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O sueco recluso que ajudou a transformar Taylor Swift em uma estrela do pop

4 de Outubro de 2025, 06:00

Taylor Swift compôs e lançou álbuns por seis anos até conquistar o primeiro primeiro lugar na parada Hot 100. A música We Are Never Ever Getting Back Together, com sua bateria estrondosa e feita para agitar estádios lotados, marcou o início da transição de Swift do country para o pop.

Ela compôs a música com a ajuda de Max Martin e Shellback, produtores suecos com um histórico de sucessos quase inigualável. “Sempre fui fascinada pela forma como Max Martin consegue acertar um refrão”, disse Swift à Billboard em 2012. “Ele vem até você e te acerta — tudo em letras maiúsculas e com pontos de exclamação.”

Martin, 54, passou a carreira construindo sucessos instantaneamente reconhecíveis para Britney Spears, Backstreet Boys, Kelly Clarkson, Katy Perry, The Weeknd e Ariana Grande. Seu trabalho com Taylor Swift em “Red”, “1989” e “Reputation” ajudou a catapultá-la para o topo do pop.

Embora Taylor Swift tenha se aventurado em outros gêneros e trabalhado com diferentes colaboradores, ela se reuniu com Martin depois de quase oito anos para produzir seu mais recente álbum, The Life of a Showgirl, lançado na sexta-feira (3).

Para Taylor Swift, este álbum marca o retorno ao tipo de sucesso que te prende e que Martin, cujo nome completo é Karl Martin Sandberg, tornou sua marca registrada. “As músicas pop mais divertidas e cativantes que existem”, disse Dan Cash, fã de Taylor Swift e que posta sobre a cantora no TikTok. “O lirismo de Taylor e a produção de Max são simplesmente a perfeição mágica do pop.”

Martin — bronzeado e com cachos esvoaçantes — é um dos compositores mais bem-sucedidos da história. Ele coescreveu 27 sucessos número 1. Essa marca só fica atrás da alcançada por ninguém menos que Paul McCartney.

O produtor da confiança de Taylor Swift

Frequentemente descrito como tímido por aqueles que trabalham com ele, ele raramente concede entrevistas e se recusou a falar com o The Wall Street Journal.

Mas seus colaboradores têm algumas teorias sobre o que o torna um criador de sucessos inimitável: seu ouvido atento aos detalhes, sua experiência como cantor e sua disposição em recrutar colaboradores dinâmicos que mantêm seus discos atualizados com os últimos lançamentos.

A tradição da indústria musical está repleta de artistas meticulosos — o engenheiro Bruce Swedien explicou certa vez que Michael Jackson fez 91 mixagens diferentes de “Billie Jean”.

“Martin é obsessivo e está sempre disposto a ficar acordado por três dias só para acertar o som da bateria”, diz Martin Dodd, executivo de A&R que trabalhou com o produtor.

Gary Barlow, vocalista do grupo pop britânico Take That, conheceu Martin quando ele embarcava em carreira solo no final dos anos 1990. “Sou um cantor bastante proficiente, e eles me deixaram no estúdio por horas, ajustando os mínimos detalhes”, disse Barlow. “Não se tratava apenas dos quatro versos do refrão. Cada verso era importante.”

Martin não está apenas superando a concorrência.

Embora evite os holofotes, “ele é provavelmente um dos melhores cantores que já conheci na vida”, disse Chad Wolf, vocalista do Carolina Liar.

Taylor Swift em show no Brasil

O Carolina Liar colaborou com Martin em dois álbuns, resultando em músicas que apareceram em programas populares como The Hills e One Tree Hill. “Há algo na abordagem dele ao cantar que é a coisa mais triste que você já ouviu”, disse Wolf. “Os cantores sabem que ele é o cara nesse sentido, e ele consegue extrair algo de você que você nem sabe que está na música ainda.”

Barlow, vocalista do Take That, também expressou admiração pelas habilidades vocais de Martin. “A maneira como ele termina as notas, como ele se liga nas notas, como as vogais soam, as escolhas de sons que ele usa nas letras que escreve — é simplesmente inteligente”, disse.

Isso dá a Martin uma posição sólida quando ele pede aos artistas que tentem uma abordagem semelhante. “Você não se importa em ser torturado quando alguém consegue cantar como ele”, disse Barlow, brincando.

Após uma fase inicial de sucesso no final dos anos 1990 com Spears (“…Baby One More Time”), Backstreet Boys (“I Want It That Way”) e NSYNC (“I Want You Back”), Martin atingiu um obstáculo criativo no início dos anos 2000. “Começamos a nos repetir, a usar os mesmos sons e a não ser criativos o suficiente”, disse ele em 2020.

Para evitar que isso aconteça novamente, ele tem tido o cuidado de buscar coautores — Ali Payami, Savan Kotecha, Shellback entre outros — que o desafiem, colaboradores para os quais ele “tem medo de tocar”, como disse em 2020.

Antes de Wolf começar a gravar com Martin, ele dizia: “Quero trazer Shellback, porque acho que precisamos de alguém mais jovem, com vontade, para ter energia e uma nova perspectiva”.

Shellback, que tocou em bandas de metal antes de unir forças a Martin, adaptou-se rapidamente ao novo ambiente. Um de seus primeiros créditos foi em “So What”, do P!nk, que alcançou o primeiro lugar na Hot 100.

Quando Martin recebeu o Polar Music Prize, uma homenagem sueca que também foi concedida a Bruce Springsteen e Paul Simon, em 2016, ele elogiou Shellback em seu discurso. “Esse cara mudou minha vida”, disse Martin. “Esse cara é um gênio. Agora tenho que acompanhá-lo.”

“Max sempre sabe como se conectar com pessoas que podem ter outras habilidades que ele não tem”, disse Chris Anokute, ex-executivo de A&R que trabalhou em “Teenage Dream”, de Katy Perry, o álbum de 2010 que incluiu quatro sucessos número 1 coescritos por Martin. “Saber como encontrar pessoas que entendem o cenário atual, colaborar com elas e nutri-las é a razão pela qual ele ainda é dominante.”

Assim como Prince (que é um dos ídolos de Martin), ele é adepto de muitos estilos. “Since You’ve Been Gone”, de Kelly Clarkson, é um rock estrondoso e intenso. “Blinding Lights”, de The Weeknd, presta homenagem ao synth-pop dos anos 1980. “Send My Love (To Your New Lover)”, de Adele, se inspira no soul acústico dedilhado.

Quando Martin se conectou com Taylor Swift, ela já havia curtido grandes sucessos como “You Belong With Me” e “Love Story”, que começou no country e saltou a barreira para o pop. Desta vez, ela planejava abrir um buraco direto na divisória.

Suas músicas com Martin são mais densas e musculosas. Os sintetizadores têm toda a delicadeza de uma escavadeira, e a voz de Taylor Swift é tão complexa que suas melodias pastosas também geram um impacto incrível.

“Quando Taylor Swift ligou, não foi tipo: ‘Hum, eu deveria fazer isso?'”, disse Martin em 2016. Ele descreveu trabalhar com a estrela como “uma escolha fácil”. Martin contribuiu para três músicas de “Red”, além da maioria de “1989” e “Reputation”.

As músicas que eles fizeram juntos não são apenas algumas das favoritas da cantora — elas também estão entre as mais populares.

Cerca de 70% de suas faixas com Martin têm mais de 500 milhões de reproduções no Spotify — uma taxa notavelmente maior em relação a outros produtores com quem Swift já colaborou, de acordo com a análise de Chris Dalla Riva, autor do livro Uncharted Territory: What Numbers Tell Us About the Biggest Hit Songs and Ourselves.

Como disse Tom Poleman, diretor de programação da iHeartMedia: “Quando Taylor Swift está trabalhando com Max, isso significa apenas sucessos”.

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‘The Life of a Showgirl’ atualiza o plano de negócios que move o império Taylor Swift

3 de Outubro de 2025, 06:00

O lançamento de The Life of a Showgirl, novo álbum da megaestrela pop Taylor Swift, é a atualização de uma engrenagem de negócios que desafia o modo como a indústria da música opera. Aos 35 anos, Swift ocupa um lugar único no mundo do entretenimento: é, ao mesmo tempo, produto, marca, empresária e fenômeno macroeconômico.

A Bloomberg já definiu bem em uma matéria de capa, anos atrás: “Taylor Swift é a indústria da música”.

A frase resume uma carreira construída como quem ergue um edifício, pilar por pilar, cada andar mais sólido que o anterior. O resultado é a presença constante no topo das paradas e um impressionante império econômico sustentado por quatro pilares centrais: a música, os fãs, a autonomia sobre a própria carreira e os espetáculos que a loirinha oferece ao seu dedicado e crescente público.

O InvestNews mergulhou nesse modelo de negócios para entender como uma adolescente do country se transformou em força econômica capaz de movimentar PIBs nacionais e ser citada em relatórios de bancos centrais.

1) A música como narrativa pessoal

Ao contrário de muitas estrelas pop, Taylor Swift escreve praticamente tudo o que grava. Suas canções têm origem em diários pessoais, o que cria uma conexão íntima com a base de fãs. Para eles, ouvir cada faixa é como compartilhar a vida da artista em tempo real, acompanhando amores, conflitos e recomeços.

Esse componente narrativo é a base de um mecanismo de renovação constante na música dela, o que se reflete nos álbuns cuidadosamente planejados, de tal forma que cada um deles constitui também uma “era”: Fearless, marcada pelo romantismo country; 1989, a guinada para o pop cosmopolita; Reputation, mais sombria e confrontadora; Folklore, introspectivo e minimalista.

A cada era, um pacote completo: estética, letras, performances e identidade visual. Essa estratégia evita a saturação da imagem, cria expectativa em torno da próxima transformação e abre espaço para reposicionamentos de marca. Os álbuns de Taylor Swift funcionam como capítulos de uma saga que milhões de pessoas querem consumir e reinterpretar.

2) Os swifties: comunidade como ativo econômico

Mas não há narrativa sem público. É aqui que entram os swifties, a comunidade de fãs que funciona como exército voluntário. Eles são a prova contundente de como a música em tom pessoal de Taylor Swift, a personalidade e o carisma da cantora são capazes de se conectar de maneira íntima com milhões de pessoas ao redor do planeta.

Os swifties têm em comum a devoção pela artista, e Taylor cultiva como ninguém o fervor que faz de seus fãs a base de sua estratégia de marketing. Seus lançamentos começam sempre pelos seguidores mais fiéis, alimentados por easter eggs escondidos em clipes, figurinos, unhas, posts de rede social. Cada pista desencadeia uma avalanche de teorias, debates e viralizações.

Quando o consenso entre os fãs é de que “algo está por vir”, forma-se a primeira onda de divulgação. Quando o anúncio oficial chega, os mesmos fãs amplificam a mensagem, gerando a segunda onda. O efeito é uma máquina de marketing descentralizada e incrivelmente eficiente.

“Quanto será que eu consigo antecipar? Será que eu posso insinuar algo com uma antecedência de três anos? Acho que vou tentar fazer isso”, disse ela ao apresentador Jimmy Fallon em 2022.

Essa relação é reforçada por gestos de proximidade. Swift já realizou as chamadas Secret Sessions, encontros em que selecionava fãs para ouvir álbuns antes do lançamento. Cada detalhe reforça a sensação de intimidade com a cantora. É comum que Swifties se relacionem com a artista como se ela fosse uma amiga pessoal, alguem a quem confiam segredos, ainda que a grande maioria nunca tenha a chance de falar com Taylor.

O resultado aparece nos números. Durante a Eras Tour, fãs gastaram em média US$ 1.300 por show nos Estados Unidos, considerando ingressos, hospedagem, transporte e consumo. É um efeito que ultrapassa a música: a artista ativa cadeias inteiras da economia, como veremos mais adiante.

3) CEO de si mesma

No cerne do modelo está uma característica rara na indústria fonográfica: o controle de tudo por parte do próprio artista. Swift sempre deixou claro que queria ser dona de todos os seus masters — as gravações originais de estúdio. Isso levou a uma longa batalha pública com os proprietários dos masters de seus seis primeiros discos.

Ela podia não ter as gravações, mas tinha os direitos autorais sobre as obras por ser compositora das canções. Taylor decidiu, então, regravar as canções, criando o selo “Taylor’s Versions“. Era um apelo para que seus fãs abandonassem as versões originais, aderissem às novas, e ainda uma estratégia para apresentar a uma nova geração de fãs as músicas que ela criou quando era adolescente.

O público aderiu, o que provavelmente fez as gravações antigas perderam valor de mercado – um fundo de investimentos chegou a pagar US$ 300 milhões pelas masters. Agora, em 2025, a cantora fechou um acordo para recomprar os masters dos seis primeiros discos. Taylor Swift não revelou quanto pagou para obter a propriedade neste novo acordo.

O gesto foi coroado com uma carta aberta aos fãs, onde ela escreveu:

“Toda a música que eu fiz agora pertence a mim. Todos os meus clipes, todas as filmagens dos meus shows, a arte dos álbuns e a fotografia. As músicas ainda não lançadas, as memórias, a mágica, a loucura, cada uma das minhas eras, todo o trabalho da minha vida.”

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Capa da revista Bloomberg Businessweek de novembro de 2014. Foto: Reprodução

Essa postura “dona de mim” vai além da regravação. Em 2014, Swift removeu todo o catálogo do Spotify por considerar injusta a remuneração. Voltou apenas três anos depois. Em 2015, escreveu uma carta aberta à Apple exigindo pagamento aos artistas mesmo durante o período gratuito do Apple Music. Ganhou a batalha em menos de 24 horas.

Swift pode vender docilidade em algumas de suas letras, mas quando o assunto é propriedade intelectual e dinheiro, atua como uma executiva de mão firme. Ela faz questão de estar no controle.

4) Muitos, muitos shows

Se os álbuns são diários musicados, os shows são a tradução máxima do império Swift. A Eras Tour, iniciada em 2023, quebrou todos os recordes conhecidos: US$ 2,1 bilhões arrecadados, mais de 10 milhões de ingressos vendidos em 149 shows que aconteceram em 21 países. É a maior turnê da história da música, praticamente o dobro do US$ 1,1 bilhão faturado pela Music of the Spheres World Tour, da banda inglesa Coldplay, que ocupa a segunda posição no ranking.

O impacto foi além da bilheteria. A U.S. Travel Association calculou que apenas a etapa americana gerou US$ 5 bilhões em gastos diretos. O impacto econômico total dos 53 shows nos Estados Unidos é estimado em US$ 10 bilhões, algo em torno R$ 53 bilhões.

O fenômeno entrou até em relatórios do Federal Reserve da Filadélfia. A representação do banco central americano disse que a Filadélfia registrou o mês mais forte em receita hoteleira desde a pandemia “em grande parte devido ao fluxo de visitantes para os shows de Taylor Swift”. No Reino Unido, o Barclays estimou que a turnê acrescentaria £1 bilhão ao PIB britânico. Em Singapura, seis apresentações provocaram alta de 0,5 ponto percentual no PIB local.

E não faltaram efeitos inusitados. Em Seattle, o público pulando em uníssono durante Shake it Off gerou tremores equivalentes a um terremoto de magnitude 2,3, registrados por sismógrafos como um “Swift-quake”.

A turnê histórica foi responsável por tornar Taylor Swift bilionária, marco atingido em outubro de 2023, segundo a Forbes – o que fez dela a primeira artista e se tornar bilionária somente com o dinheiro ganho por meio das músicas e dos shows, sem contar outros empreendimentos empresariais.

A Forbes calcula a fortuna de Taylor em US$ 1,6 bilhão, divido em US$ 800 milhões advindos de royalties e rendas com os shows, US$ 600 milhões pelo catálogo próprio e mais de US$ 100 milhões em imóveis.

Uma nova era

O novo álbum, The Life of a Showgirl, surge como produto e reflexo desse momento. Foi concebido durante o período da Eras Tour e funciona como síntese de uma artista que transformou, com muito sucesso, a própria vida em espetáculo.

A lógica é circular: experiências viram letras, letras se transformam em eras, as eras movimentam fãs, fãs sustentam turnês, turnês criam impactos econômicos que retroalimentam a narrativa de poder. O ciclo se fecha, pronto para recomeçar.

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