Visualização normal

Received before yesterdayNegócios

De viagens à estratosfera a cruzeiros ultra-exclusivos: a nova fronteira do turismo de luxo

9 de Julho de 2026, 17:18

Um balão rumo à estratosfera por mais de R$ 1 milhão, um safari com jantar dentro de uma cratera na Tanzânia ou uma suíte de quatro andares da rede Four Seasons dentro de um cruzeiro. Essas são algumas das opções disponíveis hoje para turistas brasileiros (muito) endinheirados.

Todas surgiram para atender a novos hábitos do viajante de luxo que, nos últimos anos, passou a incorporar privacidade, experiências difíceis de replicar e roteiros personalizados na sua rota.

As mudanças tiraram as agências do papel de intermediárias e as empurraram para uma função de consultoras capazes de desenhar viagens sob medida. O desafio para elas é conseguir equilibrar os custos dessa exclusividade com as receitas em um negócio que não é exatamente de escala.

“Eu falo que a gente é quase um psicólogo, é quase um médico, é quase que um advogado. Atender o turista de luxo é estabelecer uma relação de longo prazo. É conhecer os hábitos, as vontades e as várias características desse cliente”, conta Bruno Vilaça, CEO e fundador da agência SuperViagem.

Segundo a consultoria Euromonitor, as experiências de luxo dentro do Brasil devem crescer 31% nos próximos cinco anos, adicionando mais de US$ 300 milhões à economia.

De olho nessa demanda, a agência de turismo de luxo Teresa Perez, uma das referências no país no segmento, passou a oferecer roteiros que buscam fugir do tradicional.

Um dos mais exclusivos – e inusitados – é uma viagem para a estratosfera, prevista para começar em setembro de 2026. Nela, o passageiro embarca em uma cápsula pressurizada acoplada a um balão de baixa emissão de carbono, que sobe até cerca de 25 quilômetros de altitude.

O voo dura aproximadamente seis horas e promete uma experiência silenciosa, com uma vista da curvatura da Terra. O preço inicial: 170 mil euros, equivalente a mais de R$ 1 milhão na cotação atual. Mas a estratégia da empresa para ganhar escala no mercado de luxo vai além da oferta de pacotes.

De agência a ecossistema de turismo

Nos últimos anos, a Teresa Perez se tornou um grupo com seis negócios diferentes. Atualmente, a maior fonte do faturamento do grupo, que foi de R$ 1,3 bilhão em 2025, são os negócios que funcionam como infraestrutura para o turismo de alto padrão.

Um deles é a TP Air, uma consolidadora aérea lançada em 2022. A empresa afirma ser hoje a maior emissora de passagens executivas e de primeira classe do Brasil.

O grupo também comprou a New Age, operadora que atua no atacado do turismo, criando roteiros que são vendidos por agências menores.

Outra aposta foi a criação da Embark Beyond, em 2022. Inspirada em um modelo norte-americano, a empresa funciona como uma plataforma para agentes independentes, oferecendo tecnologia, treinamento, marketing e acesso a fornecedores no segmento premium.

“Você cria um guarda-chuva para eles e dá a oportunidade de crescerem, sem que eles precisem pensar na parte administrativa”, explica Tomas Perez, CEO da Teresa Perez. Segundo ele, o modelo já reúne cerca de 70 afiliados no Brasil.

O grupo também criou a TP Corporate, voltada ao atendimento de executivos de alto escalão. E, nos últimos anos, decidiu entrar em outra área bastante disputada: a hotelaria.

O crescimento da hotelaria de luxo no Brasil

O Brasil vive um momento de expansão no turismo de modo geral. Em 2025, o país recebeu mais de 9,2 milhões de turistas internacionais, recorde histórico.

No segmento de alto padrão, os números também chamam atenção. Segundo a Euromonitor, os hotéis de luxo no Brasil movimentaram US$ 1,1 bilhão em 2025, crescimento de 12% em relação ao ano anterior.

Esse cenário colocou o país no radar de grandes grupos internacionais. Marcas de luxo de grupos como Accor, com a bandeira Sofitel, e Four Seasons Hotel devem ampliar presença no país. Em São Paulo, projetos como o Faena e o Daslu Barrière também representam a chegada de novas marcas de alto padrão.

Para Guilherme Machado, gerente de pesquisa da Euromonitor no Brasil, ainda assim, o potencial brasileiro ainda está abaixo do de países como o México. “O México hoje tem um mercado algumas vezes maior do que o que o Brasil em termos de faturamento”, afirma.

A diferença, segundo ele, está também na quantidade de grandes redes internacionais presentes. Ao mesmo tempo, ele também enxerga que o Brasil tem espaço para crescer com hotéis menores e mais exclusivos.

Foi justamente esse caminho escolhido pela Teresa Perez. A marca Oiá, criada pelo grupo, aposta em pousadas de poucas acomodações e experiências personalizadas. Hoje são três unidades: duas nos Lençóis Maranhenses e uma na Barra dos Remédios, no Ceará.

Cada pousada tem apenas oito quartos. As diárias podem chegar a R$ 14,8 mil e incluem alimentação, passeios e serviços personalizados. A inspiração veio dos lodges africanos, que vendem uma experiência completa dentro da propriedade.

“A gente entrega a experiência inteira. O hóspede não precisa contratar ninguém para fazer o passeio. Tem tudo ali e é personalizado, ele é chamado pelo nome”, explica Tomas Perez. A próxima unidade está prevista para o Pantanal sul-mato-grossense, em 2028.

O luxo também embarcou

O mercado de cruzeiros vive uma nova fase. Um dos símbolos dessa mudança é o Four Seasons Yachts, primeiro projeto marítimo da marca de hotéis Four Seasons Hotels and Resorts, inaugurado em março deste ano.

A embarcação tem uma suíte de quatro andares, academia privativa e diárias que podem chegar a US$ 50 mil.

O movimento acompanha uma alta global do segmento. O número de passageiros de cruzeiros de luxo passou de 310 mil em 2021 para mais de 1,2 milhão em 2025.

A lógica é parecida com a da hotelaria: levar uma marca reconhecida por exclusividade para um novo território. Grandes grupos vêm apostando nesse caminho. A Accor avançou com projetos ligados à marca Orient Express, enquanto grupos como Aman e Ritz-Carlton também entraram no mercado.

O desafio de fechar a conta

Mas existe um desafio: transformar exclusividade em um negócio rentável. Os cruzeiros tradicionais conseguem diluir custos levando milhares de passageiros. Já os navios de luxo fazem o contrário: menos hóspedes, mais espaço e mais serviço.

A operação marítima da marca Ritz-Carlton, por exemplo, acumulou centenas de milhões de dólares em prejuízos desde o lançamento e precisou de novos aportes financeiros.

O dilema é antigo no mercado de luxo. Crescer pode aumentar receita, mas também pode ameaçar justamente o atributo que vende o produto: a sensação de exclusividade.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Hexa adiado? Veja o preço de viajar para a Copa do Mundo 2030

8 de Julho de 2026, 16:52

A eliminação do Brasil nas oitavas mudou o foco do torcedor que ainda sonha com o hexa: a próxima chance será na Copa do Mundo 2030. Para quem pretende acompanhar os jogos do Brasil no estádio, o planejamento financeiro pode começar bem antes da definição de cidades, adversários e chaveamento.

Até o momento, a Copa do Mundo 2030 terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais e manterá o formato de 104 jogos durante o torneio. Ainda não há tabela definida, cidades dos jogos do Brasil, preços oficiais de ingressos nem pacotes de viagem para o Mundial de 2030. 

Por isso, os valores abaixo funcionam como uma simulação de planejamento, baseada no comportamento de preços observado na Copa de 2026. As projeções consideram valores por pessoa, em reais, com passagens internacionais em classe econômica, hospedagem em hotel 3 estrelas, documentos obrigatórios, seguro viagem e deslocamentos. 

O que já se sabe sobre a Copa do Mundo 2030

A Fifa aprovou a candidatura conjunta de Marrocos, Portugal e Espanha como sede da Copa do Mundo 2030. A final está prevista para 21 de julho de 2030. O torneio terá 101 partidas nesses três países, além de três jogos comemorativos na América do Sul, ligados ao centenário da primeira Copa do Mundo, disputada em 1930 — que não foram consideradas no cálculo. 

Para o torcedor brasileiro, a maior incógnita ainda é o caminho da seleção. Sem sorteio, não há como saber onde serão os jogos do Brasil, quais deslocamentos serão necessários e em que cidades a torcida ficará concentrada.

Esperar pela definição de cidade, adversário e fase ajuda a reduzir as incertezas da viagem, mas pode significar custos mais altos com passagens, hospedagem e ingressos. Por outro lado, quem se planeja com antecedência tende a encontrar preços mais baixos, embora tenha de conviver com um grau maior de incerteza.

Como o “efeito Copa” pode mexer nos preços

A Copa do Mundo de 2026 é a principal base de comparação para estimar o efeito de um Mundial sobre hotéis, passagens e ingressos. Ela também teve múltiplos países-sede e exigiu deslocamentos entre cidades, o que ajuda a projetar parte dos custos da Copa do Mundo 2030.

Na hotelaria, dados da consultoria Lighthouse, especializada no setor hoteleiro, mostram que os preços nas cidades-sede da Copa de 2026 começaram a subir antes mesmo da primeira partida. Após o sorteio da fase de grupos, as diárias subiram, em média, 14,75% nas cidades analisadas. Em noites de jogo, o impacto foi maior: a diária média em cidade com partida ficou 31,44% acima das noites sem jogo.

Cidades com menos oferta, maior concentração de jogos ou maior apelo turístico sofreram pressão maior. Outras, com mais quartos disponíveis ou mercado mais estável, tiveram variações menores.

Nos ingressos, o preço podia subir ou cair conforme a demanda. No mata-mata de 2026, México x Inglaterra chegou a pico de US$ 3.820 no menor preço disponível, enquanto EUA x Bélgica caiu 27% em três dias.

Documentos obrigatórios entram em todos os planos

Os custos com documentação entram em todos os cenários, porque independem da quantidade de jogos do Brasil que o torcedor pretende acompanhar. A faixa vai de R$ 400 a R$ 800 por pessoa.

O passaporte comum custa R$ 257,25. O ETIAS, autorização exigida para entrada em países europeus, custará € 20, cerca de R$ 118 na estimativa usada (considerando a cotação da data de hoje). O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem exigida para brasileiros que entrarem em 29 países europeus, como Espanha e Portugal, em viagens de curta duração.

O cálculo considera passaporte comum, caso seja necessário emitir, além de cópias, deslocamentos e uma pequena margem operacional. Brasileiros não precisam de visto para viagens de até 90 dias à Espanha, Portugal e Marrocos, mas continuam sujeitos às exigências de passaporte e, no caso dos países europeus participantes do sistema, do ETIAS.

LEIA MAIS: FIFA sai ainda mais rica de uma Copa do Mundo marcada por controvérsias

Quanto custa ir à Copa do Mundo de 2030?

As faixas abaixo estimam quanto um torcedor brasileiro precisaria reservar para acompanhar a Copa do Mundo de 2030 em Espanha, Portugal e Marrocos, sem considerar os jogos comemorativos da América do Sul.

A conta leva em consideração passagem internacional em classe econômica, hospedagem em hotel 3 estrelas, ingressos, deslocamentos entre cidades ou países, transporte urbano, seguro viagem, bagagem entre outros. Alimentação, turismo e reserva de emergência ficaram fora do cálculo.

A variação entre o menor e o maior valor de cada plano depende principalmente de três fatores: o momento da compra, a fase da Copa e o nível de certeza que o torcedor quer ter antes de fechar a viagem.

Quem compra antes do sorteio pode encontrar preços menos pressionados, mas assume o risco de ainda não saber onde o Brasil jogará. Quem espera a confirmação dos jogos reduz o risco esportivo, mas tende a enfrentar hotéis, ingressos e deslocamentos mais caros.

PlanoJogos no estádioDuraçãoCusto estimado por pessoaOnde o efeito Copa pesa mais
Só viver o clima da Copa04 a 7 noitesR$ 8,5 mil a R$ 23,5 milHotel e passagem
Entrar em um jogo da Copa13 a 5 noitesR$ 8,3 mil a R$ 25,6 milIngresso e hotel, conforme o jogo escolhido
Ver o Brasil na fase de grupos310 a 13 noitesR$ 21,2 mil a R$ 63 milHotel, ingresso e deslocamentos
Brasil + primeiro mata-mata414 a 17 noitesR$ 28,6 mil a R$ 87,9 milIngresso do primeiro mata-mata
Brasil até as oitavas517 a 21 noitesR$ 37,3 mil a R$ 116,3 milHospedagem e ingresso
Brasil até as quartas622 a 27 noitesR$ 50,3 mil a R$ 152,8 milIngresso, hotel e transporte
Brasil até a semifinal728 a 34 noitesR$ 72,7 mil a R$ 214,3 milIngresso e longa permanência
Brasil até a final835 a 42 noitesR$ 104,4 mil a R$ 298,8 milIngresso, hotel e transporte
Só final, se o Brasil chegar14 a 5 noitesR$ 62,7 mil a R$ 163,3 mil+Ingresso

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Na CVC, acordo de acionistas redesenha governança e concentra poder na família Paulus

10 de Abril de 2026, 20:36

A CVC, uma das maiores empresas de viagens do país, entrou em uma nova fase de reorganização societária. A empresa informou nesta sexta-feira (10) que a GJP, fundo ligado a Gustavo Paulus, filho do fundador Guilherme Paulus, e a gestora Apex/Carbyne firmaram um acordo de acionistas para coordenar votos, indicações ao conselho e negociação de ações.

O movimento ainda depende do aval dos demais investidores. Em assembleia geral extraordinária (AGE), eles terão de aprovar a dispensa da obrigação de oferta pública (OPA) prevista no estatuto.

No mesmo fato relevante ao mercado, a CVC informou a renúncia de Tiago Ring ao cargo de conselheiro. Segundo a companhia, ele permanecerá no posto até a posse de um sucessor. Ring é gestor da Absolute Investimentos e estava no conselho desde maio de 2024.

Diante do novo acordo e da saída de Ring, o conselho aprovou a convocação da AGE para deliberar sobre a dispensa da OPA e a eleição de um novo membro para o colegiado.

Arranjo societário

O acordo foi celebrado entre dois grupos que já figuravam entre os principais acionistas da empresa.

A GJP detinha, na data da assinatura, 106,8 milhões de ações, o equivalente a cerca de 20,3% do capital. O bloco formado por Apex/Carbyne somava 79,97 milhões de papéis, ou aproximadamente 15,2%. Juntos, passam a representar cerca de 35,5% da CVC.

Esse segundo bloco representa a Apex Partners, empresa com mais de R$ 17 bilhões em ativos e que atua com a tese de ecossistema regional de investimentos. Fundada por Fernando Cinelli em Vitória, no Espírito Santo, a Apex montou posição na CVC ao longo do último ano, em particular, por meio de sua vertical de PIPE (Private Equity in Public Investment).

Na prática, o desenho concede à GJP a liderança política do arranjo. O fundo ligado a Paulus pode enviar orientação de voto ao Apex/Carbyne antes de assembleias e reuniões do conselho. Se essa orientação for emitida, o outro lado se compromete a votar na mesma direção.

O Apex/Carbyne, por sua vez, preserva poder de veto em temas sensíveis: saída do Novo Mercado, segmento de governança mais elevada da B3, redução do pagamento de dividendo obrigatório, alterações relevantes no estatuto, dissolução da companhia, pedido de recuperação judicial ou falência e redução do conselho para menos de cinco membros.

O acordo também organiza a divisão de cadeiras. Se os dois lados conseguirem eleger entre dois e seis conselheiros, o Apex/Carbyne indicará um nome e a GJP ficará com os demais. Acima de seis, o Apex/Carbyne poderá indicar dois. Atualmente, o conselho da CVC é composto por cinco conselheiros.

A reorganização ocorre em um momento em que a base acionária também começa a mudar.

A Absolute, que começou a figurar entre os acionistas relevantes em setembro de 2023 e depois ampliou sua posição, reduziu a participação para menos de 5% em março. A gestora mantinha 9,8% do capital até 26 de janeiro, segundo formulário de referência.

Considerando a data de anúncio de participação relevante até agora, o papel acumula desvalorização de 26%.

A saída de Ring, ligado à gestora, acontece nesse contexto. A redução da posição da Absolute esvazia o peso de um investidor que havia ganhado importância na estrutura de capital da CVC ao longo dos últimos dois anos — e sua perda de relevância coincide com a articulação formal dos dois maiores blocos.

A Opportunity, com cerca de 7,8%, segue como acionista relevante, mas isoladamente passa a ter menos influência diante de um bloco organizado.

A fotografia muda: sai uma configuração com vários acionistas fortes, porém dispersos, e entra outra em que uma aliança formal tende a concentrar mais poder nas principais decisões da companhia.

Pano de fundo

Na leitura de uma fonte ouvida pelo InvestNews, a redução da fatia da Absolute também reflete um momento mais complexo para a operação da CVC.

A avaliação é que o primeiro trimestre deve trazer números mais fracos — quadro que pode se estender ao segundo trimestre. Entre os fatores de pressão estão os efeitos da Guerra do Irã sobre o petróleo, com impacto nos custos do setor aéreo e potencial reflexo sobre a demanda por viagens.

Para o restante do ano, a leitura de mercado embute cautela com o efeito da Copa do Mundo sobre o interesse por turismo e com o calendário de feriados prolongados, que tende a favorecer deslocamentos de carro — perfil menos aderente ao negócio tradicional da CVC, mais associado a pacotes, viagens aéreas e turismo estruturado.

A reorganização societária ocorre poucos meses depois de uma mudança importante no comando. Em janeiro, a CVC antecipou a sucessão de Fabio Godinho, com a posse de Fabio Mader como novo CEO.

Segundo o InvestNews apurou, a troca já vinha sendo estudada, e o nome de Mader era bem recebido pelo próprio Godinho — é um executivo próximo da família Paulus que havia retornado à companhia como CEO em 2023, quando a família voltou ao quadro de acionistas.

Embora a companhia tenha melhorado seus indicadores nos últimos anos, a avaliação entre pessoas próximas ao comando da empresa era a de que era preciso acelerar na execução. De 2023 para 2025, a margem Ebitda passou de 14,9% para 31,9%.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Como a paralisação do governo americano pode atrapalhar a vida de quem planeja aproveitar o outono nos EUA

29 de Setembro de 2025, 20:15

Viajantes que adiaram as férias de verão para aproveitar custos mais baixos e menos multidões neste outono podem ter uma surpresa desagradável se a paralisação do governo começar esta semana. É que a falta de acordo entre Democratas e Republicanos no parlamento promete paralisar o funcionalismo público do país em outubro – o chamado shutdown. E isso pode prejudicar diretamente quem está com viagem marcada para os Estados Unidos ou dentro do país.

O que está em jogo é que o ano fiscal americano começa no dia 1º de outubro. É nesta data que o governo anuncia o orçamento que as agências federais americanas terão à disposição pelos próximos 12 meses. Se o orçamento não for aprovado, então os pagamentos dos serviços públicos simplesmente deixam de ser feitos. E isso pode simplesmente paralisar as atividades do governo.

Justamente nessa data é que muitos viajantes costumam desembarcar nos aeroportos americanos, aproveitando-se do início da baixa temporada – e dos descontos nas passagens.

Embora controladores de tráfego aéreo e agentes de segurança de aeroportos sejam considerados trabalhadores essenciais – e por isso sejam obrigados a continuar trabalhando durante a paralisação –, nenhum dos grupos recebe pagamento até que o financiamento seja restabelecido. Isso pode resultar em filas de segurança mais longas ou até mesmo voos cancelados se a paralisação durar mais do que algumas semanas.

Durante a paralisação de 35 dias entre 2018 e 2019, houve um aumento no número de controladores que ligaram dizendo que estavam doentes, o que causou atrasos em voos de diversos aeroportos, incluindo La Guardia, Newark e Filadélfia, em Nova York, pouco antes do financiamento ser restaurado no final de janeiro.

Enquanto isso, o absenteísmo entre os agentes de segurança do aeroporto aumentou de 3% para 10%, o que resultou em filas mais longas para os viajantes.

Provavelmente, essa é a pior situação para os viajantes após uma paralisação. Os passaportes continuarão sendo processados, já que isso é pago por taxas. As inspeções de segurança continuarão, assim como a manutenção e a operação dos auxílios à navegação usados ​​por controladores e pilotos.

Outros impactos serão mais indiretos, como o potencial agravamento da escassez de controladores de tráfego aéreo a longo prazo. Embora o treinamento inicial para novos recrutas nas instalações da agência em Oklahoma City continue, o treinamento de campo adicional nos centros de controle será suspenso até que o financiamento seja retomado. As contratações também serão suspensas.

Se a paralisação terminar rapidamente, esses atrasos podem não ter um impacto de longo prazo no número de controladores de tráfego aéreo. Mas, com poucos sinais de comprometimento, as chances de uma paralisação estão atualmente em 73% no site de apostas Polymarket.

Analistas do Bank of America escreveram na semana passada que esperam que a paralisação não dure mais do que duas semanas “porque achamos que os democratas não estarão dispostos a incorrer no custo político de uma longa paralisação antes das eleições de meio de mandato do ano que vem”.

Outros preveem que a medida se arrastará por muito mais tempo, já que não há um prazo final para se chegar a um acordo. Isso poderia resultar em até 40% dos mais de dois milhões de funcionários públicos federais afastados, e em um sofrimento muito mais generalizado do que longas filas no aeroporto.

❌