Nesses casos, a tecnologia eleitoral atua principalmente sobre a cédula já preenchida pelo eleitor. A comparação com o Brasil passa menos pela urna eletrônica usada na cabine e mais pela automação de etapas do processo eleitoral.

  • Nas Filipinas, o eleitor preenche uma cédula física e a insere em uma máquina de contagem automatizada. O equipamento escaneia o papel, interpreta as marcações e contabiliza os votos.
  • Iraque, Quirguistão e Mongólia também usam modelos em que o eleitor marca uma cédula de papel, e a tecnologia faz a leitura ou a contagem.
  • Nos Estados Unidos, não existe um único sistema nacional. A administração eleitoral é descentralizada e envolve mais de 10 mil jurisdições. Em 2024, havia uso combinado de dispositivos de marcação de cédulas, scanners, contagem manual e sistemas de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês) em parte das localidades.

Quais países usam voto pela internet?

Voto pela internet é outra categoria presente no mundo. Nesse modelo, a rede participa do próprio ato de votar. Esse grupo amplia o sentido de votação eletrônica, mas se afasta do modelo brasileiro.

  • Na Estônia, o eleitor pode votar remotamente pela internet desde 2005. O voto é feito em computador pessoal, com autenticação, criptografia, assinatura digital e envio ao servidor eleitoral.
  • Omã permite voto por smartphone pelo aplicativo Intakhib.
  • A Suíça mantém projetos controlados de voto pela internet para parcelas específicas do eleitorado.
  • França, Armênia, El Salvador, Rússia, Panamá e Filipinas possuem ou tiveram modalidades remotas voltadas a grupos ou territórios específicos, como eleitores no exterior.

O que pode ser comparado com a urna eletrônica brasileira?

Tipo de sistemaComparação com o Brasil
Máquina presencial sem cédula individualMais próxima
Máquina presencial com trilha de auditoria em papel verificável pelo eleitorParcial: o voto nasce eletrônico, mas há papel individual
Máquina com cédula física no fluxoParcial: há tecnologia na cabine, mas o papel integra o voto
Papel com leitura eletrônicaLimitada: tecnologia atua na leitura ou na contagem
Voto pela internetOutra categoria

Cola eleitoral 2026: como fazer, o que pode levar e o que fica proibido na cabine

18 de Setembro de 2026, 08:18

Nas eleições 2026, o eleitor brasileiro tem que escolher deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente, cada um com uma quantidade diferente de números, e depois de digitar precisa conferir o nome na tela antes de confirmar.

Votar em seis cargos de uma única vez, sem poder conferir os números na cabine de votação, pode gerar dúvidas. Um recurso, não só permitido como incentivado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é o uso de uma cola eleitoral, um papel com as escolhas anotadas, organizado na ordem exata da votação.  

Como fazer a cola eleitoral

O próprio TSE disponibiliza um modelo pronto para impressão, com espaço para preencher as informações de cada candidato na sequência da urna. Escrever o nome ao lado do número funciona como uma conferência extra, útil para quem tem pressa na hora de digitar e prefere não depender só da memória. 

O site da Justiça Eleitoral tem também um simulador de votação, que permite treinar antes do primeiro turno, que acontece em 4 de outubro, e do segundo, previsto para 25 de do mesmo mês. Os concorrentes que aparecem no simulador são fictícios, mas a ferramenta reproduz as mesmas etapas do processo eleitoral.  

A ordem de votação na urna

Para quem preferir fazer a cola eleitoral em casa, mesmo à mão, vale seguir a ordem em que os candidatos aparecem na tela e anotar os números nessa sequência.

CargoDígitos
Deputado federal4
Deputado estadual ou distrital5
Senador (1ª vaga)3
Senador (2ª vaga)3
Governador2
Presidente2

O que é proibido na cabine

A cola eleitoral só pode existir em papel. Celular está proibido dentro da cabine de votação, mesmo desligado, e precisa ser entregue ao mesário antes de entrar, não apenas guardado no bolso. A mesma restrição vale para câmeras fotográficas, filmadoras e qualquer equipamento de radiocomunicação capaz de comprometer o sigilo do voto.

A regra estabelecida para as eleições busca garantir que a escolha seja secreta e impedir que o voto seja registrado, transmitido ou divulgado. A medida também ajuda a evitar práticas como a compra de votos, em que a pessoa é obrigada a apresentar uma espécie de prova da opção escolhida.

Quem se recusa a responder se está com celular, ou a entregá-lo, fica impedido de votar, e os mesários podem acionar a polícia para registrar o ocorrido.

Documentos e identificação

Além da cola eleitoral, é bom já decidir qual documento de identificação levar no dia 4 de outubro. Para se identificar na seção eleitoral, basta o eleitor apresentar um documento oficial com foto: RG, CNH, passaporte ou carteira de categoria profissional, por exemplo.

O título de papel ficou para trás, não é mais exigido, e mesmo um documento vencido continua servindo, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Duas exceções para não esquecer: certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como identificação. Além disso, a Carteira de Trabalho Digital, apesar de ser documento oficial com foto, também fica de fora dessa lista aceita pela Justiça Eleitoral.

e-título

Quem prefere levar só o celular pode contar com o e-Título, que substitui qualquer um desses documentos, mas ele só é aceito quando mostra a foto na tela.

Vale a pena baixar e atualizar o aplicativo com antecedência, porque o download fica suspenso no dia da eleição, e quem deixa para a última hora corre o risco de chegar à seção sem essa opção disponível. 

Resumo rápido das eleições 2026 

1º turno4 de outubro (domingo)
2º turno25 de outubro (domingo), se houver
Horário de votação8h às 17h, horário de Brasília
Documento necessárioOriginal com foto (físico ou digital) ou e-Título com foto
O que não pode levarCelular, câmera ou qualquer equipamento eletrônico na cabine

Eleições 2026: Lula e Flávio seguem empatados no primeiro e no segundo turnos, mostra Datafolha

17 de Setembro de 2026, 20:04

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem em empate técnico nas intenções de voto para o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais de 2026, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira (17).

No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado no dia 11, o presidente já registrava 39%, enquanto o senador somava 35%. A oscilação de Flávio, de 35% para 36%, fica dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça-feira (15) e hoje (17), período marcado pelo agravamento da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro, que segue no centro do debate político desde o início do mês.

Eleições 2026: como estão os demais candidatos

Na primeira rodada, atrás dos líderes aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) marcam 1% cada. Votos brancos ou nulos somam 6%, e os indecisos são 3%.

O patamar de Cury confirma a acomodação observada desde a semana passada: depois de saltar de 2% para 8% em agosto, o escritor perdeu força e voltou a oscilar na casa de um dígito, sem repetir o crescimento acelerado do início da campanha.

Segundo turno segue estável há três semanas

No cenário de segundo turno, Lula tem 46%, e Flávio, 44% – ou seja, os mesmos percentuais registrados há uma semana e também há duas, o que confere empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

A repetição do resultado em três levantamentos consecutivos indica que, apesar da sucessão de novas crises políticas nas últimas semanas, o quadro eleitoral para a disputa direta entre os dois nomes segue estacionado.

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro. Já o segundo está previsto para o dia 25 do mesmo mês.

Eleições 2026: como a disputa eleitoral afeta bolsa, juros e câmbio?

8 de Setembro de 2026, 10:55

As eleições 2026 podem mexer com a bolsa de valores, o dólar e os juros antes mesmo de o próximo presidente assumir. Isso acontece porque investidores negociam ativos com base em expectativas sobre inflação, juros, contas públicas, regulação e desempenho das empresas nos próximos anos.

Uma eleição pode alterar essas projeções. O resultado da disputa presidencial e a composição do Congresso ajudam a definir quais políticas econômicas terão mais chance de avançar no governo seguinte.

Quando uma pesquisa ou uma votação muda a probabilidade atribuída a esses cenários, os preços dos ativos podem reagir antes de qualquer nova política sair do papel.

Por que as eleições 2026 afetam o mercado?

O preço de uma ação reflete expectativas sobre os resultados futuros da empresa. Por isso, uma eleição pode mudar essa avaliação antes mesmo da posse, caso o mercado espere alterações em impostos, gastos públicos, regulação ou outras políticas capazes de afetar custos e lucros.

Os juros também entram nessa conta. O presidente da república não define a Selic, cuja condução cabe ao Banco Central, mas o governo influencia a política fiscal — as decisões sobre arrecadação, gastos e dívida pública — e propõe orçamento e prioridades de gastos.

Mudanças nas expectativas para dívida, inflação e contas públicas podem alterar os juros exigidos pelo mercado financeiro, isto é, o retorno cobrado por investidores para financiar governo e empresas. Isso afeta o custo de financiamento e a avaliação das companhias.

Nas estatais, a ligação pode ser mais direta. A União é controladora da Petrobras e tem influência na escolha de integrantes de seu conselho de administração. Por isso, uma troca de governo pode mudar expectativas sobre gestão, investimentos, dividendos e estratégia da companhia — fatores que também entram no preço das ações.

Como uma surpresa eleitoral mexe com o mercado?

As eleições de 2022 ajudam a mostrar como uma mudança inesperada no cenário pode mexer rapidamente com os preços dos ativos.

Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. A diferença de 5,23 pontos ficou abaixo da vantagem indicada pelas principais pesquisas antes da votação.

No pregão seguinte, em 3 de outubro de 2022, o Ibovespa avançou 5,54%, enquanto o dólar caiu 4,02% e os juros futuros recuaram. Dois fatores eleitorais entre as explicações para o movimento: Bolsonaro havia obtido um resultado acima do indicado pelas principais pesquisas e o Congresso eleito ganhou uma composição mais à direita. Investidores avaliavam que esse Legislativo poderia restringir mudanças mais amplas na política econômica do governo seguinte.

O movimento citado acima não foi explicado apenas pela eleição: o ambiente externo também ajudou os ativos brasileiros naquele dia.

Como as eleições podem mexer com o dólar?

Uma eleição pode mexer com o dólar porque também altera a percepção de risco dos investidores sobre o país.

Se investidores estrangeiros aumentam a procura por ativos brasileiros, pode haver maior demanda por reais, favorecendo a valorização da moeda. Já uma redução dessas posições ou a saída de recursos pode pressionar o real para baixo.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022. No pregão seguinte à votação, o dólar caiu cerca de 4%, para perto de R$ 5,18, enquanto investidores reagiam ao resultado mais apertado do que indicavam as pesquisas e à nova composição do Congresso.

O câmbio também era favorecido pelo cenário externo naquele dia, mas a queda do dólar frente ao real foi muito maior do que o recuo da moeda americana no exterior.

Um estudo publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em novembro de 2025 ajuda a mostrar que esse mecanismo não fica restrito à oscilação diária das moedas.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos — que incluem entradas e saídas de capital — ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores.

Ao analisar 261 eleições em 38 economias emergentes, incluindo o Brasil, entre 1990 e 2020, o estudo encontrou uma redução dos fluxos privados de capital no entorno das eleições.

O efeito foi maior quando a incerteza sobre a política econômica persistia após a votação e menor em países com maior estabilidade política e instituições mais fortes.

Eleições também podem adiar investimentos

O efeito das eleições não aparece apenas nas oscilações de bolsa e dólar. Diante da incerteza sobre as políticas do próximo governo, empresas e investidores também podem esperar mais clareza antes de comprometer dinheiro em decisões de longo prazo.

Foi justamente onde o FMI encontrou os resultados mais claros. O impacto eleitoral apareceu no investimento estrangeiro direto e em operações como empréstimos e financiamentos transfronteiriços, ou seja, crédito concedido entre agentes de países diferentes.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores. Isso indica como a combinação entre eleição e maior incerteza política pode pesar sobre decisões de investimento.

Por que os juros futuros também reagem?

Os juros futuros refletem expectativas sobre inflação, dívida pública, política fiscal, crescimento da economia e trajetória da Selic. Por isso, uma eleição pode mexer com esses contratos se alterar a percepção dos investidores sobre como o próximo governo pretende arrecadar, gastar e administrar as contas públicas.

O próprio Banco Central reconhece que a política fiscal pode afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio exigido pelos investidores na curva de juros. A curva de juros mostra quanto o mercado exige de retorno para diferentes prazos. Essas taxas incorporam expectativas sobre a Selic, a inflação e o risco fiscal, entre outros fatores.

Quanto maior o risco percebido, maior pode ser o retorno exigido para emprestar dinheiro por prazos mais longos.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022, quando os juros futuros recuaram. Na época, parte do movimento forma relacionados ao resultado mais forte da direita no Congresso e à expectativa de que a nova composição do Legislativo pudesse limitar uma eventual expansão fiscal no governo seguinte.

A eleição, portanto, não determina sozinha os juros, mas pode mudar as projeções que ajudam a formar essas taxas anos antes de uma política efetivamente entrar em vigor.

Qual a idade mínima para concorrer às eleições 2026? Veja regras por cargo

21 de Julho de 2026, 08:57

Um dos requisitos que entra em jogo na definição dos candidatos a cargos políticos é a idade mínima para concorrer às eleições. Partidos e federações precisam observar essa regra na temporada de convenções que vão definir coligações e escolher os nomes que disputarão as eleições 2026. Esse período acontece entre esta segunda-feira (20) e 5 de agosto, e só depois dele é que se segue o registro oficial das candidaturas, com prazo até as 19h de 15 de agosto. 

A exigência de idade mínima para concorrer às eleições não é novidade na legislação brasileira. Ela está presente desde a primeira Constituição do país (1824), e se manteve em todos os textos seguintes. A lógica por trás da regra costuma ser descrita como uma escada de maturidade: quanto maior a responsabilidade do cargo, maior a idade mínima exigida para ocupá-lo.

A Constituição de 1988 fixa essa escada da seguinte forma para os cargos em disputa neste ano: presidente, vice-presidente e senador precisam ter 35 anos; governador e vice-governador, 30; deputado federal, deputado estadual ou distrital, 21. 

Além da idade, é preciso estar em dia com a Justiça Eleitoral: ter título de eleitor, não ter os direitos políticos suspensos por decisão judicial e estar registrado como eleitor na região onde vai concorrer. Também é exigida filiação a um partido. Presidente e vice-presidente da República precisam ser brasileiros natos; para os demais cargos, brasileiro naturalizado também pode se candidatar. 

Quando a idade mínima é verificada

As normas constitucionais nunca disseram em que momento essa idade precisava estar completa, e essa lacuna coube à legislação eleitoral e à jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preencher. Hoje, a regra varia conforme o grupo de cargos.

  • Para presidente e vice-presidente, a idade é verificada na posse, que a partir de 2027, por força da Emenda Constitucional 111/2021, passa a ocorrer em 5 de janeiro. 
  • Para governador e vice-governador, o mesmo critério vale para a posse de 6 de janeiro. 
  • Já para deputado federal, deputado estadual ou distrital e senador, a referência mudou em outubro de 2025.

Idade mínima para deputado e senador: o que mudou

Sancionada em 2 de outubro de 2025, a Lei nº 15.230 alterou a Lei das Eleições (nº 9.504/97) para tratar deputados e senadores de forma diferente do Executivo quanto à aferição da idade mínima para concorrer às eleições. Enquanto presidente e governador têm data de posse fixa, deputados e senadores não têm: a posse depende de quando a Mesa Diretora de cada Casa é eleita, o que varia a cada legislatura. 

Para resolver essa imprevisibilidade, a lei adota a posse presumida, uma data de referência fixada em até 90 dias a partir da eleição da Mesa Diretora, independentemente do que o regimento interno de cada Casa preveja e sem possibilidade de redução ou prorrogação desse prazo. 

A idade mínima em si não muda, continua sendo 21 anos para deputados e 35 para senadores. Muda o marco temporal em que essa idade passa a ser cobrada. Na prática, a lei apenas alinhou o texto legal ao que o TSE já vinha aplicando, reduzindo o espaço para interpretações divergentes entre tribunais eleitorais regionais. 

Os dados do TSE mostram que, em 2022, duas candidatas a deputada estadual foram barradas pela Justiça Eleitoral justamente por não atenderem a esse critério: uma tinha 18 anos e outra 19. Houve ainda três candidaturas de mulheres com 20 anos: duas foram indeferidas porque não completariam 21 anos dentro do prazo. Só uma foi considerada apta.  

Existe idade máxima?

No outro extremo, a legislação eleitoral brasileira não fixa limite superior de idade para nenhum cargo eletivo. O critério é sempre um piso mínimo, nunca um teto.

No último pleito geral, em 2022, o Brasil registrou 29.262 candidaturas aos diversos cargos em disputa, um recorde na história da Justiça Eleitoral. Entre elas, 78 candidatos tinham entre 80 e 84 anos, 10 entre 85 e 89 anos, e 2 entre 90 e 94 anos.

Vai votar em outra cidade? Começa hoje prazo para solicitar voto em trânsito

20 de Julho de 2026, 12:04

Começa hoje o prazo para solicitar o voto em trânsito nas eleições de 2026. O procedimento permite votar em uma cidade diferente daquela onde está o domicílio eleitoral, desde que o eleitor esteja em dia com as obrigações eleitorais. Para isso, a Justiça Eleitoral faz uma transferência temporária da seção do eleitor para o município onde ele estará no dia da votação. 

O procedimento só existe em anos de eleição geral, como 2026, quando estão em disputa os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. O voto em trânsito funciona apenas nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores, em locais de votação convencionais ou criados especificamente para essa finalidade. No site Autoatendimento Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é possível consultar onde há vaga para o voto em trânsito neste ano.

A habilitação pode ser feita até 20 de agosto, prazo válido para o primeiro turno, em 4 de outubro, o segundo, previsto para 25 do mesmo mês, ou os dois. O pedido também pode ser feito pelo Autoatendimento da Justiça Eleitoral ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral, mediante apresentação de um documento oficial com foto. 

Só o próprio eleitor pode solicitar a transferência temporária; ninguém pode fazer o pedido em nome de outra pessoa. É exigido que o título esteja em situação regular no cadastro eleitoral, já que documentos cancelados ou suspensos impedem a votação.

Voto em trânsito: o que saber

Quando ocorreApenas em eleições gerais, como a de 2026, nas capitais e cidades com mais de 100 mil eleitores
Prazo para solicitar20 de julho a 20 de agosto de 2026
Documento exigidoDocumento oficial de identificação com foto
Onde solicitarNo site Autoatendimento da Justiça Eleitoral, clicar em “Fazer transferência temporária de local de votação”; ou pessoalmente no cartório eleitoral
Quem pode solicitarO próprio eleitor, com título regular
Para quais cargos vale (transferência para cidade no mesmo estado)Presidente, governador, senador, deputado federal e estadual
Para quais cargos vale (transferência para cidade em outro estado)Apenas presidente
Quem mora em outro país e tem registro na Zona Eleitoral do ExteriorVota só para presidente, se estiver em trânsito no Brasil
Voto em trânsito no exterior para quem está fora do país no dia do pleitoNão existe
Retorno do título para a seção de origemAutomático, após a eleição

Regras, prazos e cancelamento

A regra dos cargos permitidos na votação depende de a transferência ocorrer dentro do mesmo estado ou para um estado diferente. Se o eleitor pedir para votar em outro município dentro do próprio estado, mantém o direito de escolha para presidente, governador, senadores (duas vagas por estado) e deputados federal e estadual. Se a transferência for para um estado diferente, o voto vale apenas para presidente da República. 

Essa mesma restrição — voto apenas para presidente — vale também para eleitores com título registrado na Zona Eleitoral do Exterior que estejam em trânsito no Brasil no dia da eleição. Já o eleitor com título no Brasil que estiver em outro país no dia do pleito não pode votar em trânsito, porque o procedimento não existe fora do território nacional. 

É possível indicar cidades diferentes para cada turno da eleição. Feita a votação, ou não, o título retorna automaticamente à seção de origem, sem necessidade de nova solicitação.   

Alterações ou cancelamentos do pedido seguem o mesmo prazo, até 20 de agosto; depois disso, não é mais possível modificá-lo. Isso importa porque, ao pedir a transferência, o eleitor perde automaticamente o direito de votar na própria seção de origem — a menos que cancele o pedido dentro do prazo. Faltar ao local escolhido para o voto em trânsito, portanto, exige justificativa, mesmo para quem estiver na cidade de origem no dia do pleito. 

Presidente da República: o que faz e qual o salário

10 de Julho de 2026, 10:56

Em outubro, o Brasil terá eleição para presidente da República, cargo mais importante da política nacional, mas também um dos mais cercados de dúvidas. Afinal, quais são suas funções? E quanto ganha quem ocupa o cargo mais alto do Executivo?

No sistema presidencialista brasileiro, uma única pessoa concentra os papéis de chefe de Estado e de Governo. Diferentemente de países parlamentaristas, como Alemanha ou Itália, em que o presidente exerce funções diplomáticas e representativas enquanto o primeiro-ministro governa de fato, aqui o chefe do Executivo exerce as duas funções: representa o Brasil perante o mundo, conduz relações internacionais e é o comandante supremo das Forças Armadas, ao mesmo tempo em que lidera a administração pública federal e define políticas econômicas e sociais.

O que faz o presidente da República

Durante o mandato, o presidente cumpre responsabilidades definidas pela Constituição. Ele nomeia ministros de Estado e indica membros para o Supremo Tribunal Federal (STF) e tribunais superiores, além do Procurador-Geral da República e do presidente e diretores do Banco Central. Essas indicações que dependem da aprovação do Senado.

Nem sempre elas passam. Em abril, o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, escolhido de Lula para o STF — a primeira vez em mais de 130 anos que isso ocorre. Com a rejeição, a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso segue em aberto, e o STF opera com dez ministros em vez de 11.

Cabe também ao presidente enviar ao Congresso o Orçamento da União, definindo como os recursos públicos serão aplicados, e propor leis, que precisam tramitar na Câmara e no Senado antes de entrar em vigor. 

No final de junho, por exemplo, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) para atualizar o teto de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual, categoria de registro para pequenos negócios informais), propondo elevar o limite atual de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O PL segue agora está em tramitação na Câmara. 

Em casos de urgência, o Executivo pode ainda editar medidas provisórias, que têm força de lei imediata. Elas também precisam ser aprovadas pelas casas legislativas federais em até 120 dias.

Nessa relação com o Congresso,o presidente tem ainda o poder de vetar projetos aprovados pelo Legislativo. O veto, no entanto, não é a palavra final. Foi o que aconteceu com o PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que prevê redução de penas e mais flexibilidade na progressão de regime para condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023. O presidente Lula vetou o projeto, mas o Congresso derrubou sua decisão em 30 de abril.

Normalmente, quando o Congresso derruba um veto, o texto segue novamente para promulgação do Executivo. Se isso não acontecer em 48 horas, a responsabilidade passa para o presidente do Senado. No caso da Dosimetria, porém, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a lei até que o STF julgue o mérito das ações que questionam sua constitucionalidade.

Quanto ganha o presidente da República

O atual salário mensal do chefe político da nação é de R$ 46.366,19, valor também pago ao vice-presidente e aos ministros de Estado, em vigor desde fevereiro de 2025. O montante é fixado por decreto legislativo do Congresso Nacional e funciona como teto máximo do funcionalismo público federal: nenhum servidor pode receber acima dele.

Em comparação internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe cerca de US$ 33,3 mil por mês, equivalente a R$ 172 mil (cotação de 6 de julho).

Eleição e mandato

Para ocupar o cargo, exercer as funções listadas e receber esse salário, o presidente precisa vencer o escrutínio popular, com maioria dos votos válidos. Desde a Constituição de 1988, existe a possibilidade de segundo turno: se nenhum candidato alcançar 50% mais um dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputam uma nova rodada.

O mandato dura quatro anos, com direito a uma reeleição, regra instituída por emenda constitucional em 1997. Desde então, três presidentes foram reeleitos consecutivamente: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Linha sucessória

Quando o presidente se ausenta do país, em viagem internacional, a Constituição prevê uma ordem de substituição para garantir a continuidade no comando: vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Senado Federal e presidente do Supremo Tribunal Federal.

A mesma ordem vale quando o cargo fica definitivamente vago, seja por morte, renúncia ou impeachment. Foi essa linha sucessória que colocou Itamar Franco na Presidência após o impeachment de Fernando Collor, em 1992, e Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff, em 2016. A diferença é que, nesses casos, quem assume permanece até o fim do mandato original, e não apenas durante uma ausência temporária.

Eleições 2026: a três meses do primeiro turno, veja o calendário

3 de Julho de 2026, 10:52

A partir deste sábado (4), começa a contagem regressiva para as eleições 2026. Serão apenas três meses para o primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Nesse dia, os brasileiros vão às urnas para escolher representantes para seis cargos:

  • deputado federal; 
  • deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal); 
  • senador (duas vagas) 
  • governador e vice-governador; e 
  • presidente e vice-presidente da República. 

Já a regra do segundo turno vale apenas para os cargos do poder executivo em disputa neste ano: governos estaduais e Presidência da República. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, os eleitores participam de um novo pleito, em 25 de outubro, desta vez, para decidir entre os dois nomes mais votados na primeira rodada.

Nas últimas eleições para esses cargos, em 2022, houve segundo turno para a Presidência e para governadores de 12 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. 

De acordo com dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar em outubro — um número recorde, cerca de 2 milhões a mais do que o registrado nas eleições municipais de 2024, quando o país escolheu prefeitos e vereadores. 

Vale lembrar que o prazo para tirar o documento, fazer transferência de cidade ou local de votação ou ainda regularizar o documento encerrou em 6 de maio. Quem não cumpriu essas exigências até a data não poderá votar no próximo pleito. 

Como votar longe de casa

Mas, quem está com o título regularizado e vai estar fora da própria cidade no dia da eleição, não precisa necessariamente deixar de votar. A Justiça Eleitoral libera, todo ano de eleição geral, uma modalidade que permite ao eleitor escolher antecipadamente um município diferente do seu domicílio eleitoral para depositar o voto, sem precisar de transferência definitiva de título.

A janela para pedir a habilitação do voto em trânsito abre em 20 de julho e fecha em 20 de agosto, e cobre tanto o primeiro quanto o eventual segundo turno. O eleitor pode inclusive escolher cidades diferentes para cada etapa. O pedido é simples: basta acessar o Autoatendimento Eleitoral do TSE ou procurar um cartório eleitoral, com um documento oficial com foto em mãos.

Há, porém, um detalhe que costuma pegar eleitores de surpresa. O voto em trânsito só está disponível nas capitais e em municípios com mais de 100 mil eleitores. E o alcance do voto muda conforme a distância percorrida. Quem estiver em outro estado só consegue votar para presidente da República; já quem permanece dentro do próprio estado, mesmo fora do município de origem, pode votar para todos os cargos em disputa.

Outro detalhe também merece atenção. A regra não vale para urnas no exterior — não há voto em trânsito fora do Brasil. O caminho inverso, porém, é permitido e eleitores com título cadastrado no exterior que estiverem em trânsito em território brasileiro podem votar, mas apenas para presidente da República. 

Calendário vai além do dia da votação

O calendário da Justiça Eleitoral não se resume aos dois domingos de outubro. A partir deste sábado (4), uma série de novas regras passa a valer, a maioria delas voltada a conter o uso da máquina pública em favor de candidaturas.

Entre as restrições que entram em vigor está a proibição de nomear, contratar, admitir ou dispensar servidores públicos sem justa causa. A determinação vale até a posse dos eleitos: 5 de janeiro de 2027 para presidente e vice-presidente, e 6 de janeiro para governadores e vice-governadores.

No mesmo dia, começa o período em que nomes, slogans ou imagens de autoridades precisam sair de sites e canais oficiais de comunicação do governo. A publicidade institucional de atos, programas, obras ou serviços públicos também fica proibida — só pode continuar em caso de necessidade pública urgente, e mesmo assim depende de autorização da Justiça Eleitoral. 

Pré-candidatos, por sua vez, não podem mais participar de inaugurações de obras públicas, nem fazer pronunciamentos em cadeia de rádio e TV fora do horário eleitoral gratuito, que começa em 28 de agosto. A exceção é somente para situações excepcionais, como um pronunciamento presidencial em caso de emergência nacional, também sujeito ao aval da Justiça Eleitoral.

Quando sai a convocação de mesários

A agenda do TSE prevê ainda a divulgação daqueles que vão atuar como mesários ou dar apoio logístico durante a votação.

Os juízes eleitorais têm entre a próxima terça-feira (7) e o dia 5 de agosto para publicar os editais com os nomes das pessoas convocadas para as funções.

A partir dessa divulgação, partidos, federações e coligações têm cinco dias para contestar alguma nomeação, e quem foi convocado também pode pedir dispensa dentro desse mesmo prazo.

Promissor e turbulento: as expectativas para o mercado brasileiro em 2026, segundo o BTG

29 de Dezembro de 2025, 11:35

O ano de 2026 deve repetir uma parte da dinâmica de 2025. Ou seja: atividade mais fraca, inflação em desaceleração e uma perspectiva de juros mais baixos no mundo e até no Brasil. O que vai mudar? A turbulência do ano eleitoral. Uma Selic em queda junto com a aproximação do pleito cria um ambiente em que oportunidades e riscos caminham lado a lado, e a cautela será a ordem do dia.

Primeiro, o cenário econômico. Para o BTG, a atividade deve perder algum fôlego: após crescer 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar cerca de 1,7% em 2026. Essa desaceleração reflete os efeitos defasados de uma política monetária que permaneceu bastante restritiva por um período prolongado.

O Banco Central nem de longe indicou que haverá um corte de juros em breve, mas o BTG trabalha com a mesma perspectiva de muitos economistas: a política monetária será o principal fator positivo no início do ano porque ela levará a Selic, hoje no maior nível em quase duas décadas, a uma trajetória de queda.

A projeção do banco é de uma redução da taxa básica de juros para 12% ao final de 2026. É um nível que mantém os juros reais elevados, mas que já altera de forma significativa o ambiente para ativos domésticos. E é o que beneficia especialmente setores mais sensíveis ao custo do crédito e às taxas de longo prazo – varejo e consumo entre eles.

O lado fiscal, de novo

O problema mesmo está na agenda fiscal do governo. Se, por um lado, a queda dos juros oferece algum alívio, a política fiscal segue como o principal ponto de fragilidade do Brasil e para os mercados.

A relação entre a dívida do governo e o PIB permanece elevada, próxima de 80%, e o déficit nominal continua pressionado pelo peso das despesas com juros. Quer dizer: de um lado, o governo está gastando muito em relação à riqueza que a economia gera.

Por outro lado, o juro alto faz a dívida do governo ficar mais cara – e o juro está alto justamente para conter a inflação, que sobe quando o nível de gastos do governo é grande. Uma coisa se alimenta da outra.

Nessa frente, as coisas não caminham bem. O relatório do BTG avalia que não há disposição política para um ajuste fiscal relevante antes das eleições, o que torna improvável qualquer leitura mais consistente em 2026. A trajetória das contas públicas virou um risco estrutural, capaz de limitar a queda dos juros longos e aumentar a sensibilidade do mercado a choques políticos.

As eleições no meio do caminho

É por isso que a eleição presidencial vira o principal fator de volatilidade especialmente no segundo semestre. Nos primeiros meses de 2026, o impacto político tende a ser menor, favorecido pelo recesso do Congresso e pelo foco dos investidores no corte de juros. Com o avanço do calendário eleitoral, porém, as pesquisas passam a ter peso crescente sobre os preços dos ativos.

O presidente Lula segue competitivo, com níveis de aprovação em torno de 43%, enquanto a definição do principal nome da oposição ainda gera incertezas. A permanência de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa é vista como um fator de risco pelo mercado, devido à sua alta rejeição.

De outro lado, a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é interpretada como um cenário mais construtivo, por sinalizar maior previsibilidade e disciplina fiscal. À medida que as pesquisas se tornam mais apertadas, o relatório projeta aumento da volatilidade e uma postura mais defensiva por parte dos investidores.

O cenário internacional e o quão baratas estão as ações

No cenário internacional, o ambiente é menos favorável do que em 2025, mas ainda relativamente benigno. Os Estados Unidos devem manter os juros estáveis ao longo de boa parte de 2026, após uma sequência de cortes iniciados neste ano e que deu enorme amparo para os ativos brasileiros no geral – juro menor lá fora estimula a procura por ativos mais arriscados ao redor do mundo, afinal.

Ainda assim, a ausência de um novo aperto nas condições financeiras globais evita pressões mais severas sobre mercados emergentes. Para o Brasil, o fator determinante segue sendo doméstico: a dinâmica dos juros locais e a percepção de risco fiscal e político é o que ganhará evidência.

O outro ponto que ajuda na tendência positiva para o mercado é que, apesar da forte alta da bolsa de valores em 2025, os ativos brasileiros ainda são negociados a preços relativamente baixos, inclusive do ponto de vista do investidor estrangeiro, o grande comprador de papéis neste ano – até dezembro, foram R$ 25 bilhões destinados ao mercado secundário (ações já listadas).

Isso porque o mercado americano, apesar da perda de força recente, mostrou um movimento muito forte nos últimos anos, impulsionado pelas empresas ligadas a inteligência artificial. O espaço para altas adicionais ainda existe porque essas empresas ainda são muito lucrativas, mas esse desempenho tão forte estimula que os “gringos” busquem outras opções.

Os preços dos ativos domésticos mais baixos também valem para o investidor local. O mercado continua cauteloso com o cenário fiscal e político, é um fato. Quando o nível de desconfiança está alto entre os investidores, eles só compram ações se elas estiverem realmente baratas (ou forem avaliadas dessa forma). Ou seja, o nível de “desconto” dos papéis na bolsa é grande, deixando os preços longe do que seria o seu “valor justo”.

Caso o processo eleitoral sinalize maior compromisso com o controle das contas públicas ou algum alívio nessa frente ocorra, essa percepção tende a melhorar, abrindo espaço para uma valorização adicional dos ativos. Nesse ambiente mais favorável, o BTG projeta crescimento expressivo dos lucros das empresas em 2026, especialmente nos setores ligados ao mercado interno, como bancos, serviços básicos, varejo e construção civil.

Em termos simples, o banco acredita que há motivos suficiente para que os ativos locais sigam em alta ao longo de 2026. Mas a tese passará por um teste de fogo, balançada pelo aumento da volatilidade e pelas tentativas dos investidores de incorporar aos preços as expectativas para a agenda econômica no futuro.

Derretimento da bolsa: um aperitivo da turbulência que as eleições trarão em 2026

5 de Dezembro de 2025, 18:43

Estava tudo indo bem. O Ibovespa chegou a passar dos 165 mil pontos de manhã, impulsionado pelo otimismo de fora, após um dado de inflação bem comportado nos EUA. Mas o ruído eleitoral provou ser bem mais forte do que qualquer outra influência. E revelou um preview do que podemos esperar quando a corrida pela presidência estiver a todo vapor a partir do segundo semestre.

O gatilho para a queda de 4,25% do Ibovespa nesta sexta-feira veio da evidência de uma divisão na direita: a divulgação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou o filho, o senador Flávio Bolsonaro, como seu “candidato oficial”.

Os investidores de peso não escondem que seu nome preferido para a disputa eleitoral é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com a agenda liberal que ele poderia trazer . “A escolha de Flávio elevou a incerteza sobre a articulação política da oposição e desencadeou um ajuste generalizado de preço”, afirmou o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini.

Ou seja, mesmo que Tarcísio ou outro nome da direita disputem o pleito, sabe-se que Bolsonaro tem um eleitorado cativo, e que consegue transferir votos para o filho. Isso pode tornar mais fácil o caminho da reeleição do presidente Lula – cenário que o mercado não gostaria de ver, dado o desapego do atual governo pelo controle dos gastos públicos.

E sem um controle efetivo dessa parte, a fiscal, um cenário de juros em níveis razoáveis se torna menos provável. Tanto que os contratos de juros futuros dispararam, com todos os vencimentos entre 2027 e 2033 acima dos 13%. Desnecessário lembrar que, com os juros nas alturas a perder de vista, não há renda variável que aguente. Daí o sell off desta sexta.

E com o cenário turbulento por aqui, parte dos investidores aumenta sua posição em dólar, para colocar o dinheiro em portos mais seguros. Daí a alta de 2,31%, a R$ 5,432, maior patamar desde 16 de outubro.

Daqui para a frente podemos esperar mais episódios como o dessa sexta. “As eleições vão trazer grande volatilidade e ter impacto em câmbio, juros futuros, na bolsa e na percepção dos mercados para 2027”, diz o executivo-chefe de investimentos do UBS Wealth Management, Luciano Telo.

Esse encerramento de semana, vimos todos, é a prova empírica dessa afirmação.

Depois da alegria, o maremoto: Ibovespa derrete e dólar dispara com futuro das eleições em jogo

5 de Dezembro de 2025, 15:46

As especulações em torno do futuro das eleições presidenciais no Brasil começaram de vez a mexer com o humor dos investidores. Depois dos recordes do Ibovespa ao longo da semana, o mercado inverteu totalmente a direção na sessão de hoje com a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido o escolhido pelo pai para concorrer à Presidência.

Às 17h35, o Ibovespa recuava 4,29%, aos 157.395 pontos. Das 82 ações do Ibovespa, 78 registravam queda.

Enquanto isso, o dólar subiu 2,29%, fechando em R$ 5,431. Os contratos de juros futuros também disparam no dia, com todos os vencimentos entre 2027 e 2033 oscilando acima dos 13% – um claro sinal de aumento da aversão ao risco.

A informação de que Bolsonaro escolheu seu filho como candidato foi divulgada pelo portal Metrópoles e pela CNN, que afirmam que a escolha do integrante da família foi comunicada a interlocutores. Às 15h33, Flávio Bolsonaro confirmou a informação no X. A notícia joga um balde de água fria nas expectativas do mercado em torno na indicação do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como candidato.

Na leitura de operadores de mercado, os investidores receberam mal a notícia porque veem em Tarcísio um nome mais forte para disputar a cadeira com o presidente Lula, em especial com a agenda liberal que ele poderia trazer e pelo descolamento da sua imagem diretamente de Bolsonaro – algo que um membro da família não conseguiria fazer.

A oficialização de Flávio como candidato também divide a direita, pois o filho do ex-presidente tende a tirar votos de outros nomes que poderiam fazer frente a Lula, ao mesmo tempo em que carrega a alta rejeição a Bolsonaro. Em tese, então, a candidatura torna mais fácil o caminho de Lula para a reeleição – algo que o mercado sempre temeu por conta da leniência fiscal do atual presidente.

Por conta disso, os juros futuros entraram em disparada. E o Tesouro Nacional chegou a interromper as negociações de títulos prefixados e IPCA+, prerrogativa usada para evitar distorções pesadas nos preços em momentos como esse.

Venda de ações em bloco derruba Azzas e Allos

Um grande investidor institucional vendeu um bloco grande de ações de duas empresas – a Allos e a Azzas – na manhã desta sexta-feira (5), antes das notícias políticas. O movimento indica que as oscilações recentes das ações deixaram espaço para que grandes acionistas vendam papéis para realizar lucro ou ajustar seus portfólios.

As vendas de blocos de ações, ou block trade, ocorrem por muitos motivos. Nesse caso, um grande acionista faz esse movimento quando vê oportunidade de lucrar com os papéis após um período de valorização deles na bolsa ou porque quer executar uma estratégia específica para a empresa ou para a carteira de investimentos como um todo.

Quem vendeu os papéis das duas empresas na bolsa foi o fundo de pensão canadense CPPIB. Na Allos, o fundo detém hoje 14% das ações. Foram 23 milhões de ações vendidas a R$ 28,38 o papel, totalizando R$ 650 milhões. Os papéis caem 4,51% na bolsa, entre as maiores baixas das ações integrantes do Ibovespa.

Na Azzas, o fundo tem 5,1% do capital. O bloco de venda foi de 10 milhões ações, com preço de R$ 27,10. Ou seja: a operação movimentou R$ 270 milhões. As ações da companhia recuam 5,79%, segunda maior baixa entre os papéis do principal índice da bolsa.

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