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Claro paga R$ 4 bilhões pela Desktop e acelera consolidação da fibra óptica no interior

22 de Março de 2026, 16:10

A Claro anunciou a compra do controle da Desktop, maior provedor de internet por fibra óptica do interior de São Paulo, por R$ 4 bilhões. O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), além de uma assembleia extraordinária de acionistas.

A operadora mexicana pagará R$ 20,82 por ação pela fatia de 73% da Desktop que estava nas mãos dos controladores — um prêmio de 45% sobre os R$ 14,40 do fechamento de sexta-feira (20). Os R$ 4 bilhões representam o valor total da empresa, incluindo suas dívidas. Descontado o endividamento de R$ 1,59 bilhão, o que a Claro efetivamente desembolsa pelos acionistas chega a R$ 2,4 bilhões.

Após o fechamento do acordo, a Claro terá obrigação de lançar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para os demais acionistas, ao mesmo preço por ação.

A Desktop foi fundada em 1996 por Denio Alves Lindo, ex-funcionário da IBM que apostou na expansão da internet para o interior do país. Com a entrada do fundo HIG Capital em 2020, a empresa saiu de cerca de 100 mil para 1,2 milhão de clientes e foi a mercado em 2021, com ações precificadas a R$ 23,50 no IPO. Em 2025, faturou R$ 1,2 bilhão, crescimento de 8% sobre o ano anterior.

Como o InvestNews mostrou em janeiro, o setor de banda larga fixa entrou em fase de maturidade: o crescimento líquido de acessos caiu de mais de 5 milhões em 2021 para pouco mais de 330 mil nos onze primeiros meses de 2025. Vivo e Claro, que já têm escala relevante, conviviam com menor urgência por aquisições. A TIM, mais atrasada na fibra com apenas 831 mil clientes, ainda busca alternativas. O impasse de valuation — quanto vale, afinal, um cliente de internet de fibra — travou negociações por anos.

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A compra da Desktop sugere que, ao menos para a Claro, a equação finalmente fechou. Com 2,56 milhões de clientes próprios em fibra até novembro de 2025, a operadora salta de posição no ranking nacional e passa a controlar uma base consolidada no interior paulista, onde a Desktop atende mais de 200 municípios. A integração, e o que ela entregará em crescimento líquido real, será o próximo teste.

Ações da Desktop disparam com rumor de aquisição pela Claro

7 de Outubro de 2025, 17:16

As ações da Desktop chegaram a subir mais de 10% nesta terça-feira (7), após rumores de que a a Claro estaria em conversas avançadas para adquirir a companhia. A operadora, de acordo com o Brazil Journal, já estaria conduzindo diligência na empresa, embora ainda não tenha feito uma proposta firme.

Os papéis da empresa fecharam com alta 9,71%, a R$ 11,30 — vale destacar que é um papel de com pouca liquidez, o que ajuda a explicar altas e baixas mais significativas nesses tipos de evento.

Após o pregão a Desktop confirmou que existem conversas preliminares com a Claro, mas que “até o momento, não houve acordo sobre preço, estrutura e demais condições”.

A transação envolveria 100% do capital e poderia levar ao fechamento de capital da Desktop, controlada pela gestora H.I.G. Capital, que detém cerca de 53% das ações. No ano passado, a Vivo chegou a negociar a aquisição da companhia, mas as partes não chegaram a um acordo sobre o preço.

O rumor surge em meio a uma nova fase de consolidação entre os provedores regionais de fibra, conhecidos como ISPs, que ainda respondem por cerca de 65% da internet de fibra óptica no país, como mostrou recentemente o InvestNews.

Consolidação das ISPs

Após anos de fragmentação e aquisições pulverizadas, o setor entrou em um ciclo de combinações de maior porte, com fundos de private equity buscando saída e operadoras maiores testando o apetite por expansão.

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Em meados de 2023, por exemplo, a Vero, controlada pela Vinci Partners, se fundiu com a Americanet, da Warburg Pincus, criando a quinta maior operadora de banda larga do Brasil, com mais de 1,3 milhão de clientes e receita líquida de R$ 1,58 bilhão.

Paralelamente, grupos como a Alloha Fibra (Giga+), que nos últimos anos lideraram o movimento de consolidação, agora estariam de olho em alternativas de saída para seus investidores, como a eB Capital.

Esse rearranjo abriu caminho para que as grandes teles — Claro, Vivo e TIM — finalmente avançassem sobre o segmento, inaugurando uma nova etapa da disputa pela banda larga no país.

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