O conglomerado brasileiro Cosan registrou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão) no quarto trimestre, em meio à fraqueza na Raízen, seu negócio de açúcar e etanol.
A Cosan, que também controla operações em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou dezembro com dívida líquida de 9,7 bilhões de reais, uma queda de 46% em relação ao trimestre anterior, após a companhia receber um aporte de capital no fim de 2025.
Recentemente, as classificações de crédito da Cosan foram rebaixadas por diferentes agências, diante das preocupações com a Raízen, sua joint venture problemática com a Shell.
Para reduzir o endividamento, a Cosan tem buscado vender parte de seus ativos.
A Raízen registrou 11 bilhões de reais em perdas por impairment em seu balanço divulgado no mês passado, já que o aumento da dívida passou a representar risco para suas operações. A produtora de açúcar e etanol afirmou recentemente que poderá recorrer a um processo de reestruturação extrajudicial, após o fracasso nas negociações entre seus controladores, Cosan e Shell, sobre um plano de resgate mais amplo.
As negociações para resgatar a Raízen fracassaram depois que as duas empresas que controlam a empresa, Cosan e Shell, não chegaram a um acordo sobre um plano de capitalização, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, deixando a produtora brasileira de açúcar e etanol com opções cada vez menores para sair da crise de dívida.
A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela Shell, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada por estar discutindo conversas privadas.
Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, disse outra pessoa.
A empresa sediada em Londres prometeu publicamente injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo na Raízen na terça-feira e deve apresentar seu próprio plano para os bancos já nesta quarta-feira, segundo uma das pessoas. A Shell não quis comentar.
A Raízen busca capital após enfrentar dificuldades devido a uma combinação de altas taxas de juros, safras fracas e investimentos malsucedidos. Seus títulos de dívida despencaram e sua classificação de risco crédito foi rebaixada, chegando a preocupar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O plano da Shell pode ser a melhor esperança da Raízen para evitar um pedido de recuperação judicial. A proposta ainda incluiria um potencial aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, fundador da Cosan, e converteria cerca de R$ 25 bilhões de dívida em ações — melhorando o balanço patrimonial da empresa, mas diluindo a participação dos acionistas.
A proposta também tornaria a Shell acionista majoritária e exigiria que a empresa absorvesse a dívida da Raízen em seu próprio balanço e administrasse a empresa.
Credores pedem R$ 12 bilhões
Credores têm pressionado a Shell e a Cosan para injetarem até R$ 12 bilhões, argumentando que são empresas lucrativas com caixa suficiente para contribuir com mais do que estão oferecendo, conforme relatado anteriormente pela Bloomberg. Alguns credores argumentam que a Raízen precisa de cerca de R$ 25 bilhões em capital.
Se o plano da Shell for rejeitado, um pedido de recuperação judicial é o caminho mais provável — um resultado que também poderia prejudicar a Cosan. O conglomerado de Ometto ainda está trabalhando para administrar sua situação financeira após aceitar uma injeção de capital dos sócios do BTG no final do ano passado, mas seu nível de endividamento permanece desafiador. Sua exposição à Raízen poderia mergulhar a empresa novamente em crise, disse uma das fontes.
A Cosan não planeja mais injetar o R$ 1 bilhão na Raízen que havia proposto anteriormente em negociações com a Shell, disseram as fontes. Os fundos de private equity da BTG desistiram da ideia de adquirir uma participação significativa no negócio de distribuição de combustíveis da Raízen por cerca de R$ 5,5 bilhões, disse a pessoa.
A decisão da Cosan de abandonar seus planos de investimento na Raízen foi noticiada anteriormente nesta terça-feira pelo Valor Econômico.
No início da terça-feira, o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a empresa está comprometida em investir R$ 3,5 bilhões e que espera que a Cosan invista um valor equivalente.
A possibilidade de Ometto participar individualmente pode depender da obtenção de um empréstimo para contribuir com os R$ 500 milhões que propôs.
A BTG Pactual Holding, veículo de investimento para sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora a Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos, com quase 25%.
Os fundos de private equity da BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas pela empresa em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos de royalties, disse uma das pessoas.
Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores e sobre o nível de redução da alavancagem necessário, disse a pessoa. Tampouco houve consenso sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen, segundo a mesma pessoa.
A Shell também se opôs a um plano dos fundos da BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis na qual os fundos do BTG investiriam.
Pinto da Costa afirmou na terça-feira que a Shell não se opõe a uma reestruturação mais ampla que poderia envolver a divisão do negócio. No entanto, ele disse que, dada a interdependência das duas áreas e a complexidade da dívida da Raízen, a solução ideal seria primeiro tentar recapitalizar a empresa.
“Essa é a visão da Shell e dos principais credores. Se fizermos isso com a empresa ainda instável, o risco de implementar essa estratégia pode ser muito alto”, disse ele.
A operação da Orizon deve se modificar radicalmente após a aquisição da Vital, anunciada na última quarta-feira (17), num negócio de R$ 3 bilhões que movimentou o setor de aterros sanitários. É que a empresa combinada estuda ter até 28 plantas de biometano para explorar o potencial efervescente desse mercado. Isso se dará em até sete anos e a primeira inauguração pós fusão deve acontecer nos próximos dias.
A Orizon captou cerca de R$ 450 milhões por meio do Fundo Clima e da linha Finem, do BNDES, para colocar em pé sua segunda planta de purificação de biogás (resultante da decomposição de materiais orgânicos, como alimentos e resíduos industriais) em biometano (a versão renovável do gás natural).
Localizada em Paulínia, interior de São Paulo, a operação é fruto de uma joint venture com a Edge, do grupo Cosan, de Rubens Ometto. A unidade terá capacidade de produzir até 225 mil metros cúbicos (m³) por dia de gás de origem renovável e deve ser inaugurada em até duas semanas.
Milton Pilão, CEO da Orizon, avalia a inauguração de diversas plantas do tipo no Brasil nos próximos anos, já calculando a estrutura adquirida da junção dos negócios com a Vital. O potencial de biometano combinado após a fusão é estimado em 2 milhões de metros cúbicos por dia. Hoje, a produção brasileira é de 840 mil metros cúbicos por dia, segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás).
“Hoje, o que eu tenho de produção, contando com Paulínia, equivale a quase 300 mil metros cúbicos por dia, mas o nosso potencial é de 1,3 milhão. E a Vital tem operado 30 mil metros cúbicos, com potencial para 700 mil”, dizPilão ao InvestNews. “Devemos ter a construção da ordem de 18 plantas na Orizon durante os próximos cinco anos. E aproximadamente mais 10 plantas da Vital nos próximos seis ou sete anos. Ou seja, são praticamente 28 plantas de biometano.”
Na mágica de transformar lixo em energia, a empresa pretende se colocar em uma posição estratégica na comercialização de gás natural renovável no país.
“Com 2 milhões de metros cúbicos por dia, que representa mais do que o dobro da produção atual no Brasil, a gente se torna um player extremamente relevante no mercado de gás natural renovável e isso certamente será uma das grandes vertentes de potencial de crescimento da companhia”, reitera Pilão.
Para concretizar todo esse potencial, no entanto, a Orizon ainda terá que desembolsar “alguns bilhões em investimentos” nos próximos anos, segundo o CEO.
Hoje, o gás natural gerado pela empresa atende a comercializadoras e distribuidoras como Compass, Copergás e Ultragaz. A partir delas, o combustível é distribuído para termelétricas, indústria (como a de alimentos e bebidas, que faz pasteurização em escala abismal) e residências com gás encanado.
Fusão com a Vital
A combinação de negócios com uma das principais concorrentes era algo mapeado há um tempo. Pilão conta que a empresa negociou por mais de um ano a aquisição da Vital. Agora, a companhia resultante da fusão passa a deter 30 aterros sanitários e a tratar resíduos gerados por cerca de 40 milhões de brasileiros – antes da junção dos negócios, a Orizon tratava um pouco mais da metade disso. Isso significa uma fatia de quase 20% no fragmentado mercado de resíduos no país.
“A Vital é uma companhia que tem um histórico de geração de caixa, de performance, e que não estava à venda. Mas conseguimos chegar a conclusão de que nesse caso a construção de 2+2 é igual a 5, não a 4”, diz ele.
Além da capacidade de explorar o negócio de gás natural renovável no país, a Orizon agora ganha representatividade e adiciona capilaridade com a operação em estados importantes, como Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Estrategicamente, isso abre portas para vislumbrar um crescimento para o interior dessas regiões.
“O lixo gerado não viaja muito. Há uma barreira logística. Eu não posso transportar o lixo por mais de 50, 70 quilômetros, porque o custo logístico fica muito alto. Com essa incorporação, a gente trouxe complementariedade locacional. Isso traz mais avenidas de crescimento para esses estados onde a gente não estava presente”, comenta o CEO.
Sob a gestão do banqueiro carioca e hoje chairmanAndré Esteves, o BTG Pactual não apenas consolidou sua posição como maior banco de investimentos do país, como também viu a holding formada pelos seus 410 sócios – a chamada “partnership” – se transformar em um dos grupos empresariais mais influentes do Brasil. Tudo isso uma década depois de o banco atravessar sua maior crise.
Energia, telecomunicações, varejo, educação e logística compõem um portfólio que, pela diversidade e pela escala, ocupa um terreno que grupos empresariais tradicionais e holdings financeiras, como Itaúsa e Bradespar, jamais tiveram.
São histórias de grandes negócios, mas também de apostas frustradas, como a tentativa de consolidar o varejo farmacêutico com a BR Pharma, que terminou em falência, ou o da Sete Brasil, projeto criado para atender o pré-sal e que desmoronou em meio a denúncias de corrupção na Petrobras e que chegou a levar Esteves à prisão em 2015. Naquele momento, o grupo de sócios assumiu a dianteira dos negócios e manteve o banco de pé. O processo foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A compra de participações em empresas pela partnership dos sócios do BTG tem uma mecânica própria. Os sócios estruturam as operações considerando que os fundos administrados pela casa e grandes clientes tenham prioridade no investimento. Só depois dessa alocação entra a partnership.
O resultado é que boa parte das participações é compartilhada entre a holding dos sócios e veículos administrados pelo banco, o que torna mais difícil distinguir o que pertence exclusivamente a partnership e o que são dos fundos da casa. O BTG não usa capital próprio nas operações.
Ainda assim, é possível identificar a amplitude dessa atuação: a rede de investimentos se espalha por setores centrais da economia brasileira.
Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento
A partnership do BTG, o “CNPJ” que reúne o capital dos sócios e administra os dividendos do grupo, ganhou o formato atual a partir de 2009, quando André Esteves e outros executivos recompraram o Pactual do UBS por US$ 2,5 bilhões. O negócio foi emblemático porque voltou a priorizar o modelo de gestão adotado pelo Pactual antes da venda aos suíços.
Uma fonte ouvida pelo InvestNews lembra que a partnership do BTG não nasceu com a ambição de se tornar um grupo empresarial. Mas que, de certa forma, a holding acabou evoluindo para isso. “No fim do dia, é um grupo de investidores empreendedores, são todos banqueiros ali”, disse.
Dos quase R$ 10 bilhões distribuídos em JCP pelo BTG Pactual em 2024, cerca de R$ 6,9 bilhões foram para a partnership. Parte desses recursos é distribuída proporcionalmente aos sócios, enquanto outra parcela permanece na holding para novos investimentos do grupo.
A mecânica
A governança da holding de sócios se organiza em três círculos decisórios. O primeiro é o comitê principal da partnership, o núcleo duro formado pelos sete principais acionistas, responsáveis pela estratégia e pela alocação de capital. São eles: André Esteves; o CEO do BTG, Roberto Sallouti; Renato Santos – o “Renatão” – (tesouraria); Guilherme Paes (banco de investimento); Renato Cohn (CFO); Rogério Pessoa (gestão de patrimônio); e Rodrigo Góes (sales & trading).
O segundo é o comitê ampliado, composto por cerca de 12 sócios seniores – líderes das principais unidades de negócios, que apresentam propostas ao núcleo principal. Além dos sete principais acionistas, existem outros nomes proeminentes no grupo, como Antônio “Totó” Porto (institucional), Huw Jenkins (vice-chairman), Renato Mazzola (private equity), João Marcello Dantas (controladoria), Alexandre Camara (special situations), Marcelo Flora (varejo) e Rubens Henriques (gestão de ativos).
O terceiro núcleo envolve os comitês temáticos, que reúnem outros sócios em discussões sobre crédito, risco e modelagem de investimentos. São eles que sustentam a máquina que permite ao BTG executar investimentos bilionários com velocidade.
Um caso recente que ilustra bem a forma de trabalhar da partnership é a entrada na Cosan, negócio que envolveu um cheque total de R$ 4,5 bilhões. A operação transformou o grupo de sócios do BTG no maior acionista individual do conglomerado de Rubens Ometto, que vive uma crise de endividamento causada pela Raízen e por uma aposta mal-sucedida na Vale.
Eis o modus operandi. A operação foi estruturada pelo BTG e oferecida aos fundos administrados pelo banco abertos ao público, que têm prioridade.
O fundo de infraestrutura gerido pelo BTG alocou R$ 600 milhões no negócio. Como os fundos de private equity têm um limite de exposição de 25% do seu patrimônio, esse era o valor o máximo que o veículo em questão poderia investir. Em seguida, a mesma oportunidade foi aberta a clientes institucionais e de alta renda – que aportaram outros R$ 400 milhões por meio de coinvestimento.
Só depois desse duplo filtro (fundos e clientes) foi que a operação chegou aos sócios do BTG, que completaram o cheque com os R$ 3,5 bilhões restantes, ganhando maior peso nessa composição. A partnership nunca disputa com o cliente, mas completa a operação – muitas vezes com o maior cheque.
André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan (Ilustração: João Brito)
Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual e um dos poucos que acompanharam as duas eras do banco por dentro, lembra que o negócio envolvendo a Cosan é o que diferencia os sócios do BTG. “O banqueiro de investimento entra onde o banco comercial não entra: em empresas pressionadas, nas operações complexas – naquilo que precisa ser salvo”.
No caso da Cosan, com alto endividamento, o que os sócios do BTG viram foi um potencial de retorno alto com a reestruturação da dívida e a exposição a setores onde a capacidade de execução faz toda a diferença – ferrovias, combustíveis e terras agrícolas. Esse diferencial colocou o grupo de Ometto exatamente no tipo de jogo que o BTG gosta de jogar. “A estratégia é sempre oportunística, no bom sentido. É entrar no ponto mais baixo para criar valor”, prossegue Cezar, em entrevista ao InvestNews.
O avanço da partnership para dentro da economia real também ampliou, de forma inevitável, o raio de influência de André Esteves nas conversas com Brasília.
Um banco que estrutura operações de financiamento para grandes empresas já é relevante; agora um banco cujos sócios têm participações expressivas em setores que empregam milhares de pessoas, operam infraestrutura crítica e afetam preços regulados ocupa um degrau completamente diferente.
Erros…
O começo da trajetória de André Esteves e dos sócios do BTG como força empresarial não seguiu um linha reta rumo ao sucesso.
Um dos primeiros investimentos do grupo, a BR Pharma, nasceu em 2009 com a ambição de consolidar redes regionais e criar uma gigante nacional do varejo farmacêutico. Dona da bandeira Farmais, a companhia enfrentou problemas de integração, não conseguiu capturar sinergias e acumulou prejuízos. Dez anos depois, a empresa teve sua falência decretada pela Justiça, com dívidas que superam R$ 1 bilhão.
Mas nenhum revés se compara ao da Sete Brasil, empresa que o BTG pagou US$ 1 bilhão em 2012 para ter 30% do negócio. O projeto, concebido para criar a frota de sondas do pré-sal, ruiu em meio a denúncias de corrupção, atrasos crônicos e contratos inviáveis. Um “super fiasco”, nas palavras do próprio Esteves. O colapso da Sete Brasil ganhou força na Lava-Jato e respingou diretamente no BTG. Em novembro de 2015, André Esteves, então CEO do banco, foi preso preventivamente e ficou um mês detido.
Anos depois, em 2018, o STF arquivou um dos processos e, em 2020, suspendeu outro, mas o episódio deixou marcas profundas, exigiu uma reestruturação interna e redefiniu a percepção de risco dentro da casa. O BTG continuou entrando onde o mercado hesitava, mas passou a escolher melhor os terrenos onde pisa. O episódio também fortaleceu o núcleo duro de sócios para além de Esteves.
…e acertos
A Eneva foi uma das apostas mais bem-sucedidas do grupo de sócios do BTG. Originária da MPX Energia, uma das empresas de Eike Batista, a companhia entrou em recuperação judicial em 2014 com cerca de R$ 2,3 bilhões em dívidas – um dos casos mais sensíveis do setor elétrico brasileiro.
No ano seguinte, os credores optaram por converter parte da dívida em ações. E o BTG acabou se tornando um dos principais acionistas. No ano passado, após um aumento de capital, o BTG e a partnership ampliaram sua posição e passaram a deter 48,06% do capital da Eneva, tornando-se o maior acionista da companhia, que é uma das maiores operadoras de usinas termelétricas do Brasil, rivalizando com a Âmbar Energia, dos irmãos Batista.
Complexo de Parnaíba da Eneva (Divulgação)
Outros investimentos promissores são a V.tal, rede neutra de fibra óptica, e a Nio, provedora de internet, ambas derivadas do processo de recuperação judicial da Oi. Na V.tal, o BTG fez parte de um consórcio que pagou R$ 12,9 bilhões por 57,9% das ações da companhia, enquanto a Nio custou cerca de R$ 5,8 bilhões.
Há também negócios menos visíveis, mas muito relevantes, como a Engelhart, trading de commodities que nasceu dentro do BTG, e o Timberland Investment Group (TIG), braço florestal do banco, que compra, administra e arrenda áreas para produção de madeira e projetos de carbono.
Outras apostas recentes vieram da compra de ativos diretamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Por R$ 1,5 bilhão, o grupo de sócios do BTG levou ações da Veste, Metalfrio e Light – nas três empresas, o BTG figura entre os principais acionistas. Além disso, o pacote incluia o hotel Fasano Itaim, um ícone imobiliário de São Paulo.
Donos
A ideia de que o BTG pudesse ir além do investment banking não é nova e nasceu ainda no Pactual original, nos anos 1980, quando Luiz Cezar Fernandes tentava convencer seus sócios André Jakurski e Paulo Guedes de que seria possível ter um banco capaz de aconselhar, financiar e, quando necessário, virar sócio dos clientes.
Quem acabou executando aquilo que Cezar idealizou – e em uma escala ainda maior do que ele próprio imaginava – foi André Esteves, o estagiário quieto que entrou no Pactual em 1989 e nunca mais saiu daquele universo.
Recentemente, viralizou uma foto de André Esteves sozinho lendo jornal na sede do BTG no que parece ser um fim de semana, gerando curiosidade nas redes sociais.
André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)
Quem convive com ele garante que aquilo é rotineiro. Esteves repete em palestras e entrevistas que a única forma de construir algo duradouro é cercar-se de gente tão boa quanto ou melhor. “Aqui eu contrato donos, não funcionários”, costuma dizer.
Na prática, isso significa povoar o BTG de pessoas que tratam cada decisão como se o capital fosse delas – porque, em boa parte dos casos, é mesmo.