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Hapvida mantém revisão de 947 mil contratos após ação da ANS

21 de Agosto de 2026, 10:05

A Hapvida informou nesta sexta-feira (21) que seguirá revisando os contratos de cerca de 947 mil beneficiários e afirmou não ter recebido notificação formal da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) sobre a medida cautelar anunciada pela agência para suspender preventivamente reajustes e cancelamentos ligados a esses contratos.

A medida foi anunciada pela ANS na quinta-feira, depois que a Hapvida informou a intenção de revisar contratos considerados de rentabilidade inadequada ou com histórico de inadimplência.

O grupo de 947 mil beneficiários representa cerca de 11% da carteira de saúde da companhia. Segundo a agência, o objetivo é proteger os beneficiários e apurar possíveis indícios de seleção de risco — prática vedada pelas regras do setor.

Em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Hapvida confirmou as informações já divulgadas sobre a revisão da carteira. O processo será conduzido contrato a contrato, conforme a data de aniversário de renovação de cada acordo, ao longo dos próximos 12 meses.

Segundo a companhia, a revisão comercial faz parte da atividade ordinária da operação. Nos contratos coletivos, as renegociações seguirão as condições previstas nos próprios acordos e as normas da ANS, incluindo prazos de vigência e aviso prévio.

A empresa apresenta aos contratantes as condições consideradas necessárias para o reequilíbrio dos contratos, mas a decisão de aceitar ou não as propostas cabe aos clientes. A revisão, portanto, não implica necessariamente o cancelamento dos contratos, já que as partes podem negociar condições para a continuidade dos acordos.

Hapvida pediu audiência com a ANS

A Hapvida afirmou que tomou conhecimento pela imprensa da suposta medida cautelar de ofício adotada pela ANS e, como não recebeu comunicação formal da agência, solicitou por iniciativa própria uma audiência com o órgão.

A companhia pretende apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios relacionados à revisão e disse que prestará todos os esclarecimentos solicitados pela ANS pelos canais oficiais.

A empresa também afirmou que não houve alteração nas informações e nas perspectivas divulgadas nos resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Judicialização dos planos de saúde

O episódio ocorre em um momento de forte pressão sobre o setor de saúde suplementar, que também enfrenta o avanço da judicialização. Levantamento do InvestNews mostra o crescimento expressivo dos processos envolvendo planos de saúde e os impactos desse movimento sobre as operadoras. Leia a reportagem completa

Esse cenário pressiona ainda mais as despesas das operadoras, que precisam arcar com decisões judiciais relacionadas a tratamentos, procedimentos e coberturas — o que pode elevar custos e afetar a rentabilidade dos contratos.

No caso da Hapvida, a revisão da carteira ocorre justamente em meio ao esforço da companhia para melhorar a rentabilidade e a geração de caixa. A suspensão preventiva determinada pela ANS pode interferir no andamento dessas medidas, mas o impacto final dependerá dos esclarecimentos apresentados pela empresa e da avaliação do regulador.

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Hapvida perto de mínimas históricas com onda de rebaixamentos

19 de Novembro de 2025, 12:59

As ações da Hapvida estão próximas das mínimas históricas após um resultado abaixo do esperado na semana passada ter desencadeado uma onda de rebaixamentos para a operadora de saúde.

O UBS BB foi o banco mais recente a rebaixar a recomendação da ação esta semana, reduzindo-a de compra para neutra e cortando o preço-alvo de R$ 55 para R$ 21. O resultado abaixo do esperado desencadeou um mergulho de 42% nas ações. Os papéis da empresa registraram a pior sessão da história em 13 de novembro, com a empresa perdendo mais de R$ 7,7 bilhões em valor de mercado desde então.

Analistas de bancos como JPMorgan, Citi, Banco Safra e Banco do Brasil rebaixaram a Hapvida na última semana, após os resultados trimestrais ficarem amplamente abaixo das estimativas, com custos médicos mais altos, maior concorrência e dinâmica de preços pressionando ainda mais as margens. A empresa agora tem sete recomendações de compra e sete de manutenção, com o número de analistas otimistas no nível mais baixo desde que a empresa abriu capital há sete anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. E a perspectiva continua desafiadora.

“A Hapvida apresentou um conjunto muito fraco de resultados no 3T25, ficando bem abaixo do consenso e desencadeando uma forte venda das ações”, afirmou o analista Ricardo Boiati, do Banco Safra, em nota: “A ausência de metas de margem, seja de curto ou longo prazo, deixa o mercado praticamente no escuro quanto ao caminho da recuperação e ao equilíbrio de longo prazo.”

O analista do UBS BB André Salles afirmou que as margens da Hapvida devem permanecer sob pressão nos próximos dois anos devido ao crescimento da base de beneficiários abaixo do esperado e aos modestos aumentos de preços.

O Citi também revisou as estimativas para os próximos dois anos, reduzindo as previsões de lucros em 46% e 40% para 2026 e 2027, respectivamente, ao mesmo tempo em que cortou drasticamente o preço-alvo das ação de R$ 57 para R$ 23.

“A combinação de uma piora na receita líquida no curto prazo e a contínua recuperação de custos e despesas aumentou o risco para nossa tese de margem, que deve levar muito mais tempo para se materializar”, afirmou o analista Leandro Bastos, do Citi, em uma nota aos clientes. O banco rebaixou a recomendação da ação para neutra. “A visibilidade dos resultados permanece próxima de zero neste momento.”

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