O fortalecimento da política de integridade e transparência da UFRGS dá mais um passo a partir desta sexta-feira, 19 de junho, com uma mudança na Ouvidoria da Universidade. A alteração realizada divide o atual órgão em Ouvidoria e Unidade de Integridade, Transparência e Acesso à Informação. Amanda Ciarlo Ramos assume a Ouvidoria e o Serviço de Informações ao Cidadão (SIC), enquanto Elisiane da Silva Szubert, ouvidora até então, passa a se dedicar exclusivamente à coordenação da Unidade de Integridade.
Amanda atua na Ouvidoria da UFRGS desde setembro de 2023 e possui experiência prévia na área mesmo antes de ingressar na Universidade, tendo trabalhado por cinco anos na Ouvidoria do SUS da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. A nomeação segue os critérios estabelecidos pela Controladoria-Geral da União (CGU) para a escolha de titulares das ouvidorias do Poder Executivo federal, cuja atuação é submetida à orientação normativa e à supervisão técnica do órgão. “Assumir a função de ouvidora representa um grande desafio e responsabilidade, reforçando meu compromisso com o fortalecimento do diálogo, da transparência e do acolhimento. Entre minhas expectativas está a de contribuir para o aperfeiçoamento contínuo dos serviços prestados, especialmente na ampliação das ações de acolhimento e na qualificação do atendimento às demandas da Universidade”, avalia.
Com a distinção da condução das unidades de Ouvidoria e de Integridade, a UFRGS amplia sua capacidade organizacional voltada à integridade pública. A medida contribui para o aprimoramento dos mecanismos de monitoramento das ações previstas no Plano de Integridade da Universidade, desenvolvidas por diferentes áreas institucionais, entre elas a própria Ouvidoria. “Entre os principais desafios que vislumbro estão o acompanhamento do crescimento das manifestações registradas junto à Ouvidoria, o adequado dimensionamento da força de trabalho diante desse aumento de demanda e a busca por maior celeridade nas respostas aos pedidos de acesso à informação e às manifestações recebidas, sempre preservando a qualidade, a escuta ativa e o compromisso institucional que caracterizam nossa atuação”, projeta Amanda.
A UFRGS concedeu, nesta quinta-feira, dia 11 de junho, o título de Doutor Honoris Causa ao professor Diego Fernández Arroyo, um dos principais nomes mundiais na área do Direito Internacional. A cerimônia foi realizada na Sala dos Conselhos, em solenidade presidida pelo vice-reitor Pedro Costa. A mesa oficial de outorga contou ainda com as presenças da diretora da Faculdade de Direito, Ana Paula Motta Costa, da professora Claudia Lima Marques, oradora da homenagem, e do pesquisador hispano-argentino e mais novo doutor honoris causa da Universidade. O evento também contou com as participações do cônsul-geral da Argentina em Porto Alegre, Gabriel Servetto, do chefe do Escritório de Representações do Ministério das Relações Exteriores no RS, Marcelo Baumach, e demais convidados, incluindo familiares do homenageado.
Natural da Argentina e também cidadão espanhol, Diego Fernández Arroyo é professor da Escola de Direito da Sciences Po, em Paris, onde atua desde 2010. Suas áreas de atuação em Direito Internacional Público e Privado são: comércio internacional, arbitragem internacional, direito da integração e direito comparado. Ao longo de sua trajetória acadêmica, publicou mais de 200 artigos e editou 28 livros, tornando-se nome de referência no Direito Internacional contemporâneo. Uma de suas contribuições mais relevantes em seus anos de atuação na área é na internacionalização do pensamento jurídico latino-americano e na consolidação de redes acadêmicas internacionais que aproximaram pesquisadores das Américas e da Europa.
A relação de Fernández Arroyo com a UFRGS se estende por cerca de três décadas, por meio de colaboração constante com a Faculdade de Direito, na participação em cursos, conferências, projetos acadêmicos e iniciativas de cooperação internacional. Essa relação contribuiu para a inserção e a ampliação da presença da Universidade na pesquisa nessa área do conhecimento. Ainda na UFRGS, também foi um dos fundadores do curso de especialização Novo Direito Internacional e dos Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Direito.
Discurso-aula
Em seu discurso após receber o título pela UFRGS, o pesquisador Diego Fernández Arroyo proferiu uma fala aprofundada sobre a situação atual da área do Direito Internacional, além de encerrar indicando perspectivas. Ele também destacou a profunda ligação com o Rio Grande do Sul, com a Faculdade de Direito e com a comunidade acadêmica brasileira. Ele recordou sua trajetória desde a Argentina até a Europa. Para o jurista, a homenagem recebida transcende o reconhecimento pessoal e o conecta a uma instituição marcada pela excelência acadêmica, pela abertura internacional e pelo compromisso social: “Essa familiaridade não é apenas geográfica ou cultural, ela é também intelectual”, enfatizou.
Na parte central da fala, Arroyo defendeu a tese da “resiliência do Direito Internacional”, contrapondo-se às visões que apontam para um enfraquecimento da área em um cenário de guerras, crises e nacionalismos. Segundo ele, apesar das dificuldades, “é tentador ceder ao catastrofismo”, mas o sistema internacional continua funcionando de forma cotidiana e silenciosa, sustentando o comércio, a cooperação entre países, a arbitragem internacional e os processos de integração regional.
O professor argumentou que o mundo caminha para uma ordem mais multipolar, com maior protagonismo do Sul Global, e afirmou que o Direito Internacional não está em declínio, mas em transformação: “Isso não é o fim do Direito Internacional. É, talvez, o começo de uma versão mais madura, mais representativa e mais sustentável dele”. Ao encerrar, conclamou juristas e instituições a permanecerem vigilantes para que “a lei do mais forte não prevaleça sobre o Direito Internacional” e para que a justiça continue sendo o eixo da cooperação entre os povos.
Homenagens
Responsável pela laudatio na cerimônia, a professora Claudia Lima Marques destacou a trajetória acadêmica e pessoal de Diego Fernández Arroyo, com ênfase em sua contribuição para o Direito Internacional, a arbitragem internacional e a integração entre diferentes países na construção coletiva do conhecimento. Segundo ela, o mais novo doutor honoris causa da UFRGS construiu uma carreira de alcance global sem abandonar suas raízes latino-americanas, tornando-se uma das vozes mais respeitadas do pensamento jurídico contemporâneo e um parceiro histórico da UFRGS.
Lima Marques também enfatizou o papel de Fernández Arroyo na reconstrução da Associação Americana de Direito Internacional Privado (ASADIP), iniciativa que ajudou a aproximar universidades e pesquisadores das três Américas. Para a professora, ao conceder o título de Doutor Honoris Causa, a UFRGS reconhece “não apenas um jurista extraordinário, mas um inovador do Sul Global, com coragem e competência”. Sobre a parceria com a Universidade, ela complementa: “Sempre foi uma mão amiga, aproximando a Faculdade de Direito do que há de mais moderno no Direito Internacional Privado, abrindo portas e construindo pontes, numa parceria construída sobre afinidades intelectuais profundas, sobre o diálogo permanente e sobre um compromisso comum com a internacionalização do conhecimento jurídico”.
O vice-reitor Pedro Costa fez referência à fala do homenageado como uma “verdadeira aula” sobre a situação atual e o futuro do Direito Internacional. “Essa homenagem reconhece nosso irmão e vizinho, da cidade de Santa Fé”, pontuou, fazendo referência à naturalidade do homenageado. Ele também destacou que as pesquisas e as parcerias acadêmicas de Fernández Arroyo representam a palavra e a razão para a superação de conflitos a partir do Sul Global. E completou: “Sua fala traz várias lutas contra a falta de diálogo. Continue nessa trincheira para propor a linguagem da razão para construir um mundo melhor.”
A Corregedoria da UFRGS, com apoio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), abriu inscrições para atualização do Banco de Servidores que atuarão em procedimentos investigativos e acusatórios da instituição. Conforme edital, a iniciativa busca conferir mais agilidade, imparcialidade e transparência às apurações internas conduzidas pela Universidade.
Podem se inscrever docentes e técnicos-administrativos em educação do quadro ativo permanente da UFRGS. Os servidores selecionados poderão integrar comissões responsáveis por atividades como Investigação Preliminar Sumária, Sindicância Investigativa, Sindicância Acusatória e Processo Administrativo Disciplinar. As inscrições permanecem abertas até o dia 29 de junho, por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela Corregedoria. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail atendimento@corregedoria.ufrgs.br.
Benefícios na trajetória funcional
Além de colaborar diretamente com os processos de integridade institucional da Universidade, os participantes terão acesso prioritário a cursos, treinamentos e capacitações promovidos ou indicados pela Corregedoria. Os participantes receberão certificados de participação e registro formal de elogio funcional ao final dos trabalhos realizados com êxito.
A atuação pode trazer benefícios na trajetória funcional. Para docentes, a participação poderá contabilizar pontos em processos de progressão e promoção por desempenho. Já para técnicos-administrativos e demais servidores, a experiência poderá servir como critério de avaliação ou desempate em editais internos de remoção, submissão de projetos e outras seleções institucionais, conforme previsão dos regulamentos específicos.
Os servidores selecionados continuarão vinculados às suas unidades de origem, podendo ser dispensados temporariamente do registro de ponto e de parte das atividades rotineiras por até oito horas semanais para execução dos atos processuais. Em situações excepcionais, envolvendo demandas mais complexas ou urgentes, poderá haver dedicação integral aos trabalhos correcionais, mediante anuência da chefia.
Não haverá remuneração extra pela atuação nas comissões. Os benefícios previstos são institucionais e relacionados à formação, reconhecimento funcional e desenvolvimento na carreira. Para participar, o servidor não pode estar respondendo a sindicância, processo administrativo disciplinar ou procedimento na Comissão de Ética, nem ter sofrido sanções disciplinares recentes. Também é necessário estar em efetivo exercício na Universidade.
A estudante Camila Favaretto, da Faculdade de Direito da UFRGS, conquistou os títulos de Melhor Oradora e de Dupla Campeã durante a III Copa Nacional de Debates. Camila garantiu a vitória principal da competição competindo em uma dupla mista ao lado de Lucas Romeu, estudante da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O torneio, realizado entre os dias 18 e 21 de abril, em Salvador, reuniu 150 inscritos e é organizado pela Confederação de Debates do Brasil (CONDEB), entidade responsável pela articulação do circuito nacional universitário, e adota o modelo de Parlamento Britânico, formato internacionalmente utilizado em competições acadêmicas de debate.
Camila integra o Grupo de Debates e Oratória da UFRGS (GDO), projeto de extensão vinculado à Faculdade de Direito que atua no desenvolvimento de argumentação, pensamento crítico e da oratória de estudantes em formação, além de representar a Universidade em competições acadêmicas em âmbito nacional.
A UFRGS contou com a participação de 10 estudantes que também tiveram destaque no campeonato. O acadêmico Pedro Schaefer foi premiado na categoria de juiz de debates, alcançando o break devido ao seu excelente desempenho, o que lhe permitiu atuar como avaliador nas rodadas finais do torneio. Já o estudante Teófilo Lemos integrou a própria organização do campeonato como Chefe de Adjudicação Adjunto, função de alta responsabilidade técnica voltada para a coordenação da arbitragem e avaliação dos debates.
As inscrições para o processo seletivo extraordinário 2026/1 do projeto de extensão G9 – Direito das Famílias, vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU/UFRGS) da Faculdade de Direito, encerram amanhã, 29 de maio. As vagas são para profissionais e estudantes das áreas de Direito, Psicologia e Serviço Social.
O G9 é um grupo de assistência jurídica gratuita, que trabalha exclusivamente com casos do direito das famílias. O projeto tem como público alvo famílias hipossuficientes Porto Alegre e busca formar uma equipe e um processo interdisciplinar, visando o protagonismo estudantil.
Serão ofertadas 5 vagas para profissionais da área do Direito com inscrição ativa na OAB/RS; 3 para estudantes de psicologia e profissionais inscritos no CRP; e 3 para estudantes do Serviço Social. O candidato deve ter disponibilidade para participar das reuniões semanais e híbridas, nas segundas-feiras, das 11h às 13h.
Inscrições podem ser realizadas até amanhã, 29 de maio, por meio do formulário online. Mais informações estão disponíveis no edital de seleção e no Instagram @g9saju.
Três técnicos aposentados da UFRGS participam, no dia 28 de maio, da segunda audiência pública promovida pela Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós. Os técnicos são Jussara Rosa Cony, Décio Aloísio Schauren e Alcides José de Almeida Neto. A atividade ocorre a partir das 18h30, na Sala II do Salão de Atos (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro). O evento é aberto ao público.
A audiência pública faz parte dos trabalhos que a Comissão vem realizando a fim de apurar práticas de vigilância, perseguição, repressão e resistência ocorridas no ambiente universitário durante a ditadura imposta ao Brasil em 1964. Na primeira audiência, em 28 de novembro de 2025, a comissão acolheu os testemunhos de Dilza de Santi, Henrique Finco e João Ernesto Maraschin, três ex-estudantes da UFRGS que tiveram suas vidas pessoais e profissionais significativamente afetadas pela repressão.
Jussara Rosa Cony é técnica-administrativa aposentada e trabalhou nas faculdades de Medicina e de Farmácia da UFRGS. Décio Aloísio Schauren, também técnico-administrativo aposentado, atuou nos departamentos de Pessoal e de Relações Internacionais e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS. O terceiro participante, o técnico-administrativo aposentado Alcides José de Almeida Neto, trabalhou nos institutos de Biociências (IBio) e de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da UFRGS.
Comissão da Memória e da Verdade
A Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós tem como missão “reunir, produzir e disponibilizar registros relativos às violações de Direitos Humanos que aconteceram na UFRGS entre 1964 e 1988”, assim como “estabelecer marcos de memória que evidenciem este processo”, conforme consta na Portaria que a instituiu em 9/12/2024.
O trabalho da CMV está centrado em dois eixos: o eixo documental, que examina conjuntos documentais da Universidade, e o eixo dos testemunhos, que realiza entrevistas com pessoas de alguma forma afetadas pelas práticas da ditadura na UFRGS.
O nome da Comissão é uma homenagem ao professor Enrique Serra Padrós, que atuou no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS. Padrós, que morreu em 2021, dedicou sua trajetória acadêmica à pesquisa sobre ditaduras de Segurança Nacional na América Latina.
O Grupo de Estudos Dimensões da Cultura Bantu-Kongo na África e na Diáspora, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS/UFRGS), promove, na quinta-feira, 28 de maio, duas palestras voltadas às relações entre música, política, memória e culturas afro-diaspóricas no Atlântico Negro. As atividades são abertas ao público e serão realizadas no Centro Cultural da UFRGS, na Sala Coqueiro, no 3º andar.
Às 14h, será realizada a palestra Música e Ativismo no Atlântico Negro, com a professora Rosa Couto Silva, do Museu Afro Brasil Emanuel Araújo. O encontro discutirá perspectivas sobre as políticas expressas nas musicalidades africanas e afrodiaspóricas. A mediação será feita pela mestranda do PPGMUS, Letícia Bastos Mendes.
Já às 19h30, ocorre a palestra Variável Atlântica: a coleção Batuque aprisionada na Alemanha, com o professor Lúcio Menezes Ferreira, vinculado ao PPGMPSC da Universidade Federal de Pelotas e ao PPArqu da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A atividade abordará aspectos históricos e políticos relacionados à restituição simbólica de objetos sagrados afro-religiosos do Rio Grande do Sul que atualmente integram a chamada Coleção Pietzcker, do Museu Etnológico de Berlim. A mediação será realizada pelo historiador e mestrando do PPG História da UFRGS, Duan Kissonde.
O Centro Cultural da UFRGS está localizado na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, em Porto Alegre/RS.
Sob a sombra simbólica do baobá, árvore de raízes profundas e memória ancestral, teve início, na manhã desta quarta-feira, 20 de maio, o I Encontro sobre Enraizamento de Políticas Afirmativas na Pós-graduação, reunindo trajetórias, saberes e experiências comprometidas com a transformação da universidade brasileira. Realizado no Centro Cultural da UFRGS, o evento reúne pesquisadores, docentes, estudantes e gestores de diferentes regiões do país com o objetivo de fortalecer caminhos que ampliam o acesso, a permanência e a produção de conhecimento stricto sensu. A programação continua ocorrendo durante o restante do dia e na quinta-feira, 21 de maio.
Promovido pela “Rede Baobá: inspirações para o enraizamento de políticas afirmativas em programas de pós-graduação”, projeto que iniciou em 2024 e se estende até 2028, o encontro foi marcado pela celebração das conquistas e pela ênfase nos desafios que ainda estão por vir. Refletindo sobre o propósito de fundação da Rede, a coordenadora do evento, Tainah Motta, declarou: “Isso é para a vida. Um projeto de vida que vai se estendendo para encaixar as ações afirmativas nas instituições e nos Programas de Pós-Graduação.” A proposta do evento é analisar os impactos dessas políticas nos diferentes contextos institucionais e regionais, especialmente em relação ao ingresso, permanência e titulação de estudantes.
A mesa de abertura apresentou a Rede Baobá e discutiu o panorama das ações afirmativas na UFRGS, marcando também os 10 anos de implementação dessas políticas no PPGEdu/UFRGS. Participaram do momento Maria Aparecida Bergamaschi, docente do PPGedu, a coordenadora das ações afirmativas do PPGEdu Juliana Vargas, e o Pró-reitor de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS, Alan Alves Brito.
Durante o encontro, a Diretora da Faculdade de Educação (Faced), Aline Lemos da Cunha Della Libera, afirmou ser uma honra participar da atividade. “Eu penso que movimentos como esta rede, como as ações afirmativas no PPGEdu, a nossa participação enquanto pesquisadores negros, em fóruns, a visibilidade das nossas pesquisas e da nossa presença, é o que vai garantir, inclusive, que nós possamos continuar a nossa luta. Porque se há 10 anos lutamos, temos certeza que ainda vamos precisar lutar outros 20 anos. Porque queremos mais.”, ressaltou.
Histórico e Desafios
Ao relembrar a criação das ações afirmativas, a professora Maria Aparecida Bergamaschi recordou os passos iniciais da política. Ao longo de 10 anos, cerca de 300 estudantes ingressaram no PPGEdu por meio dessa modalidade. Foi destacado que, em 2023, a UFRGS incluiu em sua totalidade as ações afirmativas nos programas de pós-graduação. Atualmente, a Rede Baobá tem estudado como se aproximar dos grupos sub-representados que ainda não estão tão presentes na pós-graduação, como os grupos imigrantes e refugiados.
A coordenadora Juliana Vargas enfatizou o quanto a política faz diferença para o ingresso e para a permanência no programa. Entre os desafios apontados por ela para os próximos anos estão: ampliar o número de discentes tentando ocupar todas as vagas reservadas; estruturar políticas de acompanhamento de permanência dos estudantes; debater o currículo e as disciplinas; e buscar a aproximação com comunidades representativas, estudantes de graduação e professores da educação básica. “Espero que a gente consiga superar um pouquinho desses desafios nos próximos anos”, pontuou Juliana. Em sua fala, o pró-reitor de ações afirmativas, Alan Alves Brito, destacou que as políticas de diversidade e inclusão na pós-graduação são frutos de um processo histórico de intensas lutas dos movimentos sociais, e não de concessões institucionais. O pró-reitor lembrou que este é um processo muito recente, que não tem sido fácil e tem sido marcado por tensionamentos e disputas o tempo inteiro. Contudo, concluiu que, apesar de tudo, há muito o que celebrar e que o trabalho segue firme para a construção de uma realidade mais equitativa.
A Rede Baobá é em uma iniciativa liderada pela UFRGS em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS (PROAFE) e o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UFRGS). Garantindo a inclusão, todas as ações do evento contarão com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Caso algum participante necessite de algum recurso de acessibilidade adicional, é necessário entrar em contato previamente pelo e-mail rede.baoba@gmail.com.
A programação segue ao longo desta quarta-feira e quinta-feira com mesas de debates, relatos de estudantes e egressos, apresentações de pesquisas e reuniões dos grupos de trabalho da Rede Baobá. O encerramento será realizado na quinta-feira, às 17h, no Auditório Jacarandá, com uma atividade cultural.
A 11ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde: Equidade), realizado em Brasília, na última semana, premiou, durante Encontro do Programa Nacional de Equidade, Gênero, Raça, Etnia e Valorização das Trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS), 27 experiências exitosas na promoção da equidade e do respeito às diferenças de gênero, raça, etnia, identidade de gênero, sexualidade e condições de vida. Cada unidade da federação teve uma experiência premiada com potencial de replicabilidade no SUS. A UFRGS foi a vencedora pelo Rio Grande do Sul, com o projeto “Promoção da equidade no trabalho em saúde: experiências integradas de educação permanente em diferentes serviços de saúde”, realizado em parceria com a Coordenadoria de Saúde Oeste, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre.
O projeto premiado foi inscrito pelos Grupos de Aprendizagem Tutorial 1 e 4 da UFRGS, coordenados, respectivamente, pelo professor Guilherme Gomes Ferreira e pela professora Luísa Helena do Nascimento Tôrres, no eixo Valorização das trabalhadoras e futuras trabalhadores no âmbito do SUS: Gênero, Identidade de Gênero, Sexualidade, Raça, Etnia, Deficiências e as Interseccionalidades no Trabalho na Saúde. As ações desse PET são de valorização de equipes de trabalho da Rede de Atenção à Saúde de Porto Alegre (RAS), com foco na equidade. Foram realizadas atividades educativas permanentes sobre gênero, sexualidade, relações raciais, valorização de servidoras negras e análise de práticas de atendimento para população LGBTQIAPN+. Na Atenção Primária à Saúde o foco é saúde mental no ambiente de trabalho, em temas como estresse e bem-estar. Os grupos também organizaram seminários sobre vivências pessoais . Nos serviços especializados, trabalharam com divulgação de informações aos pacientes e familiares. Foram elaboradas oficinas, cartilhas, cardse e-books abordando temáticas como racismo, saúde mental, gordofobia, alimentação saudável, capacitismo e proteção LGBTQIAPN+, com orientações sobre denúncias e estímulo a ambiente de trabalho acolhedor.
Luísa Helena do Nascimento Tôrres ao lado do pôster de relato – Crédito: Gisele Gomes / Divulgação
Nacionalmente, foram inscritas 356 experiências, sendo 348 homologadas e 270 selecionadas para a publicação de um e-book. Os contemplados para o prêmio foram escolhidos através de chamada pública realizada por meio do Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), com foco na identificação, reconhecimento e difusão de práticas inovadoras de integração Ensino- Serviço-Comunidade que promovam equidade em saúde no âmbito do SUS. Mais duas experiências da UFRGS estão na lista de aptos para a publicação: Saúde Mental e Violências: elementos protetores e estressores no contexto de ensino e trabalho das pessoas que atuam no SUS em Porto Alegre (Grupos de Aprendizagem Tutorial 2 e 5); e Maternagem: Direitos da(os) Trabalhadoras (e)s, Ambiência e Processos de Trabalho no SUS. (Grupo Tutorial de Aprendizagem 3).
De acordo com o diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, Fabiano Santos, o PET-Saúde – Equidade é fundamental para construir uma relação entre estudantes, pessoas usuárias do SUS e o próprio SUS. “É sempre importante destacar que a faculdade forma profissionais individuais, mas o SUS exige um profissional que atenda cada vez mais múltiplas necessidades e tenha múltiplos saberes e que possa cuidar das pessoas como elas precisam.”
Para a coordenadora-geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade, Emile Sampaio, a experiência do programa impacta positivamente a todas as pessoas envolvidas, todos aprendem juntos e durante o processo. “Eu ouço muitas pessoas falarem que com a temática de equidade, elas estão aprendendo pelo mundo. Com a ousadia da equidade, estão aprendendo o trabalho e o cuidado com as pessoas, o cuidado das pessoas e o cuidado da saúde, pelo mundo, por tudo que nos atravessa no cotidiano de vida e que, obviamente, vai marcar e determinar o nosso processo de saúde e vai marcar e determinar o nosso processo de trabalho e cuidado em saúde”.
27 experiências premiadas em Brasília – Foto: Divulgação
O Centro Cultural da UFRGS foi o cenário de um marco para o direito e a preservação das línguas originárias no Brasil na quarta-feira, 29 de abril. A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e o Programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD) realizaram o evento que validou a tradução da Constituição Brasileira e de tratados internacionais para a língua Kaingang, garantindo que esses textos agora possam ser lidos e compreendidos no idioma original desse povo.
A iniciativa, financiada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça, teve como propósito central democratizar o acesso à informação jurídica. A língua Kaingang é o terceiro idioma originário mais falado no país. Ao adaptar pilares do ordenamento jurídico para o idioma, o programa busca fortalecer o diálogo entre as comunidades e o sistema judiciário, assegurando que direitos fundamentais sejam compreendidos a partir da própria cosmologia indígena. Para o pró-reitor de Ações Afirmativas e Equidade Alan Alves Brito, a medida é uma ferramenta para combater o racismo nas esferas institucional, epistemológica e linguística. “A tradução de documentos críticos é fundamental para o fortalecimento da democracia no país, por meio do reconhecimento e da preservação cultural”, afirmou.
A programação foi aberta com um ritual de dança conduzido pela comunidade Kaingang e contou com representantes das entidades relacionadas ao projeto. Durante a cerimônia, foi exibido um documentário sobre os bastidores do projeto, detalhando o processo de construção coletiva dos textos. Ao final do encontro, os participantes receberam exemplares impressos da terceira parte da Constituição Federal traduzida. O evento encerrou uma etapa técnica do programa LIVD.
O projeto, que se estendeu por 14 meses, teve como base a aldeia Kógunh Mág, em Canela, e seguiu rigorosamente o preceito de Consulta Livre, Prévia e Informada. Para Ademir Garcia, estudante de Direito na UFRGS e bolsista do projeto, a validação pelas lideranças representou um passo essencial de soberania. A tradução contou com a coordenação técnica e comunitária de Fernando Gomes, presidente da ADICUCA, e do cacique Mauricio Ven-Tahn Salvador, que mediaram o desafio de adaptar termos jurídicos complexos à língua ancestral.
Referência no ensino, na pesquisa e na assistência à comunidade, o Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS celebra, neste mês de maio, sete décadas de atuação. Para marcar a data, uma programação especial será realizada ao longo do mês, reunindo estudantes, servidores, profissionais da área e a comunidade.
Criado em 1956 como espaço de formação prática vinculado à Faculdade de Veterinária, o HCV, localizado na Avenida Bento Gonçalves, 9090, no bairro Agronomia, consolidou-se como um dos principais hospitais veterinários universitários do país. Ao longo dos anos, tornou-se referência pela expressiva quantidade de atendimentos e pela diversidade de áreas de atuação, contribuindo diretamente para a formação de profissionais e para o avanço da medicina veterinária. Paralelamente, a unidade desempenha uma função social essencial ao oferecer atendimento qualificado à comunidade.
Atualmente, o hospital conta com uma equipe de 13 professores, 36 residentes, 40 funcionários terceirizados, 36 servidores técnico-administrativos, entre eles 16 médicos veterinários, que atuam na prática clínica em diferentes especialidades. Anualmente, são realizados mais de 30 mil atendimentos envolvendo pequenos animais, grandes animais e espécies silvestres, volume que posiciona o HCV como o maior do Brasil em número de casos.
Conforme a diretora do Hospital, Anelise Gerardi, o Hospital de Clínicas Veterinárias desempenha um papel essencial na promoção da saúde e do bem-estar animal, ao mesmo tempo em que contribui diretamente para a saúde pública e o desenvolvimento científico. Segundo ela, há espaço de atendimento, ensino e pesquisa, o que fortalece a formação de profissionais qualificados e amplia o acesso da comunidade a serviços veterinários de qualidade. “Para os próximos anos, a perspectiva é de contínuo crescimento e inovação, com a expansão de serviços, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento das ações de extensão, consolidando ainda mais sua relevância social e acadêmica. Seguimos buscando melhorias tanto na logística de atendimentos quanto de equipamentos e estruturalmente”, projeta.
A estrutura do hospital está organizada em diferentes áreas de atendimento, que contemplam a diversidade da prática veterinária. Entre os principais setores, destacam-se a Clínica de Cães, a Clínica de Gatos – Medicina de Felinos, a Clínica de Grandes Animais, o Serviço de Diagnóstico por Imagem e o Serviço de Endocrinologia e Metabologia Veterinária. Além disso, o HCV oferece atendimento especializado em áreas como dermatologia, oftalmologia, endocrinologia, oncologia, ortopedia e traumatologia, clínica de animais silvestres e neurologia, ampliando sua capacidade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos. “Somente em 2025 foram realizados 7.555 atendimentos clínicos em pequenos animais, 1.052 procedimentos cirúrgicos, 1.711 consultas de animais silvestres, 143 atendimentos a grandes animais, além de 6.017 exames de imagem e 45.574 exames laboratoriais”, relata a diretora.
As atividades alusivas aos 70 anos incluem palestras, ações comemorativas, eventos culturais e momentos de integração com a comunidade, reforçando o papel do hospital como espaço de formação e de prestação de serviços. A participação nas atividades comemorativas requer inscrição prévia.
Programação de aniversário
Semana de Palestras
Entre os dias 18 e 22 de maio, sempre às 12h, no Auditório da Faculdade de Veterinária, será realizada a Semana de Palestras, com a participação de convidados e abordagem de temas relevantes da área veterinária:
18/5 – Professor André Dalto. “Trajetória na Medicina Veterinária”
19/5 – Médica Veterinária Elissandra da Silveira. “Heróis da enchente de 2024”
20/5 – Médico Veterinário Derek Blaese. “Do estágio no HCV à atuação com animais marinhos”
21/5 – Médica Veterinária Rochana Fett. “Do HCV ao empreendedorismo”
22/5 – Médica Veterinária Priscila Zlotowski. “Desmistificando a área comercial”
No dia 20 de maio, às 13h15, será promovida uma sessão especial de cinema com o curta-metragem “70 anos de história do HCV/UFRGS”, em homenagem aos aposentados do hospital e da Faculdade de Veterinária (Favet). A atividade, que incluirá um abraço simbólico no prédio, será realizada no auditório da Favet. É necessária a confirmação de presença, até 18 de maio, pelos e-mails gerenciavet@ufrgs.br e hcv_secretaria@ufrgs.br
Ação de integração com a comunidade acadêmica
No dia 22 de maio, às 16h30, no hall do hospital, ocorre a inauguração do espaço EU AMO VET, com descerramento de placa comemorativa no pátio interno da Faculdade de Veterinária. A atividade é aberta à comunidade e integra as ações de celebração e convivência institucional.
Jantar Baile
No dia 23 de maio, será realizado o Jantar Baile comemorativo alusivo aos 70 anos do HCV. Além da apresentação da Banda Ácidos Graxos e Voláteis, haverá serviço de alimentação com saladas e frios, pratos quentes, sobremesas e bebidas. A festividade ocorrerá no Salão Panorâmico do Clube Geraldo Santana, Rua Luiz de Camões, 337, Bairro Santo Antônio, a partir das 19h45. Informações sobre a venda de ingresso: pelo whatsapp 3308-8049, com inscrições pelo formulário: https://forms.gle/JPSXQf5G774fDzHm8
O 1º Salãozinho da Pós-Graduação ocupou o Centro Cultural da UFRGS e amplificou um tema que cada vez mais precisa estar no centro do debate acadêmico. Promovido pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG), com a proposta “Mulheres, mulheridades e feminismos”, o evento, que teve início nesta quarta-feira, dia 22, proporcionou trocas e tensionamentos com discentes e docentes que buscam fortalecer, de forma coletiva, a potência crítica e transformadora dos programas de pós-graduação da UFRGS.
As sessões de apresentações prosseguirão até sexta-feira, dia 24 de abril, e tem o intuito de reunir e dar visibilidade a investigações científicas de mestrado e doutorado que, a partir de diversas perspectivas teóricas e metodológicas, problematizam e contribuem para os debates contemporâneos. Entre os tópicos abordados estão saúde da mulher, mercado de trabalho, maternidade, mulheres nas ciências, história das mulheres, mulheres nas artes, relações de gênero, sexualidades, direitos humanos e justiça social.
Na abertura do evento, a Pró-Reitora de Pós-Graduação, Claudia Wasserman, agradeceu a presença de participantes, ouvintes e avaliadores, ressaltando o protagonismo das pesquisadoras. “As grandes atrações do evento são as apresentadoras de trabalhos”, destacou. Segundo a docente, existem muitas mestrandas e doutorandas e docentes pesquisadoras na UFRGS em várias áreas do conhecimento, pesquisando sobre “Mulheres, mulheridades e feminismos”. “Neste ano, escolhemos lançar o salãozinho no dia internacional da mulher e, por isso, o tema Mulheres, Mulheridades e Feminismos”, explica.
A importância do espaço para a troca de saberes acadêmicos foi reforçada pelos participantes. Adriana Duarte Garcia, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação, avaliou positivamente a troca de experiências. “A gente vai aprendendo também. Eu acho que esse contato com os colegas ajuda a apontar caminhos que eu posso seguir através das sugestões, e de pensar também que meus colegas pesquisam coisas que podem contribuir para a minha pesquisa”, afirmou. Ela também ressaltou como o Salãozinho proporciona um ambiente que permite que estudantes de diferentes cursos compartilhem vivências e identifique semelhanças em suas pesquisas.
Entre os trabalhos apresentados, destaca-se a pesquisa de Diênifer Monique da Conceição, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano. O estudo, intitulado “Mulheres negras e violência: escrevivências em território de alta incidência de crimes”, é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Educação Física. A investigação buscou compreender como a construção individual de mulheres residentes em um município da região metropolitana de Porto Alegre contribui para explicar a desarmonia entre as denúncias de lesão corporal e estupro e os registros de feminicídio e estupro de vulneráveis. Diênifer explica que sua inquietação para a pesquisa emerge, em grande parte, de sua perspectiva como mulher negra.
A força dos relatos e a relevância das temáticas abordadas deram o tom das discussões. Ao centralizar debates sobre direitos e vivências reais, as apresentadoras elevaram o nível do diálogo, mostrando que o conhecimento produzido em suas pesquisas é uma ferramenta importante para compreender e transformar realidades complexas.
Fotos: Amanda Casartelli/Secom
A banca examinadora desta primeira sessão foi composta pelas professoras Camila Giugliani, Departamento de Medicina Social, professora Hariagi Borba Nunes, do Departamento de História e pela professora Lucimar de Fátima dos Santos Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Geografia. Seguindo a organização do evento, as bancas avaliadoras do Salãozinho são formadas por grupos de três a quatro docentes da UFRGS.
Durante os três dias de programação, divididos em seis sessões e turnos, serão apresentados 74 trabalhos de mestrandas e doutorandas pesquisadoras da UFRGS, contemplando diversas áreas do conhecimento. Os trabalhos que se destacarem em cada sessão receberão um incentivo de até R$ 2 mil, recurso destinado a atividades de campo, participação em eventos e outras ações ligadas às suas pesquisas. O resultado da premiação será anunciado ao vivo no dia 27 de abril, pelo perfil da PROPG no Instagram @propg.ufrgs.
Próximasedições
O Salãozinho da Pós-Graduação foi planejado para ocorrer anualmente, sempre no primeiro semestre. A proposta da PROPG é selecionar temas transversais, investigados por diversas áreas do conhecimento, para potencializar essas pesquisas e formar grupos transdisciplinares capazes de compreender um mesmo objeto sob variados ângulos. Mais informações estão disponíveis no site da Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
O encontro é uma oportunidade diferenciada para dar luz a trabalhos e temáticas relevantes, a organização já adiantou que a próxima edição do evento terá como foco o “Meio Ambiente”.
Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, começou oficialmente o processo de construção do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRGS para os anos de 2027 a 2036. Como forma de compartilhar o processo com a comunidade acadêmica e com a sociedade, a abertura dos trabalhos aconteceu por meio de uma live de lançamento com a participação da reitora Marcia Barbosa, do pró-reitor de Planejamento e Administração, Diogo Joel Demarco, e da diretora do Departamento de Gestão Integrada (DGI/Proplan), Gabriela Musse Branco. O vídeo segue disponível para consulta no Youtube, com acessibilidade na Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A reitora Marcia Barbosa se disse empolgada com o processo: “Vamos identificar onde a UFRGS está, para onde quer ir e como fará para chegar lá”, resumiu, apontando que o instrumento deve contemplar os grandes temas da instituição e também os desafios do mundo atual para “construirmos a Universidade do amanhã”. A reitora também destacou importância de escutar as pessoas no processo de elaboração, indicando que haverá momentos de consulta interna, mas também outros momentos em que qualquer cidadão poderá participar com indicações e propostas, por meio de um canal aberto para “a construção coletiva com base em evidências”, apontou.
Para Diogo Demarco, o plano será o orientador das tomadas de decisão da Universidade: “relacionamos cada uma das ações da instituição com as definições do PDI. Será um instrumento para construir a visão de futuro”, ressaltou. Para ele, será preciso identificar quais são os desafios acadêmicos, administrativos e de gestão, tendo em vista a elaboração de diretrizes para o enfrentamento das questões: “O desafio é pensar a Universidade para os próximos 10 anos. Pensar o ‘amanhã’ não como data, mas como um futuro próximo em que a UFRGS vai construir seus caminhos”.
Gabriela Branco enfatizou que o Plano é uma elaboração tendo como perspectiva a UFRGS que se espera em 10 anos: “Não é planejamento de uma Unidade, da reitoria ou de grupos, mas são grandes direcionamentos e decisões que vão impactar no futuro”. Sobre o trabalho prático, a diretora do DGI indicou que estão previstas consultas presenciais e virtuais, conforme calendário que já está disponível no site do PDI . Segundo ela, a previsão de conclusão é 30 de dezembro deste ano, quando o plano elaborado será encaminhado para aprovação no Conselho Universitário.
Durante a apresentação, os participantes responderam a dúvidas encaminhadas. A reitora respondeu a uma das perguntas que a indagava sobre o que enxerga, desde já, como temas que merecem direcionar os debates do PDI. Segundo Marcia Barbosa, merecem destaque: combater a disseminada queda de interesse pelo Ensino Superior e priorizar medidas de permanência de estudantes, temas do mundo acadêmico. Mas também ressaltou que a Universidade deve se preocupar com a ampliação da participação nos grandes temas, como sustentabilidade e desenvolvimento e na luta contra os ataques ao conhecimento.
Futuro da Universidade
O processo de construção do PDI conta um comitê técnicoe uma comissão de elaboração, com a adesão de estudantes, docentes e técnicos. Informações complementares podem ser consultadas no site do PDI; eventuais dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail pdi@ufrgs.br.
Principal instrumento de planejamento institucional das universidades federais, o PDI está previsto no Decreto nº 9.235/2017. Com horizonte de dez anos, o documento estabelece diretrizes, objetivos estratégicos e prioridades que orientam a gestão acadêmica e administrativa. A construção do futuro exige planejamento, diálogo e participação. Nessa perspectiva, mais do que um documento técnico, o PDI impacta diretamente a vida da comunidade universitária, influenciando decisões relacionadas ao ensino, à pesquisa, à extensão, à infraestrutura e às políticas institucionais.
A Faculdade de Odontologia da UFRGS recebeu, recentemente, o Seminário Programa de Pesquisa CORE – Diálogos Inclusivos, que contou com a participação do Coordenador-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Lucena. A iniciativa integra o Programa CORE (Community Focused Oral Health Research for Equity), ao qual pertence o projeto Diálogos Inclusivos, voltado a cartografar, acolher e dialogar com pessoas LGBTQIAPN+ sobre saúde de forma geral e, de maneira específica, sobre saúde bucal.
A professora do Departamento de Odontologia e uma das coordenadoras do projeto, Cristine Warmling, explica que ele integra uma pesquisa em desenvolvimento: “O objetivo principal é analisar o acolhimento e os itinerários de cuidado, de saúde e de saúde bucal da população LGBTQIAPN+ e suas relações com as questões das desigualdades sociais”.
O evento, realizado em 27 de março, representa um marco para o desenvolvimento de pesquisas e debates capazes de ampliar e qualificar o acesso à saúde, especialmente à bucal, para populações em situação de vulnerabilidade, como a comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas em situação de rua. Além da conferência do professor Edson Lucena, o evento teve uma mesa temática com o professor do Departamento de Clínica e Odontologia Preventiva da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Goes, coordenador nacional do CORE, e a pesquisadora e membro da ONG Somos, Karla Freitas.
Professora Fabiana Schneider dá as boas-vindas aos membros da mesa e demais participantes – Foto: Rayane Lacerda
Fabiana Schneider, também coordenadora e professora do Departamento de Odontologia da UFRGS, complementa: “Temos visto o quanto tem sido importante revisitar as práticas de pesquisa e o quanto o estudo pode também aproximar o cuidado e articular institucionalmente”.
De acordo com a professora Cristine Warmling, o próximo passo é finalizar e publicizar os dados principais produzidos. “Na perspectiva de uma pesquisa-intervenção, seria continuar fortalecendo a rede de cuidados das pessoas LGBTQAPN+ ampliando parcerias, especialmente com o Ministério da Saúde, o Estado e municípios, mas também com o terceiro setor nossas ONGs parceiras.”
A programação deu continuidade ao Seminário de lançamento realizado também em março, em Recife/PE. Na ocasião, que marcou o início das atividades do Programa CORE no Brasil, foi debatido o tema da justiça social e da saúde bucal.
O Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA) concluiu a modernização do Laboratório de Informática, localizado no térreo do prédio (sala 111 do Prédio 43.212), no Campus do Vale. O espaço passou por renovação dos equipamentos, com a substituição dos desktops utilizados pelos estudantes, contribuindo para melhores condições de ensino, aprendizagem e desenvolvimento acadêmico. A cerimônia de inauguração do laboratório ocorreu nesta quarta-feira, dia 25, com a presença da reitora da Universidade, Marcia Barbosa e da Pró-reitoria de Graduação, Nádya Pesce da Silveira.
Diretora do ICTA, Florencia Cladera, relata que o espaço agora conta atualmente com 20 computadores destinados ao uso discente e um equipamento para o docente, conectado ao sistema de projeção em sala. “Os computadores anteriores estavam ultrapassados e vários deles já nem carregavam adequadamente, sendo considerados obsoletos e praticamente sem utilidade. Isso estava comprometendo a qualidade do ensino de algumas disciplinas e a possibilidade dos estudantes realizarem seus trabalhos, pesquisas bibliográficas e relatórios”, detalha.
Foto: Divulgação / ICTA
Utilizado em atividades práticas de aproximadamente dez disciplinas de graduação, com destaque para aquelas que demandam uso frequente do laboratório, como Simulação de Processos na Indústria de Alimentos, o local também atende disciplinas do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA). Quando não está em uso para aulas, o laboratório permanece aberto aos estudantes dos cursos atendidos pelo ICTA, como Engenharia de Alimentos, Nutrição, Biomedicina, Farmácia, Química Industrial e Medicina Veterinária, além de discentes de mestrado e doutorado. “Ao todo, podemos estimar em aproximadamente 250 alunos por semestre o número de usuários. O investimento total foi de R$ 91 mil, sendo adquiridos 20 desktops a um custo unitário de R$ 4.550, com recursos integralmente provenientes da UFRGS” contextualiza Florencia.
Foi divulgada nesta quarta-feira, 25 de março, a edição 2026 do QS World University Rankings by Subject, que indica a UFRGS posicionada em 27 do total de assuntos/cursos avaliados detalhadamente na pesquisa internacional. O destaque deste grupo são os assuntos/cursos de Antropologia, posicionado entre os cem melhores do mundo, e de Odontologia, entre os 150 melhores do mundo. A edição de 2026 do QS World University Rankings by Subjectanalisou a reputação e a produção de pesquisa de mais de 6,2 mil instituições de ensino superior, sendo que apenas 1.908 foram classificadas em 55 assuntos.
A UFRGS se classificou nas cinco grandes áreas (Artes e Humanidades; Engenharia e Tecnologia; Ciências da Vida e Medicina; Ciências Naturais; e Ciências Sociais e Gestão), obtendo melhor desempenho em Ciências da Vida e Medicina. Veja neste link o relatório da QS sobre o desempenho da UFRGS no ranking (em inglês).
O QS World University Rankings by Subjects considera cinco indicadores: reputação acadêmica, reputação com o empregador, citações de pesquisa por artigo, produtividade e o impacto do trabalho (índice H) e rede internacional de pesquisa. Os dados completos estão em https://www.topuniversities.com/subject-rankings.
A Secretaria de Avaliação Institucional (SAI) organiza as informações sobre análise de qualidade da Universidade e atualiza constantemente o Painel da Qualidade, onde podem ser consultados resultados de rankings e avaliações institucionais, além de dados sobre a graduação e a pós-graduação da UFRGS. Acesse em: https://www1.ufrgs.br/sistemas/paineldaqualidade.
Em 2025, a UFRGS serviu 1,7 milhão de refeições nos seus restaurantes universitários. Do total de usuários dos RUs, 18 mil eram estudantes. O custo total desse benefício de amplo acesso somou R$ 27 milhões no ano passado. Em 2026, somente para a alimentação nos RUs, devem ser destinados R$ 32 milhões, prevendo o reajuste pela empresa fornecedora das refeições. Em transporte, foram gastos em 2025 cerca de R$ 4,7 milhões. Com o reajuste das tarifas de ônibus, a UFRGS deve destinar R$ 5 milhões para este benefício em 2026. Os números relacionados à Assistência Estudantil em uma universidade do tamanho da UFRGS não deixam dúvidas de que a demanda pelos benefícios é grande e que gerenciar um orçamento limitado frente às necessidades dos estudantes tem sido um desafio. O orçamento da assistência estudantil na UFRGS para este ano é estimado em R$ 42 milhões, sendo que o valor que vem da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) é de R$ 29,8 milhões, o que exige da UFRGS fazer uma complementação de mais de R$ 12 milhões com recursos próprios da Universidade.
A situação, relata a pró-reitora de Assuntos Estudantis Natália Pietra, não é confortável, mas ela ressalta que na UFRGS a totalidade dos estudantes em vulnerabilidade social está atendida. “É importante ressaltar que a UFRGS não tem fila de espera, por conta, inclusive, da escolha institucional de aportar e complementar recursos”, afirma. Segundo ela, há universidades que têm estudantes elegíveis à assistência, mas não conseguem incluí-los.
A UFRGS também manteve atendidos os alunos que após a mudança na legislação já não se enquadravam mais no público da PNAES (Lei nº 14.914/2024), que contempla prioritariamente estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo, e não mais 1,5 salário mínimo, como era anteriormente. “Cerca de 30% ou 40% dos beneficiários ingressaram na UFRGS antes dessa mudança, e retirá-los poderia inviabilizar a permanência deles na Universidade”, afirma Natália.
Conforme a pró-reitora, há um compromisso da gestão da Universidade de dar prioridade à assistência estudantil e isso envolve fazer escolhas, como deixar de executar obras importantes de infraestrutura que acabam afetando a própria assistência estudantil, como, por exemplo, melhorias e reformas nas casas de estudantes ou investimento em acessibilidade.
Natalia acrescenta que, mesmo diante das dificuldades, a Prae conseguiu retomar o Auxílio Evento em 2025 e mantê-lo em 2026. Para isso, houve um remanejo do valor destinado à inclusão digital, que foi reduzido em prol da volta do Auxílio Evento. A decisão contou com a participação do Conselho Consultivo de Assistência Estudantil da Prae, instituído no ano passado pela Portaria 2843/2025. O Conselho reúne representantes dos servidores e dos estudantes da UFRGS e tem por finalidade analisar programas relacionados à assistência estudantil e sugerir diretrizes para a gestão orçamentária da Pnaes.
Perspectivas para 2026
A recomposição do orçamento das universidades federais em janeiro deste ano deu um alívio aos gestores, mas não tornou o cenário mais fácil. Como explica o vice-pró-reitor de Assuntos Estudantis Igor Correa Pereira, foi uma recomposição modesta totalizando valores que já não eram suficientes e que permite apenas que não sejam cortados benefícios vigentes. Natália e Igor esperam que algumas definições que devem acontecer ao longo deste ano possam impactar positivamente esse cenário. Uma delas é a regulamentação da Lei nº 14.914/2024, que instituiu a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).
Também há a expectativa do aporte de recursos do Fundo Social (formado pelos valores dos royalties do petróleo e do gás natural) para a PNAES, conforme previsto pela Lei nº 15.169/2025, sancionada pelo presidentre Lula em julho do ano passado, durante o 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Goiânia.
No âmbito do Fórum de Pró-reitores de Assistência Estudantil (Fonaprace/ Andifes), discute-se também a destinação de recursos de outros ministérios, além do MEC, para cobrir os custos dos restaurantes universitários. Conforme Igor, a proposta que o Fonaprace tem construído é de um programa de alimentação universitária em que os recursos estejam fora da matriz do PNAES e que seja financiado por recursos federais diversos. A ideia é de um programa de alimentação universitária com o caráter de garantia da segurança alimentar, envolvendo as áreas da saúde e da agricultura familiar.
A pró-reitora Natália afirma que o grande desafio para a assistência estudantil em todo o Brasil é como equilibrar seu alto custo, principalmente no que se refere à alimentação, e manter os demais auxílios. “Não é um problema só da UFRGS, é um problema geral de todas as universidades. Então a gente espera ansiosamente também por essa regulamentação para que ela traga novidades positivas, tanto na questão do royalties do petróleo do pré-sal, quanto na questão das linhas de financiamento de alguns desses programas. Quem sabe com isso a gente possa evoluir para um cenário um pouco mais positivo no futuro?”, questiona Natália.
Na página da Prae, é possível acompanhar as destinações de recursos nos últimos anos para cada um dos benefícios da assistência estudantil. Veja neste link.
Na pesca cooperativa, os botos cercam cardumes de tainha próximos à margem do canal e sinalizam o momento adequado para que os pescadores lancem as redes. A estratégia permite a captura de parte dos peixes pelos pescadores, enquanto outra parcela permanece disponível para os próprios golfinhos. A prática ocorre em áreas de encontro entre águas doces e salgadas, principalmente na foz do Rio Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul, e no complexo lagunar da região de Laguna.
Segundo parecer técnico apresentado pelo conselheiro Bernardo Issa, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o reconhecimento se justifica pela profundidade histórica da prática, pela complexidade socioecológica e pelo valor simbólico e afetivo para as comunidades envolvidas. O documento também destaca que o registro amplia a compreensão de patrimônio cultural ao considerar relações que ultrapassam o universo exclusivamente humano. De acordo com o Iphan, a pesca cooperativa não envolve animais anônimos ou genéricos: muitos botos são reconhecidos individualmente pelos pescadores e identificados por nomes próprios. Além disso, o comportamento também é transmitido entre gerações de golfinhos, formando uma relação singular de aprendizado social entre humanos e animais.
Foto: Ceclimar UFRGS
O presidente do Iphan, Leandro Grass, ressaltou o caráter inédito do reconhecimento, marcado pela integração de perspectivas sociais, ambientais e biossociais.” É um chamado, uma convocação a um pensamento holístico, sistêmico, sustentabilista acerca do Patrimônio Cultural e, principalmente, comprometido com esse momento da história em que a humanidade precisa tomar uma decisão se vamos nos destruir ou se vamos permitir àqueles que ainda não nasceram viver dignamente”.
Desenvolvido pela UFRGS, por meio do Instituto de Geociências e do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), o Pró-Costa RS conta ainda com a participação de outras dez instituições de pesquisa. O projeto pretende criar um sistema contínuo de monitoramento e alerta para eventos oceanográficos e meteorológicos, além de avaliar a vulnerabilidade da costa gaúcha à erosão e a inundações. A iniciativa busca dar suporte científico e operacional aos municípios costeiros para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, promovendo a resiliência das comunidades, o desenvolvimento sustentável e a valorização da cultura oceânica.
Maria Luiza Correa da Câmara Rosa, coordenadora do Pró-Costa RS e docente do Instituto de Geociências da UFRGS, explica que, com o reconhecimento do projeto no programa CoastPredict e na Década dos Oceanos, se promove a visibilidade internacional do projeto, que estará inserido em comunidades científicas que compõem a Década. Isto amplia oportunidades de colaboração com outras instituições, onde a UFRGS terá participação em redes globais de observação e modelagem costeira. Segundo Maria Luiza, esta participação potencializa a realização de intercâmbios, permitindo que a UFRGS esteja presente nas linhas de frente da ciência oceânica, ao mesmo tempo em que contribuições de outras instituições poderão ser somadas aos nossos esforços. “Outra questão relevante diz respeito à continuidade do Pró-Costa RS, que é um projeto financiado pelo Edital 06/2024 (Programa de pesquisa e desenvolvimento voltado a desastres climáticos) da FAPERGS, e tem data de encerramento prevista para dezembro deste ano. A continuidade das pesquisas é fator crucial para que o conhecimento que está sendo gerado possa evoluir e ser ainda mais efetivo tanto regional quanto globalmente”, considera a professora.
Pró-Costa RS/Divulgação
Maria Luiza contextualiza que o papel da UFRGS consiste em articular o Pró-Costa RS com outros projetos e com o programa ao qual está vinculado, o CoastPredict, o que exige a interação tanto com a coordenação do programa quanto com as estruturas de governança da Década. “Além disso, a UFRGS deve participar das comunidades (Communities of Practice), colaborando de forma coletiva com o impacto das ações, divulgando e compartilhando resultados que possam contribuir com o avanço da ciência e a promoção da cultura oceânica. Dentre os desafios que constam nos objetivos da Década, o projeto está diretamente envolvido na resiliência das comunidades, na proteção e restauração de ecossistemas e na interconexão oceano-clima”, detalha.
Conheça as cinco metas do Pró-CostaRS
Meta 1: Implementação de uma rede contínua de monitoramento e alerta de eventos oceanográficos e meteorológicos, tendo como diferencial a disponibilização de um sistema de previsão acoplado, que considera as interações entre o oceano e a atmosfera, o que não existe de forma operacional. Esta previsão, extremamente robusta, terá uma interface para usuários externos, permitindo o alerta e o planejamento de ações frente a eventos climáticos.
Pró-Costa RS/Divulgação
Meta 2: Modelagem da vulnerabilidade costeira, com proposição de estratégias de adaptação. Está sendo realizada a avaliação da movimentação da linha de costa nas últimas décadas, para embasar a previsão de tendências futuras (erosão, estabilidade ou acresção), bem como a geração de dados para o mapeamento de áreas mais susceptíveis a alagamentos e inundações. Com isto, serão gerados mapas de risco atuais e cenários futuros, para planos de gestão. Além disso, estão sendo testadas estratégias de recuperação de áreas degradadas, especialmente em dunas costeiras, que constituem uma proteção natural para eventos meteorológicos.
Meta 3: Avaliação dos impactos climáticos e da tropicalização sobre os recursos marinhos vivos para que se possa conhecer as respostas da biodiversidade frente a tendências de aquecimento das águas e em eventos extremos. Estão sendo monitoradas alterações na composição das espécies para gerar modelos preditivos de distribuição futura, inclusive de espécies com interesse econômico e a ocorrência e impactos de espécies invasoras. Com isso, será criado um banco de dados com a distribuição histórica, atual e previsões de tendências futuras.
Meta 4: Monitoramento de microcontaminantes ambientais para detectar alterações na qualidade ambiental. Estão sendo realizadas análises de nutrientes, metais pesados, agroquímicos e fármacos em amostras de água, sedimentos, pescados e aves nas diferentes estações do ano. Com isso, será conhecida a distribuição espacial e temporal de contaminantes, identificando locais com maior contaminação (hotspots) e suas possíveis fontes. Esta base de conhecimento sobre a contaminação ambiental também servirá de base para tomadas de decisão e avaliação de impactos considerando os eventos extremos e tendências de cenários futuros.
Meta 5: Ações de educação ambiental, com a promoção da cultura oceânica e capacitação das comunidades locais. Além do trabalho de divulgação nas redes sociais, estão previstos encontros com gestores dos municípios costeiros para discutir os resultados do projeto, quando todas as metas fornecerão bases de conhecimento diretamente aplicadas na gestão. Está sendo gerado um acervo em realidade virtual voltado aos impactos das mudanças climáticas e da elevação do nível do mar, e uma cartilha de boas práticas sobre a importância da proteção dos ecossistemas marinhos e adaptação às mudanças climáticas.
Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, Macunaíma, de Mário de Andrade, A fúria, de Silvina Ocampo, e A teus pés, de Ana Cristina César, são as novas obras que passam a integrar a lista de leituras obrigatórias do Vestibular 2027 da UFRGS. Esses títulos substituem quatro que estavam na relação da edição anterior: A terra dos mil povos, de Kaká Werá, Água funda, de Ruth Guimarães, Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez e Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas. Ao todo, 12 obras integram o conjunto de leituras obrigatórias do Vestibular da UFRGS[Confira abaixo a relação completa].
Conforme definido pela Resolução nº 16/2006 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRGS, a seleção das Leituras Obrigatórias para a prova de Literatura de Língua Portuguesa ocorre de forma cíclica: a cada ano, quatro das doze obras são substituídas, seguindo a ordem de renovação dos blocos. Esse sistema garante a atualização permanente da lista e a diversidade de gêneros e períodos literários.
Integrante da comissão responsável pela escolha das obras, o professor Antônio Marcos Sanseverino, do Instituto de Letras, relata que a lista segue alguns princípios que organizam o conjunto das indicações e, especificamente, sua renovação anual. “As indicações têm uma paridade em termos de perfil. Então, se sair uma obra da literatura indígena, vai entrar outra. Se é uma obra em tradução latino-americana, vai entrar outra nesta mesma lógica e assim por diante”, resume o docente.
A nova lista foi divulgada nesta segunda-feira, dia 12, pela Comissão Permanente de Seleção (Coperse) e já pode ser consultada na página do Vestibular 2027 no site da UFRGS . No mesmo endereço, serão publicadas posteriormente outras informações sobre o processo seletivo, como o edital, as orientações para solicitação de isenção da taxa de inscrição, o período de inscrições e as datas de realização das provas, entre outros detalhes do concurso.
LEITURAS OBRIGATÓRIAS 2027
Quincas Borba – Machado de Assis O Demônio Familiar – José de Alencar Mrs. Dalloway – Virginia Woolf A Visão das Plantas – Djaimilia Pereira de Almeida Niketche: uma história de poligamia – Paulina Chiziane O avesso da pele – Jeferson Tenório Mas em que mundo tu vive – José Falero Seleta de Canções – Lupicínio Rodrigues
>Cadeira vazia (com Alcides Gonçalves) >Castigo (com Alcides Gonçalves) >Cevando o amargo (com Piratini) >Dona Divergência (com Felisberto Martins) >Ela disse-me assim (Vai embora) >Esses moços (Pobres moços) >Foi assim >Loucura >Maria Rosa (com Alcides Gonçalves) >Migalhas (com Felisberto Martins) >Namorados >Nervos de Aço >Nunca >Se acaso você chegasse (com Felisberto Martins) >Vingança >(Xote da) Felicidade
Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak Macunaíma – Mário de Andrade A fúria – Silvina Ocampo A teus pés – Ana Cristina César
A Sala dos Conselhos ficou lotada na manhã desta quinta-feira, 12 de março, para a sessão solene do Conselho Universitário (Consun) de outorga do título de professora emérita a Wrana Panizzi. No espaço em que por dois mandatos como reitora da UFRGS (1996-2004) presidiu as sessões do Consun, Wrana foi muito aplaudida por colegas, amigos, familiares e comunidade acadêmica, que a reconhecem como pesquisadora, professora, articuladora de lutas importantes e gestora que deixou grande legado para a UFRGS, para a pesquisa e o ensino superior brasileiros, para o debate de políticas públicas e para a construção de cidades mais justas.
A diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Eliane Constantinou conduziu a homenageada à Sala, e a secretária do Consun, Rosemeri Antunes, fez a leitura da Resolução 286 do Consun, de 26 de setembro de 2025, que aprovou o Parecer nº 185/2025, recomendando a outorga do título. O parecer enumera as realizações e constribuições de Wrana ao longo de uma trajetória de mais de cinco décadas marcada pela excelência acadêmica, pelo compromisso social e pela liderança institucional. O longo documento resgata o início dessa caminhada, na Universidade de Passo Fundo, onde Wrana graduou-se em Filosofia (1970) e em Direito (1972). Em 1977 obteve o título de mestre em Planejamento Urbano e Regional na UFRGS, e, em 1979, concluiu uma pós-graduação na França obtendo a Especialização em Urbanisme et Aménagement. Também na França, em 1984, obteve o título de Docteur de III Cycle en Urbanisme et Aménagement pela Universidade de Paris XII. Posteriormente, obteve um segundo doutorado, em Science Sociale, pela Universidade de Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), em 1988. O parecer destaca ainda as muitas homenagens e premiações que Wrana recebeu no Brasil e no exterior em reconhecimento a sua atuação no meio acadêmico e na sociedade. Suas relexões críticas e sua produção intelectual socialmente engajada estão documentadas em diversos livros e em artigos em periódicos nacionais e internacionais. As obras escritas por Wrana Panizzi e lançadas pela Editora da UFRGS estão disponíveis em acesso aberto. A iniciativa da Editora, em parceria com a autora, reafirma o compromisso institucional da Universidade com a circulação pública do conhecimento e amplia o acesso à reflexão intelectual de uma das figuras mais relevantes da história recente da UFRGS. (Link para acesso às obras)
Eterna e magnífica professora Wrana
O discurso da oradora da cerimônia, a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Lívia Teresinha Piccinini, exalta não só a excelência da vida acadêmica de Wrana Panizzi, mas também seu engajamento desde muito jovem em lutas e debates relevantes do campo das políticas públicas e dos direitos humanos. Lívia Piccini lembrou importantes realizações de Wrana à frente da Reitoria, como a campanha pela recuperação dos prédios históricos da Universidade, que permenece ativa captando recursos que viabilizam a manutenção do patrimônio histórico da UFRGS. Sua fala destaca também a marca de um compromisso pessoal de Wrana com os estudantes e suas famílias: nas suas duas gestões como reitora compareceu em 522 formaturas de graduação. Por fim, Lívia parabenizou Wrana e disse que o reconhecimento à “eterna e magnífica professora Wrana” é justo e merecido por sua “carreira integralmente dedicada à educação, à pesquisa e ao serviço público, sempre em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade”.
Wrana Panizzi abriu sua fala saudando nominalmente muitos parceiros e parceiras dessa longa caminhada na UFRGS, agradecendo e dividindo com toda a comunidade acadêmica a homenagem. Em seu discurso usou referências literárias e imensa sensibilidade para fazer um percurso afetivo da trajetória de uma professora: “quem aqui está é uma professora. Professora que fui e professora que sou”, afirmou. Ao refletir sobre o passado lembrou o quanto foi feliz na UFRGS, “casa que a acolheu por mais de 50 anos” e que agora lhe presta “a “maior homenagem que pode ser dada a um professor em sua instituição”. Falou sobre como nasceu a convicção pedagógica que a acompanha pela vida, que é da educação libertadora, “expressão maior da cidadania”. Mas Wrana fez questão de ir além das recordações do seu percurso profissional e acadêmico e manifestou-se com veemência contra as pressões neoliberais que atingem “nossas vidas no particular e nossas instituições no coletivo social”. A universidade, destacou, é brutalmente atingida: “A vida universitária sofre com as agruras do corte de recursos… e o seu orçamento se apequena no contexto em que prolifera o uso de emendas parlamentares.” Mas a universidade não se cala, disse ela, e “continua o seu fazer cotidiano de origem, produzindo conhecimento, formando profissionais qualificados, pesquisando e mantendo a sua relação extensiva ao território em que está inserida”. Wrana lembrou fatos recentes que mostram a dimensão da universidade como bem público, quando esteve mobilizada enfrentando a pandemia de covid-19, a enchente no Rio Grande do Sul em 2024 e agora em Minas Gerais, ou quando sinaliza a possível reversão de lesões de medula a partir das pesquisas da brasileira Tatiana Coelho de Sampaio na UFRJ com a polilaminina. No encerramento do discurso Wrana repetiu a mensagem que marcou sua gestão como reitora e que ainda ecoa por toda a UFRGS: “Viva a Universidade pública, gratuita e de qualidade!” (Link para o discurso de Wrana Panizzi)
“Magnífica emérita” – foi dessa forma a reitora Marcia Barbosa saudou a professora Wrana e disse compartilhar com a homenageada a visão sobre o problema das emendas parlamentares no orçamento público. Marcia convidou Wrana para seguirem juntas na luta por um sonho, que é o de “constituir um novo orçamento digno para as nossas universidades federais”.
O Laboratório de Interseccionalidades, Equidade e Saúde (LabIES) realiza nesta sexta-feira, 13 de março, a mesa redonda em alusão ao Dia internacional do Combate à Gordofobia, transcorrido em 4 de março. O evento acontece às 19h no Auditório da Escola de Enfermagem (Rua São Manoel, 963 – Campus da Saúde), gratuitamente e aberto ao público, com inscrições realizadas no início do evento.
Participantes
Vanessa Branco: psicóloga e doutora em Psicologia Social e Institucional (UFRGS) Taís Prass: advogada e doutora em Diversidade e Inclusão Luíza Tavares: nutricionista e doutoranda em Sociologia (UFRGS) Bianca Niemezewski: médica de família e comunidade, mestranda em saúde coletiva e membro do LabIES (UFRGS).
O projeto Super 8: Pesquisa e Uso da Informação Científica, iniciativa de extensão do Sistema de Bibliotecas da UFRGS (SBUFRGS), promove ao longo do mês de março uma série de atividades voltadas ao desenvolvimento de competências em informação. As ações são gratuitas, realizadas em formato on-line e abertas ao público em geral. Inscrições podem ser realizadas até a data de cada módulo através deste link.
Criado com o objetivo de apoiar estudantes, pesquisadores e demais interessados no processo de busca, uso e organização da informação científica, o Super 8 oferece módulos independentes que abordam diferentes etapas da pesquisa acadêmica. As atividades apresentam ferramentas, bases de dados e estratégias que auxiliam na identificação de fontes confiáveis, na gestão de referências e na organização do trabalho acadêmico.
A programação de março inclui encontros sobre Bibliotecas da UFRGS e o sistema SAbi+, introdução à pesquisa em bases de dados, pesquisa na base PubMed e uso do gerenciador de referências Zotero, entre outros temas. Também integra a agenda o módulo literário “Me conta um conto: mulheres e a escrita – lendo Annie Ernaux e Conceição Evaristo”, que propõe um espaço de leitura e conversa sobre literatura.
As atividades são ministradas por bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade, reunindo profissionais de diferentes unidades e áreas do conhecimento. A iniciativa busca ampliar o acesso aos recursos informacionais disponíveis na Universidade e fortalecer a formação acadêmica por meio da promoção de competências informacionais, essenciais para o ensino, a pesquisa e a extensão.
A UFRGS Litoral promove, no dia 20 de março, às 18h30, a aula inaugural do semestre, aberta a toda a comunidade acadêmica e ao público em geral. O encontro será realizado na antiga Colônia de Férias (Av. da Igreja, n. 760, Centro, Tramandaí). Nesse semestre, a atividade será realizada em forma de debate, com uma proposta mais interativa e participativa, convidando o público a refletir e dialogar.
Intitulado “Inteligência artificial na sala de aula: vamos falar sobre isso?”, o encontro pretende discutir os desafios, possibilidades e impactos do avanço das tecnologias de inteligência artificial no cotidiano da educação e na prática pedagógica.
O encontro é organizado em parceria com o Jornal da Universidade (JU), por meio do Programa Esquinas: ciclo de debates, e com o Instituto de Informática da UFRGS. Participam do debate o jornalista e editor-chefe do JU Felipe Ewald e as professoras do Instituto de Informática da UFRGS Leila Ribeiro e Mariana Recamonde Mendoza.
A aula inaugural marca o início das atividades acadêmicas do semestre 2026/1 e a participação também poderá ser contabilizada como horas de extensão.