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Mercados hoje: ata do Copom traz pistas sobre o que esperar dos cortes de juros no Brasil

24 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta terça-feira (24), com os mercados globais mais amenos, os investidores se voltam à divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. No encontro da semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, iniciando o ciclo de queda de juros. No entanto, o mercado busca pistas sobre o que o BC deve fazer daqui para a frente: vai manter um ritmo de conta-gotas na redução da taxa básica ou pode acelerar o passo? Lá fora, após a euforia de ontem, os investidores aguardam ações mais concretas sobre as eventuais negociações entre EUA e Irã para o fim do conflito.

Enquanto você dormia…

  • O humor global entrou em um modo de cautela após o rali de ontem perder tração. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm praticamente estáveis: às 7h25, o S&P 500 futuro tem queda de -0,08%, enquanto o Nasdaq futuro tem alta de +0,01%.
  • Na Europa, as bolsas operam em queda leve. O Stoxx 600 recua -0,02%
  • Na Ásia, os investidores entraram no modo risco ainda embalados pela possibilidade de acordo ente EUA e Irã. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou a sessão em alta de +1,43%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +2,79%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,19% aos 99,32 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,88% aos US$ 100,89 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,372% ao ano.

Destaques do dia

  • O mercado voltou a se preocupar com a oferta global de petróleo após sinais contraditórios sobre possíveis negociações entre EUA e Irã. A ausência de avanços concretos reduziu a confiança em uma solução rápida para tensões no Oriente Médio.
  • Ao mesmo tempo, dados de atividade na Europa vieram fracos, reforçando o cenário incômodo de crescimento fraco com pressão inflacionária — o famoso “cobertor curto”.
  • E daí? No Brasil, o setor de óleo e gás tendem a manter a tração no curto prazo, mas o efeito colateral pode ser uma curva de juros mais pressionada e maior cautela com ativos domésticos sensíveis à Selic.

Giro pelo mundo

  • Danone avança em proteínas: a empresa anunciou a compra da Huel por cerca de €1 bilhão, reforçando a estratégia em nutrição e bebidas proteicas — segmento que cresce acima da média global; o mercado deve observar impactos em margens e expansão internacional.
  • Japão libera estoques: o governo japonês indicou uso de reservas estratégicas de petróleo para conter impactos de preços; sinal importante de que países já começam a agir para mitigar choques de oferta.
  • Europa em marcha lenta: PMIs preliminares indicaram atividade quase estagnada na zona do euro em março, aumentando a pressão sobre o BCE em meio ao dilema entre crescimento fraco e inflação resistente.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no radar: o documento deve detalhar o corte de 0,25 p.p. da Selic e, principalmente, o grau de cautela do Banco Central diante de riscos externos — como o petróleo — e internos — como expectativas de inflação.
  • Segurança no sistema financeiro: o BTG Pactual sofreu uma fraude via Pix, que chegou a desviar R$ 100 milhões, dos quais a maior parte já foi recuperada. Houve alerta automatizado do BC, mas o caso levanta discussões sobre robustez do sistema e eventuais ajustes regulatórios.
  • Juros e petróleo: o cenário externo mais pressionado pode dificultar cortes mais agressivos da Selic, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal do BC.

Giro corporativo

  • Movida: resultados de 2025 vieram com crescimento de receita, Ebitda e lucro, indicando melhora operacional; guidance aponta continuidade da recuperação, com atenção à alavancagem e custo financeiro.
  • Fleury, Porto e Oncoclínicas: negociações para criar uma nova empresa focada em oncologia avançam; o mercado acompanha potenciais sinergias e estrutura societária.
  • Casas Bahia: parceria com a Amazon reforça estratégia de ampliar canais digitais e acelerar vendas via marketplace, buscando ganho de escala e giro de estoque.
  • Embraer: pedido relevante da Finnair de até 46 jatos comerciais E195 E2 reacendeu o apetite pelo papel após período de volatilidade; investidores acompanham impacto na carteira de pedidos e no fluxo de entregas.

Agenda do dia

  • 08:00: Ata do Copom — detalha a decisão recente e sinaliza próximos passos da política monetária.
  • 10:45: PMI preliminar — EUA; indicador-chave para medir ritmo da economia e pressões inflacionárias.
  • 11:30: Estoques de petróleo — EUA; dado pode amplificar ou aliviar a pressão recente nos preços da commodity.

Ótima terça-feira e bons negócios!

BC assume risco sobre inflação com postura menos cautelosa, diz Solange Srour, do UBS

20 de Março de 2026, 06:15

O Banco Central sinalizou que poderá cortar os juros em sua próxima reunião, no fim de abril, mesmo que a Guerra do Irã ainda persista até lá. O risco, porém, é de que, embora o ciclo de queda de juros mal tenha começado, já precise ser interrompido, avaliou a diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, em entrevista ao InvestNews.

Na opinião da economista, o Comitê de Política Monetária, o Copom, não deveria ter iniciado o ciclo de redução da Selic. O BC cortou a taxa básica para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), na primeira diminuição em quase dois anos.

“Pessoalmente, acho que o BC deveria ter adiado”, disse. “Ninguém sabe se a guerra vai demorar mais duas semanas ou quatro meses.”

Mesmo se o conflito terminar em breve, já existe uma inflação “contratada” devido ao aumento dos preços do petróleo, de energia e de insumos, como fertilizantes.

“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, disse Srour.

Em um cenário no qual o conflito se estenda muito mais tempo e o choque de oferta e de preços de energia perdure por meses, “o risco é o de o BC cortar 0,50 ponto e ter de parar”.

Além disso, Srour lembra que, mesmo com um eventual cessar-fogo ou fim do conflito, ninguém sabe a extensão dos danos à infraestrutura produtiva de petróleo e gás na região.

“Não é só ‘ligou e desligou’. Se uma instalação foi destruída ou danificada, pode levar meses até que a região consiga retomar os níveis [de produção de petróleo] de antes da guerra. Isso significa que o efeito sobre a oferta vai durar muito mais tempo.”

A diretora do UBS GWM ressalta ainda que o mercado leu o comunicado da decisão da quarta-feira (18) como mais “suave” ou “dovish“, no jargão do mercado. Isso porque o Banco Central não só cortou como evitou deixar em aberto a possibilidade de uma pausa.

Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Foto: Divulgação

“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante.”

Segundo a economista, um dos principais riscos de uma comunicação menos cautelosa é iniciar um processo de desancoragem das expectativas de inflação. Ou seja, de os agentes de mercado passarem a embutir projeções cada vez mais elevadas para os preços no futuro.

A desacoragem, na prática, representa uma perda de confiança na capacidade de a política monetária controlar a alta dos preços, o que acaba por criar um efeito inflacionário. Nesse cenário, o BC pode reavaliar os rumos dos juros e até mesmo ter de elevar as taxas novamente.

O UBS GWM, por outro lado, ainda projeta uma probabilidade maior de os efeitos do conflito serem transitórios, o que possibilitaria ao Copom dar continuidade ao ciclo de cortes.

Nesse cenário mais positivo, o preço do petróleo voltaria a um patamar mais perto de US$ 85 o barril e a situação no Estreito de Ormuz se normalizaria até o fim de abril.

A economista do UBS mantém no cenário-base a possibilidade de a Selic terminar o ano no intervalo entre 12% e 12,5% ao ano. “Mas um ciclo de corte de três pontos [percentuais] ou menos já representa um espaço menor do que o mercado tinha começado a projetar antes da guerra.”

Dificuldades do BC no pós-guerra

As dificuldades da política monetária não vão acabar quando a guerra terminar. Para Srour, quando o peso do cenário internacional começar a diminuir, o doméstico passará a predominar.

“O ponto é que o desequilíbrio fiscal volta a se tornar o novo foco de atenção. Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança.”

Nesse cenário, o esperado é que a curva de juros abra ainda mais, o câmbio deprecie e a aversão ao risco nos mercados volte a predominar.

“Seria o pior cenário, porque essa crise de confiança levaria a mais inflação e a uma desaceleração econômica. E o BC não teria outra alternativa a não ser subir juros novamente.”

Na visão da economista, o risco desse cenário se tornará mais presente conforme as eleições fiquem mais próximas. Para Srour, para evitar esse quadro, os candidatos com mais chances de vitória terão que sinalizar que vão endereçar a questão fiscal em seu mandato.

“É muito importante que o presidente eleito entenda que não tem muito tempo para apresentar esse ajuste. E não pode ser mais do mesmo, porque não será mais suficiente para segurar as expectativas.”

Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

16 de Março de 2026, 07:43

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Mercados hoje: investidores reagem ao tom mais duro do Copom

6 de Novembro de 2025, 07:38

Bom Dia!
A quinta-feira, 6 de novembro, começa com investidores cautelosos lá fora. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm perto da estabilidade, com os mercados à espera de notícias para impulsionar novas altas – ou baixas. Aqui, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, como esperado, mas voltou a falar em “período bastante prolongado” de juros altos. O tom um pouco mais duro pode inspirar uma busca por ativos com menos risco e pausar os recordes do Ibovespa, que, na quarta-feira, alcançou nova máxima, acima dos 153 mil pontos. Vamos aos giros desta quinta pós-Copom.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h20, os futuros de Nova York exibiam muita cautela após a monta-russa de terça e quarta-feira: S&P 500 se mantinha em queda de -0,01% e o Nasdaq recuava -0,04%.
  • Já Europa e Ásia têm movimentos opostos: o índice europeu STOXX 600 cede cerca de -0,10% com balanços um pouco abaixo do esperado; A bolsa de Hong Kong fechou em alta de 2,12%, enquanto o Nikkei, de Tóquio, encerrou com ganho de 1,34%.
  • Às 7h20, o índice dólar (DXY) cedia –0,24% aos 99,97 pontos; o petróleo Brent subia +0,68% cotado a US$ 63,80 o barril; a Treasury de 10 anos em também avança para 4,14% ao ano.

Destaques do dia

  • O pós-Copom deve dar o tom dos negócios nesta quinta-feira. O Banco Central manteve a Selic em 15% na quarta-feira (5), em decisão unânime, e manteve a sinalização de que pretende esperar mais para ver. Isso significa Selic alta por mais tempo, com maior perspectiva de uma queda de juros só em 2026. O comunicado até voltou a dizer que pode retomar o ciclo de alta se necessário.
  • E daí? Juros longos tendem a seguir sensíveis a política fiscal e aos dados de inflação. Na bolsa, setores mais expostos a juros seguem no radar. No câmbio, o real pode responder ao diferencial de juros, ou seja, a distância entre as taxas do Brasil e dos EUA e ao humor externo.

Giro pelo mundo

  • BC da Inglaterra decide juros: mercado dividido entre manutenção de 4,0% ao ano ou corte marginal.
  • Na falta de mais indicadores, em meio à paralisação parcial de órgãos do governo americano (“shutdown“), os investidores ficam de olho no relatório JOLTS, que mostra a quantidade de vagas abertas em relação ao número de pessoas buscando emprego nos EUA. Está previsto, mas pode ser adiado devido ao shutdown.

Giro pelo Brasil

  • Isenção de IR até R$ 5 mil: Senado aprovou a lei que tira o imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês. O texto prevê compensações por meio de alíquota extra para altas rendas e tributação de dividendos. Juros longos podem reagir com percepção de mais gastos e fiscal mais frouxo.

Giro corporativo

  • Axia Energia (ex-Eletrobras): anunciou pagamento de R$ 4,3 bi em dividendos. O montante será distribuído aos acionistas em 19 de dezembro de 2025.
  • CSN prepara cisão da operação de infraestrutura para acelerar desalavancagem. A separação deve se tornar um caminho de o conglomerado levantar recursos de maneira mais rápida. 


Agenda do dia

Ótima quinta-feira e bons negócios!

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