Visualização normal

Received before yesterdayTecnologia

Você pagaria? TikTok ganha plano que remove todos os anúncios

11 de Maio de 2026, 14:29
TikTok
Usuários do Reino Unido já podem optar por remover propagandas do feed principal (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O TikTok lançou uma assinatura paga de 3,99 libras mensais, cerca de R$ 27, que remove anúncios e impede o uso de dados pessoais para fins publicitários, inicialmente disponível no Reino Unido.
  • A nova modalidade, restrita a maiores de 18 anos, visa adequar a operação ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) britânico e a outras legislações locais de privacidade.
  • Para usuários que não pagarem, a rotina no aplicativo não sofrerá alterações, com anúncios personalizados continuando a ser exibidos, e uma nova área nas configurações permitirá ajustes de preferências de publicidade ou migração para o plano pago.

O TikTok anunciou nesta segunda-feira (11) a chegada de uma versão paga e livre de anúncios, para os usuários que não querem distrações na interface do app. A nova modalidade, voltada exclusivamente para maiores de 18 anos, será liberada de forma gradativa por 3,99 libras mensais (cerca de R$ 27, em conversão direta) no Reino Unido.

Além de limpar o feed de propagandas, o plano tem outro atrativo de peso em termos de privacidade: impedir que os dados pessoais dos assinantes sejam utilizados para fins publicitários.

A movimentação da ByteDance, empresa dona da rede social, reflete a forte pressão regulatória na Europa. A medida busca adequar a operação ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) britânico e a outras legislações locais de privacidade, que proíbem a coleta de dados para publicidade direcionada sem o aval explícito do usuário.

Oferecer uma versão paga resolve esse impasse jurídico. Na prática, o TikTok passa a ter o argumento legal de que entrega uma escolha real para quem deseja evitar o rastreamento online. Vale destacar que essa estratégia não é uma novidade no mercado de tecnologia. No ano passado, a Meta implementou uma tática idêntica para clientes do Facebook e do Instagram no Reino Unido.

O que muda para quem não pagar?

Assinatura sem anúncios do TikTok chega ao Reino Unido (imagem: reprodução/TikTok)

Para a maioria do público, a rotina no aplicativo não sofrerá nenhuma alteração. A rede social continuará exibindo anúncios personalizados para as contas gratuitas, operando exatamente como funciona hoje. O aplicativo só ganhou uma nova área nas configurações, permitindo que os usuários ajustem suas preferências de publicidade ou migrem para o plano pago.

Apesar de ceder à pressão europeia, o TikTok faz questão de defender o seu tradicional modelo de negócio baseado em anúncios. Segundo Kris Boger, diretor-geral do TikTok no Reino Unido, a publicidade na plataforma é uma engrenagem vital que ajuda milhares de negócios locais a encontrar novos clientes e impulsionar as vendas no varejo digital.

O TikTok sem anúncios vem para o Brasil?

Neste primeiro momento, a novidade está restrita aos usuários do Reino Unido. Não existe qualquer cronograma a respeito do lançamento da assinatura sem anúncios no Brasil ou em outros países da América Latina. O foco atual seria apenas a adequação às leis europeias.

Contudo, o histórico recente mostra que uma expansão global não está descartada. O The Verge lembrou que os testes com essa modalidade livre de propagandas começaram ainda no final de 2023. Naquela época, o vazamento de capturas de tela revelou que a plataforma estava cobrando US$ 4,99 mensais (cerca de R$ 25) de um grupo seleto de usuários para remover os anúncios nos Estados Unidos.

Você pagaria? TikTok ganha plano que remove todos os anúncios

TikTok (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

OpenAI suspende projeto Stargate no Reino Unido

10 de Abril de 2026, 16:01
Imagem com fundo em tons escuros de verde-petróleo e preto, sobre o qual estão dispostas formas circulares transparentes e brilhantes que dão profundidade. No centro, está o logotipo da empresa OpenAI: o símbolo branco estilizado em forma de flor, seguido do nome "OpenAI" em fonte branca. O logo do "Tecnoblog" aparece no canto inferior direito.
OpenAI pausa planos no Reino Unido para controle de custos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • OpenAI suspendeu o projeto Stargate UK no Reino Unido, que previa um campus com até 31 mil aceleradores da Nvidia.
  • Segundo a Bloomberg, o motivo principal foi o custo de energia e as incertezas regulatórias.
  • A dona do ChatGPT afirma que voltará a investir no país apenas quando houver “condições ideais”.

A OpenAI decidiu que, por enquanto, o Reino Unido é um lugar caro demais para os planos de infraestrutura de IA da empresa. A dona do ChatGPT suspendeu o projeto Stargate UK, um plano bilionário para erguer uma infraestrutura capaz de treinar os modelos de IA mais potentes do mundo. O campus chegou a ser planejado com até 31 mil aceleradores da Nvidia.

Segundo apuração da Bloomberg, o recuo tem motivação financeira. Avaliada em US$ 852 bilhões, a OpenAI está reduzindo gastos em projetos periféricos para chegar mais forte a uma futura oferta pública inicial de ações (IPO). Ao mesmo tempo, a decisão seria um choque de realidade para as ambições britânicas no setor.

A pausa ocorre após meses de sinais de proximidade entre a OpenAI e o governo britânico. Em outubro, pouco após anunciar o Stargate, a empresa assinou um acordo com o Ministério da Justiça do país para fornecer o ChatGPT Enterprise a 2.500 funcionários.

Conta de luz pesou

Em comunicado oficial, a empresa afirma que só voltará a investir no Reino Unido quando houver “condições ideais”. O principal entrave é a energia, pois o país tem uma das tarifas mais altas da Europa, transformando a operação de milhares de chips numa conta alta.

De acordo com a Bloomberg, a notícia atinge em cheio o governo do primeiro-ministro Keir Starmer. O partido trabalhista havia transformado os data centers em um pilar do seu plano de crescimento econômico. O projeto Stargate seria a joia da coroa de uma das “Zonas de Crescimento de IA” do governo, que agora perde seu maior investidor.

O que é o Stargate UK

Imagem aérea de um data center nos Estados Unidos
Projeto Stargate começou nos Estados Unidos e expandiu para o mundo (imagem: reprodução/OpenAI)

A OpenAI anunciou o projeto Stargate em 2025 como uma expansão dos centros de dados da empresa nos Estados Unidos, com patrocínio da Oracle e parceria com gigantes como Nvidia e Microsoft.

Em poucos meses, no entanto, a ideia se expandiu: para além da liderança norte-americana, a empresa anunciou o projeto OpenAI para Países, em que fechou parcerias com empresas internacionalmente para a construção de centros de dados. O Reino Unido esteve entre os primeiros países a entrar na iniciativa global, logo após os Emirados Árabes Unidos e a Noruega.

Foco no ChatGPT

A suspensão britânica é apenas a peça mais recente de um recuo estratégico global. Nas últimas semanas, a OpenAI já havia descontinuado o aplicativo de vídeos Sora e cancelado uma expansão de data centers no Texas que seria feita com a Oracle.

O objetivo é concentrar todos os recursos na evolução do ChatGPT e do Codex para não perder terreno para concorrentes como Google e da Anthropic, dona do Claude.

Além do encerramento deliberado, a empresa também enfrenta uma ameaça do Irã contra o projeto Stargate em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A planta é a maior entre os data centers já anunciados na iniciativa internacional, prevendo um cluster de 1 gigawatt de potência total.

OpenAI suspende projeto Stargate no Reino Unido

OpenAI (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: reprodução/OpenAI)

Meta demite funcionário acusado de baixar 30 mil fotos privadas no Facebook

7 de Abril de 2026, 17:48
Logo da Meta no Menlo Park, Califórnia
Funcionário da Meta, que já foi demitido pela empresa, teve acesso indevido a cerca de 30 mil imagens no Facebook (foto: Lucas Lima/Tecnoblog)
Resumo
  • Ex-funcionário da Meta no Reino Unido baixou cerca de 30 mil fotos privadas de usuários do Facebook;
  • A Meta afirmou que detectou o caso internamente, notificou a polícia de Londres, demitiu o funcionário e avisou aos usuários afetados;
  • A investigação aponta que o homem criou um software para burlar a segurança da plataforma, foi preso em novembro de 2025 e responde em liberdade após fiança.

Um funcionário da Meta no Reino Unido é acusado de baixar milhares de fotos de usuários do Facebook. Segundo a empresa, o homem foi demitido assim que o caso foi notificado e está sendo investigado pela unidade de crimes cibernéticos da Polícia Metropolitana de Londres.

De acordo com o material compartilhado pela agência PA Media, foram aproximadamente 30 mil imagens privadas de usuários da principal rede social da Meta. O caso foi repercutido pelo jornal britânico The Guardian.

A principal linha de investigação aponta que o ex-funcionário da empresa, que tem cerca de 30 anos de idade, desenvolveu um software capaz de driblar os mecanismos de segurança da plataforma e acessar essas imagens.

É possível recuperar fotos deletadas do Facebook (Imagem: Austin Diesel / Unsplash)
Imagens privadas foram acessadas pelo agora ex-funcionário por meio de software que driblou sistema de segurança (Imagem: Austin Diesel/Unsplash)

De acordo com a Meta, as contas afetadas já foram notificadas de que o download ocorrei e de que os sistemas de segurança foram atualizados para reforçar o bloqueio a futuros acessos indevidos. Além disso, a Meta afirma que a situação toda foi identificada internamente há cerca de um ano e prontamente levada à polícia.

Segundo a BBC, o homem chegou a ser preso em novembro de 2025, mas responde pelo crime em liberdade após pagamento de fiança. Enquanto o caso está em andamento, ele precisa avisar à Polícia Metropolitana de Londres caso tenha intenção de fazer qualquer viagem internacional.

Casos recentes da Meta na Justiça

Essa não é a primeira vez que a Meta esbarra no problema da falta de segurança para os dados de clientes. Em 2024, por exemplo, a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) processou a empresa em 91 milhões de euros (pouco mais de R$ 540 milhões) por guardar senhas utilizadas em suas redes sociais sem nenhum tipo de criptografia.

Já em 2022, a mesma DPC cobrou 265 milhões de euros (mais de R$ 1,5 bilhão) da Meta por conta de um vazamento com milhares de informações pessoais de usuários no Facebook.

Meta demite funcionário acusado de baixar 30 mil fotos privadas no Facebook

Logo da Meta no Menlo Park, Califórnia (Imagem: Lucas Lima/Tecnoblog)

É possível recuperar fotos deletadas do Facebook (Imagem: Austin Diesel / Unsplash)

Google permitirá que sites do Reino Unido fiquem de fora de respostas com IA

19 de Março de 2026, 14:42
Homem sobre palco
Google anunciou AI Overviews durante I/O 2024 (imagem: reprodução/Google)
Resumo
  • Google permitirá que sites do Reino Unido excluam seus conteúdos das ferramentas de IA da Busca, sem perder visibilidade na busca orgânica.
  • A medida responde a uma investigação da Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido sobre concorrência e transparência.
  • O mercado editorial britânico tem exigido medidas mais rigorosas, como a separação dos rastreadores de busca e IA do Google.

O Google permitirá que proprietários de sites no Reino Unido optem por não ter seus conteúdos utilizados nas ferramentas de inteligência artificial generativa da Busca. A concessão foi apresentada no documento de resposta oficial da big tech a uma consulta pública iniciada em janeiro deste ano pela Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA).

A agência reguladora busca impor novas exigências de concorrência e transparência aos serviços de busca e publicidade da empresa. O Google propõe alterações técnicas nas plataformas, mas, de acordo com o portal The Register, detalhes e cronogramas de implementação não foram especificados na proposta.

O que muda?

Atualmente, o Google oferece a possibilidade de bloquear os conteúdos nos resumos gerados por IA usando comandos tradicionais como a tag “nosnippet”. Entretanto, para sumir das respostas da inteligência artificial, o site precisa abrir mão do conteúdo na busca tradicional também.

A nova ferramenta prometida no Reino Unido permitiria, pela primeira vez, bloquear a IA sem sacrificar a visibilidade na busca orgânica. No documento enviado à CMA, o Google afirma estar “desenvolvendo atualizações adicionais em nossos controles para permitir que os sites optem especificamente por não participar dos recursos de IA generativa na Busca”, argumentando que recursos como os AI Overviews tornam os links para as fontes mais proeminentes para o usuário.

Captura de tela do Google mostrando uma Visão Geral de IA para a pesquisa "como economizar bateria do iPhone", com um resumo de texto gerado por IA e um resultado orgânico do Tecnoblog.
Exemplo de “Visão Geral de IA” do Google exibida em uma pesquisa (imagem: Gabriel Sérvio/Tecnoblog)

Em comunicado, o Google também rechaçou acusações de monopólio e de favorecimento dos próprios produtos nos resultados de busca. A empresa garante que projeta seus sistemas de classificação para mostrar os resultados mais relevantes e de maior qualidade.

A empresa criticou propostas enviadas por terceiros à CMA, afirmando que elas carecem de embasamento e que algumas delas poderiam expor seus sistemas à manipulação, dificultar o combate ao spam e atrasar melhorias na busca para os usuários.

Pressão dos editores

Apesar da concessão, o mercado editorial britânico exige medidas mais drásticas da reguladora. A Publishers Association pediu a separação completa dos rastreadores de busca do Google em relação aos seus rastreadores de IA, apontando queda de 19% nas taxas de cliques para serviços de referência acadêmica como reflexo direto da conduta da empresa.

O The Register destaca ainda que o Google precisa responder se punirá sites que optarem por ficar fora dos resumos de IA de alguma forma na classificação da busca tradicional.

No Brasil, a empresa passa por uma consulta semelhante no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O inquérito, que apura se o Google abusa de posição dominante ao exibir trechos de reportagens, evoluiu para uma discussão sobre o impacto dos Resumos de IA na audiência de sites e jornais e na queda de qualidade da informação.

Google permitirá que sites do Reino Unido fiquem de fora de respostas com IA

Google anuncia AI Overviews durante I/O 2024 (Imagem: Reprodução/Google)

Apple e Google prometem flexibilizar lojas de apps no Reino Unido

10 de Fevereiro de 2026, 12:25
Ilustração com a marca da Apple, um cadeado, e a marca do Google
Gigantes de tecnologia buscam evitar longos processos antitruste (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Apple e Google comprometeram-se a flexibilizar suas lojas de apps no Reino Unido, após investigação sobre domínio no mercado de software móvel.
  • As mudanças devem incluir critérios justos para revisão de apps e proibição de uso de dados confidenciais de terceiros para vantagem competitiva.
  • O regulador britânico irá monitorar métricas como tempo de revisão de apps, e sanções financeiras são previstas em caso de descumprimento.

Apple e Google firmaram compromissos formais para flexibilizar as operações da App Store e da Play Store no Reino Unido, segundo comunicado da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) divulgado hoje (10/02). O acordo é um desdobramento de uma investigação sobre o domínio das gigantes na distribuição de softwares móveis em solo britânico.

A movimentação representa um dos primeiros testes do novo regime de fiscalização de mercados digitais da Grã-Bretanha. Em outubro do ano passado, a CMA classificou oficialmente as duas empresas como detentoras de “status estratégico de mercado”.

O objetivo é melhorar os processos de aprovação de aplicativos e garantir que desenvolvedores independentes tenham condições de competir de forma mais justa contra os serviços nativos das donas das plataformas.

Na prática, o regulador reconhece que, como o ecossistema móvel britânico é operado quase integralmente por iOS ou Android, não existe alternativa viável para que criadores de apps alcancem o público sem se submeter às regras — e taxas — impostas por Apple ou Google.

O que pode mudar?

A principal mudança é a obrigação de utilizar critérios “justos e objetivos” para a revisão e classificação de aplicativos. Durante anos, desenvolvedores relataram que as lojas funcionavam com processos de aprovação lentos e, em certos casos, utilizados para beneficiar produtos das próprias big techs.

Com o novo compromisso, Apple e Google também estão proibidas de explorar dados confidenciais coletados durante a auditoria de apps de terceiros para obter vantagem competitiva em seus próprios serviços concorrentes. Isso impede, por exemplo, que uma plataforma utilize métricas de um app rival para aprimorar uma ferramenta nativa antes mesmo de o concorrente ser aprovado na loja.

No caso específico da Apple, as exigências são mais enérgicas. A fabricante do iPhone concordou em estabelecer caminhos para que desenvolvedores solicitem acesso a recursos de nível de sistema no iOS e iPadOS. A CMA acredita que isso permitirá que empresas de setores como pagamentos móveis, carteiras de identidade digital e ferramentas de tradução concorram em pé de igualdade com as soluções nativas da Maçã.

Para garantir que as promessas não fiquem apenas no papel, o regulador — que é o equivalente ao nosso Cade — adotará um sistema de monitoramento robusto. As empresas deverão reportar métricas como:

  • Tempo médio de revisão de aplicativos;
  • Proporção de apps rejeitados e o volume de apelações;
  • Número de solicitações de interoperabilidade técnica atendidas.
iPhone 11 Pro Max e Galaxy S20 Ultra (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)
Regulador britânico quer abrir “cadeado” dos ecossistemas móveis (imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Google afirma que plataforma já é aberta

A intervenção não é motivada apenas por questões técnicas, mas pelo enorme peso econômico do setor. O Reino Unido possui, atualmente, a maior economia de aplicativos da Europa: em 2025, o setor de desenvolvimento móvel no país foi avaliado em 28 bilhões de libras esterlinas (quase R$ 200 bilhões).

Isso representa cerca de 1,5% do PIB nacional, sustentando mais de 400 mil empregos diretos. Garantir um ambiente competitivo é visto como essencial para o crescimento de setores estratégicos, como o de fintechs e jogos eletrônicos.

Em um comunicado, também divulgado hoje, o Google argumenta que o Android já é uma plataforma “aberta” por permitir lojas de terceiros. A empresa destaca que sua loja oficial já gerou 9,9 bilhões de libras esterlinas em receita para desenvolvedores britânicos.

Caso a Apple ou o Google falhem na aplicação das mudanças, o órgão regulador poderá avançar para a imposição de sanções financeiras pesadas.

As propostas seguem em fase de consulta pública até o dia 3 de março de 2026. Se aprovadas sem alterações, as novas regras passarão a valer oficialmente em 1º de abril de 2026. Até o momento, a Apple tem evitado comentários sobre como será essa “abertura” de seus sistemas.

Apple e Google prometem flexibilizar lojas de apps no Reino Unido

Capa - Apple cadeado Google (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

iPhone 11 Pro Max e Galaxy S20 Ultra (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

A disputa de R$ 72 milhões entre Dell, Broadcom e mais empresas

16 de Janeiro de 2026, 09:56
Dell - prédio
Dell usa fim do contrato de distribuição como principal defesa (imagem: reprodução/Dell)
Resumo

A Dell Technologies formalizou um processo contra a VMware no Reino Unido, exigindo o pagamento de pelo menos 10 milhões de libras (cerca de R$ 72 milhões na cotação atual). A ação é o mais recente desdobramento de uma complexa batalha jurídica iniciada pela Tesco, a maior rede de supermercados britânica, contra a Broadcom – dona da VMware – e a revendedora Computacenter.

O caso expõe tensões decorrentes da mudança no modelo de negócios imposta pela Broadcom após adquirir a gigante de virtualização. O que começou como uma reclamação de contrato virou um “efeito dominó” jurídico envolvendo algumas das principais empresas de software.

Como a Dell foi parar no tribunal?

Para entender o papel da Dell no caso, é preciso olhar para a origem do conflito: o fim das licenças perpétuas. A Tesco alega que adquiriu licenças de software da VMware em 2021 com garantia de renovação de suporte. No entanto, após assumir o controle da empresa, a Broadcom eliminou essa modalidade, forçando a migração para assinaturas recorrentes (e mais caras). Sentindo-se lesada, a rede de supermercados processou a revendedora Computacenter e a Broadcom, pedindo mais de 100 milhões de libras em indenizações.

Nessa hora a Dell foi arrastada para a confusão. A Computacenter alega que não pode entregar o que as fabricantes se recusam a vender e processou seus fornecedores para se resguardar. A revendedora argumenta que, em 2021, a Dell – então distribuidora da VMware – enviou uma proposta que garantia preços e condições de suporte por longo prazo. Para a Computacenter, é a Dell que deve honrar essa oferta.

Logo da Dell
Antiga dona da VMware, Dell agora enfrenta a ex-subsidiária no tribunal (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Na ação recém-aberta, a gigante dos PCs sustenta que sua obrigação contratual se limitava a “comunicar à VMware qualquer solicitação de renovação”, e que essa responsabilidade dependia da companhia continuar sendo uma distribuidora autorizada. Como a Dell encerrou a parceria de distribuição com a VMware em janeiro de 2024, a empresa alega incapacidade técnica e legal de fornecer os softwares sem a cooperação da Broadcom.

Basicamente, a Dell – que agora exige indenização para cobrir eventuais perdas se o veredito for desfavorável – diz ao tribunal que se a Computacenter vencer a ação, a VMware deve pagar a conta.

Fim das licenças perpétuas e risco de desabastecimento

Tesco alerta que falta de suporte da VMware pode afetar abastecimento (imagem: reprodução)

A base da disputa é a decisão da Broadcom de encerrar o suporte a licenças antigas. Nos autos do processo, a Tesco afirma que o software da VMware é “essencial para as operações e a resiliência dos negócios”, gerenciando cerca de 40 mil cargas de trabalho em servidores. Isso inclui desde os caixas das lojas até a logística de fornecimento de alimentos em todo o Reino Unido e Irlanda.

O alerta da varejista é grave: sem as atualizações e o suporte contratado, pode haver interrupções no abastecimento de produtos alimentícios para milhões de consumidores.

A Broadcom, por sua vez, não parece disposta a recuar. A gigante dos chips sustenta que os produtos solicitados pela Tesco foram descontinuados e não são mais comercializados. A empresa argumenta ainda que não pode ser obrigada a dar suporte a softwares obsoletos e que tentou negociar um novo acordo de assinatura com a rede de supermercados, que teria ignorado as propostas.

O impasse criou uma situação inusitada, onde Tesco, Broadcom, Computacenter e Dell tentam empurrar a responsabilidade financeira uns para os outros.

A disputa de R$ 72 milhões entre Dell, Broadcom e mais empresas

Dell (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Polícia britânica baseou estratégia de segurança em dado falso gerado por IA

14 de Janeiro de 2026, 15:26
Bandeira do Reino Unido
Corporação usou dados de partida que nunca existiu para banir torcida israelense (imagem: Chris Colhoun/Flickr)
Resumo
  • A polícia de West Midlands, no Reino Unido, usou dados falsos gerados pelo Microsoft Copilot para banir torcedores do Maccabi Tel Aviv em um jogo.
  • O chefe de polícia, Craig Guildford, admitiu o erro após inicialmente negar o uso de IA, atribuindo-o a uma “raspagem de dados de redes sociais”.
  • A investigação revelou viés de confirmação e informações exageradas, levando a críticas  políticas e questionamentos sobre a liderança de Guildford.

A polícia do condado de West Midlands, no Reino Unido, admitiu ter utilizado informações falsas geradas por inteligência artificial para embasar decisões de segurança pública. A corporação confirmou que incluiu, em um relatório oficial, uma partida de futebol que nunca correu, mas que levou ao banimento da torcida do Maccabi Tel Aviv no jogo contra o Aston Villa pela Liga Europa.

Os dados do jogo inexistente, segundo a instituição, foram alucinações do Microsoft Copilot. O reconhecimento do erro veio por meio de uma carta enviada ao Comitê de Assuntos Internos do Parlamento britânico, na qual a polícia admite não ter havido a devida checagem dos fatos.

No documento, o chefe da força policial, Craig Guildford, reverteu declarações anteriores e confirmou que a ferramenta da Microsoft foi a fonte da desinformação utilizada para justificar restrições a um grupo de torcedores.

Em dezembro, quando questionado inicialmente sobre a inconsistência no relatório, Guildford havia negado o uso de IA. Na ocasião, ele atribuiu o erro a uma “raspagem de dados de redes sociais”.

Jogo que nunca existiu

Imagem mostra jogadores de futebol correndo atrás da bola durante um jogo
Aston Villa venceu o Maccabi Tel Aviv por 2 a 0 (imagem: reprodução/Aston Villa FC)

O relatório defeituoso tinha como objetivo avaliar os riscos de uma partida real pela Liga Europa, realizada em novembro do ano passado, entre o time inglês Aston Villa e o israelense Maccabi Tel Aviv. O documento classificou o evento como de “alto risco”, recomendando o banimento de torcedores visitantes.

Para sustentar a decisão, o texto citava supostos “confrontos violentos e crimes de ódio” ocorridos em um jogo anterior entre o Maccabi e o West Ham. O problema é que essa partida jamais aconteceu: a IA inventou o confronto e o histórico de violência, e os oficiais responsáveis pelo relatório incluíram a informação no documento final sem verificar a veracidade.

Erro deve custar cargos na corporação

O caso escalou para a esfera política nacional. Após a revelação do uso da IA, a secretária do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, declarou ter “perdido a confiança” na liderança de Craig Guildford.

Segundo o jornal The Guardian, uma investigação independente conduzida pelo inspetorado de polícia (HMICFRS) concluiu que o relatório não continha apenas o erro da partida inventada. De acordo com a apuração, outras informações sobre a torcida israelense foram “exageradas ou simplesmente falsas”.

O logo do Microsoft Copilot, composto por quatro formas que se conectam, cada uma em uma cor vibrante (azul, ciano, amarelo e roxo), em um fundo de gradiente suave com as mesmas cores do logo. O logo está centralizado em um quadrado branco com bordas arredondadas. No canto inferior direito, a marca d'água "tecnoblog" é visível.
Polícia usou Microsoft Copilot para gerar relatório e não confirmou dados (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O inspetor Andy Cooke apontou que a força policial sofreu de “viés de confirmação”, buscando dados (reais ou alucinados) que apenas confirmassem a decisão prévia de banir os torcedores, em vez de avaliar o cenário objetivamente.

Mahmood afirmou que o episódio representa uma “falha de liderança” que prejudicou a reputação da polícia britânica como um todo. Embora a secretária não tenha poder direto para demitir o chefe de polícia (uma prerrogativa do comissário local), ela indicou que buscará “garantias urgentes” de que mudanças serão feitas na corporação.

Vale lembrar que o Copilot, como tantas outras IAs, exibe avisos na interface alertando que “pode cometer erros”. Mesmo assim, a ferramenta foi utilizada para gerar dados sensíveis de inteligência policial sem a validação necessária. A Microsoft não comentou o caso.

Polícia britânica baseou estratégia de segurança em dado falso gerado por IA

Reino Unido realiza primeira apreensão de NFTs (Imagem: Chris Colhoun/Flickr)

Aston Villa venceu o Maccabi Tel Aviv por 2 a 0 (imagem: reprodução/Aston Villa FC)

Microsoft Copilot (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Reino Unido quer nudez bloqueada por padrão em iPhones e Android

15 de Dezembro de 2025, 13:06
Ilustração com a marca da Apple, um cadeado, e a marca do Google
Plano inicial foca primeiro em iPhones e dispositivos Android (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O governo do Reino Unido pressiona Apple e Google para implementar filtros automáticos de nudez em iPhones e Androids.
  • A proposta visa impedir a exposição precoce de crianças à pornografia e proteger contra aliciamento online.
  • A medida, contudo, enfrenta resistência devido a preocupações com privacidade e eficácia técnica.

O governo do Reino Unido articula uma nova estratégia para incentivar Apple e Google a adotarem algoritmos de detecção de nudez no iOS e Android. A proposta é bloquear imagens explícitas por padrão, exigindo que os usuários comprovem a maioridade para acessar ou compartilhar esse tipo de conteúdo.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (15/12) pelo Financial Times. De acordo com o jornal, o objetivo central é impedir que crianças e adolescentes sejam expostos à pornografia precocemente ou se tornem vítimas de aliciamento online por adultos.

A reportagem explica que as autoridades britânicas consideraram transformar esses controles em um requisito obrigatório para todos os aparelhos vendidos no país. A medida mira inicialmente smartphones, mas há planos para estendê-la também a computadores.

Como funcionaria a verificação e o bloqueio?

Foto de pessoas sentadas usando smartphones. O foco da imagem são os smartphones, e as pessoas não aparecem.
Ferramenta usaria IA e funcionaria localmente no aparelho (imagem: Robin Worrall/Unsplash)

A proposta sugere que os sistemas identifiquem, por meio de inteligência artificial, a presença de nudez em fotos e vídeos. Caso o conteúdo seja detectado, ele seria automaticamente ocultado. Para visualizar ou enviar tais arquivos, o usuário precisaria realizar uma verificação de idade.

Essa validação seria feita por dados biométricos ou envio de documentos de identidade oficiais. A medida criaria uma barreira digital na qual somente adultos verificados teriam a liberdade de desativar os filtros de conteúdo.

Além disso, a proposta inclui uma cláusula específica para criminosos sexuais condenados por crimes contra crianças: para este grupo, os bloqueadores de conteúdo ficariam permanentemente ativados, sem opção de desligamento.

A ministra da proteção à infância do Reino Unido, Jess Phillips, citou como exemplo positivo a tecnologia HarmBlock, desenvolvida pela empresa britânica SafeToNet e utilizada em dispositivos da HMD Global. Esse software detecta e bloqueia automaticamente imagens explícitas e seria o modelo para o que o governo espera ver implementado pelas gigantes do Vale do Silício.

Medida enfrenta resistência

Embora Apple e Google já ofereçam ferramentas de controle parental, o governo britânico avalia que as soluções atuais são insuficientes. A Apple possui o recurso Segurança de Comunicação, que alerta sobre nudez no iMessage, AirDrop e FaceTime, mas afirma que adolescentes podem ignorar o aviso e visualizar a imagem. O Google, por outro lado, já oferece o Family Link e avisos de conteúdo sensível.

A principal lacuna identificada é que os bloqueios atuais não se estendem a aplicativos de terceiros. Plataformas de mensagens populares, como WhatsApp e Telegram, muitas vezes operam fora do alcance das ferramentas nativas de controle parental. A nova proposta busca um bloqueio na “raiz” do sistema, que funcionaria independentemente do aplicativo utilizado.

A medida, contudo, enfrenta resistência. Grupos de defesa das liberdades civis e privacidade argumentam que a varredura de conteúdo nos dispositivos dos usuários pode criar precedentes perigosos para a vigilância em massa. Há também dúvidas sobre a eficácia técnica da verificação de idade. Muitos usuários podem tentar contornar as restrições utilizando redes privadas virtuais (VPNs) ou fotos falsas, por exemplo.

O movimento britânico segue uma tendência global de regulação, semelhante às políticas recentes da Austrália. No entanto, o Reino Unido optou por não seguir a proibição de uso de redes sociais para menores de 16 anos, preferindo focar na filtragem de conteúdo.

Reino Unido quer nudez bloqueada por padrão em iPhones e Android

Capa - Apple cadeado Google (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(Imagem: Robin Worrall / Unsplash)

Microsoft não pode barrar revenda de software “usado”, decide Reino Unido

14 de Novembro de 2025, 14:56
Arte com o logo da Microsoft ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Microsoft não pode barrar revenda de software “usado”, decide Reino Unido (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Tribunal de Apelações da Concorrência do Reino Unido decidiu que Microsoft não pode proibir revenda de licenças de software “usados”;
  • Microsoft argumentou que revenda fere direitos autorais, mas tribunal não aceitou essa justificativa;
  • ValueLicensing, empresa que abriu o processo, quer indenização de 270 milhões de libras da Microsoft.

Em 2021, a Microsoft foi processada no Reino Unido pela ValueLicensing, empresa especializada em revenda de licenças de software que não são mais usados. A Microsoft tem cláusulas contratuais que impedem esse tipo de operação e tentou usar o argumento dos direitos autorais para mantê-las, mas não teve sucesso com isso.

A ValueLicensing revende licenças de software que organizações adquiriram em algum momento, mas não usam mais. É como passar para frente um software “usado”. Para isso, a companhia trabalha com licenças perpétuas ou permanentes, isto é, que não estabelecem um período de tempo de uso, ao contrário das que são encontradas em contratos de assinatura, por exemplo.

No processo judicial, a ValueLicensing afirma que as cláusulas que a Microsoft inclui nas licenças de seus softwares que proíbem revenda são ilegais e causam prejuízos milionários.

O que mais surpreende, porém, é que, em vez de insistir no argumento de que não há ilegalidade nas tais cláusulas, como no início, a Microsoft mudou de postura no decorrer do processo e passou a argumentar que a revenda de licenças fere direitos autorais.

Isso porque, no entendimento da Microsoft, ferramentas do Office (como Word e Excel), por exemplo, contam com elementos gráficos como ícones, fontes e arquivos de ajuda que os qualificam como obras criativas e que, portanto, devem ser protegidas por copyright.

Mas essa argumentação não foi aceita. Em decisão proferida nesta semana, o Tribunal de Apelações da Concorrência do Reino Unido deu a entender que não há nada nos softwares da Microsoft que justifique um mecanismo de proteção de direitos autorais.

Todos os atalhos do Microsoft Word
Elementos gráficos do Office não foram aceitos no argumento de direitos autorais (imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

Microsoft pretende recorrer

Ao The Register, a ValueLicensing celebrou a decisão: “a ValueLicensing sempre acreditou que estava conduzindo um negócio legítimo, fundamentado nos princípios da Diretiva Europeia de Software”.

Também procurada, a Microsoft informou ao veículo o seguinte: “discordamos da decisão e pretendemos recorrer”.

Mesmo que a Microsoft decidisse não recorrer, o processo ainda estaria longe do fim. Isso porque, mais do que ter o caminho livre para revender licenças, a ValueLicensing quer que a Microsoft a indenize em 270 milhões de libras esterlinas, algo equivalente a R$ 1,87 bilhão na conversão atual. O aspecto da indenização ainda não foi tratado pelos tribunais.

Microsoft não pode barrar revenda de software “usado”, decide Reino Unido

Microsoft (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Atalhos de teclado do Word podem aumentar a sua produtividade (Imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

13 de Novembro de 2025, 06:17
Uma ilustração digital de um perfil de cabeça humana, formada por linhas e pontos luminosos azuis que simulam uma rede neural ou mapeamento digital. Ao lado direito, em letras brancas, a sigla "AI" (Inteligência Artificial). O fundo é escuro com leves pontos de luz. No canto inferior direito, o logo "tecnoblog".
IA dificulta distinguir músicas humanas de sintéticas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • 97% dos ouvintes não distinguem músicas feitas por IA das compostas por humanos.
  • Deezer implementou etiquetas para identificar músicas criadas por IA e excluiu essas faixas de playlists editoriais.
  • A proporção de faixas geradas por IA nas plataformas de streaming aumentou de 18% para 33% desde abril.

Uma pesquisa encomendada pela Deezer e conduzida pela Ipsos revelou que 97% das pessoas não conseguem distinguir músicas produzidas por inteligência artificial das compostas por artistas humanos. O estudo, que ouviu 9 mil participantes em oito países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França, reforça as preocupações sobre o impacto da IA na criação e monetização da música.

Os dados indicam uma divisão de opiniões entre os ouvintes: enquanto 73% defendem que faixas feitas por IA sejam claramente identificadas nas plataformas, 45% gostariam de poder filtrá-las e 40% afirmam que evitariam esse tipo de conteúdo. Além disso, 71% disseram ter se surpreendido ao perceber que não conseguiram reconhecer a origem das canções.

O consumo de músicas geradas por IA

A pesquisa destaca o crescimento acelerado de conteúdos criados por inteligência artificial nas plataformas de streaming. Segundo a Deezer, atualmente são enviadas mais de 50 mil faixas geradas por IA por dia — cerca de um terço. Em abril, essa proporção era de apenas 18%.

Diante do avanço, a plataforma implementou medidas para aumentar a transparência: passou a incluir etiquetas que identificam músicas criadas por IA e retirou esse tipo de conteúdo das playlists editoriais e das recomendações automáticas. “Acreditamos firmemente que a criatividade é gerada por seres humanos e que eles devem ser protegidos”, declarou o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, à agência Reuters.

Deezer
Deezer aponta dificuldade em diferenciar músicas feitas por IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como o setor musical reage à popularização das faixas sintéticas?

O crescimento das músicas criadas por IA tem provocado tensões no mercado. Lanternier afirmou que a criação de modelos de remuneração diferenciados para faixas sintéticas ainda é um desafio complexo, mas destacou que a Deezer já começou a excluir reproduções falsas do cálculo de royalties.

Casos recentes reforçam a preocupação da indústria. A banda virtual The Velvet Sundown, criada por IA, chegou a conquistar mais de 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify antes de sua origem artificial ser descoberta. Já o Universal Music Group firmou um acordo judicial com a startup Udio e anunciou planos para lançar uma ferramenta de criação musical com IA em 2026.

97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

Cloudflare declara guerra a bots de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Deezer (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Milhões de pessoas devem se recusar a abandonar o Windows 10

8 de Outubro de 2025, 12:05
Monitor exibindo o Windows 10
Milhões de pessoas devem se recusar a abandonar o Windows 10 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Resumo
  • Suporte ao Windows 10 termina em 14 de outubro de 2025; pesquisa aponta que 26% dos usuários no Reino Unido continuarão usando o sistema após essa data;
  • 39% dos usuários planejam migrar para o Windows 11 sem trocar de computador; 14% pretendem comprar um novo PC;
  • Microsoft oferecerá suporte estendido de segurança para o Windows 10 por meio do programa ESU, disponível por até três anos para organizações e um ano para consumidores.

A Microsoft encerrará o suporte ao Windows 10 em 14 de outubro de 2025. Isso significa que o sistema operacional não será mais atualizado. Apesar disso, uma pesquisa no Reino Unido sugere que milhões de usuários continuarão usando computadores com Windows 10 após o fim do suporte.

A pesquisa foi feita pela Which? por meio de entrevistas com mais de 2.000 pessoas no Reino Unido. 26% dos participantes revelaram que continuarão a usar o Windows 10 mesmo quando a Microsoft deixar de atualizar o sistema operacional.

Estima-se que, atualmente, 21 milhões de pessoas têm um notebook ou um desktop com Windows 10 no Reino Unido. Isso significa que mais de 5 milhões de britânicos manterão o sistema em uso, apesar dos riscos.

Ainda de acordo com a Which?, 39% dos usuários do Windows 10 pretendem migrar para o Windows 11, mas sem mudar de computador. Outros 14% relataram a intenção de adquirir um PC novo. Enquanto isso, 11% ainda não decidiram o que fazer e 6% planejam migrar para outro sistema operacional, como uma distribuição Linux.

Embora tenha sido focada no Reino Unido, a pesquisa é um reflexo do que deve ocorrer em outros países. Isso porque migrar de sistema operacional não é uma tarefa simples.

Um complicador é o fato de computadores antigos (em geral, aqueles fabricados antes de 2017) não serem suportados pelo Windows 11, logo, o uso dessa versão exige troca de máquinas nessas circunstâncias.

Já em organizações, especialmente naquelas com um número muito grande de PCs, a troca de computadores ou de versão do Windows requer um planejamento cuidadoso para que sistemas não sejam prejudicados ou evitar o surgimento de brechas de segurança.

É possível obter suporte estendido para o Windows 10

Caixa do assistente de ESU para Windows 10
Caixa do assistente de ESU para Windows 10 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Para usuários domésticos ou organizações que precisam de mais tempo para migrar de sistema operacional, a Microsoft vai oferecer um período de suporte estendido para o Windows 10 que envolve apenas atualizações de segurança. Isso será feito por meio do programa ESU, sigla em inglês para Atualizações de Segurança Estendidas.

O ESU para organizações pode ser contratado por até três anos mediante o pagamento de uma taxa que aumenta de valor em cada renovação anual.

Já os consumidores podem contratar o ESU por apenas um ano pagando uma taxa de US$ 30 ou usando as opções gratuitas, que envolvem ativar a função Backup do Windows ou resgatar pontos do programa Microsoft Rewards.

Saiba mais sobre como ativar o suporte estendido do Windows 10.

Milhões de pessoas devem se recusar a abandonar o Windows 10

Windows 10: veja como ativar o suporte estendido da Microsoft (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Caixa do assistente de ESU para Windows 10 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Reino Unido exige novamente acesso a backups de clientes da Apple

1 de Outubro de 2025, 17:57
Logotipo da Apple
Apple desativou criptografia no Reino Unido em resposta a uma ordem anterior (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Reino Unido exigiu que a Apple criasse um backdoor para acessar dados criptografados de cidadãos britânicos no iCloud.
  • A Apple vem se recusando a acatar a ordem, citando riscos de privacidade global e violação de segurança.
  • A medida pode criar vulnerabilidades globais, afetando milhões de contas de usuários do iCloud.

O governo do Reino Unido exigiu novamente que a Apple crie um backdoor para dados de usuários criptografados e armazenados no iCloud, segundo uma reportagem do Financial Times. Dessa vez, porém, a medida seria mais restrita, aplicando-se apenas a cidadãos britânicos.

O UK Home Office, como é chamado o ministério responsável pela segurança do país, recusou comentar o assunto. Ordens desse tipo costumam ser secretas.

Reino Unido já tentou, mas desistiu

O assunto não é novo. Em janeiro de 2025, o Reino Unido teria emitido pela primeira vez uma notificação de capacidade técnica (TCN, na sigla em inglês), segundo o jornal The Washington Post.

A ordem secreta exigia que a Apple criasse um backdoor para autoridades de segurança acessarem arquivos em investigações. O assunto não poderia ser revelado ao público ou a usuários. Em resposta, a Apple entrou com um recurso para não ter de cumprir a ordem.

Bandeira do Reino Unido
Reino Unido alega preocupações com segurança (foto: Chris Colhoun/Flickr)

Outra medida foi deixar de oferecer no Reino Unido a Proteção Avançada de Dados do iCloud, que aplica criptografia de ponta a ponta nos arquivos armazenados, de modo que só o usuário possa acessar o conteúdo. Sem a criptografia, arquivos obtidos sob ordem judicial podem ser abertos pelas autoridades.

“Como dissemos várias vezes, nunca construímos ou construiremos um backdoor ou uma chave-mestra para nenhum dos nossos produtos ou serviços”, disse a Apple na ocasião.

O assunto envolveu até mesmo o governo dos Estados Unidos, que pressionou as autoridades britânicas, alegando possíveis violações à legislação americana que rege o armazenamento na nuvem. Em agosto de 2025, Tulsi Gabbard, chefe da inteligência dos EUA, anunciou que o Reino Unido tinha desistido da exigência de um backdoor no iCloud.

Backdoor seria risco para todos

Por mais que o pedido envolva uma empresa americana e o governo britânico, um backdoor na criptografia do iCloud pode representar um risco de privacidade para todos os usuários do serviço, em qualquer parte do mundo.

Ao Financial Times, Caroline Wilson Palow, diretora da ONG Privacy International, diz que uma exceção na segurança seria, na prática, uma “vulnerabilidade com potencial para ser explorada por estados inimigos, criminosos e outros agentes mal-intencionados por todo o mundo”.

Com informações do Financial Times e do Verge

Reino Unido exige novamente acesso a backups de clientes da Apple

Apple (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Reino Unido realiza primeira apreensão de NFTs (Imagem: Chris Colhoun/Flickr)

Meta libera Instagram sem anúncios no Reino Unido, mas isso tem um preço

26 de Setembro de 2025, 12:30
Arte com a logomarca da Meta ao centro e o rosto de Mark Zuckerberg abaixo. Na parte inferior direita está a logomarca do Tecnoblog.
Lançamento ocorre após negociações com órgão de privacidade do Reino Unido (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo

A Meta confirmou que irá lançar um novo modelo de assinatura paga no Reino Unido para usuários do Facebook e Instagram com 18 anos ou mais. A grande vantagem é a experiência sem anúncios nas plataformas, uma vitória para a big tech que chega após muita discussão com o órgão de fiscalização de privacidade do país, o Information Commissioner’s Office (ICO).

Apesar da mudança, a empresa afirma que a opção de continuar utilizando os serviços gratuitamente, com a exibição de anúncios personalizados, permanecerá disponível para todos.

Quanto vai custar a assinatura da Meta?

A Meta começará a notificar os usuários britânicos sobre a nova opção de assinatura nas próximas semanas. Os interessados terão algumas opções para se inscrever nos planos sem anúncios. Para acesso via navegador, o custo será menor: 2,99 libras (aproximadamente R$ 21) por mês para cada rede social. Para os aplicativos móveis, seja no iPhone ou Android, o valor será de 3,99 libras mensais (quase R$ 30 na cotação atual).

A companhia atribuiu o preço mais elevado nos aplicativos às taxas de comissão cobradas pela Apple e pelo Google em suas lojas.

Capa Instagram Facebook
Reino Unido será laboratório para testar novo modelo de monetização da Meta (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Caminho diferente da União Europeia

O lançamento ocorre em um momento conturbado para a Meta, que busca conciliar seu modelo de negócios baseado em publicidade com as exigências de privacidade na Europa. Em 2023, a empresa chegou a lançar um modelo de assinatura semelhante nos países do bloco. No entanto, a medida foi alvo de críticas por parte de reguladores e defensores da privacidade, que argumentaram que o custo não oferecia aos usuários uma “escolha verdadeiramente livre”.

Em abril, a Meta foi multada em 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) após os reguladores concluírem que o sistema ainda violava regras antitruste. Apesar de a companhia de Zuckerberg ter ajustado o serviço para se alinhar às exigências, em julho, a Comissão Europeia solicitou novas alterações, sinalizando que a empresa poderia enfrentar multas diárias se as modificações fossem consideradas insuficientes.

Bandeiras da União Europeia
Iniciativa no Reino Unido contrasta com batalhas regulatórias e multas que a empresa enfrenta na UE (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)

O lançamento no Reino Unido, com aprovação de um regulador local, posiciona o país como um ambiente regulatório potencialmente mais favorável para as grandes empresas de tecnologia que exploram modelos de negócios alternativos.

Em comunicado, a big tech destacou a cooperação com o ICO e contrastou o resultado com as dificuldades encontradas na UE. “Essa abordagem e esse resultado diferenciam o Reino Unido da UE, onde temos mantido discussões semelhantes com os reguladores”, afirmou a empresa. O órgão britânico, por sua vez, manifestou apoio à iniciativa.

Um porta-voz do ICO declarou que a entidade “acolheu” o novo modelo de assinatura. “Isso afasta a Meta de direcionar anúncios aos usuários como parte dos termos e condições padrão para uso de seus serviços do Facebook e Instagram, o que deixamos claro que não está de acordo com a lei do Reino Unido”.

Vale destacar que a introdução do modelo de assinatura está, por enquanto, restrita ao Reino Unido. Ainda não há nenhuma previsão de lançamento ou expansão do serviço para outros mercados globais, como o Brasil.

Meta libera Instagram sem anúncios no Reino Unido, mas isso tem um preço

Mark Zuckerberg é fundador e CEO da Meta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(Imagem: Vitor Padua/Tecnoblog)

Bandeiras da União Europeia (Imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)
❌