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André Esteves diz que não importa vencedor entre Lula e Flávio Bolsonaro: “Tem que ser pró-mercado”

25 de Abril de 2026, 09:54
André Esteves, presidente do conselho do BTG. Foto: reprodução

O banqueiro André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, afirmou que a eleição presidencial no Brasil deve ser marcada por uma disputa polarizada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Para ele, porém, o ponto central não será a orientação ideológica do vencedor, mas a manutenção de uma agenda econômica considerada racional e pró-mercado.

“Estamos caminhando no Brasil para uma eleição 50/50. Temos dois candidatos, o filho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio, que é um político experiente, ele não apareceu do nada, é senador, um cara com bom-senso; e o presidente Lula, que foi protagonista nas últimas dez eleições no Brasil, que mesmo sendo de centro-esquerda, é um líder amigável ao mercado”, disse Esteves.

“É difícil prever o vencedor […] mas eu não me importo muito se é esquerda ou direita, desde que o vencedor seja a decisão econômica racional. A racionalidade não pertence à direita ou à esquerda, é mais sobre ser racional contra ser populista. A região [América Latina] tem tomado boas escolhas”.

A declaração foi feita durante o evento Latam Focus 2026, promovido pelo BTG no Chile. No encontro, Esteves avaliou que os Estados Unidos deixaram de funcionar como um “buraco negro” capaz de concentrar grande parte dos investimentos globais. Segundo ele, há uma realocação de capital para outros mercados, impulsionada pela busca de investidores por diversificação.

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Esse movimento, na avaliação do executivo, tende a beneficiar economias emergentes, incluindo países da América Latina e o Brasil. Esteves afirmou que, mesmo após a valorização recente dos ativos latino-americanos e brasileiros, esses mercados ainda apresentam um “valuation” atrativo quando comparados aos mercados estadunidenses.

O banqueiro também citou a comparação entre o BTG Pactual e a gestora estadunidense Blackstone, comandada por Stephen A. Schwarzman, de quem disse ser amigo. Para Esteves, a diferença entre os múltiplos das duas empresas era exagerada no início de 2025.

“No começo de 2025, o BTG era negociado a um múltiplo 8 vezes o preço/lucro, e a Blackstone a um múltiplo de 35 vezes. O valor de mercado deles era dez vezes o nosso, apesar de o lucro ser apenas o dobro do nosso. Eu estou bem de ter o CEP errado [a sede do BTG ser no Brasil], mas era uma diferença exagerada. Agora as coisas se corrigiram um pouco, a Blackstone é negociada a 25 vezes e o BTG a 11 vezes, depois de nossa ação ter subido mais de 100%”, comentou.

O presidente do Chile, José Antônio Kast, de direita, também discursou no evento do BTG. Ele afirmou que aprovou um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, que será encaminhado ao Congresso.

“Queremos que seja conversado, não que se fechem ao debate mesmo antes de iniciar o processo. […] Não estamos falando de um projeto ideológico, mas de como transformar, recuperar nossa pátria”.

Aposentados e pensionistas receberão o 13° do INSS mais cedo em 2026 após decisão de Lula

20 de Março de 2026, 09:08
Sede da Previdência Social. Foto: reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipou o pagamento do 13º salário para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS em 2026. O decreto foi publicado na quinta-feira (19) em edição extra do Diário Oficial da União e prevê o repasse do abono anual em duas parcelas, com impacto direto na renda de milhões de brasileiros e na economia do país.

A medida contempla segurados e dependentes que receberam, ao longo do ano, benefícios como aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, salário-maternidade ou auxílio-reclusão. Ao todo, cerca de 35,2 milhões de benefícios terão o 13º antecipado, conforme o Decreto nº 12.884.

O pagamento será feito em duas etapas. A primeira parcela, equivalente a 50% do valor do benefício, será depositada junto ao pagamento de abril, entre os dias 24 de abril e 8 de maio. Já a segunda parcela, correspondente ao restante do abono, será paga entre 25 de maio e 8 de junho. O calendário segue o número final do cartão de benefício, desconsiderando o dígito verificador.

De acordo com o Ministério da Previdência Social, a antecipação vai injetar cerca de R$ 78,2 bilhões na economia brasileira, sendo aproximadamente R$ 39 bilhões em cada parcela. O objetivo, segundo a pasta, é reforçar a renda dos beneficiários e estimular o consumo nos municípios.

Aplicativo do INSS. Foto: reprodução

O decreto também estabelece regras para casos em que o benefício seja encerrado antes do fim do ano. Nessa hipótese, o valor do 13º será calculado proporcionalmente ao período em que o segurado recebeu o benefício. O texto ainda prevê ajuste de contas caso haja diferença entre o valor antecipado e o efetivamente devido.

Dados da folha de pagamento indicam que a maioria dos beneficiários do INSS recebe até um salário mínimo. São cerca de 23,3 milhões de benefícios nessa faixa, o que representa 66,2% do total. Outros 11,9 milhões recebem acima do piso nacional, incluindo cerca de 13,7 mil que atingem o teto da Previdência, atualmente em R$ 8.475,55.

Por outro lado, nem todos os beneficiários terão direito ao 13º. Ficam de fora os que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, além dos beneficiários de Renda Mensal Vitalícia.

Tradicionalmente pago no segundo semestre, entre agosto e novembro, o abono anual foi antecipado neste ano como medida excepcional. A iniciativa alcança todos os estados e deve ter efeito relevante na economia local, especialmente em cidades que dependem fortemente da renda previdenciária.

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