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Mais um país europeu bloqueará redes sociais para menores

8 de Abril de 2026, 16:59
Criança no celular
Grécia se une à Portugal, Espanha e França por regulação de redes (imagem: Unsplash/Bruce Mars)
Resumo
  • Grécia proibirá o acesso de menores de 15 anos às redes sociais.
  • O anúncio foi feito pelo TikTok do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.
  • A regulamentação grega entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e deve ser detalhada um pouco antes.
  • França, Portugal, Espanha, Austrália e Brasil já adotaram medidas sobre acesso de menores a plataformas digitais.

A Grécia é o mais novo país europeu a anunciar restrições ao acesso de menores às redes sociais. Em um anúncio feito via TikTok, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis confirmou que o país proibirá o acesso de menores de 15 anos a essas plataformas. A regulamentação será detalhada no verão de 2026 do hemisfério norte e entra em vigor em 1º de janeiro de 2027.

“A Grécia é um dos primeiros países europeus a tomar essa iniciativa, mas tenho certeza de que não será o último”, disse Mitsotakis. “Nosso objetivo é pressionar a União Europeia nessa direção”. Atualmente, França, Espanha e Portugal já anunciaram medidas semelhantes, seguindo o projeto pioneiro da Austrália aprovado em 2024.

O país entra numa lista crescente de nações que, nos últimos meses, aprovaram ou avançaram em restrições ao público infantil na internet, um movimento que começou na Austrália em 2024 e que já chegou ao Brasil, à França, a Portugal e à Espanha.

Países europeus aderem à proibição

Europeus avançam com leis locais enquanto UE avalia medidas (imagem: reprodução)

Países europeus, até o momento, seguem caminhos distintos com base na Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). A França é o caso mais próximo do modelo discutido na Grécia, com um projeto que mira o acesso de menores de 15 anos às redes sociais. Por lá, a ideia é bloquear plataformas consideradas nocivas e liberar outras com a autorização dos pais.

Neste mês, o projeto voltou à Assembleia Nacional (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), após aprovação de um texto modificado no Senado do país.

Em Portugal, o projeto aprovado em fevereiro de 2026 vai além das redes sociais: inclui jogos, marketplaces e outros serviços digitais, semelhante ao ECA Digital brasileiro. O corte etário, entretanto, é mais rígido — uso autônomo só a partir dos 16 anos; entre 13 e 15, apenas com consentimento parental verificável.

O texto também entra no design das plataformas, exigindo contas privadas, perfis não pesquisáveis e limitação de recomendações algorítmicas para menores.

Já a Espanha discute uma lei orgânica mais ampla de proteção digital. A ideia é reformar o sistema, elevando a idade de consentimento para uso de dados, impor verificação de idade e reforçar o controle parental em serviços audiovisuais e plataformas.

Austrália criou precedente

A onda regulatória segue o precedente criado pela Austrália em 2024, quando aprovou a lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos a redes sociais. Até então, um dos marcos mais rígidos do mundo.

Em setembro de 2025, o Brasil sancionou o ECA Digital. A lei entrou em vigor em março deste ano, determinando que menores de 16 anos só podem usar redes sociais em contas vinculadas à de um responsável maior de idade. Estabelece, também, obrigações às plataformas, como mecanismos de verificação de idade.

Segundo a Bloomberg, Donald Trump tem criticado repetidamente o que considera um excesso de regulações digitais da União Europeia contra empresas de tecnologia do país.

Mais um país europeu bloqueará redes sociais para menores

O que são redes de computadores? Veja tipos e exemplos de computer networks

9 de Março de 2026, 17:33
Cabo de rede Ethernet (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Exemplo de um cabo de rede usado para conexão (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Uma rede de computador é uma tecnologia que permite o compartilhamento de informações entre usuários. É a partir dessas redes que dados são transmitidos entre cliente-servidor ou empresas armazenam informações que podem ser acessadas por funcionários, por exemplo.

Podemos dividir redes de computadores por tipos e categorias. Existem redes de alcance geográfico, outras que têm funcionalidades diferentes e até mesmo separá-las por arquitetura de desenvolvimento.

A internet é a principal rede WAN usada no mundo, por exemplo. A seguir, conheça detalhes sobre cada tipo de computer network e veja exemplos do dia a dia.

O que são redes de computadores?

Redes de computadores são infraestruturas que possibilitam a troca de informações e conexão entre dispositivos variados, como celulares e servidores, por exemplo.

Utilizam meios físicos ou sem fio para a transferência de dados a partir de uma padronização de rede. As redes de computadores são usadas no dia a dia, desde infraestruturas pessoais até a conexão entre filiais de grandes empresas e cidades.

Quais são os tipos de redes de computadores?

As redes de computadores podem ser classificadas em três categorias: por alcance geográfico, por topologia ou arquitetura e por natureza ou funcionalidade. Cada tipo de rede de computador tem uma finalidade específica na sociedade.

Redes de alcance geográfico são classificadas de acordo com a distância física de cobertura. Topologia e arquitetura diz respeito à estrutura de organização da rede, já a divisão por funcionalidade classifica redes de computadores por propósito de uso.

Cabo Ethernet em roteador Wi-Fi (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Conexão WAN e LAN, exemplos de rede de alcance geográfio (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Alcance geográfico

As redes de computadores de alcance geográfico são aquelas que operam em diferentes distâncias, de acordo com a necessidade. Existem redes pessoais, locais, de longa distância e até usadas em grandes metrópoles. A internet que conhecemos é um exemplo de rede de longa distância, conectando diversos países de todo o mundo.

Topologia ou arquitetura

As redes de computadores também podem ser separadas por arquitetura, definindo a hierarquia e como os serviços são prestados. Podemos definir a interação cliente-servidor e P2P como redes de computadores desta categoria.

Natureza ou funcionalidade

Pode-se também dividir as redes de computadores por natureza ou funcionalidade. Redes intranet, extranet e internet são alguns dos exemplos de categorização. Também podemos incluir as VPNs e as SANs, usadas para armazenamento de grandes volumes de dados.

Quais são as redes de computadores baseadas em alcance geográfico?

As redes WAN, LAN, PAN, MAN e CAN são exemplos de redes de computadores de alcance geográfico. Cada um dos tipos é baseado no tamanho da operação, sendo algumas mais pessoais e locais, e outras mais amplas com alcance intercontinental. Conheça as peculiaridades de cada rede abaixo.

Wide Area Network (WAN)

A rede de longa distância (WAN), do inglês Wide Area Network, é uma tecnologia que conecta computadores em uma grande área de abrangência, como cidades, estados ou países. Esse tipo de rede faz a conexão de diversas redes locais (LAN), permitindo o compartilhamento de informações e dados entre dispositivos conectados.

As redes de longa distância surgiram em 1965, conectando computadores em dois estados dos Estados Unidos da América.

Com o passar do tempo, o crescimento das redes WAN se tornou fundamental para o compartilhamento de informações entre empresas de diferentes localidades, e usuários domésticos com computadores pessoais. Exemplos de rede WAN: internet, redes corporativas, caixas eletrônicos.

Local Area Network (LAN)

A rede de área local (LAN), do inglês Local Area Network, é uma tecnologia que conecta dispositivos em uma pequena área, como uma casa, apartamento ou edifício, por meio de fios. O funcionamento das redes LAN é feito por meio de roteadores ou switches, conectando computadores em uma mesma rede.

As primeiras redes de área local (LAN) foram desenvolvidas no final da década de 1970 para atender a necessidade de universidades e laboratórios de pesquisa. A tecnologia se popularizou e passou a ser utilizada no ramo empresarial e doméstico, para a troca de arquivos ou informações entre dispositivos de uma mesma localidade.

Personal Area Network (PAN)

A rede de área pessoal (PAN), do inglês Personal Area Network, é uma rede que permite conectar dispositivos que estiverem próximos um do outro, podendo ser com fio ou sem fio.

Diferente das redes de área local, as redes PAN não se conectam diretamente à internet. Porém, dispostivos dentro de uma rede PAN podem se conectar com redes LAN ou WLAN. Exemplos de rede PAN: Bluetooth, USB e Thunderbolt.

Metropolitan Area Network (MAN)

A rede de área metropolitana (MAN), do inglês Metropolitan Area Network, é uma tecnologia utilizada em grandes centros, como metrópoles, porém com área de abrangência menor do que as redes de longa distância (WAN).

O funcionamento das redes MAN é feito por diversas redes LAN conectadas, muitas vezes por cabos de fibra óptica. As redes MAN podem ser utilizadas para conectar escritórios de empresas em bairros ou cidades próximas, por provedores de internet local, além de centros universitários.

Campus Area Network (CAN)

A rede de área de campus (CAN), do inglês, Campus Area Network, é a infraestrutura que conecta uma série de redes locais (LAN) em uma área específica, como os campi universitários, industrias, corporações e até mesmo bases militares.

Esse tipo de rede usa conexão própria, possuindo todos os equipamentos necessários para funcionamento, sem depender de provedores externos.

Quais são as redes de computadores baseadas em topologia ou arquitetura?

Redes de característica cliente-servidor e P2P (Peer-to-peer) são exemplos de infraestruturas baseadas em arquitetura. Entenda as características de cada rede a seguir.

P2P

A rede P2P (peer-to-peer) é uma rede de computador na qual não existe uma hierarquia, visto que todos os dispositivos conectados são considerados pares, mantendo as mesmas responsabilidades e funcionalidades.

Cada computador é, ao mesmo tempo, cliente e servidor, aumentando a resistência a falhas, por exemplo. Tecnologias como torrent e blockchain, no uso de criptomoedas, são exemplos de redes P2P.

Cliente-servidor

Cliente-servidor é o modelo mais comum de rede de computador. Esse tipo de rede separa as responsabilidades, sendo o servidor o responsável por fornecer informações, serviços e aplicações.

Já o cliente é o dispositivo usado pelo usuário, como smartphones, tablets e PCs, que solicita as informações do servidor. Grande parte do que vemos na internet usa este modelo, seja no uso de redes sociais ou streaming de vídeo, por exemplo.

Quais são as redes de computadores baseadas em natureza ou funcionalidade?

Também é possível dividir as redes de computadores por funcionalidade, sendo algumas públicas, outras privadas e até mesmo usadas no armazenamento de informações como uma Storage Area Network (SAN), por exemplo.

Virtual Private Network (VPN)

Uma rede privada virtual (VPN), do inglês Virtual Private Network, é uma tecnologia de conexão que permite aos usuários acessarem redes privadas e compartilharem dados pela internet de forma segura.

Um dos principais propósitos das VPNs é permitir que colaboradores e dispositivos de uma empresa acessem a rede interna da sede de qualquer lugar do mundo. Isso é feito por meio da internet, sem a necessidade de uma conexão física dedicada entre os pontos de acesso.

Já no uso doméstico, a VPN costuma ser usada para acessar a internet por meio de uma rede diferente da usada normalmente. Esse tipo de conexão é útil para se conectar a servidores de VPN localizados em outros países, por exemplo.

Foto mostra app de VPN da Surfshark no celular
Aplicativo de VPN para celular (Imagem: Divulgação/Surfshark)

Rede pública

Uma rede de computador pública é aquela na qual qualquer usuário pode se conectar, desde que esteja sem senha ou funcione por meio de cadastro prévio. As redes públicas são consideradas menos seguras do que as redes privadas, já que qualquer usuário pode ter acesso.

É comum que supermercados, shoppings e aeroportos ofereçam redes públicas para clientes. Alguns estabelecimentos, porém, exigem que o usuário faça o cadastro com dados pessoais para ter acesso à conexão.

Rede privada

Uma rede privada exige senha para ter acesso à conexão com a internet. Esse tipo de rede de computador é mais segura que as redes públicas, visto que é possível ter controle sobre quem acessa as informações, além do uso de protocolos adicionais de segurança. Wi-Fi doméstico, redes corporativas e VPNs são alguns exemplos de redes privadas.

Storage Area Network (SAN)

A rede de área de armazenamento, do inglês Storage Area Network, é uma tecnologia que permite armazenar dados em rede, conectando servidores, software e serviços de uma organização. Dessa forma, é possível ter um espaço dedicado a uma grande quantidade de dados, aprimorando o gerenciamento dessas informações.

O uso da rede SAN é comum em bancos de dados, sistemas empresariais como SAP e ERP, além de empresas de e-commerce.

Qual é a diferença entre as redes WAN, MAN e LAN?

A rede WAN é capaz de conectar diversas pessoas ao redor do mundo através da internet. Esse tipo de conexão é a que abrange uma maior área de conexão entre todas as redes existentes, sendo feita a partir de diversas redes LAN ou WLAN conectadas.

Uma rede LAN permite conectar apenas dispositivos que estejam sob uma mesma rede, seja com fio ou sem fio, como computadores, tablets ou smartphones.

Já uma rede MAN permite a conexão de aparelhos que estejam em uma área do tamanho de uma metrópole, como bairros e cidades.

Enquanto a rede WAN conecta pessoas em todo o mundo e a rede LAN conecta dispositivos sob uma mesma rede, a rede MAN é usada por empresas que possuem filiais próximas e provedores locais de internet, por exemplo.

Qual é a diferença entre rede pública e rede privada?

Rede pública é um tipo de rede de computador que pode ser acessada por qualquer usuário, sem a exigência de uma senha. Pela falta de necessidade de credenciais, sua segurança é menor em comparação com as redes privadas.

Já uma rede privada é aquela na qual o administrador consegue controlar quem tem acesso. Redes corporativas, domésticas ou servidores são exemplos de redes privadas, visto que exigem senha para ter acesso às informações.

O que são redes de computadores? Veja tipos e exemplos de computer networks

Cabo de rede Ethernet (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Cabo Ethernet em roteador Wi-Fi (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

VPN da Surfshark (Imagem: Divulgação/Surfshark)

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

27 de Janeiro de 2026, 11:11
Captura de tela mostra uma videochamada com quatro pessoas no app Visio
Visio roda no navegador e dispensa instalações externas (imagem: reprodução/Governo da França)
Resumo
  • França substituirá Teams, Meet e Zoom pelo Visio, um app de videochamada estatal, que será a solução obrigatória até julho de 2027.
  • O Visio, baseado no Jitsi Meet, roda no navegador e usa código aberto, facilitando auditorias de segurança.
  • O app faz parte do La Suite Numérique e deve economizar cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários.

O governo da França anunciou ontem (26/01) mais um passo importante para a independência tecnológica: todos os serviços estatais usarão o Visio, aplicativo de videoconferência desenvolvido para os servidores públicos do país.

Segundo o portal Developpez.com, a iniciativa chega para substituir definitivamente soluções de fora da União Europeia até julho de 2027, descontinuando o uso de plataformas populares como Microsoft Teams, Google Meet e Zoom.

O comunicado oficial do Ministério da Economia da França destaca a mudança para proteger dados sensíveis de legislações estrangeiras e combater a fragmentação de ferramentas, que gera custos elevados de licenciamento. O cronograma de implementação prevê que grandes órgãos, incluindo o Ministério das Forças Armadas, concluam a transição já no primeiro trimestre de 2026.

Como funciona o Visio?

Imagem mostra o logotipo do Visio, app de videochamadas, em um fundo de cor branca
Visio é uma solução baseada em código aberto (imagem: reprodução/Governo da França)

O Visio utiliza como base o Jitsi Meet, um software de código aberto (open source). Segundo o Le Big Data, essa escolha técnica permite auditorias constantes de segurança por órgãos governamentais.

Outro diferencial é que, ao contrário de soluções que exigem a instalação de arquivos executáveis, a ferramenta roda apenas no navegador. Isso simplifica a gestão de TI e reduz drasticamente a chance de ataques cibernéticos em computadores estatais.

A plataforma integra tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas localmente, como o sistema de separação de fala da startup Pyannote e legendagem automática em tempo real da Kyutai, mantendo o processamento de dados em fronteiras nacionais.

Vale mencionar que o Visio é uma peça de um ecossistema maior chamado La Suite Numérique, desenhado para ser uma alternativa ao Microsoft 365. Esse pacote inclui o Tchap (mensagens instantâneas), o Grist (gestão de bases de dados) e o Nuage (armazenamento de arquivos em nuvem).

Soberania digital e economia de recursos

A estratégia francesa é se desvincular de fornecedores sujeitos ao U.S. Cloud Act — legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano solicitar acesso a dados armazenados por suas empresas, mesmo em servidores localizados no exterior.

De acordo com a revista Alliancy, para neutralizar esse risco jurídico, o Visio é hospedado na Outscale, subsidiária da Dassault Systèmes, garantindo que a infraestrutura seja operada sob leis estritamente europeias.

Do ponto de vista financeiro, a economia é grande. Estimativas oficiais projetam que a substituição de licenças proprietárias por uma solução interna poupará cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários (aproximadamente R$ 6,3 milhões).

A movimentação da França reforça uma tendência na Europa. O caso assemelha-se ao do estado alemão de Schleswig-Holstein, que no ano passado iniciou a migração de 30 mil computadores para sistemas Linux e LibreOffice.

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo

22 de Dezembro de 2025, 19:31
Arte com o logotipo da Apple em diferentes gradientes de cores, incluindo tons de azul, roxo, rosa, laranja e amarelo, sobre um fundo preto. Os logos estão levemente inclinados, criando uma sensação de movimento. Na parte inferior direita, está o logotipo do "Tecnoblog".
Apple vai recorrer da decisão (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Autoridade Italiana para Concorrência multou a Apple em 98,6 milhões de euros por considerar o App Tracking Transparency (ATT) prejudicial a desenvolvedores e anunciantes.
  • O ATT, lançado com o iOS 14.5 em 2021, exige consentimento explícito dos usuários para rastreamento, o que, segundo as autoridades, obriga um pedido duplo de consentimento, prejudicando o modelo de negócios baseado em anúncios.
  • A decisão italiana segue investigações similares na Alemanha, Polônia e França, com especulações de que a Apple pode descontinuar o ATT na União Europeia.

A Autoridade Italiana para Concorrência impôs uma multa de 98,6 milhões de euros (cerca de R$ 650 milhões, em conversão direta) por julgar que o App Tracking Transparency (ATT) permite que a empresa abuse de sua posição de mercado.

O órgão considerou que a funcionalidade, presente nos produtos da marca desde 2021, é prejudicial a desenvolvedores de aplicativos, a anunciantes e a plataformas de intermediação de publicidade, além de beneficiar a própria Apple direta e indiretamente. A companhia avisou que vai recorrer da decisão.

O que é o ATT?

Antes de entrar no julgamento em si, vale relembrar o que é o App Tracking Transparency (ou Transparência do Rastreamento de Apps, na versão em português do sistema).

Lançado com o iOS 14.5, em 2021, o ATT obriga que apps obtenham consentimento explícito do usuário para rastrear sua navegação e acessar o identificador de publicidade do dispositivo. Esses dados são usados por plataformas e anunciantes para segmentar o público e direcionar propagandas de modo mais preciso.

iPhone com tela de atualização para o iOS 14.5, explicando o recurso ATT.
ATT está presente desde o iOS 14.5 (foto: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

A Apple alega que essa exigência serve para proteger a privacidade dos usuários. Outras empresas, porém, passaram a se queixar. A opositora mais veemente foi a Meta (então ainda chamada Facebook), que disse que a mudança colocava em risco metade de seu faturamento com anúncios exibidos fora das redes sociais. No Brasil, inclusive, a Meta acusou a Apple de fazer “privacy washing”.

Qual o problema com o ATT, de acordo com as autoridades italianas?

No comunicado publicado sobre a multa, a Autoridade Italiana para Concorrência diz que o principal problema é obrigar os desenvolvedores a pedir autorização dos usuários duas vezes.

Como a solicitação exigida pela Apple não atende aos requisitos legais da União Europeia, os responsáveis pelos apps precisam fazer um segundo pedido aos usuários.

“Esse pedido duplo de consentimento é nocivo a desenvolvedores, cujo modelo de negócio se baseia na venda de espaço para anúncios, bem como a anunciantes e plataformas de intermediação de publicidade”, escreve a entidade.

A autoridade avalia ainda que as exigências são desproporcionais à proteção de dados pessoais conferida pelo ATT. “A Apple poderia ter alcançado o mesmo nível de privacidade para seus usuários por meios que impusessem menos restrições à concorrência”, argumenta.

Por fim, o órgão também afirma que as regras são capazes de gerar benefícios financeiros à Apple, de duas formas. Uma delas é direta: os desenvolvedores passam a ganhar menos com publicidade e precisam recorrer a outras formas, como vendas dentro do app, que pagam comissões à empresa. A outra é indireta: prejudicando plataformas de anúncios, a Apple torna seu próprio serviço do tipo mais competitivo.

A Itália não é o primeiro país europeu a repreender a Apple pelo ATT. Alemanha e Polônia investigam o caso, e a França também impôs uma multa na casa das centenas de milhões de euros. Por isso, especula-se que a Apple pode parar de oferecer a funcionalidade na União Europeia.

Com informações do MacRumors

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo

Apple (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Apple libera iOS 14.5 para iPhone (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência

15 de Dezembro de 2025, 10:37
Imagem mostra um robô aspirador Roomba, de cor preta, realizando limpeza em um piso de madeira
Roomba, robô aspirador da iRobot, foi lançado em 2002 (imagem: divulgação)
Resumo
  • A iRobot entrou com pedido de falência e negocia venda para a fabricante chinesa Picea Robotics.
  • A criadora do robô aspirador Roomba enfrenta dificuldades financeiras devido a tarifas comerciais dos EUA e concorrência de marcas chinesas.
  • A companhia afirma que clientes não serão afetados.

A iRobot, criadora do famoso e pioneiro robô aspirador Roomba, entrou com um pedido de proteção à falência nesse domingo (14/12). A companhia norte-americana comunicou que pretende ser adquirida pela empresa chinesa Picea Robotics, atual fabricante terceirizada dos robôs. O acordo prevê a continuidade das operações sem interrupções para usuários e parceiros comerciais.

Fundada em 1990 por pesquisadores do MIT, a iRobot revolucionou o setor com o lançamento do Roomba, em 2002. Ele não foi exatamente o primeiro robô aspirador a ser lançado, mas foi o primeiro a ter sucesso comercial, tornando-se referência no mercado.

Apesar de ainda comandar 42% do mercado norte-americano e 65% no Japão, a iRobot enfrentou uma queda íngreme de receita nos últimos anos devido à concorrência de outras marcas, como a Roborock e a Ecovacs.

Por que a iRobot chegou à falência?

Segundo a Reuters, o principal golpe para a empresa veio das tarifas comerciais dos EUA: o governo estabeleceu uma cobrança de 46% sobre produtos importados do Vietnã, onde a iRobot fabricava a maior parte dos Roombas para o mercado doméstico. As taxas elevaram os custos em US$ 23 milhões apenas em 2025.

Essa medida, em paralelo à concorrência acirrada das fabricantes chinesas, forçou cortes de preços e investimentos caros em tecnologia, o que teria afetado diretamente os lucros.

Vale lembrar que, em 2022, a Amazon anunciou a aquisição da empresa por US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9,1 bilhões, na conversão atual). Porém, o acordo não foi concluído devido a investigações antitruste da União Europeia, deixando a iRobot com uma dívida de US$ 190 milhões (R$ 1 bilhão) de um empréstimo emergencial feito para manter as operações durante o impasse.

Picea Robotics deve assumir a iRobot

Gif animado mostra um robô aspirador Roomba, de cor preta, realizando limpeza em um piso de madeira
iRobot se tornou referência com os modelos Roomba (imagem: divulgação)

Sem caixa, a empresa atrasou pagamentos à Picea Robotics, sua principal fabricante na China. A relação estratégica foi iniciada em 2023 para desenvolver novos modelos mais competitivos.

A Picea, porém, se tornou credora majoritária ao adquirir a dívida da iRobot, deixando de ser apenas fornecedora. Como lembra a Reuters, isso fez com que a fabricante chinesa transformasse crédito em capital, assumindo 100% do controle acionário e apagando os US$ 264 milhões em dívidas (US$ 190 milhões do empréstimo e US$ 74 milhões de contas não pagas).

O que muda para os usuários do Roomba?

Segundo a empresa, nada. A iRobot garante que aplicativos, suporte técnico e programas de clientes permanecerão inalterados para seus usuários, pelo menos por enquanto. Os 274 funcionários atuais e cadeias de suprimentos globais também não sofrerão alterações imediatas.

A Picea Robotics não detalhou planos para futuros desenvolvimentos de produtos.

iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência

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Empresa norte-americana negocia venda para a fabricante chinesa Picea Robotics. Criadora do robô aspirador Roomba afirma que clientes não serão afetados.

Imagem: iRobot/Divulgação

65% das crianças e adolescentes brasileiros já utilizam IA, revela estudo

22 de Outubro de 2025, 10:00
Apple ID para crianças: entenda vantagens e saiba como criar (Imagem: Julia M. Cameron/Pexels)
24,5 milhões de crianças e adolescemtes acessam a internet no país (foto: Julia M. Cameron/Pexels)
Resumo
  • 65% dos jovens brasileiros de 9 a 17 anos usaram IA generativa para atividades cotidianas; 92% dessa faixa etária são usuários de internet, totalizando 24,5 milhões.
  • O celular é o dispositivo mais utilizado, com 74% de uso diário; WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok são as plataformas mais acessadas.
  • 45% das crianças e adolescentes tiveram contato com propaganda inadequada; 51% pediram produtos após exposição online.

Cerca de 65% dos jovens brasileiros com idade entre 9 e 17 anos utilizaram inteligência artificial generativa para realizar ao menos uma atividade do cotidiano. É o que mostra a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada hoje pelo Cetic.br e NIC.br. O estudo mostra ainda que 92% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país, o que representa 24,5 milhões de crianças e adolescentes.

As crianças e os adolescentes recorrem à IA para pesquisas escolares, busca de informações, criação de conteúdo ou conversas sobre problemas pessoais. No recorte por faixa etária, o uso desta nova tecnologia foi mais comum entre as pessoas de 15 a 17 anos do que as de 9 a 10 anos.

O celular é o principal dispositivo tecnológico da rotina das crianças e adolescentes: 74% fazem uso diário do dispositivo. Logo na sequência aparece a televisão, com 35%. O WhatsApp é a plataforma digital mais acessada, seguida de YouTube, Instagram e TikTok.

Imagem mostra o logo do WhatsApp ao centro, sobre um fundo verde com faixas diagonais em verde mais claro. O logo consiste em um balão de diálogo branco com um contorno verde mais escuro, contendo um ícone de telefone branco dentro. Na parte inferior direita, o logotipo do "Tecnoblog" é visível, em fonte de cor branca.
WhatsApp é o aplicativo mais utilizado pelas crianças (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Acessos nas escolas e publicidade digital

A pesquisa registrou queda no acesso à internet nas escolas, que passou de 51% em 2024 para 37% em 2025. Entre os que acessam a rede nas escolas, 12% reportaram uso várias vezes ao dia e 13%, uma vez por semana.

O estudo identificou exposição significativa a conteúdo publicitário. Os pais e responsáveis disseram que 45% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos tiveram contato com propaganda não apropriada para a idade e 51% pediram algum produto após o contato online. Esse público está consciente sobre o tema: 65% dos usuários de 11 a 17 anos concordaram que falar ou pesquisar sobre produtos na web aumenta a quantidade de propagandas recebidas.

Os formatos de vídeos mais vistos incluem pessoas abrindo embalagens de produtos (66%), ensinando como usar produtos (65%) e divulgando jogos de apostas (53%).

Fontes de informação

As principais fontes de informação dos responsáveis sobre uso seguro da internet são as próprias crianças ou adolescentes (50%), os familiares e amigos (48%), a televisão, rádio, jornais ou revistas (42%) e a escola (41%). Cerca de 37% buscam sites dedicados ao tema, 36% recorrem a vídeos ou tutoriais online e 31% consultam grupos de pais em redes sociais.

A pesquisa revelou ainda que 31% das crianças e adolescentes ajudam os responsáveis diariamente com atividades na internet.

A coleta de dados da pesquisa divulgada nesta quarta-feira foi realizada entre março e setembro de 2025, com entrevistas presenciais com 2.370 crianças e adolescentes, além de 2.370 pais ou responsáveis.

65% das crianças e adolescentes brasileiros já utilizam IA, revela estudo

Apple ID para crianças: entenda vantagens e saiba como criar (Imagem: Julia M. Cameron/Pexels)

Marca do WhatsApp (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Airbnb ganha novos recursos e aproxima app de rede social

21 de Outubro de 2025, 13:49
Arte com a marca do Airbnb ao centro.
Airbnb atualizou o app para ter foco em interação (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Airbnb adicionou mais recursos sociais ao app, permitindo que hóspedes conversem e vejam participantes das experiências antes da reserva.
  • As novidades são voltadas para a seção Experiências no Airbnb, que reúnem atividades oferecidas pelos anfitriões.
  • A atualização acompanha outras melhorias na busca, mapas detalhados e suporte por IA em inglês, espanhol e francês.

O Airbnb está aprimorando o aplicativo. Nesta terça-feira (21/10), a empresa anunciou novos recursos sociais, voltados para a seção Experiências, que permitem aos hóspedes se conectar no app e manter contato mesmo após a viagem.

Essas mudanças acompanham uma série de atualizações lançadas pela companhia nos últimos meses, incluindo melhorias no sistema de busca, mapas mais detalhados e a expansão do suporte por inteligência artificial.

O que muda nas Experiências do Airbnb?

Airbnb aposta em novas conexões entre viajantes.
Airbnb vai oferecer mais conexões entre viajantes (imagem: divulgação)

As Experiências do Airbnb reúnem atividades oferecidas por anfitriões locais em diversas partes do mundo. Agora, a seção terá novos recursos sociais, entre eles a possibilidade de ver quem mais vai participar de uma atividade antes mesmo da reserva.

Além disso, os usuários poderão enviar mensagens diretas para participantes que conheceram durante uma Experiência, sem precisar trocar contatos externos. Essas conversas poderão ser acessadas diretamente no aplicativo, na aba Conexões, na qual também será possível revisar e reencontrar pessoas conhecidas em viagens anteriores.

O Airbnb afirma que essas interações são opcionais: cada usuário poderá decidir se quer compartilhar o perfil em uma atividade específica e quem pode enviar mensagens.

Mais novidades

Segundo o comunicado, a proposta da plataforma é estimular conexões reais entre viajantes, ampliando a experiência para além da hospedagem. A iniciativa aproxima o Airbnb de modelos de redes sociais, ao mesmo tempo em que mantém o foco no controle de privacidade dos usuários.

A atualização também traz carrosséis de busca mais inteligentes, que exibem acomodações fora dos critérios iniciais de pesquisa — como opções com preços parecidos, comodidades diferentes ou localizações próximas. Os mapas interativos foram aprimorados e agora mostram pontos de interesse como restaurantes, atrações e distâncias até o local reservado.

Além disso, o assistente de inteligência artificial da plataforma evoluiu. Agora o chatbot oferece atendimento em inglês, espanhol e francês para usuários dos Estados Unidos, México e Canadá e pode executar ações diretas, como cancelar reservas ou alterar datas, sem sair da conversa.

Para anfitriões, o Airbnb está adicionando novas ferramentas de gestão, incluindo políticas de cancelamento dinâmicas, dicas de preços mais precisas e um painel de ganhos reformulado, que permitirá comparar o desempenho financeiro ao longo do ano.

Airbnb ganha novos recursos e aproxima app de rede social

Airbnb (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Airbnb aposta em novas conexões entre viajantes (imagem: divulgação/Airbnb)
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