O empresário Caio Murad Peres, ex-head de distribuição da XP, está estruturando a compra da rede de academias Skyfit, apurou o InvestNews. A transação será feita por meio da SFH Holding, veículo liderado por Peres, que lançou uma emissão de R$ 100 milhões para financiar a aquisição, que foi assinada no início de janeiro.
Os recursos da operação, destinada a investidores profissionais – aqueles com mais de R$ 10 milhões aplicados – serão usados integralmente para a compra de 100% da Skyfit Franchising, empresa dos fundadores da rede, os empresários Bruno Belluci Berardo e Ewerton Carvalho Oliveira Silva.
A SFH é uma empresa pré-operacional, criada para absorver o novo ativo. A aquisição da Skyfit será feita de forma alavancada, em uma estrutura na qual a própria rede de academias servirá como garantia.
Cerca de 55% das quotas da empresa foram dadas em alienação fiduciária aos futuros credores, além de outros ativos e garantias pessoais dos sócios envolvidos. O Itaú BBA coordena a oferta.
Atualmente, Peres é sócio da startup de locação de veículos Turbi e do time de e-sportsFuria. Além do empresário, outro sócio no projeto de compra da Skyfit é o gestor Paulo Maranesi, da KYR Capital.
O InvestNews tentou contato com Peres e a Skyfit, mas não obteve retorno.
A Skyfit
Fundada durante a pandemia, a Skyfit cresceu apoiada em um modelo de academias de baixo custo e expansão via franquias, com foco em preços acessíveis e menor investimento inicial para franqueados.
A empresa, ao lado de redes como Panobianco, Selfit e Bluefit, busca disputar espaço com a líder Smart Fit no segmento low cost, como já mostrou o InvestNews.
A primeira unidade da Skyfit foi inaugurada em 2020, no interior de São Paulo, e a rede chegou a dezenas de unidades em operação e mais de uma centena comercializadas nos primeiros anos.
A rede também ganhou projeção ao associar sua imagem a celebridades. O cantor Lucas Lucco participou da estratégia inicial como sócio e garoto-propaganda, enquanto atualmente a comunicação da rede está vinculada ao apresentador Rodrigo Faro.
Mais recentemente, a companhia passou a apostar em localizações de alto fluxo, como aeroportos. Uma unidade está em implantação no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, com operação 24 horas e integração a plataformas corporativas de bem-estar, como Wellhub e TotalPass.
Hoje em dia, quando os americanos saem para fazer compras, é mais provável que estejam pagando por Botox ou aulas de boxe do que comprando sapatos ou xampu.
Pela primeira vez na história, o aluguel de espaços no varejo por empresas voltadas a serviços superou o de lojas que vendem produtos — uma virada impulsionada em grande parte pela proliferação de salões de beleza, spas e estúdios de fitness.
Empresas de serviços ocuparam pouco mais de 50% da área total de varejo alugada em 2025, segundo a empresa de dados CoStar Group. Quinze anos atrás, esse número era de apenas 40%.
“Os gastos dos consumidores continuam firmemente direcionados para serviços”, disse Brandon Svec, diretor nacional de análise de varejo da CoStar nos EUA. “Nada indica que isso vá mudar tão cedo.”
Mudanças no nível dos imóveis também refletem como o comércio eletrônico reduziu a necessidade de espaço físico para vender itens como roupas, calçados e materiais de escritório.
Svec espera que a demanda por espaços por empresas de serviços continue forte, mesmo com o maior segmento do setor — bares e restaurantes — mostrando sinais de enfraquecimento, devido à redução de gastos de alguns consumidores e à concorrência de grandes redes pressionando pequenos negócios.
Isso ocorre porque o mercado de bem-estar está em rápida expansão nos EUA, totalizando US$ 2,1 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Institute, que mede gastos em 11 setores, incluindo spas, beleza, nutrição, saúde mental e saúde pública.
“Uma bolsa costumava ser o símbolo de luxo”, disse Svec. Hoje, segundo ele, um sinal mais comum de status é gastar dinheiro com coisas como aulas de yoga ou tratamentos faciais.
As empresas estão atendendo à demanda crescente. Há estabelecimentos de tratamentos faciais a laser, hidratação intravenosa e infusão de vitaminas, Botox e terapia com luz vermelha. As pessoas também estão experimentando crioterapia, que envolve expor o corpo a temperaturas extremamente baixas para reduzir inflamações e acelerar a recuperação muscular.
“Os consumidores se preocupam mais hoje do que nunca com a aparência e com o bem-estar”, disse Brian Finnegan, CEO da operadora de shoppings Brixmor Property Group.
Depois que uma loja de bebidas deixou o Whitemarsh Shopping Center, nos subúrbios da Filadélfia, a Brixmor dividiu o espaço de cerca de 950 metros quadrados em quatro lojas menores.
Os novos inquilinos — um hospital veterinário, uma rede de spas faciais, uma rede de estúdios de alongamento e um salão de manicure — geram juntos 20% mais aluguel do que o antigo locatário e atraem mais consumidores ao local, segundo Finnegan.
As redes sociais também impulsionaram o crescimento de negócios voltados a melhorar a aparência nas fotos, desde salões de escova até redes de depilação. A abertura de academias disparou, e o setor respondeu por quase 30% dos contratos de locação de serviços no ano passado, ante 20% em 2016, segundo a CoStar.
Nos bairros Flatiron e NoMad, em Manhattan, marcas de autocuidado e fitness alugaram cerca de 9 mil metros quadrados nos últimos dois anos, segundo a Flatiron NoMad Partnership. As ruas agora são repletas de saunas, estúdios de pilates e até academias especializadas em treino para esqui cross-country.
Noah Neiman, cofundador da rede de boxe Rumble Boxing, abriu recentemente na região o Pack, um estúdio de defesa pessoal e fitness em grupo que, segundo ele, aproveita a maior preocupação dos americanos com saúde e socialização no pós-pandemia.
“Queremos que você venha aqui, talvez encontre um amigo, traga colegas de trabalho”, disse Neiman. “Este é o novo happy hour.”
Uma das redes que mais crescem no país é a Planet Fitness, que adicionou mais de 1 milhão de membros no ano passado e planeja abrir quase 200 novas unidades em 2026.
O diretor de desenvolvimento, Chip Ohlsson, afirmou que as pessoas estão se exercitando com mais frequência e de forma mais social do que antes, com famílias inteiras ou grupos de colegas indo juntos à academia. A rede também espera benefícios adicionais com o aumento do uso de medicamentos como Ozempic e outros da classe GLP-1.
“Se eu perdi muito peso e começo a me sentir melhor comigo mesmo, isso me dá uma oportunidade de ir à academia e melhorar ainda mais”, disse Ohlsson.
As vendas online também estão reduzindo a necessidade de espaço físico para itens como roupas e produtos de higiene. O e-commerce representou 16,4% das vendas totais no varejo no ano passado, segundo o Departamento de Comércio dos EUA, contra cerca de 8% em 2016. Muitas lojas de vestuário também estão reduzindo o tamanho de suas unidades.
Apesar disso, a vacância no varejo nos EUA, em 4,4%, segue próxima de mínimas históricas, devido à forte demanda por empresas de serviços. A Planet Fitness, por exemplo, tem aberto academias em espaços deixados por varejistas que faliram, como a Rite Aid e a rede de artesanato Joann.