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O casamento de 70 anos entre McDonald’s e Coca-Cola está em crise

16 de Junho de 2026, 06:03

Waddy Pratt, executivo da Coca-Cola, chegou a uma incipiente rede de hambúrgueres em Des Plaines, Illinois, onde um homem chamado Ray Kroc estava lavando o estacionamento com uma mangueira. O ambicioso empreendedor de refrigerantes acreditava que os restaurantes McDonald’s que Kroc imaginava expandir pelo país precisariam de uma bebida assinatura — e achava que a Coca-Cola poderia ser essa escolha.

O acordo informal firmado em 1955 selou a união entre duas marcas que, juntas, se tornaram ícones do capitalismo americano — e dos próprios Estados Unidos.

“Desde então, nossas marcas estão conectadas a cada gole”, disse a Coca-Cola em uma publicação no LinkedIn no ano passado, que celebrou os 70 anos da parceria.

Mas, como em muitos relacionamentos, há problemas. Não é que as duas empresas não estejam comprometidas uma com a outra, dizem executivos. É que o McDonald’s hoje já não está satisfeito em planejar tudo apenas em torno da Coca-Cola.

O McDonald’s está em busca de novos negócios. O crescimento nas vendas de hambúrgueres nos EUA desacelerou, enquanto Starbucks e Dunkin’ mostram que bebidas podem gerar bilhões por conta própria.

Red Bull ganha espaço

Nesta primavera no hemisfério norte, o McDonald’s lançou seus próprios refrigerantes personalizados e bebidas refrescantes. E se prepara para lançar uma linha de energéticos ancorada pela Red Bull — algo inédito para os Arcos Dourados, em referência ao seu logo universal.

Executivos e franqueados da rede dizem que há anos pedem mais opções à Coca-Cola. Algumas tentativas anteriores de inovação, como bebidas engarrafadas ou o sistema de máquinas “Freestyle”, que permitia aos clientes criar suas próprias misturas, não tiveram sucesso.

Enquanto isso, a popularidade dos refrigerantes tradicionais vem caindo, já que consumidores mais jovens buscam sabores exóticos e combinações com cores “prontas para o TikTok”.

“A Coca entende que queremos mais dela”, disse Jim Lewis, ex-franqueado do McDonald’s que trabalhou por 32 anos em parceria com a empresa.

Lewis, ex-presidente da cooperativa de franqueados da região de Nova York, viajou a Atlanta para reuniões com executivos da Coca na década de 2000, testou a máquina Freestyle em restaurantes no Queens no início dos anos 2010 e participou de comitês que estudavam bebidas engarrafadas no McDonald’s, incluindo o Vitaminwater da Coca.

Segundo ele, a máquina Freestyle exigia mais esforço do que trazia retorno, e os testes com Vitaminwater também fracassaram.

@wallstreetjournal

WSJ’s Heather Haddon visited McDonald’s global headquarters in Chicago to try new refreshers, dirty sodas and other cold beverages the chain is rolling out to U.S. restaurants in May. Host/Reporter: Heather Haddon Producer: Brian Patrick Byrne mcdonalds dirtysoda soda DrPepper Sprite wsj

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Trabalhar na conta do McDonald’s é um dos cargos mais prestigiados na sede da Coca em Atlanta. O presidente do grupo responde diretamente ao CEO da empresa e é um veterano com 34 anos de casa; um ex-líder do time era filho do antigo CEO Roberto C. Goizueta.

Henrique Braun, executivo brasileiro que assumiu como CEO da Coca-Cola em março, disse que a parceria com o McDonald’s continua “fantástica”. A Coca já participou da criação de novas bebidas do tipo “dirty soda” da rede, usando Sprite e xaropes para criar bebidas coloridas.

“Como fazemos com todos os nossos clientes, respeitamos suas decisões”, disse Braun ao comentar a inclusão da Red Bull pelo McDonald’s. “Mas sempre buscamos continuar sendo o principal fornecedor de bebidas para todos os consumidores — e isso não é diferente com o McDonald’s.”

O maior grupo de fast food do mundo, com receita anual de cerca de US$ 27 bilhões, afirmou estar comprometido com a parceria com a Coca, mas também quer ampliar sua rede de fornecedores para seus 45.700 restaurantes — incluindo 13.730 nos EUA.

“Somos guiados pelas preferências dos clientes e tendências emergentes”, disse uma porta-voz. “Seguimos profundamente comprometidos com nossa parceria de longa data com a Coca-Cola.”

Na feira anual da National Restaurant Association em Chicago no mês passado, a Coca exibiu uma variedade de bebidas em teste, incluindo uma bebida energética congelada em tons de arco-íris e bebidas rosadas voltadas ao público jovem.

Tradicionalmente, a Coca não apresentaria produtos ainda em desenvolvimento, disse Josh Gurley, chefe de transformação e crescimento estratégico da empresa.

Mas a gigante das bebidas, com receita anual de US$ 47,9 bilhões, sabe que restaurantes querem mais — e por isso distribuiu amostras de Strawberry Hot Honey Lemonade e Blueberry London Fog. Normalmente, a empresa só apresentaria novos produtos após contratos fechados.

“Isso é um pouco desconfortável para nós”, disse Gurley enquanto pessoas provavam drinks experimentais no estande.

Em 1955, quando Pratt e Kroc se encontraram, perceberam que padronizar os produtos do McDonald’s ajudaria a garantir qualidade uniforme e reduzir custos via escala de compras.

Pratt criou uma equipe que deu origem à McDonald’s Division (TMD). A Coca focou em vender Coca-Cola tradicional nas máquinas da rede, que também vendia outras bebidas próprias, como root beer e laranja.

A Coca passou a fornecer vendedores dedicados aos franqueados e expandiu o portfólio para incluir Sprite nos anos 1980, retirando a 7UP das máquinas do McDonald’s. Representantes da Coca no contrato se autodenominavam “guardians of the handshake” (“guardiões do aperto de mãos”), em referência ao acordo original.

Desde o início, o McDonald’s queria que a Coca servida em suas máquinas tivesse gosto mais fresco do que em qualquer outro lugar. Para isso, adotou medidas incomuns: sistemas de filtragem de água, controle de temperatura próximo ao congelamento para aumentar o gás, e calibração frequente das máquinas para garantir proporções corretas de xarope e gelo.

A Coca também realizava auditorias técnicas regulares, analisando temperatura e carbonatação, e entregava o xarope em tambores de aço inoxidável de 75 galões, enviados por caminhões e conectados diretamente às lojas.

A parceria gerou frutos. Nos anos 1980, executivos da Coca defenderam o conceito do “extra value meal”, combinando sanduíche, bebida e batata a preço reduzido — modelo que se tornaria padrão na indústria.

A Coca ajudou a financiar campanhas de marketing do McDonald’s, e seus refrigerantes se tornaram presença constante nas propagandas da rede.

Em 2002, o McDonald’s passou a adotar menus a la carte de US$ 1, o que reduziu a relevância dos combos com Coca. O período foi difícil para a empresa de bebidas, já que as vendas de refrigerantes caíam nos EUA.

Por volta de 2006, a Coca testou a venda de bebidas engarrafadas em lojas selecionadas do McDonald’s no Texas, incluindo marcas como Powerade, cafés gaseificados e energéticos.

Alguns franqueados passaram a vender produtos da PepsiCo, como Mountain Dew e Gatorade, em refrigeradores separados — algo inédito na história da rede.

As vendas de bebidas engarrafadas foram inferiores às de refrigerante de máquina, e os testes terminaram até 2009. Mas o episódio acendeu alertas na Coca sobre sua posição dominante no McDonald’s.

Mais tarde, o McDonald’s passou a dar espaço a outros refrigerantes em algumas máquinas, reduzindo a presença de marcas da Coca.

A rede passou a considerar novas parcerias após o sucesso da PepsiCo com o Taco Bell e o Mountain Dew Baja Blast, lançado em 2004 e que geraria mais de US$ 1 bilhão em vendas anuais.

O refrigerante também passou a enfrentar concorrência de Starbucks, que expandiu bebidas geladas e frappés e criou uma linha de refrescos frutados que se tornou um negócio de US$ 2 bilhões.

Em 2015, a Coca comprou participação na Monster, concorrente da Red Bull, e o McDonald’s testou a marca em algumas lojas — sem sucesso.

A rede decidiu, então, focar em seu café McCafé.

A Starbucks mostrou ao McDonald’s o grande mercado de bebidas especiais (Lanna Apisukh/WSJ)

Em 2015, o McDonald’s contratou Chris Kempczinski, ex-PepsiCo e Kraft Heinz, para liderar estratégia e inovação, com foco em bebidas.

Ele lançou em 2023 o conceito CosMc’s, voltado a bebidas como lattes e frappés, que acabou sendo encerrado cerca de 18 meses depois, mas serviu de base para novos testes.

Em 2025, a empresa colocou Charlie Newberger, ex-líder do CosMc’s, para liderar o desenvolvimento de bebidas.

“Precisamos de alguém que pense de forma exclusiva no que a oferta de bebidas do McDonald’s deve ser daqui a cinco anos”, disse Kempczinski.

Em um evento recente em Chicago, a empresa apresentou novos produtos para influenciadores digitais.

Segundo executivos, testes iniciais mostram que consumidores substituem bebidas tradicionais por novas opções, sem grande impacto direto nos refrigerantes clássicos.

Na feira de maio, a Coca apresentou novas máquinas para “dirty sodas” e bebidas com xaropes, que foram observadas por executivos do McDonald’s.

A rede também testou novas bebidas em Colorado e Wisconsin, incluindo Sprite com sabores especiais e até versões com bebidas energéticas. Em alguns casos, a Red Bull se destacou como a favorita dos consumidores.

“Meu Deus, acho que tenho uma nova obsessão. Isso é muito bom”, disse um cliente em vídeo no TikTok sobre o teste com Red Bull no McDonald’s.

McDonald’s dará nome ao novo estádio do Chicago Fire nos Estados Unidos

13 de Maio de 2026, 09:30

O McDonald’s vai dar nome ao novo estádio do Chicago Fire Football Club, em sua primeira parceria de naming rights com um grande estádio profissional nos Estados Unidos. A arena, batizada de McDonald’s Park, tem inauguração prevista para 2028 e está sendo construída na região do South Loop, às margens do Rio Chicago, ao sul do centro financeiro da cidade.

O projeto é financiado pelo proprietário do clube, Joe Mansueto, fundador da empresa de pesquisa de investimentos Morningstar, e fica próximo ao distrito financeiro da cidade e à sede global da McDonald’s. O estádio substituirá o atual uso do Soldier Field pelo Chicago Fire.

Com capacidade para mais de 22 mil torcedores em jogos de futebol e até 31 mil em shows e eventos especiais, o McDonald’s Park foi concebido como um espaço multiuso e de uso contínuo, com programação ao longo de todo o ano. Além das partidas do Chicago Fire na Major League Soccer (MLS), o local deve receber shows, eventos culturais, festivais, conferências e iniciativas comunitárias.

Diferentemente de um estádio tradicional, o projeto prevê integração direta com a marca McDonald’s, incluindo a instalação de um restaurante flagship dentro da arena e experiências gastronômicas e interativas ligadas ao universo da empresa. A companhia também terá participação ativa no desenho de experiências para torcedores, com ativações de marca, elementos criativos e ações durante os jogos.

Segundo o McDonald’s, a iniciativa busca conectar esporte, alimentação, cultura e comunidade, reforçando a ideia de que o estádio será um espaço de convivência urbana e não apenas de eventos esportivos. Em comunicado, o CEO da empresa, Chris Kempczinski, afirmou que o objetivo é “construir um lugar que sirva alegria, gere impacto e seja projetado para futuras gerações”.

O acordo também reforça a aposta da companhia no crescimento do futebol nos Estados Unidos e em sua cidade de origem, em um momento em que Chicago enfrenta desafios de atratividade econômica após a saída de grandes empresas e debates sobre segurança pública.

No campo social, a parceria prevê uma forte expansão de iniciativas comunitárias. A partir de 2027, a McDonald’s será parceira principal do programa P.L.A.Y.S. (Participate, Learn, Achieve, Youth, Soccer), voltado ao ensino de futebol em escolas públicas de Chicago. O projeto deve crescer de 70 escolas para cerca de 140 escolas até a abertura do estádio e pode alcançar mais de 280 escolas no longo prazo, com foco em comunidades de baixa renda.

Pazes com Chicago

O estádio ficará em uma área de desenvolvimento urbano que inclui praças públicas e novos empreendimentos residenciais e comerciais, com o objetivo de impulsionar a economia local e criar um novo polo de atividades no South Loop. O McDonald’s não divulgou os termos financeiros detalhados do acordo.

O jornal americano Wall Street Journal destacou que o contrato, válido até 2040, marca uma reaproximação da McDonald’s com sua cidade de origem após um período de tensões.

Nos últimos anos, a empresa expressou preocupações com os rumos de Chicago. Em 2022, o CEO Chris Kempczinski criticou a falta de liderança no enfrentamento da criminalidade na cidade. “Há uma percepção geral de que nossa cidade está em crise”, afirmou em discurso no Economic Club of Chicago.

No ano passado, a companhia também se opôs a uma proposta de imposto empresarial apoiada pelo prefeito Brandon Johnson. Em um artigo publicado no Chicago Tribune, um executivo sênior afirmou que, embora Illinois faça parte da história da empresa desde o início, “no fim das contas, as corporações têm escolha sobre onde se estabelecer”.

O texto alimentou especulações no setor de que a McDonald’s poderia deixar Chicago, como já fizeram outras empresas. O conselho da cidade acabou rejeitando a proposta de imposto.

A McDonald’s tem suas origens em um restaurante fundado em San Bernardino, na Califórnia, e cresceu globalmente sob a liderança de Ray Kroc, que abriu uma unidade em um subúrbio de Chicago em 1955. A empresa foi sediada na cidade entre 1955 e 1971, quando se mudou para um subúrbio, e retornou ao centro de Chicago em 2018.

Segundo a reportagem do WSJ, os acordos de naming rights em estádios da MLS variam de dezenas de milhões a mais de US$ 100 milhões.

O Chicago Fire iniciou a busca por um parceiro de naming rights há cerca de seis meses, avaliando centenas de potenciais patrocinadores. O McDonald’s apareceu no topo da lista por sua presença local e valores compartilhados, segundo o presidente de operações comerciais do clube, Dave Baldwin.

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Preço da carne não para de subir. Para McDonald’s e Burger King, é hora de apostar em promoções

23 de Março de 2026, 06:00

Os lucros das maiores redes de hambúrguer dos Estados Unidos estão sob pressão — e, ainda assim, elas seguem apostando em descontos.

As marcas de fast-food vêm enfrentando o aumento acelerado no custo da carne bovina, que subiu 48% nos últimos 12 meses no atacado para o tipo de carne moída mais comum no setor, segundo dados federais.

Ainda assim, quando os americanos comem fora, mais consumidores estão optando por itens com promoções do que em qualquer momento dos últimos 50 anos, de acordo com a consultoria Circana.

A combinação de mais descontos com custos mais altos ameaça pressionar ainda mais as margens. No ano passado, a lucratividade média por restaurante do Burger King nos EUA caiu cerca de 10%. A Jack in the Box afirmou no mês passado que o custo da carne e vendas mais fracas reduziram os ganhos dos franqueados.

“Os dias de gastar mais de US$ 15 em uma refeição de hambúrguer ficaram para trás para nós, quando há opções melhores”, disse Josh Fulps, de 28 anos, que trabalha com gestão de patrimônio em Vancouver, Washington. Ele afirmou que, quando vai ao fast-food, busca religiosamente descontos no aplicativo do McDonald’s ou opta por combos promocionais como o Biggie Bag da Wendy’s.

Os preços da carne devem permanecer elevados, já que pecuaristas reduziram seus rebanhos ao menor nível em 75 anos e não têm pressa para expandi-los.

O movimento de queda no fluxo de clientes começou em 2024, levando McDonald’s, Taco Bell, Burger King e outras empresas a intensificarem as promoções. No ano passado, as redes de hambúrguer nos EUA lançaram cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019, segundo a Technomic.

Neste ano, as ofertas avançam ainda mais. O McDonald’s deve lançar no próximo mês um novo menu de US$ 3 ou menos, com itens como McDouble, batatas fritas ou hash browns, segundo pessoas familiarizadas com o plano. Essa será a quarta atualização nacional de ofertas de valor da rede em cerca de 21 meses.

“Vamos fazer o que for preciso para atender os consumidores de uma forma que também seja lucrativa para o nosso negócio”, disse o diretor financeiro do McDonald’s, Ian Borden, em entrevista em fevereiro.

As redes de fast-food registraram margem média de lucro de 4% no ano passado, pressionadas pela alta de custos, especialmente de mão de obra, segundo a National Restaurant Association. Em 2016, essa margem era estimada em 6,6%.

Segundo Jim Lewis, franqueado do McDonald’s por 32 anos até 2019, a rede deve conseguir lidar com o cenário graças ao alto volume de vendas, mas a guerra de descontos deve agravar os desafios de lucratividade para outras redes.

“O vencedor está indo bem, mas a categoria de hambúrgueres está sob pressão”, afirmou.

O Burger King mantém suas ofertas atuais de valor — US$ 5 por dois itens ou US$ 7 por três — como forma de dar flexibilidade entre hambúrgueres, acompanhamentos e sobremesas. A empresa diz estar confiante nos resultados dessas estratégias.

Outras iniciativas, como campanhas de marketing, reformas de lojas e melhorias operacionais, também têm ajudado a sustentar a rentabilidade dos franqueados em um ambiente desafiador.

Na Jack in the Box, o diretor de clientes e digital, Ryan Ostrom, afirmou que a marca tem lançado ofertas no momento certo, “não apenas quando os concorrentes fazem o mesmo”. Wendy’s e Jack in the Box disseram que seguem comprometidas em proteger a rentabilidade dos franqueados com investimentos em tecnologia e eficiência.

No mercado financeiro, as ações do McDonald’s subiram 0,9% no último ano, enquanto os papéis da controladora do Burger King, Restaurant Brands International, avançaram cerca de 9%. Já a Shake Shack caiu 1,8%, a Wendy’s recuou 53,8% e a Jack in the Box despencou 64,4%.

Para Greg Creed, ex-CEO da Yum! Brands (dona de KFC e Taco Bell), os descontos só funcionam se atraírem mais clientes sem comprometer a saúde financeira dos operadores.

“O futuro da marca depende do sucesso financeiro dos franqueados, não da saúde financeira da franqueadora”, disse.

As promoções ajudaram a conter a queda no movimento, embora os consumidores mais pressionados ainda não tenham retornado totalmente, segundo a Revenue Management Solutions. O tráfego melhorou ao longo de 2025, e as visitas em dezembro superaram o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Technomic.

As redes de hambúrguer ainda lideram o fast-food nos EUA, com o dobro das vendas das cadeias de frango, mas segmentos como frango, café e comida mexicana crescem mais rápido.

Desde 2019, o número de restaurantes de hambúrguer no país caiu cerca de 6%, segundo a Datassential. Wendy’s e Jack in the Box estão fechando centenas de unidades.

Executivos do setor afirmam que, mesmo com preços mais baixos, promoções como “leve um, pague outro” e combos de US$ 5 ainda podem gerar lucro para as empresas e seus franqueados.

Jim Lewis lembra que ajudou a impulsionar o menu de US$ 1 no McDonald’s nos anos 2000, quando as vendas estavam fracas. A estratégia aumentou o fluxo de clientes — e também os lucros.

“Você pode tolerar muita dor se conseguir aumentar as vendas”, disse.

@investnewsbr

Dilemas na Copa do Mundo, provocação no fast food e mais no Giro InvestNews de sexta, com conteúdo exclusivo do The Wall Street Journal. #notícias #WSJ

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O vídeo de 13 segundos que reacendeu a rivalidade entre McDonald’s e Burger King

5 de Março de 2026, 10:03

Bastaram poucas palavras murmuradas com a boca cheia de hambúrguer para Tom Curtis atingir seu maior concorrente.

“Só está faltando uma coisa”, disse o presidente do Burger King, limpando a boca com a mão após dar uma mordida em um dos Whoppers da rede. “Um guardanapo.”

O clipe de Curtis, publicado nos canais de redes sociais do Burger King nesta semana, tem cerca de 13 segundos. Foi tempo suficiente para marcar um ponto contra o McDonald’s, cujo vídeo do CEO comendo hambúrguer virou alvo de críticas e piadas online.

Foi uma jogada provocativa do Burger King, cujas vendas anuais nos EUA somam US$ 11,1 bilhões — muito abaixo dos US$ 55,1 bilhões do líder de mercado McDonald’s, segundo a empresa de pesquisa Technomic.

No momento, as duas redes promovem novos hambúrgueres. O Big Arch do McDonald’s foi lançado oficialmente nesta semana e, segundo a empresa, está ganhando impulso nas vendas graças à atenção recebida. Já o Burger King está promovendo uma versão atualizada do Whopper.

Nas redes sociais, ambas as redes tentaram transformar seus principais executivos em garotos-propaganda. Isso significa que tudo — das expressões faciais ao tamanho da mordida — é revisto, analisado ou ridicularizado por milhões de pessoas.

Foi o que o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, descobriu nesta semana, quando um vídeo que ele gravou quase um mês antes sobre o hambúrguer Big Arch voltou a circular com força. E não de forma positiva.

Kempczinski publica reflexões sobre tendências alimentares, gestão e o cardápio da rede desde 2020. Muitas vezes aparecendo de seu escritório na sede do McDonald’s em Chicago, ele acumulou centenas de milhares de seguidores nas redes sociais.

Ele publicou seu vídeo sobre o Big Arch no início do mês passado. “Eu nem sei por onde começar. Meu Deus, tem muita coisa aqui”, diz Kempczinski no clipe. “Certo, momento da verdade. Mmm. Isso é muito bom. Essa foi uma grande mordida para um Big Arch.”

@tmz

McDonald’s just dropped the massive “Big Arch” burger — but even the Golden Arches’ top dog isn’t impressed 🤢🍔 🎥: Instagram/chrisk_mcd Full story at the link in bio.

♬ original sound – TMZ – TMZ

Enquanto comentava sobre as cebolas crocantes e o mix de sementes do pão, Kempczinski mostrou o hambúrguer de dois hambúrgueres em um close. Foi quando os comentários começaram a surgir: “Essa foi a menor primeira mordida que já vi.” “Parece um vídeo de treinamento sobre como comer hambúrguer.” Alguns também ironizaram o CEO por chamar o hambúrguer de “produto”.

Kempczinski publicou o vídeo do Big Arch em 3 de fevereiro. No início, quase nada aconteceu. Mas na última semana, contas de humor e de notícias nas redes sociais redescobriram o vídeo e fizeram suas próprias versões, dando nova vida ao clipe.

Enquanto o vídeo de Kempczinski acumulava milhões de visualizações e milhares de comentários, o Burger King entrou na conversa com seu próprio vídeo. Vestindo um avental, Curtis pega um Whopper de um balcão da cozinha, dá uma grande mordida e acena para colegas próximos, com molho no rosto e um largo sorriso.

“Achamos que valia a pena rever isso”, escreveu o Burger King na legenda.

Centenas de comentários apareceram rapidamente. “Parece um cara que realmente já trabalhou em um de seus restaurantes”, escreveu um usuário no Instagram.

Na terça-feira, o próprio McDonald’s entrou na brincadeira, publicando uma foto do Big Arch com o slogan “dê uma mordida no nosso novo produto”. A legenda dizia: “não acredito que isso foi aprovado”.

A confusão viral está ajudando o McDonald’s onde realmente importa: no caixa. “Estamos felizes que o Big Arch esteja chamando a atenção de todos, inclusive dos concorrentes”, disse uma porta-voz. “As vendas iniciais estão superando as expectativas.”

Na quarta-feira, a Wendy’s também entrou na disputa, com um vídeo do presidente da empresa nos EUA comendo quase metade de um hambúrguer e mergulhando uma batata frita em um Frosty.

Uma porta-voz do Burger King reconheceu que “o timing pode parecer rápido”, mas disse que o vídeo faz parte dos “esforços contínuos” da rede para promover o Whopper.

Curtis trabalha desde 2021 para revitalizar o negócio do Burger King nos EUA, reformando milhares de unidades e renovando o cardápio com itens como Whoppers com picles fritos.

No Burger King, Curtis é conhecido por passar tempo atrás dos balcões e nas cozinhas da rede — e mais recentemente, também diante das câmeras. A empresa o transformou em presença constante nas redes sociais, com ações como publicar seu número de celular e incentivar clientes a ligar para dar feedback.

No McDonald’s, o vídeo do Big Arch também ampliou a presença online de Kempczinski. Desde que publicou o clipe, o número de seguidores dele cresceu 30%, segundo a empresa.

O post sobre o Big Arch já reuniu mais de 134 mil curtidas no Instagram. “Foi uma estratégia de marketing impressionante”, escreveu um usuário. “Até outras redes de fast-food estão ajudando a chamar atenção para o novo produto de um concorrente.”

Escreva para Heather Haddon em heather.haddon@wsj.com e para Jacob Bunge em jacob.bunge@wsj.com.

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