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Bitcoin sustenta os US$ 71 mil com trégua no Oriente Médio

24 de Março de 2026, 09:18

O bitcoin (BTC) opera em leve alta na manhã desta terça-feira (24), sustentado pela trégua de cinco dias no conflito no Oriente Médio, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O movimento reflete a retirada de parte do prêmio de risco geopolítico que vinha pressionando os preços”, escreveu Jasper de Maere, estrategista de mesa e trader OTC da Wintermute, em relatório desta semana.

Por volta das 9h15, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 71 mil, com valorização de 0,78% nas últimas 24 horas. No acumulado da semana, no entanto, a criptomoeda ainda registra queda de cerca de 4%.

Entre as principais altcoins – termo usado para criptos que não o BTC – o desempenho é misto. O ethereum (ETH) recuava 0,27%, para US$ 2.173,22, enquanto a solana (SOL) avançava 2,22%, negociada a US$ 91,34.

A dinâmica geopolítica no Oriente Médio, segundo analistas, deve continuar ditando o ritmo dos mercados – não só de cripto, mas também dos ativos tradicionais – ao lado de fatores como inflação e juros nos Estados Unidos.

Uma eventual normalização, ainda que parcial, do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz tende a aliviar as pressões inflacionárias, alegam. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ganharia mais margem para considerar cortes de juros – cenário que costuma favorecer ativos de risco, como as criptomoedas.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h15.

Bitcoin (BTC):  +0,78%, US$ 71.280,62

Ethereum (ETH): -0,27%, US$ 2.173,22

XRP (XRP): -0,06%, US$ 1,42

BNB (BNB): -0,66%, US$ 639,70

Solana (SOL): +2,22%, US$ 91,34

Outros destaques do mercado cripto

Brasileiros injetam US$ 1,3 mi em fundos cripto. Os investidores brazucas colocaram US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,8 milhões) em fundos de criptomoedas na última semana. No acumulado de março, a entrada nesses produtos já chega a US$ 5,7 milhões (quase R$ 30 milhões). O movimento local acompanhou o ritmo global. No mundo todo, os fundos cripto captaram US$ 230 milhões (R$ 1,2 bilhão) só na última semana e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões) nos últimos 30 dias.

Brasil vira vitrine cripto. O mercado internacional de cripto está cada vez mais atento ao Brasil – e isso ficou mais claro recentemente. A Crypto Finance, braço de ativos digitais da Deutsche Börse, desembarcou no país neste ano após demanda direta de clientes – não só pelo mercado local, mas também como porta de entrada para a América Latina. Na visão do CEO, Stijn Vander Straeten, o ambiente brasileiro já figura entre os mais avançados do setor, tanto em adoção quanto em desenvolvimento de infraestrutura.

R$ 8,5 bi em stablecoins no mês. Março ainda não acabou, mas os brasileiros já movimentaram cerca de R$ 8,5 bilhões em stablecoins atreladas ao dólar. A USDT segue absoluta: responde por R$ 7,8 bilhões desse total. Na sequência aparece a USDC, com R$ 751 milhões negociados no período. Os números reforçam a preferência local por ativos dolarizados dentro do universo cripto. O volume de bitcoin (BTC), para efeito de comparação, foi de R$ 3,32 bilhões.

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Bitcoin cai 20% desde o início da guerra e abala tese de porto seguro

22 de Março de 2026, 17:33

Bitcoin e outras criptomoedas voltaram a cair enquanto EUA, Israel e Irã trocavam novas ameaças e ataques.

A maior criptomoeda recuou até 3,3% no domingo (22), sendo negociada a cerca de US$ 68.150 — o menor nível desde o início de março. A queda foi ainda mais intensa entre outros tokens: o Ether perdeu quase 5% em determinado momento, chegando a US$ 2.050, e Solana, XRP e Cardano também registraram perdas expressivas.

O Bitcoin acumula queda de cerca de 20% desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã no fim de fevereiro. O tombo escancarou os limites de um argumento recorrente no mundo cripto: o de que o Bitcoin funcionaria como um porto seguro em tempos de crise.

Mas outros fatores também pesam, segundo Peter Tchir, responsável pela estratégia macro da Academy Securities. O Bitcoin foi arrastado por uma onda de aversão ao risco que derrubou também ações e outros ativos. O encarecimento da energia, provocado pelo conflito, pode estar pressionando adicionalmente o setor — já que torna mais caro o processo de mineração.

“Boa parte dos ganhos recentes parecia apostar em novas leis favoráveis ao setor, algo que ficou mais difícil de acontecer — Washington está focada na guerra, e as novas regulações não têm gerado o entusiasmo de novos investidores que a comunidade cripto esperava”, disse Tchir no domingo. “O risco parece estar aumentando de novo.”

Durante o conflito, o mercado cripto — que opera 24 horas por dia, sete dias por semana — tem funcionado como uma janela antecipada do humor dos mercados tradicionais nos fins de semana.

Contratos futuros negociados na Hyperliquid, plataforma que se tornou uma das maiores para derivativos contínuos, mostravam por volta das 17h (horário de Brasília) de domingo contratos ligados ao petróleo subindo mais de 4%, a mais de US$ 99 o barril. Já os contratos atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500 recuavam mais de 1% cada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que bombardearia as usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de petróleo, efetivamente fechada há semanas. A ameaça impulsionou o preço do petróleo e de outras commodities. O Irã respondeu com suas próprias advertências, dizendo que atacaria bases americanas e israelenses no Oriente Médio se sua infraestrutura de energia fosse alvo. Enquanto isso, os ataques iranianos contra Israel se intensificaram.

A queda recente se soma a um ciclo de baixa que começou no início de outubro, quando o Bitcoin era negociado acima de US$ 120.000. A derrocada inicial foi suficiente para deteriorar o sentimento do mercado e impedir que qualquer tentativa de recuperação ganhasse força suficiente para tirar a moeda do buraco.

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Stablecoins de real passam de R$ 500 milhões, mas ainda engatinham frente às criptos de dólar

20 de Março de 2026, 09:32

As stablecoins de real seguem em expansão no Brasil. Os emissores desses tokens atrelados à moeda brasileira já colocaram no mercado cerca de R$ 530 milhões, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha seis projetos do tipo.

Vale o lembrete: stablecoins são criptomoedas pareadas a ativos tradicionais – como dólar, euro ou o próprio real – geralmente numa relação de 1 para 1. Na prática, funcionam como uma versão digital dessas moedas.

Entre as brasileiras, a BRLV lidera, somando R$ 221,8 milhões emitidos. Logo atrás vem a BRLY, com R$ 220 milhões. Depois aparecem a BRLA, com R$ 88,7 milhões, e a BRL1, ainda bem menor, com quase R$ 6 milhões. Veja o gráfico abaixo.



Esse mercado não surgiu agora. Ao longo de 2025, o uso dessas criptos já movimentou cerca de R$ 20 bilhões.

E tem mais vindo por aí: nos últimos meses, a B3 e o ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, divulgaram que novos tokens atrelados ao real vão entrar em cena neste ano.

Ainda assim, vale colocar em perspectiva: o mercado brasileiro segue minúsculo perto das stablecoins em dólar. Juntas, USDT e USDC (as duas maiores do setor) somam cerca de US$ 264 bilhões em valor de mercado – algo equivalente a duas Petrobras.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h25.

Bitcoin (BTC):  +1,22%, US$ 70.579,62

Ethereum (ETH): -0,58%, US$ 2.146,22

XRP (XRP): -0,09%, US$ 1,45

BNB (BNB): -0,14%, US$ 643,70

Solana (SOL): +20,20%, US$ 89,34

Outros destaques do mercado cripto

Cripto turbina tesouraria. A Méliuz, plataforma brasileira de cashback e cupons que mantém parte da tesouraria em bitcoin, divulgou ontem o balanço do 4º trimestre de 2025. O resultado animou o mercado – e o papel fechou com alta de 11%. Além dos números, a empresa deu um recado claro: quer avançar na criação de produtos que conectem investidores ao universo cripto.

Impasses na lei cripto. O projeto que cria regras para o mercado de criptomoedas nos EUA, o Clarity Act, segue naquele “quase vai” há semanas – e ainda não destravou. Republicanos se reuniram na quinta para tentar fechar os últimos pontos que devem definir como o setor será regulado. A novela continua girando em torno de recompensas de stablecoins (uma espécie de “rendimento” em cripto), algo que os bancos não curtem nada.

De olho no ouro tokenizado. O World Gold Council, organização que atua para promover o metal, quer dar um upgrade no mercado de ouro tokenizado – e, de quebra, ganhar espaço no mundo cripto. Em parceria com o Boston Consulting Group, a entidade propôs um modelo chamado “Gold as a Service”, que cria uma espécie de infraestrutura compartilhada para lastrear tokens em ouro físico.

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Stablecoins: cripto dólar USDC supera USDT em volume “real” pela primeira vez desde 2019

16 de Março de 2026, 09:28

A stablecoin de dólar USDC, emitida pela empresa americana Circle, movimentou US$ 2,2 trilhões em volume ajustado de transações em 2026, contra US$ 1,3 trilhão da USDT, da Tether, segundo nota do banco japonês Mizuho divulgada pelo portal especializado CoinDesk. É a primeira vez que isso acontece desde 2019.

Essa métrica de volume ajustado de transações tenta medir apenas o uso econômico real dessas moedas digitais – como pagamentos, transferências internacionais e integração com serviços financeiros – deixando de fora movimentações automáticas ou puramente técnicas da rede.

As stablecoins, vale sempre lembrar, são criptomoedas que acompanham o valor de outros ativos, como dólar, real ou ouro. No caso das versões atreladas à moeda americana, cada token costuma manter paridade de 1 para 1 com o dólar.

O avanço da USDC também animou investidores com a Circle. Após os dados, o banco japonês elevou o preço-alvo das ações da empresa de US$ 100 para US$ 120. Nos últimos cinco dias, os papéis da companhia subiram cerca de 12%, para US$ 115, acumulando alta de 95% nos últimos 30 dias.

USDT se mantém na liderança

Apesar do avanço da USDC no uso real, a USDT segue líder em valor de mercado. O token da Tether responde por cerca de 57% dos US$ 321 bilhões que hoje circulam nesse setor. A USDC aparece em segundo lugar, com pouco menos de 25%.

O volume total de USDT – considerando todas as movimentações, e não apenas o volume ajustado – também é maior. E o cenário no Brasil mostra isso. Nos últimos 15 dias, brasileiros movimentaram cerca de R$ 5,1 bilhões nessa stablecoin, contra pouco mais de R$ 500 milhões em USDC, segundo dados da plataforma Índice Biscoint.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +3,64%, US$ 73.689,33

Ethereum (ETH): +7,95%, US$ 2.286,22

XRP (XRP): +4,01%, US$ 1,47

BNB (BNB): +2,69%, US$ 678,70

Solana (SOL): +6,27%, US$ 93,98

Outros destaques do mercado cripto

Tesouraria cripto brazuca ganha fôlego. A recente alta do bitcoin chegou à bolsa. As ações da OranjeBTC, considerada a maior tesouraria cripto do Brasil, subiram 11% nos últimos 30 dias, para R$ 7,14. No mesmo período, o BTC avançou cerca de 6%. Apesar do fôlego recente, o papel ainda está cerca de 70% abaixo dos R$ 24 registrados quando a empresa abriu capital, em outubro do ano passado.

Escândalo cripto na Argentina. Está rolando um baita bafafá na Argentina. O jornal Clarín, um dos maiores do país, revelou a existência de um suposto acordo de US$ 5 milhões ligado ao apoio do presidente Javier Milei à criptomoeda Libra. Esse token foi lançado no início de 2025 e chegou a ser promovido pelo político. Depois, porém, despencou de preço, deixando um monte de investidores no prejuízo.

Corretora americana pede recuperação judicial. A situação apertou para a corretora institucional de cripto Blockfills, sediada em Chicago (EUA). A empresa entrou com pedido de recuperação judicial depois de acumular perdas de cerca de US$ 75 milhões e enfrentar problemas de liquidez. A firma tem entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em ativos, contra passivos que podem chegar a US$ 500 milhões. A companhia já havia suspendido saques em fevereiro e ainda enfrenta um processo por suposto uso indevido de ativos de clientes.

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Bitcoin caminha para melhor semana desde setembro; memecoin de Trump sobe 50%

13 de Março de 2026, 09:27

O conflito no Irã continua no radar dos mercados, mas o bitcoin (BTC) tem conseguido navegar relativamente bem em meio ao ambiente de tensão. Na manhã desta sexta-feira (13), a criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 72 mil, com alta de quase 3% nas últimas 24 horas.

Se mantiver o ritmo e nenhum novo fator negativo surgir no radar, o ativo digital caminha para um ganho semanal próximo de 10% – algo que não acontece desde setembro do ano passado, segundo dados da plataforma CoinGlass.

O movimento sugere, segundo analistas, que parte dos investidores pode estar voltando a enxergar o bitcoin como um ativo de diversificação em momentos de incerteza macroeconômica. Além disso, a criptomoeda parece atravessar uma fase de consolidação de preços, após períodos recentes de maior volatilidade.

“O BTC tem demonstrado resiliência em meio ao aumento da volatilidade global e continua se beneficiando da narrativa de ativo alternativo em cenários de instabilidade geopolítica”, falou André Franco, CEO da Boost Research.

No curto prazo, porém, a expectativa para o bitcoin segue neutra a levemente negativa, segundo o especialista. É provável, falou, que o preço permaneça entre US$ 69 mil e US$ 73 mil, enquanto investidores acompanham os próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as expectativas para a política monetária global.

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Token do Trump dispara 50%

Se o dia está positivo para o bitcoin, ele começou ainda melhor para os detentores da memecoin Official Trump (TRUMP), ligada ao polêmico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O token disparou 50% nas últimas 24 horas, para US$ 4,28, após a equipe do projeto anunciar que os maiores detentores da criptomoeda serão convidados para um jantar fechado com Trump em Mar-a-Lago, residência do político na Flórida.

O anúncio desencadeou uma corrida entre investidores – e fãs do presidente – para comprar o ativo e tentar entrar na lista dos maiores holders, condição necessária para garantir o convite.

Não é a primeira vez que algo assim acontece. O projeto já promoveu iniciativa semelhante ano passado – estratégia que, na época, gerou críticas no Congresso americano, por misturar política, celebridade e especulação no mercado cripto.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,80%, US$ 72.426,33

Ethereum (ETH): +3,33%, US$ 2.129,22

XRP (XRP): +2,49%, US$ 1,42

BNB (BNB): +2,43%, US$ 668,70

Solana (SOL): +3,87%, US$ 90,30

Outros destaques do mercado cripto

IOF nas stablecoins? Entidades dizem não. A possibilidade de cobrança de IOF nas stablecoins continua dando o que falar. Ontem, as entidades ABcripto, ABFintechs, Abracam, ABToken e Zetta, que representam mais de 850 empresas, divulgaram uma nota conjunta com um recado direto: a eventual tributação sobre essas criptos seria ilegal. O argumento é o seguinte: o IOF de câmbio exige a entrega efetiva de moedas fiduciárias – como real ou dólar – o que, segundo as entidades, não acontece na negociação de ativos virtuais.

Novo prazo para projeto-piloto de tokenização. A Anbima prorrogou até 27 de março as inscrições para seu projeto-piloto de tokenização. A ideia é que participantes testem, em um ambiente simulado e supervisionado, o desenvolvimento de debêntures e fundos de investimento em blockchain ou tecnologias semelhantes. A entidade pretende selecionar até 20 propostas. Detalhe: os testes serão realizados sem movimentação financeira real.

Sem moeda digital estatal nos EUA. Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, os EUA adotaram um discurso mais favorável à cripto – especialmente entre republicanos. Há, porém, um tipo de ativo digital que não agrada aos legisladores: as CBDCs, moedas digitais emitidas por bancos centrais. Ontem, o Senado do país aprovou por 89 votos a 10 a inclusão, em um projeto de lei sobre habitação, de uma cláusula que proíbe a criação direta ou indireta de uma CBDC. A justificativa é que a inovação financeira deve partir do setor privado – e não do governo.

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Como declarar criptomoedas no Imposto de Renda?

10 de Março de 2026, 10:31

O contribuinte que investe em criptomoedas precisa estar atento ao preencher a declaração do Imposto de Renda para não cair na malha fina.

Para a Receita Federal, moedas digitais são tratadas mais como bens — como carros e imóveis — do que como moeda oficial.

Na prática, a simples valorização de criptoativos não gera imposto automático. A tributação só ocorre quando há venda, troca ou outra forma de alienação com ganho de capital acima do limite de isenção.

A obrigatoriedade de declarar recai sobre o contribuinte que, em 31 de dezembro de 2025, possuía mais de R$ 5 mil em cada tipo de criptoativo, considerando o valor de aquisição.

Elias Menegale, sócio especialista em direito tributário do escritório Paschoini Advogados, recomenda que, ainda que dentro da faixa de isenção, o contribuinte informe a posse de criptomoedas caso já esteja obrigado a entregar a declaração de Imposto de Renda.

“É importante entender que existem duas coisas diferentes: a declaração e a tributação. Declarar não quer dizer que você vai ser tributado. No caso de criptomoedas, esse informe ajuda a manter a coerência patrimonial e reduzir riscos de inconsistência junto à Receita.”

  • A organização é fundamental na hora de declarar criptomoedas, já que não existe uma cotação oficial única reconhecida pelo Fisco para esse tipo de ativo.

Documentos como notas fiscais, extratos das corretoras e comprovantes de transações com detalhes de datas, valores em reais e identificação das partes envolvidas devem estar em mãos no momento de prestar contas ao Fisco.

Leia Mais: Imposto de Renda 2026: como se organizar mês a mês para declarar o ano-base 2025

Como declarar criptomoedas no Imposto de Renda?

Na declaração, o investidor deve informar os ativos na ficha “Bens e Direitos”. Veja o passo a passo:

  1. Na ficha “Bens e Direitos”, clique em “Novo”;
  2. Selecione o grupo 08 – Criptoativos e escolha o código correspondente ao tipo de moeda virtual;
  3. Informe a quantidade do ativo, a data de aquisição, o valor pago em reais e o local de custódia, indicando o nome da exchange ou carteira própria;
  4. No campo “Discriminação”, descreva a operação, incluindo a plataforma utilizada e, se for o caso, o país da corretora;
  5. Por fim, preencha a situação em 31 de dezembro do ano-calendário pelo valor de custo de aquisição em reais, sem atualização pela cotação de mercado.

Para cada tipo de criptomoeda, é necessário abrir um item separado na declaração.

A individualização por categoria é feita para preservar o custo médio de cada ativo digital, que será utilizado no cálculo de eventual ganho de capital futuro.

Caso a compra de criptomoedas tenha sido realizada fora do país, o valor precisa ser convertido para reais pela cotação PTAX do dia da aquisição.

Como funciona a tributação de criptomoedas no Imposto de Renda?

No caso das criptomoedas, o imposto só é devido quando há ganho de capital e as vendas mensais superam o limite de isenção de R$ 35 mil.

Ultrapassado esse teto, o lucro obtido na operação é tributado como ganho de capital, com alíquotas que variam de 15% a 22,5%, conforme o montante apurado.

“É importante lembrar que vendas até esse valor, mesmo que haja lucro, não gerarão imposto a pagar devido à própria faixa de isenção”, afirma Menegale.

Nesse caso, o imposto deve ser apurado no momento da venda e recolhido via DARF até o último dia útil do mês seguinte ao da operação.

Outro ponto importante é que, embora seja considerado um ativo de renda variável, a Receita Federal não permite compensar prejuízos com ganhos de outros ativos ou de meses diferentes, diferentemente do que ocorre com operações em ações.

Leia mais: Saiba como declarar doações e heranças no Imposto de Renda 2026

Como declarar criptomoedas sob custódia de corretoras estrangeiras?

Para contribuintes que possuem criptomoedas sob custódia de corretoras estrangeiras, é necessário indicar essa informação na declaração.

Na ficha “Bens e Direitos”, o investidor deve especificar se o ativo está no Brasil ou no exterior, informando o nome e o país da corretora responsável pela custódia.

Além disso, quando operações com criptoativos fora de exchanges domiciliadas no Brasil superam R$ 30 mil em um único mês, o contribuinte precisa reportá-las mensalmente à Receita Federal.

No caso de exchanges domiciliadas no Brasil, a obrigação de informar as operações é da própria plataforma.

Bitcoin sobe e puxa ethereum, solana e outras altcoins

5 de Março de 2026, 09:19

O bitcoin registrou seu melhor preço em cerca de um mês ontem, impulsionado por novas compras de investidores. Mas não foi só a principal criptomoeda que subiu. As altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também avançaram junto.

O ethereum (ETH) sobe pouco mais de 4% nesta quinta-feira (5), para US$ 2.140, enquanto a solana (SOL) avança 2,37%, negociada acima de US$ 92. Criptomoedas menores, com menor liquidez, também registram alta. O monero (XMR), um dos principais tokens de privacidade do mercado, sobe cerca de 8%.

Quando o bitcoin sobe, ele costuma melhorar o sentimento do mercado e atrair mais capital para o setor cripto como um todo. Com mais dinheiro entrando, parte desse fluxo acaba migrando para altcoins, que muitos investidores veem como apostas com maior potencial de valorização

Além disso, houve uma leve melhora no sentimento global de risco, o que ajudou a aliviar a pressão vendedora sobre os ativos digitais.

Nos Estados Unidos, Donald Trump também se posicionou ao lado do setor cripto na disputa entre plataformas de criptomoedas e bancos sobre o pagamento de rendimento em stablecoins, o que também serviu como impulsionador.

Apesar da recuperação recente, o cenário ainda é incerto, especialmente por causa das tensões geopolíticas. Estados Unidos, Israel e Irã continuam em conflito, e novos ataques foram registrados no Oriente Médio nos últimos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,78%, US$ 72.896,33

Ethereum (ETH): +4,25%, US$ 2.140,22

XRP (XRP): +3,06%, US$ 1,44

BNB (BNB): +1,91%, US$ 661,50

Solana (SOL): +2,37%, US$ 92,77

Outros destaques do mercado cripto

Cripto em fuga no Irã. As exchanges cripto iranianas registraram um movimento alto após os ataques aéreos de EUA e Israel no fim de semana. Entre 28 de fevereiro e 2 de março, cerca de US$ 10,3 milhões em cripto saíram dessas plataformas, segundo dados da Chainalysis. Para onde foi esse dinheiro ainda não está claro. Os fundos, segundo a empresa, podem ter sido enviados para carteiras pessoais de cidadãos, novas infraestruturas de exchanges locais ou até movimentações ligadas ao Estado.

Visa acelera no mundo cripto. A gigante de pagamentos Visa está aprofundando sua aposta em moedas digitais. A empresa ampliou sua parceria com a plataforma de infraestrutura cripto Bridge para permitir cartões Visa vinculados a stablecoins. Na prática, usuários poderão gastar stablecoins normalmente em qualquer estabelecimento que aceite Visa – uma rede com mais de 175 milhões de comerciantes no mundo. A iniciativa já está disponível em 18 países e deve chegar a mais de 100 até o fim do ano.

BC avança na regulação. Tem mais regras chegando para o mercado cripto no Brasil. O Banco Central publicou nesta semana as resoluções 552 e 553. A primeira trata de regras de governança e gestão das empresas, enquanto a segunda aborda questões contábeis. Na prática, as normas trazem mais clareza sobre as obrigações que as empresas do setor devem seguir após a nova regulação cripto, que entrou em vigor em fevereiro.

Cartórios brasileiros na blockchain. A tecnologia por trás das criptomoedas também começa a ganhar espaço nos cartórios brasileiros. Entre 2020 e 2025, pouco mais de 9 milhões de atos notariais – como escrituras públicas, procurações e certidões eletrônicas – foram registrados em blockchain. O movimento mostra como até setores tradicionais começam a embarcar na digitalização e na tokenização de documentos.

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Ouro digital? Bitcoin ignora tensão no Irã e registra melhor preço em um mês

4 de Março de 2026, 14:22

O bitcoin (BTC) ignorou o clima de aversão ao risco provocado pelas tensões no Oriente Médio e avançou cerca de 7% nas últimas 24 horas, ultrapassando a marca dos US$ 73 mil na tarde desta quarta-feira (4). É o maior preço em um mês, segundo dados do gráfico do InvestNews.

Com exceção de algumas altcoins de menor liquidez, a maioria das criptomoedas acompanhou o movimento do ativo digital líder. O ethereum (ETH), segundo maior criptoativo do mercado, avança cerca de 8,45%, enquanto a solana (SOL) registra alta próxima de 7%.

Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, afirmou que o gráfico de quatro horas do bitcoin já indicava pela manhã uma forte entrada de volume financeiro.

“Este movimento sugere captura de liquidez em busca das próximas resistências dos US$ 72.500 e US$ 75.500”, disse a especialista. Em análise técnica, resistência é um nível de preço em que a alta costuma perder força, podendo abrir espaço para uma queda.

Caso o fluxo comprador não se sustente nessa região de preços, porém, o mercado pode voltar a testar suportes mais baixos, na faixa dos US$ 60.000 e US$ 53.000, segundo Ana. Suporte é o nível de preço em que ativo costuma parar de cair e pode voltar a subir.

A valorização do bitcoin – que vinha sendo pressionado nas últimas semanas e viu sua tese de ouro digital ser questionada – começou ainda na madrugada desta quarta. O movimento ocorreu após novos fluxos positivos para os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos Estados Unidos, que registraram cerca de US$ 1,4 bilhão em entradas nos últimos cinco dias, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Esses produtos são amplamente utilizados por investidores institucionais, o que indica que o apetite desse grupo por criptomoedas voltou a ganhar força.

“Apesar do sentimento fragilizado, a estabilidade do preço do bitcoin sugere que instituições podem estar acumulando de forma silenciosa durante períodos de medo impulsionado pelo varejo”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget.

A recuperação das criptos ocorre mesmo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O Irã sinalizou que não pretende negociar com Estados Unidos e Israel após a morte do líder supremo Ali Khamenei e indicou que o conflito pode se prolongar.

A onça-troy do ouro também avança nesta quarta-feira e é negociada a US$ 5.124, com alta de quase 1%.

Ventos de Washington

Também há ventos favoráveis vindos de Washington. Em uma postagem na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os bancos de tentar travar o avanço do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras mais claras para o mercado de criptomoedas no país. O posicionamento foi interpretado por parte do mercado como um sinal de apoio ao setor.

O projeto enfrenta resistência do setor bancário porque pode permitir que stablecoins continuem oferecendo rendimento aos investidores – algo que, na visão dos bancos, poderia incentivar a saída de depósitos do sistema financeiro tradicional.

Apesar da recuperação de hoje, o cenário para o curto prazo ainda inspira cautela. Para André Franco, CEO da Boost Research, o ambiente global de risco segue pressionando o mercado.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 14h20.

Bitcoin (BTC):  +7,08%, US$ 73.020,01

Ethereum (ETH): +8,45%, US$ 2.139,10

XRP (XRP): +5,92%, US$ 1,44

BNB (BNB): +3,73%, US$ 656,90

Solana (SOL): +7,47%, US$ 91,66

Outros destaques do mercado cripto

Cripto invade São Paulo. Notícia para quem mora em São Paulo. Nos dias 18 e 19 de março, o World Trade Center São Paulo recebe o MERGE, um dos principais eventos de cripto da América Latina. A expectativa é reunir mais de 300 palestrantes e 40 expositores do Brasil e da região para discutir de tudo um pouco: mercado, tecnologia e, claro, regulação – assunto que ainda deixa muita gente com dúvida.

Grana nova no mundo cripto. As empresas brasileiras de cripto seguem atraindo investidores. A fintech Oxus Finance, que desenvolveu um agregador de stablecoins com inteligência artificial, levantou US$ 2,4 milhões em uma rodada que contou com investidores como Echo3 Participações e Underblock. A ideia é usar o dinheiro em uma solução que conecta criptomoedas ao sistema Swift, usado por bancos no mundo todo, para facilitar transferências internacionais.

Polymarket remove aposta sobre ataque nuclear. A plataforma de previsões Polymarket, que permite apostar em eventos futuros usando tokens, tirou do ar um mercado que perguntava se uma arma nuclear seria detonada ainda neste ano. A aposta, que já tinha movimentado mais de US$ 838 mil na plataforma, gerou forte reação nas redes sociais. Antes de ser removido, o próprio mercado indicava cerca de 22% de chance de uma detonação nuclear até o fim de 2026.

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Bitcoin enfrenta crise de identidade trilionária – e a queda vai além do preço

21 de Fevereiro de 2026, 16:14

Há um ano, parecia impossível. Mas o bitcoin entrou em uma de suas crises mais profundas – e, desta vez, sem uma saída óbvia.

A maior criptomoeda do mundo caiu mais de 40% desde o pico, e o roteiro habitual não está funcionando. Os compradores de “queda” desapareceram, e as forças que normalmente impulsionariam uma recuperação agora jogam contra.

Um dos motivos é que os usos mais tradicionais para a cripto encontraram porto seguro em outra tese. O ouro venceu o argumento de proteção macro. As stablecoins venceram nos pagamentos internacionais. E os mercados de previsão, como o Polymarket, estão vencendo como instrumento de especulação.

O curioso é que nada disso aconteceu porque o sistema falhou com o bitcoin. Washington nunca foi tão receptivo. A adoção institucional nunca foi tão ampla e Wall Street nunca esteve tão comprometida. O bitcoin conseguiu tudo o que queria, mas não foi suficiente.

Se não é o melhor hedge, nem o melhor meio de pagamento, nem o melhor veículo especulativo — afinal, para que serve? “A narrativa central do bitcoin era ‘o número sempre sobe’ — e isso acabou”, afirma Owen Lamont, gestor da Acadian Asset Management. “Agora o número está caindo. Não é uma boa história.”

O problema da narrativa

Ao contrário de ações ou commodities, o bitcoin não tem fundamentos tradicionais. Seu valor depende essencialmente da crença e da força de histórias que atraem novos compradores. E essas histórias estão enfraquecendo.

Investidores de varejo que entraram no rali impulsionado pelas decisões de início de mandato de Donald Trump estão no prejuízo. E novos veículos especulativos estão drenando atenção do mercado cripto.

“Mercados de previsão e até bolsas de commodities estão tirando foco das criptos”, reforça Noelle Acheson, autora da newsletter Crypto is Macro Now. “Agora que o BTC virou um ‘ativo macro’, ele compete com alternativas mais fáceis de explicar para conselhos, clientes e gestores.”

A virada das stablecoins

Um sinal simbólico veio em novembro, quando Jack Dorsey anunciou que o Cash App passaria a suportar stablecoins. Durante anos, Dorsey foi um dos principais defensores corporativos do bitcoin maximalista. A mudança indicou que a corrida pelos pagamentos já havia avançado.

Em Washington, as stablecoins ganharam centralidade regulatória. O projeto bipartidário Genius Act foi aprovado com facilidade. Reguladores incentivam infraestrutura de tokens lastreados em dólar.

Dentro do próprio universo cripto, tokenização de ativos, derivativos em blockchain e pagamentos internacionais com stablecoins surgem como casos de uso robustos – nenhum deles dependente do bitcoin.

“Ninguém hoje vê o Bitcoin como mecanismo de pagamento”, disse Carlos Domingo, CEO da plataforma de tokenização Securitize.

A armadilha

Ironicamente, o enfraquecimento começou durante o próprio boom. O rali de 2025 trouxe uma onda de institucionalização: ETFs à vista, produtos estruturados, opções de curtíssimo prazo. O que deveria legitimar o ativo também retirou parte de seu misticismo.

O bitcoin deixou de ser símbolo libertário e virou mais um ticker na plataforma da corretora.

Seus defensores ainda citam a escassez programada – limite de 21 milhões de unidades, ciclos de halving. Mas no mercado moderno, a escassez relevante não é apenas de oferta, é de atenção. E a competição por atenção hoje é praticamente infinita: altcoins, derivativos de altcoins, ações tokenizadas, produtos alavancados.

‘Ouro digital’

Apesar da narrativa de “ouro digital”, o bitcoin falhou no principal teste macro recente. Mesmo com tensões geopolíticas e fraqueza do dólar, ouro e prata registraram fortes altas este ano. Já o bitcoin só caiu.

Nos últimos três meses, ETFs americanos de ouro captaram mais de US$ 16 bilhões, enquanto ETFs de bitcoin registraram cerca de US$ 3,3 bilhões em saídas líquidas, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O valor de mercado do Bitcoin encolheu mais de US$ 1 trilhão.

“As pessoas estão percebendo que o Bitcoin é o que sempre foi: um ativo especulativo”, disse Tom Essaye, fundador da Sevens Report. “Não substitui o ouro, não é hedge contra inflação, nem proteção contra o caos.”

Efeito em empresas

Empresas como Strategy (antiga MicroStrategy) acumularam bitcoin e emitiram ações lastreadas nessas posições, criando um ciclo de valorização durante a alta. Agora o ciclo se inverteu.

As maiores empresas com tesouraria em bitcoin caíram ainda mais do que o próprio ativo. Muitas negociam abaixo do valor dos bitcoins que detêm.

E o bitcoin também perdeu parte do monopólio da adrenalina. Plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi atraem o mesmo público que antes operava memecoins, com resultados binários, resolução rápida e eventos do mundo real. Até a Coinbase passou a oferecer contratos de previsão.

Ainda assim, nada disso significa que o bitcoin acabou.Ele continua sendo o ativo digital mais líquido e sobreviveu a crises existenciais – do colapso da Mt. Gox à proibição da mineração na China e ao crash de 2022.

Se isso é uma crise temporária ou estrutural é uma das grandes perguntas da economia digital.

@investnewsbr

Roberto Campos Neto, vice-chairman e head global de políticas públicas do Nubank, fala sobre a participação das stablecoins na dívida americana ao podcast Perspectivas, do Investnews. stablecoins nubank podcast

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Queda do bitcoin faz mercado cripto perder o equivalente a duas Petrobras

2 de Fevereiro de 2026, 09:49

O fim de semana foi de estrago para o bitcoin (BTC) e as altcoins. A indústria de ativos digitais perdeu cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado entre o sábado (31) e o domingo (1º), segundo dados da plataforma CoinMarketCap. O tombo equivale a mais de duas Petrobras (PETR4), hoje avaliada em torno de US$ 98 bilhões.

A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.

Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.

Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.

O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?

Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.

“Baleias” nadam contra a maré

Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.

Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.

Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,59%, US$ 78.052,12

Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11

XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64

BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37

Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09

Outros destaques do mercado cripto

Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.

Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.

Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.

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Bolsa de Nova York quer levar Wall Street para a blockchain

20 de Janeiro de 2026, 17:10

Há tempos o mercado financeiro flerta com um dos principais benefícios da blockchain: funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e de forma muito mais ágil. O problema sempre foi o mesmo: como encaixar isso num sistema cheio de regras e numa engrenagem pesada de bastidores – compensação, custódia e liquidação –, que acaba freando qualquer mudança maior. Agora, a Bolsa de Nova York (Nyse) resolveu dar um passo concreto nessa direção.

Na segunda-feira (19), como mostramos no nosso morning cripto de hoje, a gigante americana anunciou que está desenvolvendo uma plataforma para negociação e liquidação de acões e valores mobiliários tokenizados – ou seja, ativos que passam a rodar na tecnologia por trás das criptomoedas, a famosinha blockchain. A proposta é permitir que essas negociações aconteçam de forma contínua, inclusive fora do horário tradicional de pregão, com liquidação praticamente imediata.

Essas ações tokenizadas, segundo a Nyse, serão equivalentes às ações tradicionais e aos valores mobiliários digitais. Portanto, os investidores terão direito aos mesmos dividendos e direitos de voto das ações convencionais. Segundo a bolsa, esses papéis poderão ser negociados como ações “de verdade”, apenas em formato digital.

A bolsa de valores disse que ainda vai buscar as aprovações regulatórias necessárias para tirar o projeto do papel. A ideia é liberar ainda neste ano. Se isso acontecer, será a primeira vez que a Nyse terá um ambiente dedicado à negociação de ações tokenizadas.

Como funciona

O jeito como o mercado financeiro funciona hoje foi pensado para um mundo que ainda fecha as portas no fim do dia. Quando um investidor compra ou vende um ativo, o negócio até é encerrado na hora, mas a parte burocrática vem depois.

A operação precisa atravessar vários sistemas e instituições diferentes até ser oficialmente concluída, passando por corretoras, estruturas de compensação, custódia e bancos. Esse vai e vem de registros e checagens torna o processo lento e pesado.

Para piorar, o dinheiro só anda quando o sistema bancário está aberto. Fins de semana, feriados e diferenças de fuso entram na conta. Na prática, isso significa que os recursos ficam parados no meio do caminho por um tempo, o que encarece a operação e deixa as partes expostas a riscos até que tudo seja liquidado de vez. A proposta da Nyse é reduzir esse intervalo e aproximar a liquidação do momento da negociação.

É justamente aí que entra a mudança. Em vez de usar apenas a infraestrutura financeira tradicional para registrar quem comprou, quem vendeu e transferir dinheiro e ativos, a Nyse quer passar a usar blockchains (sim, várias) nessa etapa de bastidores para liquidação e custódia. A ideia é que essa tecnologia permita registrar e transferir ações de forma mais rápida e contínua.

Na prática, a bolsa vai continuar usando seu sistema tradicional – chamado Pillar –, que é o motor responsável por casar ordens de compra e venda. Mas todo o “back-end” da operação, ou seja, a parte de registro, liquidação e custódia, passa a rodar na tecnologia por trás das criptos.

A empresa informou que já está trabalhando com instituições como BNY e Citi para viabilizar depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação.

Vale lembrar que outras empresas também “namoram” o setor cripto. No fim ano passado, a Nasdaq apresentou uma proposta formal à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês) para permitir que ações tokenizadas e produtos negociados em bolsa (ETPs) sejam listados e negociados diretamente em sua plataforma, usando tecnologia blockchain. O CME Group também divulgou em 2025 que está explorando e testando tecnologias de tokenização.

Bitcoin recua com risco de guerra comercial entre EUA e Europa

19 de Janeiro de 2026, 09:26

O bitcoin e as principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – operam em queda na manhã desta segunda-feira (19), acompanhando o movimento negativo dos futuros de Nova York.

O gatilho vem da política internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas contra países europeus caso a Dinamarca não aceite vender a Groenlândia.

O polêmico chefe do Executivo americano disse recentemente, em suas redes sociais, que a ilha é essencial para a segurança nacional, especialmente por causa de um projeto de sistema antimísseis do país.

Na Dinamarca, manifestantes protestam contra a investida de Trump. A União Europeia (UE), por sua vez, estuda impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos ou até restringir o acesso de empresas americanas ao bloco.

Quando esse tipo de incerteza global entra em cena, os investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados, como ações e criptomoedas.

O bitcoin é negociado em queda de 2,19%, enquanto o ethereum (ETH) escorrega quase 3%. Nos EUA, o índice Dow Jones recua 0,17%, enquanto Nasdaq e S&P 500 caem 0,06%.

“No curtíssimo prazo, a incerteza macro segue elevada, especialmente com Trump adicionando novas camadas de ruído via tarifas. Isso pode limitar movimentos mais agressivos imediatamente”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital.

E a semana promete novos capítulos. A tensão comercial entre EUA e União Europeia deve ganhar ainda mais destaque no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Trump e outros líderes se reúnem nos próximos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  -2,19%, US$ 93.128,88

Ethereum (ETH): -2,98%, US$ 3.222,10

XRP (XRP): -3,96%, US$ 1,97

BNB (BNB): -2,16%, US$ 925,24

Solana (SOL): -5,92%, US$ 133,70

Outros destaques do mercado cripto

Até a Selic foi parar na blockchain. As plataformas de previsão em blockchain estão ganhando espaço no debate político e econômico, inclusive no Brasil. Na Polymarket, por exemplo, já tem gente apostando no resultado da próxima decisão de juros do Banco Central, marcada para os dias 27 e 28 deste mês. Por enquanto, 89% dos apostadores acreditam que o Copom vai manter a taxa no nível atual. Nessas plataformas, os usuários compram tokens de “sim” ou “não” para cada cenário. Se acertarem o resultado, trocam as criptos pelo valor proporcional da aposta.

Regulação no centro do palco. Regulação é aquele assunto que nunca sai de moda no mundo cripto – e vive mudando. Entre os dias 17 e 19 de março, São Paulo recebe o MERGE, uma conferência internacional focada justamente em regulação, além de outros assuntos como Web3, blockchain e stablecoins. O encontro terá participação do Banco Central e de várias instituições que movimentam o mercado cripto brasileiro. Vale anotar na agenda.

Treta entre Coinbase e Casa Branca? A relação entre a Coinbase e a Casa Branca pode ter dado uma azedada nos últimos dias. Uma jornalista americana disse no X que o governo Trump teria ficado irritado depois que a exchange retirou seu apoio ao projeto de lei Clarity Act, por causa do risco de o texto acabar proibindo o pagamento de rendimentos com stablecoins. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, porém, tratou de esfriar o clima: segundo ele, a Casa Branca pediu apenas que a empresa tente costurar um acordo com os bancos, que não são nada fãs da ideia de empresas cripto distribuindo “juros” aos investidores.

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Bitcoin pega embalo com ajuda dos ETFs e da inflação dos EUA

14 de Janeiro de 2026, 09:51

Depois de alguns dias em queda ou andando de lado, o bitcoin (BTC) acordou de melhor humor nesta quarta-feira (14) e voltou a namorar a faixa dos US$ 95 mil – movimento que respingou também nas demais criptomoedas.

Um dos impulsionadores foi a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que subiu 0,3% em dezembro e ficou em 2,7% em 2025. Tudo dentro do que o mercado já esperava.

“Os dados de inflação tinham potencial para funcionar como catalisador, ajudando o mercado a sair do congestionamento recente e buscar um movimento mais direciona”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital

A inflação, junto com o dado de emprego divulgado na semana passada, reforça a narrativa de que cortes de juros podem estar no horizonte – o que é sempre música para os ouvidos de quem investe em cripto e outros ativos de risco.

Agora, resta saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai mesmo apertar o botão neste ano. Vale lembrar que Jerome Powell, presidente da instituição, anda sob uma pressão danada de Donald Trump, depois da abertura de uma investigação sobre um projeto de reforma de prédios históricos.

O empurrão dos ETFs

Outro empurrãozinho para o bom humor do mercado veio dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA. Ontem, eles registraram entradas de US$ 753,7 milhões – o maior volume diário desde 7 de outubro, segundo a plataforma SoSoValue.

Esse tipo de fluxo costuma funcionar como um vento a favor para o preço do bitcoin. Quando entra mais dinheiro nos ETFs, os gestores precisam comprar BTC no mercado para montar as posições, o que aumenta a demanda e ajuda a puxar as cotações para cima.

O projeto de lei dos EUA

Além dos dados macro e do fluxo para os ETFs, há mais um ingrediente animando a indústria. Nesta quinta-feira (15), o Senado dos EUA deve votar o Clarity Act, um projeto super aguardado que busca criar um marco regulatório para o setor cripto.

Havia, porém, um trecho do texto que vinha tirando o sono dos players: a possível proibição de stablecoins pagarem rendimento. Hoje, por exemplo, quem deixa o dólar digital USDC “parado” em certas plataformas consegue algo perto de 3,5% ao ano.

Só que o clima mudou. O comitê bancário da Casa apresentou uma espécie de ajuste na proposta e, pelo que está desenhado agora, a ideia é liberar esse tipo de recompensa. Ou seja: as stablecoins ganharam uma sobrevida no jogo da renda passiva.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  +3,31%, US$ 95.043,27

Ethereum (ETH): +5,15%, US$ 3.291,10

XRP (XRP): +3,03%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,92%, US$ 933,50

Solana (SOL): +1,83%, US$ 144,40

Outros destaques do mercado cripto

Bancos não curtem a renda passiva das stablecoins. Como era de se esperar, os bancos não estão nada animados com essa história de stablecoins pagando rendimento. O CFO do JPMorgan, Jeremy Barnum, disse que isso cria uma espécie de “sistema bancário paralelo”. Segundo ele, empresas de cripto estão oferecendo algo muito parecido com contas bancárias – rendem juros e tudo – só que sem o mesmo nível de supervisão, exigências de capital ou proteção ao investidor. Tradução: a disputa ficou séria.

Kobra entra no mundo dos NFTs. O muralista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido no mundo todo, resolveu dar um pulo no universo cripto e transformar suas obras em tokens não fungíveis (NFTs). Para quem anda meio por fora: NFT é um bem digital único, registrado em blockchain. Esse mercado esfriou nos últimos anos, mas já viveu dias de glória – com obras sendo vendidas por milhões de dólares.

Imóvel de luxo vira token no Brasil. A onda da tokenização – o processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – segue firme no Brasil. A startup Rooftop captou R$ 17,2 milhões com tokens imobiliários lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, localizado entre Itatiba e Bragança Paulista, em São Paulo. Na prática, é o mercado imobiliário mergulhando cada vez mais na tecnologia por trás das criptos.

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Bitcoin patina entre cruz da morte e saídas de ETFs

9 de Janeiro de 2026, 10:00

O bitcoin (BTC) amanheceu andando de lado nesta sexta-feira (9), com leve alta de 0,50% nas últimas 24 horas. A análise técnica da criptomoeda e as recentes saídas de dinheiro de fundos de ativos digitais seguem limitando qualquer tentativa de alta mais robusta.

A maior criptomoeda do mercado – negociada na faixa dos US$ 90 mil hoje – continua presa na temida “cruz da morte”. Esse padrão acontece quando a média móvel de preço de 50 dias cruza para baixo da média de 200 dias.

Historicamente, esse sinal costuma estar associado a quedas. Não é uma regra escrita em pedra, mas é algo que deixa traders com o pé atrás.

Do outro lado, os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de bitcoin nos Estados Unidos também seguem sob pressão. Depois de registrarem US$ 697 milhões em entradas na segunda-feira (5) – o maior volume em três meses – o fluxo virou completamente.

Nos últimos três dias, segundo a plataforma SoSoValue, esses produtos somaram US$ 1,1 bilhão em saídas. Esses movimentos costumam pesar sobre o preço e mostram que os investidores institucionais, grandes usuários desses veículos, estão adotando uma postura mais cautelosa.

“As recentes saídas de capital de ETFs continuam a refletir o rebalanceamento de portfólios, a realização de lucros após uma alta inicial e a cautela de curto prazo em meio à consolidação do mercado, em vez de uma mudança fundamental na demanda institucional”, disse Nick Ruck, diretor da LVRG Research, ao site The Block.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  +0,50%, US$ 90.316,71

Ethereum (ETH): -0,51%, US$ 3.087,07

XRP (XRP): +1,22%, US$ 2,09

BNB (BNB): +0,64%, US$ 889,01

Solana (SOL): +2,74%, US$ 138,10

Outros destaques do mercado cripto

Futuros de cripto ganham novo horário na B3. Boa notícia para quem negocia derivativos de criptomoedas e ouro na B3. A partir desta sexta-feira (9), os contratos futuros de bitcoin (BIT), ethereum (ETR), solana (SOL) e ouro (GLD) passam a ser negociados desde as 8h. Além disso, a partir de 20 de abril, o horário de negociação será estendido até as 20h. Segundo a bolsa, a mudança atende a uma demanda dos próprios investidores locais.

Quase R$ 6 bi em tokenização no Brasil. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – começou 2026 em ritmo acelerado no Brasil. Só neste mês, cerca de R$ 1,5 bilhão em tokens foram emitidos, levando o volume total no país para R$ 5,85 bilhões. Até agora, os principais ativos tokenizados nos primeiros dias do ano foram debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).

Submundo cripto movimenta US$ 154 bilhões. Apesar do avanço da regulação, as criptomoedas ainda seguem sendo usadas em atividades ilegais. Um relatório divulgado pela Chainalysis ontem mostra que transações ligadas a crimes com ativos digitais somaram US$ 154 bilhões no ano passado, alta de 155% em relação a 2024. Segundo o estudo, as stablecoins foram os principais instrumentos usados por criminosos virtuais, respondendo por 88% de todo o volume movimentado em atividades ilícitas.

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O próximo Lehman pode ser cripto? O risco escondido nas stablecoins

8 de Janeiro de 2026, 17:49

As stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – cresceram rápido demais. Hoje, já somam um valor de mercado de cerca de US$ 317 bilhões, o equivalente a 10% dos US$ 3,1 trilhões da indústria de ativos digitais. Tradicionalmente, elas são usadas para trading. Porém, aos poucos, também vêm invadindo o sistema financeiro: aparecem em remessas internacionais, plataformas de pagamento, compra de títulos públicos e até em parcerias com gigantes como Visa e Mastercard.

É algo inovador sim – afinal, cripto é mais rápida, funciona 24 horas por dia e corta intermediários, reduzindo um bocado dos custos. Mas esse avanço todo também acende um alerta. Se essas moedas digitais estão com os braços espalhados por todo o sistema financeiro, um problema maior com seus emissores – risco inerente a qualquer empresa, especialmente num setor cuja regulação ainda está sendo construída – pode virar o estopim de um risco sistêmico. Ou seja, uma bela bagunça em escala global.

Risco sistêmico é quando o problema de uma parte do sistema tem efeito dominó e começa a derrubar o resto. Imagine um grande banco quebrando: outras instituições têm dinheiro aplicado nele, empresas dependem dele para operar, investidores entram em pânico, o crédito trava e a economia desacelera. Um exemplo clássico é a quebra do Lehman Brothers, em 2008, que tinha cerca de US$ 639 bilhões em ativos e espalhou a crise pelo mundo inteiro.

Cripto é igual? Não exatamente – mas a lógica do risco é parecida.

Se uma stablecoin grande quebrar (poucas dominam o mercado), o problema não fica restrito a ela: exchanges que usam essa moeda como base de negociação travam, fundos e empresas que guardam caixa nelas ficam com buracos no balanço e até o mercado de títulos públicos pode sentir o impacto, porque eles compõem parte do lastro delas. O filme é conhecido: pânico, vendas forçadas, contágio e crise de confiança.

“Elas (as stablecoins) se tornaram fundamentais para pagamentos, liquidação e liquidez internacional. Com o crescimento da tokenização e parcerias com bancos tradicionais, uma crise geraria um choque de liquidez imediato em empresas que as utilizam para capital de giro e pagamentos”, disse Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School.

“Os sinais de contágio aparecem no volume investido e no interesse crescente de instituições como Morgan Stanley e Bank of America, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal”, falou Humberto Aillón, professor da FIPECAFI.

Vamos por partes.

Risco de concentração extrema

Hoje, as duas maiores stablecoins mercado – a USDT e a USDC – concentram 82% do valor de mercado das stablecoins. A USDT, sozinha, abocanha pouco mais da metade – 58,68%. É uma gigante cripto. Isso cria um problema simples: se essas duas empresas tiverem problemas, quase todo o mercado sente. É o clássico problema de “too big to fail” no mundo cripto.

E não existe “banco central das stablecoins”. Em crises do sistema tradicional, essas entidades podem comprar títulos públicos, ativos privados, injetar liquidez no sistema, abrir linha de crédito etc. Mas no caso das stablecoins, não há nada disso.

Volatilidade e risco de corrida

Mesmo prometendo estabilidade, stablecoins podem perder a paridade se houver dúvidas sobre reservas ou governança. Em crises, investidores correm para sair ao mesmo tempo. Como nem todos conseguem resgatar direto no emissor, vendem no mercado com desconto, alimentando o pânico.

Isso já aconteceu.

A Tether, emissora da USDT, já perdeu a paridade em momentos de estresse. No fim do ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da moeda de manter o vínculo com o dólar para a pior nota da escala, citando justamente falta de transparência e maior risco dos ativos.

Impacto no mercado de títulos públicos

Hoje, stablecoins já detêm cerca de 2% de todos os T-bills (títulos americanos de curto prazo), segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado no final do ano passado. Veja o caso da Tether. Seu último balanço mostra US$ 127 bilhões em treasuries – mais do que a Alemanha. É ótimo para o governo dos EUA, que tem cada vez mais compras de sua dívida. No entanto, apontou o FMI, isso também pode ser um problema.

Se continuarem crescendo, disse a entidade, eles podem distorcer o funcionamento desse mercado, pressionando os juros (rendimento) para baixo. Pior: em caso de corrida, o emissor teria de vender enormes volumes de títulos de uma vez, causando “fire sales” (venda forçada e apressada de ativos) e bagunçando mercados que são a base do sistema financeiro e da política monetária.

“Uma deterioração grave nesses mercados poderia potencialmente exigir a intervenção do banco central. Além disso, uma deterioração no mercado de títulos do Tesouro poderia impactar negativamente a capacidade do governo de captar recursos”, disse a entidade.

Concorrência com depósitos bancários

Se stablecoins se tornarem amplamente usadas fora do sistema bancário tradicional (por exemplo, em pagamentos ou reservas de valor), isso pode reduzir depósitos bancários – o que enfraquece uma fonte tradicional de financiamento para bancos, segundo o FMI. Essa perda de depósitos pode, em teoria, reduzir a capacidade dos bancos de emprestar à economia e aumentar o custo do crédito se os bancos tiverem que substituir esses depósitos por fontes de financiamento mais caras

Em países frágeis, stablecoins em dólar podem substituir a moeda local rapidamente. Isso poderia enfraquecer o controle do banco central sobre juros e liquidez, reduz a arrecadação de senhoriagem (o “lucro” que um governo obtém ao emitir dinheiro) e dificulta a política monetária, ainda segundo a entidade. E isso pode acontecer muito mais rápido do que a dolarização tradicional, porque stablecoins funcionam via celular e internet.

Regulação poderia dar um help?

A regulação normalmente chega depois da tecnologia – e no caso das stablecoins isso tem se confirmado. Regras e supervisão ainda variam muito entre países, o que pode ser um problema sério se algo der errado.

Alguns países e blocos já avançaram: exigem reservas um pouco mais transparentes, mecanismos de resgate e proteção ao cliente, e estabeleceram frameworks específicos para moedas digitais. No ano passado, os Estados Unidos publicaram a Genius Act, visto por analistas como um grande avanço para o setor. Também tem a regulamentação de mercados de ativos digitais europeia, a MiCA. Enquanto isso, outros países ainda estão no começo – ou sequer têm legislação clara.

Essa desigualdade, segundo o Banco Central Europeu (BCE), cria lacunas regulatórias que podem ser exploradas por emissores de stablecoins escolhendo operar em lugares com regras mais leves. Falando especificamenteo do bloco, a entidade disse seguinte:

“As discrepâncias globais entre as jurisdições constituem a principal fonte de risco das stablecoins para a zona do euro. Apesar das muitas semelhanças entre os diversos conjuntos de legislação, permanecem diferenças importantes em relação aos requisitos de reserva e se as taxas de resgate são permitidas ou não, por exemplo. Essas diferenças facilitam a arbitragem regulatória”.

O professor Humberto Aillón, da FIPECAFI, lembrou que, no Brasil, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm trabalhando com foco na segurança do investidor. A regulamentação foi publicada no fim do ano passado e aumentou as exigências de reservas, regras de custódia e governança, em linha com o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/22).

Ainda assim, por se tratar de uma classe de ativos relativamente nova e muito dependente de infraestrutura de blockchain e tecnologia, o consenso no mercado é que a regulação ainda tem bastante espaço para ajustes e melhorias, disse.

O lado A

Existe todo esse medo, mas nem tudo é problema – claro. Apesar dos riscos, as stablecoins resolvem problemas reais – como já foi falado muito por aqui e em vários veículos. Elas tornam pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, podem ser usadas para viagem, reduzem intermediários, funcionam de domingo a domingo, e já estão sendo usadas por empresas e bancos para liquidação financeira.

Além disso, as firmas emissoras estão se mexendo e melhorando cada vez mais. “A transparência melhorou significativamente. Emissores como a Circle (dona da USDC) utilizam a BlackRock para gerir reservas, com auditorias regulares e verificáveis”, lembrou Fioravante, professor da FIA Business School. Contudo, falou, o mercado ainda cobra auditorias “em tempo real” para garantir que cada token tem 100% de cobertura em ativos seguros, e não em papéis comerciais de menor qualidade

O ponto, dizem especialistas, não é frear a tecnologia. É impedir que ela cresça rápido demais sem uma rede de proteção, como já aconteceu tantas vezes na história do sistema financeiro.

Bitcoin escorrega com aversão ao risco e ruído técnico

7 de Janeiro de 2026, 09:55

O bitcoin (BTC) não conseguiu sustentar a alta do início da semana e amanheceu no vermelho nesta quarta-feira (7), perdendo o patamar dos US$ 93 mil.

No cenário macro, a criptomoeda reage a um leve aumento da aversão ao risco, em meio à expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas envolvendo o petróleo.

Hoje, os EUA divulgam o relatório de emprego privado da ADP de dezembro e, mais tarde, a pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade. Esses indicadores são importantes porque ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No campo geopolítico, os olhos seguem voltados para o desenrolar da prisão de Nicolás Maduro, que adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário global.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin dos EUA sentiram o clima. Depois de registrarem o melhor dia desde o início de outubro no início desta semana, o fluxo virou para o negativo, com US$ 243 milhões em saques ontem.

A movimentação de capital nesses produtos, preferidos por investidores institucionais, costuma repercutir no preço do bitcoin – e vice-versa – em uma dinâmica quase cíclica.

Segundo a CryptoQuant, a demanda aparente on-chain (toda a movimentação registrada diretamente na blockchain) também segue fraca e precisaria de uma recuperação mais consistente para sustentar um retorno aos US$ 100 mil.

“Com o sentimento ainda incerto e o baixo volume de negociação no mercado, a demanda por um retorno à movimentação on-chain ainda não mostrou sinais sólidos de melhora”, disse a casa.

Falha no bitcoin?

Há outro burburinho no mercado. Na terça, desenvolvedores do bitcoin (BTC) divulgaram a existência de um bug em duas versões recentes do principal software da rede – o Bitcoin Core 30.0 e o 30.1 -, lançadas em outubro do ano passado.

Esse problema poderia apagar o conteúdo de carteiras antigas durante a migração em “raras circunstâncias”, disseram. Ou seja, poderia fazer o investidor perder suas criptomoedas. Mas calma: não é o fim do mundo.

Primeiro, porque os desenvolvedores já removeram o download das versões afetadas e prometeram uma correção. Segundo, porque nem de longe todo mundo usa essas versões – que, aliás, já vinham sendo pouco adotadas desde o lançamento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -1,96%, US$ 91.951,45

Ethereum (ETH): -0,75%, US$ 3.212,19

XRP (XRP): -5,33%, US$ 2,24

BNB (BNB): +0,58%, US$ 905,79

Solana (SOL): -1,03%, US$ 137,65

Outros destaques do mercado cripto

Mais uma stablecoin brazuca na praça. Tem mais uma stablecoin brasileira chegando no pedaço. O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta semana, na CNN, que vai lançar o BRD, uma cripto lastreada em títulos públicos do Tesouro Nacional. Hoje, o Brasil já tem pelo menos seis stablecoins – BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV – e a própria B3 revelou, no fim do ano passado, que também está desenvolvendo um token. O mercado cripto definitivamente não para.

Fundos cripto brasileiros ficam no vermelho. Os fundos brasileiros de criptomoedas terminaram 2025 com mais saídas do que entradas. No total, os produtos registraram um fluxo negativo de US$ 1 milhão, bem diferente dos US$ 234 milhões que entraram em 2024. O Brasil ficou na contramão do resto do mundo: globalmente, os fundos cripto tiveram influxos de US$ 47,2 bilhões no ano passado, pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões de 2024.

Morgan Stanley quer ETF cripto. O Morgan Stanley pediu à SEC (a CVM dos EUA) autorização para lançar um ETF de bitcoin à vista e um produto ligado à solana (SOL), mostrando que a velha guarda de Wall Street segue cada vez mais confortável com o mundo cripto. O pedido vem num momento em que esses produtos estão em alta: os ETFs de bitcoin nos EUA já somam US$ 123 bilhões sob gestão e seguem recebendo dinheiro novo, enquanto os fundos ligados à solana também já passaram da marca de US$ 1 bilhão.

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Bitcoin sobe com rumores sobre reserva oculta de cripto na Venezuela

5 de Janeiro de 2026, 10:20

O bitcoin (BTC) chegou a tocar os US$ 93.350 no fim de semana, o maior nível em cerca de um mês, antes de se estabilizar na faixa dos US$ 92 mil na manhã desta segunda-feira (5). O movimento coincidiu com a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, mas a relação não é direta.

O que entrou no radar do mercado foi a possibilidade de a Venezuela deter uma grande reserva oculta de bitcoin, o que poderia ter implicações relevantes para a indústria. Em nota citada pelo The Wall Street Journal, a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, afirmou que estimativas apontam para uma reserva superior a 600 mil bitcoins.

Se confirmado, o país se tornaria o maior detentor de BTC do mundo, à frente dos Estados Unidos (328,3 mil unidades), China (190 mil) e Reino Unido (61,2 mil), segundo dados do site Bitcoin Treasuries Companies.

Ozkardeskaya destacou que a oferta de bitcoin poderia ser impactada caso esses ativos sejam apreendidos pelos Estados Unidos em investigações por narcoterrorismo ou incorporados a reservas estratégicas.

O que esperar no curto prazo?

No curto prazo, a leitura para o bitcoin é neutra a levemente positiva, segundo André Franco, CEO da Boost Research. Para ele, o início de ano favorece ativos de risco, com recuperação de bolsas globais, maior liquidez e um sentimento de “restart” após o período de festas.

“A força relativa das bolsas e a estabilidade do preço do BTC acima de US$ 91 .000 sugerem que, mesmo sem um catalisador macro imediato, o ativo pode consolidar seus níveis com leve viés de alta”.

Ainda assim, Franco ressalta que uma agenda econômica carregada e o dólar mais forte podem atuar como freios, limitando movimentos mais agressivos no curtíssimo prazo. As principais altcoins também operam em alta nesta manhã, acompanhando o bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h.

Bitcoin (BTC):  +1,89%, US$ 92.808,88

Ethereum (ETH): +1,05%, US$ 3.168,12

XRP (XRP): +0,81%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,11%, US$ 905,40

Solana (SOL): +0,63%, US$ 128,28

Outros destaques do mercado cripto

Quase R$ 100 bi em dólar digital no Brasil. Em 2025, os brasileiros intensificaram o uso da stablecoin USDT, o principal “dólar digital” do mercado. O volume negociado nas exchanges chegou a R$ 98,9 bilhões, quase o dobro do registrado em 2024 (R$ 52,6 bilhões). O apetite por esse tipo de cripto não é novidade por aqui, mas no ano passado houve um impulso extra: as stablecoins, que funcionam como instrumento de câmbio, eram isentas de IOF. Esse cenário, porém, mudou em 2026, com a entrada da regulação.

Eleições brasileiras na blockchain. A corrida presidencial brasileira entrou no radar da Polymarket, plataforma construída em blockchain que permite apostas sobre eventos futuros. O mercado relacionado às eleições já movimentou cerca de US$ 10 milhões em volume. O funcionamento é simples: os usuários compram tokens de “sim” ou “não”, que representam possíveis desfechos. Se o resultado escolhido se confirmar, os tokens podem ser trocados pelo valor proporcional ao total apostado, descontadas as taxas da plataforma.

PwC amplia aposta em cripto. A PwC decidiu aprofundar sua atuação no setor cripto, embalada por um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos e pela popularização das stablecoins. A gigante global vê na aprovação do GENIUS Act (lei dos EUA para stablecoins) um divisor de águas para a adoção institucional de ativos digitais, além de reforçar a tese de crescimento da tokenização. Após anos de cautela, a PwC agora planeja atuação mais intensa tanto em auditoria quanto em consultoria, apostando que o setor entrou em uma fase mais madura e previsível.

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Rali relâmpago: bitcoin toca nos US$ 90 mil, mas perde força

29 de Dezembro de 2025, 09:40

O bitcoin (BTC) deu um suspiro de esperança aos investidores no domingo (28), ao voltar a superar a marca psicológica dos US$ 90 mil. A animação, porém, durou pouco.

Na manhã desta segunda-feira (29), a maior criptomoeda do mercado perdeu fôlego e voltou a operar na faixa dos US$ 86 mil, segundo dados do gráfico do InvestNews.

O movimento acompanhou os futuros da Nasdaq, que recuam 0,37%. Nos últimos meses, o BTC tem mostrado maior correlação com o índice de tecnologia dos Estados Unidos – e menos com o ouro, ativo tradicionalmente visto como proteção.

“O gráfico de preços do bitcoin parece muito promissor para níveis mais altos no futuro, mas há menos certeza no curto prazo”, disse John Glover, diretor de investimentos da Ledn, ao portal especializado CoinDesk.

Segundo o especialista, o mercado tende a andar de lado ou até registrar uma leve correção nas próximas semanas ou meses.

As altcoins – termo usado para criptomoedas que não são o bitcoin – também operam em queda nesta manhã.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30:

Bitcoin (BTC):  -0,58%, US$ 86.991,24

Ethereum (ETH): -0,35%, US$ 2.930,70

XRP (XRP): -0,29%, US$ 1,87

BNB (BNB): -0,36%, US$ 851,69

Solana (SOL): -0,66%, US$ 123,70

Outros destaques do mercado cripto

Mineração de BTC avança no Brasil. A mineração de bitcoin – o motor que emite novas moedas – está encontrando terreno fértil no Brasil. Projetos já estão a todo vapor na Bahia, no Mato Grosso do Sul… Os motivos? Estados oferecendo vantagens tributárias e um empurrão do governo federal, que tem ajudado data centers. Uma combinação potente. Mas ainda tem um “porém” para resolver: essa atividade é voraz em energia e a regulação para isso no Brasil ainda é cinzenta.

DeFi de mãos dadas com mercado tradicional. Já ouviram falar das finanças descentralizadas (DeFi)? É o ecossistema de serviços financeiros que roda direto na blockchain, a tecnologia por trás das criptos. E adivinha? Aqui no Brasil, o DeFi tem caminhado para perto do mercado financeiro tradicional. Prova disso é que o volume dos Tokens de Investimento em Direitos Creditórios (os TIDC`s, como são conhecidos) já alcançou a marca de R$ 1 bilhão. Um sinal forte, né?

Cripto estatal com juros. O Yuan digital, a moeda do banco central da China, passou por uma repaginada. A cripto estatal deixará de funcionar apenas como “dinheiro digital” para se tornar uma “moeda de depósito digital” a partir de 1º de janeiro de 2026. Ou seja, vai pagar juros para quem segurar. O objetivo do governo do país é impulsionar a adoção da moeda governamental, que é uma das mais avançadas do mundo, mas ainda enfrenta desafios de popularização.

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Bitcoin sobe mais de 1%, mas acumula queda de dois dígitos no ano

26 de Dezembro de 2025, 09:13

O mercado cripto se encaminha para fechar 2025 menor do que iniciou. A capitalização total recuou 10,24% desde 26 de dezembro de 2024. Saiu de US$ 3,32 trilhões para os atuais US$ 2,98 trilhões, conforme dados do site CoinMarketCap.

Entre as criptomoedas, o bitcoin (BTC) mantém a hegemonia com com um valor total de US$ 1,77 trilhão, ou seja, cerca de 60% de todo o mercado. De 26 de dezembro para cá, a principal cripto do global perdeu 10,7% do valor.

O BTC viveu momentos distintos ao longo de 2025. Chegou mesmo a alcançar a máxima histórica. Em 6 de outubro alcançou uma cotação recorde de US$ 126 mil, impulsionada pelo efeito Trump, após o presidente americano ter criado uma reserva estratégica de BTCs e seu governo ter acelerado a criação de leis e regulações para o setor.

Mas a partir desse auge, passou a recuar sob a pressão de saídas relevantes de recursos dos ETFs de bitcoin. Do pico histórico ao momento atual, o bitcoin caiu 30%.

O ethereum (ETH), por sua vez, registrou uma queda de 16,3% em seu valor de mercado nos últimos doze meses. A segunda maior moeda do setor recuou de US$ 3.492 para a faixa de US$ 2.971. A queda do ETH ocorre, principalmente, com o acirramento da concorrência com plataformas de contratos inteligentes mais novas e atraentes para os novos desenvolvedores.

Em 2025, quem brilhou mesmo foram as stablecoins de dólar, ou seja, moedas digitais pareadas e com lastro na moeda americana. Essas versões de dólar digital descentralizadas criaram um mercado próprio tanto como refúgio de valor, quanto como forma de substituir remessas e transferências de valores internacionais. Entre as duas mais importantes do mercado, a USDT, da Theter, movimenta mais de US$ 71 bilhões por dia, enquanto a USDC, da Circle, mantém um giro diário de US$ 10 bilhões.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h:

Bitcoin (BTC):  +1,24%, US$ 88.569,24

Ethereum (ETH): -3,19%, US$ 2.964,98

XRP (XRP): +0,73%, US$ 1,87

BNB (BNB): +0,30%, US$ 839,51

Solana (SOL): +1,81%, US$ 123,82

Outros destaques do mercado cripto

M&As criptos quadruplicam de valor em um ano. O setor de criptomoedas registrou um volume recorde de US$ 8,6 bilhões em fusões e aquisições em 2025, segundo levantamento do Financial Times. Conforme o jornal,  267 negócios foram fechados na indústria cripto no ano, um aumento de 18% em relação a 2024. Já o valor total representa um salto de quase 300% em comparação com o ano passado. A Coinbase realizou a maior aquisição do ano com a compra de US$ 2,9 bilhões da plataforma de negociação de opções cripto Deribit. Outras grandes fusões incluem a aquisição de US$ 1,5 bilhão da Kraken pela plataforma de futuros NinjaTrader, e a compra da Hidden Road pela Ripple US$ 1,25 bilhão.

Leilão na blockchain. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) fará um leilão de dez galpões utilizando o site da Nordeste Leilões e uma infraestrutura blockchain para registro de dados que a InspireIP desenvolveu. Todos os documentos do processo, como edital, laudos, fotos, anexos, retificações e toda a trilha de alterações foram registrados em blockchain. O objetivo é que o carimbo de data e hora assegure a integridade e a autenticidade das informações. A data do leilão ainda não está definida.

A música do bitcoin. O Ministério da Cultura (MinC) homologou o projeto cultural “Música do Bitcoin” para a fase de captação de recursos via leis de incentivo. A proposta recebeu o aval do governo para buscar o montante R$ 1 milhão junto à iniciativa privada. A empresa Rede Conexão Brasília aparece como a titular responsável pela execução da obra: a criação de um espetáculo de música instrumental que envolve a utilização de dados financeiros e da rede blockchain para a composição das peças sonoras.

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Stablecoins latinas movimentam R$ 25,6 bilhões; Brasil lidera o jogo

17 de Dezembro de 2025, 09:57

Enquanto todo mundo fala das stablecoins de dólar, um outro movimento acontece mais perto da gente. As versões latino-americanas estão ganhando cada vez mais espaço no cenário cripto.

Um estudo divulgado pela Iporanga Ventures nesta semana mostra que as stablecoins do Brasil, México e Colômbia já movimentaram, juntas, R$ 25,6 bilhões em 2025. A expectativa é que o total até o último dia do ano alcance R$ 32 bilhões.

Ainda é pouco se comparado à USDT – que sozinha tem volume diário cerca de três vezes maior do que isso -, mas o avanço chama atenção

E o Brasil é o grande destaque da região. Sozinhas, as stablecoins atreladas ao real brasileiro devem registrar um volume negociado de R$ 21,3 bilhões até o final do ano.

Hoje, o país conta com seis criptos ligadas à sua moeda oficial: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV. De acordo com o estudo, elas colocam o Brasil como o terceiro maior mercado do mundo em circulação e volume desse tipo de ativo, atrás apenas de tokens de dólar e de euro.

Detalhe: há mais uma cripto “brazuca” prestes a ser criada. Ontem, a B3 anunciou que deve lançar, ainda no primeiro semestre, a sua própria stablecoin. A moeda digital será lastreada em reais e criada para permitir a liquidação de ativos tokenizados dentro da bolsa.

Vale lembrar que esses criptoativos são lastreados, em grande parte, por títulos públicos – o que ajuda a ampliar a demanda por dívida soberana e entra, inclusive, no radar das discussões sobre financiamento do setor público.

Quem usa stablecoins latinas?

No fim do ano passado, investidores profissionais e as chamadas “baleias” (pessoas ou grupos com grandes volumes de ativos digitais) respondiam por 60% do volume movimentado. Os institucionais representavam apenas 5%, enquanto o varejo somava 35%.

Em 2025, esse cenário se inverteu. Hoje, 84% do volume já vem de investidores institucionais, 12% de profissionais e apenas 4% de varejo.

“Stablecoins locais estão se tornando uma ponte entre a economia latino-americana e o sistema financeiro global. Elas já movimentam bilhões de dólares – e dezenas de bilhões de reais -, estão sendo adotadas por instituições e começam a reescrever como câmbio e pagamentos acontecem on-chain”, disse Rodrigo Trindade, research lead da Iporanga Ventures.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50:

Bitcoin (BTC):  -0,12%, US$ 87.050,09

Ethereum (ETH): -0,68%, US$ 2.929,45

XRP (XRP): -0,81%, US$ 1,90

BNB (BNB): -0,92%, US$ 859,17

Solana (SOL): -0,44%, US$ 127,90

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoins nos bancos dos EUA. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), agência federal dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma estrutura para que bancos regulados possam pedir autorização para emitir stablecoins de pagamento. Por enquanto, a proposta está em consulta pública e só depois deve virar regra. Mas a direção é clara: as stablecoins estão deixando de ser um experimento cripto para entrar, de vez, no sistema financeiro tradicional.

Fed mais amigável às criptos? O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando possíveis substitutos de Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve (Fed). Nesta quarta (17), ele vai entrevistar Christopher Waller, diretor do banco central americano. Waller é visto como pró-cripto e já declarou apoio, no passado, especialmente às stablecoins e às finanças descentralizadas (DeFi).

Leilão público com tecnologia cripto. A blockchain também começa a avançar no setor público. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) vai realizar, agora em dezembro, o primeiro leilão público usando essa tecnologia. O sistema foi desenvolvido pela empresa InspireIP. Todo o processo – edital, laudos, fotos, anexos, retificações e o histórico completo de alterações – foi registrado em uma estrutura cripto.

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Bitcoin recua com pressão de macro, IA e vendas

16 de Dezembro de 2025, 09:45

O cenário não está nada favorável para o mercado cripto nesta terça-feira (16). O bitcoin (BTC) e as principais altcoins tomaram um novo tombo, com a aversão ao risco em alta e pressão vendedora vindo de vários lados.

O bitcoin é negociado na faixa dos US$ 87 mil, com queda de 3% nas últimas 24 horas. O ethereum (ETH) cai ainda mais forte, com perdas superiores a 6% no mesmo período.

A pressão começa pelo cenário macro. Traders aguardam novos dados de emprego e inflação nos Estados Unidos, que devem influenciar as próximas decisões de juros do Federal Reserve (Fed). O ambiente segue de cautela, com menos apetite por risco.

Os olhos também continuam voltados para o Japão, que pode elevar os juros ainda nesta semana. Um movimento assim tende a afetar o carry trade – estratégia em que investidores tomam recursos em ienes a juros baixos para aplicar em mercados de maior retorno -, o que costuma pressionar ativos de risco, incluindo criptomoedas.

Outro catalisador negativo vem do setor de inteligência artificial. O mercado passa por uma nova rodada de reavaliação, com discussões crescentes sobre excesso de otimismo e até risco de bolha. Vale lembrar que, recentemente, o mercado cripto tem se comportado mais como ações de tecnologia do que como ativo de proteção, como o ouro.

“Para o mercado de criptomoedas, isso cria uma dinâmica mais sutil: a perda de dominância da IA libera atenção e capital, mas o setor cripto continua estruturalmente sensível ao sentimento mais amplo de crescimento. Uma deflação ordenada da narrativa de IA tende a ser construtiva; um desmonte violento, não”, escreveu o trader Jasper de Maere, da Wintermute, em relatório.

Por fim, a pressão vendedora aumentou de forma relevante, especialmente entre investidores de longo prazo. Dados da empresa de análise de blockchain CryptoQuant mostram que o pico de vendas desses holders (usuários que mantêm cripto por um bom tempo) nos últimos 30 dias está entre os maiores dos últimos cinco anos.

Essa pressão vendedora também aparece nos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin listados nos Estados Unidos. Após registrarem entradas líquidas de US$ 49 milhões na sexta-feira (12), o fluxo virou rapidamente. Na segunda-feira (15), os produtos tiveram saídas de US$ 357,6 milhões – o pior resultado diário desde 20 de novembro.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30:

Bitcoin (BTC):  -3,00%, US$ 87.030,09

Ethereum (ETH): -6,36%, US$ 2.955,00

XRP (XRP): -3,30%, US$ 1,91

BNB (BNB): -2,74%, US$ 863,17

Solana (SOL): -2,85%, US$ 128,80

Outros destaques do mercado cripto

Brasileiros sacam fundos cripto. Em meio à volatilidade do bitcoin, alguns investidores brasileiros em fundos de criptomoedas decidiram reduzir a exposição. Na semana passada, segundo dados da CoinShares, foram sacados US$ 1,7 milhão (R$ 9,1 milhões) desses produtos no Brasil. O movimento vai na contramão do cenário global: no mesmo período, os fundos cripto ao redor do mundo registraram entradas líquidas de US$ 864 milhões (R$ 4,6 bilhões).

JPMorgan e seu novo fundo tokenizado. A onda da tokenização segue ganhando força. O JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, lançou um fundo tokenizado na rede do ethereum. O produto, voltado exclusivamente para investidores qualificados, permite obter rendimento mantendo o capital alocado no fundo. A iniciativa se apoia na própria infraestrutura do ethereum, que oferece o staking – mecanismo de renda passiva que remunera quem mantém ativos travados na blockchain.

ETFs de XRP passam de US$ 1 bi. Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de XRP listados nos Estados Unidos vão muito bem, obrigado. Lançados em 13 de novembro, os produtos ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) em entradas acumuladas. O desempenho reforça que o apetite institucional por criptoativos regulados vai além dos fundos focados apenas em bitcoin e ethereum, as duas maiores criptomoedas do mercado.

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Efeito pré-IOF: brasileiros movimentam mais de R$ 10 bi em stablecoins

9 de Dezembro de 2025, 10:16

A movimentação das stablecoins em dólar segue a todo vapor no Brasil. Em novembro, o volume total negociado dessas criptos nas exchanges locais somou R$ 10,7 bilhões, segundo dados divulgados na segunda-feira (8) pela plataforma Biscoint, do Bitybank.

A USDT, da Tether, continua na liderança: foram R$ 10,22 bilhões só no mês passado – praticamente o mesmo patamar de outubro. Já a USDC, da Circle, movimentou R$ 463 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 477 milhões do mês anterior.

O apetite dos brasileiros por esses tokens, apelidados de “cripto dólar”, vem crescendo nos últimos anos porque eles podem ser usados para operações de câmbio e ainda são isentos de IOF. Essa vantagem, no entanto, tem prazo para acabar: até maio de 2026.

A norma que muda o jogo foi publicada pelo Banco Central em novembro, quando a autarquia federal regulamentou o mercado de cripto e enquadrou as stablecoins dentro das regras de câmbio.

A Receita Federal – responsável por fazer a administração dos tributos federais – ainda não detalhou como exatamente será a cobrança do IOF, mas a expectativa é que publique algo nos próximos meses.

Bitcoin e Ethereum seguem firmes

Apesar da preferência por stablecoins, o volume de bitcoin e ethereum também permanece robusto.

O BTC movimentou R$ 4,84 bilhões em novembro, contra R$ 5,2 bilhões em outubro. O ethereum somou R$ 1,22 bilhão, ante R$ 1,57 bilhão no mês anterior.

Na manhã desta terça-feira (9), as duas maiores criptomoedas do mercado operam em baixa: bitcoin na casa dos US$ 90.630,70 e ethereum a US$ 3.130,78.

Andre Franco, CEO da Boost Research, disse que o mercado de criptomoedas apresenta uma expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa.

“A aversão ao risco e a indefinição sobre o futuro da política monetária global exercem pressão sobre ativos mais voláteis, como as criptomoedas”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,53%, US$ 90.630,70

Ethereum (ETH): -0,10%, US$ 3.130,78

XRP (XRP): -0,29%, US$ 2,08

BNB (BNB): -1,95%, US$ 888,08

Solana (SOL): -3,97%, US$ 132,91

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real levanta uma boa grana. A empresa brasileira Crown, responsável pela BRLV – uma stablecoin atrelada ao real -, recebeu um aporte de US$ 13,5 milhões (R$ 70 milhões) liderado pela Paradigm, uma das gigantes do mundo cripto. Com o caixa reforçado, a firma promete expandir a infraestrutura da BRLV, que já soma R$ 360 milhões em valor de mercado. Mais um sinal de que as stablecoins “made in Brazil” estão chamando atenção além do quintal.

Strategy engorda o caixa de BTC. A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin do mercado, abriu a carteira mais uma vez. A empresa informou que acrescentou 10.624 BTC ao portfólio – um investimento de US$ 926 milhões. Com isso, a companhia passa a deter 660.624 bitcoins, algo em torno de US$ 60 bilhões. O saldo equivale a cerca de 3% de toda a oferta máxima de 21 milhões de BTC previstos para existir no mundo.

ETF de ethereum com “dividendos”. A BlackRock deu mais um passo no universo cripto e entrou com um pedido nos EUA para lançar um ETF de ethereum com staking. O staking permite que investidores mantenham seus ETH bloqueados na blockchain para ajudar a validar transações – e, em troca, recebem recompensas em criptomoedas. Na prática, funciona como uma espécie de “dividendo” do mundo cripto.

ETF de bitcoin da BlackRock registra maior sequência de saídas da história

5 de Dezembro de 2025, 10:12

O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) de bitcoin (BTC) à vista da gigante dos investimentos BlackRock, atravessa sua pior sequência desde o lançamento, em janeiro de 2024.

Nas últimas cinco semanas, o fundo registrou US$ 2,7 bilhões em saídas, segundo dados da Bloomberg até 28 de novembro.

Se o ritmo continuar, o ETF – “queridinho” dos investidores institucionais – deve completar seis semanas consecutivas de resgates. Só ontem, foram US$ 113 milhões em saques.

A onda de saídas anda lado a lado com a queda do bitcoin. Do início de novembro até esta sexta-feira (5), o BTC recuou 16%, pressionado por dúvidas sobre juros globais, aumento da aversão ao risco e incertezas envolvendo empresas cripto.

Nesta manhã, a maior criptomoeda do mercado é negociada a US$ 91.204, em queda de quase 2%, segundo a cotação do InvestNews.

Num efeito dominó, os resgates nesses ETFs também aceleram o movimento de baixa: quando os investidores vendem as cotas, os fundos precisam se desfazer de parte das criptos que mantêm em custódia para o lastro.

E não é só o ETF da BlackRock que está na maré negativa. Os outros fundos de BTC nos EUA também vêm perdendo fôlego. Juntos, os 10 produtos acumulam US$ 4,5 bilhões em saídas nas últimas seis semanas, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.

A movimentação nesses fundos tem impacto no mercado cripto, visto que eles somam US$ 120,8 bilhões em patrimônio acumulado – 6,54% de todo o valor de mercado do bitcoin. O IBIT, sozinho, responde por US$ 71,54 bilhões, quase 60% desse total.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,98%, US$ 91.204,03

Ethereum (ETH): -1,44%, US$ 3.129,78

XRP (XRP): -3,60%, US$ 2,06

BNB (BNB): -1,80%, US$ 893,08

Solana (SOL): -4,40%, US$ 136,69

Outros destaques do mercado cripto

Regulação provoca primeira baixa. A regulamentação das criptos endureceu as regras e passou a exigir capital mínimo – entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões – para empresas atuarem no setor. Muita startup cripto local não tem essa grana. Especialistas já sinalizaram que algumas poderiam fechar as portas. E isso já começou. A Crypto Use, que trabalha com infraestrutura de pagamentos, anunciou que encerrou as operações porque o novo cenário ficou insustentável.

Stablecoins na cola das moedas fracas. As stablecoins seguem no radar de organismos internacionais. Em relatório divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que essas criptos – que mantêm paridade com ativos tradicionais – podem ganhar espaço em países onde a moeda local é fraca ou a inflação é persistente. A instituição alerta que, nesses contextos, a população tende a migrar para alternativas digitais mais estáveis. Fica a pergunta: o real brasileiro entra nesse grupo de risco?

De volta para o Brasil. Em um passado não tão distante, o Brasil foi inundado por golpes com cripto. Um dos últimos a cair foi o esquema Braiscompany, que prometia 8% ao mês, não pagou e desviou mais de R$ 1 bilhão de 20 mil clientes. Foi uma novela só, e o casal responsável pelo esquema fugiu para a Argentina. Lá, eles foram presos em 2024. Agora, a Justiça autorizou a extradição deles para o Brasil. Que isso ajude a recuperar o dinheiro das vítimas, né?

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Bitcoin, cadê os US$ 200 mil? Tese do ‘ouro digital’ perdeu o brilho?

4 de Dezembro de 2025, 16:21

O bitcoin (BTC) vez ou outra é chamado de “ouro digital” por sua escassez – lembrando que só 21 milhões de criptos podem ser emitidas, algo que só deve ocorrer por volta de 2140. Gestoras, especialistas e até o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já bateram nessa tecla. Mas, neste momento, a moeda digital está longe de brilhar como o metal precioso.

Enquanto o ouro sobe 60% no ano e bate US$ 4.200 nesta quinta-feira (5), o bitcoin acumula queda de 0,50% entre janeiro e dezembro. Ou seja, quem entrou na cripto apostando nas previsões otimistas ao longo de 2025 está no prejuízo.

E não foram poucas projeções. O JPMorgan falou que o BTC poderia alcançar os US$ 165 mil; o Standard Chartered mencionou US$ 200 mil; o fundador da BitMex, Arthur Hayes, conhecido no mercado cripto, chutou US$ 250 mil; e o fundador da Binance, Changpeng Zhao, exagerou: até US$ 1 milhão.

Nesta quinta-feira (4), a criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 93 mil. Para bater na menor previsão, teria que subir 61% em 27 dias. Na maior, o pulo precisaria ser de 975%. Pode ocorrer? Por um milagre, talvez, mas nunca na história a cripto conseguiu fazer uma proeza dessas.

O melhor desempenho do bitcoin em dezembro foi em 2020, quando a criptomoeda saltou 52%, de US$ 19 mil para perto dos US$ 29 mil. Naquele ano ocorreu o terceiro halving – processo que reduz a emissão da cripto – e a empresa Strategy, até então somente uma empresa da área de software, começou a comprar BTC. Hoje, ela é a maior bitcoin treasury company do mercado.

Veja o comportamento do bitcoin em dezembro nos últimos 13 anos:

AnoPreços (4 → 31 de dezembro)Variação %
2024US$ 95.873 – US$ 93.420-2,56%
2023US$ 40.681 → US$ 42.654+4,85%
2022US$ 17.005 → US$ 16.558-2,63%
2021US$ 53.212 → US$ 46.810-12,03%
2020US$ 19.271 → US$ 29.347+52%
2019US$ 7.158 → US$ 7.204+0,64%
2018US$ 3.902 → US$ 3.696-5,29%
2017US$ 12.174 → US$ 14.903+22,36%
2016US$ 752 → US$ 998+32,71%
2015US$ 390 → US$ 434+11,28%
2014 US$ 376 → US$ 313-16,77%
2013US$ 989 → US$ 767-22,43%
Fonte: CoinGecko

O “ouro digital” perdeu o brilho? Não exatamente.

Não é bem assim. O bitcoin é uma espécie de quimera. Segundo o pessoal da TAG Investimentos, de vez em quando ele se comporta como ouro e reserva de valor, mas nesse momento tem se comportado mais como um ativo de risco e de liquidez.

“As correlações mudam sempre, por definição, mas agora a correlação do bitcoin é com o Nasdaq e com a liquidez na economia global”, escreveram na carta mensal de dezembro. Mas aqui vale uma nota: a Nasdaq sobe 20% – e o BTC não acompanhou.

A Tag reforçou que, mesmo no momento ruim, a cripto virou ativo institucional: ETFs (fundos negociados em bolsa), tesourarias corporativas e fundos soberanos passaram a comprar. Até o JPMorgan, historicamente crítico a cripto, liberou produtos para clientes.

“Isso não volta atrás. Volatilidade permanece, mas legitimidade está consolidada”, escreveram.

As previsões que atrapalham

Mesmo mais institucionalizado, o bitcoin ainda convive com projeções de preço consideradas exageradas por parte do mercado. Parte dessa euforia pode ser explicada pelo comportamento quase religioso de alguns investidores, algo que o economista Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008 e um dos principais haters do BTC, destacou recentemente.

Em texto publicado em novembro, ele voltou a dizer que o bitcoin só sobe porque funciona como uma seita – com fiéis que dobram a mão sempre que o preço cai.

“Esse status de culto permitiu que o bitcoin se recuperasse de contratempos e escândalos que teriam afundado qualquer investimento normal, porque os verdadeiros crentes respondem a qualquer queda em seu preço investindo mais do que nunca”, disse.

O que esperar para o restante de dezembro?

Há gatilhos positivos à frente, como a possível queda de juros nos Estados Unidos na próxima semana – algo que tende a favorecer ativos de risco. Por outro lado, uma alta de juros no Japão, como já sinalizado pelo BOJ (o banco central do país), pode afetar a liquidez global, respingado na cripto.

No geral, os traders estão mais pés no chão. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, disse que, se houver força compradora, as próximas resistências (níveis de preço onde a alta tende a encontrar dificuldade e pode desacelerar) estão nas áreas de US$ 94.500 e US$ 101.300.

Já os suportes (níveis de preço onde a queda tende a ser freada e pode se estabilizar) de curto e médio prazo estão nas regiões de liquidez dos US$ 85.600 e US$ 79.000.

Já Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, falou que apesar de o BTC operar na faixa dos US$ 93 mil, o mercado ainda observa a resistência crítica em US$ 98.500. “Superar esse nível seria essencial para reverter a tendência de queda que já dura semanas”, falou.

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ETFs da cripto XRP atraem quase US$ 1 bi e deixam ethereum e solana para trás

3 de Dezembro de 2025, 16:30

Lançados em novembro nos Estados Unidos, os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de XRP – criptomoeda criada pela empresa Ripple para facilitar transferências de dinheiro entre países – começaram com o pé direito. Em apenas 12 dias de negociação, eles atraíram US$ 824 milhões em entradas líquidas, segundo dados da plataforma SoSoValue.

O desempenho garantiu aos produtos a segunda melhor estreia entre os ETFs americanos de grandes criptomoedas, acima dos primeiros dias dos fundos de ethereum (ETH) e solana (SOL) e atrás somente dos ETFs de bitcoin.

Só nos últimos seis dias, os ETFs de XRP acumularam US$ 401 milhões. Apesar do volume, a criptomoeda em si não reagiu muito bem: caiu 2,86% na semana e 7,58% nos últimos 30 dias, um resultado pior do que o do bitcoin.

Os ETFs à vista de BTC, liberados para negociação em janeiro de 2024, registraram US$ 1,01 bilhão em entradas nos primeiros 12 dias, um volume apenas US$ 186 milhões maior do que o do XRP.

Há, porém, um detalhe importante no caso dos fundos de bitcoin: além dos novos ETFs lançados, um fundo fechado da gestora Grayscale, o GBTC, foi convertido em ETF, passando a ser negociado em bolsa, em vez de ficar restrito ao ambiente da empresa.

Como o GBTC cobrava uma taxa bem mais alta, muitos investidores aproveitaram a conversão para realocar o dinheiro em produtos mais baratos, como o IBIT, da BlackRock. Isso inflou o volume de saídas do GBTC e, ao mesmo tempo, impulsionou as entradas nos ETFs recém-lançados.

Com o ethereum aconteceu algo parecido. Os ETFs da cripto, lançados em julho de 2024, tiveram um início turbulento e, no acumulado de 12 dias, registraram saídas de US$ 387 milhões. O motivo: o ETF ETH da Grayscale, que também era fechado e virou ETF, tinha taxa elevada e sofreu resgates, enquanto os investidores buscavam alternativas mais baratas.

Já os ETFs de solana, lançados no fim de outubro deste ano, tiveram uma estreia positiva, com entradas de US$ 342 milhões nos primeiros 12 dias de negociação.

Bitcoin sobe 7% em dia de alívio, mas riscos seguem no retrovisor

3 de Dezembro de 2025, 10:11

O mercado cripto parece uma montanha-russa nos últimos dias – um sobe e desce bravo. Hoje, pelo menos, o carrinho está no trecho da subida. O bitcoin (BTC) avança 7% nas últimas 24 horas e volta para a faixa dos US$ 93 mil.

As altcoins acompanham o embalo: o ethereum (ETH), que passa por uma nova atualização nesta quarta-feira (3), salta 9%, para a faixa dos US$ 3 mil, enquanto a solana (SOL) dispara 10%, para US$ 141,80, recuperando parte das perdas recentes.

O que animou o mercado?

Há uma pressão compradora – ainda tímida – se formando. Os ETFs de bitcoin dos Estados Unidos, por exemplo, registraram US$ 58 milhões em entradas líquidas ontem. Foi o quinto dia consecutivo de influxos positivos, algo que não acontecia desde o início de outubro.

“As tendências dos ETFs melhoraram significativamente. Os fluxos líquidos tornaram-se positivos, o que indica um renovado interesse institucional, apesar dos volumes de ETFs permanecerem abaixo do limite inferior da faixa de negociação”, disse a empresa de análise Glassnode em relatório desta semana.

Outras notícias também empurraram as criptos para cima. O Bank of America, um dos maiores bancos dos EUA, liberou alocação de até 4% em produtos de ativos digitais para clientes de alta renda. Lembrando que ontem a Vanguard, segunda maior gestora do mundo, deu sinal verde para clientes investirem em ETFs de criptos.

E tem mais vento a favor: a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos. Segundo a ferramenta CME FedWatch, 89% dos agentes apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira (10). Tesouradas nas taxas costumam dar um gás em ativos de risco, como as criptos.

Calma lá

Ainda assim, não é dia de soltar fogos. O ambiente segue delicado, segundo especialistas. A possível queda de juros no Japão ainda neste mês segue tirando o sono dos mercados porque pode mexer na liquidez global.

“A taxa livre de risco do Japão é importante devido ao carry trade que ela cria e à relevância dessa prática para o financiamento global”, lembrou o trader Jasper de Maere em relatório desta semana.

O tal do carry trade é uma estratégia comum no mercado global em que investidores tomam dinheiro emprestado em um país onde os juros são mais baixos e aplicam esse dinheiro em outro lugar com taxas mais altas.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +7%, US$ 93.040,10

Ethereum (ETH): +9,27%, US$ 3.083,50

XRP (XRP): +7,46%, US$ 2,17

BNB (BNB): +7,15%, US$ 901,45

Solana (SOL): +10,17%, US$ 141,80

Outros destaques do mercado cripto

Harvard escorrega no timing do bitcoin. A Universidade de Harvard revelou em novembro que saiu às compras e encheu o carrinho com quase meio bilhão de dólares do IBIT, o ETF de bitcoin da BlackRock. Só que, desde então, o BTC deslizou um bocado, deixando a instituição com um prejuízo estimado de 14% nas 4,9 milhões de cotas do fundo adquiridas no último trimestre, segundo o Wall Street Journal. Um lembrete de que nem as instituições mais tradicionais escapam do sobe e desce das criptos.

Congresso quer colocar ordem nas stablecoins. No meio de toda a volatilidade do mercado cripto, os parlamentares brasileiros seguem discutindo as regras do setor. Nesta semana, o deputado federal Lucas Ramos (PSB-PE) apresentou parecer ao Projeto de Lei nº 4.308, que disciplina as stablecoins – aquelas criptos atreladas a outros ativos. No texto, ele insiste que as plataformas locais adotem mecanismos de prevenção para evitar que esses tokens sejam usados em crimes.

Cartórios vão parar na blockchain – e já tem data. Os cartórios planejam colocar todos os registros de imóveis das capitais brasileiras na blockchain – a tecnologia por trás das criptos – já no 1º semestre de 2026. A ideia é que esses documentos se tornem autoexecutáveis: ou seja, quando um banco financiar um imóvel, o sistema poderá controlar o pagamento das parcelas e comunicar automaticamente eventuais atrasos. Tudo graças aos contratos inteligentes.

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Fantasma do lastro assombra a stablecoin USDT após rebaixamento pela S&P

27 de Novembro de 2025, 16:37

O fantasma que assombra a USDT – maior stablecoin do mercado cripto, emitida pela Tether – sempre foi a transparência e a qualidade de suas reservas. Desde o lançamento, em 2014, há dúvidas se o token é realmente sustentado por um lastro sólido, capaz de manter a paridade de 1 para 1 com o dólar americano.

Agora, esse fantasma voltou a aparecer.

A S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da USDT de manter sua ligação com a moeda americana de 4 (“limitada”) para 5 (“fraca”) – a pior nota da escala. Segundo a agência, a estabilidade do ativo digital está cada vez mais vulnerável justamente por causa de dois fatores conhecidos: falta de transparência e maior exposição a ativos de risco.

Como era de se esperar, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação. Em suas redes sociais, ele acusou a “máquina de propaganda das finanças tradicionais” de ficar preocupada “quando qualquer empresa tenta desafiar a força da gravidade do sistema financeiro falido”. (No final do texto tem mais da resposta dele)

Vamos contar essa histórica por partes.

O problema nas reservas

O último relatório da Tether, publicado em 30 de setembro de 2025, diz que a empresa tinha US$ 181,2 bilhões em reservas para lastrear US$ 174,4 bilhões em USDT emitidos no mercado. Haveria, portanto, “sobrecolateralização” – ou seja, mais dinheiro em caixa do que tokens emitidos. Até aí, tudo bem.

O problema, porém, é a mudança na composição desse lastro.

A proporção de ativos considerados de risco aumentou, enquanto a de títulos seguros diminuiu. Esses papéis mais voláteis agora representam 24% do total, ante 17% de um ano atrás. Dentre eles, está o bitcoin, cuja participação nas reservas saltou de 3,9% para 5%.

A S&P alertou que uma queda acentuada no preço do bitcoin ou no valor de outros ativos de maior risco poderia deixar a a USDT potencialmente sublastreada (ou seja, sem lastro para sustentar seus tokens). “Acreditamos que a crescente participação de ativos arriscados expõe as reservas da USDT a maiores flutuações de mercado”, escreveu a agência.

Nos últimos dias, o bitcoin realmente sofreu uma significativa desvalorização desde seu pico histórico no início de outubro, chegando a perder quase 30% de seu valor. Embora tenha se recuperado parcialmente nesta quinta-feira (27), persistem as incertezas sobre uma retomada consistente.

A queda dos ativos seguros

A Tether é uma das maiores detentoras de títulos do Tesouro dos EUA, com uma carteira de US$ 130 bilhões – um montante que supera as reservas de países como Alemanha e Coreia do Sul. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até comentou em evento recente que o Tesouro americano deve estar feliz da vida com as compras da cripto.

De acordo com o relatório, títulos americanos de curto prazo (com vencimento médio inferior a 90 dias), títulos lastreados em everse repo overnight (instrumentos de curtíssimo prazo super seguros) e outros ativos semelhantes representam 75% do caixa. No entanto, esse percentual é menor do que os 81% registrados no ano anterior.

Ou seja: a Tether aumentou em 7% a parcela de ativos de risco do caixa, enquanto diminiu 6% de produtos financeiros considerados seguros.

Quem são os custodiantes?

Outro ponto crítico destacado pela S&P é a falta de transparência. A agência menciona que, embora fontes públicas sugiram que uma instituição financeira dos EUA atue como custodiante desses títulos, os relatórios da Tether não divulgam informações sobre quem são esses custodiantes, contrapartes ou provedores de contas bancárias.

“A transparência sobre contrapartes, custodiantes e provedores de contas bancárias permanece limitada. A Tether não publica informações sobre essas entidades, o que poderia inflar os riscos caso a credibilidade de crédito delas seja fraca”, disse a agência.

A S&P também destacou que a Tether faz atestações trimestrais por meio da BDO Italia, um auditor independente. No entanto, concorrentes publicam relatórios mensais. Falou ainda que a empresa divulga regularmente números sobre reservas e passivos em seu próprio site, mas, diferente do relatório trimestral, eles não são auditados nem detalhados.

Além de ativos de risco e títulos do tesouro americano, as reservas da empresa incluem fundos do mercado monetário (4%) e caixa e depósitos bancários (menos de 0,5%).

“Sem reservas tóxicas”

Em resposta direta ao rebaixamento pela S&P, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação e criticou os modelos de classificação tradicionais, argumentando que eles historicamente levaram investidores a alocar recursos em empresas com “classificação de grau de investimento” que, mesmo assim, entraram em colapso.

Ele afirmou que a Tether construiu “a primeira empresa sobrecapitalizada na indústria financeira, sem reservas tóxicas” e que, apesar disso, permanece extremamente lucrativa. Disse ainda que “a Tether é a prova viva de que o sistema financeiro tradicional está tão falido que está a começar a ser temido pelos reis que estão nus”.

USDT já perdeu a paridade antes

Apesar das críticas do CEO, a stablecoin já perdeu a paridade com o dólar em diferentes momentos do passado – e esse é um dos riscos dessas criptomoedas.

Em abril de 2017, quando a Tether enfrentou problemas de liquidez e questionamentos sobre o lastro de suas reservas – agravados por dificuldades bancárias da exchange Bitfinex, sua parceira – o USDT chegou a ser negociado abaixo de US$ 0,91 em algumas exchanges, segundo a plataforma CoinMarketCap, refletindo a desconfiança do mercado.

No final de 2022, durante o colapso da corretora cripto FTX, a USDT voltou a escorregar: caiu para US$ 0,98 por algumas horas na manhã de 10 de novembro. Já em 15 de junho de 2023, a stablecoin oscilou de novo, chegando a US$ 0,997, após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizar novas altas de juros.

Bitcoin e criptos retomam força com aposta em corte de juros nos EUA

27 de Novembro de 2025, 10:06

Depois de uma sequência de dias com quedas aqui e altas tímidas acolá, o bitcoin (BTC) e as principais altcoins finalmente engataram uma valorização mais firme na manhã desta quinta-feira (27).

O BTC era negociado na faixa dos US$ 91 mil por volta das 10h de hoje, com alta de 5% no dia, enquanto ethereum (ETH) era trocado de mãos acima dos US$ 3 mil, com valorização de 4%.

O gatilho veio dos juros nos Estados Unidos. A ferramenta CME FedWatch, que mede as expectativas com a taxa, mostra que o mercado passou a ver 85% de probabilidade de corte em dezembro. Para comparar: há uma semana essa chance era de 39%.

A mudança de humor ganhou força após declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) defendendo juros mais baixos, além de novos dados e projeções que apontam um crescimento mais forte da economia americana em 2026, mas com crescimento morno de empregos.

Vale sempre reforçar: ciclos de queda de juros tendem a favorecer criptomoedas e outros ativos de risco, como ações, porque reduzem o apelo da renda fixa, como os títulos do Tesouro americano (as treasuries).

Historicamente, nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – 31/07/2019 a 15/03/2020 e 18/09/2024 a 17/09/2025 – o bitcoin subiu em 50% das vezes três meses após o início dos cortes e caiu na outra metade. Em janelas de seis meses, o desempenho melhora: 75% de altas e 25% de quedas.

Outro impulso veio dos ETFs de bitcoin dos EUA. Eles registraram dois dias seguidos de entradas, somando cerca de US$ 150 milhões, segundo a ferramenta SoSoValue – algo que não acontecia havia um mês e indica uma volta, ainda tímida, da confiança.

Os ETFs de ethereum estão ainda mais aquecidos: quatro dias consecutivos de entradas, perto de US$ 300 milhões no total.

“Nos últimos dias, o comportamento do mercado mudou. O bitcoin encontrou zonas de suporte importantes, o volume vendedor diminuiu e começou um processo gradual de recomposição”, disse Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +5,60%, US$ 91.298,94

Ethereum (ETH): +4,00%, US$ 3.012,86

XRP (XRP): +1,50%, US$ 2,18

BNB (BNB): +4,40%, US$ 891,47

Solana (SOL): +4,20%, US$ 141,69

Outros destaques do mercado cripto

IOF se aproxima das criptos. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) está cada vez mais perto de alcançar as criptomoedas. Ontem, em coletiva no Palácio do Planalto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estuda a taxação dos ativos digitais após o Banco Central enquadrar os criptoativos como operações cambiais. Fica a dúvida: será que as stablecoins perdem apelo quando isso avançar?

A regulação é um desafio. O mercado cripto brasileiro ainda é jovem – e carrega desafios proporcionais à idade. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) em parceria com a PwC Brasil, 90% das empresas do setor apontam a regulação como o principal entrave para avançar. Também preocupam a cibersegurança (48%), a escassez de profissionais qualificados (47%) e as fraudes (45%).

USDT sob pressão. A Tether, emissora da USDT – a maior stablecoin do mercado, ligada ao dólar – levou um baque nesta semana. A agência de classificação de risco S&P rebaixou a empresa para a nota 5 (a pior da escala) ao avaliar que parte das reservas que sustentam o token é composta por ativos de maior risco. Entre eles estão bitcoin e dívidas corporativas. Para a agência, essa estrutura pode comprometer a capacidade do criptoativo de manter a paridade de 1:1 com a moeda americana.

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O tombo de R$ 2,8 bi do patrimônio dos ETFs cripto brasileiros

26 de Novembro de 2025, 14:30

A queda recente do mercado cripto atingiu em cheio os ETFs (fundos negociados em bolsa) brasileiros de ativos digitais. Desde a máxima histórica do bitcoin (BTC), em 6 de outubro, até esta terça-feira (25), o patrimônio líquido (PL) desses fundos caiu de R$ 9,7 bilhões para R$ 6,9 bilhões – um tombo de quase 30%.

O PL representa o valor total do fundo em determinado momento. Como esses ETFs compram criptomoedas, guardam em custodiante e vendem cotas que representam uma fração desses ativos, o patrimônio líquido recua quando os preços das criptos caem.

O bitcoin escorregou de US$ 126 mil no início de outubro para a faixa dos US$ 86 mil nesta quarta-feira (26), um deslize de 31% no período, impulsionado por um cenário global de aversão ao risco.

Dois exemplos: o HASH11, maior ETF local de criptmoedas, da gestora Hashdex, viu seu patrimônio liquido cair de R$ 4,3 bilhões no ápice do BTC para R$ 2,9 bilhões (o bitcoin tem peso de 74,20% no fundo). O PL do QBTC11, da QR Asset, que figura entre os maiores do Brasil, recuou de R$ 825,7 milhões para R$ 622,2 milhões.

No total, o Brasil tem cerca de 20 ETFs de criptomoedas. Os dados para esta reportagem foram obtidos nos boletins da B3 e no site Status Invest. BDRs de fundos não entraram no levantamento por não disponibilizarem dados isolados.

Brasileiros “compram a queda”

Apesar da queda no patrimônio líquido e do recuo no preço do bitcoin, os investidores brasileiros “compraram a queda”. Dados da CoinShares mostram que os ETFs locais acumulam entradas de US$ 20,9 milhões no mês (R$ 112 milhões) – o único país no positivo. Só na semana passada, as aplicações somaram US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões). Fora o Brasil, apenas a Austrália registrou resultado positivo, com US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões), no mesmo período.

Enquanto isso, os produtos globais de investimento em ativos digitais tiveram saídas de US$ 4,59 bilhões (R$ 24,64 bilhões) no acumulado mensal. Na semana passada, as retiradas chegaram a US$ 1,9 bilhão (R$ 10,2 bilhões), puxadas principalmente pelos produtos dos Estados Unidos, que viram US$ 1,6 bi (R$ 8,6 bi) em retiradas.

O número de cotistas de ETFs cripto no Brasil também aumentou no período: a quantidade pulou de 270,2 mil investidores em 6 de outubro, data da máxima do bitcoin, para 276,7 mil atualmente.

Os ETFs de cripto no Brasil têm uma dinâmica diferente, segundo Henry Oyama, diretor da Hashdex. “Vemos resgates em momentos de euforia e novas aplicações quando há correções, refletindo um investidor mais disciplinado e experiente. Essa maturidade é resultado de anos de trabalho em educação e estruturação de produtos regulados”, falou.

Por que os ETFs de cripto se popularizaram

O primeiro ETF cripto do Brasil foi lançado em 2021. De lá para cá, outros foram criados. Esses produtos atraíram investidores porque têm exposição às criptomoedas, mas funcionam no mercado regulado de fundos negociados em bolsa, com regras já estabelecidas no país há algum tempo.

Isso facilitou a entrada tanto do varejo quanto de investidores institucionais – muitos deles ainda impedidos, por política interna, de operar diretamente em exchanges, que oferecem a possibilidade de investir diretamente em criptomoedas.

Os ETFs e fundos de cripto locais ainda continuam sendo dominados pelo investidor de varejo, segundo Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset. “Esse público valoriza a simplicidade operacional do ETF e a ausência da necessidade de lidar com autocustódia, senhas e carteiras digitais”.

Ao mesmo tempo, segundo Fleury, há um crescimento gradual da participação institucional. “Essa tendência dialoga com o movimento global de profissionalização da classe de ativos, impulsionado pela entrada de grandes gestoras internacionais”, falou ele.

Já Oyama, da Hashdex, disse que os investidores de varejo começam com tíquetes menores, mas vê também uma presença crescente de institucionais que aproveitam distorções e oportunidades táticas.

Nos boletins de produtos da B3 dos últimos três meses, dois ETFs criptos figuram na lista dos 10 mais negociados do mercado, ao lado de fundos já ”famosinhos”, como o BOVA11, que replica o desempenho do Ibovespa.

Desvantagens e riscos

Se até o tesouro direto tem risco – mesmo sendo quase nulo –, os ETFs não seriam diferentes, ainda mais os atrelados a criptomoedas. O primeiro risco é justamente a volatilidade, que ficou evidente nos últimos dias com a queda do bitcoin.

ETFs menores também carregam o problema de liquidez – quando há pouca procura pelas cotas no mercado, pode ser difícil vendê-las sem ter de aceitar um preço mais baixo do que o de ativos equivalentes mais líquidos. Outro ponto: esses fundos mantêm as criptomoedas em custodiantes. Se houver qualquer problema com essas empresas, os ativos podem ser diretamente prejudicados.

Além disso, a negociação desses ETFs segue o horário da B3, de segunda a sexta. Já as criptomoedas operam 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana. Por isso, se o investidor quiser aproveitar uma alta expressiva fora do horário de bolsa para realizar lucro, simplesmente não conseguirá.

Esses fundos ainda cobram taxa de administração e, por serem negociados na bolsa, estão sujeitos a corretagem e custódia das corretoras, além de emolumentos e à taxa de custódia da própria B3. Esses custos reduzem parte do retorno que o investidor teria com as criptos.

Bitcoin volta a cair, apesar de cenário macro mais favorável

26 de Novembro de 2025, 10:06

Depois do breve respiro de ontem, o bitcoin (BTC) voltou a escorregar nesta quarta-feira (26). A criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 86 mil, com queda de 1% nas últimas 24 horas.

A queda vem apesar de um ambiente um pouco mais favorável do que no início da semana. A expectativa de corte de juros nos Estados Unidos aumentou depois de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), defender a redução da taxa – um movimento que costuma impulsionar ativos de risco.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a perspectiva de juros mais baixos reduz o custo de oportunidade da renda fixa. Somada ao clima de risco um pouco mais construtivo, tende a favorecer criptos.

No entanto, o movimento recente sugere que o bitcoin deve continuar operando em um canal lateral/levemente ascendente – isto é, oscilando sem direção clara -, “salvo a ocorrência de um catalisador forte, como dados macro surpreendentes, falas dovish do Fed (postura favorável a taxas mais baixas) ou fluxo institucional relevante”, disse.

O fluxo dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA, que costuma pesar no humor do mercado, também deu uma trégua. Na terça-feira (25), os fundos registraram entradas de US$ 128 milhões, um dado considerado positivo.

Mas, para que o mercado volte a ganhar tração, será preciso mais. De acordo com Marco Aurélio Camargo, CIO da Vault, um movimento de recuperação consistente depende de dias seguidos de entradas líquidas nos ETFs e de um alívio mais claro na pressão vendedora.

As principais altcoins – termo para identificar qualquer cripto diferente do BTC – operam de forma mista hoje. Ethereum (ETH) e solana (SOL) recuam, enquanto tron (TRX) e dogecoin (DOGE) registram altas moderadas nesta manhã.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1%, US$ 86.544,50

Ethereum (ETH): -0,65%, US$ 2.899,10

XRP (XRP): -2,50%, US$ 2,15

BNB (BNB): -0,36%, US$ 854,47

Solana (SOL): -0,03%, US$ 135,90

Outros destaques do mercado cripto

Banco Central reclassifica criptos. Enquanto os investidores estão atentos ao sobe e desce de preços, o Banco Central reclassificou as criptos em suas estatísticas do setor externo. É algo mais técnico, mas vale a notícia. Em resumo, o bitcoin agora é tratado como um passivo sem correspondente (ou seja, sem lastro) e as stablecoins como passivos com correspondente (ou seja, com lastro). Lembrando que as stablecoins normalmente são atreladas a outros ativos, como dólar, real, ouro etc.

Mais problemas para o fundador da Binance. O fundador e ex-CEO da Binance, Changpeng Zhao, que recentemente foi perdoado por Donald Trump pelos crimes cometidos nos EUA, enfrenta agora outro problema no país. Uma ação civil apresentada no início desta semana em um tribunal federal acusa “CZ”, como também é chamado, de facilitar pagamentos de milhões de dólares ao grupo Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel. A queixa foi movida por cidadãos americanos.

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Por que as criptomoedas e as ações estão seguindo direções diferentes?

21 de Novembro de 2025, 17:44

As criptomoedas ficaram de fora do rali mais amplo do mercado na sexta-feira (21). Enquanto o Nasdaq, fortemente voltado para tecnologia, se recuperou da queda de quinta-feira, os investidores em criptoativos não estão prontos para assumir mais risco.

O Bitcoin estava sendo negociado com queda de quase 2%, a US$ 84.859 na sexta-feira, enquanto os três principais índices de ações subiam aproximadamente na mesma proporção.

A explicação simples é que o Bitcoin caiu mais de 30% desde o pico de 6 de outubro, deixando muitos investidores com prejuízo em algumas de suas compras. Como o cripto é frequentemente mantido em contas de margem, alguns provavelmente tiveram que vender para cobrir perdas, empurrando o preço ainda mais para baixo.

O mercado de ações mais amplo, embora volátil, ainda está relativamente alto. O S&P 500 está apenas 4% abaixo do pico de final de outubro, em torno de 6.890 pontos.

“Do ponto de vista da demanda, parece haver uma sensação inicial, porém crescente, de preocupação que poderia evoluir para um pânico completo se a pressão de venda continuar a se intensificar além do que já ocorreu, já que preços mais baixos provocariam mais vendas em um tipo de ciclo de desastre”, escreveram os analistas da empresa de pesquisa financeira Sevens Report na sexta-feira.

A maior criptomoeda do mundo está sendo negociada 33% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126.272 no início de outubro. Ela também caminha para sua pior semana desde novembro de 2022, quando o colapso da exchange de criptomoedas FTX desencadeou uma forte liquidação.

Outros ativos digitais não se saíram melhor. Ethereum (ETH) caiu 3,8%, Solana (SOL) caiu 3,9% e XRP caiu 2,8%.

Vários fatores impulsionaram a recente queda nos preços de criptoativos:

Primeiro, os investidores não têm certeza se o Federal Reserve reduzirá as taxas de juros no próximo mês. Caso o banco central mantenha os custos de empréstimo estáveis, isso tornaria o Bitcoin e seus pares menos atraentes em comparação com investimentos que rendem juros, como títulos e contas poupança.

Segundo, o mercado decidiu que este é um bom momento para se desfazer de ativos de risco, diante de dúvidas sobre avaliações elevadas em inteligência artificial.

Terceiro, muitos investidores compraram Bitcoin por volta de US$ 90.000. Com o ativo sendo negociado agora abaixo desse valor, eles podem hesitar em continuar comprando enquanto estão no prejuízo, especialmente se tiverem usado dinheiro emprestado e agora enfrentarem chamadas de margem — quando corretores exigem mais dinheiro dos investidores para cobrir os empréstimos. Isso, por sua vez, pode levar a vendas forçadas, pressionando ainda mais negativamente o preço do ativo.

Não conte com a queda parando por aqui. Podem ocorrer oscilações de preço significativas na próxima semana, já que os volumes provavelmente serão baixos a partir de quinta-feira devido ao feriado de Ação de Graças. Isso significa que não seria necessário muita pressão para que o Bitcoin continue caindo.

“A liquidez provavelmente secará nos mercados esta semana e à medida que nos aproximamos da temporada de feriados”, disse Adam Morgan McCarthy, chefe de pesquisa do provedor de dados cripto Kaiko, ao Barron’s. “Isso pode exacerbar os movimentos se os investidores continuarem ajustando posições antes dos feriados e a liquidez se tornar ainda mais escassa.”

Escreva para Anita Hamilton em anita.hamilton@barrons.com e George Glover em george.glover@dowjones.com

Bitcoin em queda: é hora de aumentar posição ou ficar de fora?

21 de Novembro de 2025, 14:59

O bitcoin (BTC) levou um tombo nesta sexta-feira (21) e caiu para o menor preço desde abril, impulsionado por dúvidas sobre os juros nos EUA e saídas em massa nos ETFs (fundos negociados em bolsa) do país.

Diante da queda, surge uma pergunta: vale a pena nadar contra a corrente e aumentar a exposição na criptomoeda, em vez de vender, como a maioria está fazendo?

Em tese, seria – a lógica básica de qualquer ativo é: “compre na baixa, venda na alta”. Se você investe em uma cripto quando o preço dela está baixo, você paga menos por cada unidade. Quando o valor sobe, a diferença entre o que você pagou e o que ele vale vira seu lucro. (isso não é uma recomendação de compra; é apenas uma explicação, ok?).

“Na visão estratégica, faz sentido iniciar ou aumentar posição, mas com parcimônia, com entradas fracionadas”, disse Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Mas nada no mercado financeiro é tão preto no branco, né? A teoria e os especialistas dizem que sim, esse seria um bom momento para comprar, mas há um grande problema a ser observado: não dá para saber se esse é o fundo da cripto – ou seja, o menor preço antes de uma possível alta.

“A queda não garante o fundo. Se o cenário macro piorar (a alta de juros, o dólar pressionando emergentes e o fluxo saindo do risco), a correção pode se estender ainda mais, buscando regiões de suportes (quando a cripto chega em um preço baixo e tende a subir) mais sólidas”, disse Lage.

Até onde o preço pode ir?

Essa é a pergunta de US$ 83 mil, preço que o bitcoin está sendo negociado hoje. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, disse que é possível observar um pouco de demanda compradora tentando frear o movimento de queda, o que poderia dar uma segurada no deslize.

Se esse movimento continuar, as resistências de curto e médio prazo — quando a cripto chega em um preço alto e tende a cair — estão em torno de US$ 88.000 e US$ 100.000. Mas nada disso é garantido.

Se o fluxo vendedor — que hoje é o dominante — continuar forte e a pressão de baixa persistir, disse ela, “o preço do bitcoin pode sim buscar as regiões de liquidez entre US$ 80.000 e US$ 79.000”.

Também vale lembrar que bitcoin é diferente de bolsa. Empresas têm “fundamentos”, ou seja, o lucro que a operação delas dá – ou o lucro potencial que elas podem dar no futuro, principalmente quando você olha para empresas “de crescimento”, que ainda não operam no azul. E é isso que determina o preço de uma ação.

O bitcoin é diferente. Ele não tem valor intrínseco. O que dá para fazer é observar padrões de variação do passado e ver se eles se repetem no futuro – “análise gráfica”, no jargão.

Por que o mercado está nervoso?

O cenário atual é bem incerto. No lado macroeconômico, o relatório de empregos dos EUA (payroll), divulgado ontem, mostrou uma economia aquecida, com 119 mil vagas de emprego criadas em setembro (bem acima dos 50 mil esperado pelo mercado). Isso sugere que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode adiar os cortes de juros para controlar uma possível inflação, o que não é nada bom para as criptomoedas.

Os investidores de ETFs (fundos negociados em bolsa) também estão com o pé atrás com o mercado cripto – os dois pés, para falar a verdade. Eles retiraram US$ 3,79 bilhões dos 11 fundos negociados em bolsa entre o dia 1º de novembro e a quinta-feira (20), segundo dados da plataforma SoSoValue. Foi a maior debandada desde o lançamento desses produtos financeiros, em janeiro de 2024.

Além de tudo isso, o cenário no “mercado tradicional” não tem colaborado nada com cripto. As ações dos EUA, que chegaram a subir após os resultados trimestrais da Nvidia, recuaram nesta tarde. O índice Nasdaq 100, por exemplo, cai 0,20% no momento da publicação deste texto.

Quem está vendendo e quem está comprando?

Tem muita gente “das antigas” vendendo bitcoin. Owen Gunden, um dos primeiros grandes investidores de cripto – uma “baleia” (apelido dado a quem tem grandes quantidades de bitcoin) – voltou a movimentar o mercado. Ele vendeu 11 mil BTC, equivalentes a US$ 1,3 bilhão, entre outubro e ontem, segundo dados da plataforma de análise de blockchain Arkham.

Mas, apesar das quedas recentes, também houve investidores aproveitando os preços menores para ampliar posição. A Strategy – a empresa de tesouraria de bitcoin mais conhecida do mercado – comprou 8.178 BTC entre os dias 10 e 11 de novembro, um investimento de US$ 835,6 milhões pela cotação da época.

El Salvador também adicionou 7.474 bitcoins ao seu “carrinho”, cerca de US$ 680 milhões. Neste caso, porém, a operação levantou dúvidas do mercado. Isso porque o movimento contraria as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), que havia proibido novas compras de cripto como condição para liberar um empréstimo bilionário ao país no começo deste ano.

Qual melhor estratégia e quanto investir em bitcoin?

Uma das principais recomendações para investir em criptomoedas é adotar a estratégia de Dollar-Cost Averaging (DCA, em inglês), que consiste em investir um valor fixo na cripto em intervalos regulares – por exemplo, toda semana ou todo mês – independentemente do preço. Em vez de tentar acertar o “melhor preço” ou identificar o fundo, o investidor dilui as compras ao longo do tempo.

Quanto investir em cripto é uma das dúvidas frequentes de investidores também. Para ser direto: varia. “Depende muito do quão comprado com a tese o investidor está e a sua capacidade financeira”, disse Vitor Santoro Bezerra, planejador financeiro CFP e MBA em finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças.

No final do ano passado, por exemplo, a gigante dos investimentos BlackRock sugeriu que entre 1% a 2% do portfólio em cripto pode trazer benefícios para o investidor. No entanto, há outras casas que sugerem entre 3% e até 5%, a depender do perfil do investidor.

Quais os riscos de investir em bitcoin?

Os riscos de curto prazo para o bitcoin incluem uma correção mais profunda por causa dos juros nos EUA, reduzindo o apetite por risco e desacelerando os fluxos para ETFs. Há bastante concentração do ativo digital nas mãos de investidores institucionais também, o que adiciona volatilidade caso eles decidam vender. No longo prazo, há sempre os riscos estruturais, como mudanças regulatórias.

Bitcoin caminha para o pior mês desde o colapso das criptomoedas de 2022

21 de Novembro de 2025, 11:52

O Bitcoin está a caminho de seu pior desempenho mensal desde uma série de colapsos corporativos que abalaram o setor mais amplo de criptomoedas em 2022.

A maior criptomoeda caiu até 7,6%, chegando a US$ 80.553 na sexta-feira. O segundo colocado, Ether, recuou até 8,9%, ficando abaixo de US$ 2.700, enquanto uma série de tokens menores registraram quedas semelhantes. O valor total de mercado das moedas virtuais caiu abaixo de US$ 3 trilhões pela primeira vez desde abril, segundo dados do CoinGecko.

O Bitcoin já perdeu cerca de um quarto de seu valor em novembro, o maior recuo em um único mês desde junho de 2022, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O colapso do projeto de stablecoin TerraUSD, de Do Kwon, em maio daquele ano, desencadeou uma cadeia de falências corporativas que culminou na queda da exchange FTX, de Sam Bankman-Fried.

Apesar de uma Casa Branca pró-cripto sob o governo do presidente Donald Trump e da crescente adoção institucional, o Bitcoin caiu mais de 30% desde que atingiu recordes no início de outubro. A derrocada segue uma onda devastadora de liquidações em 10 de outubro, que eliminou US$ 19 bilhões em apostas alavancadas com tokens, e, consequentemente, apagou cerca de US$ 1,5 trilhão do valor combinado de todas as criptomoedas.

A pressão de venda se intensificou nas últimas 24 horas, com mais US$ 2 bilhões em posições alavancadas liquidadas, segundo dados do CoinGlass.

O cenário mais amplo do mercado pouco ajudou. As ações dos EUA, que haviam subido com o entusiasmo renovado por inteligência artificial após resultados positivos da Nvidia Corp., cederam ganhos na quinta-feira devido a preocupações sobre avaliações esticadas e dúvidas sobre um corte na taxa de juros do Federal Reserve em dezembro.

“Sentimento em todo o mercado é incrivelmente ruim. Parece haver um vendedor forçado no mercado e não está claro até onde isso vai”, disse Pratik Kala, gestor de portfólio do hedge fund australiano Apollo Crypto.

Uma carteira de criptomoedas identificada como “Owen Gunden”, que possuía Bitcoin desde 2011, começou a vender tokens no valor total de US$ 1,3 bilhão no final de outubro e se desfez de seu último Bitcoin na quinta-feira, segundo publicação no X do pesquisador de blockchain Arkham Intelligence.

Um indicador de sentimento dos investidores de criptoativos, que mede fatores como volatilidade, momentum e demanda, também atingiu seu nível mais baixo desde o colapso de 2022. O índice, compilado pelo Coinglass, indica atualmente “medo extremo” entre os traders. Ele estava em 94 logo após Trump vencer a eleição presidencial há pouco mais de um ano.

As instituições parecem relutantes em aproveitar a fraqueza do mercado. Um grupo de 12 ETFs de Bitcoin listados nos EUA registrou saídas líquidas de US$ 903 milhões na quinta-feira, seu segundo maior resgate em um único dia desde o lançamento em janeiro de 2024. O open interest em contratos futuros perpétuos caiu 35% em relação ao pico de outubro, de US$ 94 bilhões.

Tony Sycamore, analista da IG Australia, afirmou em nota que o mercado “pode também estar buscando testar o limiar de dor da Strategy” — uma referência ao hoarder de Bitcoin original administrado por Michael Saylor. O mNAV da Strategy Inc. — razão entre valor da empresa e participações em Bitcoin — caiu para pouco mais de 1,2.

Em nota nesta semana, analistas do JPMorgan Chase & Co. alertaram que a Strategy pode perder seu lugar em benchmarks como MSCI USA e Nasdaq 100, com decisão esperada até 15 de janeiro.

Tentativas de replicar a estratégia de acúmulo de criptoativos de Saylor este ano também estão sob pressão, com empresas como Sequans Communications, ETHZilla e FG Nexus vendendo parte de suas participações para financiar recompra de ações e sustentar seus preços em queda.

O Bitcoin registrou sua 11ª baixa consecutiva na sexta-feira, a maior sequência desde 2010, segundo dados analisados pela Bloomberg.

Cripto ainda não chegou no seu ‘momento iPhone’, diz 21Shares

19 de Novembro de 2025, 14:25

As criptomoedas estão cada vez mais populares no mundo todo. No entanto, elas ainda não alcançaram o seu “momento Iphone” – ou seja, quando produtos e aplicações ganham adoção massiva e deixam de parecer novidade.

É isso que a equipe de research da gestora suíça 21Shares – que administra US$ 11 bilhões e é responsável por alguns dos maiores ETFs de cripto do mercado – disse em call realizada nesta quarta-feira (19).

O estrategista-chefe Adrian Fritz falou que esse momento chegará quando “as pessoas usarem blockchain e criptos diariamente sem nem perceber”, como para enviar dinheiro para seus familiares. Hoje, vale dizer, isso já acontece com stablecoins, mas não é algo tão difundido ainda.

No momento atual, segundo a gestora, as criptos funcionam mais ou menos como os primórdios da internet, quando era preciso perguntar “você está online?” no aplicativo de mensagens MSN para a outra pessoa da conversa. Atualmente, a tecnologia se tornou invisível.

Futuro cripto é “bem chato”

Para a casa, esse futuro está sendo construído agora, com diversas plataformas pavimentando a infraestrutura do setor cripto. Só que a transição deve ser menos glamourosa do que muita gente imagina.

“Eu pessoalmente acho que o futuro de cripto e da blockchain é, na verdade, bem chato. Sei que, por causa da volatilidade dos mercados, pode parecer estranho dizer isso agora, mas tudo o que está sendo construído é infraestrutura financeira melhor, mais rápida, mais eficiente e mais barata. No longo prazo, isso vai se misturar à forma tradicional como vivemos”, afirmou Fritz.

Tokenização

Um dos grandes condutores desse avanço, segundo a gestora, será a tokenização – a transformação de ativos do mundo real (como imóveis, obras de arte ou títulos financeiros) em tokens negociáveis em blockchain.

Dados do banco britânico Standard Chartered apontam que já existem US$ 35 bilhões em ativos tokenizados no mundo (excluindo stablecoins). A projeção é que esse número dispare para US$ 2 trilhões até 2028 – valor equivalente ao PIB do Brasil em 2024.

Um exemplo de case de sucesso citado pela 21Shares é o Polymarket, uma plataforma de previsões na blockchain em que usuários apostam em eventos futuros – lá tem de tudo um pouco, de decisões de política monetária nos EUA até quando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, vai cair.

Nas eleições americanas do ano passado, as probabilidades calculadas pelo Polimarket ficaram mais próximas do resultado real do que pesquisas tradicionais, como as feitas pela CNN, disse Eliezer Ndinga, head de estratégia e desenvolvimento de negócios da 21Shares.

Bitcoin estabiliza, mas balanço da Nvidia e ata do Fed podem mexer com preço

19 de Novembro de 2025, 10:19

Depois de dias de queda, as criptomoedas encontraram um pouco de estabilidade na manhã desta quarta-feira (19). O bitcoin (BTC) sobe 0,20%, para a faixa dos US$ 91 mil, enquanto o ethereum (ETH) avança 1%.

Mas dois assuntos podem dar uma chacoalhada no mercado cripto ao longo do dia.

O primeiro é a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada hoje. Em resumo, é um relatório detalhado sobre a última reunião de política monetária do país, em outubro, que pode trazer pistas sobre possíveis cortes de juros em dezembro.

As criptomoedas, assim como outros ativos de risco, costumam reagir bem a tesouradas nos juros, porque passam a ficar mais atrativas do que títulos de renda fixa. O contrário também é verdadeiro: quando as taxas sobem, os ativos de risco geralmente sofrem.

O segundo ponto que pode mexer com o mercado é o balanço da queridinha da inteligência artificial (IA), a Nvidia (NVDC34), que será divulgado nesta quarta após o fechamento das bolsas americanas.

Se os resultados vierem acima das expectativas, investidores podem voltar a buscar ações de tecnologia e outros ativos financeiros mais arriscados, incluindo criptos – que, na prática, vêm se comportando como parte desse mesmo bloco.

A expectativa é de que a receita do terceiro trimestre da big tech salte 56% em relação ao ano anterior, para US$ 54,9 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas de data centers. Analistas também projetam um lucro líquido de US$ 30,7 bilhões (US$ 1,26 por ação) e um lucro operacional de US$ 36,2 bilhões – alta de 56%.

“Os resultados da Nvidia se tornaram peça central do humor no setor de tecnologia e inteligência artificial. Se a empresa decepcionar, o efeito pode ser pesado para os mercados”, disse Paulo Aragão, host do Podcast Giro Bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 91.036,30

Ethereum (ETH): +1,19%, US$ 3.030,50

XRP (XRP): -2,20%, US$ 2,13

BNB (BNB): +0,79%, US$ 921,47

Solana (SOL): +0,69%, US$ 138,51

Outros destaques do mercado cripto

Big Brother cripto. Alguns parlamentares não estão contentes com a regulamentação cripto do Banco Central, publicada há alguns dias. Nesta semana, um grupo de deputados federais protocolou um novo projeto (o segundo em menos de sete dias!) para tentar sustar as regras. Segundo eles, a autarquia quer criar um grande “Big Brother das criptomoedas”, acompanhando cada satoshi (a unidade básica do bitcoin, equivalente ao centavo no real) movimentado pelos usuários.

Brasileiro abraçou os ETFs de cripto. O apetite do brasileiro por criptomoedas só cresce. Uma prova disso é que dois ETFs (fundos negociados em bolsa) de ativos digitais – o HASH11 e o ETHE11 – estão na seleta lista dos 10 mais negociados da bolsa de valores há três meses. Eles dividem espaço com gigantes como o BOVA11, o ETF mais popular da B3, lançado lá em 2008.

Fundo cripto da BlackRock sangra. Enquanto os ETFs locais colhem bons números, os equivalentes nos EUA sofrem – principalmente o IBIT, da gigante de investimentos BlackRock. Ontem, o fundo registrou US$ 523,15 milhões em saídas, a maior retirada diária desde seu lançamento, em janeiro de 2024. A debandada veio junto com a queda do bitcoin, que na segunda-feira (17) chegou a cair abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.

El Salvador anuncia compra de bitcoin apesar de acordo com o FMI

18 de Novembro de 2025, 13:49

El Salvador diz ter aproveitado a recente queda do bitcoin (BTC) – que escorregou feio e voltou ao menor nível em sete meses por causa do mau humor macro – para reforçar suas reservas de criptomoedas.

Segundo o presidente Nayib Bukele, o país comprou mais 1.090 unidades de BTC, levando seu total para 7.474 bitcoins, o equivalente a cerca de US$ 680 milhões.

A compra foi feita quando o BTC estava não muito acima de US$ 90 mil.

A compra realmente aconteceu?

Apesar de o país ter divulgado a compra, há muitas dúvidas no ar. O motivo: no início do ano, El Salvador fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para acessar US$ 1,4 bilhão em financiamento.

Entre as condições da entidade internacional para liberar o dinheiro estavam tornar a aceitação do bitcoin no setor privado voluntária; limitar o envolvimento do setor público em transações de bitcoin; e restringir compras futuras de BTC pelo governo.

El Salvador, segundo a entidade, teria acatado as condições. Além disso, como parte desse processo, também removeu o status de moeda de curso legal do bitcoin, que havia sido adotado em 2021.

Além disso, em meados deste ano, autoridades salvadorenhas afirmaram que o governo não comprava BTC desde fevereiro, segundo o portal especializado The Block.

E o FMI reforçou a versão: para a entidade, de acordo com o site, o aumento no total de bitcoins do governo não reflete compras novas, mas sim a consolidação das reservas existentes distribuídas em diferentes carteiras estatais.

A relação entre El Salvador e o bitcoin

El Salvador compra bitcoin desde 2021 e se tornou um símbolo global da tese. Bukele é um “bitcoiner” (entusiasta das criptomoedas) assumido e usa as redes sociais para celebrar cada alta ou publicar posts positivos sobre BTC.

Hoje, o país aparece como o quinto maior detentor soberano de BTC, de acordo com dados do site Bitcoin Treasuries. Fica atrás apenas dos EUA (326,5 mil bitcoins); China (190 mil); Reino Unido (61,2 mil); e Ucrânia (46,3 mil).

Receita amplia regulamentação de criptomoedas e inclui exchanges estrangeiras

17 de Novembro de 2025, 11:37

Depois da regulamentação das criptomoedas publicada pelo Banco Central na semana passada, nesta segunda-feira (17) foi a vez de a Receita Federal divulgar suas novas normas para o setor, batizadas de DeCripto.

As novas diretrizes substituem as regras atuais – Instrução Normativa RFB nº 1.888 e Instrução Normativa RFB nº 1.899 – de 2019. Parte do texto passa a valer a partir de hoje, mas outros trechos somente em janeiro ou julho de 2026.

Uma das principais mudanças é que as prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior agora passam a ter a obrigação de reportar ao Fisco todas as movimentações dos usuários brasileiros – algo que até então não era exigido.

“Isso significa que a Receita Federal terá uma visão muito mais completa e detalhada do patrimônio e das movimentações de criptoativos detidos por contribuintes brasileiros no exterior, mitigando a assimetria de informação que existia anteriormente”, disse Leonardo Roesler, advogado tributarista e sócio do RCA Advogados.

Hoje, segundo dados da plataforma Biscoint, metade do volume de bitcoin (BTC) negociado por brasileiros ocorre em exchanges estrangeiras, como a Binance. No caso da stablecoin USDT, a maior do mercado, 80% do volume local também passa por plataformas de fora.

Outra novidade é que a Receita Federal passou a adotar o Crypto-AssetReporting Framework (CARF), um padrão internacional de troca automática de informações sobre operações com criptoativos, criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na prática, o órgão passa a pedir novas informacões, como a identificacão das pessoas, tipo de cripto, entre outros.

De acordo com a Receita, a adoção desse padrão tem como finalidade impedir que as plataformas de criptomoedas sejam usadas para lavagem de dinheiro e para o financiamento de organizações criminosas.

No mais, as regras continuam iguais.

O que as exchanges precisam informar?

Pelas regras, exchanges – tanto brasileiras quanto estrangeiras – precisam informar mensalmente operações como compra e venda, permuta entre criptoativos, transferências, recebimento de airdrops (distribuição gratuita de criptos), rendimentos de staking (renda passiva), receitas de mineração, tomada de empréstimo em cripto e outras transações consideradas “declaráveis”.

Ao enviar os dados, as plataformas devem detalhar: data da operação, tipo de operação, identificação dos usuários, criptoativos usados, quantidade, valores, taxas, descrição do ativo, saldo em moeda fiduciária, saldo de cada criptoativo e o custo de aquisição.

E a pessoa física?

Para quem opera em exchanges, o repasse de informações à Receita é feito automaticamente pelas próprias plataformas. Mas investidores que preferem usar carteiras próprias e autocustódia também têm de reportar suas transações mensalmente – desde que ultrapassem o valor mínimo de obrigatoriedade. Quem não fizer isso pode enfrentar penalidades.

Tanto corretoras cripto quanto usuários que fazem operações por conta própria só precisam informar movimentações quando o total negociado no mês – somando todas as transações – ultrapassar R$ 35 mil no mês. Abaixo desse valor, não há exigência de declaração.

Como fazer essa declaração?

A DeCripto deve ser enviada mensalmente, por pessoa física ou jurídica, até o último dia útil do mês seguinte ao das operações. Ou seja: se você movimentou cripto em outubro, tem até 30 de novembro para transmitir sua declaração.

A entrega é feita pelo sistema Coleta Nacional, dentro do e-CAC, no site da Receita Federal. O documento precisa ser assinado digitalmente com um certificado válido da ICP-Brasil.


O que acontece com quem não declara?

Quem deixar de enviar a DeCripto, entregar fora do prazo ou apresentar dados incorretos pode ser multado, com valores que variam conforme o tipo de contribuinte. Para atrasos, a penalidade é de R$ 100 por mês para pessoas físicas, R$ 500 para empresas do Simples, imunes, isentas ou em início de atividade, e R$ 1.500 por mês para as demais empresas.

Quando há informações omitidas, incompletas ou incorretas, a multa é de 3% do valor da operação para empresas (mínimo de R$ 100) e de 1,5% para pessoas físicas. Também há multa de R$ 500 mensais para quem não atender a intimações da Receita. As penalidades podem ser reduzidas pela metade caso o contribuinte se regularize antes de qualquer procedimento de fiscalização.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 11h30:

Bitcoin (BTC):  -1,45%, US$ 93.998,92

Ethereum (ETH): -0,99%, US$ 3.124,64

XRP (XRP): -0,45%, US$ 2,20

BNB (BNB): -2,70%, US$ 904,94

Solana (SOL): -1,45%, US$ 137,60

Outros destaques do mercado cripto

‘Bitcoiner’ na vice-presidência da República. Cripto ainda não é um tema muito popular dentro do governo federal, mas alguns nomes têm simpatia pelo assunto. Um deles é Pedro Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin. Ele contou recentemente para um portal especializado em cripto que estuda o assunto, traduziu o livro Thank God for Bitcoin, bastante conhecido no mercado, e apresentou a obra para seu chefe.

Educação de qualidade com uma pitada de cripto. A Universidade Harvard investe em cripto desde 2019 – e, pelo visto, gostou da experiência. Agora, decidiu aumentar a aposta. Em seu documento mais recente enviado ao regulador do EUA, a instituição revelou ter 6.813.612 cotas do ETF de bitcoin à vista IBIT, da gestora BlackRock. No total, isso representa cerca de US$ 443 milhões, colocando Harvard entre os 20 maiores investidores do fundo.

Banco Central enquadra ‘dólar digital’ nas regras do câmbio

10 de Novembro de 2025, 12:22

O Banco Central publicou nesta segunda-feira (10) a aguardada regulamentação do mercado de criptomoedas no Brasil. Uma das normas da autarquia federal determina que, a partir de 4 de maio de 2026, pagamentos e transferências internacionais com criptomoedas passarão a integrar o mercado de câmbio.

A medida afeta diretamente as stablecoins, criptos que são atreladas a outros ativos, como o dólar. Esses tokens, que recebem o nome de ‘dólar digital’ (quando são ligados à moeda americana), vêm sendo usados por brasileiros em viagens e remessas ao exterior – só em outubro, o volume mensal chegou a R$ 10 bilhões – justamente por serem isentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje em torno de 3,5% nas transações com cartões internacionais.

Por enquanto, porém, as stablecoins continuam isentas do imposto. Em coletiva realizada nesta segunda, o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, afirmou que a definição sobre a equiparação cambial e eventual cobrança do IOF caberá à Receita Federal, mas ainda não há prazo para isso.

Tiago Severo, advogado especialista em regulação de criptomoedas e sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, diz que essa resolucão cria sim o gatilho potencial para que a Receita Federal e o Ministério da Fazenda passem a interpretar ou regulamentar a incidência do IOF. No entanto, segundo ele, ainda será necessário editar uma norma específica sobre o tema.

“Essa mudança tem caráter eminentemente regulatório, não tributário: o Banco Central passa a supervisionar tais fluxos dentro do Sistema de Câmbio, exigindo registro e reporte, mas não cria, por si só, uma nova hipótese de incidência do IOF. A norma disciplina “quem pode” e “como pode” operar, sem alterar a regra-matriz tributária do imposto”.

Outras medidas

A regulacão é composta por três resoluções. Além da inclusão das operações com criptoativos no mercado de câmbio (BCB nº 521), ela trata também da autorização e funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs) e da segregação patrimonial, regra que exige a separação entre as criptomoedas dos clientes e os recursos próprios das empresas.

A Resolução BCB nº 520, que entra em vigor no dia 2 de fevereiro de 2026, trata da estrutura e governança das prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs), como exchanges e plataformas de custódia. As empresas que já operam no país terão até 270 dias após a entrada em vigor da norma para solicitar autorização ao BC e se adequar às novas exigências.

A resolução também define as categorias de atuação das empresas:

  • Intermediárias de ativos virtuais: realizam compra, venda, troca, emissão ou staking (renda passiva);
  • Custodiantes: responsáveis pela guarda e controle das chaves privadas;
  • Corretoras: podem exercer tanto a intermediação quanto a custódia.

Além das SPSAVs, instituições como bancos múltiplos, comerciais, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários e de câmbio também poderão oferecer serviços com ativos virtuais, desde que autorizados.

O texto também determina que os ativos dos clientes deverão ser mantidos em carteiras separadas do patrimônio da própria empresa, medida conhecida como segregação patrimonial. O objetivo é evitar o uso indevido dos recursos dos usuários e proteger seus saldos em caso de falência ou insolvência da corretora – uma resposta direta aos episódios que abalaram o setor, como a quebra da FTX em 2022.

Boa parte das corretoras locais já faz isso. Para reforçar a confiança, no entanto, as prestadoras terão de realizar provas de reserva e auditorias independentes a cada dois anos, com relatórios públicos de transparência, segundo a nova norma do BC.

Erik Oioli, sócio do VBSO Advogados, destaca que essas normas alinham o Brasil às melhores práticas internacionais. Ao exigir autorização prévia, capital mínimo e padrões rigorosos de governança e segurança cibernética, a confiança e interesse nesse mercado deve crescer mais.

Autorização e requisitos

Já a Resolução BCB nº 519, primeira do pacote, detalha os critérios para autorização das empresas que prestam serviços relacionados a criptoativos. As exigências incluem comprovação da capacidade econômico-financeira dos controladores, origem lícita dos recursos usados no capital social e reputação ilibada dos administradores.

O Banco Central também passa a exigir autorização prévia para eventos como início de operação, mudança de controle societário, alteração de estrutura societária e fusões entre prestadoras. Essa regra também entra em vigor no dia 6 de fevereiro do próximo ano.

Rodrigo Caldas Borges, sócio no Carvalho Borges Araujo Advogados, lembra que as resoluções incluem o Brasil no grupo de países que têm uma regulação clara. É o caso daqueles que cumprem em integralidade as diretrizes do GAFI, uma organização intergovernamental que promove políticas nacionais e internacionais de prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

Cartões de criptomoedas: o que saber antes de usar

10 de Novembro de 2025, 12:07

No princípio do mundo dos pagamentos digitais, era tudo Visa e Mastercard, basicamente. Mas uma revolução nada silenciosa começou a tomar uma parte do território dessas gigantes globais: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos. Pode ser o dólar, o ouro, o real etc. Mas as que importam, as que têm público de fato, são as que seguem o valor da moeda americana, principalmente as duas maiores: USDT e USDC.

Guardadas em carteiras cripto, podem ser usadas em locais que aceitam ativos digitais. No Brasil, isso praticamente não existe, mas nos Estados Unidos, estabelecimentos como Gucci e AMC Theatres (a rede de cinemas) liberam o pagamento em criptos estáveis.

Ou seja, muita gente começou a deixar as maquininhas tradicionais de lado, reduzindo as taxas que iam para as bandeiras.

Ao perceberem esse cenário, em vez de gritarem aos quatro ventos que estavam perdendo espaço e sugerirem regras contra as criptomoedas, Mastercard e Visa decidiram se juntar ao setor de moedas digitais. E dessa união nasceram os cartões de criptomoedas de débito e crédito cripto.

Como esses cartões funcionam?

Hoje, há quase uma dezena de cartões de criptomoedas disponíveis em terras brasileiras. No geral, você carrega com criptomoedas e gasta em reais, em qualquer lugar que aceite pagamento por maquininha.

Vamos dar exemplos aqui de dois cartões de criptomoedas, explicando como funcionam, como pedir, quais as taxas etc. Não são recomendações, claro – é tudo para fins didáticos mesmo.

Binance Card – Crédito/Mastercard

Um dos últimos lançamentos, agora no início de outubro, foi o Binance Card, criado pela exchange Binance em parceria com a Mastercard. Ele é um cartão “híbrido”. Apesar de ter a bandeira crédito, não funciona como um cartão de crédito tradicional, e sim como um cartão pré-pago recarregável com criptomoedas.

Para usar, é preciso ter uma conta na corretora e solicitar o cartão pelo site ou aplicativo da Binance. O usuário deve manter criptomoedas – como bitcoin (BTC), ethereum (ETH), binance coin (BNB) ou stablecoins – em uma área específica da conta, chamada “Funding Account”. É desse saldo que o cartão “puxa” o valor das compras.

Também é possível permitir o uso das criptos que ficam na conta usada para trading, chamada “Spot Account”. Dentro da plataforma, você escolhe quais criptomoedas serão usadas primeiro nas transações. Exemplo: primeiro USDT, depois bitcoin, e em terceiro ethereum. É possível definir entre três e 12 moedas digitais.

A cada uso, ocorre uma conversão automática de cripto para real, com taxa de 0,9%. Essa cobrança é feita em todas as compras, e não no fechamento de uma fatura. Em cartões convencionais, vale lembrar, não existem taxas para o usuário (só para o comércio).

O cartão também tem limite mensal de gastos que varia conforme o nível de verificação de identidade do usuário (KYC), indo de R$ 50 mil a R$ 150 mil no mês. Ou seja, mesmo que o cliente tenha R$ 1 milhão em criptomoedas na conta, ele só poderá gastar até o teto definido pela Binance, o que é uma limitação em relação a um cartão de débito comum, que permite usar todo o saldo disponível.

Também é possível fazer saques em caixas eletrônicos. Os dois primeiros saques do mês são gratuitos; depois, cobram uma tarifa de US$ 1,50 por operação. Os cartões de débito comum não costumam cobrar saques.

Ripio Card- Débito/Visa

O Ripio Card é um cartão pré-pago de criptomoedas da plataforma Ripio, com bandeira Visa. Ele funciona de forma muito semelhante ao da Binance: você precisa ter criptomoedas em sua conta na corretora, que são convertidas automaticamente para reais no momento da compra.

A diferença é que o Ripio Card atua formalmente na modalidade débito (ou seja, na hora de passar na maquininha, você diz para o vendedor que o pagamento é no débito). Dá para usar cerca de 30 moedas digitais, incluindo, claro, bitcoin, ethereum e stablecoins.

Na hora da compra, a plataforma faz a conversão automática para reais com uma taxa de 0,5% por operação. Apesar de ser um cartão de débito, ele também tem limite: R$ 40 mil por dia.

Também há opção de saque em caixas 24 horas, com tarifa de R$ 6,90 por operação.

Vantagens

Talvez a principal vantagem desses cartões de criptomoedas seja em viagens internacionais – e a gente já falou sobre isso aqui. Eles não cobram imposto sobre operações financeiras (IOF). Outros cartões que cortam a tarifa são os oferecidos por OKX, Bitget Wallet e Crypto.com.

Alguns deles também eliminam ou têm um spread cambial menor – aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Em contrapartida, nos cartões tradicionais incidem IOF de 3,5%, somado a um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

A taxa de conversão, entre 0,5% e 0,9% fica abaixo desses valores, portanto.

O ideal, de qualquer forma, é sempre usar stablecoins para “recarregar” os cartões. Se você converter diretamente a partir de bitcoins e outras criptos tradicionais, estará à mercê da volatilidade, já que o preço delas muda rápido: o bitcoin, por exemplo, chegou a US$ 126 mil em meados de outubro e hoje está na casa dos US$ 103 mil. Ou seja: o valor em reais pode variar brutalmente entre o momento em que você carrega o cartão e o momento da compra.

Veja tabela com alguns cartões cripto:

CartãoTipoBandeira
Crypto.com CardPré-pago (modo crédito)Visa
Binance CardPré-pago (modo crédito)Mastercard
KAST CardPré-pago (débito e crédito)Visa
OKXPré-pago (débito)Mastercard
Ripio CardPré-pago (débito)Visa
Bitget WalletPré-pago (crédito)Mastercard

Bitcoin sobe com expectativa de fim do shutdown nos EUA

10 de Novembro de 2025, 07:43

Parece que o shutdown – a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos – está perto do fim, após 40 dias de impasse. E as criptos reagem bem à notícia, acompanhando o bom humor dos mercados americanos.

O bitcoin (BTC) é negociado a US$ 106 mil na manhã desta segunda-feira (10), com alta de 4,37% nas últimas 24 horas. As altcoins – as criptos diferentes do BTC – também avançam, com destaque para o XRP, que sobe 12,30%.

Na noite de domingo (9), o Senado americano aprovou, por 60 votos a 40, o texto do orçamento anual, que pode encerrar a paralisação. O shutdown ocorre quando o Congresso não aprova o orçamento federal dentro do prazo legal.

O projeto agora segue para a Câmara dos Representantes, antes de chegar à mesa do presidente Donald Trump.

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse ontem em uma entrevista à CBS que o crescimento econômico dos EUA no quarto trimestre poderia ficar ameaçado se a paralisação federal se arrastasse mais.

Para Gracy Chen, CEO da Bitget, embora a paralisação tenha afetado o sentimento dos investidores no curto prazo, ela pode evidenciar as ineficiências dos sistemas financeiros tradicionais e fortalecer a confiança institucional na blockchain (a tecnologia por trás das criptos).

“Em um mercado onde a volatilidade persiste, mas a inovação continua forte, esse período de incerteza estimula estratégias diversificadas e a adoção global, à medida que os investidores buscam estabilidade em alternativas descentralizadas”.

Além das criptomoedas, os principais índices americanos também sobem nesta manhã. Nasdaq pula 1,49%, para 25.541,50 pontos; S&P 500 valoriza 0,93%, para 6.816,75 pontos; e Dow Jones avança 0,40%, para 47.275.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +4,37%, US$ 106.302,47

Ethereum (ETH): +6,59%, US$ 3.617,06

XRP (XRP): +12,30%, US$ 2,54

BNB (BNB): +1,57%, US$ 1.000,01

Solana (SOL): +7,14%, US$ 168,95

Outros destaques do mercado cripto

Regulamentação cripto sai hoje. O Banco Central publica nesta segunda a aguardada regulamentação dos criptoativos no Brasil. O texto será resultado de uma série de consultas públicas realizadas pela autarquia – uma delas sobre em que momento uma operação com criptomoedas pode ser considerada câmbio. Entre os pontos de atenção, o mercado quer saber se as stablecoins passarão a ser tributadas com IOF. A nova norma também deve detalhar os critérios para que empresas obtenham licença como Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).

Tokenização de carros pode virar realidade. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Detran-PR estudam criar um passaporte veicular digital – um token único para cada veículo, que reuniria em blockchain dados dos motoristas, histórico de propriedade e informações de financiamento. A ideia é tornar o processo de compra, venda e transferência de automóveis mais rápido, seguro e totalmente digital.

Por que as altcoins sangram mais que o bitcoin em tempos de crise

7 de Novembro de 2025, 15:07

O bitcoin (BTC) está em baixa no acumulado da semana – mas as altcoins sofrem ainda mais. Enquanto a maior cripto do mercado cai 8% no acumulado de sete dias, o ethereum (ETH) recua 11% e a solana (SOL) quase 15%.

Esse cenário de melhor desempenho do bitcoin (mesmo em momentos de crise) sobre as outras criptos não se restringe ao curto prazo, mas se mantém em um período de três meses. Basta olhar o Altcoin Season Index, um índice que compara o desempenho do BTC com dezenas de criptos nos últimos 90 dias.

Esse índice funciona basicamente como uma régua que mede o desempenho relativo do bitcoin em relação às altcoins. Ele analisa quais criptomoedas tiveram valorização maior que o BTC e quais ficaram atrás. Cada altcoin que superou o BTC soma pontos para o índice, enquanto aquelas que ficaram atrás não somam. O resultado final é uma escala de 0 a 100: quanto mais próximo de 100, mais as altcoins dominaram o período; quanto mais próximo de 0, mais o bitcoin se destacou.

Hoje, esse indicador está em 26/100, o que significa que só um quarto das altcoins conseguiu se sair melhor do que o bitcoin nesse período. Ou seja, o BTC superou as outras cerca de 75% das altcoins. No mercado cripto, isso é chamado de uma “bitcoin season” – o inverso é “altcoin season.”

Por que as altcoins sofrem mais?

A explicação está no perfil de risco e na estrutura de mercado. Criptos alternativas são, por natureza, mais arriscadas. Elas têm liquidez menor e capitalização de mercado bem reduzida na comparação com o BTC.

Em tempos de pânico e aversão ao risco, como o visto nos últimos dias, a venda de grandes volumes de bitcoin não derruba o preço de forma tão acentuada, pois normalmente há uma contraparte compradora robusta.

Já no ecossistema das altcoins, qualquer ordem grande de venda pode causar quedas bruscas, pois pode ser que não existam compradores suficientes no outro lado para absorver a pressão vendedora sem concessões de preço.

Além disso, os grandes investidores individuais (as chamadas baleias) podem movimentar altcoins menores facilmente, causando variações de preço mais intensas.

O bitcoin também têm mais instrumentos financeiros – ETFs, futuros, opções – que ajudam a estabilizar o preço em momentos de estresse. Altcoins mais conhecidas, como ethereum e solana, também têm, mas as criptos menores não têm acesso a essas ferramentas.

Boa parte do capital investido em altcoins também é especulativo (especialmente nas famosas memecoins). Os traders estão correndo atrás de ganhos rápidos. Isso aumenta a sensibilidade a notícias, rumores ou movimentos de grandes players.

E o futuro: hora de abandonar as altcoins?

A história do mercado cripto é feita de ciclos, e não vale descartar todo um setor baseado em um único momento de baixa. Apesar do cenário desfavorável, as altcoins continuam operando e têm catalisadores importantes no radar.

O BTG Pactual, em um relatório recente, destacou que, além de bitcoin, mantém exposição significativa a ethereum e solana, por exemplo.

“Mantivemos ethereum (ETH) e solana (SOL) entre as maiores exposições, amparadas por ETFs listados nos EUA e pela atuação de tesourarias corporativas na acumulação de posições, vetores que ancoram demanda e contribuem para a formação de preço no médio prazo”, os analistas do banco escreveram em relatório.

No mês passado, os EUA ganharam dois ETFs de solana. Juntos, segundo a plataforma SoSovalue, eles já têm um valor acumulado de US$ 323,02 milhões. Já os ETFs de ethereum, um pouco mais antigos, têm US$ 13,9 bilhões.

Em relação às companhias de tesouraria, 15 empresas de capital aberto já mantêm ethereum em caixa e 10 têm solana, segundo dados da plataforma CoinGecko. Em bitcoin, de acordo com o mesmo site, são mais de 120 companhias (algumas plataformas citam até 200).

O XRP, token associado à Ripple, também vem ganhando espaço nas análises de especialistas. Desde a aprovação de um ETF ligado à moeda nos Estados Unidos, em setembro, cresceu a aposta de que ele pode começar a chamar a atenção dos investidores mais tradicionais.

“Com a situação regulatória resolvida nos EUA, o XRP volta a atrair investidores institucionais. ETFs já operam nos EUA e no Canadá, e a rede Ripple segue avançando em soluções de pagamentos transfronteiriços”, disse Marcelo Person, crypto treasury & markets director da Foxbit.

E as altcoins menores e mais arriscadas?

Para as criptos de menor porte, o cenário de volatilidade acentuada deve permanecer. Mesmo nesse ambiente, projetos em nichos tendem a se destacar, segundo analistas.

Um exemplo citado pela equipe de research do Mercado Bitcoin é o Hyperliquid (HYPE), token nativo de uma exchange descentralizada (DEX, na sigla em inglês) de derivativos.

“Esse projeto vem ampliando sua atuação em campos estratégicos, como o desenvolvimento de uma stablecoin própria, o que pode reforçar ainda mais sua relevância dentro do ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) e gerar novas fontes de demanda para HYPE”.

Bitcoin caminha para a segunda pior semana do ano

7 de Novembro de 2025, 07:56

O bitcoin (BTC) continua em território negativo na manhã desta sexta-feira (7), na faixa dos US$ 100 mil. Se a cripto mantiver esse ritmo capenga até o fim do dia, deve encerrar a semana com uma queda de quase 9% – a segunda pior de 2025, de acordo com dados da plataforma Coinglass.

O sentimento predominante no mercado cripto ainda é de cautela. Prova disso é o Índice de Medo e Ganância (Crypto Fear & Greed Index, em inglês), ferramenta que mede essas duas emoções tão humanas que também estão presentes no mercado.

Em uma escala de 0 a 100 – em que números menores indicam medo extremo e os maiores ganância extrema – o indicador está em 21 pontos, ou seja, em zona de medo.

As dúvidas sobre os juros nos Estados Unidos, a continuação do shutdown (paralisação parcial do governo americano) e, mais recentemente, a queda das ações de tecnologia nas bolsas americanas e globais continuam azedando os investimentos.

Os mercados de ações de tecnologia experimentaram sua pior semana em sete meses, com queda de 2,8% no índice Nasdaq 100 e perdas de até 4,7% nos principais índices asiáticos por causa de preocupações com a maturidade da inteligência artificial e o custo elevado de investimentos no setor.

“A forte retratação nas techs sugere aumento da aversão ao risco, o que tradicionalmente atinge criptoativos como o BTC”, falou André Franco, CEO da Boost Research.

As principais altcoins – as criptomoedas diferentes do bitcoin – também operam no vermelho nesta manhã. A maior queda é do XRP (XRP), que cai 5,10%.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  -2,37%, US$ 100.693,47

Ethereum (ETH): – 3,32%, US$ 3.278,24

XRP (XRP): -5,10%, US$ 2,19

BNB (BNB): – 0,33%, US$ 952,01

Solana (SOL): -3,01%, US$ 154,18

Outros destaques do mercado cripto

Que beleza de valorização. Enquanto o bitcoin e as principais altcoins amargam quedas, uma criptomoeda roubou a cena: a filecoin (FIL), que é uma rede de armazenamento descentralizado de arquivos na nuvem. Nas últimas 24 horas, o token disparou 70%, registrando o melhor desempenho entre todas as criptos, segundo dados do CoinMarketCap. O movimento coincide com a alta de um setor chamado DePin, que abrange projetos de infraestrutura descentralizada voltados a armazenamento de dados, computação e outros serviços baseados em blockchain.

Vai um crédito digital com bitcoin aí? Michael Saylor, cofundador da Strategy – a maior tesouraria de bitcoin do mundo e “super queridinha” em Wall Street – quer dar um novo passo: tornar a companhia referência em crédito digital lastreado em BTC. A empresa chegou a emitir títulos perpétuos (sem prazo de vencimento) neste ano que geram rendimento de 10% ao ano aos investidores. Saylor apresentou os planos ontem, durante um evento em São Paulo promovido pela OranjeBTC (OBTC3), a maior tesouraria de bitcoin do Brasil.

Como o bitcoin costuma se comportar depois de quedas de juros nos EUA?

28 de Outubro de 2025, 12:01

Há quase 100% de chances de os juros caírem mais 0,25 ponto percentual nos EUA, segundo o FedWatch, ferramenta que mede as expectativas do mercado sobre as decisões do banco central americano. Caso o Fed confirme a expectativa nesta quarta, essa será a primeira sequência de duas quedas na “Selic” americana desde o ano passado.

O que esse novo cenário significa para o bitcoin?

Na teoria, é positivo. Na prática, depende do caso. A cripto costuma se sair bem em períodos de queda de juros por lá – mas nem sempre, porque há outros fatores importantes em jogo.

Um estudo da Vault Capital, encomendado pelo InvestNews, mostrou que nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – de 31 de julho de 2019 a 15 de março de 2020 e de 18 de setembro de 2024 até 17 de setembro de 2025 -, o bitcoin subiu em metade das vezes três meses depois dos cortes, e caiu na outra metade. Já num prazo de seis meses, o desempenho foi melhor: alta em 75% das ocasiões e queda em 25%.

O que explica tudo isso? Vamos por partes.

Juros têm força, mas não fazem milagre

Juros menores costumam dar uma dose de ânimo nas criptos. Isso porque reduzem a atratividade da renda fixa – como os títulos públicos dos EUA, as famosas treasuries – que passam a render menos. Com isso, cresce o apetite por investimentos de maior risco, como ações e criptoativos.

Mas os juros sozinhos, na verdade, não definem nada.

Segundo Fernando Martines, head de research da Vault Capital, a liquidez também faz toda a diferença. Ele explica que, em períodos de política monetária expansionista nos EUA, como em 2020 e 2024, o governo americano adotou medidas de quantitative easing (injeção de dinheiro na economia) e reduziu os juros.

Com mais dólares circulando e a moeda enfraquecida, o apetite por risco aumentou – e isso impulsionou o preço do bitcoin.

No corte de juros de março de 2020, por exemplo, o bitcoin subiu 78,4% nos três meses seguintes e 105% em seis meses. Satoshi Nakamoto – o misterioso criador da maior criptomoeda do mercado – deve ter ficado feliz da vida.

Já em fases de quantitative tightening – o processo inverso, quando o governo retira dinheiro de circulação para conter a inflação -, como entre 2022 e 2023, o cenário foi outro. Mesmo com expectativas de cortes, a liquidez menor e o medo de risco limitaram o desempenho da cripto. Nessas fases, o bitcoin tende a subir menos ou até cair.

“Em resumo, juros mais baixos são positivos para o bitcoin quando ocorrem em um ambiente de liquidez crescente e confiança elevada, tanto institucional quanto de indivíduos. Sem esses elementos, o efeito se dilu”, disse Martines.

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O que esperar do bitcoin após esse corte?

No geral, a expectativa é positiva. Primeiro, porque o corte é praticamente dado como certo. Nesta terça-feira (28), 97,8% dos agentes do mercado apostam em um recuo de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Outro ponto otimista vem do JPMorgan, que vê possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central da nacão americana) encerrar o atual quantitative tightening, que restringe a liquidez global. Isso poderia, segundo analistas do banco, “soltar o freio de mão” da liquidez.

“Se confirmada, a combinação de corte de juros e fim (ou projeção de fim) do quantitative tightening pode criar um ambiente altamente favorável para os ativos de risco, incluindo o bitcoin”, disse a equipe de research do Mercado Bitcoin.

Além disso, há expectativa de que as tensões geopolíticas se acalmem. Na quinta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, vão se encontrar na Coreia do Sul. Espera-se o anúncio de um acordo para encerrar a guerra comercial, que causou fortes quedas nas criptos na semana do dia 10 de outubro.

“O avanço nas negociações entre EUA e China, com um acordo preliminar para reduzir tensões comerciais, também contribuiu para o otimismo”, disse Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Além dos juros e da liquidez

Claro que juros e liquidez não são os únicos fatores que mexem com o preço do bitcoin. Outros elementos também entram na conta.

Um dos principais hoje em dia é a adoção institucional, que ocorre principalmente via ETFs (fundos negociados em bolsa). “Entradas expressivas nesses fundos costumam antecipar altas, enquanto períodos de resgate ou realocação geram correções”, disse Martines, da Vault Capital.

Na semana entre 13 e 17 de outubro, os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 1,23 bilhão, a segunda maior da história, em meio a tensões comerciais globais. Nos últimos dias, porém, esses produtos voltaram a atrair capital: só ontem, o fluxo líquido somou US$ 149,3 milhões, segundo a plataforma SoSoValue.

Outro elemento para o preço é a liquidez interna do mercado de criptomoedas, impulsionada principalmente pelas stablecoins – tokens atrelados a outros ativos, como dólar e ouro – como USDT e USDC, segundo Martines.

“O crescimento ou retração do volume de stablecoins é um bom indicador da liquidez global. Quando há expansão dessas emissões, há mais recursos disponíveis para compra de bitcoin. Quando são resgatadas, o mercado tende a encolher”, falou.

A Strategy de Michael Saylor foi classificada como ‘lixo’ pela S&P na avaliação inicial

27 de Outubro de 2025, 18:20

A S&P Global Ratings atribuiu à Strategy uma classificação de crédito de nível lixo, citando como fraquezas a alta concentração em criptomoedas, o foco estreito nos negócios, a fraca capitalização ajustada ao risco e a baixa liquidez em dólares americanos da fabricante de software empresarial.

A empresa, anteriormente conhecida como MicroStrategy, recebeu classificação B-, ou dois níveis abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável, informou a agência de classificação de crédito em um comunicado nesta segunda-feira (27). Michael Saylor, cofundador da empresa e responsável pela transição para a acumulação de Bitcoin nos últimos cinco anos, observou em uma publicação no X que esta foi a primeira classificação de uma empresa de tesouraria de Bitcoin.    

S&P Global Ratings has assigned Strategy Inc a 'B-' Issuer Credit Rating (Outlook Stable) — the first-ever rating of a Bitcoin Treasury Company by a major credit rating agency. https://t.co/WLMkFqkkCb

— Michael Saylor (@saylor) October 27, 2025

Analistas de crédito da S&P foram rápidos em destacar que a Strategy detém aproximadamente US$ 74 bilhões em valor justo em Bitcoin, acumulados com recursos provenientes de emissões de dívida e ações. Embora a S&P tenha destacado a gestão “prudente” da Strategy em relação à sua dívida conversível, a agência de classificação de crédito expressou preocupação com o risco de liquidez do acordo de dívida da empresa. 

A Strategy emitiu quase US$ 15 bilhões em dívida conversível combinada e ações preferenciais, com US$ 5 bilhões em dívida conversível fora do dinheiro com vencimento em 2028. A empresa também deve mais de US$ 640 milhões anualmente em dividendos preferenciais em outubro de 2025.

A S&P destacou os riscos de liquidez para a dívida conversível e os dividendos preferenciais da empresa. Especificamente, os analistas observaram que a dívida conversível da Strategy pode atingir o vencimento simultaneamente ao estresse no preço do Bitcoin. Isso poderia levar a empresa a liquidar seu Bitcoin a “preços deprimidos” ou reestruturar sua dívida conversível ou ações preferenciais, o que a S&P “consideraria equivalente a um calote”.

A Strategy enfrenta um problema de “descasamento cambial”, afirmou a S&P. Embora detenha bilhões de dólares em Bitcoin, precisa pagar vencimentos de dívidas, juros e dividendos de ações preferenciais em dólares. A empresa tem vendido ações ordinárias para levantar recursos para pagar juros e dividendos. 

Os riscos citados são apenas parcialmente compensados ​​pelo forte acesso da empresa aos mercados de capitais e pela gestão prudente de sua estrutura de capital, incluindo a manutenção de nenhum vencimento nos próximos 12 meses e o financiamento de seus negócios principalmente com capital próprio, disse a S&P.

A classificação pode ser elevada se a Strategy reduzir seu uso de dívida conversível, melhorar sua liquidez em dólares americanos e demonstrar forte acesso aos mercados de capitais, mesmo em períodos de estresse de preço do Bitcoin, disse a S&P.

“Acreditamos que o Bitcoin apresenta um risco de mercado significativo, não correlacionado aos riscos de mercado tradicionais”, escreveram analistas da S&P. “Como a maior parte dos ativos da empresa está em Bitcoin, e seus ativos em Bitcoin provavelmente continuarão a crescer substancialmente, provavelmente continuaremos a considerar o capital como uma fraqueza.”

A Strategy anunciou nesta segunda-feira (27) que havia adquirido US$ 43,4 milhões em Bitcoin nos últimos sete dias, elevando seu patrimônio para 640.808 tokens, avaliados em cerca de US$ 73,7 bilhões. A empresa sediada em Tysons Corner, Virgínia, deve divulgar os resultados financeiros do terceiro trimestre na quinta-feira.

Um representante da Strategy não retornou imediatamente a um pedido de comentário. 

Bitcoin acorda de bom humor: China, EUA e Fed dão aquela força

27 de Outubro de 2025, 07:42

O bitcoin (BTC) começou a semana em território positivo, obrigado. O movimento foi impulsionado pelo avanço das negociações entre China e Estados Unidos e pelas expectativas de corte de juros na maior economia do mundo.

No fim de semana, autoridades das duas potências se encontraram à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia, e sinalizaram a possível estruturação de um acordo comercial.

Nenhum martelo foi batido ainda. As negociações continuam, e o presidente Donald Trump deve se reunir com Xi Jinping na quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

Outro vento favorável ao bitcoin é a decisão de política monetária dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (29). O mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

O otimismo ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor de setembro dos EUA (CPI, na sigla em inglês), na sexta-feira (24), que veio abaixo do esperado. Como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) monitora de perto a inflação para definir sua política de juros, isso reforçou as apostas de corte.

“Apesar da incerteza gerada pela paralisação do governo e por inconsistências nos dados, o sentimento do mercado segue amplamente construtivo. Nesse contexto, os criptoativos podem reagir de forma positiva, já que o posicionamento atual parece mais limpo e equilibrado”, disse Fabio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase.

Vale lembrar: quedas de juros costumam beneficiar criptos e outros ativos de risco, já que os títulos do Tesouro americano (as treasuries) passam a render menos, estimulando a busca por retornos maiores.

E não é só o bitcoin que opera no azul nesta manhã. Algumas das principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também sobem.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +2,73%, US$ 115.432,52

Ethereum (ETH): + 4,73%, US$ 4.168,37

XRP (XRP): -0,81%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 2,75%, US$ 1.153,30

Solana (SOL): +2,56%, US$ 200,39

Outros destaques do mercado cripto

Blockchain cada vez mais pop. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens em blockchain – fisgou a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A entidade lançou um projeto-piloto para tokenizar fundos de investimento e debêntures, simulando todo o ciclo de vida de um ativo tokenizado: da estruturação à liquidação. Segundo o presidente da associação, Carlos André, a iniciativa é uma oportunidade de explorar um “território novo” para o mercado financeiro tradicional.

Nova stablecoin no pedaço. O Japão agora tem uma criptomoeda para chamar de sua. A fintech JPYC anunciou o lançamento da primeira stablecoin (cripto atrelada a algum outro ativo) pareada ao iene japonês, batizada de JPYC. O token mantém paridade de 1:1 com a moeda local e roda em blockchains como Avalanche, Ethereum e Polygon. De acordo com a empresa, as emissões começam nesta segunda-feira, e todas as unidades serão lastreadas em títulos do governo japonês.

Subida tímida: bitcoin avança 1%, mas alerta de nova queda assombra o mercado

23 de Outubro de 2025, 07:55

O bitcoin (BTC) deu uma leve subidinha, mas nada para pular de alegria ainda. Foi só um avanço de 1,30% nas últimas 24 horas, para a faixa US$ 109 mil. Além disso, o movimento ainda não convenceu o mercado: há dúvidas se a cripto vai retomar a tendência de alta ou se vem mais correção pela frente.

Os players do setor acham que o setor cripto entrou em um processo de ajuste técnico, e o principal sinal foi a derrubada da alavancagem – quando o investidor toma dinheiro emprestado para operar com valores maiores do que tem – em 10 de outubro. Naquele dia, os traders perderam cerca de US$ 20 bilhões com a queda do BTC em meio às tensões entre EUA e China.

Segundo Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, tanto o bitcoin como as altcoins ainda estão se recuperando desse movimento de desalavancagem e continuam sendo os ativos mais sensíveis do mercado – ou seja, os primeiros a serem vendidos em momentos de estresse.

“Bitcoin e criptoativos em geral acabam sendo um proxy (indicador) de um mercado que ainda tem receio do seu rumo em meio a um cenário de shutdown, tarifas e guerras comerciais, conflitos externos e também sobre uma possível valorização exagerada de AI e tech”, disse Cortina.

André Franco, CEO da Boost Research, vai na mesma linha. Ela acha que a expectativa de curto prazo vai de neutra a levemente negativa. “As tensões comerciais renovadas e os resultados decepcionantes do setor de tecnologia (aqui ele está falando dos resultados trimestrais dos EUA) ampliam a aversão ao risco, o que tende a pesar sobre ativos mais voláteis, como o BTC”, disse.

Mais queda à vista?

Como ninguém tem bola de cristal, é preciso lembrar que uma fala de Trump aqui ou um aumento de tensão geopolítica ali podem mexer com tudo.

Mas na quarta-feira (22), Geoffrey Kendrick, head global de research de ativos digitais do banco Standard Chartered, afirmou em nota que a queda do bitcoin abaixo dos US$ 100 mil “parece inevitável” neste fim de semana, na visão da instituição.

O banco aponta duas razões principais: condições de liquidez mais apertadas, com menos dinheiro circulando no sistema, e sinais técnicos de esgotamento – quando o gráfico mostra que o preço perdeu força após subir rápido demais, abrindo espaço para uma correção de curto prazo.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +1,30%, US$ 109.507,13

Ethereum (ETH): + 1,34%, US$ 3.893,14

XRP (XRP): +1,25%, US$ 2,41

BNB (BNB): + 3,39%, US$ 1.099,30

Solana (SOL): +2,68%, US$ 189,01

Outros destaques do mercado cripto

Impulso bilionário. Enquanto o bitcoin e as principais altcoins registraram uma alta tímida, o token Hyperliquid (HYPE) disparou 11% no dia – a maior valorização entre todas as criptos. O motivo? A Hyperliquid Strategies, uma nova empresa de tesouraria de ativos digitais (mais uma delas), sinalizou à SEC – a “CVM dos EUA” – sua intenção de levantar US$ 1 bilhão. Parte dessa bolada deve ser usada para acumular o token HYPE no caixa. Hoje, a firma já detém 12,6 milhões de unidades da cripto, o equivalente a US$ 305 milhões.

Tokenização em alta. Ontem a gente publicou uma matéria sobre tokenização, mostrando como esse segmento vem crescendo no Brasil. E, no mesmo dia, o pessoal da Nexa e da Fintrender lançou o relatório Brazil Tokenization Report 2025 – The Convergence Moment (Relatório de Tokenização 2025 – O Momento da Convergência). E olha, o material mostrou que o setor está mesmo a todo vapor por aqui: segundo o estudo, já são 30 plataformas de tokenização no país, e a estimativa deles é de US$ 1 bilhão em emissões neste ano – número até maior do que os dados oficiais da CVM.

Tokenização avança no Brasil e oferece renda fixa pagando 20% ao ano; quais os riscos?

22 de Outubro de 2025, 12:07

A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – está super pop. Tem gestor financeiro gigante falando sobre isso (vide Larry Fink, da BlackRock), quase todo dia sai matéria na imprensa a respeito desse assunto e até a família Trump – que tem um apreço especial por cripto – está de olho.

Mas como funciona exatamente esse setor, em que pé está no Brasil atualmente e como o investidor pessoa física pode tirar uma casquinha dele, sem correr tanto risco? Vamos por partes.

Primeiro, o básico. As empresas precisam de dinheiro para crescer e manter o negócio rodando. Tradicionalmente, isso é feito com a emissão de debêntures ou outros títulos de dívida – um processo burocrático, um pouco salgado e demorado, que pode levar de três a seis meses. A tokenização surgiu como uma alternativa mais rápida e acessível, entre 30 e 45 dias, segundo players – mas para empresas menores.

Em vez de passar por todas as etapas do mercado tradicional, a firma emite seus títulos diretamente na blockchain (a tecnologia por trás das criptos), em forma de tokens, que podem ser comprados por investidores. Em troca, quem investe nesses ativos recebe um retorno sobre o valor investido. É uma renda fixa mais moderninha e digital.

Todo o processo de emissão segue o rito de uma resolução chamada CVM 88, de abril de 2022. Ela, na verdade, foi criada para startups que precisavam levantar grana via crowdfunding (financiamento coletivo), mas em 2023 a Comissão de Valores Mobiliários também expandiu para as emissoras cripto. Aí foi um Deus nos acuda de emissões.

Naquele ano, por exemplo, foram R$ 273 milhões em ofertas por meio dessa regra, segundo dados do próprio xerife do mercado de capitais. Em 2024, o valor de oferta já pulou para R$ 1,3 bilhão – ou seja, quatro a cinco vezes mais. Até outubro de 2025, já foram R$ 1,45 bilhão em emissões encerradas, além de R$ 1,37 bilhão em andamento.

Tem de tudo um pouco


Hoje, há tokenização de todo tipo de instrumento. O RWA Monitor, uma plataforma para monitoramento e análise de ativos reais tokenizados, reuniu os dados de seis grandes emissoras – elas não são as únicas, mas já dá para ter uma ideia do que já foi ofertado e do que existe por aí.

Entre os tipos de ativos tokenizados, 42,1% são Crédito do Produtor Rural (CPRs), 22,3% nota comercial, 19,5% debêntures, 7% recebível de cartões, 4,8% duplicatas, 2% acordo de participação em empréstimo e 1,9% Cédula de Crédito Bancário (CCB). Ufa.

“A tokenização é muito mais simples, porque são títulos que as pessoas já estão acostumadas e que vão ser transformados em tokens. E, apesar de não ser uma coisa tão popular e tão falada quanto o investimento em cripto, como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), é um movimento que talvez se aplique muito mais ao dia a dia das pessoas que investem”, disse André Gouvinhas, chief financial officer (CFO) do MB | Mercado Bitcoin.

A empresa, que começou como exchange, hoje aposta alto também na tokenização e já emitiu quase R$ 1 bilhão em tokens, segundo dados compilados na plataforma RWA. Já a GCB Investimentos, uma das pioneiras nesse segmento, informou nesta semana que, de novembro de 2023 até outubro deste ano, realizou R$ 1 bilhão em emissões de ofertas públicas tokenizadas sob a resolução CVM 88 – entre operações de Certificados de Recebíveis (CRs) e outras dívidas estruturadas.

Outras firmas do setor são Vert Capital, com R$ 743 milhões; Liqi, com R$ 22 milhões; Dexcap Finance, com R$ 9 milhões; Invex, com R$ 2,24 milhões; e Foxbit, com R$ 1,08 milhão.

E para o investidor?


Como a tokenização é mais barata, as empresas conseguem oferecer aos investidores um rendimento maior na outra ponta. Hoje, nas emissões abertas em período de captação, há tokens oferecendo IPCA + 13% ao ano, bem como 18%, 20% e até 24% em 365 dias.

São retornos bem mais chamativos do que os já atraentes títulos públicos – que estão pagando hoje IPCA + 8% (o de 2029) e 13,38% ao ano nos prefixados – e até mais do que o crédito privado tradicional, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que pagam 100% do CDI ou um pouco mais.

Riscos


Todo investimento tem risco – e a renda fixa digital também tem. Alguns deles são riscos de mercado (variação nos preços dos ativos que compõem o investimento), de crédito (possibilidade de o emissor não honrar o pagamento) e tributários (alterações nas leis que podem mudar a forma de tributação ou aumentar a carga de impostos), segundo relatório da BlockWise Capital.

Além disso, podem existir riscos operacionais (falhas em sistemas, processos ou na gestão da plataforma), jurídicos/regulatórios (mudanças nas regras que afetam o funcionamento do investimento) e de liquidez (dificuldade em vender o ativo rapidamente sem perder valor).

Também não existe mercado secundário para esses tokens – ou seja, não é possível comprar e vender o ativo digital antes do vencimento, o que aumenta ainda mais o problema da liquidez e exige um comprometimento com o prazo da operação.

Além disso, diferente da renda fixa tradicional, esses ativos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma espécie de “seguro” que garante ao investidor a devolução de valores investidos – até R$ 250 mil por investidor e instituição – caso a empresa emissora do título apresente problemas.

O que olhar antes de investir?

Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, sócio do CBA Advogados, disse que, em relacão ao token em si, é essencial que o investidor interessado nesse tipo de produto entenda o que ele representa. “Vale verificar se há um lastro real e verificável (como um recebível, uma nota comercial ou um contrato de crédito), qual é o fluxo de pagamento e de liquidação, e se os contratos inteligentes passaram por auditoria técnica”.

Já em relação à empresa emissora, falou, o investidor deve observar sua governança, histórico de atuação e situação financeira. “É importante verificar se o emissor tem estrutura para honrar os pagamentos, se os recursos captados têm uma destinação operacional clara e se há relatórios de acompanhamento”.

Mudanças na legislação?


Para tentar contornar algumas das limitações desse setor, a CVM lançou, no mês passado, uma consulta pública sobre a reforma da resolução de crowdfunding. A ideia do regulador é liberar outras empresas para emitir por meio desse arcabouço jurídico (especiamente do agro), aumentar limites e ajustar outras regras. O mercado gostou do movimento.

“A proposta amplia o rol de emissores elegíveis, permitindo que securitizadoras, cooperativas e produtores rurais possam realizar ofertas reguladas por meio de plataformas registradas. Isso consolida o uso da tecnologia blockchain dentro de um arcabouço jurídico sólido, aumentando a confiança do investidor e reduzindo a incerteza quanto à natureza desses ativos. A ampliação da distribuição por meio de bancos e corretoras tende a aumentar a liquidez das ofertas”, falou Borges.

OranjeBTC aproveita queda do bitcoin para colocar mais criptos na cesta

21 de Outubro de 2025, 08:00

O bitcoin (BTC) voltou a cair – e, enquanto muitos investidores venderam no susto (algo compreensível), outros viram na baixa uma oportunidade. É o caso da OranjeBTC, empresa brasileira de tesouraria e educação focada em ativos digitais.

Nas redes sociais, a companhia anunciou a compra de 10 novos bitcoins na segunda-feira (20), quando a cotação estava em US$ 108.786. A operação custou cerca de US$ 1,09 milhão – o preço de uma Ferrari SF90 Spider 2024.

Com a nova aquisição, a OranjeBTC passou a ter 3.071 BTC em caixa, o equivalente a US$ 390,16 milhões, segundo o site Bitcoin Treasuries. A empresa continua sendo a 26ª maior bitcoin treasury company do mundo – nome dado às companhias que mantêm criptos em tesouraria.

Bitcoin cai mais

E depois que a OranjeBTC comprou criptos, o bitcoin caiu mais ainda. Nesta terça-feira (10), o ativo digital é negociado a US$ 107.787,15, com desvalorização de 2,90% nas últimas 24 horas, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

André Franco, CEO da Boost Research, disse nesta manhã que a melhora nas perspectivas de comércio global elevou o apetite por risco, o que beneficiaria o bitcoin. No entanto, a magnitude das valorizações pode ser limitada, pois parte desse cenário já vinha sendo precificada.

“Espera-se que o bitcoin oscile entre US$ 107.000 e US$ 113.000, com possibilidade de teste da resistência próxima a US$ 115.000 se os sinais comerciais e de liquidez permanecerem favoráveis”, falou.

Já o pessoal do research do Mercado Bitcoin disse que o preço da criptomoeda ainda é muito influenciado pelas conversas entre EUA e China sobre as tarifas. Ontem, o presidente Donald Trump abordou duas vezes o assunto.

“Ainda estamos muito sensíveis a esse tópico e a postura de negociação do Trump gera muitos ruídos e movimentações de mercado mais voláteis”, disse a equipe da exchange.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC)– 2,90%, US$ 107.787,15

Ethereum (ETH): – 4,40%, US$ 3.866,16

XRP (XRP): -2,58%, US$ 2,41

BNB (BNB): – 5,31%, US$ 1.086,16

Solana (SOL): -4,40%, US$ 184,85

Outros destaques do mercado cripto

ETFs de bitcoin ainda não pegaram no tranco. Os fundos negociados em bolsa de bitcoin dos EUA continuam enfrentando maré negativa. Ontem, registraram US$ 40,5 milhões em saídas, completando quatro dias seguidos de fluxos negativos. Lembrando que, na semana passada, esses produtos haviam perdido US$ 1,23 bilhão. O movimento é importante porque mostra como os investidores institucionais estão enxergando o mercado cripto – e, por enquanto, o clima ainda é de cautela.

Sai fora, minerador cripto. O governo da Colúmbia Britânica – a terceira província mais populosa do Canadá – decidiu botar um freio nos mineradores de criptomoedas. Como a mineração (nome dado ao processo de emissão de novas criptos) consome muita energia, a demanda elétrica disparou por lá – e o pessoal agora planeja proibir permanentemente novos projetos de “fabricação” de ativos digitais na região, seguindo o exemplo da China.

Mineradoras de cripto deixam de lado o bitcoin para virar data centers de IA

18 de Outubro de 2025, 14:59

As ações das grandes companhias de computação que sustentam o funcionamento do bitcoin voltam a superar a própria criptomoeda, à medida que mais dessas empresas migram para modelos híbridos baseados em inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC). Em termos mais simples: se transformam em data centers de IA.

Chamadas desde a aurora do bitcoin de “mineradoras” pela semelhança com a extração de ouro, essas companhias sempre estiveram à mercê da volatilidade do preço do bitcoin.

Mesmo com a turbulência recente no mercado de criptoativos, o bitcoin ainda acumula alta de 14% em 2025, permanecendo próximo do recorde histórico de US$ 126 mil alcançado no início do mês.

Ainda assim, os maiores vencedores da recuperação deste ano não são os detentores de bitcoin, mas sim as mineradoras. Um fundo que acompanha as empresas listadas do setor dispara mais de 150% no ano. Diferente dos ciclos anteriores, em que as mineradoras subiam junto com o bitcoin, agora elas são vistas pelo que estão se tornando: empresas de infraestrutura tecnológica.

“Os investidores estão avaliando quase exclusivamente as mineradoras de bitcoin por suas oportunidades em HPC/IA neste momento”, disse John Todaro, analista da Needham & Co. “Diríamos que menos de 10% das nossas conversas sobre mineradoras tratam realmente de bitcoin e mineração.”

Cipher Mining Inc. e IREN Ltd. exemplificam a tendência. As ações das empresas listadas na Nasdaq subiram de 300% e 500%, respectivamente, neste ano, à medida que elas passam da mineração pura de bitcoin para infraestrutura de IA.

No início de 2025, a Cipher assinou um contrato de 10 anos, de aproximadamente US$ 3 bilhões, com a Fluidstack — apoiada em parte pelo Google —, garantindo US$ 1,4 bilhão em obrigações de arrendamento em troca de warrants equivalentes a uma participação de 5,4%. O acordo é um dos sinais mais claros até agora de que a linha entre mineração de cripto e computação de IA está se tornando difusa.

A IREN, por sua vez, concluiu na quarta-feira uma emissão de US$ 1 bilhão em notas conversíveis. A TeraWulf Inc., mineradora dos EUA, também anunciou nesta semana planos de emitir US$ 3,2 bilhões em títulos de dívida para financiar a expansão de seu data center Lake Mariner, em Barker, Nova York.

A Bitdeer Technologies Group, sediada em Cingapura, saltou quase 30% na quarta-feira após detalhar seus planos de converter grandes instalações de mineração em data centers de IA, incluindo seu complexo de 570 megawatts em Clarington, Ohio. A empresa afirmou que, no melhor cenário, a conversão completa pode gerar receita anualizada superior a US$ 2 bilhões até o fim de 2026.

“Para a Bitdeer, IA/HPC é um complemento à mineração, não uma substituição”, disse Jeff LaBerge, vice-presidente de mercados de capitais e estratégia da Bitdeer. “Continuaremos priorizando eficiência na mineração própria e converteremos seletivamente sites qualificados para IA/HPC quando os retornos de longo prazo forem sustentáveis.”

A guinada para IA vem após o halving do bitcoin no ano passado, que reduziu as recompensas dos mineradores de 6,25 para 3,125 bitcoins. Desde então, o aumento da dificuldade da rede e a desaceleração das transações comprimiram as margens de lucro. Mesmo os recentes recordes do bitcoin trouxeram pouco alívio à rentabilidade das operações.

Migrar para IA/HPC significa que as empresas devem desacelerar ou pausar a expansão do hashrate — medida da capacidade total de mineração —, já que parte de sua energia é redirecionada, segundo Wolfie Zhao, analista da TheMinerMag. Ele observou que Riot Platforms Inc., IREN e Bitfarms já sinalizaram que não pretendem expandir o hashrate no curto prazo.

“O foco está mudando de ‘quanto hashrate podemos adicionar’ para ‘quão eficientemente podemos usar nossa energia’”, disse Zhao.

Também há o conceito do “hashprice” – o valor financeiro que o minerador ganha por unidade de poder de computação. Depois do halving ele caiu com força. Com o hashprice lá embaixo, a mudança era inevitável, marcando uma fase em que mineração e computação compartilham “a mesma economia de energia”.

“A receita por megawatt e as margens de EBITDA são muito maiores em HPC e colocation de IA do que na mineração”, disse Todaro, da Needham. Com a volatilidade do bitcoin e os riscos de halving, acrescentou, “os mercados de capitais estão recompensando data centers focados em IA com múltiplos muito mais altos do que as mineradoras tradicionais” – ou seja, com valorizações maiores em relação aos lucros que elas geram neste momento.

Por Sidhartha Shukla e redação InvestNews

Ouro digital na contramão do ouro real: enquanto o bitcoin patina, o metal precioso atinge a maior cotação da história

16 de Outubro de 2025, 07:57

O crash da semana passada, que varreu bilhões do mercado cripto em meio à retomada da guerra tarifária entre China e Estados Unidos, pegou o bitcoin (BTC) em cheio. Agora, a maior criptomoeda do mundo – muitas vezes chamada de “ouro digital” – patina, bem diferente do metal precioso que inspirou o apelido.

Na manhã desta quinta-feira (16), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 111 mil, com queda de 1% nas últimas 24 horas. No acumulado semanal, a cripto entrega perdas de 9%. No mês, cai 3%.

Enquanto isso, o ouro brilha forte. Ontem, superou os US$ 4.200 a onça-troy pela primeira vez em toda a história, mostrando que, em períodos de instabilidade, continua sendo um dos portos seguros procurados pelos investidores.

“O ouro atingindo recordes confirma que parte dos investidores está se movimentando para ativos de proteção, um contexto que poderia favorecer o BTC. No entanto, o Bitcoin já enfrenta resistência técnica e sensibilidade a reversões, dada a volatilidade recente e os choques macroeconômicos”, disse André Franco, CEO da Boost Research.

Segundo o especialista, é provável que a maior cripto oscile entre US$ 109.000 e US$ 113.500 nos próximos dias, podendo romper essa faixa se surgirem catalisadores positivos – como o avanço na expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos.

No fim deste mês, os membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) se reúnem para decidir a nova taxa básica de juros do país, hoje na faixa dos 4,00% e 4,25% no ano. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, que mostra as expectativas do mercado, 97,8% dos agentes apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.

Tesouradas nos juros costumam ser positivas para ativos de risco, como as criptomoedas, já que reduzem o rendimento dos títulos públicos e incentivam a busca por aplicações com maior potencial de retorno.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  -1,00%, US$ 111.448,10

Ethereum (ETH): – 1,80%, US$ 4.048,84

XRP (XRP): -2,50%, US$ 2,43

BNB (BNB): – 0,44%, US$ 1.180,26

Solana (SOL): -4,72%, US$ 195,63

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin “buga”e cria fortuna do nada. O mercado cripto levou um susto daqueles ontem: 300 trilhões de unidades de stablecoins PYUSD surgiram do nada. Como a cripto é pareada ao dólar na proporção de 1 para 1, o erro equivalia a US$ 300 trilhões, quase três vezes o PIB global. A Paxos, emissora do token – que é a sexta maior stablecoin do mundo – afirmou que tudo foi causado por um “erro técnico” e rapidamente promoveu a queima dos tokens (ou seja, apagou tudo). Em comunicado, garantiu que “não houve violação de segurança” e que “os fundos dos clientes estão seguros”. Oremos.

Jesus do Bitcoin livre. Roger Ver, empresário americano conhecido por ser um dos primeiros evangelistas do bitcoin (e apelidado de “Jesus do Bitcoin”), finalmente encerrou uma longa briga com a Receita dos EUA. Ele havia sido acusado de vender US$ 240 milhões em cripto e deixar de pagar cerca de US$ 48 milhões em impostos – tudo isso depois de renunciar à cidadania americana. Ele chegou a ser preso Espanha e até a pediu ajuda ao governo Trump. Agora, após anos de batalha judicial, o caso foi encerrado. Ver saiu “absolvido”, mas teve que pagar uma penitência de US$ 50 milhões.

Como as stablecoins de real ajudam a financiar – mesmo que um tiquinho – a dívida do governo

15 de Outubro de 2025, 15:18

Em um evento recente sobre criptomoedas em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto brincou que o Tesouro dos Estados Unidos deve estar feliz da vida. O motivo: as stablecoins de dólar – criptomoedas atreladas à moeda americana – têm impulsionado a compra de Treasuries, os títulos públicos americanos. Pelas regras do país, esses ativos digitais precisam manter lastro em papéis seguros, na mesma proporção dos tokens emitidos. Só a Tether, emissora da stablecoin USDT, tem US$ 127 bilhões aplicados nesses papéis – o que a coloca entre as 20 maiores detentoras do mundo.

Esse movimento começa a aparecer também no Brasil – em escala muito menor, é verdade, mas sinalizando uma tendência parecida.

O país já tem seis stablecoins atreladas ao real: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e a BRLV, lançada nesta semana. Uma stablecoin brasileira, quando é emitida, também precisa ter a mesma quantidade em caixa. Ou seja, se uma empresa coloca R$ 1 no mercado, mantem esse mesmo valor guardado. Com exceção da cREAL, que é uma stablecoin algorítmica – modelo mais arriscado que, em vez de manter reservas em dinheiro, usa códigos de computador para controlar a oferta e a demanda -, as outras cinco têm parte do caixa em títulos públicos, algumas 100%.

Somadas, as stablecoins de real têm quase R$ 270 milhões aplicados em papéis do Tesouro, segundo dados levantados pelo InvestNews juntos aos emissores.

É um tiquinho ainda, claro: o valor representa 0,00331% da dívida pública federal, que chegou a R$ 8,145 trilhões em agosto, de acordo com o Tesouro Nacional. Também está longe da fatia das instituições financeiras, que detêm 31,80% (R$ 2,59 trilhões), da Previdência (23,49%, ou R$ 1,91 trilhão), dos fundos de investimento (21,28%, ou R$ 1,73 trilhão) e dos não residentes (9,83%, ou R$ 802 bilhões). Mas é algo compreensível. As stablecoins de real são recentes – a primeira delas surgiu em 2019 – e a moeda brasileira não tem o mesmo apelo internacional do dólar, por causa da instabilidade política e econômica do país.

Por dentro das stablecoins brazucas

A BRLV, apesar de ser a mais recente, chegou com a bola toda, com R$ 200 milhões de tokens emitidos, todos 100% lastreados em títulos do Tesouro. Segundo a empresa, esses papéis já foram subscritos – ou seja, o comprometimento financeiro já foi realizado. A empresa cripto foi impulsionada por uma rodada seed (nome dado a primeira captação formal de uma startup) de US$ 8,1 milhões liderada por investidores como Framework Ventures, Valor Capital Group e Coinbase Ventures.

Logo atrás vem a BBRL, emitida pelo Grupo Braza, com R$ 56 milhões em circulação, também todos lastreados em títulos públicos de curtíssimo prazo – as as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). “A escolha privilegia liquidez e segurança, garantindo conversibilidade imediata sem risco de marcação a mercado”, disse Caio Cansian, head de projetos da empresa.

A BRL1, criada pela exchange MB | Mercado Bitcoin, tem R$ 6,89 milhões em tokens emitidos, com 99,94% das reservas em Tesouro Selic, conforme informou a companhia. Além desses papéis, a cripto também tem lastro em operações compromissadas – transações de curtíssimo prazo que funcionam como empréstimos garantidos por títulos – e saldo em conta corrente, explicou Fabrício Tota, diretor de novos negócios do MB.

A stablecoin de real pioneira no Brasil, a BRZ, soma R$ 14 milhões em tokens emitidos. Para o lastro, a empresa mantém R$ 3,08 milhões em títulos públicos, cerca de 20% do total. O restante está dividido entre CDBs (20%), reais disponíveis em contas bancárias (40%) e USDT (20%), “utilizado como hedge cambial e instrumento de liquidez internacional”, disse João Almada, controller da Transfero, emissora do token.

Já a BRLA, da Avenia, tem R$ 40 milhões em stablecoins lastreadas no real, de acordo com Hector Fardin, CFO da empresa. São R$ 3 milhões em títulos públicos; o restante está em caixa, equivalentes de caixa e operações compromissadas de curtíssimo prazo.

Curva de juros e paridade

Um dos desafios das stablecoins, seja em real ou dólar, é manter a paridade com a moeda usada como lastro. No Brasil, esse equilíbrio pode ser mais difícil por causa da volatilidade da curva de juros – bem mais instável que em países como Estados Unidos ou membros da União Europeia. Mesmo assim, as stablecoins brasileiras ainda não registraram nenhum episódio de perda de paridade com o real.

Segundo Fabrício Tota, do MB, o motivo é que parte relevante dos títulos usados como lastro é de curto prazo e pós-fixada.

“No caso da BRL1, quase 100% das reservas são aplicadas em Tesouro Selic. Isso significa que, independentemente das oscilações na curva de juros futura, o valor e a liquidez das reservas não sofrem impacto relevante. A marcação a mercado desses papéis é praticamente estável, já que o prazo médio é muito curto e a remuneração acompanha exatamente o juro básico. Por isso, a paridade 1:1 com o real é mantida sem risco material de variação em função da curva.”

A marcação a mercado é a regra que obriga os investimentos – principalmente títulos e fundos – a terem seu valor atualizado diariamente de acordo com o preço que seriam vendidos hoje no mercado.

Brasileiro gosta de stablecoin – mas do lastreado em dólar

O brasileiro tem uma quedinha por stablecoins faz tempo – e esse interesse aumentou depois de o governo federal elevar, com ajudinha do ministro do STF, Alexandre de Moraes, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que encareceu a compra de moeda estrangeira. Mas, até agora, a preferência nacional é clara: o dólar digital.

Dados da Receita Federal mostram que, entre janeiro e junho deste ano, os brasileiros movimentaram R$ 210 bilhões em criptomoedas. Desse total, R$ 152,2 bilhões foram em USDT, a maior stablecoin em dólar do mercado – volume superior ao do próprio bitcoin (BTC), que registrou R$ 24,7 bilhões no período. Em terceiro lugar aparece o USDC, outro dólar digital, com R$ 9,1 bilhões movimentados.

Após apreensão bilionária de cripto, EUA podem ampliar reserva nacional de bitcoin

15 de Outubro de 2025, 07:47

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) anunciou na terça-feira (14) a apreensão de 127.271 bitcoins (BTC) em uma operação que desmantelou um esquema internacional de golpes com ativos digitais. A quantia equivale a cerca de US$ 15 bilhões (R$ 82 bilhões).

Os bitcoins estavam em carteiras controladas por Chen Zhi, acusado de liderar o Prince Group, um complexo de trabalho forçado baseado no Camboja que promovia fraudes financeiras envolvendo criptomoedas. Segundo o DoJ, o grupo vitimou milhares de pessoas, incluindo 250 norte-americanos.

De acordo com as investigações, o esquema começou em 2015. Os golpistas abordavam vítimas por redes sociais e aplicativos de mensagens, prometendo lucros altos em investimentos com criptoativos. As vítimas transferiam recursos para carteiras indicadas pelo grupo, que sumia em seguida.

Bitcoin na reserva dos EUA

O governo norte-americano pretende confiscar oficialmente os bitcoins após a condenação de Zhi no Tribunal Distrital do Leste de Nova York, onde ele responde pelas acusações. Se confirmada, a decisão reforçará a reserva estratégica de bitcoin dos Estados Unidos, criada neste ano.

A reserva nacional de criptoativos foi instituída por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump publicado no início deste ano, que determinou que os ativos digitais apreendidos em operações civis e criminais passem a integrar o tesouro federal.

A iniciativa coloca os EUA em uma posição distinta de países como El Salvador, que formou sua reserva de bitcoin por meio de compras diretas no mercado.

O país soma hoje 197.354 bitcoins, o equivalente a US$ 22 bilhões – o maior estoque de criptoativos entre todas as nações. Com a entrada das novas criptomoedas, porém, a pilha de criptos pularia para 324.625, ou cerca de US$ 36,5 bilhões.

No total, 13 países têm reserva de criptos. A China, com 190 mil BTC (US$ 21 bilhões), é a segunda maior, seguida do Reino Unido, com 61.245 BTC (US$ 6,8 bilhões), em terceiro lugar.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  +1,99%, US$ 112.491,82

Ethereum (ETH): – 8,49%, US$ 4.126,10

XRP (XRP): +3,35%, US$ 2,50

BNB (BNB): + 0,70%, US$ 1.184,50

Solana (SOL): +6,95%, US$ 205,08

Outros destaques do mercado cripto

Nova stablecoin brazuca. O real brasileiro ganhou mais uma stablecoin: a BRLV. A nova cripto, pareada à moeda nacional na proporção de 1 para 1, foi criada pela fintech Crown, que levantou US$ 8,1 milhões com investidores – entre eles, a Coinbase Ventures – para lançar o projeto no Brasil. Segundo a empresa, a BRLV é 100% lastreada em títulos públicos e voltada a investidores institucionais. Com ela, o real já soma seis stablecoins atreladas à sua paridade.

ETFs cripto com gás novamente. Após saídas massivas de capital institucional nos ETFs de bitcoin e ethereum dos EUA, provocadas pela guerra tarifária entre China e país, esses produtos financeiros voltaram a atrair recursos. Dados da plataforma SoSoValue mostram que os fundos registraram entradas líquidas de US$ 340 milhões na terça-feira, recuperando-se da saída combinada de US$ 755 milhões registrada na segunda-feira (13).

Stablecoin para viagem: como funciona o ‘dólar digital’ e como usá-lo no exterior

15 de Outubro de 2025, 06:00

Comprar dólar para viajar ao exterior e usar cartão de crédito na gringa ficaram mais caros após o aumento da alíquota do imposto sobre operações financeiras (IOF) neste ano. Mas uma alternativa vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos, como dólar, euro, ouro, real. As maiores do mercado são ligadas à moeda americana – daí o apelido carinhoso de “dólar digital”. Juntas, essas moedas somam um valor de mercado de US$ 222 bilhões – o equivalente a três vezes o valor da Petrobras.

No Brasil, as stablecoins ainda não são enquadradas oficialmente como instrumentos de câmbio. Por causa disso, as operações com essas moedas ficam de fora da cobrança do IOF, o que tem barateado o uso em viagens internacionais.

Há três principais formas de usar stablecoin no exterior:

  • Stablecoin no cartão cripto

A forma mais simples de usar dólar digital é por meio dos cartões cripto, que funcionam como cartões pré-pagos com bandeiras Visa ou Mastercard. Corretoras como OKX, Bitget e Crypto.com oferecem versões próprias, assim como aplicativos como Kast Finance e RedotPay.

O processo é simples: o usuário compra stablecoins (como USDC ou USDT) em uma exchange ou banco digital, usando reais, e depois transfere os ativos para o cartão previamente adquirido. A partir daí, pode usar o saldo em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira.

Esses cartões não têm IOF. Alguns também não cobram taxas nem spread cambial — aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Já nos cartões tradicionais (crédito, débito ou pré-pago internacional), há IOF de 3,38% mais um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

Quem testou esse modelo foi Ricardo Natali, educador financeiro associado à ABEFIN (Associação Brasileira de Educadores Financeiros). Ele conta que, em uma viagem recente à Europa, usou um cartão cripto carregado com stablecoins para pagar cafés, passagens de metrô e compras do dia a dia.

Segundo Natali, a própria cotação do dólar é mais barata em stablecoins, justamente pela ausência de impostos. “Se fosse no cartão de crédito, eu teria gastado 15% a mais na compra da moeda norte-americana. Na prática, se gastasse R$ 1.000, pagaria R$ 150 a mais”, explicou. Com o cartão cripto, a compra do dólar comercial fica apenas entre 2% e 4% superior, dependendo da conversão e do provedor, disse.

  • Stablecoin na carteira

Outra forma é comprar stablecoins em uma exchange local e transferi-las para uma carteira cripto – um aplicativo em que é possível fazer a autocustódia dos ativos digitais e em que a responsabilidade pela segurança é totalmente do usuário. Algumas das carteiras mais conhecidas são MetaMask, Trust Wallet e Coinbase Wallet.

Muitos estabelecimentos no exterior já aceitam pagamentos em criptomoedas. Portanto, daria para pagar com stablecoins simplesmente abrindo o app e encostando na máquina do estabelecimento. Também seria possível sacar stablecoins convertidas em dólares em caixas eletrônicos específicos. Hoje, há 12.988 desses caixas nos EUA que permitem saques de USDT e USDC, segundo a plataforma CoinAtmRadar.

“Em caso de necessidade de dinheiro vivo, o saque em dólares pode ser feito em caixas eletrônicos internacionais (ATMs), com taxas simbólicas – muitas vezes gratuitas nas primeiras operações e, posteriormente, fixas em torno de US$ 1,50 por saque”, disse Felipe Martorano, analista da Levante Inside Corp.

  • Remessas internacionais

As stablecoins também vêm sendo usadas para envio de dinheiro ao exterior – e fica mais em conta também. Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, fez uma simulação comparando o envio tradicional, via sistema SWIFT, com o envio em stablecoin. O valor considerado foi R$ 5 mil.

Via SwiftStablecoin
IOF3,5%0%
TaxasMédia de US$ 20 por operação, mais spread de 1% a 2%Spread entre 0,1% e 1% e custo fixo de 0 a US$ 10
Prazo5 a 15 minutos2 a 5 dias úteis
Valor finalR$ 4.638R$ 4.969

Na simulação, a transação com stablecoins é cerca de 6,65% mais barata.

“Com o aumento do IOF, remessas tradicionais, como envios de dinheiro para familiares ou contas pessoais no exterior, o uso de stablecoins tende a crescer bastante. Isso porque transferências em USDT, por exemplo, ainda não sofrem esse imposto diretamente, além de evitar os custos elevados de spread cambial”, disse Sarah.

Crescimento no Brasil

O uso dessas moedas digitais disparou no país. Segundo a empresa de análise em blockchain Chainalysis, o Brasil movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos entre julho de 2024 e junho de 2025 – e 90% desse volume corresponde a stablecoins.

O governo também acompanha o movimento de perto – e já estuda tirar uma casquinha. No fim do ano passado, o Banco Central abriu uma consulta pública para discutir a equiparação das stablecoins ao câmbio, e novas discussões foram abertas neste ano. Por ora, porém, as criptomoedas estáveis (outro nome aportugueizado para essas criptos) seguem fora de uma legislação específica.

Riscos

Apesar dos benefícios, as stablecoins também têm riscos. Um deles é o regulatório. Como se trata de um mercado ainda recente, as regras estão em construção em vários países – e eventuais mudanças podem afetar diretamente essas criptomoedas.

Outros dois pontos são o lastro e a confiança na empresa emissora. Em tese, cada stablecoin precisa ser totalmente coberta por ativos de valor equivalente. Ou seja, para cada token emitido em dólar, deve haver a mesma quantia em caixa, títulos públicos ou outros instrumentos financeiros seguros.

No passado, porém, a Tether – emissora do maior “dólar digital” do mercado, o USDT – enfrentou questionamentos sobre a solidez de suas reservas e chegou, em alguns momentos, a perder em um episódio em 2023 a paridade com o dólar americano.

Além das stablecoins lastreadas em ativos, existem as stablecoins algorítmicas, que mantêm a paridade por meio de mecanismos automáticos de oferta e demanda, sem reservas em dinheiro. O modelo, no entanto, é mais arriscado. Em 2022, por exemplo, uma delas – a TerraUSD (UST) – entrou em colapso, desencadeando uma das piores crises do mercado cripto.

Tombo de US$ 80 bilhões do ethereum testa os nervos dos entusiastas cripto

14 de Outubro de 2025, 15:51

Há dois meses, o entusiasmo em torno do ethereum — a blockchain que sustenta um dos pilares da economia cripto — transbordava para o mainstream. Seu token nativo, o ether, havia disparado ao maior nível em quatro anos, enquanto investidores o tratavam ao mesmo tempo como moeda e como uma aposta no papel crescente da rede em pagamentos e finanças.

Mesas de Wall Street estruturavam fundos atrelados ao ativo, e um projeto-piloto da plataforma global de transferência de recursos swift com uma solução cripto vinculada ao ethereum parecia selar sua chegada como infraestrutura do mundo real.

Esse enredo agora dá sinais de rachadura. O ether caiu cerca de 20% desde o pico, apagando algo como US$ 80 bilhões em valor dos criptoativos e reacendendo dúvidas sobre a capacidade do ethereum de atravessar mais um ciclo de baixa. O que começou como um momento de virada para a blockchain mais utilizada virou lembrete de que, em cripto, crença e preço ainda andam juntos.

“A punição se deve em grande parte ao desempenho recente de ETH e ao fato de ele ser mais volátil do que o BTC”, disse Noelle Acheson, autora da newsletter Crypto is Macro Now. “Se os investidores precisam reduzir a exposição em um movimento de aversão a risco, é mais provável que vendam ETH do que BTC.”

O ether chegou a cair 9,3%, a US$ 3.893, na terça-feira (14), antes de reduzir as perdas para 2,37%, subindo para US$ 4.123,81. O bitcoin recuava cerca de 1,57%, a US$ 113.230.

Tokens menores e mais voláteis também cederam, levando a capitalização total do mercado de criptomoedas a encolher mais de US$ 150 bilhões em 24 horas, segundo a CoinGecko.

O movimento atingiu também os ETFs. Investidores sacaram cerca de US$ 428 milhões de fundos atrelados ao ether na sessão mais recente disponível — um dos maiores resgates diários já registrados — de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O fundo de ether da BlackRock — o maior do grupo — registrou aproximadamente US$ 310 milhões em saídas, seu segundo maior resgate de um único dia desde o lançamento, em julho de 2024.

“Já vimos isso acontecer com o ethereum, especialmente várias vezes no último ano”, disse Roxanna Islam, chefe de pesquisa setorial da VettaFi, ao comentar a queda acentuada do ativo. O ethereum “é mais uma aposta de tecnologia; por isso, a volatilidade costuma ser um pouco maior”.

Desmontes tão bruscos costumam trazer volatilidade elevada na fase de recuperação, à medida que traders refazem posições e consertam balanços após perdas inesperadas, afirma Stéphane Ouellette, CEO e cofundador da FRNT Financial Inc. Segundo ele, os mercados de perpetual swaps (contratos derivativos de futuros) passaram por forte desalavancagem, com o open interest (número de contratos de derivativos em aberto) de bitcoin e ether na exchange Binance despencando cerca de 40% em meio a liquidações generalizadas.

Tom Lee não ficou parado. Além de comandar a Fundstrat Global Advisors, ele preside o conselho da BitMine Immersion Technology Inc. A chamada empresa de “tesouraria digital” disse na segunda-feira que adquiriu mais de 200 mil tokens de ether, avaliados em mais de US$ 79 milhões “nos últimos dias”, e agora detém mais de US$ 3 bilhões em criptomoedas.

As ações da BitMine também sentiram o baque na cotação do ether. O papel caía 5%, para cerca de US$ 54, na terça-feira, longe da máxima histórica de US$ 135 registrada em julho. No acumulado do ano, porém, a alta ainda supera 500%.

“Após quedas tão violentas, é comum ver alguma volatilidade na recuperação, à medida que o posicionamento é refeito — um enorme número de traders sofreu liquidações inesperadas e precisa dar suporte e recompor os livros”, disse Ouellette.

De todo modo, embora o mercado tenha recuperado parte das perdas, o tombo levanta questionamentos sobre o futuro do ecossistema de altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC -, num momento em que participantes veem apoios estruturais a esses tokens sendo testados.

Após tombo, bitcoin busca fôlego em meio à guerra tarifária entre EUA e China

13 de Outubro de 2025, 07:34

O bitcoin (BTC) está relativamente bem nesta segunda-feira (13) após tomar um tombo histórico no final da semana passada, em meio à retomada da guerra tarifária entre as potências Estados Unidos e China.

Por volta das 7h30, a maior criptomoeda do mercado era negociada a US$ 115 mil, em alta de 3,00% nas últimas 24 horas. Na sexta-feira (10), o ativo digital chegou a encostar nos US$ 105 mil – pior preço desde maio.

Naquele dia, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 100% sobre as exportações chinesas, após o país asiático endurecer as regras para a venda de terras raras – um conjunto de elementos químicos usados em smartphones e outros aparelhos eletrônicos.

Segundo dados da plataforma Coinglass, mais de 1,6 milhão de negociações de criptomoedas foram liquidadas apenas na sexta, com o início da disputa, gerando perdas totais de US$ 19,13 bilhões no setor.

“O anúncio de tarifas de 100% sobre produtos chineses aumentou a incerteza econômica global e provocou uma forte aversão ao risco nos mercados. Diante desse cenário, investidores buscaram ativos considerados seguros, e se desfizeram de ativos mais voláteis, como criptomoedas e ações”, falou Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Apesar da turbulência, os traders seguem otimistas com o restante do mês, conhecido como “uptober” – junção de ‘’up’’ (para cima) e “october” (outubro). Nos últimos 12 anos, o BTC subiu em 10 deles, caindo apenas duas vezes em outubro.

No radar, os investidores passam a aguardar, entre os principais fatores que vnao impactar o mercado, a divulgação do relatório de emprego dos EUA – que atrasou por causa do shutdown – e a decisão de política monetária do país, ambos previstos para o fim do mês. Segundo a ferramenta FedWatch, que mede as expectativas com juros, 97% do mercado aposta em queda de 0,25 ponto percentual na taxa, o que tende a favorecer ativos de risco, como as criptos.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  + 3,00%, US$ 115.144,15

Ethereum (ETH): + 8,49%, US$ 4.157,39

XRP (XRP): +9,73%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 9,70%, US$ 1.333,77

Solana (SOL): + 8,00%, US$ 196,18

Outros destaques do mercado cripto

Comprando a queda. Enquanto investidores se desesperavam com o tombo do bitcoin na semana passada, vendendo adoidado, a mineradora de cripto MARA Holdings aproveitou para ir às compras. A companhia de capital aberto adquiriu 400 unidades de BTC, o equivalente a US$ 46,29 milhões, segundo dados da plataforma Onchain Lens. Com isso, a firma passou a deter 53.250 bitcoins, mantendo sua posição como a segunda maior bitcoin treasury company do mercado.

Criptos fisgam gigantes bancários. As stablecoins – criptomoedas lastreadas em outros ativos, como dólar, ouro, entre outros – chamaram atenção de grandes bancos globais. Dez instituições, entre elas Goldman Sachs, Bank of America e Deutsche Bank, anunciaram que estudam lançar uma stablecoin atrelada a moedas dos países do G7. Em nota conjunta divulgada na semana passada, eles disseram que o objetivo é “explorar se uma nova oferta em todo o setor poderia trazer os benefícios dos ativos digitais e aumentar a concorrência em todo o mercado”.

Venda recorde de criptomoedas levanta dúvidas sobre quem foi varrido do mercado

11 de Outubro de 2025, 17:45

No dia seguinte à maior queda diária já registrada no mercado de criptomoedas, todo o setor tentava descobrir quem ficou “segurando a bomba”.

Foram US$ 19 bilhões em apostas evaporados e uma queda generalizada nos preços das criptos, em grande parte por causa das novas tarifas severas da China anunciadas pelo presidente Donald Trump. Uma combinação de fatores — alavancagem excessiva, vendas automáticas disparadas por algoritmos e falta de liquidez em horários atípicos do mercado global — amplificou o que poderia ter sido uma correção menos dramática.

Desde a manhã na Ásia até a tarde nos EUA, neste sábado, traders, executivos e analistas tentavam entender quem exatamente sofreu as maiores perdas. Teria sido alguma grande instituição completamente atingida — ou muitos pequenos investidores vendo suas posições irem a zero? Mais de 1,6 milhão de traders foram liquidados, segundo a plataforma CoinGlass.

“Fizemos uma ampla checagem de mercado e nenhum de nossos parceiros foi afetado além do normal”, disse Matthew Hougan, diretor de investimentos da Bitwise Asset Management. “Claro, é possível que leve tempo até tudo aparecer — e não falamos com todo mundo —, mas não ouvi falar de nenhum colapso.”

Consultas da Bloomberg a grandes formadores de mercado e investidores também não encontraram sinais de que algum “baleia” (grande investidor) tenha implodido — apenas muita especulação de que “alguém” deve ter sido pego no contrapé.

Efeito dominó automático

No mercado cripto, chamadas de margem não funcionam como nos mercados tradicionais: quando o colateral perde valor, os algoritmos vendem automaticamente. Esse mecanismo, que mantém o mercado aberto 24 horas por dia, também faz com que a volatilidade gere perdas em efeito cascata.

Como Trump fez o anúncio em um feriado nos EUA — depois do fechamento do mercado americano, mas antes da abertura europeia e asiática — havia poucos compradores e vendedores ativos, o que agravou o tombo.

As liquidações se concentraram em altcoins (moedas menores fora Bitcoin e Ether), onde a alavancagem costuma ser mais alta e a liquidez, muito menor.

“Não há praticamente liquidez em altcoins além de 5% a 10% do livro de ofertas, especialmente do lado da compra”, disse Zaheer Ebtikar, fundador do fundo Split Capital. “Quando vários ativos despencam ao mesmo tempo e os market makers saem do compasso, o mercado simplesmente morre.”

A exchange que mais sofreu

Esse cenário ficou evidente na exchange Hyperliquid, menor que a Binance, mas que registrou US$ 10 bilhões em negociações liquidadas no período de 24 horas, segundo a CoinGlass.

“A Hyperliquid teve o maior volume de liquidações de posições compradas e a menor liquidez para compensar”, disse Ebtikar.

Um mecanismo de gerenciamento de risco chamado auto-deleveraging (ADL) — que fecha automaticamente posições lucrativas ou muito alavancadas quando o seguro da exchange não cobre mais as perdas — também contribuiu para agravar o movimento.

“Esse mecanismo não é isento de complicações, especialmente para quem tem carteiras complexas”, disse Spencer Hallarn, chefe global de trading OTC da gestora GSR. Segundo ele, provedores quantitativos de liquidez e participantes neutros de mercado podem ter posições vencedoras encerradas prematuramente, gerando desequilíbrio e necessidade de readequar riscos rapidamente.

Quem lucrou

Um dos poucos vencedores foi o Hyperliquid Provider (HLP) — um cofre comunitário separado da exchange, onde investidores juntam ativos para atuar como formadores de mercado ou liquidadores forçados. O HLP lucrou mais de US$ 30 milhões durante o selloff ao assumir apostas perdedoras e encerrá-las, segundo registros públicos de transações.

“Também há a questão de quem deve arcar com as perdas — a exchange e o pool de liquidez ou os traders”, disse Tarun Chitra, cofundador da Gauntlet Networks.

Ele argumenta que o HLP é favorecido em relação aos traders individuais na Hyperliquid, devido aos algoritmos e parâmetros definidos. E observou que algumas das 50 maiores altcoins por valor de mercado nem tinham tanta alavancagem, o que indica uma onda de vendas espontâneas após o anúncio de Trump.

“O modo como as altcoins desabaram lembrou uma crise financeira, não um simples processo de desalavancagem”, disse Chitra. “Foi mais motivado por vendas à vista do que por liquidações automáticas — por isso acredito que há fundamento nos rumores de que alguém grande teve de desmontar posições ou quebrou.”

Embora o mercado tenha recuperado parte das perdas desde sexta-feira, o estrago completo ainda pode levar dias para aparecer, segundo Edward Chin, CEO do fundo Parataxis.

“Suspeito que ainda ouviremos sobre fundos que quebraram ou market makers que sofreram perdas pesadas nas próximas semanas”, afirmou.

Uma nova atualização do ethereum vem aí. O que esperar da ‘Fusaka’?

10 de Outubro de 2025, 10:50

O ethereum (ETH) costuma passar por atualizações em sua blockchain – o sistema em que as criptomoedas “rodam”. Não é para ficar na modinha, mas sim para incluir novidades, ajustar processos aqui e acolá ou tirar algum atrito que atrapalhava sua estrutura. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, se os testes correrem bem, o sistema deve receber mais uma atualização: a Fusaka.

Em resumo, essa atualização reúne 12 propostas de melhorias no código do projeto cripto, que vale hoje US$ 524 bilhões – equivalente ao PIB de 2024 do Chile, Equador e Uruguai somados. O objetivo das mudanças é tornar a rede mais escalável – capaz de crescer sem travar -, mais eficiente e “dramaticamente” mais barata, segundo o roadmap (plano de desenvolvimento) publicado pela Ethereum.org.

Entre as alterações previstas, uma das mais significativas impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema – sim, é um termo estranho e quase um palavrão, mas vamos te explicar.

Para entender bem, lembre-se que o ethereum, diferente do bitcoin (BTC), não é só uma criptomoeda. Ele funciona também como uma espécie de grande programa de computador global, em que desenvolvedores de todo o mundo criam seus próprios projetos – desde novos tokens (as famosas memecoins que o digam) até plataformas de empréstimos sem bancos no meio do caminho.

Por ter um monte de gente usando, esse ecossitema gigante acaba ficando super congestionado, quase como uma Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, às 18h. Os tais rollups seriam, portanto, como estradas menores que se conectam à via principal, desafogando o tráfego e dando mais fluidez. Algumas das principais são a arbitrum (ARB), a optimism (OP) e a base (BASE).

O grande problema é que, para se conectar à rodovia principal, essas soluções precisam conferir todos os carros (verificar trodos os dados) que passam por ela – uma exigência de segurança da blockchain, que acaba tornando o processo mais caro e lento. Com a Fusaka, no entanto, será possível participar dessa brincadeira dando uma olhada apenas em trechos da avenida, sem precisar analisar o trânsito inteiro.

“As implicações do Fusaka são significativas”, disse a gestora VanEck em relatório sobre o projeto. “A atualização deve reduzir os custos para as rollups da Camada 2 (esse termo, bastante usado no mercado cripto, se refere a blockchains secundárias que rodam em outra blockchain principal), o que se traduz em transações mais baratas para os usuários finais. Mantendo-se tudo o mais constante, isso deve trazer mais atividade econômica onchain (dentro da blockchain) para a órbita do ethereum”.

Dankrad Feist, co-líder da equipe de arquitetura de protocolo da Fundação Ethereum, disse na semana passada, em entrevista ao Yahoo, que a Fusaka é tão importante quanto a Merge, aquela grande atualização feita em 2022, que alterou a forma como a criptomoeda é minerada (emitida), dando um ar mais “eco friendly” para o projeto.

Qual o impacto para o usuário de ethereum?

Para quem usa ethereum no dia a dia – seja comprando e vendendo criptomoedas, negociando tokens não fungíveis (NFTs) ou acessando plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), aquelas que permitem tomar empréstimos, por exemplo, sem passar por bancos -, a principal mudança esperada é a redução das taxas de transação, chamadas de gas fees.

Essas taxas funcionam como um pedágio digital: cada vez que alguém envia ETH ou interage com um contrato inteligente (programa autoexecutável que permite criar tokens e montar outros projetos dentro de blockchains), precisa pagar um valor para que a operação seja processada na rede. O custo depende da complexidade da transação.

Hoje, segundo dados do YCharts, a taxa média em dólares para uma transação do Ethereum processada por um minerador e confirmada está na casa dos US$ 0,45. Durante picos de congestionamento, como no auge dos NFTs, esse valor já passou de US$ 3,20. A expectativa é que a Fusaka ajude a manter esses custos bem mais baixos de forma consistente.

E qual o impacto no preço?

O ethereum é negociado a US$ 4.341 na manha desta sexta-feira (10), com queda de 1% do dia. Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, disse ao InvestNews que a Fusaka é vista como uma mudança positiva para o ethereum, mas é difícil afirmar que ela trará um impacto direto e imediato no preço.

“O efeito tende a ser mais estrutural, reforçando a tese de longo prazo do ativo do que provocando um movimento específico agora”, falou. “Dados macroeconômicos dos EUA, os riscos do shutdown atual e até a política das chamadas tarifas Trump têm pesado mais nas decisões dos investidores do que qualquer atualização isolada”.

Bitcoin caminha para terminar a semana no zero a zero

10 de Outubro de 2025, 08:06

Após ultrapassar sua máxima histórica, o bitcoin (BTC) deu uma acalmada. Com investidores realizando lucro e poucas novidades no radar no curto prazo, a criptomoeda caminha para encerrar a semana na faixa dos US$ 121 mil, praticamente o mesmo valor de sete dias atrás.

A perspectiva de curto prazo é neutra a levemente negativa, disse Andre Franco, CEO da Boost Research, na manhã desta sexta-feira (10). “A força do dólar limita o potencial de alta do ativo, enquanto a moderação nas commodities e o ajuste de posições nas bolsas reduzem o fluxo especulativo.”

Apesar da estabilidade – algo comum e esperado após a superação da marca dos US$ 126 mil nesta semana-, a perspectiva para o restante do mês continua positiva. Historicamente, o BTC costuma subir em outubro, mês que ficou conhecido como “Uptober”, junção de up (para cima, em inglês) e October (outubro).

De acordo com dados da plataforma CoinGlass, nos últimos 12 anos o bitcoin subiu em 10 meses de outubro e caiu em apenas dois. O movimento pode ter relação com o retorno das férias de verão no hemisfério norte (em setembro), que tende a aumentar a liquidez do mercado.

As altcoins – nome dado a qualquer cripto diferente do bitcoin — caminham para fechar a semana de forma mista. Enquanto o ethereum (ETH) recuou quase 4% nos últimos sete dias, o BNB (BNB) avançou 13%.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  – 0,68%, US$ 121.333,79

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.344,10

XRP (XRP)+ 0,18%, US$ 2,87

BNB (BNB): – 2,26%, US$ 1.250,00

Solana (SOL): – 1,03%, US$ 220,10

Destaques do mercado cripto

Fim do prazo. Termina nesta sexta-feira (10) o período para a Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) decidir sobre quase 16 pedidos de ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de criptomoedas – entre eles, um ligado à solana (SOL). A expectativa do mercado é de aprovação, embora o órgão costume surpreender. O JPMorgan, porém, acredita que esses produtos devem atrair pouco capital no primeiro ano – algo em torno de US$ 1,5 bilhão, cerca de um sétimo do que os ETFs de ethereum movimentaram no mesmo período. O motivo seria a queda na atividade na blockchain da cripto

Quase uma Petrobras em cripto. Os “bandidos cripto” não brincam em serviço. Segundo um relatório divulgado ontem pela empresa de análise de blockchain Chainalysis, cerca de US$ 75 bilhões em criptoativos estão guardados em carteiras ou plataformas associadas a atividades ilícitas – praticamente o valor de mercado da Petrobras, a maior companhia brasileira. Apesar do dado negativo, ele representa uma oportunidade para governos, como os EUA, que veem nos ativos digitais apreendidos uma forma de montar reservas estratégicas.

Com o fim da MP 1.303, veja como fica o IR sobre cada tipo de investimento

9 de Outubro de 2025, 10:12

A Câmara dos Deputados derrubou, na tarde de quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras a partir de 2026 – como CDBs -, além de acabar com as isenções de títulos como LCIs e LCAs.

A decisão foi interpretada como uma derrota para o governo federal, que contava com a medida para elevar a arrecadação. Com a queda da MP, a equipe econômica projeta um rombo de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas.

Nas redes sociais, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann criticou o resultado. “Quem votou na Câmara para derrubar a MP que taxava os super ricos votou contra o país e o povo”, escreveu no X (antigo Twitter).

Já a oposição comemorou a decisão, argumentando que a medida representava aumento de impostos.

Com a perda de vigência da MP, as regras de tributação permanecem as mesmas. A seguir, veja o que previa a proposta e como ficam as alíquotas para cada tipo de investimento.

Títulos públicos, CDBs e debêntures simples

O que a MP previa: inicialmente, uma alíquota única de 18%. Após negociações no Congresso, o percentual subiu para 18%.

Como fica: com a derrubada da MP, essas aplicações continuam sujeitas à tabela regressiva de Imposto de Renda (IR): 22,5% (180 dias ou menos); 20% (181 a 360 dias); 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (721 dias ou mais), segundo as regras atuais da Receita Federal.

Fundos de renda fixa e multimercados

O que a MP previa: o mesmo tratamento dos CDBs – uma alíquota única de 18%, depois elevada para 18% nas negociações com o Congresso.

Como fica: continuam sujeitos à tabela regressiva de IR: 22,5% (180 dias ou menos); 20% (181 a 360 dias); 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (721 dias ou mais).

Ações, fundos de ações e ETFs

O que a MP previa: alíquota única de 18%.

Como fica: isenção para vendas mensais de até R$ 20 mil. Lucros acima desse limite seguem tributados em 15% (operações comuns) e 20% (day trade).

FIIs e Fiagros

O que a MP previa: o texto original previa o fim da isenção de dividendos pagos por fundos imobiliários (FIIs) e Fiagros – fundos de investimento das cadeias produtivas agroindustriais. Na versão aprovada pela comissão da Câmara, a isenção dos dividendos havia sido retomada no casos previstos, ou seja, fundos com 100 ou mais cotistas e que sejam negociados em bolsa ou em balcão organizado.

Como fica: mantida a isenção sobre dividendos e cobrança de 20% de IR sobre o ganho de capital na venda das cotas.

Leia mais

Criptoativos

O que a MP previa: alíquota única de 18% sobre o lucro com criptomoedas, eliminando a isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil.

Como fica: isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil. Acima desse valor, o imposto é progressivo sobre o lucro anual: 15% até R$ 5 milhões; 17,5% de R$ 5 a 10 milhões; 20% de R$ 10 a 30 milhões; e 22,5% acima de R$ 30 milhões.

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LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas

O que a MP previa: o texto inicial da medida previa alíquota de 5% sobre essas aplicações. Após negociações com o Congresso, as isenções foram mantidas.

Como fica: continuam isentos de Imposto de Renda.

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Sem nova taxação: criptomoedas seguem isentas de IR no limite de até R$ 35 mil por mês

9 de Outubro de 2025, 07:45

A Câmara dos Deputados derrubou, na quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras – inclusive as criptomoedas. Foram 251 votos a favor da retirada e 193 contra.

Como a MP perdeu validade à meia-noite, ela caducou, e as regras anteriores continuam em vigor. Com isso, investidores de criptomoedas que movimentam até R$ 35 mil por mês seguem isentos do Imposto de Renda (IR). Já para valores acima desse limite, vale a alíquota progressiva que varia de 15% a 22,5%.

A derrota foi um revés para o governo federal, que contava com a medida para elevar a arrecadação em 2025 e 2026. Agora, a equipe econômica projeta déficit de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas – o que deve levar o governo a bloquear parte das despesas.

Os players do setor cripto, por outro lado, viram a queda da MP como uma boa notícia.

“A decisão favorece a continuidade do desenvolvimento do setor no Brasil, que já reúne 25 milhões de investidores e possui amplo potencial de expansão, em um ambiente regulatório equilibrado e pautado pela isonomia”, disse o MB | Mercado Bitcoin.

Guilherme Sacamone, CEO da OKX, disse que se a medida fosse aprovada, seria um retrocesso, porque penalizaria a inovação, desestimularia investidores e ameaçaria diretamente a competitividade do mercado nacional.

“Milhares de pessoas e empresas encontraram nesse segmento caminhos legítimos para empreender, diversificar suas fontes de renda e participar de um movimento global de transformação tecnológica e econômica”, falou.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  – 0,63%, US$ 121.814,10

Ethereum (ETH): – 3,33%, US$ 4.338,78

XRP (XRP)– 2,00%, US$ 2,81

BNB (BNB): – 3,16%, US$ 1.275,84

Solana (SOL): + 0,21%, US$ 221,83

Destaques do mercado cripto

Bitcoin para mais de metro: O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) à vista de bitcoin da gestora BlackRock, atingiu a marca de 800 mil unidades de BTC na quarta-feira – o equivalente a US$ 97 bilhões. O montante representa 3,8% da oferta total da criptomoeda (21 milhões de unidades), superando a posição da Strategy (antiga MicroStrategy), a bitcoin treasury company “famosinha” cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 BTC.

Gigante financeira investe em empresa cripto: A Citi Ventures, braço de capital de risco corporativo do Citigroup (Citi), anunciou investimento na BVNK, plataforma global de infraestrutura para stablecoins – criptomoedas estáveis atreladas a ativos como o dólar e o euro. Segundo a empresa, o uso de stablecoins tem crescido rapidamente e vem sendo adotado para liquidação de transações on-chain (na blockchain, a tecnologia por trás das criptos) e de outros criptoativos.

BNB virou a 3ª maior criptomoeda do mundo à frente do XRP e até da stablecoin USDT

8 de Outubro de 2025, 15:35

O BNB, token nativo da blockchain da Binance – a maior exchange do mundo – alcançou o posto de terceira maior criptomoeda em valor de mercado na terça-feira (7), desbancando o XRP (XRP) e ficando à frente até do USDT, a maior stablecoin global.

O BNB agora soma US$ 182 bilhões em capitalização, ante US$ 174 bilhões do XRP e US$ 177 bilhões do USDT. Para efeito de comparação, o bitcoin (BTC) segue na liderança com US$ 2,4 trilhões, enquanto o Ethereum (ETH) ocupa a segunda posição, com US$ 546 bilhões.

A valorização da cripto reflete em boa medida o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), como os empréstimos descentralizados e outras operações baseadas em contratos inteligentes. O avanço atual é atribuído a uma combinação de fatores – a começar pelo aumento do valor total bloqueado em sua rede (TVL, na sigla em inglês), um indicador de quanto dinheiro está alocado em projetos DeFi, em sua blockchain, a BNB Chain. Hoje, está na casa dos US$ 9,22 bilhões, segundo dados do site DefiLlama.

A BNB Chain também recuperou sua posição como a mais utilizada em número de endereços ativos diários, superando solana e ethereum, segundo dados da própria corretora levantados em plataformas de dados.

O movimento também coincide com o crescimento das operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como o Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por campanhas promocionais.

Na tarde desta quarta-feira (8), o BNB é negociado a US$ 1.308, com alta de 1,50% no dia e valorização de 30% na semana. Ontem, a cripto registrou sua máxima histórica, de US$ 1.331, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O BNB foi lançado em meados de 2017, por meio de uma Initial Coin Offering (ICO) – uma oferta inicial de criptomoedas semelhante a um IPO. Na época, chamava-se Binance Coin, e sua função era permitir que os usuários pagassem taxas e recebessem descontos nas operações dentro da exchange.

Com o tempo, o token evoluiu e passou a integrar a BNB Chain. Hoje, é utilizado para processar transações, executar aplicativos descentralizados – aqueles apps que ficam em blockchains – e dar suporte a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), termo que se refere aos produtos financeiros que rodam no sistema das criptomoedas.

Bitcoin Treasury Company, bitcoin e fundo cripto: quais as diferenças entre os investimentos?

8 de Outubro de 2025, 14:27

A estreia da bitcoin treasury company OranjeBTC (OBTC3) na bolsa de valores nesta semana chamou atenção – e foi destaque em vários veículos, inclusive aqui no InvestNews. Mas, afinal, como esse tipo de empresa funciona? E qual a diferença entre investir nela, comprar bitcoin (BTC) diretamente ou aplicar em um fundo de criptomoedas?

Vamos por partes.

O objetivo de uma bitcoin treasury company é acumular bitcoin e, ao mesmo tempo, fazer com que o valor de suas ações cresça mais do que o próprio BTC, de modo a atrair mais investidores. Ela tenta dar mais valor aos seus papéis por meio de alavancagem financeira – ou seja, captando recursos por meio de dívidas ou novas emissões de ações para comprar ainda mais cripto.

Para fins didáticos, vamos supor que a ação da empresa seja equivalente a um bitcoin (o que não é o caso na realidade, ok?). Se a estratégia da companhia der certo, essa ação poderia passar a representar o equivalente a 1,2 BTC, por exemplo, no período de um ano. Já em uma situação em que o investidor compra 1 BTC, ele vai ter 1 BTC no mesmo período.

Tá, então dá pra dizer que uma bitcoin treasury company é concorrente do Bitcoin? Sim e não.

Sim, porque ela compete pelo seu dinheiro: quem quer se expor ao BTC precisa escolher se compra a criptomoeda ou as ações da empresa. E não, porque o desempenho da companhia depende totalmente do Bitcoin. Se o BTC cair, o valor da empresa também cai. O modelo de negócios da OranjeBTC, portanto, é uma aposta alavancada no sucesso futuro do Bitcoin.

Leia mais:

Quais os riscos?

A acumulação de BTC não gera caixa naturalmente para uma bitcoin treasury company. A única maneira de empresas de tesouraria comprarem mais cripto é por meio de recursos captados no mercado de capitais – como ações, dívidas ou outros instrumentos financeiros.

“Isso só será positivo para os acionistas se as condições de mercado forem favoráveis. Portanto, o maior risco para o negócio é a falta de acesso a capital ou condições de mercado que impeçam a acumulação de moedas/ações”, disse o Itaú BBA, em relatório publicado nesta semana.

Qual a diferença para investir direto em bitcoin

O investimento em uma bitcoin treasury company é diferente de investir diretamente na criptomoeda, via exchange ou banco digital, por exemplo. Nesse caso, o investidor está exposto diretamente ao desempenho do preço do bitcoin – sem amplificadores.

Os riscos são aqueles inerentes ao ativo, como a alta volatilidade. No caso de manter as criptos em uma plataforma, há sempre a preocupação com segurança. Já se o investidor decide guardar suas criptos em carteira própria, é preciso cuidar bem de suas chaves privadas, porque, se as perder, não há como recuperar os ativos.

E os fundos, como os ETFs?

Já os fundos de investimento em cripto reúnem recursos de vários investidores e compram diretamente criptomoedas. No caso dos ETFs – fundos negociados em bolsa e que estão em alta – cada cota representa uma fração dos ativos que o fundo tem (como bitcoin, ethereum ou um mix de criptos, dependendo do produto). Ou seja, o fundo efetivamente compra os criptoativos.

Entre os principais riscos está o de liquidez: ele ocorre quando há pouca ou nenhuma procura pelas cotas do fundo ou pelos criptoativos que compõem o índice de referência.

Uma eventual vantagem dos ETFs e fundos é que o investidor pode ficar despreocupado em relação à custódia do ativo, ou seja, a guarda da criptomoeda. A gestora se torna responsável por contratar um serviço e assumir os riscos.

Bitcoin segura os US$ 123 mil; BNB rouba a cena e vira 3º maior cripto do mercado

8 de Outubro de 2025, 08:07

O bitcoin (BTC) recuou levemente após atingir a máxima de US$ 126 mil, mas segue estável na faixa dos US$ 123 mil na manhã desta quarta-feira (8). O destaque do dia é o BNB (BNB), que disparou e renovou seu recorde histórico.

O token, nativo da blockchain da exchange Binance, é negociado a US$ 1.320 nesta manhã, com alta de 5% nas últimas 24 horas e 30% no acumulado da semana – acima da valorização de 7% do BTC no mesmo período.

Com essa disparada, o BNB ultrapassou o XRP e se tornou a terceira maior criptomoeda do mundo, com valor de mercado de US$ 183,9 bilhões, contra US$ 178 bilhões da rival, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O movimento coincide com o aumento de operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como a Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por ações promocionais.

Também houve maior demanda institucional pelo token, com fundos regionais – incluindo no Cazaquistão e no Sudeste Asiático – adicionando BNB a seus portfólios de ativos digitais.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h45:

Bitcoin (BTC):  – 1,15%, US$ 123.059,10

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.483,92

XRP (XRP): – 3,33%, US$ 2,87

BNB (BNB): + 5,00%, US$ 1.320,00

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Destaques do mercado cripto

Caixa entra no mundo cripto. A Caixa Asset, gestora de recursos da empresa pública, lançou um fundo de criptomoedas em parceria com a gestora global de criptoativos Hashdex. O novo produto busca replicar a performance do Nasdaq Crypto Index (NCI™️), um índice que investe em bitcoin, ethereum, XRP, solana, entre outras altcoins. O movimento marca a entrada do banco no universo cripto.

Tesouraria de memecoin de Trump. A empresa cripto Fight Fight Fight, por trás da memecoin de Donald Trump, quer levantar pelo menos US$ 200 milhões para criar uma tesouraria que acumularia a cripto ligada ao presidente dos EUA, segundo a Bloomberg. Desde o seu lançamento, no começo deste ano, o ativo digital teve um desempenho volátil: disparou para cerca de US$ 44 em janeiro, mas desde então desabou para US$ 7,5, valor negociado na manhã desta quarta. 

A maior empresa de tesouraria de bitcoin estreia na B3. Saiba como foi o primeiro pregão da OranjeBTC

7 de Outubro de 2025, 14:24

As ações da OranjeBTC (OBTC3), empresa brasileira focada em tesouraria de bitcoin (BTC) e educação, começaram a ser negociadas na bolsa de valores brasileira na manhã desta terça-feira (7).

O papel abriu a R$ 26, chegou a alcançar R$ 29 e, por volta das 13h30, era negociado a R$ 24,90, com volume de R$ 6,26 milhões até o início da tarde, segundo dados da bolsa de valores.

No total, serão negociadas 155,2 milhões de ações ordinárias, sem contar as que já estão em tesouraria. Além disso, a empresa emitiu uma dívida no valor de R$ 128,1 milhões, que poderá ser convertida em quase 7 milhões de novas ações.

A companhia, que nasceu por meio de um IPO reverso, aproveitou a estreia para anunciar a compra de mais 25 bitcoins, elevando sua posição para 3.675 unidades, o equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões na cotação do dia. O BTC é negociado a US$ 121 mil nesta terça-feira.

Com esse movimento, a OranjeBTC passou a ocupar a 26ª posição entre as maiores tesourarias de bitcoin do mundo, ranking que reúne companhias que mantêm a criptomoeda como parte de suas reservas de caixa. No total, 201 empresas listadas em bolsa fazem parte desse grupo, segundo o site Bitcoin Treasuries.

Fundada por Guilherme Gomes – que já trabalhou na gestora americana Bridgewater Associates e na Swan Bitcoin, nos EUA -, a companhia conta em seu conselho com nomes de peso do mercado cripto e financeiro, como Eric Weiss (ex-Morgan Stanley), Julio Capua (ex-sócio da XP), Josh Levine (vice-presidente da BlackRock) e Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital.

Bitcoin registra recorde com paralisação parcial do governo nos EUA e impulso de ETFs

7 de Outubro de 2025, 08:11

O bitcoin (BTC) atingiu uma nova máxima histórica, alcançando os US$ 126 mil na tarde de segunda-feira (6), impulsionado pelas preocupações com o shutdown nos Estados Unidos e por fortes aportes nos ETFs (fundos de índice) de criptomoedas. Na manhã desta terça-feira (7), a moeda registrava leve recuo, negociada na faixa dos US$ 124 mil.

O shutdown – paralisação parcial de serviços públicos nos EUA por falta de acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento federal – entrou na segunda semana. Na noite de ontem, o Senado voltou a rejeitar a proposta orçamentária que encerraria a medida por causa de um impasse sobre os benefícios à saúde.

Diante desse cenário, os principais índices americanos operam em queda no pré-market nesta manhã: o Dow Jones recuava 0,16%, o S&P 500 caía 0,05%, enquanto o Nasdaq permanecia estável. Na contramão, o bitcoin sobe, com parte do fluxo vindo dos ETFs de criptomoedas.

Somente ontem, os fundos de índice de bitcoin dos EUA registraram entrada líquida de US$ 1,2 bilhão, segundo dados da plataforma Farside Investors. Foi a sétima vez que isso aconteceu desde janeiro de 2024, quando esses produtos foram lançados no país. Movimentos desse tipo costumam anteceder topos de curto prazo – como o registrado na segunda.

Já os ETFs de ethereum (ETH) atraíram US$ 181,7 milhões em aportes. Dados da plataforma StrategicETHReserve mostram que esses produtos detêm cerca de 6,81 milhões de unidades de ETH, o que representa 5,63% do total em circulação.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  + 0,20%, US$ 124.349,75

Ethereum (ETH): + 0,31%, US$ 4.691,52

XRP (XRP):– 0,63%, US$ 2,97

BNB (BNB): + 5,23%, US$ 1.283,72

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Principais notícias do setor cripto

Até 4% em cripto, segundo gigante financeiro. O Morgan Stanley divulgou novas recomendações de alocação em criptoativos: até 4% para carteiras de “crescimento oportunista”, entre 2% e 3% para “crescimento equilibrado” e 0% para perfis conservadores. Para comparação, BlackRock e Fidelity – gestoras que oferecem ETFs de criptomoedas – sugerem alocação em torno de 2%.

Criptomoeda russa sob ameaça de sanção. A União Europeia (UE) propôs proibir qualquer envolvimento com a stablecoin russa A7A5, lastreada em rublo. O token foi desenvolvido pelo banqueiro fugitivo moldavo Ilan Shor e pelo banco estatal russo Promsvyazbank (PSB), instituição sancionada por Reino Unido e Estados Unidos em 2022, após a invasão da Rússia à Ucrânia.

OranjeBTC estreia na bolsa brasileira com R$ 2,4 bilhões em bitcoin no caixa

7 de Outubro de 2025, 06:00

A bolsa de valores ganha nesta terça-feira (7) uma empresa com 100% do negócio associado ao bitcoin (BTC): a OranjeBTC. Com o ticker OBTC3, a companhia estreia já com 3.650 unidades da criptomoeda em tesouraria – o equivalente a US$ 457 milhões (R$ 2,4 bilhões) na cotação atual.

A OranjeBTC chegou à B3 por meio de um caminho não tão usual: um “IPO reverso”. Na prática, isso significa que uma empresa fechada compra o controle de uma companhia já listada para ingressar na bolsa, em vez de abrir capital próprio. A firma adquiriu a Intergraus, um cursinho pré-vestibular tradicional de São Paulo, que pertencia ao grupo de educação Bioma, por R$ 15 milhões.

A nova companhia foi fundada por Guilherme Gomes, que já passou por Bridgewater Associates e pela Swan Bitcoin, nos EUA. Ele é tão aficionado por cripto que, além de levar uma empresa de ativos digitais para a B3, tem 100% do portfólio pessoal em bitcoin – uma estratégia considerada de alto risco, não recomendada para investidores em geral.

Além dele, a companhia tem um Conselho de Administração composto por Eric Weiss, ex-Morgan Stanley; Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital; Julio Capua, ex-sócio da XP; Josh Levine, vice-presidente da BlackRock; entre outros nomes.

Tesouraria e educação

A empresa pretende atuar em duas frentes. De um lado, busca acumular a maior posição em bitcoin da América Latina, seguindo o exemplo da “famosinha” Strategy (antiga MicroStrategy), cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 unidades de BTC – cerca de US$ 80 bilhões (R$ 425 bilhões) em cripto, superior ao valor de mercado da Petrobras (​PETR4).

De outro, vai apostar em educação, oferecendo cursos, publicando pesquisas e organizando eventos no Brasil sobre o mercado de criptomoedas.

Riscos incluem regulação

Concentrar a estratégia em único ativo, conhecido por sua volatilidade, é uma aposta de alto risco. Os próprios ciclos de alta e queda do mercado de criptomoedas podem impactar o valor da tesouraria e, consequentemente, da companhia como um todo.

Para Gomes, porém, a volatilidade é parte essencial do negócio. Seguindo o exemplo da Strategy, disse ele, é possível “empacotá-la” de diversas formas para vender dívidas conversíveis, warrants (títulos de opção negociados em bolsa) ou outros papéis, além de recapitalizar o caixa e comprar mais bitcoin.

“Então acho que a volatilidade não só é parte da história, mas é essencial para a operação da companhia. Porém, é preciso ter perspectiva de longo prazo”.

Do ponto de vista do investidor, o especialista da Valor Investimentos, Virgílio Lage, apontou outros riscos a serem considerados, como o regulatório (devido a possíveis mudanças legislativas, proibições ou novas exigências para criptomoedas), o risco de crédito (causado pela dependência de terceiros, como corretoras ou custodiantes) e o risco de liquidez do papel.

Outras empresas com bitcoin em caixa

A OranjeBTC não é a única empresa brasileira com bitcoin na tesouraria. A Méliuz (CASH3), companhia de tecnologia e cashback fundada em 2011, passou a comprar bitcoin no início deste ano, com o objetivo de buscar “retorno de longo prazo no ativo”, segundo comunicado divulgado em março. A empresa possui 605 unidades de BTC, o equivalente a cerca de US$ 70 milhões (R$ 372 milhões)

Analistas e empresas do setor veem o Brasil como um mercado promissor para esse tipo de iniciativa.

“Assim como a Méliuz, a entrada da OranjeBTC no mercado brasileiro marca um marco importante em 2025, ano em que o bitcoin reafirmou sua força no mercado corporativo da América Latina e sua relevância como ativo de tesouraria no planejamento financeiro de longo prazo das empresas”, disse a Bitfinex tem relatório publicado nesta segunda-feira (6).

Para Yoandris Rives Rodriguez, gerente regional para a América Latina na B2BINPAY, o “Brasil continua se destacando como um mercado relativamente estável, em que plataformas como a OranjeBTC estão ganhando tração real”.

Itaú BBA vê espaço para recuperação do bitcoin após ajuste no mercado, mas alerta para riscos da economia americana

3 de Outubro de 2025, 08:37

O mês de setembro foi de queda para o mercado de criptomoedas, contrariando a expectativa de alta. No novo relatório “Cenário Cripto” do Itaú BBA, os analistas Lucas Piza e Fabio Perina apontam que o setor passou por desvalorizações significativas, com o bitcoin e outras moedas se distanciando das suas máximas históricas. O documento indica que não há um movimento claro de recuperação no curto prazo, e a tendência de médio prazo do mercado segue indefinida.

Para o mês de outubro, porém, o mercado de criptoativos começa o mês em alta, impulsionado por um otimismo sazonal conhecido como “Uptober”. O bitcoin chegou a ser negociado perto dos US$ 120 mil nesta sexta-feira (3), o maior valor em sete semanas, após um período marcado por liquidações que apagaram bilhões de dólares em posições alavancadas no final de setembro.

Esse movimento de recuperação é reforçado por entradas constantes em fundos de índice (ETFs) de bitcoin nos Estados Unidos e por expectativas de um impulso de liquidez em meio à ameaça de paralisação do governo americano. Segundo analistas, a paralisação poderia atrasar a divulgação de dados econômicos importantes e redirecionar capital para ativos alternativos, como as criptomoedas.

Apesar do otimismo, o cenário ainda exige cautela. O relatório do Itaú BBA destaca que, para entrar em uma tendência de alta consistente, o bitcoin ainda precisa superar a barreira do preço de US$ 120 mil.

Desempenho das principais criptomoedas

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h45:

Bitcoin (BTC):  + 1,33%, US$ 120.314,01

Ethereum (ETH): + 2,14%, US$ 4.478,10

XRP (XRP): +1,51%, US$ 3,03

BNB (BNB): + 5,61%, US$ 1.104,29

Solana (SOL): + 2,14%, US$ 230,17

Outros destaques do dia:TRON (TRX): + 0,64%, US$ 0,3432

Principais notícias do setor cripto

Belo Horizonte se autodeclara “capital do bitcoin”. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (UB), sancionou nesta quinta-feira (2) a lei que concede ao município o título de “capital do bitcoin”. A proposta, de autoria do vereador Vile Santos (PL), busca consolidar a cidade como polo tecnológico de criptoativos, promovendo eventos, capacitação e iniciativas voltadas à inovação no setor. A legislação prevê estímulos para atrair investimentos, fortalecer a educação financeira e apoiar empreendedores e estudantes, com a meta de posicionar a capital mineira como referência nacional em adoção e desenvolvimento de soluções ligadas ao Bitcoin e demais criptoativos.

JPMorgan projeta bitcoin a US$ 165 mil. Segundo uma análise do JPMorgan, o bitcoin pode atingir o valor de US$ 165 mil até o final de 2025. Os analistas do banco consideram que o bitcoin está significativamente desvalorizado em relação ao ouro, ao ajustar a comparação pela volatilidade. A projeção de alta é impulsionada principalmente por investidores de varejo que, desde o final de 2024, têm direcionado seu capital para ETFs de bitcoin e ouro. Essa tendência é chamada de “debasement trade”, um movimento de busca por ativos que funcionem como reserva de valor em meio a preocupações com a economia global, como inflação, endividamento de governos e instabilidade geopolítica.

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