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Com atraso, Aegea divulga balanço de 2025, faz ajuste de 2024 e corta R$ 5 bilhões no patrimônio

11 de Abril de 2026, 14:24

A Aegea divulgou neste sábado (11) os resultados de 2025 e informou que reapresentou as demonstrações financeiras de 2024 após revisar políticas contábeis e reavaliar estimativas. O movimento veio depois de sucessivos adiamentos dos balanços, que já haviam alimentado preocupação entre investidores e credores.

No fato relevante, a companhia afirma que os ajustes têm natureza estritamente contábil e não afetam a geração de caixa operacional, a liquidez, o cumprimento de obrigações financeiras nem provocam vencimento antecipado de dívidas. A empresa também destaca que as demonstrações financeiras de 2025 foram emitidas sem ressalvas pelos auditores independentes, da KPMG.

Mesmo assim, a reapresentação foi relevante. No consolidado, o lucro líquido de 2024 caiu de R$ 2,396 bilhões para R$ 1,803 bilhão, redução de R$ 593,3 milhões. O patrimônio líquido consolidado encolheu de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,39 bilhões, queda de cerca de R$ 5 bilhões. O ativo total consolidado de 31 de dezembro de 2024 também foi reduzido, de R$ 44,33 bilhões para R$ 39,54 bilhões.

A explicação da companhia para a revisão está concentrada em três frentes principais. A primeira foi o reconhecimento de receita de serviços de água. A Aegea passou a adotar um critério mais conservador para clientes com saldos vencidos há mais de seis meses ou com cadastro incompleto ou desatualizado.

Para esses casos, a receita passa a ser reconhecida apenas após o pagamento, reduzindo a distância entre receita contábil e arrecadação. A empresa diz que a concessão mais impactada por esse ajuste foi a Águas do Rio, que ainda estaria em processo de amadurecimento e conversão da carteira de clientes.

A segunda frente foi a receita do ativo financeiro em PPPs. A companhia revisou a forma de mensurar a margem de construção, adotando metodologia baseada em fluxos de caixa esperados de receitas e custos atribuíveis à fase de construção, descontados a valor presente.

A terceira foi a provisão para perdas de crédito esperadas, recalculada com base em uma matriz de rolagem construída a partir do histórico de inadimplência dos últimos 36 meses. Segundo a Aegea, a provisão passou a representar 105% do total de contas a receber vencido no ecossistema.
Houve ainda ajustes no tratamento contábil da capitalização de juros associados ao pagamento de outorga, especialmente na Águas do Rio, o que aumentou a despesa financeira.

A reapresentação mexeu no passado, mas o resultado de 2025 também mostrou uma companhia sob pressão. No conceito proforma do ecossistema, que inclui controladas e coligadas relevantes não totalmente consolidadas nas demonstrações, a receita líquida alcançou R$ 18,288 bilhões, alta de 20,6% sobre 2024, enquanto o EBITDA proforma chegou a R$ 10,297 bilhões, avanço de 23,5%.

Apesar disso, o lucro líquido proforma caiu 31%, para R$ 856 milhões. A dívida líquida proforma subiu para R$ 47,044 bilhões, e a alavancagem avançou de 4,13 vezes para 4,51 vezes dívida líquida sobre EBITDA.

No recorte societário, mais diretamente ligado às demonstrações financeiras, a receita líquida cresceu 28,1%, para R$ 12,322 bilhões. O EBITDA CVM 156 — indicador calculado a partir do lucro líquido, somado a resultado financeiro, imposto sobre lucro e depreciação e amortização, seguindo a padronização da CVM para medidas não contábeis — aumentou 29,2%, para R$ 7,852 bilhões. Ainda assim, o lucro líquido caiu 29%, para R$ 1,280 bilhão. A dívida líquida subiu 68,2%, para R$ 30,242 bilhões, enquanto a alavancagem passou de 2,96 vezes para 3,78 vezes EBITDA.

Rio pressiona Aegea

A empresa tenta sustentar a narrativa de que o negócio segue forte. O release destaca que o ecossistema chegou a 14,1 milhões de economias, alta de 13,8%, e que o volume faturado proforma cresceu 8,4%, para 2,02 bilhões de m³.

A companhia também ressalta o início de cinco novas operações em 2025, a aquisição da Regenera Rio no segmento de resíduos sólidos, a conversão de registro para categoria A na CVM e captações de R$ 22,3 bilhões no ano, incluindo operações de liability management que alongaram o prazo médio da dívida e reduziram o custo médio.

Mas o principal foco de atenção continua sendo a Águas do Rio. No release, a operação reportou receita líquida de R$ 5,829 bilhões em 2025, alta de 10%, mas o EBITDA caiu 15%, para R$ 1,706 bilhão. A operação teve prejuízo líquido de R$ 584 milhões, a inadimplência UDM saltou para 12%, de 1% no ano anterior, e a alavancagem aumentou para 8,5 vezes EBITDA, ante 6,7 vezes em 2024. A própria companhia diz que o aumento de custos e despesas foi puxado principalmente pelos ajustes contábeis na provisão para perdas com inadimplência.

Corsan, empresa controlada pela Aegea e que foi investida pela Perfin
Corsan, empresa controlada pela Aegea e que foi investida pela Perfin (Divulgação)

A Corsan foi um contraponto positivo no portfólio. A operação gaúcha registrou EBITDA de R$ 3,682 bilhões, alta de 63%, e lucro líquido de R$ 2,441 bilhões, avanço de 76%. Mas parte desse ganho foi impulsionada por um efeito não recorrente de R$ 591 milhões em crédito de PIS/Cofins. Sem esse item, o EBITDA societário da Aegea teria sido de R$ 7,261 bilhões, e não R$ 7,852 bilhões. No proforma, o EBITDA ex-efeito não recorrente ficaria em R$ 9,849 bilhões.

KPMG aponta áreas críticas e ‘falhas de controle’

O relatório da KPMG aprovou o balanço de 2025 sem ressalva, mas trouxe um parágrafo de ênfase sobre a reapresentação dos saldos anteriores e listou uma série de principais assuntos de auditoria justamente nas áreas mais sensíveis do balanço.

Entre esses temas estão a alocação do valor justo da outorga e sua capitalização de juros, o reconhecimento de receita de água e esgoto, a receita de construção em PPPs, a provisão para perdas de crédito esperadas, a mensuração de instrumentos financeiros a valor justo ligados à Águas do Rio Investimentos, a capitalização de gastos em ativos de concessão e a combinação de negócios da Regenera Rio.

Em vários desses pontos, a KPMG afirma que identificou ajustes registrados pela administração e encontrou deficiências no desenho dos controles internos, o que a levou a ampliar procedimentos substantivos para obter evidência suficiente. Isso aparece, por exemplo, em receita de água e esgoto, provisão para perdas de crédito, outorga e juros capitalizados, receita de construção em PPPs e instrumentos financeiros a valor justo.

Com isso, a divulgação de 2025 reúne ao mesmo tempo crescimento operacional, reapresentação relevante dos números de 2024 e aumento da alavancagem, com a Águas do Rio permanecendo como um dos principais focos de atenção dentro do portfólio.

Antes de IPO, Aegea é avaliada em quase R$ 60 bilhões com aumento de participação do GIC

2 de Fevereiro de 2026, 11:57

O GIC, o fundo soberano de Singapura e um dos principais acionistas da Aegea, deve aumentar sua participação na companhia por meio do aumento de capital de até R$ 1,2 bilhão aprovado no fim de dezembro, apurou o InvestNews.

A operação, estruturada a um preço de R$ 55,29 por ação, implica um valuation de R$ 58,9 bilhões para a maior operadora privada de saneamento do país após o aumento de capital. A transação deve também funciuonar como um shadow price – uma referência de valor para os planos da empresa de realizar uma oferta pública de ações (IPO) ainda neste ano.

O preço sinaliza a faixa de avaliação que deve balizar a oferta pública e indica que a Aegea tende a buscar no mercado um valor próximo ao da rodada privada, ou até superior, caso o ambiente de negócios permita. A título de comparação, a Sabesp vale hoje R$ 102,5 bilhões na B3.

A estrutura do aumento de capital – com renúncia de preferência dos outros sócios – abre espaço para que o GIC concentre a maior parte da subscrição e amplie sua fatia no capital votante da companhia. A operação ainda depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Aumento de participação

Em documento enviado recentemente ao Cade, o GIC afirma que pretende exercer seu direito de preferência na subscrição das novas ações e, sobretudo, adquirir eventuais sobras do aumento de capital.

Caso isso ocorra, sua participação pode ultrapassar o patamar de 20% do capital votante da companhia, gatilho que exige notificação ao órgão antitruste. O fundo soberano detém, de forma indireta, cerca de 19% das ações ordinárias, que são a com direito a voto nas assembleias, e 34% do capital total (somando ações preferenciais e ordinárias).

De acordo com o documento enviado ao Cade, a Aegea sustenta que tem participação inferior a 20% no mercado nacional de serviços de água e esgoto, apesar de ser a maior operadora privada do setor, o que não criaria problemas concorrenciais.

A empresa atende cerca de 39 milhões de pessoas em 892 municípios e registrou receita bruta de aproximadamente R$ 15,4 bilhões em 2024, segundo dados mais recentes. Seu portfólio inclui concessões relevantes como Águas do Rio, no estado do Rio de Janeiro, além de operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pará e interior de São Paulo.

Hoje, o controle da companhia está concentrado na Equipav, das famílias Toledo e Vettorazzo, que detém pouco mais de 53% do capital total, enquanto a Itaúsa, da família Setúbal, uma das controladoras do Itaú, possui outros 13% das ações.

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Entre Cosan e Corsan, Perfin vende fatia na companhia de saneamento ao Bradesco por R$ 2,1 bilhões

18 de Novembro de 2025, 15:47

A Perfin, a mais nova sócia da Cosan, acaba de vender ao Bradesco BBI, por R$ 2,1 bilhões, um conjunto de ações preferenciais ligadas à Corsan, a empresa responsável pelo abastecimento de água e esgoto em 317 municípios do Rio Grande do Sul. O número de ações negociadas não foi revelado.

O papel vendido pela gestora de Ralph Rosenberg não representa uma fatia de controle: trata-se de um instrumento financeiro criado na privatização da Corsan em 2022, quando o governo gaúcho leiloou a companhia e o consórcio formado por Aegea, Perfin e Kinea pagou R$ 4,15 bilhões pelo ativo e assumiu o compromisso de investir mais de R$ 12 bilhões na expansão da rede de saneamento ao longo da década seguinte.

Depois do leilão, a estrutura societária da Corsan foi reorganizada dentro do consórcio vencedor. A Aegea, a Perfin e a Kinea dividiram sua participação combinando dois tipos de ações: ordinárias, que dão voto e formam o bloco de controle, e preferenciais, usadas como um instrumento financeiro que funciona como uma quota de investimento.

As preferenciais não participam das decisões da empresa, mas garantem ao investidor um retorno ligado ao desempenho da concessão ao longo do tempo. A transação fechada agora pela Perfin com o Bradesco envolve justamente esses papéis preferenciais e permite à gestora antecipar, em dinheiro presente, um fluxo de receitas futuras do contrato de saneamento.

A participação da gestora comandada por Rosenberg na Corsan aparece de maneira indireta. A Perfin é acionista da Parsan S.A., holding criada pelo consórcio vencedor da privatização e que detém 27,11% da Corsan. Considerando os fundos por meio dos quais a Perfin participa da Parsan, sua fatia econômica na companhia gaúcha fica próxima de 11%.

Cosan, Corsan

A venda da fatia financeira da Corsan ocorre dias depois de a Perfin participar da capitalização de socorro na Cosan, de Rubens Ometto. A gestora, que tem o BTG Pactual como sócio, comprometeu-se a investir R$ 2 bilhões no grupo.

O Bradesco BBI também ganhou protagonismo nesse rearranjo. O banco coordenou a emissão de R$ 750 milhões em notas comerciais da Aguassanta, veículo pessoal de Ometto, operação que permitiu ao empresário acompanhar o aumento de capital e evitar diluição no bloco de controle da holding.

Do outro lado, o BTG Pactual liderou a capitalização da Cosan com um cheque de R$ 4,5 bilhões, consolidando-se como o principal investidor financeiro na reestruturação do grupo.

Criada em 2007 por Rosenberg, ex-Safra, a Perfin ganhou projeção ao montar uma plataforma híbrida de investimentos que combina bolsa, private equity e infraestrutura pesada. Além da parceria com a Aegea em saneamento, a gestora também é sócia do grupo Equipav na empresa de concessões de rodovias EPR, outra frente relevante de infraestrutura no país.

Procurados pelo InvestNews, Bradesco BBI e Perfin não responderam.

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