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Eletricista movimentou R$ 83 milhões de ONG investigada pela PF em esquema ligado a ‘Dark Horse’

11 de Setembro de 2026, 11:53

Um eletricista, morador da Brasilândia, periferia da Zona Norte de São Paulo, aparece no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre a movimentação de milhões de reais em recursos públicos. Mas como um homem simples foi parar nos autos de investigação de um dos casos mais emblemáticos do ano? Mais informações em TVT News.

Vanderlei Magalhães Natividade está entre os alvos da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). Ele é apontado como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, Vanderlei teria movimentado mais de R$ 83 milhões do ICB entre setembro de 2023 e agosto de 2024. O documento aponta ainda que tinha acesso a todas as contas da entidade e realizava movimentações financeiras de alto valor.

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Trecho da decisão de Flávio Dino, que autorizou a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução/STF

O endereço de Vanderlei foi alvo de busca e apreensão. Ele também teve o passaporte recolhido e está proibido de deixar o país sem autorização do STF.

De eletricista a tesoureiro de entidade milionária

O perfil de Vanderlei e o volume de recursos que passaram pelas contas sob sua responsabilidade chamaram a atenção durante a investigação.

Segundo as informações reunidas no caso, Vanderlei atua como eletricista industrial e oferece serviços de instalação e manutenção de câmeras, alarmes e sistemas de controle de acesso. Ele morava, ao menos até maio deste ano, em uma casa simples nos fundos de um terreno na Brasilândia, região onde também viveram familiares de Karina da Gama.

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Fachada da casa de Vanderlei Natividade, no bairro da Brasilândia, Zona Norte de SP. — Foto: Reprodução/Polícia Civil de SP

Vanderlei chegou a se apresentar como parente “de consideração” da empresária. Ao mesmo tempo, ocupava uma posição com amplos poderes dentro do Instituto Conhecer Brasil.

A entidade mantém, entre outros projetos, um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para prestação de serviços relacionados a pontos de Wi-Fi na periferia da capital, também alvo de investigação.

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Troca de mensagens que mostra que Vanderlei Natividade se apresenta como eletricista. — Foto: Reprodução

A PF tenta agora esclarecer a origem, o destino e a justificativa das movimentações realizadas pelas organizações e empresas envolvidas.

Rede de entidades e empresas está sob investigação

A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) e teve como alvo agentes públicos, empresários, advogados e dirigentes de organizações que receberam recursos públicos.

Ao todo, 29 pessoas foram submetidas às medidas cautelares determinadas por Dino. Além de Vanderlei, estão Karina da Gama, presidente da entidade e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), além de integrantes e ex-integrantes do gabinete do parlamentar.

A investigação apura a aplicação de emendas parlamentares destinadas a projetos do Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a decisão judicial, parte do dinheiro teria sido repassada a fornecedores que mantêm relações societárias, profissionais ou familiares entre si.

A suspeita investigada é de que recursos públicos tenham sido direcionados para empresas subcontratadas irregularmente e, em alguns casos, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

Informações da Controladoria-Geral da União (CGU), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da própria Polícia Federal integram as ações. Entre os possíveis crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude e crimes relacionados a licitações.

Conexão com Mário Frias e ‘Dark Horse’

O deputado Mário Frias também está entre os alvos das buscas. A investigação apura, entre outros pontos, a destinação de recursos de emendas parlamentares para organizações relacionadas a Karina da Gama.

Frias é produtor-executivo de Dark Horse, enquanto Karina é apontada como idealizadora e produtora do projeto. Ela também prestou serviços à campanha eleitoral do parlamentar em 2022.

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PF e CGU investigam possível desvio de recursos públicos e miram deputado que destinou emendas ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama – Reprodução/Instagram

Além do deputado, a investigação alcança integrantes e ex-integrantes de seu gabinete, como Raphael Augusto Azevedo, Luiz Claudio Faria Velloso e outras pessoas relacionadas à execução dos projetos investigados.

Empresas ligadas a pessoas que mantiveram relações com o gabinete de Frias também aparecem no caso. A PF procura identificar se existia uma rede articulada para direcionar recursos públicos e posteriormente ocultar sua origem ou destino.

STF suspendeu atividades das entidades

Além das buscas, Flávio Dino determinou a suspensão das atividades do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura (ANC), outra organização ligada a Karina da Gama.

Vinte e duas empresas também ficaram proibidas de participar de licitações ou celebrar novos contratos, convênios e termos de parceria com o poder público. Os 29 investigados estão proibidos de manter contato entre si, diretamente ou por intermédio de terceiros, e não podem deixar o Brasil sem autorização do Supremo.

No caso de Vanderlei Natividade, a PF ainda tenta esclarecer como um homem que se apresenta como eletricista passou a ocupar uma posição com poderes para movimentar todas as contas de uma organização que administrou dezenas de milhões de reais.

A movimentação de mais de R$ 83 milhões atribuída a ele na decisão judicial passa a ser uma das peças para a investigação reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro público e identificar quem se beneficiou das operações.

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Homologada delação de operador de Vorcaro sobre pagamentos ao fundo ligado a Eduardo Bolsonaro

9 de Setembro de 2026, 17:02

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada (ou colaboração premiada) do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, operador financeiro responsável por movimentar recursos para a produção do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entenda com a TVT News.

Pontos-chave da delação do operador de Dark Horse

  • Conteúdo do acordo: Mineiro confirmou sete transferências bancárias, totalizando US$ 12 milhões, cerca de R$ 63 milhões
  • Quem é o delator: Antonio Carlos Freixo Júnior é dono da Entre Investimentos e Participações e atuava como operador do mercado financeiro.
  • Função para Vorcaro: Empresário “gerava” dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregando valores em malas para pagamento de propina.
  • Suspeita da PF: Investigação apura se recursos do fundo Havengate foram integralmente usados no filme ou se parte financiou Eduardo Bolsonaro nos EUA.
  • Impacto em Flávio Bolsonaro: Delação confirma pagamento em setembro de 2025, contrariando afirmação do senador, e candidato a presidente, de que último repasse foi em maio.

Delator confirma sete transferências para fundo nos EUA

O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou sete repasses, classificados como “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, entre janeiro e setembro de 2025 .

As transações totalizaram US$ 12 milhões, cerca de R$ 63 milhões, pela cotação de setembro de 2025 . Segundo a delação, a solicitação inicial de Daniel Vorcaro previa cerca de US$ 24 milhões em mais de dez parcelas até janeiro de 2026, mas apenas sete foram concluídas antes da primeira prisão do ex-banqueiro em novembro de 2025.

Audiência confirmou voluntariedade do acordo

Na terça-feira (8), a defesa de Mineiro participou de audiência com o juiz auxiliar do gabinete de Mendonça para confirmar a voluntariedade da delação, requisito legal para homologação. O encontro durou cerca de três horas no STF, e o delator afirmou não ter sofrido pressões para firmar o acordo.

A colaboração premiada, assinada com a PGR em 8 de agosto, é a primeira envolvendo o caso “Dark Horse”.

O papel de Mineiro como operador de Vorcaro

Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Daniel Vorcaro . Segundo sua delação, ele movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 a pedido do ex-banqueiro.

O esquema funcionava da seguinte forma: Mineiro recebia solicitações de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, via WhatsApp . Ele então contatava três operadores para obter dinheiro em espécie, realizando transferências bancárias para empresas indicadas por eles . Os operadores conseguiam o dinheiro no Brás, no Centro de São Paulo, e no setor de combustíveis.

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Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de delação premiada com a PGR no caso do Banco Master. Foto: Reprodução/Entrepay

As entregas das malas com dinheiro vivo ocorriam no estacionamento da sede da Entre Investimentos ou na garagem do prédio de Zettel, ambos no Itaim Bibi, em São Paulo . Mineiro e os operadores recebiam comissões de 1% e 4%, respectivamente, pelo serviço .

Para comprovar seus relatos, o empresário entregou às autoridades recibos das malas compradas para guardar o dinheiro, contratos de mútuo simulados e registros das transferências .

Suspeita da PF sobre destino dos recursos

Uma das linhas de investigação da Polícia Federal e da PGR é verificar se todos os recursos transferidos ao fundo Havengate foram efetivamente usados na produção de “Dark Horse” . A suspeita é que parte do dinheiro possa ter sido desviada para financiar Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas desde fevereiro de 2025 .

O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências e e-mails trocados com Calixto para formalizar as “subscrições de cotas”.

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Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Os pagamentos foram negociados diretamente entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, como revelaram mensagens de WhatsApp publicadas pelo Intercept Brasil.

Impacto da delação em Flávio Bolsonaro

A delação de Mineiro contradiz a versão apresentada por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, de que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025 . O sétimo pagamento, realizado em setembro de 2025, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação .

Flávio Bolsonaro vinha afirmando que os recursos foram usados “integralmente” no filme . No entanto, a PF investiga se parte do dinheiro teve outros destinos.

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Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecetp Brasil – Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil

O filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro com destaque para a facada em 2018, só deve estrear nos cinemas após as eleições deste ano. A produção teria custado R$ 75 milhões, segundo auditoria contratada pela produtora Go Up.

Entenda o caso “Dark Horse”

O escândalo envolvendo o filme “Dark Horse” teve início com a revelação de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. As conversas indicavam um acordo de cerca de R$ 134 milhões para financiar o longa sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou que o Banco Master tivesse financiado o filme, mas depois confirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. Investigações posteriores, incluindo a delação de Mineiro, revelaram que os repasses foram maiores.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

Daniel Vorcaro foi preso e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e corrupção . Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master .

Além das transferências para o Havengate, Mineiro também relatou pagamentos no exterior por meio de sua empresa sediada em Nassau, nas Bahamas, a pedido de Vorcaro, sem detalhar os beneficiários .

A defesa do delator não comentou o caso devido ao segredo de Justiça.

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