Atualização espalhará publicidade pelos resultados de pesquisa (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Resumo
Apple vai aumentar a exibição de anúncios na App Store a partir de 2026.
A publicidade será distribuída ao longo da rolagem da página, sem controle dos anunciantes sobre a posição dos anúncios.
O sistema Apple Ads usará um algoritmo para determinar a posição dos anúncios com base na relevância e no valor pago pelos anunciantes.
A Apple comunicou que vai aumentar a exibição de propagandas dentro da App Store. Na página de suporte, a empresa afirma que a mudança começa a valer em 2026.
A fabricante do iPhone justifica a alteração citando o alto engajamento das pesquisas, consideradas a principal porta de entrada para downloads na plataforma e algo atraente para os anunciantes.
Segundo a Apple, quase 65% dos downloads ocorrem após uma pesquisa, razão pela qual vai introduzir “anúncios adicionais em todas as consultas de pesquisa”.
O que vai mudar?
Com a nova política, a publicidade deve ser pulverizada. Mais anúncios serão inseridos na rolagem da página, intercalados com os resultados de uma busca. Atualmente, a loja de aplicativos do iPhone limita a publicidade a um único local nobre: o topo da lista de resultados.
A nova dinâmica retira do anunciante o controle sobre a posição da propaganda. Segundo a documentação da Apple, os desenvolvedores não poderão selecionar ou dar lances exclusivos para aparecer no topo ou no meio da lista.
O sistema do Apple Ads utilizará um algoritmo para determinar o melhor local de exibição com base na relevância do aplicativo para a consulta do usuário e no valor do lance oferecido. A empresa esclarece que nenhuma ação extra será necessária por parte dos anunciantes.
Novos espaços publicitários estarão disponíveis em 2026 (foto: André Fogaça/Tecnoblog)
Propaganda para ganhar mais dinheiro
A adoção de mais espaços publicitários no iOS já era prevista. Em outubro, o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, relatou o plano da Apple. A ideia seria abrir novas frentes de receita via anúncios — movimento que ocorre de forma gradual há anos dentro da fabricante do iPhone.
Há não muito tempo, vale lembrar, a Apple foi duramente criticada após exibir propagandas para F1: O Filme, produção da própria Apple TV, no app Carteira (Wallet). Depois da polêmica, a empresa passou a oferecer uma opção para desativar esses anúncios.
Justiça da Bahia determinou que empresa deve retirar anúncios sem custo extra (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Resumo
A Justiça da Bahia condenou a Amazon a retirar anúncios do Prime Video e pagar R$ 3 mil por danos morais a um cliente, devido a prática considerada abusiva.
A decisão destacou que a mudança no serviço violou o Código de Defesa do Consumidor, ao introduzir anúncios e cobrar taxa extra sem aviso prévio adequado.
A juíza rejeitou a defesa da Amazon, afirmando que a inclusão de publicidade alterou a natureza do serviço, contrariando o contrato inicial.
A Amazon foi condenada pela Justiça da Bahia a suspender a exibição de anúncios que interrompem filmes e séries no Prime Video para um cliente de Salvador. A decisão, proferida pela juíza Dalia Zaro Queiroz, do Juizado Especial do Consumidor, determinou também que a empresa não cobre valor adicional para restabelecer o serviço sem propagandas.
Além disso, a gigante do varejo deverá pagar R$ 3 mil por danos morais, sob o entendimento de que a alteração do contrato violou o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
No entanto, para manter esse padrão, a empresa passou a exigir o pagamento de uma taxa extra de R$ 10 mensais. Para a Justiça, essa manobra forçou o cliente a pagar mais caro para ter acesso às mesmas condições que já haviam sido contratadas no momento da assinatura.
Prática foi considerada abusiva
Juíza determina fim da publicidade, sem cobrança extra, e indenização (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)
Um dos pilares da sentença foi o enquadramento da conduta da Amazon como “bait-and-switch” (isca e troca). Na decisão, a juíza detalhou que essa prática comercial desleal ocorre quando o fornecedor atrai o consumidor com uma oferta vantajosa — neste caso, um serviço de streaming com preço acessível e sem anúncios — para, mais tarde, alterar as regras do jogo.
Ao modificar o serviço, a Amazon teria frustrado a legítima expectativa criada pelo cliente. Para o tribunal, a estratégia mirou aumentar a receita da empresa às custas da lesão ao contrato inicial e da boa-fé do assinante.
A decisão também foi dura quanto à violação do dever de transparência. Ficou comprovado no processo que a comunicação sobre a mudança no serviço foi feita com apenas 48 horas de antecedência. Esse prazo foi considerado desrespeitoso, impedindo que o consumidor tivesse tempo hábil para decidir sobre a continuidade da assinatura.
O que diz a Amazon?
Empresa alegou que qualidade foi mantida, mas argumento foi rejeitado (imagem: Thibault Penin/Unsplash)
Em sua defesa, a Amazon sustentou que não houve modificação substancial na prestação do serviço. Ela argumentou que o catálogo de filmes, séries e a qualidade técnica da transmissão foram mantidos integralmente. Além disso, a companhia alegou que os Termos de Uso da plataforma preveem a possibilidade de atualizações e alterações nas condições do serviço, o que, em sua visão, legitimaria a inclusão dos anúncios.
A magistrada, contudo, rejeitou essa tese. Na sentença, foi reafirmado que cláusulas contratuais genéricas em contratos de adesão não se sobrepõem ao dever de informação clara e prévia determinado pelo CDC. A Justiça entendeu que a introdução de publicidade muda a natureza do produto entregue, descaracterizando o serviço originalmente vendido.
Diante da falha na prestação do serviço, a juíza declarou a abusividade da cobrança adicional. Além do pagamento da indenização, a sentença determina o cumprimento imediato da suspensão dos anúncios para o autor da ação, reforçando o entendimento de que plataformas digitais globais devem respeitar a legislação local de proteção ao consumidor.
Já em nota ao Tecnoblog, a Amazon disse que não comenta decisões judiciais e ressaltou que, diferentemente do que afirma a decisão, “comunicou seus clientes sobre a inserção de anúncios no Prime Video em fevereiro/2025 e as alterações entraram em vigor somente a partir de 2 de abril/2025”.
Lançamento ocorre após negociações com órgão de privacidade do Reino Unido (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Resumo
A Meta confirmou que irá lançar um novo modelo de assinatura paga no Reino Unido para usuários do Facebook e Instagram com 18 anos ou mais. A grande vantagem é a experiência sem anúncios nas plataformas, uma vitória para a big tech que chega após muita discussão com o órgão de fiscalização de privacidade do país, o Information Commissioner’s Office (ICO).
Apesar da mudança, a empresa afirma que a opção de continuar utilizando os serviços gratuitamente, com a exibição de anúncios personalizados, permanecerá disponível para todos.
Quanto vai custar a assinatura da Meta?
A Meta começará a notificar os usuários britânicos sobre a nova opção de assinatura nas próximas semanas. Os interessados terão algumas opções para se inscrever nos planos sem anúncios. Para acesso via navegador, o custo será menor: 2,99 libras (aproximadamente R$ 21) por mês para cada rede social. Para os aplicativos móveis, seja no iPhone ou Android, o valor será de 3,99 libras mensais (quase R$ 30 na cotação atual).
A companhia atribuiu o preço mais elevado nos aplicativos às taxas de comissão cobradas pela Apple e pelo Google em suas lojas.
Reino Unido será laboratório para testar novo modelo de monetização da Meta (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Caminho diferente da União Europeia
O lançamento ocorre em um momento conturbado para a Meta, que busca conciliar seu modelo de negócios baseado em publicidade com as exigências de privacidade na Europa. Em 2023, a empresa chegou a lançar um modelo de assinatura semelhante nos países do bloco. No entanto, a medida foi alvo de críticas por parte de reguladores e defensores da privacidade, que argumentaram que o custo não oferecia aos usuários uma “escolha verdadeiramente livre”.
Em abril, a Meta foi multada em 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) após os reguladores concluírem que o sistema ainda violava regras antitruste. Apesar de a companhia de Zuckerberg ter ajustado o serviço para se alinhar às exigências, em julho, a Comissão Europeia solicitou novas alterações, sinalizando que a empresa poderia enfrentar multas diárias se as modificações fossem consideradas insuficientes.
Iniciativa no Reino Unido contrasta com batalhas regulatórias e multas que a empresa enfrenta na UE (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)
O lançamento no Reino Unido, com aprovação de um regulador local, posiciona o país como um ambiente regulatório potencialmente mais favorável para as grandes empresas de tecnologia que exploram modelos de negócios alternativos.
Em comunicado, a big tech destacou a cooperação com o ICO e contrastou o resultado com as dificuldades encontradas na UE. “Essa abordagem e esse resultado diferenciam o Reino Unido da UE, onde temos mantido discussões semelhantes com os reguladores”, afirmou a empresa. O órgão britânico, por sua vez, manifestou apoio à iniciativa.
Um porta-voz do ICO declarou que a entidade “acolheu” o novo modelo de assinatura. “Isso afasta a Meta de direcionar anúncios aos usuários como parte dos termos e condições padrão para uso de seus serviços do Facebook e Instagram, o que deixamos claro que não está de acordo com a lei do Reino Unido”.
Vale destacar que a introdução do modelo de assinatura está, por enquanto, restrita ao Reino Unido. Ainda não há nenhuma previsão de lançamento ou expansão do serviço para outros mercados globais, como o Brasil.