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Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

27 de Abril de 2026, 08:42

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

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Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

Viajar, estudar e até apostar em bet: a visão de milhões de brasileiros sobre o que é investir

24 de Abril de 2026, 18:50

O que é investir? Muitos podem pensar em títulos de renda fixa, ações, poupança ou até criptoativos, mas uma nova pesquisa mostra que milhões de brasileiros adotam uma definição bem mais abrangente sobre o tema. Para uma parcela significativa da população, viajar, estudar, comprar a casa própria e até fazer apostas online podem ser classificados como investimentos.

Os dados são parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor 2026, pesquisa recém-divulgada pela Anbima, associação que representa entidades e empresas do mercado de capitais no Brasil, em parceria com o Datafolha. Foram entrevistadas 5.832 pessoas de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

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Segundo o levantamento, um em cada quatro brasileiros – 24% dos entrevistados – afirmaram ter investido ao longo de 2025. Mas apenas 10% em aplicações financeiras propriamente ditas. A aparente contradição, na verdade, reflete essa visão mais flexível do que muitos brasileiros consideram como investimentos.

Do total da amostra, outros 9% citaram, por exemplo, que “investiram” na compra de um bem durável, como carro ou imóvel, enquanto outra parcela incluiu viagens, educação dos filhos, intercâmbio e até gastos com saúde. Uma fatia de 4% também citou empreendimentos e negócios.

A pesquisa revela ainda, sem especificar um período pré-determinado, que 5% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de pessoas, diz investir, mas sem utilizar nenhum produto financeiro. E quase a metade desse conjunto que afirma não fazer aplicações financeiras, ou 44%, apenas deixa o dinheiro guardado em casa.

A renda é um fator importante nessa visão. Isso porque a ideia de risco financeiro, ou seja, de obter um retorno menor do que poderia alcançar ou até amargar um prejuízo, passa a fazer sentido mesmo para quem já construiu um patrimônio e tem sobra de recursos após os gastos com educação, saúde e lazer.

“É uma pessoa que já tem o dinheiro para viajar, comprar carro ou imóvel e então a relação risco-retorno tem a ver com o CDI e a rentabilidade de produtos financeiros”, diz o consultor financeiro e conselheiro do Instituto Planejar, Carlos Castro. Para quem tem menos renda, “a prioridade não é se o investimento vai bater o CDI, mas se ele vai ter o dinheiro para fazer a viagem ou comprar o carro”.

A escritora e planejadora financeira Wanessa Guimarães acrescenta ainda que os brasileiros têm uma tendência de buscar retornos mais imediatos devido ao histórico de períodos com juros muito elevados. “É uma herança de décadas de rendimentos altos com pouco esforço.”

Os investidores ainda consideram a ideia de retorno como algo além do plano financeiro. “Quando a pessoa fala de escola dos filhos, pensa em entrega de capital humano, na casa, em um investimento tangível, na viagem, em retorno de bem-estar”, explica.

Caixinhas e poupança viram conceitos

Outra aparente contradição vem da citada preferência pela poupança como principal instrumento de investimentos. Um total de 22% apontou a tradicional caderneta entre os produtos que utiliza para aplicar seus recursos.

Por outro lado, uma parcela equivalente a um terço desse contingente, de 7%, citou que investe em títulos privados, que incluem os CDBs mas também letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e debêntures.

No entanto em valores o quadro é o inverso: enquanto a poupança atualmente tem um estoque de pouco mais de R$ 1 trilhão, os CDBs alcançam R$ 2,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

O superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, explica que, durante a pesquisa, foi possível perceber que muitos entrevistados confundiam algumas aplicações com a caderneta. “Muita gente mencionou como poupança dinheiro guardado em ‘caixinhas’ de bancos digitais.” E a maior parte das “caixinhas” é, justamente, baseada em CDBs.

“A caixinha é justamente uma maneira de juntar o produto financeiro com a solução do problema, porque dá um nome da vida real para essa aplicação, tipo a caixinha da viagem”, diz Billi. “Quando uma instituição oferece um ‘fundo DI‘, isso é muito imaterial para a pessoa.”

Castro, da Planejar, lembra que até o Tesouro Direto tem buscado se aproximar mais da “vida real”, com nomes menos complicados para os títulos. “O Tesouro começou a se conectar com o investidor do varejo quando criou Renda A+, o Educa+ e agora vai ter também o Reserva Financeira.”

Bets como atalho

A chegada das plataformas de apostas online, conhecida como bets, também teve impacto no universo das aplicações financeiras. Cerca de 20% dos entrevistados disseram considerar as bets como uma forma de investimento. E os dados deixam claras as explicações por trás da visão.

A maior motivação, segundo quem aposta, vem da chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Esse tem sido o principal objetivo para 39% dos apostadores, enquanto a possibilidade de obter uma grande quantidade de dinheiro aparece em seguida com 37% das respostas.

“É que, na lógica de muita gente, se tem possibilidade de ganhar algo, essa pessoa considera um retorno, portanto parece ser um investimento”, afirma Guimarães. “Esse tipo de pensamento faz parte de uma espécie de lógica curto-prazista, de querer ganhar dinheiro rápido.”

O Rio-X do Investidor mostra ainda que uma parcela significativa tem problemas com descontrole financeiro nas apostas.

Um grupo que representa 39% de quem declarou fazer apostas online foi classificado como tendo risco moderado ou alto risco para o vício no jogo. A pesquisa usou a metodologia internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI) para essa medição.

E as apostas online concorrem diretamente com os investimentos tradicionais. A pesquisa indica que 17% dos brasileiros acessaram plataformas e aplicativos de bets no ano passado.

Outro levantamento, da consultoria Tendências junto com a Peers Consulting + Technology, revela que apenas as empresas autorizadas pelo governo no mercado de apostas online registraram uma receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025 – e que mais de 25 milhões de pessoas realizaram apostas.

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Mercados hoje: EUA dão sinais de preparações para invasão por terra ao Irã e acendem alerta entre investidores

23 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta segunda-feira (23), as preocupações com a inflação global sobem mais um degrau: o petróleo negocia acima de US$ 110 o barril, enquanto os juros americanos de 10 anos já superam 4,4% ao ano, no maior patamar desde julho do ano passado. Outra preocupação do mercado vem dos sinais de que os EUA se preparam para operações com soldados em terra, o que marcaria uma nova fase mais complexa e duradoura da Guerra no Irã. Por aqui, o investidor acompanha o boletim Focus, que pode sinalizar como o mercado absorveu o corte de 0,25 da Selic e a comunicação do Banco Central sobre os rumos dos juros no país.

Enquanto você dormia…

  • O pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio, com o ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz elevando o prêmio de risco global. O futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,44% e o Nasdaq futuro caía -0,53%.
  • Na Europa, as bolsas caem em bloco. O Stoxx 600 tem recuo de -2,24%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -3,48%. O Hang Seng, de Hong, Kong, fechou em baixa de -3,54%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,47% aos 100,12 pontos. O petróleo Brent sobe +1,16% a US$ 113,46 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos ao redor de 4,437% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo se mantém no centro do pregão. O principal vetor desta segunda-feira é a nova escalada entre EUA e Irã. O mercado passou a precificar um conflito mais longo e mais caro para a energia, com o Brent acima de US$ 113 o barril.
  • Ao mesmo tempo, os juros globais sobem porque o barril mais caro embaralha a aposta de cortes por bancos centrais.
  • E daí? Para o Brasil, o efeito é ambíguo: petroleiras como Petrobras e Prio tendem a seguir no radar positivo, enquanto setores dependentes de combustível, como o aéreo e o de logistica,a podem sentir a pressão.

Giro pelo mundo

  • EUA se preparam para invasão: o Pentágono está enviando milhares de fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio e fontes militares citam ‘preparações intensas’ para o envio de tropas terrestres ao Irã.
  • IEA no radar: a Agência Internacional de Energia discute eventual liberação de estoques estratégicos de petróleo caso a crise se intensifique — mercado monitora qualquer anúncio.
  • BCE mais duro: dirigentes reforçaram que podem agir se a inflação de energia contaminar o restante da economia — falas seguem ao longo da semana.

Giro pelo Brasil

  • Focus na mesa: boletim semanal do Banco Central ganha relevância após o corte recente da Selic para 14,75% — atenção às revisões de inflação e juros.
  • IR 2026: começa o prazo de entrega da declaração, com envio até o fim de maio — programa já disponível para os contribuintes.
  • Combustíveis: governo monitora impacto da alta global e avalia medidas para suavizar o preço do diesel — tema segue sensível.

Giro corporativo

  • CSN: companhia fechou empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para alongar dívidas e reforçar o caixa.
  • Desktop: Claro acertou a compra do controle por R$ 4 bilhões, acelerando a consolidação da fibra no interior — negócio depende de aprovações regulatórias.
  • Petrobras: refinarias seguem operando com alta utilização para reduzir pressão no mercado doméstico de combustíveis.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Calendário de balanços: o que esperar de Americanas, Braskem e Azul na semana

23 de Março de 2026, 07:00

A temporada de balanços está quase no fim, mas alguns grandes nomes ainda merecem atenção dos investidores.

Entre as companhias que publicam os resultados do quarto trimestre de 2025 no período estão empresas que enfrentaram processos recentes de reestruturação e recuperação judicial, como Americanas, Braskem e Azul.

Ainda semana, o mercado acompanha também a divulgação dos números de Equatorial e Movida.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 23/03 a 27/03.

Segunda-feira (23 de março)

Movida (MOVI3)

O mercado tem expectativas melhores depois da prévia operacional da companhia: a receita veio acima do esperado em locação e venda de seminovos, as margens (fatia da receita que vira lucro depois de pagar os custos e despesas) seguiram resilientes e o lucro líquido preliminar de R$ 102 milhões superou a projeção divulgada pela empresa.

O endividamento caiu para 2,6 vezes na relação dívida líquida/Ebitda – indicador que mostra quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas mantendo o atual nível de geração operacional de caixa.

Para 2026, a leitura continua apoiada em disciplina de preços, continuidade da redução do endividamento e melhora do lucro, embora o ritmo de renovação de frota e o ambiente competitivo em seminovos sigam no radar.

Principais desafios

  1. Sustentar reajustes em locação sem perder ocupação e crescimento de clientes. É um ambiente mais desafiador em um momento no qual o cenário econômico tem sido desfavorável ao crescimento das viagens.
  2. Preservar margem de seminovos e acerto nas premissas de depreciação. O cenário de juros altos e maior endividamento dos consumidores pode manter pressionado o negócio de venda de carros usados do estoque.
  3. Continuar a redução do endividamento em um negócio ainda intensivo em capital e dependente do custo de crédito. O ritmo mais lento esperado para a queda de juros pode manter os custos ainda elevados neste ano.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 13,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 6,3%.

Quarta-feira (25 de março)

Americanas (AMER3)

O quarto trimestre de 2025 deve ser lido menos pelo lucro trimestral e mais pelos sinais de normalização operacional e financeira. A companhia ainda segue muito marcada pela recuperação judicial iniciada em 2023 e o mercado espera que ela seja encerrada neste ano, retirando a empresa do “modo sobrevivência” para uma companhia viável.

As atenções estarão sobre a geração de caixa, o nível de capital de giro (dinheiro necessário para cobrir as operações diárias, como salários e pagamento de fornecedores), estabilização da base de clientes e prova de que a reestruturação vai se tornar uma melhora operacional.

Principais desafios

  1. Recuperar tráfego, clientes e vendas sem voltar a queimar margem (vender com menos lucro para manter volume ou disputar mercado). Com a imagem da rede ainda abalada, a Americanas precisa implementar uma estratégia eficaz de expansão de vendas.
  2. Mostrar uma retomada consistente de participação de mercado.
  3. Encerrar a recuperação judicial e reconstruir credibilidade com credores e investidores.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 6,50. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Equatorial (EQTL3)

A leitura esperada é de continuidade da tese que tornou a companhia uma das preferidas dos investidores que buscam empresas de valor: execução operacional sólida, com distribuição resiliente de lucro. Para 2026, a expectativa continua sendo de uma empresa com execução forte, portfólio diversificado e geração de valor, ainda que o crescimento do lucro possa ficar menos linear do que em 2025.

Principais desafios

  1. Reduzir perdas (energia comprada que não se converteu em faturamento) e melhorar indicadores regulatórios nas distribuidoras com desempenho mais pressionado.
  2. Entregar valor do portfólio diversificado sem aumento excessivo de complexidade operacional. A Equatorial é, por exemplo, acionista de referência da Sabesp, com 15% de participação.
  3. Sustentar crescimento com disciplina de capital, especialmente em saneamento e novos projetos.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 47,30. Dividend yield em 2026 (consenso): 2,5%.

Quinta-feira (26 de março)

Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6)

O mercado espera um quarto trimestre de 2025 fraco. A prévia operacional mostrou números pressionados, e a leitura predominante dos analistas é de margens de produtos petroquímicos – diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas e da produção – ainda deprimidas, geração de caixa fraca e um incômodo nível de endividamento.

A gestora IG4 assumirá o controle da Braskem até o fim do mês. A nova administração vai precisar colocar em prática uma plano de reestruturação operacional, com melhora das margens, prejudicadas por um longo período no qual a companhia ficou sem uma liderança efetiva.

Principais desafios

  1. As margens petroquímicas globais seguem pressionadas por excesso de capacidade: há produção demais para demanda de menos, o que reduz a rentabilidade. A rápida expansão da capacidade petroquímica na China, focada na autossuficiência, continua a pressionar os preços mundialmente.
  2. Geração de caixa ainda apertada, com risco de nova pressão sobre o endividamento.
  3. Demanda ainda irregular e alta sensibilidade a cenário macroeconômico e de câmbio.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 15 (BRKM3 – ON), R$ 11,37 (BRKM5 – PNA), e R$ 9,50 (BRKM6 – PNB). Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Sexta-feira (27 de março)

Azul (AZUL53)

Os números do quarto trimestre vão sair com a companhia já em um contexto totalmente diferente. A Azul concluiu em fevereiro de 2026 o processo de recuperação judicial nos EUA, sob as regras do chamado Chapter 11, que é a legislação americana desse tipo de processo.

A “nova Azul” saiu do processo com estrutura de capital mais leve, menor endividamento e liquidez reforçada. Para 2026, em tese, a empresa pode apresentar melhora consistente de números operacionais.

O problema atual é a guerra no Oriente Médio, que fez os preços do petróleo e dos combustíveis saltarem. A alta do querosene de aviação pega em cheio nos custos. Além disso, um dólar mais forte globalmente também tende a pesar sobre o caixa das companhias aéreas em geral.

Principais desafios

  1. Mostrar uma melhora do balanço pós-Chapter 11, sobretudo na geração recorrente de caixa.
  2. Crescer com disciplina, sem voltar a elevar demais o endividamento e o custo fixo, em um cenário adverso, com alta dos preços de combustíveis, redução de demanda por viagens aéreas e potencial aumento da inflação se o conflito no Oriente Médio persistir.
  3. Administrar exposição estrutural ao dólar, leasing (aluguel de aeronaves) e combustível num setor ainda volátil.
  4. Preço-alvo em 2026 (Consenso): R$ 138,24. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Ações de Magalu, Casas Bahia e outras varejistas sobem até 11%. O que está por trás das altas?

10 de Março de 2026, 16:34

As varejistas estão em alta na bolsa brasileira nesta terça-feira (10). As ações da Magalu e da Casas Bahia, por exemplo, duas das companhias com maiores bases de acionistas pessoas físicas, por volta das 16h, os papéis subiam 7% e 11%, respectivamente.

Todos os setores de empresas ligadas ao consumo cíclico também avançam com força na B3. A recuperação das ações de varejo e de outras companhias de consumo ocorre em meio ao clima mais favorável ao risco. A mudança veio na esteira da sinalização do governo dos Estados Unidos de que o fim da Guerra no Irã pode estar perto.

Além do alívio geopolítico e da redução de incertezas, as alta se amparam na percepção de que a alta do petróleo pode ter um efeito mais pontual e curto do que o esperado. Com isso, o mercado retoma as perspectivas de cortes de juros mais agressivos pelo Banco Central a partir da semana que vem.

Um cenário de Selic mais baixa ajuda os resultados das varejistas, do turismo e de outras companhias do chamado consumo discricionário.

O setor de varejo de moda também mostra forte avanço. As ações de Lojas Renner sobem 4,60% cotada a R$ 15,24. A rival C&A tem sua ação cotada a R$ 12,05, com subida de 6,17%.

A Azzas 2154, dona de 34 marcas, entre as quais Farm, Arezzo e Hering, tem alta de 6,50% cotada a R$ 27,54.

Em outro setores cíclicos como turismo e aluguel de automóveis, os ganhos são também significativos. A CVC, por exemplo, sobe 5,50% cotada a R$ 2,11.

Os papéis de Localiza e a da rival Movida avançam, respectivamente, 4,20% e 4,20% cotados a R$ 47,65 e R$ 12,94.

Aluguel de ações

Um fator técnico que pode ajudar a impulsionar os papéis das varejistas é o nível de aluguel de ações em relação ao “free float”, ou seja, a quantidade de ações negociadas na bolsa.

No caso da Magalu, são 16%. E para Casas Bahia esta taxa sobe para 31%. São patamares considerados elevados.

O aluguel é uma forma de os investidores apostarem na queda dos papéis. Essa estratégia é chamada no mercado de “short” ou posição vendida.

Níveis acima de 15% são altos porque já podem causar o chamado “short squeeze“, ou seja, uma corrida para cobrir posições (comprar as ações de volta para devolver a quem emprestou os papéis) e evitar prejuízos crescente após valorizações significativas das ações. O short squeeze retroalimenta e amplifica as altas.

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Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

10 de Março de 2026, 14:09

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

Show do trilhão: debêntures ‘usadas’ superam todo o volume do mercado de capitais ‘zero km’

23 de Janeiro de 2026, 17:54

O mercado secundário de debêntures já é maior do que todo o mercado primário de capitais. A compra e venda de títulos do gênero antes do vencimento movimentou um volume 13% maior do que a soma de todas as emissões feitas por empresas brasileiras em 2025.

Trata-se de um movimento que tem a ver com a entrada de cada vez mais investidores pessoa física no mercado de títulos privados, que oferecem um bônus de remuneração comparados aos títulos públicos (mais sobre isso adiante).

Esses títulos movimentaram quase um trilhão de reais ou, mais precisamente, R$ 947,4 bilhões no mercado secundário de debêntures no ano passado. Mais do que os R$ 838,8 bilhões que as empresas captaram por meio de emissões de títulos – contando ações, notas comerciais, notas promissórias, Fdics, FIIs, CRIs, CRAs e as debêntures primárias (vendidas diretamente pelas empresas).

Em tempo: o mercado secundário é o ambiente de negociação dos títulos “usados”, ou seja, aqueles já em circulação e que o investidor quer passar para a frente antes do vencimento. Já o primário se refere aos papéis “zero km” – os novos lançamentos, que as próprias empresas vendem ao público para levantar recursos.

Esse mercado de segunda mão cresceu de maneira acelerada principalmente nos últimos dois anos. Saltou de R$ 444 bilhões em 2023 para R$ 707 bilhões no ano seguinte, ou seja, um avanço de 59%. E de 2024 para 2025, o volume subiu para quase um trilhão de reais, com um incremento de mais 34%.

E agora o mercado secundário de debêntures já é quase duas vezes maior do que o mercado primário desses títulos. Veja aqui:

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O crescimento acelerado do mercado secundário mostra o seguinte: que o apetite dos investidores pelas debêntures cresceu mais rápido que a oferta.

E entra aí a fome do investidor pessoa física, principalmente no caso das debêntures incentivadas, que oferecem isenção de imposto de renda à pessoa física. Esse perfil de investidor adquiriu 12,2% desses títulos emitidos em 2025. Foi um crescimento expressivo na comparação a 2024, quando os aplicadores individuais responderam por 9,8% do volume.

As incentivadas bancam projetos de infraestrutura, e o governo as mantém livres de IR para estimular o setor. E o motivo da atração é óbvio. Há debêntures incentivadas pagando até IPCA+10% ao ano, por uma década. É bem mais do que os títulos do Tesouro para o mesmo período, que estão no patamar de IPCA+7%.

Claro que se trata de um prêmio por conta do risco. A hipótese de o Tesouro não pagar é basicamente nula. Já uma empresa pode falir e deixar seus credores na mão. É a velha ausência de almoço grátis: quanto maior a taxa, maior o risco.

De qualquer forma, a ascenção das debêntures se retroalimenta, tornando o ativo mais atraente. É que o crescimento do mercado secundário das debêntures ajuda na liquidez. Na prática, significa que o detentor do papel tem muito mais chances de vender o título antes do vencimento se precisar em lugar de ficar preso à aplicação por um período que pode alcançar mais de uma década.

As incentivadas, por exemplo, têm prazo médio entre 8 anos e 15 anos. Mas há muitos papéis que alcançam até 20 anos de duração – os projetos de infraestrutura que geram essas emissões costumam ser de longuíssimo prazo, afinal.

A MP que foi sem nunca ter sido

O cenário macroeconômico não foi o único fator de impulso a esse crescimento. Em meados de 2025, o governo editou uma medida provisória (MP) que derrubava a isenção de IR para todos os produtos até então isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA, FII e debêntures incentivadas. Isso a partir de janeiro de 2026. No fim, a ameaça não prosperou. A MP foi derrubada pelo Congresso em outubro do ano passado.

No entanto, durante todo o terceiro trimestre, houve uma espécie de corrida aos produtos isentos, porque as regras preservavam os investimentos feitos antes de 2026. Além dessa MP, o governo conseguiu aprovar uma reforma do próprio IR, que instituiu uma tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas com renda não tributada acima de R$ 600 mil por ano.

Essa mudança, que passou a valer a partir deste mês, incentivou a migração de recursos para instrumentos isentos. A avaliação de Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, reforça essa percepção. “A perspectiva de mexer nos títulos isentos e o potencial impacto da tributação de dividendos podem ter dado um impulso extra no terceiro e quarto trimestres.”

As emissões de debêntures incentivadas em 2025 cresceram 31,7% comparadas a 2024 para R$ 178 bilhões. Trata-se do nível mais elevado da série histórica da Anbima, que remonta a 2012.

Efeito Will Bank faz CDBs do Pleno (ex-Voiter) saltarem a até 170% do CDI

23 de Janeiro de 2026, 12:43

O trauma do caso Banco Master e Will Bank tem impactado o mercado secundário de títulos de renda fixa de outras instituições. Os investidores têm vendido com grandes descontos CDBs, LCIs e LCAs de duas instituições envolvidas em algum grau na história do conglomerado liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

As LCIs e LCAs do Banco de Brasília (BRB) têm sido oferecidas nas plataformas digitais a taxas de 108% do CDI. Vale lembrar que, como são papéis isentos de imposto de renda sobre os rendimentos, esses níveis de retorno equivalem a 139% do CDI em produtos com IR, como os CDBs.

Já os CDBs do antigo banco Voiter, que mudou de nome para Pleno, aparecem com taxas de até 170% do CDI.

O Banco Pleno foi adquirido em julho de 2025 por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO do Banco Master, com aval do Banco Central — mesmo enquanto as autoridades já investigavam irregularidades relacionadas ao Master.

Lima chegou a ser preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Master, mas o Banco Pleno não foi alvo direto dessa investigação e segue operando sob nova direção.

Já o O BRB tem enfrentado uma série de questionamento das agências de rating. A Fitch rebaixou as notas de crédito do banco ema 26 de novembro e colocou em observação negativa. A agência citou enfraquecimento da governança e doscontroles de risco, além de suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

A Moody’s e a S&P Global retiraram todos os ratings (global e nacional) do BRB, que estavam sob observação negativa devido a questões de governança e gestão de risco. A S&P informou que a retirada foi feita a pedido do banco.

A mecânica das taxas

Vale lembrar que as taxas no mercado secundário são um termômetro do risco percebido pelos investidores. Isso porque os retornos oferecidos, na verdade, representam descontos sobre a remuneração original do papel.

O mercado secundário é o ambiente onde os detentores de títulos já emitidos vendem os papéis antes dos vencimentos. Quando querem se desfazer rapidamente dos CDBs e outros investimentos precisam oferecer descontos que se traduzem em taxas mais elevadas do que a originalmente contratada.

E como isso funciona? Os papéis são comercializados por meio das corretoras. É um processo semelhante ao do mercado de carros usados, onde o dono do veículo pode tanto deixar em consignação na vitrine da loja, quanto vender para a própria concessionária, que, depois, negocia com lucro.

Para passar o título para frente oferecendo uma taxa mais alta do que aquela pela qual comprou o papel, o investidor precisa vender por um preço menor do que o atual.

Por exemplo. Imagine um título a 110% do CDI com mais um ano de prazo e CDI de 15% ao ano. Vamos considerar que o valor atual do título, calculado a partir da aplicação das taxas contratadas, ou seja, o valor justo, seria de R$ 1.000. Para que esse mesmo título seja vendido no mercado secundário pagando 150% do CDI, o vendedor oferece um desconto sobre esse preço. Nesse caso, teria de vender o papel a R$ 951.

Liquidação e atraso do FGC

O trauma dos investidores não vem só da liquidação do conglomerado Master. Houve também a demora de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que reduziu significativamente o que, de fato, os investidores obtiveram de retorno com as aplicações.

Questionamentos do Tribunal de Contas da união (TCU) feitos ao Banco Central sobre o processo de liquidação do Master atrasou o início dos pagamentos por mais de dois meses. Com isso, o dinheiro dos investidores de CDBs do banco ficou parado sem rendimento, o que corroeu o retorno prometido originalmente.

Quem comprou um CDB do Master a 120% do CDI em janeiro do ano passado, por exemplo, vai receber, na verdade, algo perto de 102% do CDI. Isso porque o recurso ficou sem rendimento desde 18 de novembro, data da liquidação do banco. Ou seja, o risco não valeu a pena.

Isso porque o investidor poderia ter obtido retorno semelhante por meio de títulos de bancos de grande porte, com perfil muito mais sólido e sem ter de passar pelo estresse da liquidação e da espera pelo FGC.

Número de investidores de varejo em FIDCs cresce mais de 14 vezes em um ano

26 de Dezembro de 2025, 11:09

A quantidade de investidores de varejo que aplicam em fundos de investimentos em direitos creditório (FIDCs) aumentou mais de 14 vezes em um ano. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que a quantidade de contas desse perfil saltou de 2,4 mil em novembro de 2024 para 34,3 mil no mesmo mês deste ano. Trata-se de um avanço de 1.329%.

Mas os investidores de varejo não são a maioria nesse segmento. Os qualificados – aqueles com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações – representam mais de 72% das contas totais. São 239,7 mil qualificados ante um universo de 333 mil investidores.

E o chamado perfil profissional, ou seja, de quem tem mais de R$ 10 milhões em patrimônio financeiro quase empatam com o varejo. São 31,5 mil contas dessa faixa que aplicam em FIDCs, conforme dados de novembro.

O patrimônio líquido dos fundos de direitos creditórios caminha para chegar perto da barreira do trilhão em 2026, se mantiver o ritmo de crescimento deste ano. De novembro de 2024 até o mesmo mês de 2025, o volume aumentou em R$ 168 bilhões ou 22% de crescimento para R$ 741 bilhões.

O forte crescimento do varejo na base dos Fidcs é uma consequência direta da mudança de regulação. Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mudou as regras para permitir que os produtos sejam oferecidos ao investidor em geral. Até dois anos atrás, só ps perfis qualificado e profissional podiam acessar esses fundos.

“A tendência é de crescimento consistente dessa classe, impulsionada pela ampliação do uso de instrumentos de crédito estruturado e pelo interesse crescente do varejo”, afirma Julya Wellisch, diretora da Anbima.

número de gestoras de FIDCs cresceu 14,5% no mesmo período, saindo de 372 para 426 casas. Já o volume captado em ofertas de fundos do gênero também foi expressivo. De dezembro de 2024 a novembro de 2025, houve R$ 90,1 bilhões em emissões, com outros fundos de investimento sendo os principais compradores.

E como funciona o FIDC? Esse tipo de fundo negocia um direito de crédito, o recebível. Por serem operações montadas caso a caso para as empresas, é comum chamarem os FIDC dívida estruturada.

O FIDC compra esses recebíveis, por exemplo, de um estabelecimento comercial, como uma loja ou um supermercado. Na prática, pode adquirir esses direitos creditórios de qualquer tipo de empresa que tenha um recebível.

Depois, a gestora passa para a parte de disponibilizar as cotas para os investidores. O dinheiro aplicado é usado para financiar a empresa na outra ponta. Nessa estrutura, o fundo, na prática, oferece um crédito para quem precisa de caixa, que cede os recebíveis com desconto em troca de recursos imediatos, ou seja, uma operação de antecipação de recebíveis.

Os cotistas, por sua vez, participam dos lucros dessa antecipação. O investidor passa a lucrar com os juros e retornos embutidos na operação. O risco é de haver inadimplência de quem precisa pagar o recebível.

Os riscos dos FIDCs, em geral, são diferentes de acordo com o tipo de cota que os investidores têm na carteira. Na oferta, esses fundos trazem diferentes perfis de participação, que diferem ente si, entre outras condições, sobre quem recebe primeiro e quem absorve as perdas antes caso algo dê errado.

Há, basicamente, três tipos: a subordinada (júnior), a mezzanino e a sênior. A primeira absorve primeiro as perdas por inadimplência nos créditos do fundo, mas tem um potencial de ganho maior.

A mezzanino é um tipo de subordinada, mas com um risco menor. Também precisa arcar com os prejuízos, caso as subordinadas principais não sejam suficientes. Com isso, também tem um potencial de retorno superior ao das seniores, mas menor do que as juniores.

Já o terceiro tipo, as seniores, continua recebendo normalmente, mesmo com um certo grau de inadimplência. Devido a essa proteção, a CVM permitiu o acesso de investidores de varejo apenas a esse tipo de cota.

Qual o risco? É o de que o nível de inadimplência seja tão alto que esgote a proteção oferecida pelas subordinadas e isso afete o retorno. A cota sênior recebe penas o que foi acordado na aplicação, enquanto as subordinadas repartem o ganho restante sem limitações.

O ano de 2026 terá dupla personalidade, dizem Solange Srour e Luciano Telo, do UBS

5 de Dezembro de 2025, 14:58

O Brasil verá um 2026 de dupla personalidade. A primeira metade do ano vai ser parecida com o momento atual, ou seja, de alta da bolsa, fluxo estrangeiro para a renda variável e uma renda fixa lotada de recursos dos brasileiros. Mas daí, a partir do segundo semestre, começam as grandes incertezas.

Aqui no Brasil, as eleições para presidente, governador e Congresso prometem tornar os mercados mais voláteis. No mínimo. Só que tem mais: lá nos EUA vai ter a renovação de parte relevante do Congresso, em novembro, e mudanças no comando do Fed, o banco central americano, a partir de maio. Enquanto isso, teremos cortes de juros no Brasil e, possivelmente, nos Estados Unidos, um dólar ainda fraco, preocupações com uma eventual bolha de inteligência artificial e os mercados tentando digerir tudo.

De qualquer forma, a visão do executivo-chefe de investimentos (CIO) do UBS Wealth Mangement, Luciano Telo, e da chefe de macroeconomia no Brasil do banco suíço, Solange Srour, é de copo meio cheio: a bolsa vai continuar a valer a pena, assim como manter ações de big techs na carteira. É claro que tudo será temperado com uma boa dose de volatilidade.

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Quem tem medo da bolha de IA? O UBS não. Telo até reconhece que as bolsas americanas operam com valuations elevados, ou seja, valores de mercado que incorporam uma visão de resultados futuros para lá de exuberantes. Porém, não se trata de uma interpretação pontual dos investidores. A inteligência artificial é uma realidade e vai se manter como a principal influência sobre a economia dos EUA ao longo dos próximos anos.

Ou seja: quem tentar antecipar momentos de correção pode perder o bonde, já que é razoável a chance de não ocorrer uma queda substancial.

Emergentes ganham espaço

Na avaliação do UBS, os mercados emergentes devem se consolidar como uma das grandes estrelas dos portfólios globais em 2026. A questão central para os investidores é: os recursos de fora vão continuar a migrar para as bolsas e outros ativos dos países em desenvolvimento? A resposta do CIO do UBS WM é “sim”.

Com a expectativa de um dólar que vai se manter fraco e em meio a continuação de cortes de juros pelo Fed, os mercados emergentes passam a ocupar um papel mais relevante nas projeções para 2026.

O Brasil, por exemplo, surge como um potencial destino de recursos internacionais. Esse fluxo marcou o desempenho positivo do Ibovespa ao longo de 2025. E deve se estender, pelo menos, na primeira metade do ano que vem. Os especialistas do UBS veem ainda muitos fatores para as ações se manterem em alta. Conforme Telo, os ativos brasileiros seguem descontados em relação a outros emergentes.

Além disso, mesmo que o BC comece a cortar os juros no início do ano, as taxas do país vão se manter atrativas por um longo tempo. O cenário base do UBS é que o ciclo de reduções da Selic comece em março ou abril de 2026 e a taxa básica termine o próximo ano em 12,5%. As ações brasileiras, por sua vez, vão continuar a se beneficiar do dólar fraco e dos juros globais mais baixos.

E quais motivos para manter o otimismo com a renda variável no ano que vem? O afrouxamento monetário duplo, aqui e lá fora, vai funcionar como o principal catalisador para o desempenho das ações. Taxas de juros menores vão reduzir o custo de capital para as empresas listadas. As mais endividadas ganham um alívio com a redução das pressões financeiras.

Além dos juros menores, o banco espera um crescimento de lucros das companhias brasileiras de cerca de 18% no próximo ano. A alta seria resultado de uma demanda doméstica estável, salários reais em alta e investimentos estrangeiros crescentes.

O que pode dar errado?

A partir do fim do primeiro trimestre, a sucessão no Fed vai se tornar um evento importante para o mercado. Ainda que o mandato do atual presidente da autoridade, Jerome Powell, termine apenas em maio, a partir do momento em que o presidente americano, Donald Trump, confirmar um nome para a sucessão, o BC dos EUA passará, na prática, a ter dois chefes para o mercado. Isso porque os investidores vão começar a prestar tanta atenção às falas do futuro chairman quanto do atual.

Srour alerta que, caso o mercado interprete os sinais do novo presidente do Fed como sendo de alguém que vai se submeter à vontade do governo, isso poderia causar uma perda de credibilidade. Como a pressão de Trump é por juros mais baixos a qualquer custo, o mercado começaria a alimentar preocupações sobre uma volta dos riscos inflacionários e, com isso, novas turbulências vão atingir as bolsas e os juros. Em tal cenário, as taxas longas dos títulos americanos podem subir, exigindo prêmio maior do Tesouro dos EUA e das companhias para captar recursos.

Além disso, um presidente do Fed inclinado aos cortes de juros mais amplos não necessariamente implicaria em um dólar mais fraco, se o cenário de desconfiança se enraizar. Ao contrário, a incerteza poderia até levar a uma valorização global da moeda americana. Juros longos mais altos e dólar apreciado são uma combinação ruim para países como o Brasil, porque torna muito mais caro o financiamento externo.

O câmbio é um calcanhar de Aquiles

Mas tem ainda um outro lado da moeda. O Fed tem sinalizado que pode pausar os cortes de juros no início de 2026. O BC dos EUA enfatiza que as reduções atuais têm como objetivo combater o enfraquecimento do mercado de trabalho e evitar um aumento mais forte do desemprego. Por outro lado, os integrantes da autoridade sempre que podem manifestam o incômodo com o nível da inflação corrente ainda longe de sua meta de 2% ao ano.

Se o Fed tomar um rumo visto como mais duro ou hawkish, no jargão do mercado,  o dólar pode voltar a se fortalecer. Srour calcula que, nesse cenário de desvalorização do real frente à moeda americana, pode haver um repasse de cerca de 10% para a inflação brasileira por meio de preços de importados e bens transacionáveis. Ou seja: de cada 1% de inflação no Brasil, 0,10% viria de uma eventual alta da moeda americana.

Um outro fator será o cenário de votação. Conforme a eleição se aproximar no Brasil, alguns tópicos voltam a ganhar força. Srour reforça que o Brasil vai precisar enfrentar a questão fiscal, seja qual governo for eleito.

Com juros reais no maior patamar da história recente, desaceleração do PIB e esgotamento do impulso fiscal dos últimos anos, a trajetória da dívida pode se tornar insustentável sem reformas significativas. O déficit nominal (que conta os gastos do governo com os juros da dívida) alcançou 8,05% do PIB, e a dívida bruta deve fechar 2025 em cerca de 80% do PIB, níveis que elevam o prêmio de risco e deixam o câmbio sensível a choques.

A economista ressalta que qualquer governo eleito terá de apresentar um plano estruturado logo no início do mandato, com medidas impopulares e foco no controle de gastos obrigatórios — não apenas em aumento de arrecadação, que já está no recorde histórico. Se essa sinalização ocorrer ao longo da campanha, o mercado pode reagir de maneira otimista. “Programas críveis de ajuste fiscal geram reação imediata do mercado”, afirma.

2025 termina melhor que o esperado

Apesar dos choques externos, como as tarifas impostas durante o ano, os especialistas do UBS lembram que 2025 vai terminar de maneira bem mais benigna do que se imaginava no início do ano.

A economia global segue surpreendendo positivamente, com comércio internacional resiliente e inflação desacelerando em vários países. Esse ambiente tem ajudado a sustentar o desempenho dos emergentes, inclusive o Brasil, que deve encerrar 2025 com um crescimento do PIB próximo de 2% e inflação em torno de 4,5%, no teto da meta do BC.

O Brasil, portanto, vai navegar em 2026 entre avanços econômicos concretos e desafios estruturais que ainda demandam solução — especialmente no campo fiscal, como sempre.

Agenda de dividendos: ainda dá tempo de aproveitar. Veja o prazo para investir nessas ações

3 de Dezembro de 2025, 18:22

A corrida da distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) já começou. Diversas empresas têm anunciado o pagamento aos acionistas antes de terminar o ano. Isso porque uma norma tributária recém-sancionada criou uma nova alíquota de IR sobre distribuição de dividendos acima de R$ 600 mil por ano, mas que passa a valer só a partir de janeiro de 2026.

Nos últimos dias, cinco gigantes da bolsa de valores, por exemplo, já anunciaram R$ 56 bilhões de distribuição de lucro para seus acionistas.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Mas ainda dá tempo para entrar nessa distribuição? Sim, tem ainda muitos pagamentos de proventos para aproveitar em dezembro e início de janeiro de 2026.

É preciso lembrar que o preço da ação sofre um ajuste automático quando fica “ex-dividendo”, ou seja, no dia seguinte ao prazo limite para ter direito aos proventos. No início do pregão, a bolsa desconta do preço da ação o valor do dividendo por ação.

Por exemplo, se o papel estiver cotado a R$ 20 e o dividendo por ação for de R$ 1, então a cotação passará a R$ 19 no início da sessão em que o papel ficar “ex-dividendo”. O ajuste ocorre para refletir essa distribuição de parte do caixa ou das reservas de lucros aos acionistas.

De qualquer modo, para quem gosta de renda passiva, há várias oportunidades nas próximas semanas.

Veja a seguir a agenda de distribuição de dividendos e JCP já anunciados, com o valor por ação, a data limite se você quiser garantir esse quinhão do lucro da empresa e o período em que o dinheiro será depositado:

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Valor dos títulos IPCA+ passa por altas comparáveis à do Ibovespa

3 de Dezembro de 2025, 12:30

Os juros do Tesouro IPCA+ passa por uma baixa fora do comum. Queda do juro significa alta no preço. E no saldo de quem tem os títulos na carteira.

O IPCA+ 2040, uma boa referência por não ser um título nem tão curto mas nem tão longo, chegou na manhã desta quarta à menor taxa no ano: 6,86%(de juro real, acima da inflação). Abaixo dos 6,88% da últma mínima, que aconteceu em julho.

E foi rápido. Até outro dia, em 14 de outubro, a taxa estava em 7,44% (o último pico recente). Cai o juro sobre o preço. O preço unitário do título subiu de R$ 1.583 para R$ 1.737. Alta de 9,5%.

Quanto mais longo o vencimento, mais volátil o título. Ou seja: as altas e baixas vêm mais bruscas. Como o momento é de alta, temos que IPCA+2050 sobe ainda mais: 10,7%.

São números comparáveis aos 13% que o Ibovespa subiu no mesmo intervalo, em pleno rali.

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O juro de longo prazo no país tem reagido tanto aos sinais do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), quanto aos dados de inflação no Brasil que alimentam as expectativas sobre cortes de juros. Lá fora integrantes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell, reforçaram nas últimas semanas as indicações sobre uma potencial redução de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 e 10 de dezembro.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária dos EUA, mostra que 89,2% do mercado enxerga um corte de juros pelo Fed na semana que vem.

Nesta quarta-feira, o relatório da empresa ADP, que na falta do “payroll” oficial tem ajudado a jogar luz sobre a evolução do mercado de trabalho privado, mostrou um saldo líquido negativo, com fechamento de 32 mil postos de trabalho em novembro. Como o Fed reforçou em sua comunicação que o foco dos atuais cortes têm sido as preocupações com o enfraquecimento do emprego nos EUA, os dados aumentaram as expectativas de redução de juros na próxima semana.

Nesta semana, está programada a divulgação na sexta-feira do índice de preços de despesas de consumo pessoal, o PCE na sigla em inglês, o referencial de inflação preferido do Fed. O número a ser conhecido, referente a setembro, foi adiado por mais de um mês. No entanto, o dado ganha significado especial devido ao momento da publicação: às vésperas da reunião da autoridade americana.

No Brasil, o BC procurou afastar a esperança de um corte já na semana que vem. No entanto, os números de inflação têm reforçado a perspectiva de quem o início do ciclo de cortes da Selic se aproxima. O mercado trabalha com uma expectativa de redução dos juros a partir do primeiro trimestre de 2026. O boletim Focus, do BC, que reúne as projeções de instituições que atuam no mercado financeiro, mostra que a medida das estimativas coloca a taxa básica em 12% ao ano no fim de 2026.

Trata-se de uma redução de três pontos percentuais comparado ao nível atual de 15% ao ano. Isso significa que, se o Comitê de Política Monetária (Copom) cortasse os juros desde a primeira reunião no ano que vem, entre 27 e 28 de janeiro, teria de reduzir a Selic em todos os oito encontros do ano e em um ritmo maior do que 0,25 ponto.

Além disso, o Focus mostra que as expectativas sobre a inflação futura mantêm o rumo de convergência para a meta do BC de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O relatório coloca a mediana das projeções do IPCA de 2025 em 4,43%, portanto, já dentro do intervalo da meta da autoridade.

Em um mês, a estimativa caiu de 4,55% para o patamar atual. No entanto, o ritmo dessa evolução ainda permanece moderado. O relatório mostra que o mercado só enxerga uma convergência para o centro da meta a partir de 2028, quando o IPCA fecharia em 3,5%.

Como trabalhador PJ pode se organizar para reservar o dinheiro do 13º salário e do FGTS

27 de Novembro de 2025, 16:43

Com o avanço do trabalho por projeto, consultorias e contratações por CNPJ, o número de profissionais atuando como pessoa jurídica cresceu nos últimos anos. Mas, junto com a flexibilidade, veio também um desafio: o trabalhador PJ não recebe 13º salário, FGTS, férias remuneradas nem outras proteções garantidas pela CLT.

Sem esses benefícios, a organização financeira passa a ser essencial para manter estabilidade ao longo do ano, especialmente em períodos de menor demanda ou no fim do ano, quando muitos profissionais enfrentam queda na renda.

A seguir, saiba como o PJ pode se planejar melhor.

Trabalhador PJ: criando o próprio 13º salário

Enquanto o trabalhador CLT recebe o 13º de forma automática, o PJ precisa construir esse benefício ao longo do ano. Muitos profissionais negligenciam esse ponto porque misturam a lógica pessoal com a empresarial.

“Essa confusão se dá porque veem a empresa como uma extensão deles mesmos. Sem separar contas, acabam gastando mais do que deveriam, perdem a noção dos custos reais do negócio, têm dificuldade para pagar impostos e deixam de formar reservas. Isso compromete o fluxo de caixa e gera instabilidade financeira”, afirma o contador Erick Nuñez, CEO do Hashtag Group e sócio do Equity Fund. 

Para criar o equivalente ao 13º, Erick recomenda separar mensalmente uma fatia do próprio pró-labore, remuneração mensal que os sócios de uma empresa recebem pelo trabalho que realizam nela, semelhante ao salário de um funcionário.

“O ideal é separar de 8% a 10% do pró-labore todos os meses, o que garante um salário completo ao fim do ano. Para manter a disciplina, o melhor é automatizar esse processo: programar transferências mensais para uma conta separada evita esquecimentos e impede o uso indevido desse dinheiro”, diz ele.

Um ‘FGTS próprio’ para segurança financeira

Sem FGTS e sem garantia trabalhista, o PJ também precisa criar sua própria reserva de proteção. Erick explica que a melhor abordagem é começar pequeno e manter consistência.

“O primeiro passo é começar com pouco, mas começar: reserve um percentual fixo da receita, mesmo que seja 5% ou 8%. Usar os 8% do FGTS como referência é uma boa base inicial, pois cria a mesma lógica de proteção do CLT. Com o tempo, o percentual pode ser ajustado conforme a renda e a estabilidade do negócio”, destaca ele.

Essa reserva deve ser usada apenas em emergências reais ou quedas bruscas de faturamento — e jamais misturada com a conta operacional da empresa.

Separar finanças pessoais e do negócio é indispensável

Outro problema recorrente entre profissionais PJ é tratar a conta da empresa como a conta pessoal. Quando isso acontece, fica impossível saber se o negócio é de fato lucrativo — e reservas nunca se formam.

Nuñez reforça que separar contas é o primeiro passo para qualquer planejamento: o CNPJ precisa ter sua própria conta bancária, fluxo de caixa e controle de despesas. O pró-labore deve ser fixo e previsível, como um salário.

Como enfrentar meses de baixa sem recorrer a crédito caro

Profissionais PJ, especialmente freelancers e consultores, enfrentam sazonalidade ao longo do ano. Por isso, a reserva de emergência é a base da saúde financeira.

“A melhor forma de enfrentar meses fracos é construir uma reserva emergencial equivalente a três a seis meses de pró-labore. Para quem tem renda muito variável, chegar a nove meses pode ser ainda mais seguro. Esse colchão evita empréstimos caros e garante fôlego financeiro em períodos de queda no faturamento”, ressalta Nuñez.

Onde guardar o dinheiro: investimentos para cada tipo de reserva

Uma das dúvidas mais comuns é onde deixar o dinheiro reservado para objetivos como 13º, férias, FGTS próprio e emergência. Liquidez, segurança e simplicidade são essenciais.

“As aplicações de alta liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e contas remuneradas atreladas ao CDI, são boas opções. Para objetivos de médio prazo, como férias, é possível usar renda fixa com vencimentos programados. O mais importante é manter esse dinheiro separado da conta operacional do CNPJ para evitar uso indevido”, diz Nuñez.

Segundo o especialista, a escolha dos produtos deve considerar o prazo de uso, o risco e a facilidade de resgate.

Planejar é o que permite ao trabalhador PJ ter segurança e liberdade

No fim das contas, a vida financeira do PJ precisa de método e constância. Criar reservas, manter contas separadas e escolher investimentos adequados transforma a forma como o profissional encara sua carreira.

Com organização, o trabalhador PJ consegue reproduzir — e até superar — os benefícios de um contrato CLT, conquistando estabilidade financeira, previsibilidade e liberdade para tomar decisões de longo prazo.

No embalo do otimismo global, Ibovespa marca novo recorde

27 de Outubro de 2025, 15:13

O Ibovespa renovou o recorde de pontos dentro da sessão desta segunda-feira (27). Após a sinalização de que começa a ser encaminhado um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, os investidores voltaram a deixar uma parte do conservadorismo de lado e a buscar mais retornos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil.

A melhora nos conflitos comerciais é positiva porque retira incertezas do horizonte e abre perspectivas mais otimistas para a economia global. Com isso em vista, o Ibovespa renovou o recorde intradiário (dentro da sessão) em 147.976 pontos.

Perto das 14h50, o principal índice da B3 subia 0,50%, aos 146.904 pontos. Se fechar nesse nível, o indicador quebrará o recorde de fechamento pela oitava vez em 2025.

O movimento de alta se espalha pelas bolsas de todo o mundo. Os mercados emergentes, no geral, são os que mais têm se beneficiado da trégua nas inúmeras frentes da guerra de tarifas promovida pelo governo americano. O índice MSCI Emerging Markets, que acompanha a variação de um portfólio com 1,2 mil empresas de 24 países emergentes, tem avanço de 1,35%.

Em outras praças, o desempenho também é positivo. O S&P/BMV IPC, do México, sobe 1,17%, enquanto S&P CLX IPSA, do Chile, avança 0,36%. Na Ásia, o mercado também já antecipava o movimento positivo pelo mundo – o Hang Seng, de Hong Kong, por exemplo, subiu 1,05%.

No domingo (26), os principais negociadores comerciais das superpotências econômicas disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso prepara o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um entendimento concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

Entre as economias latino-americanas, a Argentina vive nesta segunda-feira uma situação particular. A vitória quase inesperada do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato no domingo (26) deu ao mandatário um novo impulso em sua busca de reformas.

A vitória tirou do radar dos investidores uma das maiores incertezas políticas recentes no país: a de que a agenda liberal do governo fosse barrada por um Congresso de maioria oposicionista. Como resultado, o S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, dispara 20,50%. O peso argentino sobe 4,62% em relação ao dólar, para 1.412,45 pesos por unidade da moeda americana – movimento de destaque entre as divisas globais.

No Brasil, os investidores também se apoiam na avaliação positiva sobre o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A conversa marcou a primeira reunião oficial entre os dois governantes desde o início da atual crise diplomática. A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países.

No mercado de câmbio, o dólar vive um dia de fraqueza frente a outras divisas. O Índice Dólar (DXY), que acompanha a variação da moeda americana na comparação com as seis principais moedas do comércio internacional, recua 0,07%, para 98,88 pontos. Frente ao real, a queda é de 0,27%, cotada a R$ 5,3720; ante o peso mexicano, a baixa é de 0,23% e, contra o yuan, o recuo é de 0,15%.

Ponto de partida: Petróleo sobe após sanções de Trump a gigantes do setor da Rússia

23 de Outubro de 2025, 07:31

Bom Dia!
Quinta, 23 de outubro de 2025. Lá fora, a manhã começa morna, com futuros de NY levemente positivos e o dólar um pouco mais forte. Ontem a Tesla deu o pontapé inicial aos resultados das sete magníficas. Mas os resultados vieram mais fracos que o esperado. Petróleo sobe com sanções do governo dos EUA a gigantes do setor na Rússia, o que pode reduzir a oferta da commodity. Na sequência: giro global, ouro em correção, política externa e um radar corporativo mais apimentado.

Enquanto Você Dormia…

  • Futuros de NY: S&P 500 +0,08% 📈 e Nasdaq 100 +0,11%.
  • Europa e Ásia: Ásia cedeu com cautela (tecnologia e tensões comerciais no foco); Europa abre de lado a levemente positiva, puxada por energia.
  • Dólar DXY em alta leve (99 pontos); Petróleo WTI +5% e Brent +5%; Treasury UST10y perto de 4,0%.


Destaques do dia

  • BCB sinaliza “paciência” com Selic em 15%. O diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, reforçou que cortes de juros não estão no radar imediato.
  • E o que isso pega? Juros altos por mais tempo tendem a manter pressão em crédito, construção e varejo; dólar e curva longa seguem sensíveis a fiscal e a dados de inflação.


Giro pelo mundo

  • Ouro em correção: o metal fechou –1,06% na quarta (US$ 4.065/oz) após realização de lucros recente; volatilidade do ouro subiu em outubro.
  • Trump x Lula: Casa Branca discute encontro no domingo na Malásia; status ainda não confirmado oficialmente. Radar para tarifas e comércio.
  • Os preços do petróleo sobem mais de 5%, após o governo Trump impor novas sanções às duas maiores empresas de petróleo da Rússia, Rosneft e Lukoil.
  • Dólar um pouco mais forte: investidores esperam dados de inflação dos EUA que ficou para a sexta-feira; iene recua.

Giro pelo Brasil 

  • Juros: BC reitera que 15% “deve ser suficiente”, mas pede convergência sustentável dos dados antes de discutir afrouxamento.
  • Inflação/expectativas: meta contínua em 3% segue referência do Copom.

Giro Corporativo 

  • Troca no GPA (PCAR3): o CEO Marcelo Pimentel renunciou após atritos no conselho; o CFO Rafael Russowsky assume interinamente. Ação fica sensível a próximos passos do board.

O que vem por aí 🗓️
09:00: Unilever ADR (UL) — antes da abertura (ET). 3T25, foco em pricing x volumes.
09:00: Dow (DOW) — antes da abertura (ET). Ciclo de químicos e spreads.
17:15: Intel (INTC) — após o fechamento (ET). Guia para data center/PCs e capex.
17:15: Ford Motor (F) — após o fechamento (ET). Margens na linha “autos” e EVs.
10:30: Estoques de petróleo — EUA. Sensível a WTI/Brent no intradiário.
Ao longo do dia: falas de dirigentes do Fed; seguro-desemprego nos EUA — leitura de inflação/emprego.

Ótima quinta-feira e bons negócios!

Queda na volatilidade do dólar abre janela para investir lá fora. Saiba como aproveitar

10 de Outubro de 2025, 11:28

Quem buscou diversificar seus investimentos em dólar viveu “mixed feelings” desde a metade de 2024: ou a moeda americana não parava de subir, como no ano passado, ou manteve uma queda constante, como neste ano. E aí, ficava difícil acertar a hora de aplicar. Mas agora chegou a hora de tirar da gaveta os planos de investir no exterior.

Desde meados do ano, a moeda americana tem estado muito mais comportada. A volatilidade praticamente sumiu e o dólar se estabilizou em um patamar bem mais baixo do que o visto no início de 2025.

De julho para cá, o dólar acumulou uma leve queda de 1% frente ao real. No ano, a moeda dos EUA recua 14,74%, ou seja, a queda se concentrou, basicamente, na primeira metade do ano. Além disso, a perspectiva da taxa de câmbio é se manter abaixo de R$ 5,40, pelo menos, nos próximos meses.

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É justamente a volatilidade que traz um dos principais riscos e atrapalha a vida dos aplicadores que ficam tentando acerta o melhor momento de investir. Por isso, a calmaria cambial ajuda quem tem planos de manter uma parcela do patrimônio em moeda forte.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, cita oportunidades, por exemplo, em títulos de renda fixa emitidos tanto pelo governo americano quanto por empresas de maior qualidade de crédito. “É uma chance de travar, em dólar, taxas prefixadas ainda elevadas.”

Uma possibilidade para o investidor brasileiro é aplicar em bonds de companhias brasileiras com melhor perfil de crédito. “Lá fora, o mercado enxerga nossas gigantes, como Petrobras e Vale, como empresas de mercados emergentes que precisam pagar um prêmio maior comparadas aos pares americanos”, explica. Mas, para os brasileiros, são os grupos mais sólidos do mercado.

A Petrobras tem um bond com vencimento em 2029 que hoje está sendo negociado com uma taxa de retorno (yield) de 5,80% ao ano. Outro papel com prazo em 2035 oferece um yield de 6,10% anual.

O bond da Vale com vencimento em 2034 é negociado a uma taxa de 8,20%. Outro título em dólar da mineradora com prazo até 2039 paga atualmente um yield de 6,87% ao ano.

No caso dos títulos públicos americanos, os chamadas Treasuries, os retornos prefixados se mantêm perto dos 4% ao ano. O papel de 5 anos, por exemplo, está pagando uma taxa de 3,74%. Já o de 10 anos está com um retorno de 4,15% anuais.

Para quem busca investir em dólar, mas quer manter a possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento, a estrategista da Nomad cita como opção de aplicações os ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo. São fundos de índices com cotas negociadas na bolsa. Esses veículos mantêm uma carteira com até 80% aplicada em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

Como as cotas são negociadas na bolsa, o investidor pode entrar e sair a qualquer momento. O ETF VBILL da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,44%. Outro fundo o TBLL, da Invesco, tem um yield em 12 meses de 3,89%. “Funciona de maneira parecida com o nosso CDI.”

Zogbi enxerga ainda oportunidade de diversificação em ações internacionais. Na visão da estrategista, o investidor brasileiro pode aplicar em vários mercados também por meio de ETFs. Há vários fundos de índice que seguem referenciais com os índices globais da MSCI. Um ETF do MSCI World ex-US, por exemplo, possibilita ao investidor ter exposição a 22 mercados desenvolvidos, mas tira os EUA da lista.

Por outro lado, quem busca manter um pé nas bolsas americanas encontra fundos de índice que replicam referenciais amplos do mercado acionário dos EUA, como o S&P 500 e o Russell 2000. “O setor de tecnologia lá fora pode até estar caro, mas há muitos outros entregando resultados acima das expectativas. Tem ainda muitas oportunidades nas ações dos Estados Unidos.”

Os títulos de renda fixa e os fundos são oferecidos em plataformas digitais e podem ser acessados por meio de contas globais de investimentos.

A especialista da Nomad lembra ainda que pensar em investimentos lá fora é muito diferente de comprar dólar para viajar. “Na viagem, o melhor é fazer um câmbio médio. Mas no caso de diversificação internacional, o quanto antes começar, melhor.”

Isso porque a oscilação cambial é atenuada pelo efeito dos juros compostos, então quanto mais tempo o dinheiro ficar investido maior a vantagem na rentabilidade da carteira. Zogbi ressalta ainda que manter os recursos no longo prazo ainda ajuda a aproveitar os melhores dias do mercado, que podem representar um reforço significativo na hora de resgatar.

De qualquer modo, essa janela de calmaria provavelmente tem um prazo de validade. A estrategista-chefe da Nomad vê a partir do ano que vem uma chance cada vez maior da volta da volatilidade. “A questão fiscal tende a influenciar mais o câmbio no ano que vem, principalmente quando o tema das eleições ficar mais no foco.”

A economista lembra que no fim de 2024 o dólar subiu para a casa dos R$ 6,18 principalmente por conta das preocupações com o desequilíbrio fiscal. Na visão da estrategista da Nomad, esse fator ganhou um contrapeso com o enfraquecimento global da moeda americana ao longo do ano e o grande diferencial de juros existente entre Brasil e EUA.

Para 2026, o cenário pode mudar. Essa virada pode acontecer porque o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado para uma redução de ritmo ou até mesmo uma pausa nos cortes de juros a partir do ano que vem. Além disso, o BC brasileiro pode começar seu próprio ciclo de redução de taxas, o que reduzia a diferença entre os rendimentos de ativos locais e americanos. Essa diminuição do diferencial de juros tende a fortalecer a moeda americana.

Além disso, o Brasil tem suas próprias incertezas internas. A principal tem a ver com a trajetória do endividamento público e a menor disposição para enfrentar o problema em um ano de eleições. São incertezas que elevam o prêmio de risco pedido pelos investidores globais e, com um fluxo menor de dinheiro de fora vindo para o país, tendem a enfraquecer o real.

Uma nova atualização do ethereum vem aí. O que esperar da ‘Fusaka’?

10 de Outubro de 2025, 10:50

O ethereum (ETH) costuma passar por atualizações em sua blockchain – o sistema em que as criptomoedas “rodam”. Não é para ficar na modinha, mas sim para incluir novidades, ajustar processos aqui e acolá ou tirar algum atrito que atrapalhava sua estrutura. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, se os testes correrem bem, o sistema deve receber mais uma atualização: a Fusaka.

Em resumo, essa atualização reúne 12 propostas de melhorias no código do projeto cripto, que vale hoje US$ 524 bilhões – equivalente ao PIB de 2024 do Chile, Equador e Uruguai somados. O objetivo das mudanças é tornar a rede mais escalável – capaz de crescer sem travar -, mais eficiente e “dramaticamente” mais barata, segundo o roadmap (plano de desenvolvimento) publicado pela Ethereum.org.

Entre as alterações previstas, uma das mais significativas impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema – sim, é um termo estranho e quase um palavrão, mas vamos te explicar.

Para entender bem, lembre-se que o ethereum, diferente do bitcoin (BTC), não é só uma criptomoeda. Ele funciona também como uma espécie de grande programa de computador global, em que desenvolvedores de todo o mundo criam seus próprios projetos – desde novos tokens (as famosas memecoins que o digam) até plataformas de empréstimos sem bancos no meio do caminho.

Por ter um monte de gente usando, esse ecossitema gigante acaba ficando super congestionado, quase como uma Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, às 18h. Os tais rollups seriam, portanto, como estradas menores que se conectam à via principal, desafogando o tráfego e dando mais fluidez. Algumas das principais são a arbitrum (ARB), a optimism (OP) e a base (BASE).

O grande problema é que, para se conectar à rodovia principal, essas soluções precisam conferir todos os carros (verificar trodos os dados) que passam por ela – uma exigência de segurança da blockchain, que acaba tornando o processo mais caro e lento. Com a Fusaka, no entanto, será possível participar dessa brincadeira dando uma olhada apenas em trechos da avenida, sem precisar analisar o trânsito inteiro.

“As implicações do Fusaka são significativas”, disse a gestora VanEck em relatório sobre o projeto. “A atualização deve reduzir os custos para as rollups da Camada 2 (esse termo, bastante usado no mercado cripto, se refere a blockchains secundárias que rodam em outra blockchain principal), o que se traduz em transações mais baratas para os usuários finais. Mantendo-se tudo o mais constante, isso deve trazer mais atividade econômica onchain (dentro da blockchain) para a órbita do ethereum”.

Dankrad Feist, co-líder da equipe de arquitetura de protocolo da Fundação Ethereum, disse na semana passada, em entrevista ao Yahoo, que a Fusaka é tão importante quanto a Merge, aquela grande atualização feita em 2022, que alterou a forma como a criptomoeda é minerada (emitida), dando um ar mais “eco friendly” para o projeto.

Qual o impacto para o usuário de ethereum?

Para quem usa ethereum no dia a dia – seja comprando e vendendo criptomoedas, negociando tokens não fungíveis (NFTs) ou acessando plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), aquelas que permitem tomar empréstimos, por exemplo, sem passar por bancos -, a principal mudança esperada é a redução das taxas de transação, chamadas de gas fees.

Essas taxas funcionam como um pedágio digital: cada vez que alguém envia ETH ou interage com um contrato inteligente (programa autoexecutável que permite criar tokens e montar outros projetos dentro de blockchains), precisa pagar um valor para que a operação seja processada na rede. O custo depende da complexidade da transação.

Hoje, segundo dados do YCharts, a taxa média em dólares para uma transação do Ethereum processada por um minerador e confirmada está na casa dos US$ 0,45. Durante picos de congestionamento, como no auge dos NFTs, esse valor já passou de US$ 3,20. A expectativa é que a Fusaka ajude a manter esses custos bem mais baixos de forma consistente.

E qual o impacto no preço?

O ethereum é negociado a US$ 4.341 na manha desta sexta-feira (10), com queda de 1% do dia. Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, disse ao InvestNews que a Fusaka é vista como uma mudança positiva para o ethereum, mas é difícil afirmar que ela trará um impacto direto e imediato no preço.

“O efeito tende a ser mais estrutural, reforçando a tese de longo prazo do ativo do que provocando um movimento específico agora”, falou. “Dados macroeconômicos dos EUA, os riscos do shutdown atual e até a política das chamadas tarifas Trump têm pesado mais nas decisões dos investidores do que qualquer atualização isolada”.

Bitcoin segura os US$ 123 mil; BNB rouba a cena e vira 3º maior cripto do mercado

8 de Outubro de 2025, 08:07

O bitcoin (BTC) recuou levemente após atingir a máxima de US$ 126 mil, mas segue estável na faixa dos US$ 123 mil na manhã desta quarta-feira (8). O destaque do dia é o BNB (BNB), que disparou e renovou seu recorde histórico.

O token, nativo da blockchain da exchange Binance, é negociado a US$ 1.320 nesta manhã, com alta de 5% nas últimas 24 horas e 30% no acumulado da semana – acima da valorização de 7% do BTC no mesmo período.

Com essa disparada, o BNB ultrapassou o XRP e se tornou a terceira maior criptomoeda do mundo, com valor de mercado de US$ 183,9 bilhões, contra US$ 178 bilhões da rival, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O movimento coincide com o aumento de operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como a Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por ações promocionais.

Também houve maior demanda institucional pelo token, com fundos regionais – incluindo no Cazaquistão e no Sudeste Asiático – adicionando BNB a seus portfólios de ativos digitais.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h45:

Bitcoin (BTC):  – 1,15%, US$ 123.059,10

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.483,92

XRP (XRP): – 3,33%, US$ 2,87

BNB (BNB): + 5,00%, US$ 1.320,00

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Destaques do mercado cripto

Caixa entra no mundo cripto. A Caixa Asset, gestora de recursos da empresa pública, lançou um fundo de criptomoedas em parceria com a gestora global de criptoativos Hashdex. O novo produto busca replicar a performance do Nasdaq Crypto Index (NCI™️), um índice que investe em bitcoin, ethereum, XRP, solana, entre outras altcoins. O movimento marca a entrada do banco no universo cripto.

Tesouraria de memecoin de Trump. A empresa cripto Fight Fight Fight, por trás da memecoin de Donald Trump, quer levantar pelo menos US$ 200 milhões para criar uma tesouraria que acumularia a cripto ligada ao presidente dos EUA, segundo a Bloomberg. Desde o seu lançamento, no começo deste ano, o ativo digital teve um desempenho volátil: disparou para cerca de US$ 44 em janeiro, mas desde então desabou para US$ 7,5, valor negociado na manhã desta quarta. 

Ações de shoppings superam – com folga – os fundos imobiliários neste ano. Saiba por quê

8 de Outubro de 2025, 06:00

Para a maior parte dos investidores, falar em investir em shoppings significa comprar cotas de fundos imobiliários especializados nos centros de compras e lazer. Mas ainda que esse segmento dos FIIs esteja indo muito bem, com uma valorização de mais de 18% em 2025, quem está com tudo mesmo são as ações das companhias do setor.

Todos os papéis das empresas listadas desse setor sobem 40% ou mais neste ano. O motivo? O intenso ciclo de obras dos últimos anos, que incluiu reformas e ajustes de portfólio. E agora as companhias colhem os frutos desse trabalho.

Mas ainda que pareça que as ações já andaram bastante, na verdade, analistas ainda veem espaço para crescimento. Isso porque essas empresas se beneficiam diretamente de juros mais baixos. Com uma Selic em 15% ao ano, portanto, o avanço potencial dos centros de compras e lazer apenas começou. Quando o Banco Central passar a cortar a taxa básica, a tendência é de os resultados melhorarem ainda mais.

Além disso, mesmo com a alta recente das ações, analistas ainda acreditam que esses papéis negociam com desconto. Ou seja, ainda não foram capazes de capturar todo o esforço de melhora operacional, de priorização dos ativos de maior qualidade e de foco nos mercados mais lucrativos.

Multiplan, Allos e Iguatemi, as principais operadoras listadas na Bolsa, passaram pela fase reciclagem de portfólio, modernização de espaços e foco em eficiência. O resultado é um setor concentrado em ativos de maior qualidade e com retornos crescentes, o que ajuda a explicar por que as ações têm entregado desempenho superior ao dos fundos imobiliários do segmento.

Os analistas do Santander mantêm as três companhias com o status de “outperform”, ou seja, com um desempenho abaixo do seu potencial e, portanto, com indicação de compra. Os preços-alvos para 2025 revelam o potencial de alta antes mesmo de o BC começar a cortar os juros. No caso de Allos, a casa de análise estima um preço-alvo de R$ 33,50 para o papel, o que significa um potencial de alta de 38,3% ante a cotação atual.

No caso de Iguatemi e Multiplan, as projeções são ainda maiores. O preço-alvo de Multiplan foi calculado em R$ 39,50 e o do Iguatemi em R$ 34,50. As projeções representam potenciais de altas de, respectivamente, de 44,2% e 49,7%.

Ações x FIIs

Esse ambiente favorável aos shoppings tende a beneficiar o setor como um todo. A questão é que hoje os ativos mais ‘premium’ estão nas mãos das empresas, e não dos fundos. E isso não é difícil de explicar: as companhias querem preservar os ativos premium, e optam por vender aqueles que têm menos potencial ou então que estão fora da estratégia da empresa. Ou seja, o Iguatemi não vai vender o Iguatemi São Paulo nem a Multiplan vai se desfazer do Barra Shopping ou o MorumbiShopping, por exemplo.

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Essa diferença entre as carteiras das empresas e dos fundos pode ser observada no resultado da receita líquida operacional (NOI, na sigla em inglês) por m2 mensal, ou seja, a receita por metro quadrado que o shopping gera com aluguel e serviços, menos os custos com manutenção, limpeza, segurança etc. No caso dos FIIs, o NOI dos portfólios que fazem parte do Índice de Fundos Imobiliários da B3 (Ifix) ficou em R$ 130 no segundo trimestre deste ano. Um dos FIIs mais negociados no mercado, o XP Malls, por exemplo, reportou um NOI/m2 de R$ 133 no segundo trimestre.

Já as companhias do setor, por sua vez, mostram uma rentabilidade bem maior no mesmo período. A Allos exibiu um valor de receita operacional líquida por metro quadrado mensal de R$ 154. A Iguatemi mostrou no fim do segundo trimestre um NOI/m2 de R$ 225. E a Multiplan, de R$ 174.

Isso significa que a rentabilidade das companhias do setor listadas alcança uma vantagem entre 18% e 73% acima da média dos FIIs de shoppings.

Margens históricas

Esse desempenho garantiu margens históricas para as companhias com ações negociadas na bolsa, de 88% a 89%.

Dona de 58 empreendimentos, a Allos manteve uma taxa de ocupação de 96,4%, ou seja, praticamente todos os espaços dos shoppings alugados. O resultado operacional dos shoppings, a margem NOI (que é o quanto da receita por metro quadrado de fato se transforma em lucro) atingiu 93,3%, o maior nível já registrado pela companhia.

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A Multiplan também teve margem NOI de 95%, a mais alta desde sua abertura de capital. Já a Iguatemi apresentou ocupação acima de 96% e margem Noi de 93,8% — reforçando o bom momento de todo o setor.

Crescimento acima da média

Boa parte dessa melhora reflete o encerramento do ciclo de revitalizações que marcou o pós-pandemia. “Fomos percursores dessa nova etapa de expansão e revitalização”, disse Armando d’Almeida Neto, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Multiplan, em entrevista ao InvestNews.

Segundo ele, a decisão de investir quando o setor ainda estava em compasso de espera se mostrou acertada. “Na época, fomos criticados pelo aumento de capex (investimento), mas a estratégia trouxe retorno de capital acima do esperado. Hoje vemos o resultado em shoppings como o DiamondMall, o BarraShopping e o Morumbi, que cresceram bem acima da média da companhia”, afirmou.

Para Armando, o setor agora entra em uma nova fase — não mais de grandes reformas, mas de expansões pontuais e estratégicas, capazes de capturar a demanda reprimida de lojistas. E é essa demanda que deve manter o crescimento de receitas mesmo mesmo num potencial ambiente de desaceleração do consumo.

“A Multiplan tem cerca de 170 mil metros quadrados disponíveis para crescer dentro dos próprios shoppings, o que representa 20% de aumento de ABL (área bruta locável) apenas com os ativos que já temos”, disse. “A demanda por espaço continua forte. O varejo não tem mais para onde crescer na rua; só dentro dos shoppings.”

Receitas crescem, mesmo com juros altos

A Allos também enxerga o setor no mesmo ponto de inflexão. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, o CEO Rafael Salles destacou que a alta ocupação e o avanço da receita maior do que o aumento da inflação mostra a força da demanda por espaço nos shoppings do grupo. A empresa destacou ainda que grande parte do portfólio já passou por modernização, e agora prioriza expansões com retorno rápido e uma evolução de receita eficiente.

A Iguatemi segue o mesmo caminho. Depois de um 2024 marcado por aquisições como RioSul, Pátio Paulista e Pátio Higienópolis, e pela venda de participações em outros ativos, a companhia agora foca em integrar e ampliar os empreendimentos. O grupo está investindo na expansão do Iguatemi Brasília e no retrofit do Market Place, em São Paulo — dois projetos que a administração acredita serem capazes de sustentar o crescimento orgânico dos próximos trimestres.

Apesar do ambiente ainda desafiador, marcado por juros elevados, o ritmo de execução e rentabilidade permanece forte. A analistas, o CEO da Allos afirmou que ainda é um momento de maior cautela no lado de investimento. “E no lado de desinvestimentos, a gente teria que buscar uma solução, não há hoje muita liquidez para fazer transações grandes e a gente não pretende vender ativos fora do valor correto.”

Para d’Almeida Neto, VP da Multiplan, em um cenário de custos de capital mais baixos, a atividade no setor seria ainda mais aquecida. “A queda dos juros impacta diretamente o valor das companhias e libera apetite para novas aquisições e expansões.” Diante desse contexto, ele avalia que a melhor decisão recente da Multiplan foi o programa de recompra de ações, com retorno acima do que seria possível em novos projetos no atual momento.

Investidores de COEs da Ambipar e da Braskem têm prejuízos de até 93%

7 de Outubro de 2025, 14:13

As perdas com certificados de operações estruturadas (COE) lastreadas por títulos em dólar da Ambipar e da Braskem já são realidade. A XP começou a enviar comunicados aos assessores de investimentos de sua rede nos quais pede para informar os clientes sobre os prejuízos dos certificados após o acionamento de cláusulas de vencimento antecipado. Há casos nos quais o cliente vai receber apenas 7% do valor originalmente aplicado, ou seja, uma perda de 93%.

Conforme revelado com exclusividade pela reportagem do InvestNews, há, pelo menos, 41 emissões de COEs da Ambipar no mercado e 78 da Braskem, ligados a seus bonds – títulos de dívida emitidos no mercado internacional. São produtos emitidos por várias casas e potencialmente sob risco.

Nos comunicados enviados aos assessores, a XP informa que os investidores vão receber menos de 7% do valor investido originalmente, no caso dos COEs de Ambipar que tiveram a cláusula de vencimento antecipado acionada. São certificados emitidos até 18 de março do ano passado. Em relação aos COEs de Braskem, o percentual recuperado é maior, entre 26% e 37%, para títulos emitidos até 24 de março de 2024.

Na plataforma Reclame Aqui, há vários relatos de supostos clientes que tiveram prejuízos significativos com os COEs emitidos pela XP. Há cerca de 20 depoimentos até o momento relacionados a perdas com os COEs.

Em uma reclamação postada na segunda-feira (6), o investidor afirma ter perdido R$ 270 mil em um certificado com lastro em bonds da Ambipar e vencimento em 2031. “Por causa da crise na empresa, a XP liquidou o título e os meus R$ 289 mil viraram R$ 19 mil.”

Em outro depoimento postado no mesmo dia, o suposto cliente alega ter perdido R$ 22 mil com um COE semelhante. “O valor aparece zerado no meu aplicativo, e eu nem sequer fui informado.” Há ainda um caso divulgado na plataforma nesta terça-feira (7) no qual o aplicador reclama ter tido um prejuízo de 80% com o certificado. Dos R$ 25 mil originalmente alocados, poderá recuperar cerca de R$ 5 mil.

Vários COEs preveem que, se os títulos das companhias que servem como lastro caírem mais que um determinado nível no mercado secundário, por exemplo, serem negociados abaixo de 50% do preço de emissão, os vencimentos desses certificados são antecipados. Nesse caso, os investidores pagam a conta, ou seja, amargam os prejuízos, porque o COE é desfeito, o bond é vendido ao preço que o mercado está pagando e o aplicador só recebe o que for possível obter.

O problema é que com os temores sobre potenciais pedidos de recuperação judicial tanto da Braskem quanto da Ambipar, os títulos passaram a ser negociados por uma fração do preço de face. No caso da Ambipar, o efeito foi ainda maior porque a companhia obteve na Justiça um pedido de tutela cautelar para se proteger contra credores por 30 dias, renováveis por mais 30. Esse tipo de sollicitação costuma anteceder processo de RJ.

As preocupações têm levado os títulos emitidos pelas companhias no mercado internacional a serem negociados nos preços mínimos históricos. Os bonds de Ambipar têm sido negociados a 13% do valor de face, enquanto os da Braskem a até 20% do preço original na emissão.

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Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

30 de Setembro de 2025, 15:07

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

chart visualization

Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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