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Octaciano Neto: ‘A relação entre Faria Lima e o agronegócio não tem volta e vai dominar o financiamento’

22 de Abril de 2026, 12:38

A aproximação entre a Faria Lima e o agronegócio brasileiro ainda está nos primeiros passos, mas caminha para se tornar a principal via de financiamento do setor. Essa é a avaliação de Octaciano Neto, fundador da Zera.ag. e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno, que vê um processo de aprendizado mútuo entre investidores e produtores rurais — e sem retorno possível.

Segundo ele, o estágio atual ainda é inicial, com desafios relevantes dos dois lados. No campo, há uma clara necessidade de evolução em governança e gestão.

“Muitos produtores ainda operam com baixa disciplina financeira, misturando contas pessoais com as da fazenda ou adotando práticas pouco estruturadas” comenta, apesar de ressaltar que há um movimento consistente de amadurecimento em curso.

Do lado do mercado financeiro, o aprendizado também está longe de completo.

“A análise do agronegócio ainda é, muitas vezes, feita com as mesmas ferramentas utilizadas para setores tradicionais, como energia ou saneamento. O agro exige lentes próprias, capazes de capturar suas especificidades, riscos e dinâmicas produtivas”, completa.

As barreiras entre o campo e o mercado de capitais

Esse descompasso ajuda a explicar por que grandes gestoras ainda evitam o crédito direto ao produtor rural.

Seja por percepção de risco elevado ou pela falta de familiaridade com o setor, o fato é que o agro ainda não conta com um ecossistema financeiro tão completo quanto outros segmentos, como imobiliário e infraestrutura — onde já existem “one stop shops” capazes de atender diferentes perfis de risco e operações.

Além disso, há um desafio comercial: é mais simples para gestores captar recursos com teses padronizadas, focadas em empresas com balanços auditados e perfis mais previsíveis, do que apresentar ao investidor operações pulverizadas no campo, muitas vezes ligadas a culturas ou regiões específicas.

Ainda assim, Octaciano é categórico: a conexão está apenas começando, mas é irreversível. No longo prazo, ele não tem dúvidas de que o mercado de capitais será protagonista no financiamento da agricultura brasileira, consolidando uma ponte definitiva entre a Faria Lima e o campo.

Kepler Weber (KEPL3) reelege CEO após fracasso em venda para GPT

25 de Março de 2026, 18:43

O conselho de administração da Kepler Weber (KEPL3) aprovou a reeleição de Bernardo Nogueira para o cargo de diretor-presidente. O novo mandato terá duração de dois anos e começa em 4 de abril de 2026, conforme previsto no estatuto social da companhia.

A decisão ocorre poucas semanas após o fim das negociações para a venda do controle da empresa à americana Grain & Protein Technologies (GPT).

O processo, conhecido como Project Karnaval, foi encerrado no início de março depois que a Trígono Capital — maior acionista da Kepler Weber, com 15,3% do capital — não aderiu ao acordo de voto exigido pela potencial compradora para concluir a operação.

À frente da companhia desde 2022, Nogueira liderou a Kepler Weber em um ano mais desafiador em 2025. A empresa reportou receita líquida de R$ 1,49 bilhão, queda de 7,3% em relação a 2024.

O Ebitda somou R$ 231,9 milhões, recuo de 29,4%, com margem de 15,6%. Já o lucro líquido foi de R$ 156,3 milhões, retração de 21,5% na mesma base de comparação.

JBS (JBSS32) reporta lucro líquido de US$ 415 milhões no 4T25 e anuncia dividendos

25 de Março de 2026, 18:29

A JBS (JBSS32) reportou um lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um aumento de US$ 2 milhões (0,48%) na comparação com o mesmo trimestre de 2024.

A receita líquida cresceu 15,47% no mesmo comparativo, saindo de US$ 19,974 bilhões para US$ 23,063 bilhões. No ano de 2025, a receita líquida totalizou US$ 86 bilhões no resultado de 2025, alta de 12% comparado com 2024 e um recorde histórico para companhia.

A companhia também comunicou que aprovou nesta quarta (25) o pagamento de US$ 1 por ação em dividendos, a serem pagos em 17 de junho de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas com posição na companhia em 18 de maio de 2026.

A JBS no 4T25

Os principais motores desses resultados anuais foram as operações da Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e Seara, que atuaram com forte expansão e geração de valor.

A solidez dos resultados ao longo de 2025 também se refletiu na evolução do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que foi de 25% nos últimos 12 meses. Comparado com o resultado consolidado de 2024, o indicador avançou 3,2 pontos percentuais.

O desempenho foi impulsionado pela expansão dos resultados operacionais, maior disciplina na alocação de recursos e foco em geração de valor para os acionistas. O lucro por ação (EPS, earning per share) registrou salto de 15% comparado com 2024 e fechou 2025 em US$ 1,89.

A alavancagem em dólar encerrou o ano em 2,39 vezes (contra 1,9x de 2024), em linha com a meta de longo prazo da companhia e estável em relação ao 3T25.

Em comunicado, JBS destacou que possui um confortável cronograma de amortizações, sem vencimentos relevantes de dívida previstos até 2031 e com um custo de dívida altamente competitivo, com cupons até 2032 posicionados abaixo das taxas dos Treasuries dos Estados Unidos.

“Encerrar 2025 com um crescimento de 15% na receita comprava a força e a resiliência da nossa plataforma diversificada, tanto em proteínas quanto em geografias. Ao mesmo tempo, o avanço de 15% no lucro reforça a consistência da nossa execução, sustentando margens robustas e a nossa capacidade de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS

JBS (JBSS32) anuncia pagamento de dividendos; veja valor por ação

25 de Março de 2026, 18:23

A JBS (JBSS32) aprovou nesta quarta (25) o pagamento de US$ 1 por ação em dividendos, a serem pagos em 17 de junho de 2026.

Terão direito aos proventos os acionistas com posição na companhia em 18 de maio de 2026.

Mais tarde, a companhia divulga seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25).

JBS (JBSS32): Impacto da greve nos EUA dependerá da duração

O BTG Pactual enxerga um impacto limitado da greve de 3.800 trabalhadores na planta de carne bovina em Greeley, no Colorado, para a JBS. Segundo o sindicato que representa os funcionários, esta é a primeira greve de bovinos nos EUA em aproximadamente quatro décadas.

Na avaliação do banco, o efeito sobre a companhia dependerá principalmente da duração do movimento. A JBS já começou a redirecionar o gado para outras unidades, como a planta de Cactus, no Texas.

Relação de troca entre fertilizantes e grãos atinge o pior patamar desde 2022; 2/3 dos insumos para 2026/2027 não foram adquiridos 

24 de Março de 2026, 16:19

As compras de fertilizantes para a safra 2026/2027 seguem atrasadas no Brasil em relação a anos anteriores. Cerca de 65% dos insumos ainda não foram adquiridos, e até mesmo o Mato Grosso — tradicionalmente mais antecipado — tem postergado as negociações diante dos preços elevados.

O conflito no Oriente Médio e as restrições da China aos embarques são os principais fatores por trás da alta dos fertilizantes, deteriorando significativamente a relação de troca com os grãos. Isso ocorre porque os insumos subiram de forma expressiva, enquanto as commodities agrícolas seguem em patamares mais baixos.

A relação de troca, inclusive, atingiu um dos piores níveis dos últimos anos, superando até mesmo 2022, quando os fertilizantes alcançaram preços recordes com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

“A diferença é que, naquele momento, os grãos também estavam valorizados. Agora, temos o oposto: fertilizantes caros e commodities andando de lado”, explica Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado.

No caso da ureia, a relação de troca chegou a 32 sacas de soja ou 59 sacas de milho por tonelada do fertilizante. Há um ano, eram necessárias 17 e 33 sacas, respectivamente.

Para o MAP, a proporção subiu para 39 sacas de soja ou 72 sacas de milho por tonelada, frente a 25 e 49 sacas no mesmo período do ano passado.

Já o sulfato de amônio, que vem ganhando espaço na adubação nitrogenada — com maior volume importado da China como alternativa à ureia — também registrou piora. A relação de troca passou de 8 para 12 sacas de soja por tonelada e de 15 para 23 sacas no caso do milho.

“Ainda há espaço para aguardar melhores condições de compra, mas existe o risco de a demanda ficar represada para o segundo semestre. Se isso acontecer e o conflito se prolongar, os preços podem subir ainda mais”, afirma Romanello.

Piora nos fertilizantes pressiona liquidez

Além disso, o cenário é agravado pelas restrições de crédito e pelo aumento do endividamento dos produtores, uma situação que se arrasta desde o ano passado.

No mercado interno, isso se reflete em baixa liquidez. Importadores evitam formar estoques elevados, com receio de não conseguir repassar os preços ao produtor.

“Surge, assim, o risco de destruição de demanda, caso os agricultores não consigam arcar com os custos de adubação”, diz a analista.

Diante desse contexto, o mercado opera praticamente sob demanda, sem grandes antecipações.

“Enquanto nitrogenados e fosfatados seguem pressionados, o cloreto de potássio não sofre impacto direto do conflito. O produto apresenta maior estabilidade de preços, com volumes relevantes chegando ao Brasil. Por isso, tem sido o fertilizante mais importado neste momento, permitindo algum planejamento antecipado por parte dos produtores”, explica Romanello.

Nesse caso, a relação de troca também piorou, ainda que de forma mais moderada: passou de 14 para 18 sacas de soja por tonelada e de 26 para 32 sacas no milho, diz o analista.

Com esse cenário, o custo total de adubação, segundo ele, deve ser significativamente mais alto em 2026, aumentando a preocupação com a formação de custos e a rentabilidade das lavouras.

Justiça cria novas regras para recuperação judicial entre produtores rurais; veja mudanças

16 de Março de 2026, 14:05

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou novas diretrizes para orientar a tramitação de processos de recuperação judicial e falência envolvendo produtores rurais em todo o país. As regras estão no Provimento nº 216 e passam a orientar juízes de primeira instância sobre como analisar pedidos apresentados por empresários rurais, pessoas físicas ou jurídicas.

A medida surge em meio ao aumento de recuperações judiciais no agronegócio e busca padronizar decisões judiciais, reforçar a segurança jurídica e evitar o uso indevido do mecanismo.

Entre as mudanças, o provimento estabelece critérios mais claros para comprovar a atividade rural, amplia mecanismos de fiscalização antes da aceitação do pedido e define com mais precisão quais dívidas podem ou não ser incluídas na recuperação judicial.

Comprovação da atividade rural

Uma das principais exigências é a comprovação de que o produtor exerce atividade rural há mais de dois anos — requisito já previsto na Lei nº 11.101/2005, que regula recuperações judiciais e falências.

No caso de produtores pessoa física, a comprovação deverá ser feita por meio de documentos como:

  • Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR);
  • Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF);
  • balanço patrimonial elaborado por contador habilitado.

Quando se tratar de pessoa jurídica, a comprovação deverá ocorrer por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) ou outro registro contábil equivalente.

As informações financeiras deverão seguir padrões contábeis formais e regime de competência.

Perícia antes de aceitar o processo

O provimento também permite que o juiz determine uma constatação prévia antes de decidir se aceita o pedido de recuperação judicial.

Nesse procedimento, um profissional indicado pelo magistrado poderá avaliar:

  • se o produtor realmente exerce atividade rural;
  • se a comarca escolhida corresponde ao principal estabelecimento do devedor;
  • as condições operacionais da atividade;
  • a existência de garantias sobre safras ou animais;
  • a perspectiva de produção no ciclo agrícola em curso.

A análise poderá incluir visitas à propriedade, uso de fotografias, mapas e imagens de satélite.

Caso sejam identificados indícios de fraude ou inconsistências na documentação, o pedido pode ser indeferido.

Relatórios sobre a safra

Durante o processo de recuperação judicial, o administrador judicial deverá incluir nos relatórios mensais informações específicas sobre a atividade rural.

Entre os dados exigidos estão:

  • estágio do ciclo produtivo;
  • insumos utilizados;
  • cronograma das atividades;
  • riscos que possam afetar a produção.

Além disso, até 20 dias antes do início da colheita, poderá ser solicitado um laudo técnico com estimativas de produtividade, condições fitossanitárias e viabilidade de comercialização da safra.

Dívidas que não entram na recuperação judicial

O provimento também esclarece quais créditos não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.

Entre eles estão:

  • operações vinculadas à Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação física, inclusive operações de barter com insumos;
  • financiamentos contraídos para compra de propriedade rural nos três anos anteriores ao pedido;
  • recursos de crédito rural controlado que tenham sido renegociados com instituições financeiras;
  • patrimônio rural em afetação vinculado a títulos como a Cédula Imobiliária Rural.

Também permanecem fora da recuperação judicial créditos garantidos por alienação fiduciária ou arrendamento mercantil, preservando os direitos de propriedade dos credores.

Plano especial para pequenos produtores

Produtores com dívidas de até R$ 4,8 milhões poderão utilizar o chamado plano especial de recuperação judicial, previsto na legislação, que simplifica o processo.

O provimento também permite o parcelamento das custas processuais, desde que solicitado pelo produtor na petição inicial.

Atuação do Ministério Público

Nos processos envolvendo produtores rurais, o Ministério Público deverá atuar como fiscal da ordem jurídica e ser ouvido antes da homologação de planos de recuperação judicial ou extrajudicial.

Segundo o CNJ, as novas diretrizes buscam orientar magistrados em um tema considerado complexo e com impacto relevante para o agronegócio e para o sistema de crédito rural.

As duas ações do agronegócio que seguem como favoritas entre 18 analistas para março

8 de Março de 2026, 10:00

Cosan (CSAN3)Suzano (SUZB3) seguem como as ações favoritas do agronegócio entre 18 analistas para o mês de março, com 3 recomendações cada.

No acumulado do ano, as ações da Cosan já avançaram 6,48%, enquanto a Suzano acumulou alta de 5,88%.

Além dessas ações, Klabin (KLBN11e JBS (JBSS32) também contam com recomendações de compra.

A Cosan está na carteira da Ativa, Empiricus Research e EQI. Para a Empiricus, a redução da dívida é  o principal gatilho para a tese de Cosan. Os analistas esperam que a desalavancagem financeira ganhe força nos  próximos 12 meses, com potenciais vendas de ativos, tanto no nível da holding quanto das  subsidiárias, em especial da Raízen.

Já a Suzano faz parte da seleção para março de Ágora, Monte Bravo e RB Investimentos. Segundo a Monte Bravo, a grande capacidade industrial e de matéria-prima fazem com que a sua produção figure entre as mais eficientes do mundo.

O rápido processo de maturação de sua nova planta em Ribas do Rio Pardo — que adicionou 25% de capacidade e ganhos de eficiência em suas operações — deve ajudar a companhia a acelerar seu processo de desalavancagem. Com forte geração de caixa e sem grandes projetos nos próximos anos, a casa espera que a companhia consiga acelerar a remuneração aos seus acionistas.

Com os aumentos de preço da celulose no começo do ano e 100 % de Ribas contabilizando em 2025, os analistas enxergam a companhia negociando em múltiplos muito atrativos .

Vejas as mais recomendadas do agronegócio em março

Empresa Ticker Recomendações
Cosan CSAN3 3
Suzano SUZB3 3
Klabin KLBN11 2
JBS JBSS32 1

Levantamento 

O levantamento do Money Times levou em consideração as informações das carteiras de ações divulgadas por 18 instituições. Para março, foram indicadas 4 ações, somando 9 recomendações. 

Participaram do levantamento: Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, Genial Investimentos, Itaú BBA, RB Investimentos, EQI, Planner, Monte Bravo, Rico, Safra, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos.

A ‘joia’ da Inpasa que já revoluciona a pecuária do Brasil; ‘O mercado do etanol precisa trabalhar integrado’

7 de Março de 2026, 10:00

A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, tem no DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) um dos principais ativos para gerar valor além do biocombustível. O subproduto do processamento do milho vem ganhando espaço na nutrição animal no Brasil, sendo utilizado nas cadeias de suínos, aves, pecuária de leite e bovinos de corte.

Embora seja amplamente utilizado nos Estados Unidos, o DDGS chegou ao Brasil há cerca de sete anos, o que ainda cria desafios técnicos para sua inclusão nas dietas animais.

“O produto ainda é relativamente novo no país e existe um processo de aprendizado técnico para ampliar sua utilização”, afirmou Rafael Verruck, diretor de Trading de Mercado Interno, de Óleo e DDGS da Inpasa, em entrevista ao Money Times.

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(Foto: Divulgação)

A estratégia da companhia prioriza o mercado interno, mas as exportações também desempenham um papel importante para equilibrar a demanda ao longo do ano. No mês passado, a Inpasa realizou seu primeiro embarque de DDGS para a China.

“Em determinados momentos do ano, como agora, com um período maior de chuvas no Brasil, há mais disponibilidade de pasto, que é naturalmente mais barato e faz mais sentido para o pecuarista. Nessas fases de sazonalidade, nos voltamos mais para o mercado internacional para equilibrar as vendas. Hoje, mais de 95% das exportações de DDGs do Brasil são da Inpasa”, explicou Verruck.

As diferenças entre DDG e DDGS

Para 2026, a expectativa da Inpasa é produzir cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS.

Segundo Verruck, nem todas as usinas produzem o mesmo perfil de farelo de milho no processo de fabricação de etanol, o que gera diferenças relevantes na composição nutricional dos produtos disponíveis no mercado.

“Hoje existem cerca de 14 tipos de farelos derivados do processo de etanol no Brasil, com variações de fibra, proteína e extração de óleo. Tudo isso impacta diretamente na formulação das dietas animais”, disse.

A diferença central está entre DDG e DDGS.

A maior parte das usinas brasileiras produz DDG (grãos secos de destilaria). Já o DDGS inclui a adição dos solúveis do processo, uma fração líquida rica em nutrientes que aumenta a concentração de proteínas, minerais, leveduras e energia.

Isso torna o produto mais completo do ponto de vista nutricional.

Para reforçar essa diferenciação no mercado, a Inpasa lançou a marca FortiPro, posicionando o produto como um ingrediente de alta performance para nutrição animal.

A grande revolução da pecuária brasileira

O avanço do DDGS e do DDG já começa a transformar a nutrição animal no Brasil, especialmente na pecuária de corte.

O ingrediente reúne proteína, fibra e energia, permitindo substituir parte de diferentes insumos utilizados tradicionalmente nas rações, como milho e farelo de soja.

“O farelo de soja é um excelente produto, mas o DDGS surge justamente dessa necessidade de tornar a pecuária cada vez mais eficiente. Com ele, é possível substituir diferentes ingredientes da dieta ao mesmo tempo”.

O produto, com alto teor de proteína, permite dietas mais baratas, conta com uma maior densidade nutricional e acelera o processo de engorda. 

“Hoje temos confinamentos que utilizam praticamente 100% de DDGS na dieta, mais núcleo de suplementação. Na pecuária de corte, não há uma limitação técnica rígida para o uso do produto”, disse.

Um dos desafios ainda está na adaptação das pesquisas e formulações às características do milho brasileiro.

Grande parte da literatura acadêmica utilizada no setor foi desenvolvida a partir do milho norte-americano, que possui características diferentes do cereal produzido no Brasil.

“O milho dos Estados Unidos é diferente do milho brasileiro. Aqui temos um milho mais duro, típico de clima tropical, e fizemos investimentos para otimizar nosso processo industrial”, explicou.

Essa diferença também aparece no teor de proteína do produto. Enquanto o DDGS produzido nos Estados Unidos costuma apresentar entre 28% e 30% de proteína, o produto da Inpasa é comercializado com mínimo de 32%.

Para ampliar as aplicações do ingrediente entre produtores, a empresa investe entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

O mercado do etanol

Na visão de Verruck, 2026 tende a ser um ano mais desafiador para o mercado de etanol, diante de margens mais apertadas no setor.

Segundo ele, fatores como o mercado de açúcar e dificuldades financeiras enfrentadas por algumas empresas também impactam a percepção do setor.

Apesar disso, o executivo avalia que o etanol de milho tem um papel complementar ao etanol de cana, ampliando a oferta e garantindo fornecimento ao longo do ano.

Ele também rejeita a ideia de uma competição estrutural entre as diferentes matérias-primas.

“Estamos vendo a abertura de novos mercados importantes, como o setor marítimo e o SAF (combustível sustentável de aviação). O mercado precisa trabalhar de forma integrada, independentemente da matéria-prima, para atender essa demanda crescente”, afirmou.

Além do milho e da cana, Verruck destaca o avanço de novas rotas produtivas, como o etanol de trigo no Sul do Brasil.

Segundo ele, o desafio agora é garantir fornecimento contínuo de biocombustível para atender a nova demanda global.

“Não é que a cana não consiga fazer isso, mas ela tem o desafio da safra, que concentra a produção em parte do ano. Os desafios internos de cada matéria-prima não podem ser uma métrica para separar o setor”, disse.

China ou retenção? BTG vê incerteza na alta do boi, mas já projeta margens menores para frigoríficos

5 de Março de 2026, 11:40

Desde o começo de 2026, os preços do boi subiram 10% em reais e 14% em dólares. Para o BTG Pactual, é difícil dizer se a recente alta nos preços do gado reflete sinais iniciais de retenção de vacas para abate, uma corrida para antecipar embarques para a China diante de uma cota mais apertada em comparação com os volumes exportados no ano passado, ou uma combinação desses dois fatores.

Segundo Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, se a retenção ganhar força a partir de agora, apostar em uma reversão significativa de preços parece uma decisão difícil.

“Isso deve resultar em um ambiente de margens mais pressionado para frigoríficos, e por isso projetamos queda nas margens em 2026 em relação a 2025”, explicam.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o abate de bovinos atingiu 42,7 milhões de cabeças em 2025, alta de 7,6% ano contra ano, com crescimento de 13% apenas no 4º trimestre.

Ao mesmo tempo, os preços de bezerros subiram de forma agressiva, fortalecendo o incentivo para os pecuaristas iniciarem a retenção de vacas.

O que é o ciclo do boi?

Embora pareça complexo, o ciclo pecuário é essencialmente determinado pela oferta de gado. Os preços tendem a se mover de forma inversa à proporção de vacas abatidas — ou seja, quanto menor o abate de fêmeas, maior tende a ser o preço do boi.

Quando menos fêmeas são enviadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate diminui, pressionando os preços para cima. Quando ocorre o contrário, com maior envio de vacas para o abate, a oferta aumenta e os preços geralmente recuam.

Nos últimos anos, a oferta atingiu níveis historicamente elevados, o que pressionou os preços do gado para baixo até meados de 2024. Desde então, porém, os preços voltaram a subir — um movimento que chama atenção porque o ritmo de abate continua forte.

Além disso, um ambiente favorável para exportações, puxado pelos Estados Unidos e pela China, provavelmente ajudou a sustentar a disposição dos frigoríficos em pagar mais pelo gado, mesmo com a recente valorização dos preços.

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